História Blue Eyes [Malec] - Capítulo 31


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Categorias As Peças Infernais, Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Aline Penhallow, Amatis Graymark, Catarina Loss, Clary Fairchild (Clary Fray), Imogen Herondale, Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), James "Jem" Carstairs, Lady Camille Belcourt, Luke Graymark, Magnus Bane, Maia Roberts, Maryse Lightwood, Sebastian Morgstren, Simon Lewis, Tessa Gray, Will Herondale
Tags Alec, Amor, Beijo, Clace, Drama, Magnus, Malec, Sizzy
Visualizações 184
Palavras 4.692
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Yo!

"A verdade dói, mas também liberta."


Boa leitura.

Capítulo 31 - One of these days


 Ele havia se assustado com os toques. Havia se deixado levar pelos beijos e quando Magnus enfim tentou toca-lo de verdade, o surto realmente aconteceu. Alec havia lutado contra aquilo, lutou durante tantos meses que não tinha forças ali para lutar mais. As lágrimas vertiam de forma violenta e o corpo pálido sacodia com soluços doloridos. Ele sabia que Magnus estava ali e que o rapaz falava alguma coisa, mas doía tanto, mas tanto que nada mais fazia sentido.

- Não toque em mim, pelo anjo. Não toque. – Ele pediu de forma desesperada ao sentir os dedos de Magnus tocando em seu braço. O corpo retraiu novamente e doeu mais e mais – eu não sou.…Magnus eu sou sujo, não me toque, por favor. Não toque.

Era hora, ele não poderia, não era justo. Alec se levantou da cama às pressas e rumou para o banheiro, ele podia escutar a voz do namorado o chamando e parecia tão longe que seu estômago revirou. Seu corpo pendeu assim que a porta foi fechada e ele se escorou na pia de porcelana para não cair de vez.

- Alec, o que aconteceu? – Ele ouvia Magnus e queria Magnus, mas por ser Magnus é que doía tanto – Meu amor abre a porta. O que eu fiz? Me perdoa eu não queria ter gritado, só...Alec, sai do banheiro e vamos conversar. Por favor. – Alec chorou mais, e a dor na voz de Magnus só fazia a sua própria aumentar.

“Não é sua culpa”, ele queria gritar aquilo. Queria sair do banheiro e agarrar Magnus pelos braços e o balançar com certa força até que o mesmo acordasse. Ele queria ter ouvido aquilo. Havia enganado o namorado durante mais de ano e agora iria ruir, porque não suportava mais esconder aquilo dentro de si. Iria ser abandonado e Magnus possivelmente iria olha-lo com nojo, mas não teria raiva, afinal, quem consegue manter um relacionamento com uma pessoa tão imunda quanto ele. Quem aceitaria um namorado corrompido por um estupro, quem?

As perguntas não faziam parar de doer e ele finalmente olhou para o espelho, percebendo Magnus atrás dele. O corpo pálido estremeceu e Magnus se aproximou com cautela, tinha cópias de emergências de todas as portas do apartamento, mas preferia manter a privacidade de Alec, fosse quando brigavam e o moreno se trancava em um quarto de hospedes, fosse quando estavam meio bêbados e o moreno insistia que tinham que dormir separados.

- Você me assustou. – Sussurrou ao se aproximar. Alec não desviou ao ter a cintura laçada e o corpo prendido contra o de Magnus. – Só me diz onde dói, Alec. Me deixa te curar. – As palavras saíram doces e o choro do moreno recomeçou. Ambos fecharam os olhos e Magnus o envolveu com carinho, querendo passar amor, proteção, ou o que quer que fosse que o moreno precisava naquele momento.

Um silêncio desconfortável caiu entre os dois e Alec apertou os braços de Magnus com força o bastante para tirar um gemido baixo. O coração do Lightwood batia forte, mas ele precisava falar. Ele se livrou do aperto e se virou, estavam cara a cara. O rosto pálido já vermelho pelo choro quase compulsivo e Magnus o olhando de forma confusa e até mesmo assustada. Era o seu moreno, seu Alec, seu amor e não tinha como ajudar aquela dor passar, porque ela simplesmente não era colocada para fora.

