História Blue Bird - Capítulo 27


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Blue Bird, Exame, Haruno, Naruto, Rainforest, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Sasu-sensei, Uchiha
Exibições 117
Palavras 3.162
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


gente só faltam três capítulos, chorem comigo

Capítulo 27 - Quebraste o meu escudo


 

Quebraste o meu escudo

A equipe só voltou a reunir dois dias depois, quando Sasuke fez o anúncio de que iria fazer testes para se graduar. Naruto já sabia, por isso nem reagiu — além de estar ainda  chateado com ele. Kakashi congratulou-o com um sorriso sereno. Sakura não falou.

Esse treino foi um desastre. Nenhum dos três conseguia concentrar-se convenientemente e a tensão estava impregnada no ar como uma forma de energia estática. Ninguém falava com ninguém além de Kakashi, e os golpes eram dados com mais violência do que a esperada de um treino.

O exame de Sasuke seria terça-feira, dali a três dias, e Kakashi sugeriu algum treino intensivo individual. Naruto já lhe contara da conversa que tivera com Sasuke — ainda que Sakura continuasse às cegas nesse assunto —, mas Kakashi esperava dar algumas sugestões indirectas caso as coisas não se endireitassem até ao exame. Também sabia que um exame chuunin normal não seria problema nenhum para Sasuke, que tinha um poder enorme, mas, tratando-se de um exame especial, ele deveria contar com tudo.

Sasuke, por seu lado, já andava a dormir mal há algumas semanas — desde que cortara com Sakura, mais concretamente —, mas nos últimos três dias não tinha dormido de todo. O corpo começava a ressentir-se contra a falta de descanso e ele sabia que não iria aguentar até ao exame — que seria após do dia seguinte — se continuasse assim.

Precisava de fazer algo urgentemente.

Sabia que a única forma de resolver o seu problema de sono, era resolvendo o seu problema com Sakura. Contudo, não se sentia preparado para admitir os seus sentimentos, ou muito menos confessá-los.

Por outro lado, será que algum dia estaria?

Saiu de casa, enfrentado a noite, determinado a desfazer o problema de uma vez por todas. Ou tentar. Não sabia o que diria quando visse Sakura, nem sabia como iria realmente resolver aquilo, mas tinha de pelo menos tentar. Também não esperava que ela o aceitasse de braços abertos, considerando todas as mágoas que guardava por causa dele. Mas, mais uma vez, não podia adiar a questão nem ser covarde perante ela.

Calculou que estivesse a dormir, quando a viu da janela. Mas Sakura voltou-se, impaciente, os olhos abertos e alerta. Isso apanhou Sasuke desprevenido, mas poupava-o da incómoda tarefa de acordá-la. Sakura levou algum tempo a reparar nele, os olhos focados em algo distante na sua cómoda. Sasuke sabia o que era — a fotografia da equipe sete, que regressara ao seu poiso. Também ele perdera algum tempo a olhar para ela nas vezes em que dormira ali.

Sakura levantou-se, revelando que o tinha detetado. Sasuke tentou não reagir, ainda que se sentisse ridiculamente nervoso. O olhar de Sakura era pesado, pasmado. Mas, mesmo dali, Sasuke conseguia ver uma centelha de alegria.

Tocou na janela com a ponta dos dedos, indicando que queria entrar. Sakura demorou algum tempo a levantar-se, como se ainda estivesse a processar que ele realmente ali estava. Destrancou a janela e deu-lhe entrada. Então, ela tinha voltado a trancar a janela. Sasuke viu isso como um sinal de que a esperança de Sakura tinha realmente morrido para ele.

Sem nenhuma palavra, nem mesmo o habitual ‘Sasuke-kun, que fazes aqui?’, Sakura voltou a fechar a janela e voltou-se para ele à espera de uma explicação. Mas francamente, ele não tinha uma que pudesse agradá-la.

— Como estás? — perguntou, como desbloqueador de conversa. A voz saiu-lhe rouca.

— Bem. — respondeu Sakura, inexpressiva. Não repetiu a pergunta dele. Então era assim que seria?

— Acho que devíamos falar. — soltou. As sobrancelhas de Sakura ergueram-se, como quem dizia ‘Eu tentei isso há semanas atrás’. Mas não disse nada.

Ficaram em silêncio durante um longo momento. Sakura à espera de uma justificação, Sasuke à procura de uma.

