História Blue Blood - Capítulo 32


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Palavras 12.751
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Ecchi, Famí­lia, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi, internet.

Gente, puta merdaaaaaaa!!! OBRIGADA por terem comentado no capítulo anterior; eu fiquei MEGA excitada (na conotação norte-americana da palavra, como já explicamos aqui na fic, hahaa) para postar ESSE capítulo <3 os comentários foram enooormes e maravilindos, então, muito obrigada! Eu JURO que responderei TODOS quando tiver tempo, desculpa mesmo sobre isso, mas eu tô TÃO atolada na bosta que quase não conseguia postar esse, mas, por favooooor, não deixem de comentar por causa disso! Eu imploroo!

TENHO QUE COMPARTILHAR COM VOCÊS!!: Uma casa noturna da minha cidade (Porão do Alemão) vai fazer um puta de especial do A7X no dia 23 de Dezembro e eu VOU!!! Tem umas três ou quatro leitoras minhas que também moram aqui em Manaus, então, informem-se se for do interesse! Tenho certeza que será incrível.
Conheceremos personagem importante nova, jhuahaujahajka.

É isso...

Enjoy!

Capítulo 32 - Chapter: Sidewinder.


Fanfic / Fanfiction Blue Blood - Capítulo 32 - Chapter: Sidewinder.

— Pessoas boas e generosas como você me enchem de esperança, sabia? Escuta... Se essa sala aqui fizer com que você se aproxime cada vez mais da estrela que você nasceu pra ser, eu fico feliz de ter feito parte disso. James Van Bass.

 

Ouvir: Smile — Lily Allen.

— Eu juro, Gabriela! Achei que ontem seria a noite em que eu daria a bunda. — Voltei a gargalhar do que meu melhor amigo me contava. — Cara, a cena foi assim: você tinha acabado de desligar a chamada comigo e eu tinha acabado de chegar no Bar do Beto pra encontrar o Thiago e o Rodrigo...

— E então, você o viu. — Completei, ainda rindo.

— EU O VI!  — Voltei a gargalhar. — Cara olhou pra mim e eu olhei de volta e pensei “cacete, que homão da porra, ó”. Sério. — Claro que o Júnior estava dando um ênfase muito brincalhão em toda a situação. Ele adorava brincar assim. — E ele sorriu e eu pensei “caralho, foi pra mim?! É hoje! É hoje que eu dou o cu.” — Soltei outra gargalhada. — Aí ele chegou perto e BAUM!

— Não acredito que o Fernando voltou de Maceió! Tinha o que? Uma década que ele tinha saído de POA?

— Por aí. Ele e a esposa sentaram comigo e os rapazes lá e passamos um tempo jogando conversa fora. Não mudou NADA: o mesmo porra-louca. Só que com a cara do Chris Hemsworth. — Ri.

— Combinemos que ele sempre foi bem bonito mesmo.

— Ele perguntou por você umas trinta vezes! Imagina a empolgação quando contei que você tinha se mudado pra Califórnia e até participado do Rock’s Voice. Ele, praticamente, te acompanhou em todas as apresentações escolares do ensino fundamental.

Bateram na minha porta e logo vi uma cabeça surgindo na brecha.

— Mamãe está lhe chamando pra tomar café. Contei que chegou aqui quando o papai e o Mason saíram para buscá-la.

— Obrigada. Já tô indo. — Fiz um sinal para que descesse e rapidamente chamei pela minha sobrinha antes que a mesma batesse a porta. — Me empresta seu secador? — Fiz uma cara de desesperada.

Áurea acenou com a cabeça, dizendo que voltava logo.

— É a Áurea?

— É. Tá me chamando pra comer.

— Bom... Pra encerrar assunto: agora está tudo bem?

— Não usa esse tom! — Choraminguei. — O Christopher já ficou chateado o suficiente, se você também for ficar bolado com isso, vou acabar ficando mal por ter me acertado com ele. — Nota mental: ainda preciso conversar com Günter sobre isso.

— Não, não! Argh. Olha. Babi. — Falou rapidamente e pausadamente ao mesmo tempo. — Eu tô feliz, de verdade, por vocês terem se acertado. Mas, sei lá... Eu esperava uma conversa mais séria e não algumas horas na beira do balcão do Skybar.

— Conversamos, Júnior. — Pontuei. — E, eu amaria te contar por detalhe, mas...

— Tem muita coisa a ver entre o que ele viveu com a Michelle. Você disse. — Suspirei. — Mas o Syn tem que entender que você não tem nada a ver com esse passado dele. Ele não pode te castigar sendo um imbecil.

— Não será mais. Relaxa. — Sacudi a toalha com qual secava meus cabelos desastrosamente, já que estava com uma das mãos segurando o celular, e a estendi na testeira da cama. — O importante é que, finalmente, nos acertamos.

— É meio-dia aqui. O meu pai está na cidade e já vai pra NY semana que vem. Vou almoçar com ele. Bom trabalho!

— Valeu. Bom almoço! Beijão pro Isaac. — Ouvi ele rir antes de eu desligar.

Meu melhor amigo sempre se deu muito bem com o pai (mesmo o contrariando e enfrentando na carreira que queria seguir. Isaac sempre planejou que o filho seguisse seus passos na Engenharia) e, com tantas viagens para o exterior, ficava animado quando voltava a POA. Era uma pessoa tão divertida que, até mesmo quando Júnior estava fora do RS, Julie e eu sairíamos com Isaac se tivéssemos horários compatíveis.

Depois de secar rapidamente o cabelo, guardei o pijama que usei — já que tinha cogitado dormir no apartamento do Christopher na noite anterior, eu tinha até levado algumas peças de roupa por saber que iria precisar, assim como escova de dente — e vesti-me para o trabalho (1); por estarmos entrando no verão, nada melhor do que uns shorts sociais ao em vez de calças compridas ou jeans.

Chegando na cozinha, tremi ao ouvir a voz que ecoava dos monitores da pequena tela que tinha na parede — que mais enfeitava a copa do que era usada para assistir programas culinários enquanto, quem é que estivesse usando o fogão, cozinhasse o que era instruído.

— Bu!! — Fingi assustar assim que dei as caras no cômodo, já sentando ao lado de Nick depois de estalar um beijo no meu sobrinho que, pelo gemido de brabo que deu, amanheceu irritado. — Iiih, o que foi isso? Sorria pra mim. — Adverti tentando ser séria, mesmo que fosse brincadeira. — Bom dia, bom dia. — Cumprimentei a todos e olhei para a tela da cozinha. — Grandaddy!

— Gabriela, Gabriela... Indo para festas no Skybar em dias de semana? O que a Califórnia fez com você, minha filha? — Ri fraco com a advertência brincalhona dele.

— EPA! Quem lhe contou disso?

— Acha que não estou por dentro de tudo o que você anda aprontando, mesmo em outro país? Rum. — Fingiu brigar e eu ri, soltando um suspiro. — Victor tem mantido sua avó e eu atualizados. Ainda acompanha você nas redes sociais.

— Falando nele... — Atentei-me ao assunto. Tinha pouco mais de um mês que eu não falava com meu primo por causa do que aprontou com Arie. — Como ele está?

— Até então, recuperando-se de ter perdido tudo. Já faz algumas semanas que a Ariane vendeu as coisas, então, ele já está tratando de procurar um apartamento pela avenid...

— ESPERE! — Soltei me português. Até então, conversávamos em inglês porque Scott ficava aborrecido quando não entendia o que falávamos. Pigarrei. — Como assim-como assim a Arie vendeu “as coisas”?

— Ela não lhe falou?

— Bom, tem duas semanas que ela está viajando pela Europa e pela Ásia para alguns desfiles, ela busca se concentrar e, apesar de conversamos por mensagens, ela não me falou nada dis...

— Gabi, a Ariane vendeu tudo. — Luiza respondeu. — A casa dos dois. O carro dele. Jogou as roupas no quintal e passou o cortador de grama em cima...

— E como sabe de tudo isso?

— Ué. Diferente de você, eu tenho falado com nosso primo normalmente.

Passei a mão na cabeça com a surpresa pelas novas informações.

Tudo bem... Quando os dois resolveram morar juntos, Victor tinha acabado de se formar em Medicina e nem especialização tinha ainda; Ariane era a mais estável financeiramente, mas vender tudo, inclusive o carro do ex, foi muita insanidade.

— Não se preocupe, minha filha. Ele já está menos traumatizado de tudo isso. Logo irá tirar um carro novo também... Mas seria reconfortante se voltasse a conversar com ele.

Ouvir: No Light, No Light — Florence + The Machine.

— Farei isso logo. Depois dos shows do Raimundos. Preciso me concentrar. — Conclui e relaxei os ombros. — Desculpa não ter feito chamada de vídeo nas últimas semanas, eu tenho andado, praticamente, atolada.

— Faço das palavras da Gabi, as minhas, vô. Nova Iorque estava me sugando! Nem com o papai tenho falado direito, ultimamente. — Luiza disse enquanto recebia de grado o café que Scott lhe servia. — O bom é que amanhã é feriado e poderemos desfrutar de uma San Diego ensolarada. — A morena sorriu abertamente e eu vi Mason resmungar algo para Áurea, contra a comemoração. A irmã gêmea do garoto apenas fez um sinal para que não lhe incomodar com o assunto.

— Ainda não me acostumei com as duas mulheres maduras e responsáveis que vocês se tornaram. Cheias de compromissos. — Ele sorriu de forma doce.

— É, mas isso não é motivo para o sinhô também sumir! Se não fosse pela mamãe ligando sempre, morreria de preocupação. — Comentei pegando uma fatia de bolo de cenoura e um pouco de suco.

Lorenzo virou o iPad que segurava para vovó Elise me dar um “oi” (além de uma bronca leve pelo cabelo bagunçado demais para ir trabalhar) e ambos começaram a perguntar sobre os feitos das semanas que não nos falamos muito bem, até o assunto chegar em outro restaurante da rede Enzorr Küche Klass sendo aberto em Fortaleza, daqui pro fim do ano.

— Ah! Falando no EKK, por que o sinhô não aceitou a proposta da Val? — Perguntei de boca cheia. — Poxa, tava doida pra ter vocês por aqui uns dias...

— Como é que é? — Enzo encarou a tela de seu computador com uma expressão confusa, o que me fez pensar que ele não teria ouvido muito bem o que eu falei.

— A proposta da Valary Sanders. Fui perguntar dela semana passada e ela disse que o sinhô recusou porque teria outros compromissos. Seria aniversário do Matt... Lembra dele? M. Shadows, o tatuado por quem eu gritei assistindo o RIR pela televisão? O mesmo que foi com a banda e a equipe almoçar no EKK depois de uma turnê?... — Listei, fazendo o possível para que meu avô se lembrasse, porém, ao em vez de ver uma luzinha acender em sua cabeça, ele fitou a esposa, nitidamente ainda alheio do assunto.

