História Blue Blood - Capítulo 29


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Ecchi, Famí­lia, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi, internet.
Saudades, ein? S2. Desculpinha.
Tantas novidades! Álbum novo; shows e mais shows... Estava tão acostumada com a banda parada que a volta deles tornou minha vida mais bagunçada do que estava! hahahaa
Como prometido: capítulo sendo postado NO DIA DO MEUS ANIVERSÁRIO, AAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Quero comentários de presente, ein <3 hhaahaha.
Teremos a primeira cena com o Jimmy (memórias dele, no caso)!!! Vocês não tem IDEIA do quanto eu tô nervosa pelo que escrevi!

Enjoy!

Capítulo 29 - Chapter: Bat Country.


Fanfic / Fanfiction Blue Blood - Capítulo 29 - Chapter: Bat Country.

Não vou perder minha vontade de ficar

Você não pode me ajudar enquanto estou começando a queimar? — Bat Country, Avenged Sevenfold.

 

#Babi: Foi mal não ter te deixado dormir antes das quatro da manhã aí no Brasil...

Precisava muito de você.

#Júnior: Tu sabe que me tem, garota.

Eu disse que o fuso horário nunca iria importar muito. Pode me ligar a hora que precisar.

Como você está?

#Babi: É um novo dia.  Foram muitos anos de yoga pra eu perder minha paz à toa.

Não vou ficar me lamentando. Tenho mais o que fazer.

Mas não quer dizer que eu não vá sentir falta dele ou me conforme com essa decisão estúpida.

Bom dia. Amo você. ♥

#Júnior: Ainda temos que falar sobre Christopher...

Não acredito que não me contou antes! Até o Roni sabia!

Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo

Liga.

Até mais tarde.

Amo você.

 

*Júnior’s POV On*

 

A noite tinha sido longa. Eram quase três da manhã em SP, eu tinha acabado de deitar para dormir depois de um show do Far From Alaska (banda cuja estou trabalhando como tour manager pela América latina) quando meu celular tocou, na esperança de que a ligação caísse e a pessoa tivesse a conveniência de só me ligar após o meio-dia, só atendi na terceira chamada, notando algum tipo de emergência na insistência. Era um cara se identificando como um dos guitarristas da Blue Blood, Christopher (como se eu não me lembrasse dele da última vez que fui a Los Angeles), dizendo estar com problemas, explicando algumas coisas do que aconteceu há dez minutos, só então eu parei para analisar os soluços na linha. Quando Gabriela o pediu para ir embora, ela conseguiu explicar tudo com clareza e, consequentemente, desabou com todo o resto. Me contou sobre como o dia tinha sido perfeito e o quanto não poderia terminar pior. Leu para mim o e-mail que Léo mandou há algumas semanas (falando-me sobre a carta que lhe enviara); confessou sobre o novo caso de “amizade colorida” com o guitarrista base da BB; a angustia pela traição do Victor; chorou desamparada de saudades da família; falou da “briga” com Gates e como estava confusa em relação a ele. Gabriela estava tão desesperada que mal se fez as seguintes perguntas necessárias; “Perdeu o quê?”, “namorando?”, “por que ele daria ouvidos à Karina?”, “de onde ele tirou isso?”, “que tipo de desculpas são essas?”. Depois de quase duas horas, Gabriela pegou num sono, ainda chorando, e, no contato que mantivemos nas duas semanas seguintes, nada mais foi comentado sobre o assunto. Ela parecia tão abalada que se mostrava incapaz de pensar nessas coisas.

Não que fosse a primeira vez que um amigo tentava se afastar porque acreditava que seria melhor. Existe algo mais infantil? Durante a adolescência, Gabriela viveu bastante esse drama, contudo, era estranha a reação que ela estava tendo, claro, ela não era mais a garota de quinze anos que tentava não se importar e tentava respeitar a decisão da outra pessoa de se afastar, no entanto, dessa vez era quase como se estivesse sem chão, e isso não podia me deixar mais do que preocupado.

Era tão raro ouvi-la chorar quando Gabriela deixar de me contar algo, ela sempre fazia o possível para suportar o que for e o descarregamento me surpreendeu como nunca.

Ouvir: Tira Me A Las Arañas — The Mars Volta.

— Tudo bem que vocês não se falam direito tem algum tempo por causa do que aconteceu com a Arie e o — Pigarrei antes de falar. — Victor. Mas hoje faz dez dias desde que o Synyster foi fazer a palhaçada de “anunciar” o fim da amizade e ela ainda não te falou nada? — Agradeci com um sorriso o almoço que o garçom me entregou depois de alguns minutos sentado naquele restaurante em frente a uma praia qualquer em Salvador.

— Isaac Júnior, você é o melhor amigo. Só sou o ex-namorado. — Roni e seu velho humor cheio de deboche...

— Estou falando sério. — Conclui, tomando um pouco da minha bebida.

— Eu também. — Protestou com a voz calma. — Você sabe que Gabriela e eu ainda estamos um pouco distantes. Mal consigo falar com ela sem lembrar do estúpido do Victor, mas o gelo tá derretendo aos poucos.

— Roni, você sabe que ela não tem nada a ver com isso...

— Eu sei bem. Por isso: Não é que não estejamos nos falando. Você a conhece, Gabriela quer me dar espaço. Ela sabe o quão eu fiquei furioso com toda a história. — O escutei assobiar alto e logo uma porta de carro se bater.

— Cadê sua moto?

— Mandei pra LBC, já que ficarei uns vinte dias lá. — Justificou. — Me escuta. O último e-mail que a Miss Nicotina me mandou contando sobre aquele fim de semana do aniversário do JJ, foi narrando dramaticamente como foi em Malibu e que o Synyster resolveu brincar de casinha com a Karina. Fora isso, mais nada.

— “Brincar de casinha”? — Franzi as sobrancelhas e ri.

— Oh! — Forjou surpresa e limpou a garganta. — Desculpe, foi minha interpretação. Estava mais para “resolveu levar a sério a dependência sexual que tem na Karina”. — Fez uma imitação engraçada da voz da garota e eu até conseguiria rir se não fosse o comentário carregado de seu sarcasmo habitual. — Têm se falado?

— Pouco. Temos trabalhado bastante. — Suspirei. — Ao todo, ela age como se nada tivesse acontecido.

— Maneira de qualquer adulto agir como se os sentimentos e momentos ruins não fossem reais. — Contou como se fosse um narrador de filme antigo. — Essa discursão com o Syn. O que você acha? É pra valer mesmo?

— Já faz quase duas semanas, então... Talvez sim. — Suspirei. — Ela não merece isso. Se conhecem há pouco tempo, mas ela já fez tanto por ele e por todos da banda.

— É da natureza dela se sacrificar. — Murmurou. — Até mesmo na adolescência, quando era toda marrenta, e na “Ian’s Phase”, — O tom de deboche me fez rir fraco. A “fase Ian” foi mesmo a mais ridícula. — quando ela não era lá das melhores pessoas pra se conviver, fazia de tudo pelos amigos. — Relembrou com uma voz nostálgica. — Mas, pois é... Nem todo mundo dá o valor que merecemos. Só não esperava que o Brian fosse uma dessas pessoas.

— Eu pensava que você soubesse de algo mais. Eu não conheço dois por centro do Gates pra falar alguma coisa.

— E acha que eu conheço? — Bufou.

— Sei lá. Me diz você! Não fui eu quem viajou na Hail To The King Tour com o Avenged Sevenfold.

— Vamos ficar fora dessa, okay? Não há nada que possamos fazer no momento. Eu não tenho o número do Gates para ameaçá-lo por mensagens e emojis, você tem? — Resmunguei um palavrão qualquer.

— E por que eu tenho tanta certeza de que tem algo por trás disso?

