História Blue Heart - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias My Chemical Romance
Personagens Frank Iero, Gerard Way
Tags Frerard
Exibições 54
Palavras 2.054
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Obrigada aos favoritos!

Capítulo 3 - Frank


                Após Gerard sair não tinha ideia como olhar na cara de Julie, após o que aconteceu, o que estava corroendo meu cérebro, eu definitivamente estava disposto a abrir o jogo com ela sobre o que tinha feito. Bem, eu não precisei afinal, Julie me encarou assim que entrei pela porta da sala vindo em direção a gola da camisa que cobria as marcas deixadas por ele, então ela fez algo ao contrário do que imaginei...

– “Está tudo bem. Não vou surtar por isso. Então... É por isso que não gostava quando mencionava o nome dele?”

– “Sim.”

– “Você não precisa se sentir culpado, sei lá, tudo bem. Ele deve ser muito importante em sua vida.”

– “Foi... Ainda é. Não sei. Não sei mesmo o que esperar do Gerard.”

– “Não reprima seus sentimentos tentando colocar outra pessoa no lugar, Frank. Eu sei que ele era importante pra você... Sabe como?” – ela sentou novamente no sofá cruzando as pernas de modo adorável, então sorriu. – “Ouvi um CD onde ele cantava para você uma música dos The Carpenters, achei isso no fundo do seu armário quando fomos viajar um tempo atrás. Tinha uma dedicatória.”

– “Sério? Eu... Não ouço aquilo faz anos.”

– “Quando vi ele aqui com você... Notei o que tinha acontecido. Bem, eu não me sinto traída, um pouco magoada é claro, mas ele é seu grande amor e eu espero que se acertem.”

– “O Gerard... Ele é outro cara agora.”

– “Ele está de volta. Se você errou com ele, Frank, tenta correr atrás.”

– “Eu não posso voltar atrás e reparar o dano que causei. Ele quase se matou por minha culpa!”

– “De qualquer forma, ainda espero que se acertem. E seja honesto consigo mesmo. Sério. Se for honesto para si será para os outros.”

Pensei muito no que ela me falou assim que foi embora, não sabia como reagir naquele momento de maneira precisa comigo mesmo, aliás eu nunca pensei muito nos meus atos e em como poderia pará-los antes de um efeito catastrófico acontecer. Julie era incrível por me apoiar ao invés de me xingar até a morte, só sabia agradecer o quão amiga ela é acima de qualquer outro relacionamento pessoal demais.

Minhas decisões pareciam sempre ser as erradas, meu modo impulsivo ganha espaço sempre, talvez eu nunca seja honesto comigo mesmo. Sou perdido no que se trata de sentimentos, ao invés de ter crescido nesses anos acabei retrocedendo ainda mais. Errando do mesmo modo, sendo infantil da mesma maneira, me rendendo a tudo aquilo que não poderia. Fucei meu armário e encontrei numa caixa bem no fundo o CD que Julie ouviu e um colar que ganhei dele logo quando nos conhecemos.

Para afastar as memórias daquela época deixei meu cachorro Pumpkin com minha mãe na sua casa nova, deixei de trabalhar na escola onde ele era o dono, mas isso foi apenas um ato covarde de praxe. Como poderia afastar tudo o que causei a mim mesmo e aos outros? Coloquei o CD para tocar e um filme daquela época tornou à minha mente, eu não chorei, nem me senti triste, acho que não poderia sentir nada com tudo aquilo entalado na minha garganta. Tenho o talento de perder tudo o que é importante para mim em troca de prazeres momentâneos.

 

A semana começava e tudo o que precisava era de muito trabalho para distrair minha mente dos problemas. Eu adorava dar aulas de guitarra e aproveitei cada segundo da faculdade, foi tudo muito perfeito exceto meu problema em aprender a trabalhar com instrumentos clássicos. Tentei tocar violoncelo, mas consegui apenas uma música mais memorizada que qualquer outra coisa. Hoje teria a reunião com o corpo docente para esclarecer a compra da escola por uma nova franquia. Todos estavam com medo de perderem os empregos e eu também por amar tanto aquele ambiente.