— Vai direto ao assunto, Sasuke, preciso de dormir. — disse ela, sem no entanto mostrar quaisquer sinais de sono. Aliás, as suas olheiras profundas e o cansaço estampados no rosto mostravam que não devia dormir há bastante tempo. Sasuke sentiu-se ainda mais culpado.

— Eu não devia ter-me afastado. — começou, e imediatamente percebeu que isso era verdade. Fora um erro, mas aprendera com ele. — Mas eu precisava de compreender algumas coisas e para isso eu tinha de o fazer.

Sakura pestanejou, surpreendida. Esperava algo como ‘Cansei-me de seres tão fraca’ ou ‘És irritante’, em última hipótese um ‘Percebi que não quero nada contigo, nem mesmo amizade’, mas jamais isto.

— Quebraste o meu escudo. — continuou, e o seu olhar foi-se tornando perdido, como se as palavras saíssem sozinhas — Como sempre, consegues ler-me melhor do que toda a gente, sabes sempre do que eu preciso e estás sempre disponível para mim. Isso deixa-me completamente desamparado, ironicamente. — Sakura arregalou os olhos. Aquele era mesmo Sasuke? Admitindo as suas fraquezas, admitindo os seus erros, abrindo o seu coração? — Precisei de descobrir como era estar longe de ti, para perceber tudo o que aconteceu connosco nos últimos tempos.

— Sasuke-kun… — murmurou, após algum tempo de silêncio. Sasuke ora a encarava muito sério ora desviava o olhar. Sakura apenas olhava para ele, estupefacta. Não conseguia falar.

O tempo passava e aquele debate entre os olhares foi crescendo em intensidade, enquanto Sakura processava a informação e Sasuke aguardava uma resposta.

— Sasuke-kun — retomou, após reunir alguma coragem; tinha a garganta seca e a voz vacilava — Estás aqui… Estás a dizer-me que precisas de mim?

A própria ideia pareceu surpreender Sasuke, pela sua reacção. Mas, passados alguns segundos de rápida reflexão, ele anuiu. Sakura arregalou ainda mais os olhos.

— Sakura. — murmurou ele — Mais uma vez… desculpa.

Sakura mal cabia dentro de si com tanta comoção. Aquilo estava mesmo a acontecer? Ergueu uma mão, que pousou no rosto de Sasuke. Sentiu a barba rente picar-lhe a pele, provavelmente fruto de algum desleixo. Sasuke fechou os olhos, sentindo o seu toque delicado.

— Sasuke-kun — chamou, não resistindo a fazer-lhe a pergunta — O que queres de mim?

Sasuke abriu imediatamente os olhos, olhando para ela como se fosse louca. Não era óbvio? Não acabara ele de se declarar de forma clara e audível? Sacudiu a cabeça, como se rejeitasse a pergunta dela, e suspirou. Sakura ainda o aguardava.

 — Sakura. — murmurou, inclinando-se. A sua tentação era tocar-lhe, mas não agora; não ainda. Manteve as mãos junto do próprio corpo numa perfeita exibição de auto controlo, enquanto o seu rosto se aproximava lentamente do de Sakura. A kunoichi estava imóvel, os olhos dela acompanhando o movimento dele, arregalados, brilhantes, provavelmente em expectativa, mas incrédulos. Quando os lábios de Sasuke tocaram os de Sakura, ela fechou os olhos. Ele observou-a um pouco mais antes de fechar também os seus.

Sakura manteve-se imóvel, tanto quanto Sasuke. Nem os lábios se moviam, limitando-se a estar encostados. Nenhum deles queria realmente mexer-se, com medo de estragar o momento ou quebrar o clima. Sasuke fez um pouco mais de pressão antes de finalmente se afastar.

Sakura pestanejou, em estado de choque.

— Sakura? — chamou-a, preocupado. Teria errado ao beijá-la?

Mas Sakura recuperou, um sorriso singelo surgindo no seu rosto. E inclinou-se para ele, levantando-se nas pontas dos pés para compensar a diferença de alturas, e beijou-o de novo. Desta vez os seus lábios moveram-se, abrindo-se e absorvendo, e as mãos de Sasuke moveram-se para a cintura e rosto de Sakura. Sentia-se tão bem.

Foi Sakura quem se afastou primeiro, apenas para se aproximar outra vez, envolvendo-o num abraço apertado. O cheiro inebriante do cabelo dela envolveu-o, como uma toxina em que se tornara viciado, e foi então que compreendeu como é que Sakura o reconhecera na noite do seu aniversário.

