História Blue Room - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Drama, Fanfiction, Kpop, Minyoongi, Português, Romance, Suga
Visualizações 75
Palavras 5.557
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Desculpem qualquer erro e pela demora, mas o capitulo ficou realmente grande e estou morrendo de sono, por isso só revisei uma vez. :)

Gostaria que comentassem para que eu saiba se estão gostando ou não, só um "AAAAAAAAAAAAAAA" serve bnfgnbgnbkjgnbl

Boa leitura, gente <3

Capítulo 10 - 8


Fanfic / Fanfiction Blue Room - Capítulo 10 - 8

- Você não sabe tocar mais nada? – YoonGi questionou olhado por cima do próprio ombro, em minha direção. Quando acabamos a musica, decidi que seria melhor me afastar, estava começando a duvidar do meu próprio autocontrole e se algo acontecesse além do que já havia acontecido eu certamente não conseguiria mais o encarar. De novo.

Balancei a cabeça negando enquanto batucava minhas unhas no chão ao lado do puff. O local era muito confortável, e estava começando a se transformar em minha zona de conforto ali, na faculdade.

- Tive que aprender essa para um recital no primário, e só aprendi porque meu pai, apesar de não gostar muito de musica, não queria que os outros pensassem que sua filha era uma inútil. – Sorri triste, mas logo me perguntei o que diabos eu estava fazendo. Olhei para ele, pelo canto dos olhos, mas logo voltei a minha posição. – Ah... - Encarei o teto, envergonhada. Aquela havia sido a primeira vez que eu falava sobre o assunto, nunca tinha visto necessidade, ou se quer oportunidade para falar de minha vida com outra pessoa, mas nem queria. Só que ali, naquele momento pareceu tão simples; tão natural e confortável... – Mesmo que eu quisesse aprender mais, eles não permitiriam. – Encolhi meus ombros.

- hm... – YoonGi ficou em silêncio por um tempo e então quando estava começando a me sentir idiota por ter contado aquilo, ele se pronunciou. – Eu posso te ensinar se quiser. – Foi um murmúrio incerto e posso dizer que até, de certo modo, tímido. Sentei-me ereta e movi meus olhos rapidamente em sua direção. Ele não olhava para mim, mas tinha sua atenção não no piano, mas na parece azul acidentada. Sorri sutilmente.

- Não se incomode. – Maneei minha cabeça.

- Não vou. Você está aqui, de qualquer forma. Não vai interferir em nada. – Agora ele soava indiferente. Talvez eu já estivesse começando, para felicidade dele, a me acostumar com sua mudança de humor. Se juntasse tudo, no final, Min YoonGi tinhas mais prós do que contras, para a tristeza de meus sentimentos recém descobertos por mim.

- Okay. - Quando respondi consegui sua atenção de volta, ele pareceu levemente surpreso, mas logo tratou se recompor.

- Achei que ia recusar mais algumas vezes antes de aceitar. – Ergueu as sobrancelhas sorrindo sarcástico. Revirei meus olhos e voltei a me deitar, a sala ficou silenciosa novamente. Ao contrario do que geralmente acontecia, eu não me sentia desconfortável com o silencio entre nós, pois sabia que se algo estivesse errado, pelo menos da parte dele, seria revelado. Talvez fosse um dos prós de YoonGi.

Não fazia ideia de que horas eram, mas queria que o tempo passasse o mais devagar possível, pois quando a noite chegasse eu teria que voltar para casa, e não queria isso. Mesmo não sendo a primeira vez que algo tipo acontecia, a volta para casa sempre era incerta, eu não sabia o que poderia esperar da minha mãe ou de meu pai, não fazia a mínima ideia do que se passava na cabeça de cada um deles, mas eu tinha medo disso. A cada dia que passava mais eu queria sair de lá, mais eu queria que o tempo corresse e mais eu queria que as coisas começassem a dar certo.

- YoonGi? – O chamei, ainda com meus olhos fechados, ele apenas resmungou um baixo sim. – Você pode tocar alguma coisa, por favor? – Pedi, mas em minha cabeça eu estava implorando.

- Por quê? – Questionou com curiosidade na voz e senti que ele me olhava, apenas sorri e suspirei.

- Não quero ouvir meus pensamentos.  – Falei tão baixo que não estava certa se ele havia escutado e entendido, mas concluí que tinha quando uma melodia desconhecida por mim tomou conta do local e logo depois, como o esperado, afastou meus pensamentos. Pela segunda vez naquele dia me sentia agradecida a YoonGi, por me abraçar quando eu precisava, por me distrair, por estar tocando para mim ... Simplesmente agradecida por sua presença, mesmo que às vezes irritante.