Começaram a discutir sobre a nova ordem de instrumentos que a escola iria proporcionar e que os professores de guitarra teriam que ter ao menos uma noção básica de algum instrumento de corda para orquestra. Ouvir aquilo me deu um nó na garganta por não saber o que seria do meu futuro se não aprendesse a tocar algo além da guitarra. Logo após a reunião corri para a sala de instrumentos onde havia os de orquestra que haviam acabado de chegar, céus, eu não sabia mesmo por onde começar. Busquei por uma música qualquer no YouTube e dei play em uma com um arranjo lindo envolvendo flauta e violino.

Lógico que minha primeira tentativa foi desastrosa e esfaqueou meus ouvidos, mas continuei tentando. Estava tão concentrado que não ouvi a porta da sala bater, só me dei conta que havia alguém ali comigo quando um outro violino começou a soar perfeitamente igual ao da música. Quando olhei para trás fiquei atordoado, só podia ser brincadeira comigo. Os gestos delicados e os olhos fechados enquanto aquelas notas saiam tão perfeitas que emocionavam. Além de pianista ele era violonista agora também? Isso é no mínimo bizarro.

– “Olá...” – só consegui abrir a boca quando ele deixou de tocar, nunca iria atrapalhar aquela perfeição que saia do violino.

– “Pretende tocar violino, Frank?” – ele repousou o instrumento na base e veio até mim. – “Isso é ótimo.”

– “O que você faz aqui?”

– “Eu comprei essa escola.” – ele puxou uma cadeira de uso dos alunos sentando de braços cruzados e aproveitando para me encarar com um sorriso sugestivo. – “Preciso investir meu dinheiro em algo, então, nada melhor que aplicar em escolas.”

– “Oh... Você vai ficar por aqui?”

– “Pretendo.”

– “Foi você que vai exigir que os professores toquem instrumentos clássicos também?”

– “Sim, mas darei total suporte pagando cursos para isso. Não quero mudar os professores que já trabalham aqui.”

– “Ah. Entendo.”

– “Você está tendo dificuldades com o violino? É o que pretende tocar?” – ao dizer percebi que iria tocar minha mão, mas me esquivei antes de conseguir. – “Calma, não vou te morder.”

– “É que... É complicado. Aqui é meu lugar de trabalho e isso piora agora com você sendo o dono.”

Ele não me deu ouvidos e levantou erguendo meus braços para a posição de tocar o violino, então ajustou minha postura e angulou meu rosto. Logo estava guiando meus gestos e os dedos nas cordas do instrumento. Sua respiração estava quase rente à minha nuca, porém tentei ignorar qualquer sentimento vindo disto.

– “Você tem potencial no violino devido seu porte físico, será perfeito.”

– “Não sabia que você tocava violino também.” – estava difícil ouvi-lo direito devido a música um pouco desafinada que tocava.

– “Um bom músico não se limita a um só instrumento, Frank. Tsc, você não está se abrindo para a música, para as notas, para as cordas.” – então ele se afastou e buscou o iPhone no bolso e parecia muito entretido até uma música começar preencher a sala acústica. – “Vamos, solta o violino e vem aqui.”

– “O que? Como assim?”

– “Vamos.”

Assim que o fiz caminhei até próximo dele e sua mão esquerda espalmou no centro de minhas costas obrigando a manter uma postura que logo notei ser de alguém prestes a dançar uma valsa. Sua mão direita acolheu a minha esquerda e passei a apoiar a outra em seu ombro. Então no refrão da música Gerard começou a se movimentar em passos que não pude acompanhar tropeçando e me frustrando. – “Sinta a música e o violino nela.” – ele dizendo parecia fácil, mas não estava conseguindo seguir seu concelho. – “Mas pra que diabos isso serve para tocar violino?” – seu rosto estava muito próximo do meu que pude senti-lo suspirar bem na minha cara impaciente. – “Um músico toca com as emoções, Frank, não somos robôs que seguem apenas notas medíocres em um papel qualquer. Eu vou te ensinar a tocar violino.” – meu corpo era completamente guiado pelo dele e o que acabara de me dizer ecoava nos meus ouvidos como em um túnel infinito.