— Porque você é paranoico e super protetor. Igual ao Caio. — Explicou como se estivesse dando os ombros. — Por que você acha que ela não conta mais as coisas pra ele? Por isso lhe adotou! — Tentei não rir apenas para mostrar que o assunto ainda era sério. — Já que minha opinião é tão importante... Tsc, tsc... — Estalou a língua algumas vezes, atrás de tempo para pensar. — Talvez se acertem quando se encontrarem, não sei dizer que é apenas drama ou é “dr” séria. Well, sendo como for, vamos dar espaço disso tudo. Se nem a Gabi está falando sobre isso, é porque é pra deixar pra lá. Está tentando não se machucar ainda mais, até porque, além de um amigo querendo se afastar, é o ídolo que ela sonhou conhecer por anos. Mesmo negando, é CLARO que ela sente o peso disso.

— Devo concordar. — Passei a mão na cabeça.

— Se ela precisar de nós, saberemos. — Respirou fundo. — Uma coisa eu te garanto: sofrendo por ele ela não está. Sempre sabe quando a culpa de uma situação ridícula não é dela. O babaca foi ele. — Concordei.

Tentar proteger minha melhor amiga não cabia a mim, não eu estando do outro lado do continente. Não era como se um namoradinho qualquer merecesse umas surras por partir seu coração. Ela sabia se cuidar muito bem; contudo, para o que precisasse, eu arrumaria um jeito de ajudar. Mesmo se precisasse ir à Califórnia ensinar Haner a dar-lhe tal valor.

— Tem certeza então que você não sabe mais de nada?

— Nada que você já não saiba. Mas te ligo se souber de mais alguma coisa, afinal... Estarei em Long Beach em uma semana.

 

*Júnior’s POV Off.*

 

Tem duas semanas e eram planos atrás de planos acontecendo de lá pra cá. Nem mesmo durante a Copa do Mundo eu tive folga — os americanos não costumavam ter muitos feriados... Era só trabalho e mais trabalho — e, mesmo assim, acompanhei aos jogos (pois é, chorei demais quando o Brasil perdeu).

O primeiro vídeo clipe da Blue Blood foi lançado e tive que acompanhá-los a uma coletiva em Sacramento na primeira semana de Junho, o que foi, felizmente, um ânimo pra todo o clima de enterro em que eu estava vivendo desde o dia em que Brian e eu tivemos uma “última conversa”. Julian e Christopher tiveram suas primeiras groupies... Bom, não que fossem GROUPIES; a negra com quem Chris passou a noite era uma das jornalistas da coletiva (“Günster” estava tão bêbado que até um “treesomes” me propôs. Obviamente só consegui rir MUITO e colocá-lo num quarto com a jornalista) e a ruiva de Julian era uma fã que havia vindo com umas amigas de Calabassas, que tinha ido para Sacramento só para ver a banda.

Fora da gravadora, Chris e eu estávamos mais acesos do que nunca. Fetiches atrás de fetiches, mesmo que ele estivesse passando tempo demais no estúdio com Margot e Julian para as harmonias vocais finais, sempre arrumava tempo para mim. Às vezes eu me sentia meio culpada por, de alguma forma, usá-lo para me sentir menos vazia, porém, Günter sabia do que eu precisava... Fisicamente. E esse "consolo" até que caía bem.

Eu, finalmente, abri o e-mail do Leonardo e, sinceramente, não me afetou tanto quanto achei que afetaria. Sim, eu sentia sua falta, por tanto, com tudo que abalou meu coração recentemente fazia a dor que eu sentia ao pensar no meu ex-namorado se tornar como um beliscão fraco no meu braço; indolor, insignificante. Ele queria minha amizade de volta e, devo dizer, que eu ansiava por isso também, contudo, assim como ele, não me sentia preparada... Tinha a certeza de que ele me procuraria quando estivesse pronto. Thiago me informou sobre ele, já que ambos mantêm contato e, pela primeira vez nesses meses, Júnior e Léo se encontraram no Bar do Beto, por acaso, e até se cumprimentaram — mesmo que sem afeto algum, sequer intimidade de quem já vomitaram porres ali como se fossem melhores amigos. Bom, eu acreditava ser o início para que eles voltassem a serem amigos.

Mantive contato com James por e-mails e, raramente por chat. Ele dizia ter me mandado alguns cartões postais durante os voos de ligação até Londres, mas como eu não tenho parado no meu apartamento, mal dava tempo de lê-los.

Sai algumas vezes com Michelle e Lacey; fosse para conversar antes da academia — as duas me convenceram a entrar pra turma de pole dance, e, devo dizer, estou amando! E a professora é brasileira. — ou negociar sobre um breve contrato da minha imagem para a Syn Gates Clothing com a Mich — pelo jeito, Brian não tinha contado nada a ela sobre nossa conversa. —, concluindo que minha primeira sessão seria no último sábado do mês, no dia 29, antes da banda voltar de turnê, e outra no dia 4 de Julho, aproveitando todo o agito de festa de Independência para tirar fotos em meio aos fogos (obviamente eu choraminguei, protestando por ser feriado, contudo, já que eu estava convidada a passar meu primeiro 4 de Julho na casa do Haner — convite da Michelle e dos rapazes, já que Luiza, Scott e meus sobrinhos passariam em San Diego —, de acordo com a DiBenedetto, ela tinha alguns modelos especiais para a ocasião). Como seria no período em que Roni estaria na Califórnia, ela lhe propôs um contrato por e-mail, concluindo que eu me sentiria mais “à vontade” e destemida se tivesse intimidade com quem estivesse observando a sessão/fazendo as fotos (o que era verdade, afinal, era meu primeiro “contrato de imagem” e eu não queria sair desajeitada nas fotografias que fariam a publicidade da Syn Gates Clothing).

Diferente de sua irmã, Valary deixou os negócios um pouco de lado — incluindo sair em turnê com a banda —, iniciando o processo de organizar (com ajuda de Jaclyn, a madrinha de Cash) seu chá de bebê, e, já que faltava pouco mais de um mês para o aniversário do seu marido, concluiu que seria genial a ideia de tentar trazer Lorenzo para USA e fazer um banquete especial e me convencer a conversar com ele direitinho sobre o assunto, oferecendo qualquer coisa; fosse pagamento, voo de primeira classe ou hospedagem — claro, eu ri DEMAIS. A loucura na ideia dela era tanta que até cogitar eu cogitei. Adoraria ter, mesmo que por poucos dias, alguém DE CASA comigo... Eu sentia tanta saudade de todo mundo. —. De acordo com a Sra. Sanders, “qualquer chefe gastronômico do país” não seria tão especial como meu avô que, literalmente, conquistou seu marido e todos os nossos amigos pelo estômago e uma conversa agradável nas últimas horas da banda no Brasil — que honra, não? —. Infelizmente, com essas duas semanas de correria, eu estava sem falar com Lorenzo ou Elise; meus pais e Caio me ligavam durante a tarde, mas só Roberto me atendia durante a noite, já que era o único que ficava acordado até altas horas da madrugada.

Depois de alguns dias sem nem querer ficar em meu apartamento, para não ter que me lembrar da minha última conversa com Gates e reviver toda aquela cena que partiu meu coração, e de ter ficado esses dias na casa da Luiza, eu finalmente me mudei de vez para LBC, onde Roni se hospedaria quando chegasse à Califórnia em três dias, no dia 18 de Junho (o mesmo dia em que Luiza iria para Nova Iorque tratar de sua próxima coleção — essa mulher não para), para começar a ajudar Matt Baker, Valary e Rafa Alcantara — que resolveu ajudar sem conhecimento da gravadora (já que a Warner não aprovou o vídeo) — na produção, seleção de cenas e montagem do vídeo clipe de This Means War.