A melodia era extremamente linda e agradável, sentia meu corpo relaxar quase que instantaneamente pela primeira vez naquele dia, e ao contrario do que deveria fazer me sentei novamente não conseguindo evitar o olhar. Sentia a estranha necessidade de observá-lo tocar. Queria ver com meus próprios olhos o que Namjoon havia me dito antes, e eu vi.

YoonGi estava imerso na musica, seus olhos fechados e lábios minimamente separados entregavam sua concentração. Ele era tão lindo.

Passeei meus olhos por sua postura ereta, por seu maxilar bem desenhado, por seus lábios finos e avermelhados, por seu cabelo azul que já começava a desbotar e sentia meus batimentos acelerando a cada centímetro.

Min YoonGi era uma obra de arte, sem tirar nem por.

Eu estava perdida.

 - Ainda não acabei de compor. – Disse ao parar de tocar. Passou uma de suas mãos pelo pescoço e fixou seus olhos nos meus. Sua expressão era quase apreensiva, como se não estivesse certo se havia feito um bom trabalho, como uma criança. Não hesitei sorrir ainda enviesada.

Então ele havia composto aquela musica?

- É maravilhoso. – Murmurei desacreditada e em transe. – Sério! Isso foi perfeito. – Pisquei algumas vezes. Não conseguia descrever a sensação que estava sentindo.

- Não exagera. – YoonGi se levantou. Balancei a cabeça afobada, tentei me levantar em um impulso e acabei me desequilibrando, mas antes que pudesse cair sentada no puff novamente, YoonGi segurou em meus pulsos impedindo a queda. Ele me puxou e, de pé, por conta da forca do puxão, cambaleei para frente até que batesse contra seu corpo. Soltei um grito não muito alto e o ouvi rir. – Desastrada. – Disse com suas mãos ainda segurando meus pulsos, agora contra seu peito. – Você é tão baixinha. – Murmurou. Eu podia sentir sua respiração sobre minha testa, e podia sentir meu coração bater descontroladamente. Ele também conseguia sentir? Esperava que não.

 Por mais que eu tentasse sair dali, não conseguia, era como se um campo magnético me mantivesse ali, parada em sua frente, muito perto, como de manhã.

Mesmo receosa comecei a subir meus olhos até que me deparasse com o sorriso relaxado em seus lábios.

- Por que seu pulso está acelerado, ChaeHee-ah? – Ele podia não conseguir sentir a força com a qual meu coração batia desesperadamente contra meu peito, mas seus dedos em meu pulso sentiam.

Para minha sorte, a maçaneta da porta começou a ser forçada, e o barulho fez com que YoonGi me soltasse e se afastasse, dando alguns passos para trás. Engoli o bolo que estava estagnado em minha garganta e ouvi a voz de Namjoon soar do outro lado da porta.

- Por que essa merda tá trancada? – Resmungou usando sua chave para abri-la antes que YoonGi pudesse o fazer. – O que estão fazendo parados em pé ai? – Ele segurava uma das alças de sua mochila e olhava na direção do amigo de forma sugestiva.

- Esperando para ver se a ChaeHee cresce alguns centímetros. – Ironizou em meio a um breve riso. Ergui minhas sobrancelhas. – E você? Suas aulas já acabaram? – Questionou, mas de forma desinteressada. Namjoon assentiu.     

- Já podemos ir almoçar, estou com fome. – Divagou e olhou para mim. Sentia-me uma idiota ali, parada a alguns passos de YoonGi com meu coração ainda acelerado. – Você vem com a gente, ChaeHee? – Perguntou com expectativa.

- Vou a levar no restaurante hoje.  – Ia dizer que sim, até porque ir para casa não era uma opção, mesmo que eu não comece nada, ainda sim faria companhia a eles. Mas Min YoonGi foi mais rápido que eu. Admito que havia esquecido da proposta do menino, mas realmente não lembrava de ter me dito que iríamos lá. Apesar do fato de que eu muito provavelmente iria aceitar, não tinha dito sim ainda.

Olhei de Namjoon para YoonGi com minha testa franzida, mas ele apenas desviou seus os olhos dos meus. Pela primeira vez podia dizer que YoonGi não sabia o que falar.

