História Blue Ridge - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Justin Bieber, Selena Gomez
Tags Drama, Jelena, Justin Bieber, Psicopata, Selena Gomez
Exibições 313
Palavras 3.745
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


LEIAM AS NOTAS FINAIS, POR FAVOR.

Boa leitura :)

Capítulo 4 - Ele é uma obra de arte.


Fanfic / Fanfiction Blue Ridge - Capítulo 4 - Ele é uma obra de arte.

O nevoeiro denso espalha-se por toda a estrada negrume. E quando a ponta de meu nariz subsiste em vermelhidão, diante de lágrimas que dele escorreram, tento acalmar meu coração agitado. Não adianta entrar em pânico, não agora. Se um dia eu quero mesmo ser uma psicóloga de sucesso, trabalhar com o cérebro humano é fundamental e usar meios para sair de situações como essas são cruciais, ou seja, preciso compreendê-lo para depois agir em meu benefício.

Mas o que eu posso fazer, afinal? Tenho consciência extrema da situação que o paciente Justin Bieber se encontra; que garanto ser nada estável, pois seu estado de recuperação ainda é decorrente. Se ele simplesmente me matasse, seria levado para a clínica novamente, e se não me matar, também será levado. Dessa forma, minha vida pouco importa. Se não pensar rápido, meu fim é mais que certo.

O que uma profissional faria?

Até que eu vejo uma luz no fim do túnel. Uma ideia louca e arriscada surge em minha mente, tanto que se algo desse errado, eu comprometerei não só a minha vida, como a de meus pais.

— Tem razão. — falo baixo, e, ele me olha de imediato, com um ponto de interrogação estampado na testa. — Acho que seria uma oportunidade de nos conhecermos melhor.

— Eu sabia que concordaria, amor. — sua mão, que antes agarrava meu pulso de modo hostil, entrelaça-se com a minha, tornando tudo ainda mais estranho. Sinto desconforto de toda a situação sem nexo, pensando no quão irônico é esse momento que eu jamais pensaria viver, enquanto há uma semana eu estaria em minha casa de verdade, com minha mãe e no meu quarto, sonhando com o futuro promissor que me aguardara.

[...]

Dentro de mim, ainda restava à mínima esperança de que meus pais tivessem desistido de aguardar minha volta.

Tão ingênua, até parece que não conheço a mãe que tenho.

Em questão de segundos, após o burburinho importuno da porta de madeira, o cheiro da velha cabana eleva até minhas narinas. Preocupada, olho três vezes para trás, garantindo que Justin está escondido perto de uma árvore, pois eu lhe disse que assim que meus pais dormissem, permitiria sua entrada. Ele realmente acreditou que eu faria parte desse plano maluco, do qual ainda não entendi. Sua mente funciona de forma incomum, tanto que nem eu consigo compreender. Como um quebra-cabeça de mil peças, sendo elas impossíveis de se encaixarem.

— Boa noite, Selena. — dou um pulo de tão assustada, ao resplandecer da imagem de mamãe e Ricardo, sentados sobre o sofá, após eu acender as luzes.

— Eu posso explicar. — não há como não dizer essa frase tão clichê quando uma situação precária te surge. Suas expressões são calmas até demais, porém conheço a mulher que me criou e isso só significa uma coisa: mantendo o controle.

 — Você sabe o quanto ficamos preocupados? — seu busto ergue para cima e sua voz transforma-se para algo mais tumultuado. Seu controle está se esvaindo.

— Mas é claro que sabe, ela apenas não liga. — meu pai responde por mim, antes que eu tenha a decência de defender minhas razões.

— Mãe, eu te respeito, mas não vou deixar de trabalhar porque você me proíbe. Tenho dezoito anos e sei que dou conta disso, e acredite, ser enfermeira não foi minha primeira opção, tampouco a segunda. A cidade é pequena, são poucas possibilidades. — vou direto ao ponto, sem rodeios. Até porque, meu coração bate acelerado só de imaginar que aquele garoto pode muito bem entrar aqui a qualquer minuto. — Por isso, se você quiser me expulsar de casa ou sei lá, vá em frente. Eu darei meu jeito. Sempre dou.

— Até que não seria má ideia. — Ricardo ri de maneira grossa, arrancando um olhar incrédulo de Mandy, mas logo trata de ficar sério.

