História Blue eyes, black blood - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias 5 Seconds Of Summer
Personagens Luke Hemmings, Michael Clifford
Tags Luke, Luke Hemmings, Michael, Mike, Mike Clifford, Muke
Exibições 10
Palavras 4.851
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


"Uma linha azul
Uma cor azul
Uma paisagem azul
Uma veste azul
Uma vida azul."
– Nado B. Tainãn

Bonne lecture <3

Obs.: Se quiser realmente imaginar o circo, eu deixei algumas músicas que me serviram de inspiração nas notas finais.

Capítulo 2 - All your lights are red...


Fanfic / Fanfiction Blue eyes, black blood - Capítulo 2 - All your lights are red...

♫ Naive – The Kooks ♫

Aurora, Colorado
             18 de Setembro de 1993

            Ao chegar em casa, Luke limpa os tênis no tapete e caminha em direção a cozinha depois de deixar sua mochila na poltrona da sala. Em parte ele se sentia feliz por ter visto Adrian de uma maneira tão transparente, mas por outro lado ele estava se sentindo péssimo por Finley não ter mandado se quer uma mensagem de texto. Estava certo que os dois não eram nada e Hemmings poderia ser facilmente classificado como parte de uma experiência que talvez não desse certo no final, porque Finley tinha uma namorada bonita, time de futebol, e Luke tinha quase certeza que era a quarta vez que ele pensava sobre isso somente naquela manhã.

            – Mãe? – Luke chama assim que entra na cozinha, vendo Lola sentada na mesa da mesma enquanto comia alguns waffles, fazendo questão de despejar quase todo o melado nos mesmos. – Lola! Cristo, isso faz mal. – Ele tira o pote da mão da menina, fazendo a mesma erguer o olhar tristonho para ele.

            – Mas é gostoso. – Luke revira os olhos, tentando não se deixar levar pelos olhinhos dela, e até que deu bem certo.

            – Cadê a mamãe? – Lola o fita com o cenho completamente franzido. Onde ele estava com a cabeça? Ele sabia que Dianne trabalhava naquela hora. Luke parece notar o olhar da irmã sobre si, pois sacode a cabeça devagar, passando as mãos pelo rosto. – Eu me desliguei.

            – Eu percebi. Você é meio tapado. Aconteceu algo na escola hoje? Você chegou com uma cara de traseiro aqui. – Luke deixa que uma risada escape por seus lábios pela observação da irmã, sentando-se ao seu lado na mesa.

            – Apenas coma, certo? – Hemmings passa as mãos pelos fios loiros da irmã, sorrindo de lado. – Vou te levar para um lugar hoje a noite.

            – Para o circo? Eu quero muito ir ao circo. – Luke franze o cenho, rindo mais ainda do pedido que havia recebido. Oferecida.

            – Eu não disse que iríamos a circo. Você sabe que eu não gosto de palhaços e essas coisas de garota doida que você gosta. – Lola encara o irmão com braços cruzados. Luke nunca tinha contado o motivo de seu medo para a irmã porque achou que a mesma era muito nova para esse tipo de trauma. Ela não merecia ouvir aquilo. Talvez Luke compartilhasse futuramente com ela, mas quanto mais adiasse, melhor.

            – Isso é uma grande bobeira, Luke. Qual é o seu problema? Medo de palhaço é coisa de criança. – A irmã de Luke termina de comer, pegando seu prato e o colocando na pia, logo procurando pela escovinha que servia para lavar os pratos e pela luva de borracha, já que não queria danificar suas unhas recém pintadas por uma coleguinha do colégio.

            – Talvez seja. Enfim, vai querer ir para o lugar que eu disse ou vai ficar aí, zombando do meu medo? – A garota ri, colocando o prato no secador de louça que ficava na beira da pia.

            – Eu quero ir ao circo, Luke. Você não vai me fazer mudar de ideia. – Hemmings suspira, fechando os olhos por alguns segundos antes de encará-la. A garota permanecia em pé, perto da pia, com os braços cruzados e com um olhar cheio de expectativa direcionado para o irmão.

            – Certo, Lola. Se é isso que você tanto quer, nós vamos ao circo hoje a noite. Satisfeita? – A pequena sorri divertida, começando a bater palmas de maneira incansável enquanto dava pulinhos pela cozinha, indo correndo para o segundo andar. – Ei! Onde você vai?