- Restaurante? – Namjoon questionou. – Seria o restaurante onde você trabalha? – Ele parecia tão confuso quanto eu, o que me deixava um pouco mais relaxada. Se nem mesmo ele entendia o amigo, por que eu deveria?

- Não, vou levar ela em um encontro, Namjoon. – Revirou os olhos ao mesmo tempo em que arregalei os meus. Meu coração parecia não compreender os níveis de ironia de YoonGi do mesmo jeito que meu cérebro. – Estamos precisando de ajuda, e ela esta precisando de um emprego. – Deu de ombros após proferir a frase autoexplicativa.

- Ah... – Cocou a cabeça olhando brevemente para o chão. – Mas vocês vão agora? – Eu ainda não tinha falado nada, então resolvi me pronunciar. Não por que o que YoonGi havia falado estivesse errado, eu precisava daquele emprego e quanto mais rápido, melhor, mesmo que houvesse sido pega de surpresa, mas porque Namjoon parecia um pouco decepcionado, e sua expressão estava me deixando incomodada.

- Nós podemos comer com você e depois ir. – Comprar um Kimbap não me mataria, certo?

Sorri em sua direção e ouvi YoonGi soltar um chiado.

- Não tem problema?

- Não. – Dessa vez eu respondi antes que YoonGi pudesse ser rude novamente. Ele não parecia muito feliz.

- Então vamos. – Falou se virando e logo saindo da sala. Olhei para YoonGi que me encarava com uma expressão nem um pouco amigável, como na primeira vez que havia posto seus olhos escuros sobre mim, pressionei meus lábios um contra o outro e abaixei minha cabeça suspirando.

- Qual o problema? – Arrisquei quando o ouvi bufar.

- Você. – Pegou sua mochila e passou por mim indo na mesma direção de Namjoon, e como no primeiro dia, voltou e me olhou com seus olhos afiados. – Não vai sair? Tenho que trancar a porta.

 

 

- Então você realmente tocou sem que eu estivesse lá? – Namjoon balbuciava enquanto acabava de comer. Ri e assenti sentindo o olhar de YoonGi sobre mim.

- Não é como se você houvesse perdido alguma coisa. – Alfinetou com as sobrancelhas erguidas, como se esperasse uma resposta de mim, mas apenas fiquei calada e observei Namjoon beber o restante de seu suco.

Estava me odiando por ficar sentida com todas as merdas que ele falava, mas não rebateria, não estava com cabeça. Era muito difícil ficar com aquela linda boca fechada se não tivesse algo de útil para falar?

E eu havia achado que tinha começado a me acostumar...

Teria que fazer alguma coisa, não poderia deixar que ele me atingisse tão fácil assim.

Que merda, Min YoonGi!

- Parece que você ainda está sendo um babaca com ela. Achei que tinha parado com isso quando foi esperar ela no ponto essa manhã. – Não, Namjoon, ele só estava lá para estragar meus planos.

Não olhei para ver a reação do menino ao meu lado, mas provavelmente só havia feito sua usual cara de tédio e revirado aqueles olhos lindamente irritantes.

Eu não conseguiria mais o insultar devidamente?

- Não acho que seja da sua conta. – E então sua voz soou baixa e tensa.

Realmente, qual era a porra do problema dele? Sempre havia sido assim até mesmo com Namjoon? Mas então por que as coisas não pareciam certas?

Estava começando perceber que YoonGi ficava mais suportável quando estávamos apenas eu e ele.

- O que? – O questionamento de Namjoon saiu em meio a uma risada descrente, fechei meus olhos e passei a mão por meu rosto.

Okay, eu já estava saturada, e se era para presenciar uma discussão sem sentido entre eles dois, eu preferia apenas ir embora.

Já estava sinceramente exausta e de saco cheio daquele dia. Não conseguiria pensar direito se fosse para conversar com gerente de YoonGi, e não conseguiria aguentar mais seu humor. Não naquele dia.

Levantei-me despindo o casaco sem muita vontade e colocando em seu colo, murmurei um breve tchau e caminhei para a pequena escada, descendo logo depois, sem nem saber se os dois tinham realmente percebido minha saída.

Não sabia ao certo o que ficaria fazendo até anoitecer, mas acharia alguma coisa, ou apenas ficaria sentada ouvindo musica do banco de uma praça.

Havia andado no máximo três metros e ia atravessar a rua quando longos dedos gelados seguraram em meu braço impedindo que eu avançasse, e pelo arrepio já conhecido por mim, sabia muito bem quem era. Suspirei antes de me virar para encará-lo.