Já na segunda semana de Junho, fui ao Departamento de Estado em L.A. três vezes dar início a toda uma papelada que me dariam um Green Card (um tipo de “visto” para permanecer no país). O Green Card servia, basicamente, como uma “segurança” para que eu não fosse deportada do país; tendo-o por cinco anos, morando nos Estados Unidos, me permitiria adquirir a dupla cidadania (ou isso, ou casando com um americano), até mesmo caso fosse visitar minha família no Brasil, ou viajar em férias à Europa, não poderia passar mais de três meses fora do USA. Por já ter emprego e residência fixa, seria até mais simples de conseguir tal cartão, no entanto, ainda teria que passar por alguns testes de “conhecimento básico da história e do governo do EUA” e, até mesmo, de idioma. A dificuldade tinha se dado ao número de acidentes causados por minha imprudência no trânsito, a prisão por “perturbação da lei”, e então, Luiza teve que entrar no caso — já que tinha cidadania americana — e seu advogado, Sr. Cyrus, esteve envolvido em tudo, auxiliando-me em cada passo. Muito provável que, até o fim do próximo mês, eu poderia estar com meu Green Card e isso me aliviava demais, afinal, faria cinco meses que eu estava no país apenas com um visto trabalhista (salvo pela oferta do Daniel, assim que perdi o RV!).

Com a mudança para LBC, eu tinha começado a dar aulas de bateria para dois garotos do prédio e de canto para uma adolescente do apartamento do lado; eles eram até que bem comportados e aprendiam rápido; minhas aulas de guitarra com Julian e Christopher continuavam, e eu já tinha adquirido habilidade pra tocar So Far Away e Chapter Four do A7X, e, falando neles:

Os rapazes entravam em contato com chamada de vídeo pelo FaceTime do macbook comigo quase que diariamente e ele estava por perto raramente, ninguém estranhava a maneira superficial com qual nos cumprimentávamos — talvez por acharem que conversávamos por mensagens, como na última turnê, ou talvez pelo breve assunto que eu sempre tentava puxa para que não ficássemos todos num clima ruim. Era nítido que ninguém ali sabia da última noite do Brian na Califórnia. Com o A7X fazendo shows, foi fácil ficar longe do guitarrista; difícil foi NÃO pensar nele e não sentir sua falta.

Ouvir: London Calling — The Clash.

Não foi como se eu parasse de rir do Johnny bêbado assim que o baixista empurrou o amigo para frente do webcam.

— Oi, Brian. — Sorri tímida e levantei um pouco a mão para acenar para ele.

— Caralho, para! — Zacky deu dois cascudos no Johnny, que fez com que eu tomasse um susto com seu tom de voz.

Zee estava tão tranquilo ali sentado, era só John chegar perto dele e levava uns empurrões, principalmente quando resolvia se apoiar nos ombros do guitarrista de tão tonto que estava. Não sabia se tinha dó ou achava engraçado; mesmo com o Christ dando umas risadas gostosas.

— Não o trate assim. — Repreendi.

— Gabriela, o Brian e os outros imbecis “hipnotizaram” Johnny quando esse filho da puta entrou na banda! Toda vez que ele ficava bêbado, ficavam dizendo que ele poderia me bater. — Baker estava nitidamente aborrecido; ele contava enquanto levantava e colocava Johnny sentado no seu banco e lhe dava água. — E, até hoje, Seward acha que sou um saco de pancadas. Uma vez, fiz uma turnê inteira com um tendão deslocado e dois dedos quebrados por ter dado uma surra no babaca aqui. — Gargalhei no fim da história.

Já tinha a escutado em algum lugar, uma entrevista talvez. Mas nada como ouvir da boca do próprio James Baker.

— Por que fizeram isso? — Indaguei a Brian que, até então, estava só parado fitando a tela do computador. Ele nem percebeu que eu tinha falado com ele; continuou parado.

— É engraçado quando ele fica bêbado, veja. — Jason se colocou onde a câmera focava e só então soube que ele ainda estava na sala (já que tinha me cumprimentado quando a ligação se iniciou). — Fica mole como um boneco... É só mandarmos para qualquer direção e ele irá. — Riu fraco e deu-me uma piscadela antes de sair de cena. — Mais engraçado ainda é ele indo à direção do Zachary. — Gritou, voltando a fazer seja lá o que estivesse fazendo.

— Syn! Conta pra ela sobre a dança ridícula que o Shadows fez ontem. Puta que me pariu, foi uma verdadeira vergonha! Gabi, é justamente por isso que ele não vem aqui dançar pra você: concluiu que foi um desastre. — Seward gargalhou como uma criança, apoiando a mão no ombro do tatuado ao lado, mesmo Zacky estando entre eles um pouco mais atrás.

— Daqui a pouco ele entra aí, vai ficar puto se te ouvir falar assim dele pra Campeã. — Zacky tirou a garrafinha de água vazia de Johnny e lhe entregou outra.

— Você está bem? — A frase saiu arrastada e quase como se realmente estivesse preocupado.

Apesar da fala fechada, não expressava indiferença.

A primeira vez que eu o escutava em dias, pulando qualquer tipo de formalidades como um cumprimento.

— Estou. — Me limitei, abrindo um sorriso. — Como foi o show?

A conversa não durou muito... Na verdade, nem a resposta dele eu recebi, Jason retomou minha atenção falando da insanidade na plateia e de quantas pessoas desmaiadas socorreu. De acordo com Zacky, já tinha um tempo que a banda não ia para a Áustria e que, mesmo tendo que dividir atenção com as outras atrações do Novo Rock Festival, foi uma noite incrível.

— Ainda faltam vinte e cindo dias. Eu não pensei em nada. — Dei os ombros, pegando meu copo com suco e tomando mais algumas goladas pelo canudo.

— Mas o fato de estar na contagem regressiva denuncia que está ansiando por algo. — Michelle serrou os olhos, desconfiando dos meus pensamentos de “é só mais um aniversário”.

Ah! Eu amava aniversários!

— O aniversário do Brian é dia sete e é exatamente o dia em que os rapazes viajarão. O Avenged vai ter entrado em turnê pelo Mayhem Festival...

— Canadá e EUA. — Completei a frase de Lacey, anunciando estar bem informada sobre a agenda deles.

— E então? O que me diz de pegarmos os caras em turnê e fazermos alguma coisa legal? É seu primeiro aniversário por aqui, tem que ser especial. — Tally esfregou as mãos uma na outra, sorrindo maliciosamente como se tivesse adivinhado o que Lacey iria propor e Michelle gargalhou com a expressão do namorado.

— Tally, eles estarão trabalhando. Eu vi a lista de turnê e vão ter um show em Albuquerque bem no dia do meu aniversário. Seria inconveniência aparecer lá.

— Inconveniente nada, Gabi. Vai ser divertido. — Michelle analisou a ideia. — Além do mais, é sua banda favorita, sei que a convivência deve quebrar um pouco e encanto, porém...

— Não! — Ri.

Eu estava meio nervosa pela ideia imposta pelos três à mesa comigo. Seria maravilhoso um aniversário com todos eles perto de mim, todavia, eu não tinha IDEIA de como seria um reencontro com Brian; apesar de saber que o encontraria no feriado 4 de Julho, não conseguia imaginar vibrar no meu aniversário com todos nossos amigos em volta e com Haner mal olhando na minha cara.

— É minha banda favorita; melhor com um show deles no meu aniversário, só todo mundo que eu amo no Brasil junto na festa também. — Conclui, fazendo pose e logo curvando os ombros. — Só que tem bastante coisa pra me preocupar até lá, o show e meu aniversário caem no domingo, já pensou se Daniel não me deixa passar o fim de semana fora sem ter que fazer pilhas de relatórios? E ainda tem a Luiza e meus sobrinhos, não sei se eles se importam muito, mas ainda são da minha família. Tem a Blue Blood também.

— Escuta. Deixa eu tomar conta disso. A princesa do rock precisa ter um aniversário incrível! — Cooperman deu-me uma piscadela e estendeu seu copo para que eu brindasse com ele. — Só não falo com teu chefe, mas vai logo avisando pra ele que você vai viajar SIM.

— Posso falar com a Luiza. — Michelle se disponibilizou.

Ri, brindando e terminando de tomar minha bebida, olhando o horário no meu relógio de pulso esportivo.