- Precisamos conversar. – Magnus assentiu – Me espera lá fora, por favor. Eu...eu preciso de um tempo sozinho. Tudo bem? – Houve uma negativa e Alec suspirou – por favor, Magnus. – A mão bronzeada tocou a pele pálida da bochecha do Lightwood limpando uma lágrima que escorria.

Não houve beijos ou outras palavras, Magnus simplesmente saiu do banheiro e Alec aproveitou o momento para terminar de ruir. Se iria contar a verdade, deveria aparecer de verdade. Não com máscaras ou armaduras, mas como seu verdadeiro eu. Se olhando no espelho, ele ainda via aquele mesmo menino desesperado que se debatia sobre o capô de um carro, ele via aquele mesmo Alec que tentou várias vezes pular a janela do próprio quarto, mas fora impedido pelo medo. Ele via todo o seu passado, como se tivesse congelado aos quatorze anos de idade, como se tivesse realmente morrido naquela maldita festa. Também sentiu as marcas vibrarem, elas falavam quando as coisas estavam ruins demais para suportar, elas aconselhavam e o chamavam para aquela inércia dolorosa novamente. Fazia meses que não se feria Magnus sabia há anos como cada marca havia sido feita, era hora de conhecer os motivos.

Ele puxou seguidas vezes o ar e abriu à torneira, o choro havia parado, mas a dor não. Pegando uma grande quantidade de água em mãos, Alec jogou contra o rosto, suspirando profundamente com o pequeno alívio que aquilo proporcionou.

--

Magnus estava esperando, os braços cruzados no peito, sentado na ponta da cama em que outrora estiveram se beijando e se tocando. Cama que há quase uma hora atrás fizera o mundo desabar um pouco. Alec balançou a cabeça e seguiu a passos decididos até ele. Os olhos azuis não passavam nada, nem raiva, nem mágoa, nem dor. Estavam apenas vazios, imensamente vazios.

- Eu vou te contar uma história, não me interrompa. Quando eu terminar, se você quiser, eu sumo da sua vida. Eu não vou brigar, vou apenas entender perfeitamente a sua decisão. – O moreno engoliu em seco – Não sou virgem.

Magnus quis rir daquela frase e franziu o cenho. Era óbvio que Alec não era virgem, em que mundo insano o moreno achava que o namorado acreditava nisso? Havia visto as fotos e a conversa com Jace, o jeito que aquele ruivo olhava para Alec na época de escola, o fato do moreno ser tão atrevido em alguns momentos. Não precisava ser um gênio para juntar a b, para entender que o Lightwood havia começado a vida sexual bem cedo.

- Sério? – Alec o olhou e ergueu a sobrancelha – esse é o problema? – O moreno não respondeu e Magnus se levantou seguindo até o namorado e pegando as duas mãos dele. – Alec, eu não esperava que você fosse virgem ou que estivesse se guardando para mim ou coisa do tipo. Não me aborreço por não ser o primeiro homem da sua vida, mas juro me esforçar e me tornar o último. – Os olhos azuis brilharam e Magnus não compreendeu exatamente em que.  – Não tenha vergonha por isso. Eu não julgo, eu entendo.

Os ombros de Alec caíram em derrota e por alguns segundos ele cogitou em apenas juntar suas coisas e ir embora, mas Magnus não merecia aquilo. Ele novamente puxou o ar e os olhos fixaram-se nos de Bane.

- Na festa de formatura, Camille mostrou uma foto no painel. – Ele tentou soar firme e Magnus fechou a cara prestes a interrompe-lo, mas o movimento das mãos de Alec o impediu – Eu sei o que você viu, ou que acha que viu, mas não foi aquilo, não é verdade.

- Já sofremos tanto por causa dessas memórias meu amor, porque desenterrar?

- Por que eu preciso que você entenda o motivo disso tudo, o motivo de todas as minhas marcas, o motivo das crises, o motivo de eu ser assim, Magnus. Uma miséria total e completa. – Ele falou e parecia estar mantendo um controle inumano para não chorar novamente – eu preciso que me entenda, então você escolhe se fica ou se vai. Tudo bem?

- Alexander eu não estou...