O menino me olhava atentamente e segurava o casaco na outra mão, mas eu não conseguia descrever ou compreender sua expressão, talvez estivesse cansada de mais mentalmente para aquilo. Esperei que ele falasse alguma coisa, mas como não disse nada levei minha mão até a sua notando a imensa diferença de tamanho e a soltei de meu braço de vagar.

Não avistava Namjoon, que havia provavelmente ficado na loja.

- Você quer falar alguma coisa, ou já posso ir? – Murmurei desviando meus olhos. Minha voz estava arrastada e pareceu o despertar de algum tipo de transe, pois assim que termine de falar, sua voz rouca soou.

- O que você está fazendo? – Estava sendo impassível; quase calmo. Eu realmente odiava muito suas mudanças de humor, talvez por não conseguir saber qual seria sua próxima ação.

- O que você está fazendo, YoonGi? – Questionei querendo saber, de verdade, quais eram suas intenções. – Eu estou cansada, sério, estou exausta, minha cabeça voltou a doer e você não me ajuda. – Exclamei ciente de que minha voz muito provavelmente estava embargada. – Não estou pedindo nada, você me ajudou bastante hoje me distraindo, mas parece que você só complica mais as coisas, e eu não preciso disso, não hoje. – Balbuciei rápido. – Aish. – Esbravejei frustrada. - Então eu vou embora, e você se desculpa com Namjoom por ser um idiota, ele não te fez nada. – Pisquei suspirando. – E se ainda quiser que eu vá ao restaurante por causa do emprego amanhã, eu vou. – Encolhi meus ombros me sentindo um pouco melhor depois de falar o que eu queria.

- Me desculpa, mas você não vai embora. – Murmurou dando um passo a frente e esticando os braços ao lado de meus ombros de modo que pudesse colocar o casaco em minhas costas. – Veste. – Olhei para cima, para seus olhos de forma estupefata. Ele tinha escutado o que eu havia acabado de falar?

- Yoon... – Me calei quando o mesmo aproximou mais seu rosto do meu, deixando nossos olhos na mesma altura. Automaticamente cambaleei para trás encostando mais no casaco.

- Yoon o caramba, você não vai a lugar nenhum. – Resmungou levando as mangas do casaco até minhas mãos. Ele ia realmente vestir o casaco em mim? – Sobre te tirar do sério, não vou me desculpa, você faz o mesmo comigo, mesmo sem querer. – Me mantive calada. – E nós vamos lá hoje, você precisa de dinheiro. – Não pareceu um pergunta, e sim uma afirmação. Ele deu um passo atrás. – Além disso, você não quer voltar para casa agora, quer? – Neguei lentamente e vi o sorriso ladino crescer em seus lábios, o que tirou meu fôlego. – Você basicamente não tem muita escolha, ChaeHee. – Levantou as mãos. – E quanto a sua dor de cabeça, vamos arrumar um remédio, e prometo tentar não te deixar maluca até o fim do dia.

Fiquei apenas o fitando, séria.

- Por que quer que eu me desculpe com Namjoon? – Virou a cabeça olhando para seu lado, não me movi, agora olhava para sua bochecha. – Não é como se tivesse feito algo demais... – Pigarreou parecendo não saber ao certo para onde olhar.

- Eu não gosto quando você é um babaca com ele de graça. – Murmurei e o observei me olhar brevemente, ainda com a cabeça virada em outra direção.

- Não gosta? – Umedeceu os lábios e ergueu a cabeça olhando sobre meu ombro e focando seus olhos no outro lado da rua. – Por quê?

- Que? – Me distrai com a melhor visão de seu maxilar, como uma idiota.

- Deixa pra lá. Vamos. – Desviou seus olhos para mim rapidamente antes de seguir para a Loja.

Lá íamos nós novamente.

 

Namjoon se encontrava com os cotovelos sobre a mesa de vidro e com o rosto sobre as mãos, era adorável. Quando nos viu logo se sentou ereto e fitou YoonGi.

- Tudo bem, ChaeHee? O que aconteceu? – Dei de ombros sorrindo em sua direção.

- Nada, não se preocupa. – Do que adiantaria comentar sobre minhas intrigas com Min YoonGi? Não faria sentido. – Só estou um pouco cansada. – Assenti me virando apenas para ver YoonGi, com a mochila pendurada em um ombro, de pé ao meu lado parecendo um pouco impaciente.