— HMM! — Puxei duas notas do bolso, o suficiente pra pagar meu suco e salgado e coloquei em cima da mesa.

— Hora de buscar o puxa-saco?

— Mich, não fala assim do fotografo. — Lacey riu, reprimindo a loira. — Por que essa repreensão com ele? Nem o conheço, mas Gabriela já falou tão bem do rapaz que eu chego até imaginar que você exagera.

— Não é? Ele nunca fez nada a você. — Tally virou-se para encará-la, já que estava sentado ao seu lado.

— Ele é convencido acima do normal. Lacey, você o conhecerá em breve! Verá o qual insuportável Roni Moura consegue ser.

— O Ron é legal sim, Lacey. Eu garanto. — Ri, ajeitando a jaqueta nos ombros.

— Well, ele vai ajudar a banda a passar a perna na Warner e lançar um clipe por si só, então, já tenho uma consideração por ele. — A ruiva se levantou soltando uma risada e também deixando dinheiro sobre a mesa. — Vamos lá. Já vou voltar para HB e deixo você em casa.

— É contra mão pra você, Lace. Pode deixar que eu vou a pé mesmo. Vim assim... — Dei os ombros.

Tínhamos saído da academia tinha meia hora e eu tinha ido caminhando, já que ficava bem perto do meu prédio.

— Se o Johnny sonhar que eu deixo você andar por aí às oito da noite, mata a mim e a Michelle.

— Sem contar que é capaz de eles virem lá da puta que pariu só pra te dar carona. — Gargalhei com o ênfase da Michelle, revirando os olhos.

— Vem cá, você viajará MESMO essa noite?

— Emergência de família, Gab. Chris está precisando de mim lá no Canadá. Mas, se tudo der certo, volto na próxima semana.

— Michelle detesta o frio de lá.

— Como não detestaria? Eles têm praia em White Rock, mas qual a graça se não dá pra surfar?

— Boa viagem pra você, então. Até amanhã, Tally! — Acenei assim que o casal deu tchauzinhos para Sra. Seward e eu.

 

— Miss Nicotina. — Cantarolou com os braços abertos.

Ver Roni não foi exatamente como eu pensava que seria: superficial e “profissional” apenas por ele ter ido trabalhar no clipe This Means War... Foi como se não existisse o gelo entre nós pelo último acontecimento entre Arie e Victor, e como se não tivéssemos passado as últimas semanas distantes um do outro. Corri para os braços do meu amigo, que largou as malas no chão numa típica e clichê cena de reencontro daqueles filmes românticos que se passam em Nova Iorque ou San Francisco.

 — Temos muito o que pôr em dia, não acha? — Sorriu para mim e eu assenti com um olhar sugestivo quando tirei o chapéu da sua cabeça para colocar na minha. — E minha moto?

— A peguei assim que a chave chegou pra mim por correio. Já está em LBC. — Garanti. — Um jantar primeiro? Lanchei tem pouco tempo, mas você deve estar com fome.

— Nem duvide. — Puxei a mala de rodinhas e ele pegou a pequena de mão, enquanto colocava o outro braço em volta dos meus ombros.

 

— É. Ele chegou. — Sorri ao telefone com Logan, olhando para trás rapidamente e vendo Roni de costas para mim, colocando uma camiseta no quarto do outro lado do corredor.

— E o clima? Como é que tá? Amigável?

— Graças a Deus. — Suspirei, afirmando. — Almoço amanhã? Quero que vocês se conheçam melhor. Não conversam desde o show em Virgínia com o A7X.

— Claro. Será ótimo. Vou avisar aos outros. — Limpou a garganta. — E aí? Vai falar com o Daniel amanhã?

— Depois de mal me deixar assistir a Copa com a minha família, fazendo que eu me limitasse a acompanhar os jogos pela televisão da sala de lazer na gravadora, ele me deve uns dias de folga. — Usei um tom de voz esnobe brincalhão. — Talvez Monteiro me coloque pra escrever dois mil relatórios, não só sobre a Blue Blood, mas sobre o Killers From Grace, o Korn, a Avril Lavigne... — Comecei a listar e ele riu.

— Olha, depois de ter escrito nossas duas últimas faixas no piano, você merece.

— Falando nisso, ele nem sabe. Da última vez, mesmo me autorizando, Daniel reclamou dizendo que eu não sou da equipe de composição, produção ou qualquer coisa que envolva o álbum. Meu trabalho é cuidar da imagem de vocês, então, nem fala nada sobre as faixas. Ele achará que estou desocupada o suficiente.

— Fica tranquila. Mas você bem que merecia uns créditos, né? Tá fazendo mais do que é paga pra fazer. — Ri.

— Me paga o almoço amanhã e começamos um acordo.

Roni parou na minha frente, fazendo um sinal para cortar a ligação, como se cortasse seu pescoço.

— Vou desligar. Boa noite!

— Só se for pra você. Esqueceu que eu passarei a noite virado em partituras? — Desliguei depois de um “até amanhã”.

— Eu encontrei ISSO debaixo da minha cama. — Tirou a mão que escondia atrás das costas e mostrou-me sacos-bolhas. — Vamo assistir um filme? Não vou dormir sem terminar de estourar cada uma dessas bolhas. — Ri, levantando-me da cama e indo para a sala com Roni. — Mas, e aí? Temos muito o que conversar... Sobre tudo. — Foi ficando sério quando sentou-se ao sofá, continuando a estourar as bolhas enquanto eu pegava o controle da TV. — O Júnior me ligou...

— Hmm. — Murmurei para que continuasse a falar, já que eu me concentrava em aconchegar-me no edredom e apertar os botões do controle, conectando na Netflix.

— Nós passamos um tempo sem essa nossa mais pura e puta intimidade. — Riu fraco. — Tem alguma coisa pra me contar? Novidades? Algo sobre certo guitarrista da tatuagem “Marlboro” nas mãos, quem sabe...

Engoli o seco.

Isaac Júnior, seu fofoqueiro.

Não, eu não tinha problema algum em falar qualquer coisa para Roni; além do mais, se não fosse por isso, apenas ele e Ariane saberiam do meu caso com Christopher até hoje, mas a humilhação que foi minha última conversa com Brian era algo que eu só precisava que meu melhor amigo soubesse.

Ouvir: House On A Hill — The Pretty Reckless.

— Eu tenho evitado esse assunto mesmo quando Christopher pergunta. E ele estava aqui quando aconteceu... — Murmurei.

— Gabriela. Eu conheço bem essa sua forma de defesa: ignorar e fingir que algo não aconteceu, quando lhe abala mais do que deveria. Só que eu quero saber como você está... O Júnior estava preocupado contigo, e eu também.

— Mas não precisa, Ron. — Olhei para ele, falando com sinceridade. — De verdade. Estou bem.

— Então, não se incomodará de conversar comigo sobre como está realmente se sentindo. — Via que meu amigo continuaria a insistir se eu não desembuchasse.

Suspirei calmamente, encolhendo as pernas no sofá, sentindo meu coração se encolher ao peito.

— Eu amo demais o Brian e os rapazes, mas não forçaria a nenhum deles continuar a ter uma intimidade comigo. Eu não vou mendigar atenção de ninguém. Muito menos afeto. — Voltei a encarar a televisão e escolhi o primeiro filme de comédia da lista. — Claro que eu não reclamaria se ele mudasse de ideia... Pelo contrário. O abraçaria e lhe daria uns tapas pra nunca mais me dar um susto como aquele. Mas acho que não vai acontecer.

— O que aconteceu naquela noite? Exatamente. — Segurou meu queixo que fez com que eu lhe olhasse de volta, fitando-me o fundo dos olhos e me soltando o rosto. Eu já podia sentir minha fraqueza tomando conta de mim. E até nome essa debilidade tinha: Brian Elwin Haner Jr. — Isaac deu a fofoca por incompleta. — Brincou.

Coloquei o cabelo atrás da orelha e busquei uma maneira de encurtar a história.