- Eu tinha catorze anos. – Alec iniciou a história, interrompendo o outro – Izzy e Jace queriam ir em uma festa do bairro vizinho, mas eram novos demais para irem sozinhos. – O moreno fungou e os olhos azuis já estavam inundados de lágrimas – Como o responsável, eu fui. E só tinha que fazer isso, cuidar dos meus irmãozinhos caçulas e os levar para casa antes que ficasse tarde demais. Eles entraram e eu fiquei sozinho – Magnus piscou, mas não falava nada, a voz de Alec saia tão quebrada que ele se perguntou se o moreno conseguiria falar tudo – alguns rapazes...alguns amigos se aproximaram e eles tinham bebidas coloridas e eram mais velhos que eu. Ofereceram e eu conhecia um deles e confiava, eu bebi e bebi e bebi. – a lágrima finalmente rolou, mas Alec não parou. Olhava nos olhos do namorado e parecia querer mostrar toda sua dor ali, naquelas palavras – Quando eu percebi, estava sendo arrastado para o jardim e eu não sentia meu corpo direito.

Magnus parou de ouvir por alguns segundos e o mundo pareceu estremecer. Era egoísta, mas por um ínfimo momento, ele desejou que Alec não terminasse de falar, que Alec apenas deitasse a cabeça contra o colo dele e chorasse, mas que não falasse mais nada.

- Tinha um carro e quatro pessoas e...e...e... – Ele gaguejou e fechou os olhos. Naquele momento, Magnus viu o homem que conheceu a cinco anos ruir totalmente. Ele finalmente via Alec. Os olhos vazios, o rosto pálido deixando as marcas quase em evidência. – Eu fui estuprado Magnus. Naquele jardim, por aquelas pessoas...eu fui usado e violado e...eu realmente tentei viver normalmente, mas eu sangrei e sangrei mais quando contei e continuei a sangrar quando as fotos chegaram. – o choro veio completamente e parecia absurdo demais para ser verdade – e eu tinha catorze anos e tinha fotos minhas espalhadas pela cidade, como se eu fosse um garoto de programa que participava de orgias e que tinha organizado uma aventura em público e tudo somente doeu, e continua doendo Magnus. Eu peço perdão por ter enganado você durante tantos anos...

Alec fechou os olhos, ele não queria ver a pessoa que tanto amava se levantar e ir embora da sua vida, ele não queria encontrar o olhar de nojo em Magnus, não queria ver a expressão de desprezo. As mãos pálidas tremiam e o corpo estremeceu quando sentiu um toque leve sobre a bochecha. Magnus queria ir embora, queria gritar, queria balançar Alec e pedir para ele parar de falar bobagens, queria apertar o namorado e sugar toda a dor, mas ele não conseguia fazer nada, a não ser tocar a bochecha pálida, manchada por lágrimas. Era seu Alec e ele sofria tanto.  O moreno soluçou e Magnus enfim saiu do torpor, tomando o corpo de Alec entre os braços.

- Alec... -  foi apenas um sussurro – meu Alec. – Novamente –  eu não fazia ideia...Alec, me perdoa – pediu. Sequer sabia o motivo de pedir, apenas sentiu que era necessário o fazer, era necessário tentar fechar aquele buraco tão grande no peito do outro. Da mesma forma que foi quando teve a crise na sala de música, Alec agarrou-se a Magnus como se ele fosse sua âncora. Na época, Magnus havia feito o papel de uma e agora, estava novamente – Eu queria saber o que dizer, queria saber como fazer para tirar toda essa dor que você está sentindo, mas eu não sei...eu não consigo. – Ele tinha lágrimas nos olhos. – My Pretty boy...

Alec se desviou do abraço e olhou o namorado, o peito ainda se sacodindo por conta do choro.

- Não me chame assim. – ele mordeu a boca e Magnus consentiu – eu me sinto pior, é pior é sujo... Eu sou.… Magnus... Vai embora... – Alec implorou – por favor... Faça como todo mundo e vá viver a sua vida. Vai encontrar alguém melhor... Alguém puro… alguém inteiro – ele soluçou e Magnus cobriu o rosto do Lightwood com as duas mãos.