            – Escolher uma roupa bonita para ir ao circo. Eu não vou de qualquer jeito, não! – Luke ri, revirando os olhos com a atitude da caçula.

+   +   +

            – E então, Luke, o palhaço levou a mulher para o meio da floresta e arrancou a cabeça dela! – JJ grita a última parte no ouvido do loiro, o que o faz se encolher na cadeira e atrai a atenção das muitas crianças e responsáveis que estavam ali, esperando o espetáculo começar. – Nunca mais ouviu se falar em Linda, e seu marido, assim como sua mãe, seus dois filhos e todo o resto de sua família cometeram suicídio coletivo em uma roda, feita na sala da casa de Linda.

            – Isso não tem graça, Jordan. – Adrian resmunga enquanto puxa JJ pelo ombro, tentando afastá-lo de Luke. – Você sabe que ele tem medo, não se faz esse tipo de coisa.

            – Pois eu achei bem engraçado. Qual é, amor? Vai ficar defendendo? Já tá mais do que na hora do Luke parar com esse trauma bobo. Aconteceu há mais de dez anos, e nem foi com ele. Palhaços são coisas de criança, e ele já é bem crescido pra essas coisas.

            – Você não olhou nos olhos de alguém que estava prestes a ser estuprada por um homem vestido de palhaço, Charlotte! Você nem olha nos olhos das pessoas porque essa sua falsidade, essa sua falta de caráter não permitem tal ato. Aqueles olhos me imploraram pra fazer algo e eu gritei o mais alto que pude, esperando que alguém viesse e salvasse ela. Esperando que alguém me escutasse e tirasse ela daquele desespero interno que ela estava vivendo naquele minuto, e que estava tão exposto em seus olhos. Charlotte, você mal conhece toda minha história, então não fale de meus medos e traumas como se fôssemos íntimos, porque você não é nada mais que uma conhecida para mim.

            Antes mesmo que Charlotte pudesse rebater tudo aquilo, soltando todas as besteiras que tinha guardadas em si, um homem alto e com um bigode bem modelado em cera sai de trás das cortinas e uma música temática de circo começa a tocar alto, fazendo todas as crianças comemorarem e os adultos sacarem seus celulares pesados para fotografarem as apresentações que viriam a seguir.

            – Respeitável público! Senhoras, senhores, meninos e meninas! – Lola resmunga um “por que as meninas foram cumprimentadas por último? Isso é falta de respeito”, mas é calada por uma leve cotovelada de Alex, já que a irmã de Luke não sabia o significado da frase “falar baixo”. – É uma grande honra receber todos vocês em nossa casa hoje a noite. Como prometido, será uma noite muito divertida, e vocês vão cair de tanto rir! – As crianças comemoram animadas, e Luke admira-se em ver Lola fazer o mesmo enquanto sacudia os cabelos presos em chiquinhas. – Então, sem mais delongas, gostaria de me apresentar. Meu nome é Pasqualino, e serei seu anfitrião nessa noite de surpresas, diversão e muita magia. Quero agora chamar, para animar ainda mais essa festa, a acrobata Adeline!

            O senhor sai do palco, dando espaço para uma garota com pele alva. Ela vestia uma espécie de maiô vermelho com purpurina e sapatilhas de mesma cor. Seus fios loiros estavam soltos, e sua maquiagem pesada lhe dava um ar bem mais velho do que ela realmente aparentava ser. Assim que a música dela se inicia, logo após os aplausos do público, ela estende os dois braços, fazendo várias cortinas coloridas caírem ao seu redor, balançando-se por conta do vento que vinha de fora. Adeline apoia as mãos no chão, erguendo as pernas para logo agarrar um pano branco com elas. As luzes apagam-se, e apenas um forte holofote fixa-se na garota, que sorri e começa a escalar o pano que estava em sua frente. Logo ela amarra-o várias vezes na cintura e estende os braços, virando-se de ponta cabeça enquanto um funcionário do circo começa a rodá-la com força, o que faz todas as crianças – inclusive o grupo de jovens – prenderem a respiração, aflitos. E se ela caísse? Certo, ela estava treinada para fazer aquilo, mas nunca se sabe o que pode acontecer.

            Luke a classificou como louca.

            Adeline solta-se do pano branco enquanto o mesmo ainda se encontrava em movimento, agarrando-se no negro, que estava logo ao lado do anterior. A garota sorri para o público, segurando-se apenas com as duas mãos no pano enquanto respirava fundo.