— Ele bateu na minha porta e, de repente, insinuou de que eu e a nossa amizade atrasaria e atrapalharia o relacionamento sério que ele queria começar com a Karina. — Comecei a levantar os dedos para listar os acontecimentos. — Dois: ele pensa que eu estou namorando e, apesar de não me importar com isso já que eu não estou namorando ninguém, eu tenho quase certeza que foi a Luana que falou algo que o fez confundir tudo.

— Namorando? — Franziu as sobrancelhas. — Por que isso o incomodaria?

— Não. — Pontuei. — Ele não falou como se o incomodasse. Foi apenas um comentário final, praticamente insinuando que eu escondo coisas dele, sei lá. — Bufei. — Isso nem me frustra. Me frustra lembrar que ele fez cena depois de tudo que eu disse pra ele. Sobre ele e a Karina merecerem mais do que essa dependência corporal, sobre já estar na hora de ele retomar a vida com alguém... Ninguém gosta de vê-lo assim, pulando de galho em galho, mas sempre agarrado a mesma árvore. — Balbuciei com o nó na garganta e Roni respirou profundamente, colocando o braço por cima do encosto para costas no sofá, em volta dos meus ombros.

— Eu acho que ele fez justamente o que você pediu, Gabi. — Concluiu. — Só que com quem você menos queria que fosse... Só não com quem você queria que fosse. — Me abraçou fraco e passou a prestar atenção no filme.

O que eu queria era que as coisas na vida amorosa do Brian — que, por estarem uma baderna, consequentemente afetava sua vida social — tomassem um rumo saudável assim como a Michelle tomou, e que ele seguisse feliz com isso como ela seguiu.

 

De: [email protected]

Para: [email protected]

Assunto: Proposta.

Enviado: 19 de Junho, 13hrs53min.

Boa tarde, Mariane.

Aqui fala Valary DiBenedetto, amiga da sua enteada. Eu não tenho conhecimento algum em português, porém, espero que o tradutor esteja dando certo.

Gabriela me passou seu contato para que pudéssemos tratar de um acordo, se possível; ela me contou que a senhora trabalha com Lorenzo Albuquerque e teria mais entendimento sobre o assunto.

O aniversário do meu marido está chegando e, quase vinte anos juntos faz com que precisemos nos esforçar um pouco mais nas ideias de uma boa festa entre amigos, inovando sempre que puder. Matthew (vocalista do Avenged Sevenfold, acredito que, pela enteada que tem, conhece os rapazes, haha) empolgou-se demais como a ida ao Brasil esse ano, assim como todos os outros, e trazer um pouco das lembranças de volta seria uma boa maneira de comemorar seu dia. Um pouco do sabor brasileiro.

Fiquei sabendo que, a última vez que ele esteve no país, foi para uma premiação gastronômica Italiana em NYC. O que me diria de Lorenzo planejar uma vinda a Huntington Beach? Poderíamos negociar; hospedagem, pagamento, passagens, tudo.

Agradeceria se conversasse com ele sobre isso quanto antes, adoraria uma resposta positiva.

Grata. Valary Sanders.

 

— Deixa eu ver se eu entendi... — Daniel apoiou-se mais em sua cadeira e colocou uma mão no queixo. — Cinco dias de “folga”?

— Prometo que não te peço mais nada até o fim do ano, Daniel. — Brinquei, suplicando. — Eu sei o quanto precisa de mim por aqui, mas eu quero muito me envolver nesse projeto!

Ele parecia pensativo demais nos vinte minutos em que tentei explicar uma situação para ele — sem mencionar This Means War ou o nome do A7X; por Monteiro trabalhar na Warner, seria melhor manter em sigilo.

— Lins, você sabe que estamos com pouco pessoal. Até estou procurando por pessoas em outros estados. Se for pelo trabalho pesado que está tendo por aqui, podemos conversar sobre isso. Sei tenho pegado pesado desde Fevereiro. A responsabilidade com o primeiro show da Blue Blood, em Virginia, a turnê do A7X, as composições, trabalhar nos sábados, como hoje, mas você tem que entender que você mal tem um ano de contrato, não posso lhe dar férias.

— Daniel, não são férias! É uma semaninha longe do cubículo que eu divido com o Mike e sem meus queridos e amados amigos da Blue Blood me pedindo opinião pra tudo. — Quase choraminguei em um pouco de sarcasmo.

Com esses meses na Warner, a minha relação com Daniel tinha melhorado, e MUITO! Ele era praticamente “paizão” da equipe da Blue Blood, assim como Rachel a mãezona e era bem bacana conversar com eles. Na Hail To The King tour, nos aproximamos um pouco nesse lado de “parceria”...

— E a viagem que fez no início do mês? Os dois dias que lhe dei para descansar depois de uma semana exaustiva em Sacramento? — Encarou-me com uma feição cínica e eu fiz bico, o que fez o brasileiro suspirar, colocar os cotovelos sobre a mesa e passar as mãos na cabeça. — Pois bem. Tenho as fichas dos meus funcionários, como sabe, e sei que seu aniversário está chegando. — Assenti quando o mesmo voltou a me fitar. Por que todo mundo fala “tá chegando” quando falta quase um mês?! — Vou lhe dar essa próxima semana como uma “folga” de presente, PORÉM — Enfatizou antes que eu começasse a bater palmas, glorificando, já que deve ter percebido o brilho no meu olhar. Ele se levantou e, junto a ele, fez um sinal para que eu me pusesse de pé, indo à porta comigo. — Vou precisar de você no fim de semana do seu aniversário. Raimundos estará nos Estados Unidos e, por ter trabalhado anos na B Um Eventos Brasil, acredito que já tenha empatia com os caras. — Afirmei com a cabeça. Tinha trabalhado tantas vezes com a banda que cheguei a perder a conta. — Vou precisar que cuide do grupo enquanto estiverem na Califórnia... — Arregalei os olhos para ele assim que Daniel abriu a porta para mim. — E, depois dos shows deles, aqueles dois dias de folga que eu sempre dou aos funcionários depois de uma viagem.

— Como é que é?!

— Ou isso, ou sem acordo...

— Mas, Daniel! Eu iria para Albuquerque no fim de semana do meu aniversário! O A7X estaria lá e...

— Gabriela, um ou outro. Você escolhe. Se vier semana que vem, sei que deverei colocar Mike com Raimundos e deixar você livre no dia treze de Julho, se não vier, estará se comprometendo com a banda. E então? Albuquerque com o Avenged Sevenfold ou esse “projeto secreto” que você ajudará produzir?

E então, fechou a porta de vagar na minha cara.

É, parece que, por mais que sua relação com o chefe seja boa, você não pode ter todos os privilégios que pedir.

— Fuck! — Xinguei depois de sair da minha paralisação, tendo que pedir desculpas para algumas pessoas que andavam pelo corredor, logo em seguida.

 

*Brian’s POV On*

 

Deve ter sido uma das poucas vezes que não procurei por sexo para me sentir bem. Nem com Karina (até porque, ela não tinha me acompanhado nesses shows), nem com strippers e, até mesmo quando o sexo me procurava, no caso de qualquer groupie ao longo da turnê pelo Oriente, não era algo para qual eu estava disposto.

Tinha semanas desde tal “dr” com a Gabriela. Era como se eu me sentisse vazio.

Não que eu estivesse me isolando de todos, ou deixando de me alimentar, ou caminhando cabisbaixo pelos corredores dos hotéis ou não me empolgando em palco, pelo contrário, eu tentava me manter o mais ocupado possível, contudo, era inevitável não me pegar observando que tudo estava perdendo a cor e claro que o comportamento de não se embebedar por aí ou não ficar com nenhuma mulher não se passou despercebido pelos meus colegas de banda, e até os roadies e seguranças notaram-me... Estranho. Perdido.

— Okay. Pra que ficar assim por uma mulher? — Revirei os olhos em frente ao espelho, ainda apoiando as mãos na pia do banheiro do hotel.

Joguei água gelada no rosto e o esfreguei com força, voltando para a cama.