- Alec, eu sinceramente quero dizer algo a você que arranque toda dor e mal-estar que está sentindo, mas talvez não há nada que eu possa dizer. Exceto que eu te amo e te amarei independente das circunstâncias. Eu te amei desde a primeira vez que o vi, eu o amei quando foi embora para longe, eu o amei quando voltou e agora do que sei o que aconteceu eu continuo amando e não há nada que mude isso. Eu estou aqui com todo o meu amor para juntar todos os seus pedaços e colar um por um até que você tenha sua alma, seu orgulho, seu coração e qualquer outra coisa que lhe foi tirado sejam restaurados. Alexander, para mim você sempre será meu menino inocente e de alma pura. Você não quis aquele momento, você não se entregou de verdade. E me sinto honrado de ser o responsável por dar a você algo tão importante. Que não seja hoje e nem amanhã ou depois de amanhã, mas nós vamos superar todos os seus medos e quando você estiver pronto para se entregar de corpo e alma, eu estarei aqui para te receber com o meu corpo e com a minha alma e nós nos amaremos até que nossas forças permitam. Eu quero amar você de todas as formas que você merece, eu quero limpar seu coração e sua alma. E quando eu te amar, vai ser lindo e jamais vai se esquecer.

Alec praticamente se jogou sobre o namorado após a fala, os braços circularam o pescoço de Magnus e os lábios se procuraram. Tinha gosto de menta e lágrimas, tinha gosto de dor e amor. Havia receio nos toques e Alec inclinou o corpo, tentando fazer com que Magnus se deitasse, o rapaz o parou e tinha um sorriso amável. Magnus se levantou e ergueu a mão para o moreno, Alec aceitou e mesmo receoso, seguiu o namorado para onde ele ia.

--

O chuveiro foi ligado e Magnus se virou para Alec. O mesmo sorriso de amor continuava ali. As mãos de Bane traçaram um caminho demorado pelo rosto, pescoço e ombros do Lightwood, com cuidado e delicadeza, observando as reações de rejeição ou aceitação. Eles se beijaram novamente e Magnus abriu o botão da calça do moreno e sentiu a respiração de Alec acelerar quando a peça jeans escorreu pernas a baixo.

- Só...só me deixa cuidar de você por essa noite, meu amor. – Ele pediu – só deixa eu mostrar que você é precioso demais para ser ferido, que você é amado. Me deixa te amar, Alec. - Não houve rejeição. Magnus tocou a peça íntima do Lightwood e a puxou para baixo devagar. Logo fez o mesmo processo consigo e então, ambos estavam nus.

A água morna atingiu os dois ao mesmo tempo e Alec fechou os olhos suspirando, ainda havia lágrimas ali e nenhum deles parecia se importar com isso. Magnus abraçou o namorado por trás, laçando a cintura dele e depositando beijos leves contra o pescoço pálido, não havia malicia no toque, havia cuidado e amor. Alec suspirou e se virou, tomando a boca de Magnus para um beijo quase desesperado.

Ele invadiu a boca de Magnus com a língua e aprofundou o beijo com carinho. Não podia ter medo de Magnus, mesmo que ainda tremesse, aquele era o homem que escolheu para doar seu mais doloroso segredo, foi o homem que escolheu para deixar que suas feridas se reabrissem. Magnus sentiu o ar acabar e logo ter o pescoço tomado de beijos leves, Bane mordeu o lábio e fechou os olhos.

- Acho que já está bom de banho, você não acha? – Ele desligou o chuveiro e sentiu a mão de Alec passear por sua nuca. Era uma armadura nova sendo construída e não era aquilo que queria. Se fossem ter qualquer coisa, deveria ser quando os dois estivessem prontos, quando Alec confiasse nele o bastante para doar o corpo e a alma, quando ele não estivesse tão fragilizado – Durma comigo essa noite, Alexander. – Pediu em um sussurro breve – Eu vou cuidar de você meu anjo, eu prometo.

Alec consentiu e se inclinou em busca de um beijo novamente, Magnus não negou e quando as línguas se tocaram em meio ao ato, o moreno estremeceu de cima a baixo. Os dedos do Lightwood se embrenharam pelos cabelos escuros e Bane sentiu o corpo arrepiar e acender. Ele tinha noção do que o namorado estava querendo e quando Alec passou a guiar os movimentos para o quarto do casal ele soube, se o moreno quisesse, não seria capaz de dizer não.