— Meu amor, fui eu quem recusou a oferta. Mariane contou a mim e a sua mãe e Enzo nem chegou a saber. — Vovó admitiu. — Estamos em Julho, os restaurantes precisam do auxilio do seu avô por aqui, não pode decidir que irá viajar da noite pro dia.

— Seriam apenas alguns dias! — Curvei as sobrancelhas em “V” e logo fiz bico. — Depois do meu aniversário, mas ainda serviria como presente.

Boa parte das atitudes que a vovó Elise tomava em cima do grandaddy era realmente com a melhor das intenções, contudo, esconder uma proposta dessas dele não era lá coisa que se fazia.

— Vó, eu entendo sua preocupação com a rede, mas deveria ter contado ao vovô. — Luiza intrometeu. — Além do mais, os restaurantes sempre souberam ser bem administrados na ausência dele, enquanto vocês viajam por aí. E olhe que vocês vivem viajando!

— Sem contar que tem tempos que eu quero ver vocês.

— Okay, okay! Podem esperar eu pensar no assunto?

— Lorenzo!

— Elise. — Grandaddy repreendeu. — Quero tomar essa decisão, até porque, tem meses que não vejo minhas netas. Sem contar que, se não fosse por uma câmera, não estaria acompanhando o crescimento dos meus bisnetos. — Olhei para minha irmã e a estilista abaixou um pouco a cabeça e pigarreou, provavelmente culpando-se por criar os filhos tão longe da cidade natal.

Lu nunca se arrependeu de viver tão longe da família; apesar dos dias complicados e da saudade inexplicável, claro que nos Estados Unidos seus filhos teriam inúmeras oportunidades melhores de vida — mesmo Áurea destinada a assumir a agencia da mãe, e Mason a empresa do pai. — e, por sempre poder visitar o Brasil ou mesmo Portugal nas férias, se acomodou a ficar tanto tempo longe. Para Áurea e Mason era tudo mais fácil, afinal, eles nunca tiveram uma convivência de fato com a família Albuquerque ou com a Lins, no entanto, sabiam que erámos todos “um só”, como dizem... Nicolas, até então, era o menos afetado pela falta da família.

— Gabi, fale com sua amiga. Dê meu número a ela e discutiremos isso melhor. — Um sorriso largo tomou conta do meu rosto. — E se não chegarmos a um acordo, juro que vou à Califórnia, pelo menos, pra dar um abraço em vocês.

— Perfeito! — Comemorei e, depois de receber um sorriso sincero do meu avô, virei o rosto para encarar meus sobrinhos. — Quase ia esquecendo. Os livros de história. Rápido. — Estalei os dedos e eles saíram voando da mesa enquanto eu tirava o guardanapo do meu colo e esticava as costas. — Preciso ir trabalhar.

— Hm! — Scott murmurou enquanto terminava de tomar seu café. — Antes de você descer, Emily estendeu, passou e dobrou as roupas que você deixou lavando ontem à noite. Estão na sua mochila, na sala. — Assenti depressa e agradeci o café e a hospedagem, me despedindo de todos ali e dos meus avós.

— Aqui os livros. — Áurea anunciou enquanto descia as escadas com o irmão. Cada um carregando dois livros. — Esses são desse ano, e os que o Mason vai lhe dar são...

— Do ano passado. — Ele terminou a frase da irmã, entregando-me as apostilas assim que Áurea se afastou de mim.

Ouvir: Don’t Call Me White — NOFX.

— Valeu, MESMO! Estão salvando minha cidadania nesse país. — Dei um beijo na bochecha de cada um. — Vem cá, impressão minha ou vocês não estão muito com espírito de ir para San Diego?

— Mamãe passou semanas em Nova Iorque e eu estou com MUITA saudade dela, mas não vou mentir: tudo o que eu queria era aproveitar minhas férias assistindo filmes, marcando presença em festinhas e escrevendo no meu blog. — Ri com a resposta da minha sobrinha.

— Mamãe disse que você vai passar o feriado com seus amigos roqueirões lá.  — Mason cruzou os braços de forma madura e engraçada. — Eu pediria para ir, mas ela disse pra não lhe encher o saco com isso.

— Ué, vocês querem?! Por que não disseram antes?!

— Eeeee, nem vem! Meu mundo é o pop. Entre passar o feriado com uma banda de rock ou numa praia em San Diego, mesmo que sem Netflix, mas tendo, pelo menos, sufistas para paquerar, acho que eu prefiro os sufistas. — Áurea levantou as mãos, como se estivesse confessando e se rendendo a ir para San Diego, virando de costas e voltando para a cozinha enquanto eu ria.

— E você? Quer mesmo? Lembrando que eu viajo domingo à noite, então, se seus pais não estiverem em L.A. até umas seis da tarde, você terá que ficar em Long Beach, na casa daquele seu amigo, Zed, porque o Roni já volta pra NY no sábado de manhã. — O garoto assentiu e deu os ombros. — Vou ligar pra Michelle. Vai falar com sua mãe e eu passo aqui pra te buscar depois do trabalho, antes dos seus pais saírem. — Mason sorriu como se me agradecesse MUITO e correu para a cozinha enquanto eu discava o número da loira.

— E aí, minha modelo? Olha só, você ligou bem na hora. Eu acabei de chegar no ateliê para conferir as últimas peças que fizeram pra amanhã e você vai adorar! — Empolgou-se. — Algum problema? Está bem cedo...

— Não, não. — Ri. — Na verdade, uma dúvida. Sabe o Mason, meu sobrinho? Acha que teria problema ele passar o feriado conosco? Está desesperado para não ir a San Diego com a família. — Dramatizei. — A casa é do Brian, ele ficaria chateado?

— Por que acha que ele ficaria? — Ela riu. — Claro que não há problema algum! Pode levar o garoto, vou pedir para que a Helga ponha mais um prato na mesa. — Eu dei um suspiro de alívio.

— Tudo bem, então. Bom dia, Mi.

— Wow, wow! Por que você não ligou pra falar com ele? — Usou um tom desconfiado.

— Como você disse, está bem cedo. Acha que o Syn vai acordar uma hora dessas depois da festa de ontem?

— Garota, quem é você? — Soltou uma gargalhada com meu comentário de deboche sobre os “horários de Brian Haner”. — Até que é verdade. Só estou surpresa de não ter pensado nisso antes, já que já fui casada com esse cara... — Rimos.

— Sem brincadeira agora: é porque você quem está organizando tudo, então, achei que faria mais sentido perguntar de você.

— Está tudo certo. Pode trazê-lo. Well... Bom dia. Vou te mandar fotos dos vestidos já, já!

— Okay.

— Ah! E é melhor poupar gasolina e ficar pra dormir, então, levem roupa. O chá de bebê já é na manhã seguinte mesmo... Só precaução. — Jogou alguns beijinhos e desligou.

Diferente de reuniões ou ajudar a BB em algo, passei meu dia fazendo relatórios sobre o procedimento da Blue Blood como banda e com as finanças de publicidade — já estávamos numa fase de decidir a data de lançamento do álbum, estava previsto para novembro, no entanto, ainda sem data exata. —, arquitetando e conferindo minha agenda quanto aos shows que Raimundos faria. Eram sete no total; pegaria um voo de L.A. no domingo, para encontrá-los em San Bernardino, onde fariam um show na segunda-feira (e, por incrível coincidência, seria a cidade onde A7X começaria a turnê pelo Mayhem Festival junto com outras bandas, no domingo); daí, dois shows em Santa Rosa, na terça (um num festival-luau de manhã e outro em um bar popular da cidade à noite), quarta de folga, um show em São Francisco, na quinta-feira; um em Los Angeles na sexta e, sábado, dois em Fresno, onde eu encontraria Tally e embarcaríamos para o Mayhem Festival, em Albuquerque para o MEEEEEU *dance* aniversário!

— Tô saindo. — Passei no estúdio para avisar aos meus amigos e Christopher e Margot, aos poucos, pararam de rir de algum sarro que tinham tirado com Logan (tinha que ser com ele, pra está com a cara emburrada daquele jeito...).

— Não acredito que nem uma pizza você vai ficar pra comer! — Ariela exclamou em reclamação, levantando-se para me abraçar. — Nem almoçou com a gente!

— Longo dia. — Lamentei. — E a semana será mais longa ainda.

— Vai ser uma semana divertida. Cê vai ver. — Julian foi o próximo a me abraçar.

Ouvir: Felling in Love — NOFX.

— Por favor, tentem se comportar enquanto eu estiver fora. — Adverti. — Não quero nem imaginar Mike tendo dor de cabeça com vocês. André! Cuida bem deles! — Pedi ao produtor dentro da cabine, que riu e fez um sinal para que eu não me preocupasse. Logan, Ariel e Julian levantaram as mãos como se me prometessem enquanto Christopher ria fraco do “poder” que eu tinha sobre os colegas de banda.

— Boa viagem, Gabriela.

— Valeu, Margot. Ah, Chris, me dá um minuto?

— Hmmmmm... — Pela gracinha, Loggie levou um olhar mortal do Christopher, mas, mesmo assim, não o impediu de dar uma tapa na bunda do amigo quando o guitarrista levantou da cadeira.

Dei alguns passos para trás, voltando ao corredor e Smith fechou a porta atrás de si, encostando as costas na mesma e cruzando os braços sobre o peitoral.

— Que que eu posso começar a falar aqui pra fazer você destrombar a cara?

— Não estou emburrado.

— Não é o que parece. — Erguei as sobrancelhas e segurei os braços dele, desmanchando-os do “barreira” que formavam. — Por que o drama?

— Gabriela, eu não gosto nenhum pouco do tipo de boneca que você é na mão daquele cara. — Respirei fundo e contei até três para manter a calma. — Ele agiu como um verdadeiro filho da puta contigo e agora está tudo bem?

— Nós conversamos, Chris. — Disse pausadamente. — E eu não sou nenhum tipo de “boneca”, a definição disso é maturidade. Maturidade pra saber conversar, pra perdoar...

— Então vai dizer que é muito maduro da sua parte permitir ser feita de trouxa?

— Eu não estou entendo onde você quer chegar tentando me ofender.

— Estou tentando pular pra parte em que você assume que está apaixonada por ele. — Paralisei no lugar e senti meu corpo formigar, sem saber bem se era por conta do nervosismo que a acusação me causou ou se por causa da vontade de gargalhar que subiu até minha garganta por ser imputada sobre isso.