— Não vou te expulsar de casa, garota. — ela diz quase que enojada, como se esse pensamento fosse o mais idiota de todos (o que me alivia um pouco). — Selena, estou com muita dor de cabeça. Eu te esperei o dia inteiro, mesmo tendo uma noção de onde você estaria. A cidade pode ser pequena, mas garanto que nenhum lugar é seguro o suficiente para você andar por aí há essa hora, portanto, tenha o mínimo de responsabilidade. Conversamos amanhã.

E, com uma cara cansada e abatida, ela sobe as escadas sem dizer mais nada. Quando estou prestes a descarregar a tensão de meus ombros, o outro ser humano presente torna com suas palavras estúpidas:

— Você pode saber controlar direitinho a sua mãe, mas saiba que não a mim. Não vai fazê-la ter más noites de sono e preocupação excessiva por causa desse seu empreguinho, não agora que estamos bem.

— Estamos bem? — uma risada sarcástica é retirada de minha garganta, enquanto observo cada resquício de hipocrisia se manifestar por sua face. — Então, é nisso que prefere acreditar? Acha que sou eu quem controla as pessoas? Ou já se esqueceu de que de forma aleatória, você resolve aparecer e nos tirar do conforto de nossas vidas, da nossa casa e de toda uma estrutura que construímos ao longo dos anos que, de novo, você nos abandonou. Acha que em um chalé no meio das montanhas mudará o fato de que eu nunca vou gostar de você ou considerar-te meu pai? Está errado! Eu não sou uma criança, eu não vou te perdoar ou fingir que agora somos uma família feliz. E esse meu “empreguinho”, é meu passaporte para ir para longe daqui, longe de você.

Ao despejar todos os meus pensamentos sobre isso desde que cheguei, senti-me leve. E por mais que eu fosse compreensiva e empática, eu não dou a mínima para o que Ricardo pensa agora. Tanto que, ele apenas se vira e me deixa sozinha, com uma felicidade súbita de que atingi meu objetivo. Entretanto, de repente, sua voz paira quando já está no último degrau da escadaria, com algo fúnebre presente nela:

— Se acha que eu vou permitir isso, está muito enganada.

[...]

Após ignorar a ameaça daquele asqueroso, torno a focar no meu plano. Depois de alguns minutos faço questão de checar se os dois dormem, para que assim eu possa ir para meu quarto. Quando tenho a confirmação, não ouso perder mais um segundo. Escondida, verifico pela janela como Justin está. Ele permanece parado próximo à árvore, com a mesma expressão serena. Imaginei que estaria impaciente, mas como sempre, o garoto me surpreende.

De supetão, procuro entre caixas na minha penteadeira, meu celular. Estou tremendo de feitio anormal, como se as temperaturas fossem as mais baixas. É evidente o motivo. Se isso não desse certo, estaria de mãos atadas. Por isso, assim que o acho, torço para que algum sinal pegue em meio a esse local antiquado.

— Por favor, atenda, por favor, atenda. — choramingo, aguardando um sinal de voz do outro lado da linha.

— Polícia de Blue Ridge... — em êxtase, quase choro de verdade ao ouvir tal frase. Minhas preces foram atendidas, e, agora, é só fazer tudo que esquematizei.

Eu daria um fim ao plano insano de Justin Bieber.

[...]

Tranquei as portas e assisti cada movimento feito pelos policiais, que fizeram o favor de não ligar as sirenes por questões óbvias. Justin fugiria e meus pais acordariam, e eu pedi encarecidamente que nenhum deles ficasse sabendo, com a desculpa de sermos novos na cidade e isso os preocuparia, o que não deixa de ser verdade.

Um policial armado pega Justin por trás, algemando-o de imediato, outros correm, esperando que ele reaja. Mas o mesmo não o faz. Nem mesmo muda de feição. Ele apenas deixa ser levado pelos tiras, colocado dentro da viatura sem dizer uma palavra ou fazer qualquer esboço de fúria. No mínimo muito estranho.

Quando não há sinal de perigo, eu desço para agradecer ao xerife que me atendeu e me ajudou. Caminho de extrema vagareza, pisando em folhas secas da terra úmida. Ainda estou receosa, mesmo que Justin esteja preso no carro. Quando se trata dele, tudo é imprevisível, o que me assusta, de fato.