Talvez fosse esse o meu problema. Eu não conseguia me convencer de que era “qualquer mulher”, ou “qualquer amizade” que eu impus limites por algo que eu ainda mal acreditava que daria certo: um relacionamento de verdade com Karina. Era Gabriela, possivelmente a única mulher a qual eu imaginei cogitar que um dia amaria tanto quanto um dia amei Michelle; talvez até a mulher que poderia me conceber uma família.

Ouvir: Trade Mistakes — Panic! At The Disco.

— Vai me contar que merda está acontecendo. — Zacky quase arrombou a porta, nem perguntando se podia entrar ou se tinha algo de errado comigo.

Johnny vinha atrás dele.

Suspirei impaciente e desliguei a televisão, subindo meu corpo no colchão para ficar sentado com as costas apoiadas na testeira da cama.

— Até você chegar, a Lily estava prestes a entrar em trabalho de parto e eu poderia assistir o último episódio dessa temporada. — Sorri cínico, com um olhar convidativo par que eles se sentisse à vontade no meu quarto.

— Estamos entrando na terceira semana de turnê e o Johnny pegou mais mulher que você! — Deu um tapa na minha perna para que eu a encolhesse e ele pudesse sentar. Exagero dele... Johnny não ficava com ninguém desde os shows secundários no início do ano. A última com quem tentou foi Gabriela, e não deu certo. — Nenhum porre, nenhuma “noite esticada”, tem passado mais tempo com Arin e Dan do que comigo. — Ele listava com a voz sonoramente calma. Sinal de que, apesar de estar falando sério, não queria brigar ou me acusar de qualquer insanidade ou ato depravado.

— Ciúmes, Baker? — Debochei.

— Eu não vim brincar.

— Você tem se esforçado para ninguém notar que você está nitidamente perdido, mas não está conseguindo disfarçar tão bem. Esqueceu que metade das pessoas por aqui te conhecem há uns quinze anos? — Johnny cruzou os braços sobre o peito, parando ao meu lado.

— Obviamente tem algo de errado. Diga.

— Não tem nada de errado, Vengeance. — Murmurei tentando rir, sobretudo, foi uma perda de tempo. Ele ainda ficou olhando pra mim com aquela cara de ”você não me engana”.

Vamos lá, então...

— Eu resolvi assumir um relacionamento com Karina... — Desembuchei, tentando parecer feliz com o anuncio. — A começar por cortar essas “noites esticadas”. Não vejo o que há de errado nisso.

Eu não tinha contado a ninguém sobre minha conversa com Gabriela ou o namoro com Luana... Nem mesmo à Michelle, de quem eu tenho andado distante desde o último fim de semana na Califórnia — não que estivesse a ignorando ou sendo rude quando ela entrava em contato para contar as novidades... O fato era que eu me sentia traído por minha melhor amiga não ter me contado sobre o que conversou com a brasileira e ainda ter fantasiado esperanças na minha cabeça. —. Eu não precisava dar aos meus amigos motivos para que ficassem com pena de mim ou furiosos por, definitivamente, estar interessado na gaúcha, ou motivos para ficarem felizes em eu ter me afastado dela, coisa que Zachary queria já tinha um tempo.

— Syn, escuta. — Baker suspirou, apoiando seus cotovelos nos joelhos.

— Toma postura ou você será um velho corcunda. — Resmunguei, observando o nó que estava começando a se forma em suas costas.

Ele apenas levantou um dedo pra mim e Johnny, que estava em pé ao meu lado, deu um tapa no meu ombro, quase como um aviso de “não é a hora, idiota!”.

— Caralho, vocês vieram aqui pra me agredir mesmo?! — Passei a mão no lugar abatido.

— Viemos aqui pra conversar com você. — Seward respondeu.

— Brian, o início de um namoro não é motivo pra você não ter capacidade de sair pra se divertir conosco. Umas taças de vinho, uma conversa agradável... — Protestou Zacky.

— Temos feito isso. — Ergui uma sobrancelha.

— Eu não terminei. — Avisou. — Não é motivo para você não ter capacidade de desabafar sobre algo com seus amigos, algo está te incomodando e eu não vou sair daqui até saber o motivo ou o que é.

— Eu juro que não é nada. — Tentei soar convincente o bastante. — Acha que eu não contaria a vocês, os meus melhores amigos?

— Você não contou à Michelle. — Johnny encarou-me com seriedade. — Que? Achou que ela não ia perceber essa sua mudança mesmo do outro lado do mundo?

Eu já estava ficando impaciente.

Não queria conversar sobre, nem falar sobre, nem pensar sobre. Queria apenas tentar fingir que nada tinha mudado.

Confessar o que me incomodava tornaria tudo ainda mais real, como se não bastasse eu ter gritado “Eu perdi!” a quem menos deveria ouvir. Minha salvação foi que Gabriela não se fez as perguntas certas no momento, só conseguia tentar ser sarcástica na hora de quase suplicar para que eu ficasse, algo por qual jamais me perdoarei. Poucas e raras foram as vezes que a vi tão desestabilizada, e eu me senti um inútil por ser por minha causa. Se falasse outra vez em voz alta e ainda deixasse claro o que me atormentava, pareceria até um maluco possessivo, afinal, ela tinha total direito de ficar com quem quiser e eu, querendo seu bem, deveria aceitar... Falar o que me incomodava era a porta de admitir em voz alta o que eu possivelmente sentia pela brasileira.

Ouvir: Dear God — Avenged Sevenfold.

Sim, eu confiava em cada um dos meus amigos mais do que confiava em mim, entretanto, se eu guardasse aquele sentimento, ninguém tentaria arrancar de mim a cor que ele tinha só pra me trazer de volta à “realidade” de um guitarrista galinha.

Respirei profundamente.

— A única coisa de diferente aqui é que eu estou comprometido agora. Não era isso que todos vocês queriam? — Pronunciei com total calma. — Que eu assumisse algo, que parasse de transar com quem levantasse a saia para mim? — Me coloquei de pé. — Se eu não estou desfrutando das groupies como você, Johnny, ou me embebedando como você, Zacky, é porque eu estou tentando fazer isso dar certo. — Não levantei o tom e fiz o possível para não parecer rude.

Eu realmente não estava mentindo sobre isso. E eu não queria chateá-los — a não ser se essa fosse a única opção para que parassem de pegar no meu pé. Eu era ÓTIMO em fazer isso; apesar de ser um truque facilmente reconhecido pelos meus amigos que me conhecem a mais de uma década.

Seward colocou a mão no meu ombro e Baker suspirou pesado.

— Brian, somos uma família. Você sabe que, apesar de algumas surras quando necessário, você terá nosso apoio no que quiser fazer, no que estiver sentindo. Desde que te cause bem. — Zacky se colocou de pé na minha frente. — Pode não ser a hora de você nos contar o que realmente está sentindo, mas, quando estiver pronto... — Deu os ombros. — Só não se esconde do mundo, okay? Você não é uma criança. Nunca fez isso antes. — Riu fraco, parando imediatamente ao lembrar-se de alguma situação. — Aposto que consegue sair por aquela porta e continuar fiel depois de algumas doses. — Zombou para me motivar. — Vamos lá! Estamos em Roma! O berço do absinto!

Olhou para Johnny e de volta para mim, colocando as mãos na minha nuca e me abraçando rapidamente, dando tapas nas minhas costas e, então, saiu do quarto.

— Vamos jantar num restaurante perto do Panteão, saímos do hotel às nove. Aparece. — Johnny avisou quando Zacky bateu a porta. — Liga pra Michelle também e explica as coisas. Ela está preocupada com você. — Assenti e o baixista foi até a porta, parando como se tivesse esquecido algo. — Olha... Esse seu interesse pela Gabriela só ela que não vê. Ainda. Antes, você sabia separar as coisas como ninguém! Mesmo no Brasil, aconselhou a garota a ir atrás do namorado...