--

Eles caíram sobre os lençóis e Magnus suspirou sentindo o corpo de Alec sob o seu, era quente, mas ainda inseguro. Era um passo importante e ao mesmo tempo, marcaria a ambos de uma forma quase inevitável. As bocas se procuraram novamente e Bane sentiu o sabor salgado se misturar a ao beijo, ele suspirou e quebrou o contato abrindo os olhos. Azul brilhante o encarava e ele sorriu levemente para o namorado.

- Eu amo seus olhos. – Sussurrou – mesmo molhado de lágrimas. – Magnus girou até estar ao lado do moreno, logo o puxando para os seus braços. Alec não se moveu enquanto o outro jogava uma coberta sobre os dois. – Hoje não Alec, eu juro que, quando você estiver pronto, estarei aqui para te amar de todas as formas possíveis, mas esse dia não é hoje meu amor. – Ele beijou a bochecha pálida e apenas suspirou quando o outro se virou e se encolheu.

Magnus entendia o sentimento de rejeição, mesmo que, tudo que quisesse evitar fosse aquilo. Mas não poderia prosseguir, não naquele momento, não com Alec fragilizado aquele ponto. Ele laçou a cintura do Lightwood e o sentiu chorar contra seu corpo, mas não falou nada, apenas o abraçou com força e deixou a consciência se esvair.

**

“Um dia desses

Eu aposto que seu coração será partido

Eu aposto que seu orgulho será roubado.

[...]

Não diga que está tudo bem.”

Foo Fighters – These Days

 

Alec não estava na cama na manhã seguinte e isso fez o coração de Magnus despencar em receio. Não se perdoaria se o Lightwood tivesse ido embora antes que ele acordasse, mas nessa mesma vertente, não poderia impedir Alec de se afastar, mesmo que lhe doesse, daria tempo ao tempo.

Ele saiu da cama com pesar e seguiu para o banheiro, apenas para constatar que o moreno não estava lá. Fez sua higiene matinal e cobriu o corpo com um Hobbie vinho perdido por lá, suspirando alto ao passar pela porta e ver os corredores apagados. Ele seguiria para a cozinha, mas um som vindo da sala o fez mudar o trajeto. A televisão estava ligada em um programa infantil qualquer e Magnus sorriu pequeno ao ver a cabeleira negra e despenteada. Seguiu devagar até estar perto e abraçou o Lightwood pelas costas, passando as mãos pelos ombros cobertos por uma camiseta qualquer.

- Senti sua falta na cama. – sussurrou contra o ouvido do outro, mas não ganhou resposta imediata. Alec continuava de olho na tv, como se o mundo não existisse naquele momento. Magnus viu que passava os padrinhos mágicos e se perguntou que tanto interesse era esse que o moreno demonstrava. – Pode deixar os padrinhos Mágicos e prestar atenção no seu feiticeiro?

- Feiticeiro? – A voz saiu baixa e rouca e Magnus se perguntou o quanto ele havia chorado depois que tinha acordado.  Alec se virou minimamente, tinha os olhos estranhamente límpidos, apesar da ponta do nariz, que Magnus fez questão de beijar, extremamente vermelho. – Desde quando você é o meu feiticeiro?

- Não um feiticeiro, eu seria tipo o Alto feiticeiro. – Abriu um sorriso para o namorado e tocou a bochecha pálida com carinho – Eu realmente senti sua falta na cama.

- Não fazia sentido eu estar lá...- suspirou – desculpe por estragar a nossa noite!

Bane suspirou e deu a volta no sofá, parando ao lado do Lightwood e tomando as mãos pálidas para ele.