            – E então. – A menina sobe mais um pouco, colocando uma das mãos na cintura. – Quem quer sonhar meus sonhos? – A acrobata sobe mais um pouco, e JJ sentiu-se fodidamente intimidado quando percebeu os olhos de Adeline fixos em si. – Quem quer meus sonhos para sonhar?

+   +   +

            Várias apresentações se passaram, e a de mágica foi, definitivamente, a favorita de Luke. Ele adorou quando o mágico tirou um cachorro de dentro de uma caixa quando não tinha nada na mesma, e tirou muitas fotos de Lola segurando o animal. Já na última apresentação, Luke teve vontade de sair correndo do lugar, porque um homem vestido de palhaço havia subido no palco, segurando vários balões em formato de salsicha, mantendo um sorriso enorme no rosto.

            Hemmings mal conseguia entender como as crianças viam graça nele. O rapaz tinha os olhos completamente esbranquiçados, assim como seus cabelos. Um cinza claro que causava arrepios dos piores tipos em Luke. Charlotte havia ido embora naquele momento porque seu pai havia comprado mais um carro para ela, e Hanzel precisava vê-lo e dirigi-lo o quanto antes, então Adrian não demorou-se em sentar ao lado de Luke, passando um braço pelos ombros do garoto e o puxando para si, como se dissesse que queria protegê-lo, mas Luke se afasta do mesmo, tirando o braço de Finley dali.

            Adrian não entendeu, mas o outro garoto tinha seus motivos. Luke só não queria ser uma segunda opção para o rapaz, então preferia manter-se longe. Quer dizer, ele sabia que Adrian não se assumiria gay da noite para o dia, mas não precisava agarrar sua namorada bem na frente de Luke, como ele havia feito seis vezes só essa noite. Era covardia quando Finley sabia sobre os sentimentos de Hemmings em relação a ele.

            O palhaço em cima do palco pega as bolas e começa a moldá-las com toda a concentração, e saem cachorros, girafas, espadas, chapéus e várias outras coisas, até mesmo leões. Lola corre para pegar uma assim que todas as crianças começam a ir até lá. JJ e Alex também se levantam, deixando Adrian e Luke sozinhos, e o primeiro não demora em virar-se para Luke.

            – O que está havendo? Eu vim pra cá te confortar e você me tratou como se eu fosse uma privada. – Luke suspira pesadamente, massageando o T de seu rosto. –  Eu magoei você? Fiz algo que você não gostou? Pode falar! Eu quero consertar meu erro.

            – Eu sei que você está com medo, Adrian. – Finley desvia seu olhar do de Luke, engolindo a seco. – Sei que você está se descobrindo e está sendo uma fase horripilante, mas se você tem dúvidas do que quer, não me use para tirá-las. Eu tenho sentimentos, e você não precisa destruí-los.

            – Destruí-los? E de que jeito eu fiz isso? Pode me explicar, por favor? – Adrian cruza os braços, fazendo Luke rir nasalado enquanto negava com a cabeça.

            – Você me deixou duro no banheiro da quadra pra depois pedir desculpas, dizer que não foi sua intenção e falar na minha cara que ama sua namorada, e disse isso mesmo já sabendo o punhado de sentimentos que eu tenho nutrido por você. – Finley suspira pesadamente, passando as mãos pelo rosto. – Depois você me aparece no circo agarrado com ela e a beija mais de seis vezes na minha frente. O que você quer que eu faça, Adrian? Te dê parabéns de joelhos por isso? Eu não sou de ferro, Finley. Não sou um rato de laboratório, nem sua cobaia, e muito menos seu brinquedo.

            – Certo, eu sei que eu errei. Feio, ok? Mas eu quero me desculpar. Você sabe que eu não posso terminar com a Charlotte da noite pro dia porque, além de ter pais que me controlam dia e noite, eu tenho uma reputação a manter no colégio. Sou líder do time, Luke. Eles não me respeitariam mais se soubessem que sou homossexual.

            – Pra mim você não é homossexual, Adrian. Você só está afim de experimentar, e isso não é o mesmo que eu sinto. Eu te amo, Finley, mas eu não sou motivo de vergonha. Qual é o problema? Os seus pais também te amam e vão te aceitar, assim como minha mãe me aceitou. E o respeito? Você adquiriu. Não vai perdê-lo num piscar de olhos. – Adrian suspira, negando com a cabeça várias vezes.