Chris, que já tinha desencostado da porta para começar a gesticular na minha frente, passou a rondar meu corpo até parar de novo na minha frente.

— Não sou e nem estou apaixonada pelo Synyster Gates, Günter. — Falei com firmeza. — Agora, por favor, não me faz sair dessa gravadora aborrecida com você por causa de uma bobagem...

— Me escuta. — Ele passou a mão no rosto, jogando seu cabelo para trás e me segurando pelos ombros. — Você é minha amiga. Sabe que pode contar comigo sempre, não é? — Fungou e me largou. — Principalmente quando esse cara resolver te magoar de novo. — Engoli o seco. A forma que ele falou parecia até uma “premunição”. — Vem cá. — Puxou-me lentamente pelo braço e me abraçou fraco, dando um beijo no topo da minha cabeça. — Bom feriado e boa sorte com a mine turnê do Raimundos. — Soltou-me.

— Obrigada. — Disse baixinho e Christopher deu-me um sorriso de canto antes de voltar à sala.

O comportamento desse cara tem andado tão estranho, ultimamente. Só esperava que não fosse nada para se preocupar.

Mesmo achando que minha irmã não deixaria seu primogênito ficar sob minha vigilância em HB, fui surpreendida pelo garoto que carregava uma mochila nas costas e um sorriso largo no semblante assim que parei o carro na frente da mansão. Despedi-me da minha irmã, do meu cunhado e dos meus outros sobrinhos e seguimos para Long Beach com Mason comentando empolgadamente sobre seus planos para o verão e sobre ter entrado fixamente para a banda dos amigos, Skull Ripping. Durante o dia, a gravadora Capitol Records tava alugando algumas salas para bandas armadoras (fazendo seus artistas terem de gravar de madrugada; era uma forma de lucrar mais), e meu sobrinho usaria para gravar algumas covers ou apenas ensaiar com a banda.

Depois de deixá-lo em meu apartamento, tomar um banho e trocar de roupa, certificando-me antes se tinha algo para Roni e Mason comerem caso sentissem fome, fui para a academia.

Lembro que, quando vim me cadastrar, Dan falou que Matt, Johnny, Syn e Karina também malhavam ali, de qualquer forma, foi uma surpresa encontrá-los; desde minha mudança oficial, os rapazes estavam em turnê e, enquanto a Karina, deveríamos sempre vir em horários distintos. Pela cara enjoada com qual Luana olhou para mim, agradeci a Deus por estar matriculada na turma de pole dance, assim eu não precisaria ficar aturando as encaradas de desprezo dela pra mim toda vez que dirigia-me a palavra a Brian — céus, presenciar aquele homem fazendo musculação certamente era a oitava maravilha do mundo (e eu aposto que não era a única a pensar isso; boa parte da mulherada em volta, suspiravam por Gates, Christ e Shadows sem pudor algum!).

13h00min do dia 4 de julho e eu não estava com a mínima vontade de me colocar de pé. A professora de pole tinha pegado pesado ontem, contudo, eu considerava que as aulas estavam fazendo muito bem para meu ego, além disso, nesses dois meses de aula, já conseguia me orgulhar de algumas posições que conseguia realizar, minha favorita era uma que parecia uma bailarina no topo do poste, rodando com o pé na cabeça (2).

Roni, o primeiro a acordar, puxou-me da cama pelos pés, super (ironicamente) empolgado pelo seu último dia de obrigações comigo/Syn Gates Clothing.

— Vamos lá? Cadê seu espírito de “Americana Independente”? — Roni brincou, sendo sarcástico (típico).

— Argh... Desde que assinei o contrato com Daniel, MEU SONHO é dormir até mais tarde... — Espreguicei-me, sobretudo, dando a entender que eu não sairia da cama.

— É seu primeiro Quatro de Julho de verdade. Levanta.

— Tomei relaxante muscular pra dormir ontem. Meu corpo ainda tá mole. — Resmunguei sonolenta, subindo de volta o corpo na cama, ainda deitada de bruços e agarrando o travesseiro enquanto Roni arrancava o edredom do meu corpo.

— Puta merda. Por que eu nunca tinha visto essa tatuagem no seu quadril? — Olhou torto para as letras miúdas vermelhas “sa-ne-té” (3).

— É do ano passado. Tatuei bêbada depois da formatura. Graças a Deus, a roupa sempre esconde. — Murmurei, ainda virada na cama.

— É alguma ironia? Uma bêbada tatuar a pronuncia fonética de “sanidade”? — Debochou.

— Melhor do que essa sua “Hic et nunc” no braço.

— Pelo menos, eu tatuei totalmente consciente.

— Imagina se não estivesse consciente. — Rebati.

— Iih, tô vendo que acordou pra fazer gracinha. — Cortou o assunto e eu ri por ele ter ficado sem resposta. — De qualquer forma, eu poderia não ter visto nada disso.

— Me cubra logo antes que você se apaixone. — Ri fraco quando ele me cobriu de volta.

— Você estava tão incapaz de colocar um pijama? — Murmurei qualquer coisa em resposta. — Vou comprar o almoço. Levanta e se veste antes que o Mason seja o próximo a vir puxar seu edredom. Ah! E outra coisa: por acaso você lembra que um certo clipe lançaria hoje? Eu daria uma olhada nas notificações, se fosse você. — Usou sua ironia diária e bateu a porta após sair do meu quarto e, assim que ouvi a porta bater, meus olhos se arregalaram, fitando o macbook sobre a mesinha ao lado da minha cama.

— O CLIPE!!!

Sai debaixo das cobertas com uma dificuldade tão grande que, ao me enrolar mais ainda sobre elas, escorreguei até cair no chão, onde encontrei o pijama de qual me livrara no meio da noite. O vesti depressa e voltei para a cama com o macbook no colo, logo puxando o celular junto e vendo as mensagens da Ariane, do Júnior, da Blue Blood e do próprio Avenged falando sobre o vídeo de This Means War.

— AAAAAAA! — Dei um grito assim que Arin atendeu o celular. Era o contato do topo da minha agenda alfabética.

— É ela! — Ele disse com uma risada meiga, provavelmente avisando os demais ao redor. — Gabi! Vou te colocar no viva voz. Os rapazes estão aqui. — Avisou.

— Campeã! Que bom que você ligou antes de entrarmos no barco. Logo estaríamos sem sinal de celular.

— Eu acordei agora e, acreditem, a primeira coisa que eu fiz foi assistir ao clipe. Eu estava lendo alguns comentários e, puta merda, vocês já pegaram alguns pra ler? Tanta reação positiva! E eu ainda quero entrar no Twitter pra surtar junto com o fandom porque não é possível...

— Gabriela, Gabriela. Calma. Respira. — Johnny auxiliou e eu dei uma risada nervosa. — Não esquece que você ajudou no processo de criação do clipe. Como pode está tão excitada com tudo isso?

— Sabe, John? É toda uma emoção diferente quando esse vídeo está NO CANAL DE VOCÊS! É como sua música favorita; você tem no celular, você tem o CD mas ouvir na radio é sempre mais emocionante. E olha aqui, vocês ainda são minha banda favorita. — Adverti. Jesus Cristo, eu não parava de falar um minuto sequer. — E eu tenho direito de surtar pelas novidades no fandom.

— Desculpa aí. — Ri e joguei beijos para ele.

— Zackyy. — Chamei pelo guitarrista. — Ai, meu Deus. Seu plano deu certo! — Quase gritei de felicidade enquanto analisava a timeline do meu Twitter. — Foi jogada DE MESTRE colocar algumas cenas do outro vídeo que vocês não queriam mais usar, sério.

— Graças a incrível equipe por trás da produção, babryela. — Aplaudiu.

Eu estava inquestionavelmente feliz pelo sucesso do clipe. Tinha sido lançado lá pelas seis da manhã e já tinha mais de cento e cinquenta mil visualizações; os caras tinham alegrado a legião de fãs latinos/sul-americanos por inteira.

Depois de ler alguns comentários positivos e engraçados para eles, deixei que fossem pescar. Acho que ainda passei alguns minutos conversando com alguns fc no Twitter e no Facebook — que me tratavam diferente desde que conheci o A7X; estavam sempre mais falantes e alguns até buscavam por mim como “porta de entrada” até os caras (era estranho, mas, boa parte entendia que eu era fã assim como eles e, outra parte nem sequer sabia quem eu era) —, só então tomando coragem para as programações do feriado e ouvir o Roni reclamar sobre eu estar no celular enquanto almoçávamos.

— O que diabos faz?

— Falando com o papai por mensagem e buscando opiniões de estúdios de tatuagem em San Bernardino. — Respondi de boca cheia, pigarreando no final para não me engasgar. — Mason! Vem almoçar! — Estiquei o corpo para trás, dando um grito na direção do corredor. Roni tinha me falado que meu sobrinho tinha passado a manhã inteira no estúdio.

O fotografo levantou-se e foi chamar o garoto, que veio à cozinha ainda empolgado com a sala.

— A senha TEM que me deixar usar aquela sala mais vezes! É incrível!

— Bom, pode usar esse verão enquanto eu não estiver dando aulas pras crianças aqui do prédio, mas senta e come.

— Cê tá falando sério?

— Por que não? Claro, não tem tais equipamentos que devem ter numa sala completamente montada na Capitol Records, mas se você e seus amigos quiserem usar, fiquem à vontade. — Sorri rapidamente para ele enquanto Mason se servia e voltei a mexer no celular.

Mason, que logo estava sentado ao meu lado à bancada, esticou-se para acompanhar o que eu estava fazendo.

— Pra que um estúdio, exatamente? — Roni perguntou.

— Pra me presentear antecipadamente. — Sorri convencida, bloqueando a tela para olhar para os dois ali. — Digamos que, em cada “fase nova” da minha vida, eu faço algo diferente. Tatuagem, piercing, mudo a cor do cabelo... Entrei pro RV e mudei o cabelo duas vezes. Me mudei pra Califórnia, tirei o piercing do septo e mudei o cabelo de novo. Tá na hora de fazer uma tatuagem nova antes que eu fique careca. — Os dois homens na mesa riram.

— Há alguns meses, quando estávamos em Nova Iorque, você comentou que queria um piercing no mamilo. — (Capítulo 2).

— Ainda não tenho coragem pra isso, Roni. — Conclui. — E nem alguém que me passe confiança ao fazer o piercing. Deve doer até com anestesia. Assisto cada vídeo na internet que dá até pena de quem tá lá sendo furado.

— E a nova tatuagem, então, representaria que fase? — Roni franziu as sobrancelhas ironicamente.

— Os vinte e sete, duuh!

— Já escolheu o que fazer? — Meu sobrinho perguntou, curioso.