- Você não estragou nada, Alec. – Beijou – Estou feliz de você confiar em mim, a ponto de me contar o que dói. Sinto orgulho de ser a pessoa que está aqui para te amparar em qualquer problema que você tiver e qualquer dor que você sentir. E eu sei, que mesmo você não acreditando nisso, vai fazer o mesmo por mim se for necessário. Por que é isso que fazemos meu amor, nos amamos e nos queremos de uma forma irremediável. – Ele beijou os lábios vermelhos do Lightwood – eu te amo Alec e nada no mundo vai me fazer te amar menos. Eu te falei ontem e vou falar de novo, não estou frustrado com nada, você não estragou a nossa noite, você impediu que fossemos em frente com algo que não estaríamos prontos para arcar com as consequências, com uma coisa que só iria machucar mais o seu coração. – Outro beijo – não se culpe por algo que não controla, isso não vai fazer eu me afastar. É claro que na hora eu fiquei com raiva, não de você, mas de quem teve a ousadia de te tocar e de te ferir dessa forma, raiva de quem não te ajudou, raiva de mim, por não ter percebido quando você me mostrou os sinais, raiva de mim por ter dado ouvido ao seu irmão e me deixado levar por um ciúme descabido. Tive raiva por que você é bom e passou por um inferno enorme e não teve ninguém para amparar, mas agora eu estou aqui, por você e com você.

O beijo foi longo dessa vez, Alec permitiu que as línguas se tocassem e se enrolassem uma na outra. As mãos brancas cobriram a nuca de Magnus o aproximando mais e o choque entre os corpos foi inevitável. O desenho gritava na televisão e nenhum dos dois parecia se importar com as fadas barulhentas resolvendo pedidos para o afilhado dentuço. Estavam se beijando e se entregando a um momento deles.

Magnus se afastou antes que o controle ruísse de sua mente e os olhos azuis ainda brilhavam com receio, mas tinha um desejo um tanto firme ali dentro. Se olharam por alguns segundos até Alec se levantar e o puxar para mais um beijo quente e quase desesperado. Amava aquele homem e apesar de todo o medo que corria seu corpo, não iria voltar atrás na decisão de se entregar, porque Magnus foi a pessoa que ele escolheu para a vida, mesmo que não fosse escolhido de volta.

- Alec...

- Só me beija e esquece de tudo por enquanto, Mags. – A frase foi falada em meio a um suspiro e Magnus sorriu. Fechando os olhos, tocou a boca com a do moreno e os passos passaram a ser guiados com carinho para o quarto onde passaram a noite.  As mãos atrevidas tentavam a todo custo desfazer o nó do hobbie de Bane, mas Magnus impedia, rindo pequeno em meio ao ósculo.

O quarto chegou e eles despencaram sobre a cama com as pernas entrelaçadas, olhos nos olhos e Magnus finalmente permitiu que o Hobbie descesse por seu corpo e o deixasse nu. Alec puxou o ar e fechou os olhos quando os dígitos de Magnus roçaram contra sua camisa, fazendo o caminho com ela para fora do corpo.

- Eu estou aqui, eu não vou te ferir – murmurava entre o beijo, sentindo o coração bater com força contra o peito – eu amo você – os lábios pousaram contra o pescoço pálido e ele sugou a pele. Alec gemeu contido, era Magnus o marcando, o tocando, de uma forma que ele queria e desejava a muito tempo, de uma forma que ele sempre iria querer. 

Os beijos de Magnus desceram pelo corpo pálido, as mãos tocavam em Alec de forma delicada, apertando devagar cada ponto, o fazendo se contorcer e apertar os olhos. Ainda tinha as lembranças era claro, e sempre as teria, mas tentaria dar uma chance de verdade ao amor e ao carinho que estava recebendo ali.

- Magnus... – o gemido foi repentino quando os lábios pequenos tocaram o volume sob a peça íntima do Lightwood. Ele sorriu pequeno quando Alec abriu as pernas, se entregando ao que ele quisesse fazer. – Magnus, pelo anjo! – arfou ao sentir-se ser acomodado dentro da boca quente.

A língua arteira acariciava o membro duro e latejante, para então enrolar-se por ele totalmente, Magnus o colocou na boca, o levando ao fundo da garganta, chupando com vontade e tirando gemidos trêmulos de Alexander. O moreno mordeu o lábio com força sentindo espasmos espalharem-se por seu corpo e Magnus aproveitou aquilo, para pegar um pequeno pote de lubrificante – que mantinha escondido na gaveta ao lado da cama – e untar os dedos.

Alec travou quando sentiu o dígito do namorado acariciar entre suas pernas, o corpo pálido enrijeceu e Magnus parou de chupa-lo e ergueu a cabeça o olhando de forma preocupada.