— Olá. — aproximo-me de um homem robusto, que anota algumas coisas em um pequeno bloco de papel e fala com uma escuta próximo ao seu peito. Ele me parece bonito, embora seja bem mais velho.

— Olá, garota corajosa. — um sorriso se abre entre seus lábios, o que me faz simpatizar de imediato. — Estou muito surpreso como conseguiu lidar com essa situação. Justin Bieber é nossa dor de cabeça constante, o doente vive fugindo e atormentando cada cidadão de Blue Ridge. Peço desculpas que tenha sido perseguida, logo nos primeiros dias de estadia. Ele não será mais uma ameaça, até porque o mesmo fica em um hospício um pouco afastado daqui, e vamos pedir para reforçarem a segurança.

— Na verdade, sou a nova enfermeira do Sanatório onde ele está internado. — seu rosto converte para algo muito interessado, provavelmente se perguntando o que uma menina tão nova faz trabalhando naquele lugar horrendo.

— Qual é o seu nome? — ele me olha intensamente, dando um leve sorriso de lado.

— Selena.

— Bom, eu sou o xerife Orlando Bloom, aqui está meu número. — ele diz o que eu sabia, pois já havia lido no crachá da sua farda. Orlando escreve no bloquinho de papel e me entrega. — Ligue sempre que precisar, sempre que correr perigo. Aquele carinha é muito perigoso, e não acho que deva descansar agora que você o enganou. Sua segurança está em risco e será um prazer pra mim te ajudar sempre que necessário. E também, se quiser tomar um café, estou a sua disposição.

Dou um sorriso de boca fechada, corando com esse flerte e sua atenção sobre mim. Fico grata e ao mesmo tempo envergonhada. De qualquer forma, o xerife tem razão. Não acho que Justin vá lidar com isso muito bem, ou me deixe em paz. Um fator alarmante.

Contudo, eu me despeço e agradeço novamente. Se houvesse alguma falha, eu certamente não saberia o que ia acontecer comigo. Estou orgulhosa de mim mesma, mas ainda sim me pergunto, será que tenho capacidade o suficiente para lidar com os novos desafios que virão?


08h34min AM.

Quando acordei hoje de manhã, estava disposta a me demitir. Para ser sincera, foi isso que vim fazer no Sanatório. Afinal, eu teria direito de exigir meu pagamento só pelo trauma de ser assediada por um paciente e ter corrido tanto perigo, teria mais tempo de arranjar outro emprego. Mas, pode parecer loucura, eu mudar de ideia? Quero dizer, eu tenho a proteção do xerife, embora a porcaria do celular não tenha tanto sinal. Eu me saí bem ontem, além de que agora vão reforçar a segurança no Hospital. Então, por que eu não iria ganhar dinheiro aprendendo mais sobre a profissão que quero exercer, ao invés de lavar pratos? Estaria me arriscando, mas o que é a vida sem correr riscos?

Teria que lidar com a raiva de meu pai, lidar com as preocupações da minha mãe e com minha segurança em jogo, mas fora isso, daqui a algum tempo só lembrarei de tais ocorrências como uma experiência. E ficaria no meu currículo! Se parar pra pensar, tudo se encaixa perfeitamente.

Pode até se dizer que estou perdendo de vez o juízo que me resta, mas encarar o medo frente a frente ocasionou uma coragem em meu interior da qual eu nem sabia que existia. Correr o risco, pensar, agir rápido. Algo que eu não faria nem em um milhão de anos. Seria loucura, dizer que eu me sinto mais confiante?

Verifico todo o ambiente. Esse local daria um belo quadro, algo triste e melancólico, mas bonito e misterioso... Como Justin! As folhas secas, o cheiro de terra molhada, o silêncio e árvores apenas com galhos, tudo me parece mais interessante.

— Uau. Então a novata resolveu voltar? Que atrevimento. — assusto-me ao ouvir a voz de Samantha, que fuma sentada na pequena fonte sem água. Ela o joga no chão e pisa com sua sapatilha preta, apagando o resquício de fogo deixado pelo tabaco. — Você me surpreende cada vez mais, Seleninha.