— Tenho que escolher um estúdio confiável antes disso. Mas já tenho uma ideia...

— O que seria?

— Tenho tatuagem em homenagem ao Avenged, ao AC/DC, ao Metallica, ao Led...

— Ao Misfits, ao Kurt, ao Freddie, à Marilyn Monroe, entendi. — Roni listou depressa, pontuando e fazendo um sinal para que eu pulasse direto à ideia do que pretendia tatuar. Apontei para a lobo no antebraço esquerdo dele. — Opa, opa... Isso aqui é meu xodó, não pode fazer uma igual! — Mason gargalhou com a possessividade do meu amigo.

— Não seja tonto. Não me refiro ao desenho, me refiro ao vocalista da banda. Já que eu tenho a logo, aquela estrela, do Faith No More na minha nuca.

— Mike Patton? — Mason arregalou os olhos com alegria. — Juro que minha primeira tatuagem será em homenagem a esse cara também.

— Sim. Ele é o artista que eu mais admiro nessa mundo inteiro. Está mais do que na hora de dedicar uma parte do meu corpo a ele. — Rimos.

— Poderia ser um cigarro rosa... — Opinou Roni.

— Um marchado. — Mason sorriu com a ideia.

— Um palhaço.

— O mapa da Itália! — Meu celular começou a tocar junto com a gargalhada dos dois, que se divertiram com tantas alternativas.

— Tudo bem, chega. Se vocês forem dar uma opção de homenagem a cada banda ou projeto dele, não terminamos de comer hoje. — Atendi o celular. — Oi, pai. Achou?

— Achei sim, filha. Só estou querendo saber se tem certeza se vai querer que eu mande isso. Acho que qualquer outra coisa pode agradar esse rapaz.  Esse LP é raro pra porra...

— Raro, mas está dentre os que o sinhô nunca mais colocará pra tocar na rádio. E o sinhô tem dois. — Justifiquei.

— Sim, e um é seu que você pediu pra eu guardar quando tinha uns dez anos e eu, finalmente, consegui encontrar pra comprar pra você, não lembra? Não pense que vou lhe dar o meu se você for presentear alguém com o seu. — Suspirei.

— Eu sei que o sinhô fez quase que um milagre em conseguir encontrar esse vinil. Mas, Mr. Bungle definitivamente é algo que dividimos. Vai ser legal dar um presente assim. Tão único. — Sorri, mexendo na comida com a ponta do garfo. — Pode enviar hoje?

— Apesar de não concordar com isso... Claro. Enviarei. — Abri um sorriso.

— Valeu, pai.

— Sabe que chega em três dias, não é?

— Mas o aniversário dele é em três dias!

— E você viajará em dois. — Soltei o garfo e levei a mão até a testa, pensando em qualquer solução para que eu entregasse o presente no dia, contudo, não existia opção... Até porque, quando o pacote chegasse no meu apartamento, eu estaria em San Bernardino com o Raimundos, assim como o A7X com o Mayhem Festival.

— Tudo bem, eu posso dar quando estivermos em Albuquerque.

— Só espero que você receba um presente igualmente raro e único desse guitarrista.

— Pai! Não deboche. — Roberto gargalhou e eu soltei uns beijos pra ele antes de desligar.

— O que estão aprontando? — Roni desconfiou.

— Presente de aniversário do Haner. — Sorri amarelo sacudindo o celular para ele e colocando sobre a bancada de metal, voltando a comer.

— Ela sempre se preocupa tanto assim com o aniversário de alguém?

— Sempre! — Denunciou Roni. — A última vez que ajudei em uma escolha, foi no aniversário do Arin Ilejay. Ela estava desesperada.

— Mason, não acha que todos os presentes que enviei a Áurea e a você nesses quinze anos respondem por si mesmos? — Levantei uma sobrancelha para ele e o garoto riu.

— Pergunta respondida. — Afirmou.

— Mudando de assunto. Falei com a minha mãe. Sobre... — Roni limpou a garganta. — O surto da Arie.

— O que a Bianca disse? — Questionei bebendo um pouco da minha água.

— Afirmou o que o Enzo lhe contou. Ela vendeu a casa, os carros...

— Vendeu o carro dela também?! — Arregalei os olhos, quase engasgando-me com o líquido.

— É e, já que nossos pais moram na rua logo atrás da casa do seu avô, parece que a Ariane estava hospedada no apartamento do seu ex pelos últimos dias que esteve no Brasil.

— O QUE?!

— Foi o que a minha mãe contou. — Suspirou. — Ela tá bem preocupada, Gabi. Ariane não me contaria o que está pretendendo fazer com essa revolta toda, mas... Fica atenta no fuso horário de Sydney e liga pra ela mais tarde.

Tentei analisar a situação e tentar repensar os passos que tomei ou minhas atitudes quando fui traída pelo Ian, tentando assimilar alguma semelhante situação entre a traição do Victor coma Ariane. Mas cada uma de nossas ações tinham sido diferentes. Eu paralisei quando presenciei a cena; a morena avançou em cima do noivo; bati palmas e sorri ironicamente enquanto sentia meu coração em pedaços; Ariane xingou e gritou; cruzei os braços e pedi que Ian e a jovem continuassem, ignorassem minha presença; Arie riu e chorou ao mesmo tempo, dando as costas para o “casal”; Ian implorava que eu gritasse, o batesse, batesse na garota, tivesse qualquer reação, contudo, ao em vez disso, eu só conseguia encarar tudo aquilo com nojo e dor.

É. Definitivamente, Ariane e eu éramos completamente diferentes, mas algo me fazia pensar que eu conhecia o ponto onde a modelo queria chegar. Na época, uns cinco anos atrás, meu porto seguro foi partir para Minnesota, o intercambio no último semestre da universidade de música; foi um meio de me livrar, temporariamente, de tudo o que me lembrava o rapaz. Talvez, da sua forma, Arie estava tentando fazer a mesma coisa.

— Vou ligar. — Prometi, engolindo o seco.

Depois do almoço, passei um tempo com meu sobrinho no estúdio o ensinando usar alguns equipamentos e dando algumas dicas na bateria. Mais tarde, assim que vi Roni com uma bermuda engraçada com a estampa da bandeira do EUA, tratei de caprichar no look da tarde (4), apesar de acreditar que passaria bastante tempo desse feriado usando roupas que Michelle me mandaria vestir para as fotos; lembrando disso, tratei de pegar o sobretudo vermelho que tinha experimentado com um dos macacões no outro dia, o que tinha a estampa da bandeira por dentro.

Mason me falou que a manhã de verão em LBC tinha começado bem gelada, porém, depois que saiu do banho, já estava, praticamente, suando enquanto escovava os dentes. Por eu ter acordado tão tarde, mal senti a diferença do tempo, contudo, quando saímos para ir para HB, por volta das 16h30min, o sol estava rachando.

Das poucas vezes que fui à casa dos Seward com Lacey e as meninas antes do A7x voltar de turnê, o porteiro já até tinha gravado meu nome e rosto, então, sem qualquer necessidade de me anunciar, ele abriu os portões. Michelle nos recebeu assim que mandei uma mensagem lhe avisando que tinha chegado.

— Por que chegou só agora?

— Foi o horário que combinamos.

— Era pra você estar aqui quatro e meia e não sair de casa quatro e meia! — Bateu a porta do meu carro, ajudando-me com a mochila. — Mason! Que bom te ver de novo. — A loira sorriu pra ele. — Roni. — Cumprimentou e voltou a olhar para mim. — Vamos entrar. Gena está esperando para lhe maquiar e pentear. Daqui a pouco o Zacky chega e ela tem que voltar para Laguna Beach antes disso.

Concordei antes que DiBenedetto começasse a dizer o quão desagradável isso seria e entramos no casarão com ela ditando a Mason e Roni onde era o banheiro, quintal, cozinha e eteceteras, direcionando-os para onde disse que Brian, Arin e Johnny estavam com Papa Gates “limpando” nosso jantar.

— Os rapazes passaram o dia pescando no iate. — Riu para mim. — É quase como uma “tradição” para o Quatro de Julho. — Entramos em seu quarto e Lacey, Kim e Gena conversavam sobre as roupas nas cruzetas de uma arara.

Lacey foi a primeira a se virar para me cumprimentar, seguida por Kimberly.

— Opa! Minha cliente chegou. — Gena sorriu abertamente, abraçando-me de forma calorosa (bem diferente do tipo de abraço que andei me acostumando receber do povo americano). — Amei essa cor em você. — Checou meu cabelo.

— Obrigada, Gen.

— Gena trabalhava num salão antes de...

— Namorar o roqueiro que passava nesse salão todo mês pra fazer um corte de cabelo gótico ou pintá-lo de roxo, ser traída milhares de vezes ao longo dos seis anos com ele e partir, finalmente, para o seminu artístico. — A loira falou orgulhosa, fazendo uma pose sedutoramente engraçada.

— Resumindo. Você está em ótimas mãos. — Lacey concluiu com malícia, cruzando os braços.

— Vamos começar, antes que os convidados comecem a chegar. Ainda tenho uma festa da Independência para ir essa noite em Laguna Beach.

— Gena, você está fazendo um favor enorme pra mim...

— Que nada, Mi. Sabe que eu gosto de mexer com isso e raras são as oportunidades desde que entrei para a Playboy. Geralmente, tenho maquiadoras profissionais trabalhando para mim... — Brincou. — Mas o que você vai querer fazer no rostinho dessa menina? Essas sardas a deixa tão bonita.

— Quero algo mais sexy do que os lábios carnudos. Preciso que combine perfeitamente com os modelos.

Pode-se dizer que Paulhus abusou (E MUITO) na minha maquiagem. Dizendo ela, era porque as fotos seriam feitas mais tarde e, como ela teria que ir embora, ninguém estaria aqui para retocar a sua obra-de-arte. O penteado foi um pouco mais simples, depois de desfiar meu cabelo e prendê-lo em um rabo-de-cavalo, fui proibida de entrar na piscina antes que todas as fotos fossem feitas. Depois disso, ela se despediu de nós, de Valary — para quem lembrei de dar o contato com meu avô, garantindo que Enzo queria negociar a vinda para o USA — e de Jaclyn; elas tinham chegado vinte minutos antes de terminarmos minha “transformação”.

Ouvir: Scavenger Type — NOFX.