— Anda, Sasuke-kun, vamos dormir. — disse Sakura, separando-se dele e pegando-lhe na mão. Puxou-o em direcção à cama, mas não precisou de fazer grande esforço. Sasuke segui-la-ia até a Sunagakure se fosse preciso. Nem lhe passou, por um segundo que fosse, recusar o convite dela. Deitaram-se, e Sakura encostou-se a ele com carinho. Mais uma vez, Sasuke sabia que tudo que acontecesse naquela noite seria inocente, sem quaisquer segundas intenções.

Mas era exactamente disso que ele precisava.

 

Em apenas duas noites com Sakura — aquela e a seguinte —, Sasuke conseguiu recuperar o sono perdido e a sua força. O ambiente entre a equipe também melhorou significativamente, ao ponto de o próprio Sai perguntar o que tinha acontecido. Mas Sasuke e Sakura fechavam-se em copas sempre que alguma pergunta era feita sobre o assunto, respondendo apenas que ‘Não precisavam de se preocupar’ e para voltar à tarefa que estivessem a fazer, fosse qual fosse.

O último treino de Kakashi com Sasuke foi o mais produtivo de todos até ao momento, e não conseguiu deixar de expressar o seu alívio perante as tréguas entre o Uchiha e Sakura. Sasuke não respondeu, mas também não mostrou qualquer hostilidade.

No dia do exame, Sasuke levantou-se mais cedo do que o costume. Quando Sakura acordou, horas mais tarde, sentiu-se desiludida por não ter conseguido sequer desejar-lhe sorte. Mas teria imenso trabalho pela frente naquele dia, e tinha a certeza que Sasuke se sairia bem. Apenas iria esperar por notícias, do mesmo modo que esperaria por ele nessa noite.

 

 

O exame de Sasuke era ridiculamente fácil. Uma versão urbana do exame chuunin que realizara antes de sair de Konoha. Tinha um documento e a sua missão era entrega-lo em determinando ponto, seguindo determinado roteiro. Tinha de evitar armadilhas, lutar contra outros ninjas (e, mais uma vez, foi-lhe vedada a possibilidade de usar jutsus potencialmente mortais), realizar pequenas e rápidas missões pelo caminho, e chegar com o documento intacto ao seu destino.

Não demorou duas horas a fazê-lo.

Contudo, não deixou de ficar cansado. Quando lhe foi anunciado que fora aprovado, estava com um nível tão baixo de paciência que se limitou a acenar em resposta. Tsunade entregou-lhe um diploma e dispensou-o sem grandes elogios — sabia que Sasuke não precisava deles.

— Quanto à tua graduação para jounin — dissera, antes de ele sair — irá ser proposta em conselho ainda esta semana. Mas a aprovação poderá demorar.

Sasuke tornou a acenar, tão despreocupado quanto desinteressado, e saiu.

Passou por casa de Sakura, mas ela não estava — provavelmente ainda estava no hospital, ainda que já fosse hora de almoço. Não se importou muito. Foi direto para casa e nem almoçou — caiu na cama e adormeceu.

Acordou horas depois, quando bateram à porta. Anos enquanto fugitivo tinham-nos tornado hipersensível a esse ponto. Lembrou-se que não comia desde madrugada e ainda não tomara banho, e tinha alguns arranhões um tanto dolorosos. Mas, fosse quem fosse que aparecera, estava antes de tudo isso.

Arrastou-se até à porta, encontrando Sakura do outro lado. Pestanejou, por um momento considerando estar a alucinar. Não estava — aquela era mesmo Sakura, sorrindo-lhe de forma gentil. Deixou-a entrar sem fazer qualquer comentário. Sakura estava voltada para a cozinha e Sasuke deixou-se ficar atrás dela, aguardando.

— Tsunade-shishou disse-me que já tinhas saído do exame e foste aprovado. — comentou ela, antes de ser virar. Viu a interrogação nos olhos de Sasuke e riu — Ah, tive de lhe ir entregar uns relatórios e ela perguntou como me sentia com a tua aprovação.

Sasuke grunhiu, como se imediatamente descartasse aquela conversa. Avançou pela cozinha, deixando Sakura para trás, e foi buscar um copo de água.

— Então, como correu? — perguntou Sakura. Sasuke não respondeu de imediato, ocupado a despejar o copo de água como se não bebesse há semanas. Sakura mantinha-se no mesmo sítio, olhando para ele com atenção. Viu os arranhões e o modo como andava, cansado, mas não comentaria nada disso por enquanto.