- Então vá descansar. – Respondeu como se fosse obvio. – Você pode ir com YoonGi depois, não precisa ter pressa, certo?  - Expirei pela boca e abri a boca algumas vezes antes que de fato falasse alguma coisa.

- Não, acho melhor ir de uma vez. – Ele pareceu contrariado, mas se queria dizer mais alguma coisa preferiu não o fazer. Namjoon assentiu e forçou um sorriso.

- Podemos ir agora? – Apenas balancei minha cabeça e acenei para Namjoon que acenou de volta, com um pequeno sorriso nos lábios, novamente prestei mais atenção nas covinhas em suas bochechas e conclui mais uma vez que Namjoon era realmente bonito e fofo. Ao contrario de Min YoonGi a quem eu observava varias vezes frequentemente, não havia reparado muito em Kim Namjoon, mas isso não era hora, era?

- Tchau. Não se força muito, okay? - Balancei a cabeça e me virei.

- Pode deixar. – E assim segui Min YoonGi  escada abaixo.

 

Se eu dissesse que minha mente havia dado um tempo de YoonGi no caminho até a estação de metro eu estaria mentindo descaradamente. Mesmo sem termos trocado uma palavra em todo o trajeto, e só o seguisse de perto o observando segurar a alça de sua mochila com certa força, eu sentia que ele não estava exatamente bem, mas estava com receio de perguntar qual era o problema.

Mexia meus dedos, nervosa.

Paramos e esperamos que o veículo chegasse. Não sabia onde ficava o tal restaurante, mas também não perguntei. Ao meu lado o menino parecia pensativo. Fitei sua mão que apertava a alça com muito mais forca que antes, franzi minha testa apreensiva e sem pensar muito levei a mão até a sua sentindo seus dedos rígidos pressionados sob minha palma, com cuidado abri um por um até que o mesmo a soltasse. Sua palma estava vermelha e quando fitei seu rosto encontrei seus olhos escuros sobre mim, intensos.

Da mesma forma que antes, abaixei minha mão e voltei a fitar os trilhos, o marulho anunciava que o trem estava chegando e me preparei para adentrar o mesmo. Na plataforma não havia muitas pessoas, ao contrario do vagão que estava cheio, talvez por conta do horário de almoço. Senti YoonGi se colocar atrás de mim e me acompanhar para dentro quando as portas finalmente se abriram, olhei por cima de meu ombro e o encarei.

- Olha para frente, ChaeHee. – Resmungou em desaprovação, fiz o que ele disse passando por entre as pessoas, com YoonGi sempre atrás de mim. Procurei por um lugar no qual pudesse segurar, mas sem sucesso, eu não alcançava a barra superior. Vendo meu pequeno desespero com um sorriso sarcástico nos lábios, Min YoonGi levantou seu braço e segurou na barra, emburrei minha cara sentindo o trem começar a se mover. Ele riu.

Ainda atrás de mim com o sorriso irritante nos lábios ele abaixou a cabeça e sussurrou para que só eu ouvisse:

- Não vou deixar você cair, então tira esse bico da cara. Do que vai adiantar você me xingar mentalmente por ser maior que você? – Fechei meus olhos sentindo os pelos de minha nuca se arrepiarem e dei uma cotovelada na altura de sua barriga. Agora teria que o aguentar falando de minha altura? – Vai, se continuar de pirraça vou te deixar na mão. – E então se afastou novamente. Olhei para minha frente me deparando com o olhar acusador de uma senhora que fitava YoonGi atentamente, franzi minha testa sem entender e fiz o mesmo, virei minha cabeça e o fitei, para minha surpresa ele também me fitava, ainda com o sorriso no rosto. O trem deu um solavanco e arregalei meus olhos, mas como se já esperasse por algo assim, Min YoonGi levou sua mão até meu ombro me puxando contra seu peito.

Fechei meus olhos por um instante e voltei a observar a senhora que agora balançava a cabeça em desaprovação enquanto sentia meu coração voltar a tremer conforme a respiração do menino batia um pouco acima de minha orelha.

Tornei a fechar meus olhos com forca buscando por algum tipo de controle sobrenatural, ou talvez por uma cura milagrosa para as borboletas clichês que pareciam se divertir em meu estomago.

 

O lugar, como YoonGi havia dito nas mensagens, realmente não era muito grande, mas também não chegava a ser pequeno. Algumas pessoas já se encontravam comendo, outras esperavam pela comida e assim que adentramos o local um menino de cabelos acinzentados se aproximou, sorridente, vestindo um avental preto.