Lacey tinha me explicado melhor de como costumava ser o Quatro de Julho por ali. Os rapazes passavam a manhã e parte da tarde pescando; depois disso, cada um ia para sua casa se arrumar enquanto o anfitrião do ano levava toda a pesca para preparar em sua casa e, esse ano, era o Haner. Johnny, sendo praticamente vizinho, acabou por vir direto pra cá e Lacey tinha trago uma muda de roupas para o marido se arrumar depois de ajudar com a preparação do jantar; Arin, que não tinha casa em Huntington Beach (já que morava em Ventura) e estava hospedado com a esposa na casa do Brian, acabou vindo direto pra cá com Kim também.

Quando, finalmente, sai do quarto, as primeiras pessoas que encontrei foram Suzy e McKenna, que cumprimentaram-me com felicidade (além de Kenna ter devolvido a roupa que lhe emprestei na noite do aniversário de JJ, quando ela passou mal com tanta febre — já tinha até esquecido dessa roupa —, agradecendo-me mais uma vez por ter cuidado tão bem dela); depois, segui Lacey até o pátio e o primeiro em quem eu voei foi Arin. Além de ser o único ali devidamente vestido, evidentemente tinha sido o único que tinha se arrumado.

— Que maquiagem toda é essa?

— Arin, não fala assim. Vou me sentir pior do que já estou me sentindo desde que me olhei no espelho. — Ele riu. É... Quando falei que Gena não moderou no reboco, era verdade.

— Você está bonita! — Defendeu. — Só não estou tão acostumado a lhe ver com uma “mascara” tão fatal. E olhe que, sem maquiagem, você já representa bem isso. — Sorri em agradecimento e River pregou-me um susto ao atracar-se nas minhas pernas.

— Muito bem, e meu abraço, onde está? — Johnny perguntou alto, fazendo-se de ofendido, todavia, antes que eu pudesse abraçá-lo ainda com River no colo, Michelle se colocou entre nós.

— Não, não. Você está só pitiú. Só vai tocar na minha modelo quando tomar um banho. A mesma coisa pra você, Haner! — Ela apontou para o melhor amigo, que ergueu as mãos em sinal de “você quem manda” e cumprimentou-me com uma piscadela sedutora.

— São quase seis da tarde. Daqui a pouco os fogos começam, por que vocês não vão se arrumar logo? Deixa que Dan e eu tiremos os peixes da brasa. — Matt se voluntariou, pegando o guardanapo do ombro do Papa Gates.

— A mesa está posta? — Val perguntou, levantando do balanço com dificuldade por causa da barriga.

— Helga saiu tem uma hora e deixou tudo pronto na cozinha. — Brian anunciou, se afastando do fogo. — Roni, pode me ajudar a trazer a mesa pra fora depois?

— Deixa que eu faço isso com ele. — Soou uma voz atrás de mim. — Sobe logo pra tomar um banho antes que sua namorada chegue e se desapaixone por você estar com esse cheiro. — Zacky chegou ao quintal já tirando sarro do outro guitarrista. Ele segurava a mão de Meaghan e, na outra mão, carregava uma grade de cerveja.

Brian saiu do quintal só depois de uma gracinha fingindo que abraçaria Michelle sujo e suado do jeito que estava — todos riram quando ela saiu correndo, ainda mais quando Syn passou pelo Baker dando um tapa na bunda dele. —. Karina chegou assim que Gates subiu; cumprimentou todos com “oi” ou “boa tarde” e sentou pra conversar com Suzy e Jaclyn quando Michelle me arrastou para colocar o primeiro macacão para as fotos, dizendo que Brian também já sairia do banho pronto para a sessão.

Ouvir: Dinosaurs Will Die. — NOFX.

Enquanto eu me vestia, já se ouvia os fogos de artificio no céu. A primeira roupa foi o macacão preto com cortes na costela, que completamos com o meu sobretudo vermelho com o forro da bandeira norte-americana. Ajudei Michelle a levar a arara de roupas para o banheiro grande que tinha no quintal para que poupasse tempo nas trocas de roupas. Quando descemos, Brian usava com um jeans escuro rasgado, coturnos e uma camiseta branca da SGC, tal como a jaqueta jeans preta; ele estava de pé na borda da cascata e Roni já tinha começado a fotografá-lo.

Michelle me guiava pelo pátio para que eu não tropeçasse com o bico do salto entre as cerâmicas enquanto eu acenava e cumprimentava os outros convidados que tinham chegado (Megan, Sean, Maria, Amy, Gigi, Diony...); elogiou Haner e pediu para que ele descesse para Roni fotografar-me. Após assentir, ele estendeu a mão para me ajudar a subir e Michelle deu-me um impulso na cintura.

— Nunca pensei que te veria usar lápis de novo, sabia? — Ri. A última vez que tinha visto Syn de olhos marcados foi em um vídeo e fotos na NAMM de 2013, divulgando a marca de amplificadores dele, a Hellwin e as guitarras da Schecter.

— Fico bonito?

— Fica sim. — Afirmei com um tom sarcástico.

— Pode nos fotografar primeiro? Quando ela estiver mais relaxada, eu desço daqui. — Brian pediu, já colocando uma mão na minha cintura para tirar-me da borda da barra.

— Eu estou relaxada. — Fiz uma cara de desconfiada para o guitarrista e ele riu, fazendo um “shiu” e “olhe o passarinho”.

Michelle assentiu, considerando uma boa ideia e eu respirei fundo, preparando-me para fazer “cara de mau” quando a loira se colocou atrás do Roni, de braços cruzados, observando a sessão assim como boa parte das pessoas no quintal, comentando sobre a roupa que usávamos.

Quase uma hora e meia ali, com o som dos fogos e uma álbum do Eric Clapton que Papa Gates tinha colocado pra tocar. O ato de mudar de roupa de posar para as fotos já estava até cronometrada; eu me trocava enquanto Roni fotografava Brian e logo fotografava nós dois quando eu voltava e, me deixando sozinha, Brian ia trocar de roupa e assim por diante. Eu já estava exausta e faminta quando, FINALMENTE, pude colocar meu biquíni e sentar na beira da piscina, dando um tempo do olhar metralhador que Karina me lançava desde cedo (devo admitir que eu adorava vê-la de nariz empinado do meu lado como se fosse melhor que alguém. Era hilário.), depois de comer um enorme prato que Johnny me preparou.

Ouvir: Shot In The Dark — Ozzy Osbourne.

Estava indo deixar meu prato na pia quando vi Jason e Matt Berry, Brian e Michelle tentando sair de fininho, e DiBenedetto tinha uma garrafa de champanhe nas mãos.

— Que isso? As crianças estão indo beber escondidas? — Zombei, cruzando os braços enquanto Jason ria.

— Fazer um biquinho sociável com os vizinhos da frente. Quer vir? — Michelle ergueu a garrafa para mim, sacudindo de leve para me influenciar no convite.

— Ah! Gabi! Vem. Aposto que você vai ADORAR ver o Brian babando pela vizinha que nunca deu um molhe pra ele! — Jason tirou sarro do amigo e levou uma tapa estalada nas costas por isso.

— É brincadeira dele. — Brian defendeu-se e eu ri.

— Tudo bem. Podem ir. Minha veste não está muito apresentável para atravessar a rua.

— Eu também estou de biquíni. Vem logo. É rapidinho. — Michelle segurou minha mão e fez com que eu a acompanhasse e aos rapazes, me soltando logo na porta, sabendo que eu estaria os seguindo.

Quando meus pés descalços tocaram o asfalto, passei a dar passos largos até o portão da mansão da frente.

— Brian babando a vizinha? — Perguntei a Mich, curiosa sobre o caso e logo algumas lembranças de quando Johnny, Matt e Jason me falavam sobre isso (no aniversário das DiBenedetto) começaram a surgir na minha cabeça.

— Digamos que é uma das poucas mulheres que nunca deram atenção ao “charme sobre-humano” de Synyster Gates. — Matt Berry sorriu sarcástico ao apertar a campainha e Brian bufou atrás de mim. — Mas o Zacky também nunca conseguiu nada com ela, não...

— Hey!!! Lembro que conversamos sobre isso na festa de aniversário da Val! Vocês listaram algumas mulheres que se apaixonaram pelos rapazes e depois as que nunca deram mole pra eles. — Ri sozinha. — Mas, podem continuar. Vou amar saber da história de novo.

— Cacete, é sobre isso que conversa com eles quando não estou perto? — Mich riu. — Sobre mulheres? 

— Ela sempre esteve interessada em Dan. — Voltou a contar J. Berry. — Ele até que tentou algo com ela, mas, é que Chlóe Brown Cooper é meio... — Jason limpou a garganta e falou baixinho, fingindo ser um segredo. — Psiquicamente bizarra.

— Vo-você tentava seduzi-la enquanto... — Gaguejei apontando para ele e para Michelle.

Apesar de me esforçar para lembrar exatamente o que tinham dito sobre Chlóe outro dia, eu não conseguia me recordar perfeitamente.

— Não! Não. Como Johnny disse, àquele dia: "Distração é pra estrada". — Garantiu Brian.

— E o Zacky?

— Muito menos. Ele desencanou tem menos de uma década, quando ela se mudou pra Inglaterra. Mas, claro, não nega que ela continua uma mulher muito atraente. — Explicou M. Berry.

— E, mesmo se os dois conseguissem algo com ela “usando” o sucesso da banda, Syn e Zacky sempre souberam ser discretos, digamos. E transar com a vizinha não seria tão discreto, não acha? — Mich brincou, apertando a campainha novamente.

— Aham, discreto. — Ironizei, jogando no ar as inúmeras “histórias” que já tinha ouvido sobre ele e sobre os outros membros da banda também.

— Opa. Alguém sabe de alguma coisa. — Jason incentivou que eu abrisse a boca.

— Bom, os fãs sempre conversam bastante entre si. Sobre histórias que sabem ou que ouviram falar, ou que viveram... Claro que muito delas são falsas, mas há o que se imaginar. Além do mais, também falamos sobre isso no aniversário da Val, lembra?

— Que tipo de histórias? — Brian perguntou, nitidamente incomodado e curioso.

— Groupies, “fãs” que se deram bem. Inúmeros contos. . — Dei os ombros e fui cortada por um sinhô aparentemente simpático que abriu a porta para nós.

— Cooper. — Michelle o cumprimentou com um sorriso.

— Haner, Berry. Que bom ter vocês aqui. — Recebeu de bom grato a garrafa que a loira estendeu a ele. — Entrem, por favor. Quem é essa moça bonita?

— Uma amiga. Gabriela Lins, Noah Cooper. O galã britânico do quarteirão. — Matt apresentou-nos dando uma piscadela para mim, sinalizando que eu poderia me sentir à vontade enquanto o sinhô de meia idade abria espaço para que passássemos.

— É um prazer.

— Igualmente, Lins. — O sinhô cumprimentou-me com um aperto de mão e auxiliou que seguíssemos para o quintal, onde estava sua família. — Bom, sinta-se em casa. Os seus amigos sempre são muito bem-vindos, então, você também é.