Eu tinha pensado nesse momento o caminho inteiro do campus da CSU ao Ocean 1900, quando fui atrás de Lins para pôr um ponto em tudo e, mesmo querendo me convencer do que Karina falou, era em vão; eu sabia que não era verdade, que Gabriela sabia SIM separar seus sentimentos de fã. A verdade é que eu já não sabia separar os meus, por mais que no início eu tenha ido tão bem em desviar de algo que já podia se dizer inevitável: interessar-me, apaixonar-me... E isso me levou a surtar. E era até melhor assim. Me pouparia de arruinar tudo; pouparia meu amigos de me repreenderem; me pouparia de provavelmente magoá-la.

— Eu lembro como você conseguia ser masoquista ao aconselhar Michelle sobre os namorados, mesmo estando apaixonado por ela... E, depois, começou a não conseguir mais separar o que sentia e passou a ter ciúmes como qualquer pessoa normal, até que se declarou. — Deu um tempo para que eu pensasse. — Você me contou o que disse à Gabriela. Lembra do que eu te falei depois?

 

— Essa cara de paisagem maligna e perigosamente psicótica. — Neguei com a cabeça. — Seja o que for, Haner, lembre que a maioria de pessoas aqui te conhecem há uns quinze anos. E antes que você me pergunte o tem a perder, eu digo: a Karina, a confiança de todos nós, principalmente a do Matt e do Zacky, e, o mais importante, a amizade da Gabriela.

Eu não podia nem fingir que não sabia do que o Seward estava falando.

Talvez fosse fácil largar de pensar nela. 

Como se essa fosse a primeira vez que eu achava alguém atraente e não poderia tê-la na minha cama.

 

— Você garantiu que eu não precisaria me preocupar. — Aproximou-se. — E, eu acreditei em você... Sim, eu estou preocupado agora, mas não com o fato de você estar SIM se apaixonando de novo. Zacky não vai te matar se você assumir isso, nem o Matt. Estou preocupado com o tempo que você está jogando fora com a Luana.

— Ela está com outro. — Deixei o anuncio no ar e sentei-me novamente na cama.

— Eu não acredito que ela estaria com alguém e não nos contaria... De onde ouviu isso?

A pergunta me fez refletir... Karina faria o possível para me fazer ficar longe da Gabriela, contudo, definitivamente, não seria capaz de mentir sobre isso sabendo que, alguma hora, eu descobriria a verdade e iria sobrar pra ela. Outra evidencia de que era verdade era que Gabriela não negou quando comentei antes de deixar seu apartamento aquela mesma noite. Não importava assim de onde eu tinha ouvido: não era nenhuma mentira.

— Não custa nada dizer a ela o que você sente. Puta merda, vocês são adultos e se dão tão bem! Vai que ela sinta o mesmo.

“Vai que ela sinta o mesmo”. Não cansavam de tentar me deixar esperançoso? Sério isso?!

— Bem capaz. Um dos caras que ela ansiou, por metade da vida, conhecer. — A expressão de Christ mudou abruptamente com meu sarcasmo, quase como se eu tivesse xingado sua mãe.

Vi como uma saída de vez desse assunto. O enfurecendo eu me livraria de um “grilo da consciência” que ficaria me aconselhando a anunciar ao mundo o que eu sentia. Um idiota e imbecil grilo da consciência.

— Quem colocou essa merda na sua cabeça? — Franziu os olhos. — Brian, pelo amor de Deus, se enxerga! Acha mesmo que, depois desses meses todos, a Gabriela iria confundir os sentimentos da fã do Synyster Gates por você, amigo dela? — Bufou.

Estava dando certo? Mesmo?

Bom, não poderia ser mais obvio. Johnny sempre caia em aborrecimento.

— Johnny, eu só estou tentando dizer que é impossível não levar em conta isso. Me encher de esperanças sem pensar nessas possibilidades me faria um cego. — Expliquei.

— Então está assumindo gostar dela?

Argh, Seward!

— Não. Estou dizendo que tudo aconteceu rápido demais pra ela. Pensa bem: a garota sonhou anos em nos conhecer e agora convive conosco.

— Cala a porra dessa boca que esse teu pensamento tá me dando nojo. — Revirou os olhos. — Ela teve coragem de pular no palco pra te abraçar, Brian. Não lembra?

E tem como esquecer?

— Não estava ali pelo Gates. Passava horas no telefone com você durante a última turnê ouvindo você, BRIAN, falar qualquer bosta, foi às festas da nossa família, se tornou AMIGA da sua ex-mulher e a Michelle é uma das pessoas mais reservadas que eu conheço, se deu bem até com a McKenna... Cuidou da sua irmã! — Parou para respirar e retomar a pose. — Synyster Gates não é o centro do mundo. Nem o Johnny Christ, ou Zacky Vengeance, ou M. Shadows... Nem o Avenged Sevenfold. Ela nos ama. Ama você, Brian Haner, ama a mim, Jonathan Seward...

A essa altura, eu já apenas o encarava com os olhos arregalados.

Se ser um idiota era uma porta para que eu saísse como o babaca insensível da história sem ter que explicar a conversa que tive com a Gabriela antes de sair em turnê e reconhecer o lixo humano que eu estava me sentindo há semanas desde que a fiz chorar, tudo bem fazer Johnny praticamente jogar na minha cara tudo o que eu já sabia e admirava nela. Cada gesto de generosidade, bondade ou humildade.

— Que saber, Syn? — Passou a mão na cabeça para se acalmar e mirou sua atenção em mim novamente. — Ótimo que tenha assumido um relacionamento com Karina. Afinal, ela não é nenhuma fã que foi pra cama com você na primeira oportunidade que teve e logo se mudou pra Califórnia e passou a conviver conosco, não é? — Ironizou. — Mas eu fico feliz por vocês. Pelo menos assim você se policia a ficar bem longe da Gabriela, até onde eu sei, sua namorada não é muito fã dela. — Deu as costas para mim e saiu do quarto batendo a porta com força.

— Puta que me pariu. — Resmunguei, esfregando as mãos no rosto e olhando para o teto do quarto. — O que você me fez fazer, Karina?

Xinguei-me mentalmente dos piores palavrões humanamente conhecidos.

A voz de Zacky sempre ecoava na minha cabeça; “Já pensou a confusão e o mal que você causaria na vida dessa garota? Você machuca toda mulher por quem se interessa!”. Dar ouvidos à Luana não me fez acreditar que Gabriela estaria melhor sem mim simplesmente porque eu acabaria magoando-a uma hora ou outra por conta das sensações que estavam me consumindo toda vez que eu pensava nela, MUITO MENOS acreditar que Gabi não sabia separar Synyster de Brian... Dar ouvidos à Luana me levou a ser egoísta ao não dar importância ao afeto que Gabriela tinha por mim ao desistir da nossa amizade, algo que eu sabia ter um valor único para ela.

Talvez tenha sido um ato de infantilidade pior do que traição: afastar-me de alguém importante pra mim só porque não consigo aceitar que me conquistou ou conviver sabendo que essa pessoa nunca gostará o suficiente de mim, ou nunca será minha. Eu tinha sido infantil e quase um suicida por ter tentado colocar um ponto num vínculo que eu sabia que já não conseguiria seguir um dia sem sentir falta, sem me sentir absurdamente incompleto.

— Como eu preciso de você, ein... — Sussurrei. — Poderia estar aqui para me ajudar, ou me dar umas surras. — Ri fraco, pegando no meu medalhão com peças da bateria do meu melhor amigo. — Você iria adorar conhecê-la... Na verdade, — Olhei para o pingente. — Acho até mesmo que brigaríamos por ela. — Brinquei. — Sabe que vocês até combinariam? — Fiz uma careta. — A genialidade louca, a maneira de tratar e conquistar as pessoas, “multitarefas”, amante da música como ninguém... — Citei e soltei o pingente, voltando a olhar para o teto. — Lembra quando foi com a Mich? — Chacoalhei os ombros de tanto rir do nosso passado.