            – Quem dera se fosse fácil assim, Luke. Quem dera. Ah, merda! O palhaço tá vindo pra cá! – Adrian se levanta e Luke arregala os olhos ao ver o homem fantasiado chegar perto dele, o que o faz se levantar, derrubando muitas cadeiras que estavam atrás de seu corpo.

            – Luke! – Alex tenta alcançar o amigo, mas é impedida por uma Lola eufórica. As crianças estavam tão animadas com seus novos brinquedos que nem deram atenção ao que estava acontecendo ao redor. Ou melhor: Ao que estava acontecendo com Luke.

            E então ele começa a se aproximar cada vez mais de Hemmings enquanto moldava algo em um dos seus últimos balões, e isso foi o suficiente para Luke sentir sua respiração cada vez mais descompassada enquanto lágrimas se formavam em seu rosto e ele tentava se afastar do palhaço ainda no chão, sem saída. O homem fantasiado sorri para Luke e o mesmo nega com a cabeça, sentindo o ar fugir de seus pulmões e seus lábios começarem a tremer. Hemmings estava prestes a berrar, mas sentia que, por mais que eu o fizesse, o grito não sairia jamais. Estava paralisado e em pânico. Tentando contar até 10, mas não conseguia nem pensar no 1.

            – Fique longe dele! – Adrian o segura pela gola da fantasia colorida, jogando-o longe, o que fez o mesmo cair no chão do lugar com a respiração ofegante. – Ele não precisa dos seus balões. – Somente esse escândalo foi necessário para que todas as crianças, pais, JJ e Alex olhassem na direção dos três rapazes.

            Luke tentava se levantar do chão enquanto mantinha os olhos assustados fixos na aberração que estava com a cabeça apoiada no palco. Adrian ajeita o cabelo antes de caminhar até Luke, puxando-o para um abraço e murmurando diversas vezes que tudo ficaria bem. Hemmings não acreditou nisso, mas algo no abraço de Adrian fez com que ele ficasse mais calmo.

            Ele perde a noção do tempo enquanto fica ali, com o rosto afundando no pescoço de Adrian. Algumas crianças passam a ir embora, visto que o espetáculo já havia acabado e já estava bem tarde. Apenas JJ, Lola e Alex estavam ali, sentados na beira do palco enquanto guerreavam com suas espadas de balão.

            – Está melhor? – Adrian murmura para Luke, afastando-se um pouco dele somente para poder ver seu rosto, certificando-se de que ele falaria a verdade.

            – Sim. – Luke murmura baixinho, assentindo.

            Adrian aproxima seus lábios dos de Luke e o sela diversas vezes vagarosamente, aproveitando a maciez dos lábios de Hemmings enquanto levava suas mãos até o quadril do garoto, puxando-o mais para si. Luke cora violentamente enquanto sorri durante cada selinho que é depositado em seus lábios.

            – Você não viu nada. – Alex rosna para JJ quando vê o garoto com a boca aberta. O mesmo assente, mas não tinha conseguido digerir toda aquela informação ainda.

            – Céus, a Charlotte é corna? – Hastings gargalha divertida, batendo palmas.

            Adrian passa os braços em volta do corpo do pequeno para voltar a consolá-lo, e Luke nunca se sentiu tão bem em toda a sua vida. Os olhos de Hemmings varrem todo o local, indo em direção ao palhaço, que ainda estava sentado no lugar que Adrian o deixara, mas agora possuía uma flor de balão estendida em sua direção.

            Hemmings solta-se do abraço de Adrian e caminha até o garoto com cautela, estendendo sua mão para pegar a flor, que lhe é dada abertamente enquanto o palhaço mantinha a expressão triste no rosto, levantando-se dali e tirando o nariz vermelho, e só então Luke pôde ver o quanto o rapaz era bonito. Sem delongas, o palhaço escora-se para o meio das cortinas vermelhas, provavelmente indo descansar. O grupo de jovens resolvem ir logo para a casa de Luke comer um pouco e quem sabe assistir a algum programa, já que eles dormiriam por lá. Estava muito tarde, e o caminho para casa era longe.

            Eles não demoram muito até chegar a casa de Luke, que era praticamente do lado de onde o circo estava. A mãe de Luke já estava em casa, e até gostou da ideia de todos dormirem ali. Gostava de ver seu filho fazendo amizades, e tinha um carinho especial por Alex. Após terminar de ajudar a arrumar a sala para que eles pudessem dormir, Luke sobe as escadas junto com Lola para colocá-la na cama, já que sabia que sua mãe estava bem cansada do trabalho.