— Foi fácil. — respondeu Sasuke por fim, pousando o copo no lava loiça e encostando-se ao balcão. Sakura esperou que ele dissesse algo mais, mas não o fez.

Avançou pela cozinha, pousando o saco em cima da mesa. Sasuke observou-a com interesse enquanto tirava alguns tupperwares.

— Trouxe alguma comida e pomadas. — explicou Sakura, tirando de seguida alguns frascos e boiões, que dispôs num canto da mesa. — Já almoçaste? — Sasuke abanou a cabeça — Ótimo. — empurrou os tupperwares na direcção dele, puxando a cadeira num convite para que se sentasse — Então vamos comer. Depois vais tomar banho. E depois eu vou tratar desses arranhões todos.

— Sakura, não sou um bebé.  — resmungou Sasuke, mas já estava a sentar-se com os hashi na mão, conformado. Sakura sentou-se ao seu lado e ambos comeram em silêncio. Quando terminaram, Sakura ofereceu-se para lavar a loiça enquanto Sasuke ia tomar banho, o que ele aceitou sem grandes protestos. Estava demasiado desesperado por um banho para contestar.

Sasuke demorou algum tempo, por isso Sakura aproveitou para ir preparando as misturas que iria aplicar-lhe. A maioria das pomadas eram preparadas por ela em casa, e costumava ter uma reserva delas, mas às vezes as misturas precisavam de ser feitas na hora da aplicação.

A primeira coisa em que Sasuke reparou quando voltou foi o cheiro a menta. A segunda, foi o brilho no olhar de Sakura quando ele entrou, seguido de um quase imperceptível arquejar. Pestanejou, confuso. Mas ele não via o que Sakura via — um Sasuke limpinho de fresco, o cabelo molhado caindo-lhe sobre os olhos, a camisa aberta apenas até metade e o olhar relaxado dele. Para Sakura, era o suficiente para o seu coração ficar imediatamente instável.

— Que cheiro é este? — perguntou Sasuke, despertando-a. Sakura pestanejou rapidamente, corando a olhos vistos.

— Ah, é menta. — respondeu atabalhoadamente — As pomadas cheiram bastante mal, por isso costumo adicionar-lhes um pouco de menta para disfarçar.

— Hm. — grunhiu em resposta, aproximando-se. Sakura evitou violentamente o contacto visual, e Sasuke quase teve vontade de rir. Sentou-se, sabendo que era isso que ela lhe mandaria fazer.

— Então, hm, deixa-me ver.

Sasuke apenas despiu a camisa sem qualquer cerimónia. Quase esperou outro esgar, mas, quando olhou de relance para Sakura, esta parecia ter recuperado o profissionalismo. Sem saber bem porquê, isso desiludiu-o um pouco.

Sakura analisou os pequenos golpes como sempre fazia, verificando o nível de dor e a profundidade, ora através do toque, ora perguntando. Era um ritual a que os dois estavam habituados, apesar do hiatus de várias semanas. Por fim, ela afastou-se, e Sasuke não conseguiu evitar a decepção ao deixar de sentir o seu toque. Sakura não deu por nada, estando já concentrada nas pomadas.

— Isto pode arder, sim? — avisou, antes de começar a espalhar uma mistela verde sobre os arranhões.

De facto, ardia, mas nada que fosse realmente incómodo. Sakura lavou as mãos antes de passar à pomada seguinte, num tom acastanhado, que aplicou sobre as nódoas negras. Hesitou antes de tocar no rosto dele, onde uma nódoa manchava o seu queixo. Com um suspiro, aplicou a pomada, mas os olhos de ambos não se desviaram um do outro por um segundo que fosse. Sakura voltou a lavar as mãos quando terminou, e arrumou novamente as pomadas dentro do saco.

— Pronto, Sasuke-kun — declarou quando arrumou tudo — já fiz tudo o que aqui vim fazer.

Sasuke olhou-a intensamente, daquela forma que fazia Sakura sentir-se transparente. Isto fê-la hesitar, apesar de se preparar para ir embora.

— Ah, sim — lembrou-se, sorrindo apologeticamente — Quando é que te tornas jounin?

— Não sei bem, só no final da semana é que vão fazer a proposta. — encolheu os ombros, disfarçando bem que a pergunta o apanhara desprevenido.

— Ah, sim. Tenho a certeza que te vão aceitar.