- Se quiser, vamos até aqui... – sorriu pequeno. Alec puxou o ar e abriu os olhos, havia lágrimas presas e Magnus mordeu a boca quando o moreno negou.

- Não quero que pare, Magnus – falou em um gemido baixo – É óbvio que eu vou chorar, por que vou me lembrar, mas isso é bom, por que estou me livrando, mesmo que parcialmente disso. – Alec relaxou sobre a cama e sorriu ao namorado – Estou cansado de ter medo, Mags, e eu sei que não vai me ferir, não vai me machucar e eu quero isso, eu quero você.

O moreno fechou os olhos e Magnus voltou a acomoda-lo entre os lábios, sugando de forma rápida, o dedo matreiro entrou vagarosamente dentro do Lightwood, causando um pequeno choramingo de desconforto e prazer. Alec era lindo e entregue daquela forma, era a coisa mais preciosa que Magnus poderia ver um dia. Ele mantinha os olhos fechados e os lábios entreabertos, o corpo arqueava vez ou outra, passando uma sensação de completude total. Outro dedo se juntou ao primeiro e Magnus bateu os dígitos contra aquele bendito ponto que fez o Lightwood gemer alto e pedir por mais.

- Por favor. – foi o pedido e Magnus parou tudo, os dedos deslizaram para fora do corpo de Alec e o outro se deitou sobre o namorado. As bocas se tocaram e as ereções chocaram uma na outra.

- Abra os olhos. – Magnus sussurrou, estava de joelhos entre as pernas do namorado, a glande melada pressionando levemente a entrada contraída – preciso ver os seus olhos, Alexander.

Ele obedeceu e abriu, os azuis brilhavam de forma calma, apesar do conjunto de lágrimas nos cantos. Alec sorriu e consentiu com a cabeça, era a confirmação que precisava para enfim deslizar para o calor que era o corpo do moreno. Ambos gemeram e Magnus escondeu o rosto no pescoço de Alec, distribuindo beijos e leves mordidas, esperando que o outro se acalmasse o bastante para que pudesse prosseguir.

Os movimentos começaram leves, mas se agitou em minutos, suor banhava ambos os rostos e as unhas de Alec arranhavam as costas morenas de Magnus, gemiam em conjunto, choravam juntos, estavam presos em uma bolha deles, onde só havia o prazer inumano que sentiam. Prolongava a sensação movendo de forma forte e cuidadosa, os olhos cerraram e os gemidos foram unidos quando as posições foram trocadas.

Alec então estava no colo do outro, subia e descia movendo o quadril, rebolando e se pressionando para baixo, sentindo Magnus ir fundo e atingi-lo bem lá, no ponto que fazia com que ele gritasse e com que as lágrimas caíssem. Era libertador poder pertencer a alguém daquela forma, por que ele era de Magnus na mesma proporção que Magnus era dele. E até que durasse, seria para sempre assim.

- Eu amo você.

Alguém murmurou entre a inércia de prazer e nenhum dos dois se importou em descobrir quem foi.

- Ao infinito e além. – Sorriram juntos e se beijaram.

A cama estava uma bagunça, os dois estavam perdidos entre movimentos fortes e a perspectiva do orgasmo que se aproximava. O vai e vem desconexo e as marcas um no outro. Eram eles se amando em meio aquele quarto, deixando o cheiro de ambos se espalhar pelo quarto e os gemidos serem distribuídos pelos cômodos do apartamento. Magnus beijou Alec novamente, as línguas se entrelaçando e os olhos fechando, enquanto ambos chegavam ao céu.

Era amor, era paixão e era fogo. Eram eles, se amando, ficando, se fundindo. Estavam contentes com a entrega, estavam felizes por temporariamente não haver barreiras entre eles e não queriam pensar no amanhã e nem no fato de estarem batendo na porta da frente, era um momento deles e nada iria detê-los de aproveitar ao máximo tudo que o tinham direito. Estavam felizes e era isso que importava.


Notas Finais


Eu realmente espero ter conseguido passar todos os sentimentos e as intenções de ambos nesse momento, enfim, a verdade finalmente apareceu e quando se está no fundo do poço, o que podemos fazer, é tomar impulso para subir.


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