            – Você gosta daquele menino? – A garota pergunta enquanto Luke pega a escova dela em cima de sua penteadeira, indo até ela e começando a secar seus fios loiros.

            – Qual menino? – Lola cruza os braços enquanto tenta se manter firme no chão, já que Luke estava secando seu cabelo com muita força.

            – Não banque o espertinho. Eu tô falando do loirinho lá da sala, que antes beijou a namorada ruiva, mas depois te beijou. Isso não é errado? – Hemmings solta um longo suspiro. Sim, ele sabia que era errado. Sabia que só seria arrastado pra algum canto da parede enquanto Charlotte seria levada para jantar fora todos os dias, e isso doía. Doía saber que, querendo ou não, Luke era somente parte de uma experiência. Ele só estava ajudando Adrian a se descobrir, e talvez este nem fique mais com Hemmings quando isso acontecer. – Você gosta dele?

            – Sim, Lola. Eu gosto dele. – Luke murmura.

            – E ele gosta de você? – Hemmings finalmente termina de pentear o cabelo da mais nova e suspira mais uma vez, dando de ombros.

            – Não sei. Quer saber? Não é hora de conversar sobre quem gostamos ou deixamos de gostar. Está na hora de você ir pra cama porque amanhã você acorda cedo, e tem sido um sufoco pra você levantar porque tem dormido tarde. Anda. Cama! – Lola ri divertida quando Luke dá um leve tapa em sua cabeça, correndo em direção a sua cama, enfiando-se debaixo das cobertas e puxando suas duas bonecas para si. – Quer que deixe a luz ligada?

            – Eu já sou grande! – Hemmings ergue as mãos em forma de rendimento.

            – Tá certo, Lola grande. – O garoto se aproxima da irmã, depositando um beijo demorado em sua testa. – Boa noite, pequena.

            – Boa noite, feio. – Ele ri, logo apagando a luz e saindo do quarto após deixar a escova de Lola no mesmo lugar de antes.

            Luke fecha a porta do quarto da caçula e vira-se de frente para a escada, levando um susto ao ver Adrian ali, sorrindo, com as mãos nos bolsos. Ele estava ali tempo o suficiente para ouvir Luke dizendo mais uma vez que gostava dele, e Finley sentia-se o máximo por isso, mas ao mesmo tempo se sentia um merda porque sabia que, por mais que sentisse o mesmo, jamais poderia sair declarando isso para Deus e o mundo, como Luke realmente queria que ele fizesse.

            – Há quanto tempo está aí? Merda, Adrian! Não faz esse tipo de coisa, você realmente me assustou! – Finley ri divertido, puxando Luke pela cintura enquanto fitava seus lábios, caminhando com ele em direção a parede e o prensando ali, fazendo o rapaz suspirar.

            – Tempo suficiente pra ouvir o que você disse... – Adrian murmura baixinho, depositando beijos fracos na mandíbula de Luke enquanto sentia o garoto se derreter sob seus toques, arrepiando-se completamente. – Gosta tanto de mim assim, Luke? – Hemmings assente rapidamente, arfando baixinho enquanto corava violentamente ao sentir o joelho de Finley bem no meio de suas pernas, sentindo o quanto o garoto já estava rendido para ele. – Perdendo a calma, Hemmings?

            Luke não responde, apenas abre a porta do quarto atrás de si e entra ali com Adrian, empurrando-o na cama. Ele queria muito ficar por baixo, mas sabia que Finley nunca tinha ficado com um homem, então seria esquisito pra ele ficar por cima, pelo menos Hemmings achava isso até o momento em que Adrian o puxou pela cintura, deixando-o por baixo de seu corpo grande e começando a distribuir beijos gostosos pelo pescoço do menor, que arfou sob os toques do rapaz, sentindo todo seu corpo responder com arrepios aos seus lábios.

            – Adrian, você... Merda! – Hemmings geme rouco quando Finley faz questão de forçar seu membro contra o do menor, fazendo o mesmo fechar os olhos com força.

            – Se eu sei o que fazer? Acho que já respondi a essa pergunta. – Luke nega com a cabeça rapidamente, espalmando as mãos no peitoral do rapaz acima de si, o que fez o mesmo franzir o cenho. – Qual o problema?