O sorriso dela mostrava uma esperança e um orgulho que ele não conseguia sentir. Sabia que seria aceite, porque a vila precisava dele, e não pelo seu esforço para tal. Era injusto, sobretudo considerando que Sakura tivera que trabalhar arduamente para se tornar jounin. Mas não podia contar-lhe isso por causa do carácter confidencial do caso. Sentiu-se mal.

— Bem, Sasuke-kun, eu vou andando — anunciou Sakura, dando alguns passos até à porta. Mas a voz de Sasuke parou-a, calma e firme.

— Sakura.

A kunoichi virou-se lentamente, admirada. Sasuke não mostrava nenhuma emoção no momento, mas o seu olhar era pesado.

— Sasuke-kun? — murmurou.

— Fica.

Uma só palavra, e mil emoções a envolveram. O seu rosto exibiu várias expressões contraditórias e distintas, antes de terminar com um sorriso. Voltou para trás e tornou a pousar o saco em cima da mesa, acenando. Não conseguia dizer que não a Sasuke. Se ele queria que ela ficasse, ficaria.

— Ahh — Sasuke pareceu subitamente lembrar-se de algo — Não trabalhas mais hoje?

— Não. Saí mais tarde para ter a tarde livre. — explicou, serena. Não disse que o fizera porque pretendia ficar a cuidar dele. Acabara essa parte mais cedo do que esperara e agora estava sem desculpas para estar ali. Mas Sasuke pedira-lhe para ficar, não pedira?

— Hm. — remexeu-se na cadeira, desconfortável. Pegou na blusa e planeou voltar a vesti-la, mas Sakura rapidamente o alertou para não o fazer.

— As pomadas precisam de secar. Daqui a pouco podes voltar a vestir, mas tenta não o fazer. — explicou.

Sasuke pendurou a blusa na cadeira, levantando-se. As manchas de pomada espalhadas pelo seu corpo davam a ideia de estar sujo. Exalava um intenso cheiro a menta, mas não parecia incomodado.

— Vou-me deitar — declarou calmamente, dirigindo-se ao corredor. Sakura ficou a vê-lo sair, parada, perguntando-se porque é que lhe pedira para ficar se ia deixá-la ali sozinha. Sasuke parou à porta, voltando-se para ela. — Não vens? — perguntou, como se fosse óbvio que ela devia segui-lo.

Sakura pestanejou, antes de recuperar o controlo de si própria e segui-lo. O quarto de Sasuke era o último, ao fundo do corredor. O que é que ele tinha em mente? Compreendeu rapidamente, corando violentamente, e começou a procurar formas de explicar delicadamente que ainda não estava pronta para…

— Sakura, não penses asneiras.

Sakura soltou uma gargalhada nervosa, enquanto Sasuke se deitava na cama. Claro que Sasuke não planeava nada assim. A relação entre eles ainda estava demasiado estranha e indefinida. Tinham-se beijado duas vezes — aliás, a memória aquecia-a rapidamente — e dormido juntos muitas outras, mas não sentia intimidade entre eles. Se a sua relação avançasse — fosse lá ela o que fosse —, então ela seria construída. Por enquanto, contudo…

Sasuke fazia-lhe sinal para se juntar a ele. Relutantemente, Sakura deitou-se. Não se tocavam — na verdade, Sakura sentia-se bastante embaraçada. Já dormira com Sasuke tantas vezes, mas estar na cama dele tornava tudo muito diferente e desconfortável. Soltou um arquejar quando o braço de Sasuke passou por cima da sua barriga e a puxou para mais perto.

Oh, por kami-sama.

Sasuke não disse nada. Na verdade, quando Sakura se atreveu a olhar para ele, já tinha os olhos fechados. Esboçou uma espécie de suspiro nervoso, acalmando-se lentamente. Não sabia se ele estaria já a dormir ou não, mas sabia que ela certamente não iria adormecer. Não quando o seu coração batia à velocidade da luz e a sua pele queimava onde estava em contacto com ele.

Sabia que estava a criar demasiadas esperanças. Mas também tinha noção que elas estavam a ser alimentadas — e bastante — pelo próprio Sasuke. Não compreendia exactamente o que se passava, não conhecia exactamente os sentimentos dele, e não sabia onde é que aquilo iria acabar. Mas também compreendia que era aquilo com que sempre sonhara, o que esperar por tantos anos. Convenceu-se então que, mesmo que não desse nada, devia aproveitar enquanto era real.

 



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