— Olha! É ela. — Jason, discretamente, sinalizou para uma mulher morena conversando com duas crianças.

— A sósia da Lais Ribeiro?

— Que?

— É uma modelo brasileira. — Suspirei. — Ela é muito linda. — Admiti.

— Eu sei que a sua irmã é estilista, mas como pode saber tanto sobre esse “mundo da moda”?

— Uma amiga minha é modelo, Mi. Foi até angel da Victoria’s Secret há dois anos. — Comentei rapidamente.

— Quer ver o Brian nervoso? — Michelle propôs com um sorriso maligno e nem espero que eu respondesse para levantar o braço e chamar pela garota. — Chlóe!

Ao se aproximar, notei que Chlóe tinha o corpo com mais massa do que a modelo, contudo, o destaque continuava sendo os seios que o top do biquíni sustentava. Tinha os cabelos castanhos e ondulados, um sorriso com os dentes perfeitamente enfileirados e um semblante fino, com grandes olhos castanhos, com cílios grossos em volta.

— Michelle, oi! — Ela a cumprimentou com um abraço e, aos rapazes com um aperto de mão. — Gabriela Lins. — Disse meu nome quando apertou minha mão, indiciando que sabia quem eu era. — Dan, Michelle e Tally vivem postando fotos com você. Parece que se divertem muito juntos. — Sorri. — Falando neles... Onde estão? Pensei que viriam. Fico nesse país duas semanas por ano e não vejo todos os meus amigos nem no dia da Independência.

— Estão na casa do outro lado da rua. Você poderia ir até lá.

— Brian, sabe muito bem que eu nunca me dei muito bem com a sua cunhada.

Analisando a forma faminta com qual ele a encarava, até uma pontada de ciúmes poderia dizer que senti. Syn olhava para a moça de uma forma boba e maliciosa, quase como encantado e feroz ao mesmo tempo.

— Ãh, ex-cunhada. — Michelle pigarreou e os gêmeos Berry ao meu lado seguraram a risada com a cara de confusa que Chlóe fez. — Vem! Vamos sentar, abrir um vinho e eu te conto as novidades. Falando nisso, como foi a viagem...? — Michelle já ia puxando a morena em direção à piscina enquanto Chlóe Cooper acenava para nós, soltando um “sintam-se em casa!” e logo gritando por uma garotinha que brincava com o cão da família, dizendo algo como “meu amor! Vem dar oi pra Mi.”.

— Quero ouvir essa história. INTEIRA! — Apontei para Brian e para a garota e Matt Berry colocou a mão no meu ombro.

— Vamos sentar e beber alguma coisa. Você vai amar ouvir! — Brincou e Jason deu dois tapas nas costas do guitarrista, para que nos seguisse.

Depois de cumprimentar e me apresentar a algumas pessoas, os rapazes e eu nos sentamos em dois bancos-balanços que tinham no pátio e Jason colocou os braços em volta dos meus ombros como se começasse com um “Onde upon a time...”.

— Os rapazes não se conheciam, isso vem bem antes dessa amizade toda que você conhece... Meu irmão, Dan e eu andávamos com o Sanders e as DiBenedetto. Ainda estávamos no colégio quando a Chlóe fazia de tudo pra chamar atenção do Dan. Eles até se pegavam em algumas festas escolares, afinal, ela era e é muito bonita, mas não passava de pegação. Ela era da sala do Sanders, das DiBenedetto e do Baker.

— E o Brian, o magrelo zoado que era no fundamental, nunca foi levado a sério por ela. — Ri fraco com o tom de “pena” que Matt usou para falar disso.

— E o Zacky?

— O Zacky tinha um corte de cabelo legal. Era bem estilo “Sonic”. — Ri. — Mas também não era bem o interesse dela.

— Os gêmeos Berry sempre foram bem enfáticos, Gabi. Nem os escute. — Brian murmurou fazendo descaso do assunto e bebeu um pouco da água na garrafinha que segurava.

— Pra sua defesa, devo dizer que eu já vi inúmeras fotos antigas suas e você sempre foi bonito. Sempre teve essa magia aí no sorriso. — Sorri para ele, sendo sincera.

— Bonito? Você viu as fotos da época em que ele fazia luzes no cabelo? — Não teve como segurar a risada quando, imediatamente, algumas fotos antigas do Brian com o Jimmy vieram-me em mente.

— Mesmo com as luzes no cabelo. — Afirmei. — Todos tempos um passado ruim e, Jason, combinaremos que você não está na sua melhor fase com esse cabelo estilo Johnny Christ broxado e o bigode Freddie Mercury. — O guitarrista e o irmão gêmeo do roadie ao meu lado soltaram gargalhadas estrondosas, chegando até mesmo a tocarem um “high-five”.

— Pode até ser, gatinha, mas eu continuo com a mesma magia no sorriso também. — Jason empinou o nariz e “penteou” a ponta do bigode com o dedo, fazendo-me rir.

Não poderia mentir sobre isso. Jason tinha, sim, um sorriso bem bonito.

— Continuando. — Sacudi a mão para voltar ao assunto. — Você me disse que fez o ensino médio fora de HB...

— E fiz. — Brian afirmou.

— E continuou caidinho por ela?

— Eu não era tão “caidinho” por ela, Gabriela. Eu tinha minha vida. — Riu ironicamente e eu dei uma bufada de deboche.

— Ser afim do Dan também nunca impediu Chlóe de aproveitar a própria vida, vale citar. Até aí, normal.

— Então, eles namoraram por uns meses de dois mil e três pra dois mil e quatro, quando o Avenged assinou com a Warner e, finalmente, se tornou uma banda oficial com o lançamento do Waking the Fallen.

— E, quanto mais semanas se passavam, mais ela pirava pra ter atenção dele.

— Como assim, Matt?

— Ela ameaçava Dan de coisas absurdas se ele fosse em turnê conosco. — Brian contou, posicionando-se com o corpo inclinado na minha direção, apoiando os cotovelos nos joelhos. — Se vitimizava, surtava de ciúmes, implorava por perdão e, no início de dois mil e quatro, ele terminou com ela.

— Uau. — Arregalei os olhos, fitando em volta, tentando fugir do peso daquela situação.

— Ela aceitou bem. No ano seguinte, se mudou pra Inglaterra, o pai dela é britânico, mas a família continuou aqui pela Califórnia, ela se casou e tem uma filha. — Tomou postura novamente e terminou de beber sua água ao terminar a história.

— Nunca mais tínhamos sequer ouvido falar dela, até, por uma coincidência de uma cidade pequena como Huntington Beach, há uns seis anos, os pais dela compraram a casa em frente à casa do Brian. Ela vem uma vez no ano, sempre no dia da Independência, já que a mãe é americana.

— E o Brian sempre fica como um tonto perto dela. — Matt concluiu, levantando-se e Brian fez um sinal com o dedo, negando o que o amigo disse e o mesmo riu. — Vou pegar alguma coisa pra beber.

Levantei, quase que arrastando meu corpo para sentar no balanço em que Syn estava, cruzando as pernas em “formato borboleta” quando o guitarrista começou a nos embalar, impulsionando o banco com os pés (5).

— É, parece que os Berry são, definitivamente, enfáticos. — Brinquei, provocando Jason, que só vez levantar o seu “dedo educado” para mim. Ri e joguei um beijo para ele.

— Podemos concluir algo, pelo menos. — Jason motivou. — O passado do Syn SEMPRE aparece. — Abriu um sorriso sarcástico. — Mesmo que uma vez no ano. — Zombou. — Ou durante algumas festas de família com os Sanders. No caso de Candice.

— Ah, tá, e a ex-namorada do Johnny, antes da Lacey, não frequenta o clube dos Sanders em Fount Valley, né? — Ironizou o guitarrista. — Eu disse que não tinha nada demais nessa história...

— Como assim? Claro que tem! — Abri meu maior sorriso para ele. — Agora eu sei sobre seu primeiro “crush” não correspondido. — Provoquei, apertando sua bochecha rapidamente, até que ele tirasse minha mão dali e Jason risse da cena.

— Vocês querem pedalar um pouco? — Michelle se aproximou com Chlóe e uma garotinha no colo, que colocou no chão assim que pôs os pés no pátio.

— Tem três bicicletas na garagem e minha pequena queria dar uma voltinha no quarteirão. — Convidou Chlóe.

— Acho ótimo. — Brian deu os ombros.

— Que bom. O que você acha, meu amor? Quer subir na bicicleta com o tio Brian?

— Queria que minha bicicleta estivesse aqui. Conseguiria pedalar sozinha. — Ela cruzou os braços, emburrada. — E queria que o papai estivesse aqui também.

— Posso prometer que em duas semanas você pedalará com ele, Marilyn. — Brian levantou do balanço e se abaixou para ficar na altura da garotinha que deveria ter uns seis anos, tentando convencê-la com um sorriso meigo.

— Não liga pra birra dela, Bri. — Aconselhou a mãe da garota. — Olha. Essa aqui é a nova amiga da mamãe. Gabriela. — Apresentou-me e eu sorri para a garota, levantando-me do balanço e abaixando-me para ficar na altura dela.

— Marilyn? — Perguntei baixinho e a garota assentiu. — Que nome lindo.

— Jura?

— Ela sempre reclama. — Chlóe deixou escapar, cruzando os braços em seguida. — Queria se chamar Annelise... Como aquela princesa da... — Estalou os dedos, tentando lembrar o nome do desenho e Jason riu antes de soltar a resposta:

— Barbie.

— Marilyn é um lindo nome. E, acredita, também é nome de um grande ícone feminino.

— Que ícone? — Questionou desconfiada.

— Um ícone bem talentoso e bonito. — Ri fraco, passando a mão no ombro dela, concluindo que não entenderia se eu começasse a falar sobre a Marilyn Monroe. — Além do mais, se eu tiver uma filha, algum dia, terá esse nome. — Sorri convencida e fiz um carinho no cabelo dela quando me coloquei de pé novamente.

Chlóe pegou a filha no colo.

— Vamos lá buscar as bicicletas.

Matt chegou bem no momento em que começamos a seguir Chlóe e os dois começaram a conversar sobre os eventos esportivos da Inglaterra. Parecia que Chlóe era Diretora Esportiva da SporTV britânica e que seu marido era um jogador de tênis bem famoso por lá, Robert Lindstedt.

Ouvir: Did We Live Too Fast — Got A Girl.