            – Eu quero conversar. – Adrian franze o cenho de maneira confusa, ficando de joelhos em cima do quadril do menor.

            – Conversar? – Luke assente, fazendo Finley suspirar audivelmente e dar de ombros. – Certo, Luke. Sobre o que você quer conversar? – Hemmings se senta, engolindo a seco. Ele iria mesmo soltar o que estava sentindo?

            Sim, ele iria. Afinal de contas ele se sentia incomodado com tudo aquilo, porque sabia que, se não falasse, nada mudaria entre eles, e Luke continuaria sendo consumido por aquela dúvida que reinava nele naquele momento.

            – O que somos? – Finley ergue uma sobrancelha, achando aquela pergunta super vaga. – Quer dizer, sobre o que estávamos conversando no circo hoje. Você é namorado da Charlotte, mas nós estamos juntos e... Eu acho isso errado, porque embora eu não goste muito da sua namorada, ela é... Ela é praticamente minha amiga, então...

            – Certo. Olha, eu sei que estamos juntos, e sei que você não quer ser parte de uma experiência, porque você tem sentimentos, e eu não quero magoá-los, mas eu já disse pra você que eu estou tentando entender o que eu estou sentindo. Tentando entender o que eu sou. Se você quiser se afastar e se não quiser mais ficar junto comigo até que eu mesmo me entenda, eu vou compreender, mesmo que esteja sendo bem mais fácil com você por perto. Somente quero que entenda que não tem como eu dar esse choque nos meus pais, no time na minha namorada. Sei que Alex, você e JJ vão sempre entender o meu lado, mas meus pais são homofóbicos e, até então, eu também era então, por favor, tente entender minha situação. – Alguma coisa na voz de Adrian fez Luke repensar seus motivos para parar o garoto. Ele estava confuso, e isso era notável, e Hemmings não queria apressá-lo. Queria que ele tivesse tempo para pensar, mas ao mesmo tempo não queria que ele o tivesse completamente e depois o jogasse fora como um trapo qualquer. As mãos de Luke vão até o rosto de Adrian e o maior suspira, deixando que sua cabeça tombasse para o lado, completamente rendido aos afagos do pequeno.

            Luke pensou que se apaixonar por Adrian seria como mergulhar em um precipício. Ou seria a melhor coisa que lhe aconteceria, ou o erro mais idiota que cometeria. Faria com que ele se chocasse entre pedras ou com que sua vida valesse a pena. Em meio a tantas dúvidas, ele preferiu deixar seus pensamentos para depois. Ele optaria por resolver suas confusões depois.

            – Não quero me afastar, Adrian. Quero continuar aqui, com você. Me afastar seria um erro, pois sei que está confiando em mim e... Embora tudo isso vá me machucar no final, eu quero mesmo tentar. De verdade. – Adrian dá um sorriso gigante, voltando a deitar Luke na cama e a beijar o rapaz de maneira dez vezes mais intensa que antes.

            – Vou fazer de tudo para não lhe machucar, Luke. É uma promessa. – Hemmings teve quase certeza de que aquela tal promessa havia sido feita da boca para fora. Ele sabia o quanto Adrian estava animado e curioso, e não quis estragar a primeira vez dele com... Alguém do mesmo sexo.

            – Eu confio em você. – Na verdade, não confiava. Luke sabia que ele não abandonaria Charlotte e muito menos o time de futebol para ficar com ele. Se Hemmings realmente quisesse, teriam que ficar às escondidas, por mais que ele achasse aquilo super errado.

            As mãos de Adrian vão em direção à barra da blusa do menor, a erguendo e livrando-se do pano, jogando-o em qualquer canto do quarto. Os dedos de Finley caminham pela pele branca de Hemmings, curioso com cada detalhe que o rapaz possuía em seu tronco. Luke faz questão de inverter as posições, querendo mostrar a Adrian  o que sabia fazer. Finley sorri com a atitude do menor, sentando-se na cama, mas seu sorriso logo desaparece quando Luke começa a rebolar devagar em seu colo enquanto deposita beijos por seu pescoço, fazendo o maior arrepiar-se completamente.

            Hemmings o derruba na cama, levando as mãos até os botões da camisa que ele usava, tirando-os de suas casas enquanto descia os beijos pela pele que ia ficando exposta aos poucos, sentindo o quanto Adrian era delicioso, e saciando a vontade que ele sempre teve de fazer aquilo quando Finley levantava a camisa durante as partidas, ou simplesmente a tirava. Era covardia, mas valeu a pena esperar um pouco. Agora Adrian era dele. Pelo menos por uma noite.