— Do que está falando? — questiono, me aproximando, um pouco confusa com suas palavras.

— Ouça, todos já sabem da fuga do paciente Bieber, ontem. A diretora não está nada contente, até porque o xerife exigiu a contratação de dois guardas a mais, além de que os enfermeiros farão plantões mais extensos. Graças a você. — aperto os olhos, chocada com as consequências que isso resultou e ainda desorientada por não saber a que ponto a menina quer chegar. — Mas não foi isso que me fez ficar arrebatada. Foi o fato de que, querendo ou não, você despertou a curiosidade dele.

— Como?

— Argh, do paciente Justin Bieber. Por Deus, é tão lenta assim ou apenas se faz de idiota? — hostil, arqueia sua sobrancelha fina e me encara com superioridade. Nesse momento, incomodo-me de forma que ela perceba que sua tonalidade é desprezível.

— Por que está sendo tão grosseira? — pergunto, indignada com tal intimidação.

— Ouça, sabe bem que Justin Bieber têm interesse em você, do contrário, não a teria perseguido. Seu progresso era notório, mas então você chegou e ele voltou às origens de predador maluco. — retira outro cigarro do bolso em seu uniforme branco, e eu acabo me perguntando: ela não para de fumar um minuto, só um? — Meramente, digo para ter cuidado, Seleninha. Sabe bem que a beleza de Justin é magnífica e não se apaixonar pelo mesmo é um desafio quase que impossível. Ele sabe usar as palavras certas, sabe mexer com seu psicológico. E, você sabe o quão errado seria um médico se envolver com um paciente, não é mesmo? Jamais poderia exercer profissão na área de saúde e creio até em alguma importante.

Seu tom ameaçador me causa náuseas. Essa conversa passa dos limites cada vez mais. 

— O que está insinuando?

— Nada. Apenas que, se for permanecer aqui, tenha cuidado. — dá uma risadinha medonha, enquanto sopra a fumaça fora. Não sei ao certo o que ela quis dizer com esses comentários inadequados, todavia, ignorá-los é o melhor que eu posso fazer. Já bastam os problemas que arrumei apenas em um dia.

— Obrigada pelo conselho, sei que você tem as melhores das intenções. — dou um sorriso forçado, tateando os botões da minha farda. Minha frase, esbanjando ironia, causa-lhe certo impacto, eu noto.

Deixando-a sozinha, sigo em direção à recepção do sanatório enquanto afundo minhas sapatilhas na areia seca. Não sei bem ao certo se o que a ruiva acabara de me dizer possa se classificar como ameaça ou sequer entendi sua avaliação imprópria.

— Bom dia senhorita Gomez. Estava a sua espera. — meus pensamentos são cortados assim que ouço a voz da diretora, assim que adentro a recepção. Vejo-a sentada da mesma maneira desengonçada de ontem, só que desta vez, não estou nervosa. — Queria pedir minhas sinceras desculpas pelo incomodo de um de nossos pacientes. Não vai se repetir. — a mulher fala, como se tivesse decorado. O que me surpreende, de fato. — Se pudermos esquecer isso, ficaria feliz em dizer que terá uma melhora na segurança e já estou com sua lista de afazeres de hoje.

— Espere, não vai me demitir? — pergunto; deveras chocada. Já havia até pensado em milhões de expressões memorizadas para convencê-la a me deixar ficar.

— Como sabe, senhorita Gomez, precisamos muito de enfermeiros. E depois do ocorrido, não creio que alguém vá querer trabalhar aqui, portanto, você é de extrema... Importância na nossa equipe. — sua feição de enojada só prova o quanto lhe doeu falar tal frase. — Não há mais com o que se preocupar. Afinal, não queremos que os louquinhos fujam, não é mesmo? — de repente, uma risada estridente com sons semelhantes a um porco ecoa pelo local, mostrando seus dentes amarelados. Acho realmente que ela foi um leitão em suas vidas passadas. — Então, o que me diz?

— Eu adoraria continuar na equipe. — digo. — Com uma condição.

Seu sorriso se desmancha por completo, onde renasce sua verdadeira face séria e ignorante.

— E qual seria, senhorita Gomez? — nota-se a impaciência e arrogância escondida no seu timbre, que ela tenta ao máximo esconder.