Acabou que Marilyn quis subir na bicicleta que Michelle pedalaria e, quando a loira conseguiu equilibrar-se com a garota em cima do banquinho, pedalou até o fim do quarteirão, onde Matt corria atrás das duas, molhando-as com pistola da água. Jason já tinha começado a pedalar e também estava com uma pistola d’água quando peguei a terceira bicicleta.

Brian estava entre Chlóe e eu na calçada. A mulher observava a diversão da filha com um sorriso leve no rosto e, ao ver que Brian, ao seu lado, também analisava os amigos brincando com a garota, cruzou os braços sobre os seios fartos e o encarou.

— Não acredito que você conseguiu perder aquela mulher, Haner. — Comentou, quase que fazendo descaso do assunto. — Quando vocês começaram a andar com o Tally, eu já tinha me mudado, mas... Deve ser uma barra vê-la com ele. Estou certa?

— Somos amigos agora, Chlóe. Está tudo bem. — Brian deu os ombros. — Eu pensei, realmente, que ela fosse me detestar depois de todas as imbecilidades insensíveis que eu fiz, depois da palhaçada que eu transformei nossa relação, mas... — Suspirou aliviado. — Não. Não me detesta.

— Isso é ótimo pra vocês... Uma relação saudável. Madura. Estão até trabalhando juntos na SGC. — Continuou. — Mas, com tudo o que vocês passaram. Cada crise e vocês sempre arranjavam um jeito de se resolver... Acha que vai encontrar outra mulher tão forte que entenda tão bem o estilo de vida que você leva quanto ela entendia? Pra amar como vocês se amaram...

— Acho que abusei demais dessa habilidade dela de “entender” meu “estilo de vida”. — Brincou.

— Acho que você poderia lutar um pouco mais para se acertarem, como sempre fizeram.

Respirei fundo e comecei a pedalar lentamente para descer a rampa da calçada. Não queria ficar ali ouvindo aquilo, de qualquer forma, meu coração provavelmente enciumado pôs-se a ficar descarregado quando ouvi Brian soltar uma risada e agradecer a preocupação de Chlóe, mas concluindo que em anos eu não via a Mich tão feliz e motivada, que, em anos, ELE não se sentia tão feliz quanto estava se sentindo no momento. Satisfeito com a relação entre eles.

Nos vinte minutos seguintes, Brian até foi até em casa para chamar Zacky, Jaclyn e Matt para cumprimentarem a velha amiga. Não demorou muito até que eu quisesse entrar, preocupada se Mason estava se divertindo com Roni; Matthew disse que Papa Gates estava tocando música quando saíram e convidou os demais para assistirem, mas Chlóe se despediu ali mesmo com a filha, desejando uma ótima turnê para os rapazes. Os gêmeos Berry e Brian foram ajudá-la a guardar as bicicletas.

Assim que entrei na sala, fui tomada pela surpresa de ver Sr Haner ao piano, tocando e cantando perfeitamente em um estilo peça clássica a música Cálice, do Chico Buarque, até mesmo em um português quase perfeito e Karina cantava com o sogro. Os convidados reuniam-se ali mesmo, encostados nas paredes ou sentados nos sofás, admirando a apresentação. Abri um enorme sorriso com a cena.

— Papa Gates é bem fã de alguns velhos músicos brasileiros. — Sanders explicou. — O que me diz do português dele? — Ri fraco.

— Muito bom!

— Okay, quero ouvir você! — O sinhô ao piano sorriu e apontou para mim, continuando a tocar com a outra mão.

— O show é seu, por enquanto. — Ri, levantando às mãos e sentando-me com Mason e Kenna no sofá menor, pegando Pinkly, que veio cavando meus pés, e colocando-a em meu colo, fazendo carinho em seu pê-lo.

Depois de Cálice, Papa Gates começou a tocar algumas músicas engraçadas de acampamento que só os americanos ali sabiam, seguido por alguns clássicos do Elvis e do Frank Sinatra, até colocando o hino da bandeira estadunidense no seu breve e divertido repertório. Logo, ele tocou outra música que, graças a vovó Elise, era BEM familiar para mim.

— Sua vez, garota. Venha cá. — Papa Gates ordenou de brincadeira. Não resisti uma risada; era engraçado ele tentando ser sério.

Coloquei Pinkly no chão e me levantei, arrancando aplausos de incentivo de Matthew Sanders, Zachary Baker, Mason Drummond, Michelle DiBenedetto e Dan Abell.

— Uma condição. — Sentei ao lado do Sr Haner à banqueta do piano e o incentivei num novo ritmo, em um mais agitado, o incentivando a continuar com as peças clássicas que tocava antes. — Pegou? — O loiro riu fraco e assentiu.

— Pode começar. — Deu a deixa e eu me coloquei de pé para “entrar na personagem”.

Ouvir: Geni e o Zepelim — Letícia Sabatella (Chico Buarque). — ESCUTEM MESMO!

— De tudo que é nego torto, do mangue e do cair do porto ela já foi namorada. O seu corpo é dos errantes, dos cegos, dos retirantes, é de quem não tem mais nada. — Permiti-me começar a encenar com as mãos, mesmo sabendo que só havia três pessoas naquela sala que entenderiam 100% a letra da música. — Dá-se assim desde menina. Na garagem, na cantina, atrás do tanque, no mato. É a rainha dos detentos, das loucas, dos lazaretos, dos moleques de internato. Mas também vai amiúde com os velhinhos sem saúde e as viúvas sem povir. Ela é um poço de bondade e é por isso que a cidade vive sempre a repetir:

— Joga pedra na Geni! Joga bosta na Geni! — Karina interrompeu-me, entrando na cena cantada e recebendo “wooow” dos amigos em volta como se iniciássemos um desafio.

— Ela é feita pra apanhar!

— Ela é boa de cuspir!

— Ela dá pra qualquer um!

Karina e Gabriela: Maldita Geni!

— Um dia surgiu, brilhante entre as nuvens, flutuante, um enorme zepelim. — Deixei que Karina continuasse e a ruiva se colocou ao meu lado para encenar gesticulando enquanto nossos amigos continuam atentos à apresentação. — Pairou sobre os edifícios, abriu dois mil orifícios com dois mil canhões assim.

— A cidade apavorada se quedou paralisada pronta pra virar geleia.

— Mas do zepelim gigante desceu o seu comandante dizendo “mudei de ideia!”. “Quando vi nesta cidade tanto horror e iniquidade, resolvi tudo explodir...”.

— Mas posso evitar o drama se aquela formosa dama essa noite me servir. — Atropelei o canto de Karina e retomei a cena, começando a andar pela sala, levando a atenção dos músicos e convidados na sala. — Essa dama era Geni! Mas não pode ser Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa pra cuspir! Ela dá pra qualquer um, maldita Geni. — Terminei o refrão deitando a cabeça dramaticamente no colo do meu sobrinho, logo levantando-a e colocando-me sentada com uma postura impecável no sofá. — Mas de fato, logo ela. Tão coitada, tão singela, encantara o forasteiro. O guerreiro tão vistoso, tão temido e poderoso era dela, prisioneiro. Ac...

— Contece que a donzela, e isso era segredo dela, também tinha seus caprichos. — Karina sentou-se ao meu lado, sobre o braço do sofá. — E ao deitar com homem tão nobre, tão cheirando a brilho e cobre preferia amar com os bichos. — Deu um pause quando eu levantei-me e fui fazer pose perto do Matt, novamente levanto a atenção que tinham na ruiva para mim.

— Ao ouvir tal heresia, — Coloquei meu cotovelo em cima do seu ombro, apoiando-me. O frontman se divertia com toda a cena. — a cidade em romaria foi beijar a sua mão. O prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão. — Segui para perto do piano, andando de costas e fazendo uma dramatização apontando para Brian. — Vá com ele, vai, Geni! Vai com ele, vai, Geni! Você pode nos salvar, você vai nos redimir. Você dá pra QUALQUER UM, bendita Geni! — Virei de costas para a “plateia” e, como o esperado, Karina quem continuou a cantar.

— Foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos que ela dominou seu asco. Nessa noite lancinante, entregou-se a tal amante como quem dá-se ao carrasco.

— E eles fez tanta sujeita. Lambuzou-se a noite inteira até ficar saciado. E nem bem amanhecia, partiu numa nuvem fria com seu zepelim prateado... — Fiz um gesto para que a ruiva, que já estava parada na minha frente, cantasse a próxima parte. Com a voz calma e provocativa, ela soltou:

— Num suspiro aliviado, ela se virou de lado e tentou até sorrir... Mas logo raiou o dia e a cidade em cantoria não deixou ela dormir.

Karina e Gabriela: Joga pedra na Geni! Joga bosta na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!

Não demorou até que, enquanto ainda encarava a brasileira cara-a-cara, recebêssemos aplausos fortes e divertidos, seguido de assobios exagerados da parte de alguns machos da sala e de Valary.

Deixei um sorriso escapar, logo recebendo seus “parabéns” sarcásticos dela.

— Você tem uma linda voz, garota. — Papa Gates falou, apontando para mim e colocando um braço em volta dos meus ombros. — Escute o que falo. Sei do que falo.

— Muito obrigada, Sr Haner.

— Brian, filha. Ou Papa Gates. “Mister Haner” é meu finado pai. — Ri e agradeci, dessa vez, “corrigindo” o pronome a ser usado com ele.

Era por volta das nove quando os fogos começaram a parar e os convidados começaram a se retirar, nisso, JJ já tinha me feito sentar-me em volta da lareira no quintal junto com a turma e tomar algumas cervejas enquanto jogávamos conversa fora ou tentávamos acompanhar o que Brian e Roni tocavam no violão.

— Passei o dia de biquíni e não acredito que não entrei na piscina.

— Gabi, se você quiser entrar agora, fique à vontade...

— Tally! Nem dê ideia! — Brian parou de tocar no mesmo instante. — Está serenando, se ela entra na piscina uma hora dessas, olá ataque de asma.

— Ah, para, Brian. Minha saúde não é tão frágil assim.

— Tenta só entrar na piscina pra você vê se eu não me levanto daqui e seguro você. — Desafiou e, ignorando o guitarrista, suspirei.

— Acho que já está na hora, não é? Roni, vamos? O Mason já deve até estar dormindo lá no sofá. — Suspirei, tirado o casaco (que Zacky acabou deixando comigo antes de ir embora) dos ombros.

— Fui à cozinha ainda agora e ele estava lá conversando com a McKenna.

— Mas o Papa já não foi embora? — Michelle ergueu uma sobrancelha.

— Vi que os dois se deram bem e pedi para que ela dormisse aqui. Amanhã Suzy trás algo para que ela use no babyshower.

— Falando em roupa... Gabi, não pedi pra você trazer pra qualquer precaução?

 — Vocês dormir aqui, se quiser. — Convidou o tatuado.