+   +   +

            Adrian respira fundo após chegar ao seu ápice, jogando-se ao lado de Luke e rindo divertido, assim como Hemmings também fez ao virar-se de barriga pra cima, passando as mãos pelo rosto e puxando sua coberta para si.

            – Foi divertido. – Finley murmura, fazendo com que Luke risse mais ainda, negando com a cabeça.

            – Divertido? – Hemmings resmunga, mexendo-se um pouco na cama. – Estava com raiva ou coisa assim? Não precisava ter me batido. – Adrian começa a rir novamente, virando-se para Luke.

            – Desculpa. Charlotte nunca me deixou fazer isso com ela e... Sei lá, eu gosto disso e... Desculpe, eu devia ter te perguntado se você gostava antes de fazer. – Luke dá de ombros, fitando o rosto do garoto ao seu lado.

            – Não estou reclamando, só fiquei chocado. Não sabia que você era assim. – Finley dá de ombros, engolindo a seco de maneira incomodada. Na verdade, nem ele queria ser assim. Ele estava totalmente fora dos padrões, e sabia que isso não era bom.

            – É melhor eu ir tomar um banho e descer antes que Alex e JJ estranhem nossa demora e entrem aqui. – Adrian levanta-se da cama rapidamente, fazendo Luke franzir o cenho quando ele tropeçou nas roupas jogadas no chão para ir ao banheiro.

            O menor permanece deitado na cama, tentando digerir tudo o que tinha acontecido. E então a culpa vem a tona. A culpa de estar fazendo Adrian pertencer ao seu mundo quando sabia que ele sentiria falta do mundo dele. Certo que Luke não estava colocando uma arma na cabeça dele, o obrigando a ser gay, mas ele sentia que seria o culpado caso o pai de Adrian descobrisse e o colocasse em algum colégio militar, ou em uma escola religiosa. Ele também se sentia culpado em deixar Charlotte sem namorado, por mais que ela nem ligasse pra ela e, depois dessa noite, Hemmings viu que a garota tem mais de 101 motivos para não desgrudar do namorado. Céus, além de protegê-lo dos seus medos no circo, ele ainda o fez se sentir o cara mais sexy do mundo na cama. O que Hanzel tinha na cabeça?

            A porta do banheiro faz um barulho estranho, revelando um Adrian com uma toalha enrolada na cintura e com o rosto vermelho. Lágrimas decorando suas bochechas. Luke levanta-se rapidamente, puxando Adrian para um abraço apertado enquanto deixava o maior molhar seu ombro nu enquanto permanecia curvado na porta do banheiro.

            – Luke, olha o meu estado. Eu estou com medo, Luke! – Finley diz com voz embargada, tudo por conta do choro e da insegurança que havia tomado conta dele durante o banho. O medo de contar tudo aos pais, o medo de que perdesse o respeito que havia conquistado na escola e o medo de perder a namorada que, querendo ou não, ele gostava. Era tudo novo e confuso demais e, por mais que ele não quisesse pensar nisso quando estava com Luke, ele pensava. E pensava demais.

            – Eu não quero que fique assim por medo ou coisa do tipo, Adrian. Por favor. – Hemmings sentia-se culpado com tudo aquilo, por mais que a escolha fosse de Finley, era ele quem estava ajudando o maior a se descobrir em sua nova identidade. E devia ser bem difícil para Adrian, porque ele cresceu com um conceito, e agora estava mudando-o.

            – Eu quero ir pra casa. Por favor, me deixa ir pra casa. – Luke fecha os olhos com certa força, assentindo.

            – Quer que eu ligue pros seus pais? – Adrian nega com a cabeça.

            – Apenas peça um táxi pra mim... – Luke assente.

            – Pegue alguma roupa minha na gaveta, ok? – Finley assente.

            Quando Adrian foi embora naquela noite, ele virou o rosto quando Luke tentou selar seus lábios uma última vez. E Hemmings chorou muito por isso, porque se sentiu ainda mais culpado pela tristeza do “amigo”. Chorou no ombro de Alex por meia hora, e depois adormeceu no colo da mesma, finalmente parando de pensar em culpa ou em qualquer coisa do tipo.


Notas Finais




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