— Quero um aumento de salário.

— O QUÊ? — grita; como se ouvisse a maior calamidade da história. — Que absurdo! Há muitos médicos e enfermeiros experientes por aqui que nunca receberam um aumento. Por qual motivo a senhorita seria especial?

— Bem, ontem eu tive uma experiência nada agradável. Pense no desastre que poderia ter sido, caso a policia não chegasse a tempo? Por erro seu, atrevo dizer. — seus olhos se arregalam, como se ela dissesse “cuidado com que vai falar”. Já eu, mantenho o coração acelerado, por jamais ter sido tão invulgar. — E, considerando que sou de extrema importância, como a senhora disse, sairia mais barato aumentar o meu salário mensal do que perder uma grande ajuda aqui no hospital. Garanto que não arranje pessoa mais qualificada do que eu, interessada e determinada. Não nessa cidade.

Com massageando mão no peito (provavelmente para conter o quase-infarto) ela praticamente deita-se na cadeira de plástico, como se pensasse com desdém.

— Tudo bem. Passe aqui mais tarde, para resolvermos esse assunto em particular, com calma. — assinto a cabeça, sabendo que não receberia melhor resposta que essa. — Mudando de assunto, minha cara... Quero dizer sua primeira tarefa no dia. Quero que vá até a ala oeste, para ajudar com o banho dos pacientes.

Sem mais delongas, sigo até a ala, feliz da vida. Nunca foi meu plano um aumento de salário, acho que explorei da situação em si, que acabou resultando em uma ótima oportunidade. Caso eu conseguisse mesmo, será ainda mais rápida a minha estadia em Blue Ridge.

Dou de cara com duas portas juntas de empurrar, é de cor creme e com uma listra azul-bebê passando pelas duas. Há uma pequena plaquinha ao seu lado, onde diz: “quarto de banho”, confirmando minha breve dúvida. Entro no ambiente, visionando cada detalhe da enorme sala úmida. As paredes, de lajotas de cerâmica, deixam-a um pouco escura.  Há varias banheiras (no máximo, sete), todas iguais, e ao lado das mesmas, uma cadeira de madeira, que eu suponho serem para o auxiliar.

Ao percorrer ainda mais meus olhos perante a área, meu coração dispara, como se visse um fantasma, assim que enxergo claramente um garoto de costas em uma das banheiras. Não. Não é só um garoto. É Justin. 

— Preciso que cuide desse paciente, pois já estou terminado com o senhor aqui. — uma enfermeira baixinha e aparentemente velha, diz ao enrolar um homem idoso, que permanece parado e olhando para um lugar aleatório e fixo, na toalha.

— Espere, você vai sair? — indago nervosa, pois restaríamos apenas eu e ele aqui. Praguejo esta maldita coincidência. Poderia ser qualquer outro doente, qualquer um!

— Sim, não está vendo? — intolerante, a mulher anda calmamente com o idoso até a porta, sumindo das minhas vistas logo em seguida. Eu já nem sinto meu corpo de tão amedrontada. Creio que toda aquela confiança adquirida ontem se esvaziou por completo.

Ando devagar até seu corpo imóvel. Temo que tamanha bonança seja o sinônimo de muitos pensamentos. Pensamentos violentos. Pensamentos violentos com minha pessoa.

Sento no pequeno banco que há ao lado da banheira branca, tentando ao máximo não fazer alarde. Sendo que, seja impossível não pensar que o garoto possa me afogar a qualquer momento. É tão imprevisível que se eu gritasse creio que em dois segundos estaria morta.

Seus olhos caramelados, vidrados na janela de vidro fosco da qual mostra nada mais que borrões de cores do limitado céu cinza e com poucas nuvens, me encaram com tamanha intensidade, quando notam minha presença.

— Como vai, amor? — arrepio-me só de ouvir sua voz; a maneira como me chama. Aterrorizante e sensual. É uma das suas táticas infalíveis de sedução ou mera naturalidade do seu ser magnífico?

Faço ambas as mãos de concha, mergulhando-as sobre a água morna de sua tina. Hesito em aproximar-me, com um medo distinto. Então, um sorriso grande e travesso brota em seus lábios avermelhados. Ele é uma obra de arte; sombrio e belo.