— Roni, você não tem que voltar para NY amanhã cedo? — Karina virou-se para o fotografo, soltando a pergunta como uma deixa para que fossemos embora.

— Posso levantar mais cedo pra sair de HB. — Deu os ombros e olhou para mim. — Posso passar no seu apartamento e ir de táxi para o aeroporto. Poupará sua energia e sua gasolina, Miss Nicotina.

— Ótimo, então. Dormirão aqui. — Syn entregou seu violão a JJ. — Helga arruma a casa toda pra receber visitas, mas eu vou verificar se tem tudo o que precisam no quarto de hospedes. — Assenti para ele.

— Well... Foi um longo dia. — Michelle se levantou, segurando a mão do namorado. — Estamos indo. — Despediu-se com aperto de mão dos demais amigos ainda ali. — Roni. — Suspirou, parando na frente dele e soltando a mão de Tally. — Obrigada por ter se disposto a ajudar com o clipe dos meus amigos e com as fotos da marca de roupas. De verdade. — O fotografo levantou sua bebida a ela, em reverência.

— Sabe de uma coisa? — Franziu os lábios e desviou o olhar por milésimos na tentativa de terminar o dia com ela da maneira mais sincera e “na paz” na medida do possível. — Tem anos que eu estou nesse país comemorando o dia da Independência com pessoas desconhecidas ou a quais eu não dou a mínima e... Bom, pela primeira vez eu passei com pessoas com quem vale a pena dar umas boas risadas com uma família, digamos. — Sorriu de canto para ela. — Foi ótimo fazer negócio com você, DiBenedetto. Mesmo que isso tenha me levado a trabalhar no feriado. — Deu uma piscadela para a loira, que sorriu satisfeita e se afastou, permitindo que Tally abraçasse Roni de mau jeito, pelo brasileiro estar sentado e com o violão no colo.

— Boa viagem, irmão.

— Sem choro, ein! Nos vemos em Albuquerque em menos de duas semanas. — E então, o casal se retirou e eu coloquei o casaco do Baker de volta quando percebi que ainda ficaria um pouco mais ali fora enquanto Roni tocava algumas músicas do Faith No More e do Tame Impala no violão e logo resolvi ir até meu carro pegar a muda de roupas que tinha trago, pegando logo a mochila de Mason e a de Roni.

Tomei um banho e tirei toda aquela maquiagem da sessão de mais cedo num banheiro do primeiro andar, logo empacotando-me naquela noite gelada de verão com uma calça moletom e uma camiseta do AC/DC, voltando para onde todos estavam. JJ e McKenna, os únicos ainda no quintal, avisaram que Mason e Roni tinham subido porque Brian lhes mostraria o quarto em que ficariam. Sendo assim, sentei-me em uma das espreguiçadeiras longe do fogo, do outro lado da piscina e relaxei o corpo com o som do mar que se quebrava do outro lado do muro da casa, um pouco distante mas bem audível pelo silêncio da noite.

Suspirando cansada, puxei o celular no bolso. Eram exatas 22:30, e isso significava que em Sydney eram 17:30.

— Vamos lá. Faça as perguntas certas e seja direta. — Ordenei a mim mesma depois de pesquisar o DDI da Austrália para poder telefonar mesmo que por FaceTime.

— Não acredito que você não me contou o que eles estavam tramando! Roni disse que teriam uma surpresa, eu sabia que ele estava trabalhando com eles, mas, GABRIELA! OMG, EU QUASE MORRI DO CORAÇÃO! — Ariane começou a tagarelar assim que atendeu e a fã dentro de mim começou a se empolgar com o clipe lançado. — Imagina os gritos que eu dei! Foi uma surpresa maravilhosa pra todo mundo! Geral tava esperando aquele vídeo... Sabe? Que eles gravaram antes...

— Arie, Arie! — Ri, chamando sua atenção. — Respire. Inspire, respire... — Auxiliei. — Isso.

— E aí? Me conta como foi seu primeiro dia da Independência! Dizem que o quarto é o melhor. Pegou o trocadilho? — Soltou uma gargalhada. — Vi algumas coisas no seu snapchat! E a sessão com a SGC? Tô gostando dos carões que você está fazendo nas fotos, ein? E olhe que quem fala aqui é uma profissional.

— Está indo tudo bem e está dando tudo certo. O dia não poderia ter sido melhor. — Afirmei sorrindo e jogando o cabelo para trás. — E essas viagens todas? Como você está levando?

— Estou acostumada, é o certo a se dizer. Eu sempre ficava bem empolgada de vir para a Austrália, mas com mais de dez anos nessa carreira, você acaba se acostumando a viajar para esse tipo de lugar e até mesmo almoçar com a Kendall Jenner. — Rimos. — E essa turnê com o Raimundos? Vai sair?

— Não é bem uma turnê. — Expliquei. — Só vou administrar as coisas aqui pela Califórnia, mas Daniel colocou outra pessoa para seguir com eles pelo país porque me queria em Burbank com a Blue Blood, já que eu sou a “multitarefas” dele.

— Olha, esse cara tem que te pagar bem, ein! Compositora, produtora, diretora da imagem da banda...

— Vai com calma, Arie. — Ri fraco. — Também não é pra tanto. Mas, diga aí... Geralmente eu não ligo quando você está em desfiles internacionais, só que eu fiquei sabendo de algumas coisas.

— Iiiih, já vi que o Victor resolveu apelar e reclamar pra você. — Murmurou.

— Não. — Pontuei. — Não. Mas, mesmo se fosse, eu estaria aqui para conversar com você e não te julgar... Por que vendeu tudo? — A modelo suspirou.

— Eu pretendia falar com você quando voltasse do Brasil. Conversar direitinho, explicar a situação e até pedir um favor...

— Você pode falar tudo agora. Eu esperei a noite chegar pra poder te ligar sem que seu horário atrapalhasse. Fiquei sabendo até mesmo que você estava no apartamento do Léo por uns dias... É verdade?

— Você não estava em Porto Alegre e nem o meu irmão! Por quem mais eu procuraria?

— Arie, poderia ter me ligado...

— E o que ia adiantar, Gabriela? — Suspirou. — Você não estaria no Brasil pra me dar um lugar pra morar. — Buscou um tom mas casual possível para que o assunto não pesasse.

— Você fez tudo sem mencionar a ninguém que te ama e que se preocupa com você, Ariane. Eu sei que Roni e eu estamos longe, mas queríamos que tivesse dito alguma coisa.

— Sabe quando o Ian te magoou inúmeras vezes? — Afirmei. — Eu só precisava me afastar de tudo que me lembrasse aquele traste, — Soltei o ar dos pulmões.

— E o Léo? Como foi pra ele assimilar isso?

— Eu procuraria pelo Júnior ou pelo Rodrigo se eles não fossem abrir a boca pra fosse no segundo em que eu batesse na porta. Procuraria o Luiz, mas eu nunca fui tão próxima dele para pedir um favor desses, muito menos de outras pessoas em Porto Alegre com quem eu estudei alguma vez na vida ou com quem eu sai algumas vezes. — Riu fraco e culpada por algumas das situações. — Afinal, minha vida sempre foi mais virada a passarelas do que a amizades. Rebeca e Thiago têm a Carmen pra cuidar e eu não queria ser inconveniente... Léo tem sido um bom amigo, foi a melhor opção no momento...

— Eu fico realmente feliz que tenham se dado bem. — Completei com sinceridade. — Mesmo.

— Bom, logo chegarei a melhor parte. — Animou-se.

— Melhor parte?

— Gabriela... — Pigarreou. — Eu larguei tudo por ele. Minha vida na Itália, um futuro maior do que o presente que tenho hoje... Agora, tudo o que eu estou fazendo é largar tudo que me volte a ele.

— Como assim?

— O que você acha de voltarmos há uns cinco anos? Sabe do que eu estou falando? — Riu divertidamente e eu já estava nervosa e confusa. — Eu estava planejando me mudar. Qual o melhor lugar a se morar do que voltar a dividir um apartamento com você?

PUTA MERDA!


Notas Finais


Roupa de trabalho da Gabriela (Link 1): http://www.polyvore.com/blue_blood/set?id=211569647

Posição de pole dancing (Link 2):http://www.gifwave.com/media/449052_art-design-music-video-stripper-pole-dancing-diplo.gif

Tatuagem sa-ne-té da Gabriela (Link 3 - vocês podem conferir todas as outras tattoos também no tumblr da fanfic): http://68.media.tumblr.com/fd03dfda0bb505fbc9ca8f5fa2d01e53/tumblr_ogtkatWWbx1vsbp9qo8_1280.jpg

Roupa do 4 de Julho (Link 4): www.polyvore.com/blue_blood/set?id=211625885

Brian e Gabriela no lançando (Link 5): https://38.media.tumblr.com/c1733a2877d04c6b0a24f48b7eb9d8f5/tumblr_ng4ehtNtYQ1s04h99o2_r2_500.gif

Tumblr da fanfic (Pode conferir todas as tatuagens da Gabriela; fotos REAIS da casa do Syn e do Matt e etc): http://bluebloodfanfica7x.tumblr.com/

PERDÃO POR QUALQUER ERRO! Na moral, tô MUITO ATOLADA MESMOOO pra revisar, então, 20000 desculpas desde já!
GOSTARAM? Eu já estavam ENJOADÉRRIMA de shipp, então, não coloquei mimimi nesse capítulo, ahahhsjkaka sdfghjk <3 mas tamo aí amando Brian e amando Christopher ee...
AAAAAAAAAAAA e essa nova trama do Chris? O que vocês acham?
Roni vendo a Gabs pelada, huehuehue.
GOSTARAM DA CHLÓE? E a história por "trás" dela? Hmmmmmmmm ou ela insinuando que o Brian lute pela Mich, OUSH!
BATALHA MUSICAL ENTRE A KARINA E A GABRIELA, AAAAAAAAAAAAA! -- amo demais essa música do Chico, gente, AINDA MAIS na versão Letícia de encenar as coisas. De verdade.--
Syn Gates Clothing vai arrasar!
Clipe de TMW!
PRIMEIRA NOITE DA GABRIELA NA CASA DO HANER, OMFG!
Primeiro cap que a Mich e o Roni não se provocam e que a Mich e o Tally passam um dia inteirinho sem brigar, hahahska.

COMENTEM, POR FAVOOOOR!! Eu sei que ainda não respondi os comentários do capítulo anterior, mas, POR FAVOR, não se desanimem em comentar pra mim, vocês não fazem ideia do quanto isso me deixa feliz e motivada! Incentivada! Prometo de dedo midinho que responderei tudo assim que der!

xoxo, Brey.


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