- Finalmente, Suga-Hyung – Exclamou sorrindo. Franzi minha testa sem entender. Suga? – Omma já estava pedindo para que te ligasse. – Se pôs a dizer. Olhei para YoonGi.

- Exagero. Não se passaram nem cinco minutos, Tae. – Disse sem muita preocupação, o menino parou de sorrir e inclinou o corpo olhando para mim retomando o sorriso em seus lábios, o que me fez rir.

- Oi, seja bem-vinda ao restaurante da Família Kim. – Soava como uma frase feita, ele reverenciou e voltou a mirar YoonGi. – Você está na frente da menina, Hyung. – Murmurou baixo para ele que apenas revirou os olhos.

- Ela está comigo, Taehyung. – Fez pouco caso olhando para mim. – Tae, essa é Lee ChaeHee. ChaeHee, esse é Kim Taehyung. – Resmungou com a voz arrastada.

- O que? Ela está com você? Como assim? – Taehyung balbuciava afobado. – Você disse que não tinha uma namorada na ultima vez que te perguntei. – Reclamou alternando seus olhos entre nós dois. Senti meu rosto esquentar.

- Aish, para com isso. – Deu um peteleco na testa de Tae o fazendo cerrar os olhos. – Eu a trouxe para ficar no lugar de Hoseok. – YoonGi explicou começando a andar na direção do balcão, apenas o segui junto a Taehyung que estragava a testa, emburrado.

- Bem, seria um milagre se você tivesse arrumado uma namorada humana, de qualquer forma. – Resmungou baixo de modo que YoonGi não ouvisse. Comecei a rir.

Nem o conhecia, mas já gostava dele.

- Onde sua mãe está? – Mais a frente, debruçado sobre o balcão, perguntou. Tae deu de ombros.

- Lá dentro. – Indicou uma porta com a cabeça. Nesse momento um senhor o chamou na mesa e ele seguiu até lá retirando um pequeno caderno e uma caneta do bolso do avental. Me virei para YoonGi.

- Você não havia dito que estava fazendo todo o trabalho sozinho? – Ergui uma sobrancelha esperando uma resposta.

- Não se engane com ele. – Apontou para Taehyung que já voltava. – Só parece útil, mas na verdade é um preguiçoso do caramba. – Acusou Tae que passava por nós indo para trás no balcão.

- Fica mentindo para a Noona, fica. – YoonGi gargalhou.

- Noona? – Olhou para mim. – Como sabe que ela é mais velha que você? – Questionou se desencostando do balcão de madeira, Tae parou com uma jarra de água na mão e piscou.

- N-Não é? – Gaguejou arregalando os olhos. – Desculpa, achei que era. – Riu sem graça. – Então sou seu Oppa? – Perguntou inocente. Tossi sem reação e YoonGi bufou.

- Tae, não inventa, ela é velha de mais para isso. – O fitei com revolta.

- Você por acaso sabe quando eu nasci? – Questionei cruzando meus braços, Tae ainda nos encarava segurando a jarra. YoonGi riu pelo nariz e passou a mão pelos cabelos.

- Eu vi no seu facebook. – Agora eu estava realmente impressionada. Min YoonGi havia me stalkeado? – 1994. Você é um ano mais nova que eu e um ano mais velha que ele. – Balbuciou fazendo Taehyung sorrir malicioso. – Agora para de me olhar assim e vá entregar essa jarra antes que o homem morra de sede. Vou levar ChaeHee para conhecer sua mãe. – O menino apenas assentiu, mas antes de ir olhou para mim sem tirar o sorriso sugestivo do rosto.

- Vai ser muito legal trabalhar com você, Noona. – Ri e segui um YoonGi entediado porta a dentro.

 

A porta dava em um pequeno jardim central coberto, e do outro lado do mesmo, havia mais uma porta. Apenas andei atrás de YoonGi observando as plantas ao meu redor.

Taehyung e YoonGi pareciam próximos, o que me fazia questionar a quanto tempo ele trabalhava ali. Imersa em meus pensamentos nem percebi que subíamos uma escada. Ele abriu a porta que havia no topo e sem mais nem menos jogou sua mochila lá dentro, franzi minha testa, confusa e curiosa.

- É meu quarto. – Como se percebesse minha curiosidade, ele respondeu me deixando ainda mais curiosa.