Infelizmente eu era duro demais para dançar, estava sem graça, com medo de perder o emprego e Gerard em si era minha pior fraqueza. A música chegou ao final e o vi se afastar apanhando o celular outra vez, agora parecia discar um número. – “Um momento.” – ele disse e a expressão de seu rosto quando sério continuava a mesma e pouco mudou depois desses cinco anos. O pouco que ouvi Gerard parecia combinar em alugar algo, mas não entendi o que exatamente. Enquanto falava não tirava os olhos de mim, isso me deixava desconfortável. Era aquele mesmo olhar que poderia me despir até os ossos. – “Bem, já que vou te ensinar tenho meu próprio método. Algo mais lúdico, nada muito técnico de início, irá tocar um instrumento que articula seu corpo para uma postura mais digna, então, vou começar por algo que me influenciou a tocar violino. Deve ter ajudar.” – não tive reação para indagar, ele começou a falar novamente.

– “Me interessei por violino quando passei uns meses na Alemanha no inverno. Enfim, queria poder falar mais... Mas tem alguém me esperando lá fora. Bem, Frank, poderia me passar seu número de celular?”

– “Claro, mas o que faremos exatamente?”

– “Você verá. Eu te ligo indicando onde será, tudo bem? Agora preciso ir. Obrigado pelo número.”

 

Não sabia se deveria ter aceitado a ajuda dele, mas Gerard sabia do poder magnífico que tinha sobre as pessoas e não tinha limites para usá-lo. E sobre mim? Bem, era quase que supremo e não tinha antídoto. Ainda atordoado com tudo aquilo tentei reagir para dar uma aula pela tarde quando encontrei Julie no corredor, ainda sentia vergonha sobre o que havia ocorrido.

– “Quer almoçar comigo, Frank?”

– “Sim, seria ótimo.”

– “Então vamos! E conta porque o prince charming estava na mesma sala que você.” – não sei como ela podia rir em uma situação dessa.

Fomos até um restaurante frente à escola e lá encontrei Gerard sentado em uma mesa com outro rapaz. Pareciam bastante contentes e demorei a reconhecer que a pessoa que estava com ele era Henry que há um tempo atrás quando ainda estávamos juntos tentou beijá-lo, não sei ao certo, mas se ele queria algo com Gerard... Conseguiu. Tentei não olhar mais na direção que eles estavam, aquilo me incomodava.

– “Me conta tudo, Frank! Como foi? Ele te beijou?”

– “Ah, não. Julie você tá agindo como aquelas adolescentes que shippam, não sei o termo ao certo, dois caras.” – tentei rir para descontrair, mas ainda me sentia deslocado estado naquele mesmo ambiente que ele com outro. – “Ele me deu uma lição de violino e disse que vai me ajudar a tocar.”

– “E o que mais?”

– “Tem que ter mais, Julie?”

– “Claro, Frank, diz! Sou sua amiga acima de tudo.”

– “Ele tentou me fazer dançar com ele e disse que aprendeu um método lá de como tocar violino sem ser técnico demais. E hoje à noite vai me ligar para combinar de irmos a um lugar pra treinar, sei lá, foi confuso.”

– “Ou seja... Um encontro?”

– “Jamais. Eu sei muito bem que ao ponto que chegamos... Não tem mais volta.”

– “Sinto muito... Bem, ao menos vocês podem ser amigos! Como nós somos!”

– “Preciso na verdade me proteger do que eu quero... Enfim, vamos mudar de assunto.”

 

Quase havia esquecido que ele ainda estava no restaurante, mas não tive muitos problemas já que passou por mim e não me viu, seria uma tremenda saia justa encontra-lo junto com o Henry. Poderia ser impressão minha, mas os dois pareciam um pouco alterados no estacionamento pelo modo que o rapaz gesticulava, Gerard parecia não dar a mínima e entrou no carro seguido por Henry que bateu a porta.

Gerard não era o mesmo de antes, lógico que todos nós mudamos, mas ele era praticamente alguém reencarnado no corpo errado. Havia pequenas lembranças da pessoa antiga, mas sua essência havia se modificado. Suas veias azuis, como dizia, já não tinham essa cor. Era nítida a sua infelicidade mesmo enquanto sorria, eu não era bom em ler pessoas... Porém, o pianista tinha algo negro sugando sua aura antes tão clara. Fui eu que provoquei isso? Mesmo se eu tentasse reparar o erro que cometi as coisas não seriam as mesmas, nossa relação ainda teria as mesmas cicatrizes. Eu tinha que pular a página de Gerard na minha vida, se não será certo que irei sofrer por ele. Claro, eu mereço até pior, mas de qualquer modo não quero ser ferido por alguém que tanto marcou minha vida com boas lembranças. 



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