— Não precisa ter medo de me tocar. — diz baixinho.

Ainda acanhada, jogo a pequena quantidade de líquido em seu pescoço nu, que se mantinha seco até então. Sinto algo incomum tocando-o enquanto o mesmo me olha dessa forma tão invasiva, tornando tudo ainda mais difícil de manter no profissional. Porém, eu tento.

— Deveríamos conversar sobre ontem. — anuncio, depois de um minuto em silêncio. Movimento com delicadeza um pedaço de sabão em seus braços grossos, repletos de tatuagens. — Mas antes, quero te fazer uma pergunta.

— Prossiga. 

— Isso complicou com o seu tratamento? — refiro-me a o acontecimento da noite anterior. Enxáguo a parte ensaboada com esmero, então, ele suspira e fecha os olhos. 

— Quer saber se tive tratamento de eletrochoque? A resposta é sim. — profere sem mais nem menos, adivinhando meus pensamentos. É inevitável não me sentir triste, nunca quis feri-lo, só queria proteger a mim mesma. — Mas não se sinta culpada, baby. Eu já sabia que aconteceria.

— Como? — intrigada, questiono. 

— Dei-lhe uma ordem completamente descabida. Queria ver até onde iria, como sairia de tal situação inoportuna. Confesso,  sua coragem de tentar me enganar e o modo como me enfrentou, surpreendeu-me. Acho que gosto de você ainda mais. — mil reflexões passam por minha mente agora, estou de queixo caído. — O que foi, amor?

— Então você já sabia que eu provavelmente chamaria a polícia? Sabia que eu daria um jeito de me livrar de você? Mas me atormentou para ver até onde iria minha astúcia? Você...

— Ei, amor... — seu polegar segura o meu queixo de leve, fazendo-me calar a boca. — Estava tudo conforme o plano. E você se saiu muito bem. 

— Justin Bieber. — alguém entra de feitio veloz no lavabo, o que me assustou, pois estávamos muito próximos. Olho de imediato, concluindo ser um médico (por seu uniforme diferenciado). Ele nos encara, impaciente. — Você tem terapia agora.

Talvez, por ainda estar impactada com a revelação antecedente e com o susto há pouco, ao menos percebo quando Justin pula da banheira e cobre-se com uma toalha branca, amarrando na cintura. Ainda sentada no pequeno banco, observo sair com o doutor. Entretanto, para minha surpresa, o garoto vira-se para mim, e com mais um de seus sorrisos sorrateiros, exclama: 

— A propósito, você não precisava ter me dado banho; seu trabalho é apenas supervisionar se vou me matar afogado ou fugir pela janela. Mas eu gostei de te ter tocando minha pele, mesmo que por alguns minutos.

Agora sim, estou devidamente chocada. 

 

Observando cada movimento, neste tolo jogo de amantes. 

Assombrada por uma noção, de que, em algum lugar, há um amor em chamas.

Take my breath away

 


Notas Finais


E ai, meu povo lindo?
Eu sei. Eu sei. A fanfic ficou em hiatus (por um BOOM tempo). Mas eu estava quase desistindo, não tinha mais vontade de escrever. Entretanto, cá estou eu ressurgindo das cinzas com um capítulo novinho em folha, pronta pra dar continuidade a blue ridge. E quero agradecer a vocês por todos os comentários puxando minha orelha pra continuar, elogiando a fanfic... isso realmente me motivou de uma maneira que vocês não tem noção.
E,, queria esclarecer uma coisa: Justin tem sim uma personalidade complexa, tem problemas psicológicos e é (talvez) um criminoso. Mas ele NÃO vai fazer nada de ruim a Selena, como torturá-la, bater ou entreoutros. Pelo contrário. A relação deles será imprópria e excêntrica sim, mas sem violência de qualquer tipo. Certamente que quando criei essa fanfic, minha mentalidade era outra. Hoje em dia eu já me sinto desconfortável em romantizar algo nessas circustancias, mas vale ressaltar que eu amo esse enredo e que isso trata-se apenas e unicamente de uma história FICTÍCIA.

Bom, é isso. (ah, e no próximo capítulo vai ter ashlena e selnessa, tudo que tem direito). Um beijão e até a próxima!!!!! ♥️


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