Ouvir: Pink Cigarette — Mr. Bungle.

 

2005 [Huntington Beach].

 

— Boceta, tá doido?! — Curvei meu corpo para frente com o tapão que levei nas costas, encolhendo o braço para que a bebida não derramasse do copo, já que eu estava prestes a beber antes de Rev chegar. — Já disse pra não chegar assim!

— Você vai deixar as coisas desse jeito? — Puxou um banco pra sentar ao meu lado. — Faz quanto tempo que está assim? Dois, três meses? — Chutou o tempo. — Acho que seu interesse nela é nítido como esse soco que o Zacky deu, ein? — Riu, apontando o dedo na minha cara enquanto analisava o hematoma em volta do meu olho direito.

O soco tinha sido justamente por ela. Já tinha falado aos meus amigos a respeito e Zachary, como se fosse uma forma de “proteger” a amiga, socou-me a cara como um aviso de “é só uma prévia se você vacilar!”.

— Capaz mesmo de ela já ter desconfiado. Do jeito que lhe conhece... Rum. — Expressou surpresa.

— Não há nada a ser percebido. — Murmurei de forma qualquer.

— Brian, qual é? Não é nenhum desastre biológico se apaixonar. — Fez um sinal para que o garçom lhe desse uma bebida. — Desastre é gostar tanto de alguém que seja ruim de cama e você ter que sobreviver a isso. — James soltou uma gargalhada, apoiando a mão no meu ombro para me contagiar de alguma forma; apenas continuei com minha bebida. — Estou brincando. — Suspirou para conter a risada e curvou o corpo para apoiar os braços no balcão. — Desastre é assumir a si mesmo que se apaixonou. Principalmente você! Você vai se corroer de dentro pra fora, querendo acreditar que não é real... Quanto mais quando é assim, por alguém tão próximo, amiga de todos nós. Além do medo de destruir tudo o que vocês têm: a amizade, a convivência, e ainda tem a pressão toda do grupo em volta. Obrigado. — Cortou a frase para agradecer o garçom, pegando sua garrafa de cerveja.

— Sabe, Rev? Essas palavras não estão ajudando não. Cale-se. — Murmurei com um sorriso falso.

— Eu não acabei. Me escuta.... — Parei de sorrir jurando que, dessa vez, ele diria algo sério: — É como se você pegasse minha irmã. — Soltou uma risada, todavia tentou manter a seriedade da sua “lição de vida” em seguida. — Well, ela é irmã gêmea da Val, então, é mais esquisito ainda! — Deu-me uma piscadela. — Você é uma pessoa boa... Claro que vai ficar sempre com um pé atrás por conta do que vamos pensar, mas precisa pensar na sua felicidade primeiro, e lembre: somos amigos. Melhores amigos. Brian, apesar dos tapas, socos e chutões, vamos sempre estar contigo quando der um ou dois passos, mesmo que sejam errados. — Bebeu um pouco e ficou alguns segundos em silêncio, apoiando a base das suas costas no encosto baixo do banco de bar e suspirou com as mãos no joelho para “dar espaço” aos pulmões ao abrir um pouco os braços. — Mas é normal, Gates. Amar alguém, dessa forma que você está amando a Mi, lhe torna humano.

— Ela é importante pra todos vocês tanto quanto é pra mim, Jim. — Desabafei. — Eu não posso ser egoísta, comprometendo-a assim, me declarar, foder tudo com uma confusão sem tamanho na cabeça dela. — Dei os ombros. — Entende? E se nada der certo? Eu teria que evitar os mesmos lugares que ela porque me sinto intimidado depois d’ela ter rido da minha cara? Ou ela terá que se afastar de todos vocês porque sempre trombaria comigo, depois de eu ter sido um babaca com ela?

— Você nem tentou e já está imaginando um fim? — Gargalhou de piedade.

— Vai, — Burei, rindo. — Me chama de “cagão”.

— Syn, se preocupar com os sentimentos de quem você está apaixonado não é ser cagão. — Revirou os olhos. — Talvez um pouquinho imbecil. — Riu. — Mas cagão, não. Não é a primeira vez que fica afim de alguém desde o sucesso da banda. Chame-a para sair.

— Não é a primeira vez que eu fico afim de alguém, mas é a primeira vez que o interesse passa de só querer “uma noite” desde o sucesso da banda. — Corrigi.

— Então, deixe isso claro. Ela é sua amiga; vai te ouvir e, se não sentir o mesmo, o máximo que pode acontecer é ela rir da sua cara e dizer “vamos beber pra esquecer isso”. E, outra: que mulher nesse mundo não quer um compromisso sério com Synyster Gates? — Ri ironicamente com o comentário tosco de “incentivo”.

Eu não tinha a mínima ideia de como todo aquele sentimento apareceu... Claro, não foi da noite pro dia, porém, nos conhecíamos há TANTO tempo, por que só agora essas sensações começaram a dar sinal? Afeto por Michelle eu sempre tive; respeito, admiração, e até atração corporal, no entanto, talvez ter percebido a mulher que ela se tornou estava me conquistando a cada dia e eu nem me tocava.

 

20 de Junho, 2014 [Roma].

 

— Cacete, foi cômico! Zacky e Johnny dando uma de paizões, Valary sendo a “babá”, Matthew e você aconselhando e repreendendo e apoiando nós dois... — Suspirei. — Eu sei que, se eu tentasse, não seria a mesma coisa. Não seria como foi com a Michelle. — Joguei o cabelo pra trás. — Os caras amadureceram bem mais que nós dois... — Tentei rir e acabei tossindo. — Nós dois sabemos que ela não é importante só pra mim... Os caras a adoram e, até a Michelle... Eu nunca vi a Michelle se dar tão bem com uma mulher fora a Jackie ou a própria irmã! Mas, o que eu faço, Jimmy? Mantenho essa distância segura, aceitando a porra das “regras de boa vizinhança” só para não afastá-la dos outros? — Engoli o seco. — Ou eu poderia cavar minha cova ao pedir perdão a ela e voltar ser seu amigo, aceitando conviver com tudo isso dentro de mim? — Bufei, esperando alguns segundos para clarear as ideias. — Ou banco o idiota completamente apaixonado? — Ri com deboche de mim mesmo.

 

*Brian’s POV Off.*


Notas Finais


TÃRAAAAAAM!
Comentem, por favooooor <3
Já ouviram The Stage?! MANO DO CÉU, QUE ÁLBUM GENIAL! Juro que ainda faço uma analise inteira pra fic, hahahaa.
Essa historinha do Johnny bêbado e do Zacky ter feito turnê com a mão arrebentada é verdade.
Gabriela ainda posará para a SGC... E aí?
Brian nem tão estanho mas SUPER estranho! (Acho Mr. Bungle A CARA dele e do Rev!).
Aniversário da Gabriela chegando... Quê que cês acham?
Falando em aniversário...: FELIZ ANIVERSÁRIO PRA MIM!

AMOURAS:
Quero indicar uma fic e uma one pra vocês. Devem saber que eu sou crítica pra CACETE e jamais recomendaria qualquer coisa, ahahahshajk

https://spiritfanfics.com/historia/brutal-insanity-6699078 -- ESSA ONE É DOENTIAMENTE FANTÁSTICA! Beijão pra amoura San, que escreve bem pra um cacetíssimo senhor caralho e ainda conseguiu me fazer gritar com UM CAPÍTULO SÓ! LEIAM!

https://spiritfanfics.com/historia/psycho-lunatic-6762884 -- Essa é uma das fics mais LINDAS e bem boladas e INCRÍVEIS e torturadoras que eu tenho acompanhado ultimamente! Da minha amoura Julia (puta que pariu, essa menina só apareceu na minha vida pra me foder sem me beijar). Eu tenho CERTEZA que vocês nunca se arrependerão de dar uma passadinha lá! Tudo bem montado; enredo apaixonante; romance, aventura, AAAAAAA. LEIAM!


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xoxo, Brey.


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