- Você mora aqui? – Exclamei alto e me repreendi logo depois. – Desculpa, não é problema meu. – Varias perguntas rondavam minha cabeça, mas fazê-las seria muito inconveniente, talvez fosse algo incômodo para ele, e não queria o deixar desconfortável.

- Não, está tudo bem. – Deu de ombros indicando com a mão que eu descesse a escada. – Moro aqui sim. – Não falei nada, mas podia sentir algo de diferente em sua voz.

- Suga? – Uma voz feminina soou, alta, e perto de no primeiro degrau da escada, de pé, uma mulher com os mesmo traços de Taehyung nos observava. – Chegou a muito tempo? Quem é essa? – Questionou curiosa.

- Cheguei agora, Imo. – Falou atrás de mim. – Essa é a ChaeHee, falei dela para a senhora. – Completou parando ao lado dela. Sorri abaixando minha cabeça.

- É um prazer te conhecer. – Sorri ganhando um sorriso meigo de volta.

- Oh sim, que bom que veio nos ajudar, querida. – Disse alegre. – Suga já te falou tudo? – Questionou e neguei. – Hm. Certo, então vamos lá para baixo conversar, e você. – Apontou para YoonGi. – Vá ajudar TaeHyung com os pedidos, se ele quebrar mais alguma coisa não sei o que farei com aquela criatura. – Ele assentiu e me fitou. Fez isso por alguns segundos e se virou seguindo para a porta por onde havíamos passado anteriormente. – Esses meninos ainda vão me enlouquecer. – Comentou sozinha.

Então ela me entendia.

Já no andar de baixo, na sala da casa ela me pediu para sentar e assim o fiz.

- Suga me disse que falaria com você, mas não achei que realmente falaria. – Se sentou ao meu lado trazendo um copo de água e me entregando, agradeci e ela continuou. – Nunca vi alguém tão teimoso. – Sorri. – Você é nova em Daegu, certo?

- Sim, me mudei tem menos de um mês. – Expliquei e a vi assentir.

- Ah sim, não vou te chatear e vou dizer logo. – Gesticulou com as mãos. – Você pode vir trabalhar no mesmo horário que Suga, depois da faculdade e almoçar conosco. De manhã não há muito movimento, só nas férias, mas disso nos falamos quando chegar a hora. – Beberiquei a água prestando atenção em suas palavras. – Você basicamente terá que ajudar a atender e servir as mesas e ajudar na cozinha quando necessário, normalmente eu e meu marido cozinhamos, mas de vez em quando Suga faz uns pratos então se você quiser, ele pode te ensinar. – Estava aprendendo muito sobre Suga naquele dia. – E sobre o pagamento: Nós pagávamos 364.280,76 wons para o Hoseok, está bom para você? – Arregalei meus olhos. Aquilo era sério? Eu não ganhava isso nem se trabalhasse em duas cafeterias em Seul.

- E-Está ótimo. – Gaguejei, eu poderia chorar naquele momento. Ela sorriu.

- Então é isso, não há nada de muito complicado, você pode começar amanhã mesmo, se quiser. O pagamento é todo dia primeiro. – Ela se levantou pegando o copo de minhas mãos, fiz o mesmo. - Pode ir na frente, tenho que pegar alguns guardanapos na estufa.

- Quer ajuda? – Me prontifiquei.

- Ah não, querida, não precisa. – Assenti.

- Muito obrigada mesmo, Ahjumma. – Agradeci a fitando.

- Eu que agradeço. – Pegou em minhas mãos. – Pode me chamar de Imo, como Suga, sim? – Assenti sorrindo. – Agora vai lá. – Me levou até a porta.

Ao voltar para o restaurante pude perceber que o local estava muito mais cheio do que antes. Procurei YoonGi com os olhos e o encontrei atrás do balcão, com um avental, mexendo do que parecia ser o caixa. Andei em sua direção passando por Tae que equilibrava uma bandeja nos braços.

- Muito trabalho, Suga? – Falei sorrindo utilizando seu aparente apelido e recebi um olhar atravessado.

- Não me testa, Dongsaeng. – Desfiz meu sorriso. – E então, somos agora colegas de trabalho? – Questionou apoiando os cotovelos. No balcão, encolhi meus ombros assentindo e percebendo mais uma porta, essa atrás do balcão. Talvez fosse a cozinha. – Nós vamos nos divertir muito, certo? – Sorriu maldoso e revirei meus olhos, mas sentindo o frio em meu estomago se aflorar.

 

A tarde foi basicamente resumida em observar as pequenas discussões entre YoonGi e Taehyung e ajudar Imo a descascar alguns legumes depois de tomar um remédio para minha dor de cabeça. Fui apresentada ao senhor Kim que naquele dia estava na cozinha.  Eu incrivelmente havia me sentindo muito bem entre todos ali, e estava realmente muito agradecida não só a YoonGi, mas a cada um deles por terem transformado um dia que tinha tudo para ser horrível em algo bom.

Agora eu tinha um emprego muito bom e podia dizer também que tinha amigos que se preocupavam comigo, e aquilo estava sendo melhor do que eu poderia imaginar.

Quando o sol já começava a se por e os clientes já haviam saído, Imo pediu que YoonGi me levasse ao ponto de ônibus mesmo que eu houvesse negado, e assim lá fomos nós.

Andamos sem dizer nada até chegarmos ao ponto.

- Obrigada. – Quebrei o silencio, mas sem o olhar. – Se não fosse por você, eu não teria conseguido um trabalho tão bom, tão rápido. – Divaguei olhando para meus tênis.

- Não agradeça, isso foi um favor, se lembra? Você me deve uma agora. – Me lembrei das mensagens e sorri sem mostrar os dentes.

- Hm... – Coloquei uma mexa de meu cabelo atrás de minha orelha. – Por que eles te chamam de Suga? – Aquela seria a única pergunta que faria entre todas as outras que queria fazer. Agora eu sabia que YoonGi não morava com sua família, que cozinhava, que tratava de uma forma encantadora a senhora da cafeteria, que podia me confortar quando necessário, mas que também tinha uma facilidade imensa em me tirar do sério.

Ele me olhou de soslaio enquanto caminhava chutando uma pedra.

- Porque a irmã mais nova de Tae viu um desenho a muito tempo onde o personagem principal se chamava sugar, ela disse que ele era branquinho como eu, mas como não conseguia pronunciar direito, ficou Suga... – Monologou me fazendo rir. – Imo gostou disso e começou a me chamar assim também dizendo que, além disso, meu sorriso era realmente doce, e sugar significa...

- Significa açúcar. – Completei sorrindo. Ele me fitou.

- É. – Deixou que sua voz diminuísse gradualmente.

Não havia mais nada que pudesse dizer, e então me lembrei do casaco. Comecei a o retirar pela terceira vez naquele dia e não demorou muito para que YoonGi percebesse. O menino me mandou um olhar entediado como se não acreditasse que eu realmente ia bater na mesma tecla. Mas eu já ia embora, e por mais que quisesse permanecer com aquele perfume que incrivelmente não desaparecia, não podia.

- Eu não acredito que você tirou isso de novo. – Ele bufou balançando a cabeça.

- Pega, obrigada por ter me emprestado. – Ignorei sua expressão.

- Eu não vou pegar. – Cruzou os braços quando o estendi em sua direção.

- YoonGi...

- Não.

- Para de ser chato. – Empurrei contra seus braços. – Vou deixar no chão. – Ameacei mesmo sabendo que faria aquilo. Parece que ele também sabia, pois sorriu cínico.

- Duvido. – Falou, fui minha vez de bufar.

- Você disse que não ia me deixar maluca – Rugi baixo erguendo o casaco em sua direção mais uma vez, meu braço já estava começando a ficar dolorido. Suga riu.

- Eu disse que ia tentar. – Balançou a cabeça. – Mas achei que tinha dito para você tirar esse bico na cara, o que tá querendo? Um beijo? – Falou de vagar. Dei um passo atrás e o vi rir quase vitorioso. – Veste esse casaco, ChaeHee, o ônibus está vindo, anda. – Me virou na direção da rua e empurrou de leve para mais perto da porta do ônibus que acabava de parar, subi no mesmo e olhei para trás.

A luz do poste iluminava YoonGi fazendo seu cabelo parecer estar mais claro do que de fato estava, seus olhos me fitavam atentos e balançou a mão como se falasse para eu entrar logo. Já sentada dentro do ônibus, ao lado da janela, o olhei pelo vidro e acenei dando um pequeno sorriso, e quando o ônibus começou a andar pude ver o meu sorriso favorito se formar em seus lábios. YoonGi sorriu, acenou e olhou para baixo logo depois se virando e indo para casa. Virei meu corpo e me sentei ereta fechando meus olhos para poder rever a imagem novamente. Vesti o casaco e sorri.

É, de fato, Suga combinava completamente com aquele sorriso, com aquele meu adorável sorriso doce e caloroso.



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