História Body Say - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber
Personagens Justin Bieber
Tags Drama, Romance, Suspense, Trama
Exibições 487
Palavras 5.827
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - 10


— Desculpe — murmura Justin, quando solto um grunhido de dor por ele ter apertado demais o algodão com álcool no ferimento. 

— Tudo bem — suspiro.

Estou sentada em cima da sua mesa, enquanto ele está entre minhas pernas, tentando resolver por conta própria o estrago em meu braço. Por sorte, foi apenas um corte um pouco mais fundo, e pequenos furinhos ao redor. O braço esquerdo está intacto. Quase poderia esquecer o que aconteceu, se não tivesse sido tão humilhante. Lembrar do que passei naquele salão me faz querer chorar.

Eu não entendo certas pessoas como Kate que fazem questão de humilhar, de se importar com uma conta bancária e etiquetas. Qual a necessidade de odiar uma pessoa por aquilo que ela não tem? As pessoas são cruas, frias e crués, invejosas e traiçoeiras, que não aguentam ver um rastro de felicidade no seu rosto. Por mais que você tente ser gentil, ela sempre vai querer o que é seu. Se as coisas começam a dar certo para você, ela faz de tudo para te destruir. E isso me deixa triste. Eu não sei ser assim com as pessoas. Eu posso ser um pouco estourada ás vezes, mas não gosto de ver os sofrimentos das pessoas. Ah, isso não. Luara é um exemplo dessas pessoas: ela está sofrendo por causa do Harry e, mesmo sendo tão animada, não importa a situação, eu vejo a tristeza em seus olhos. Se eu pudesse, sugava todo seu sofrimento e resolvia todos os seus problemas, só para deixá-la feliz novamente. 

Justin me trouxe para sua sala; o vigésimo andar está vazio. Não sei onde ele conseguiu a caixa de primeiros socorros, mas está sendo bastante útil. Ele ainda está chateado, vejo em seu rosto, pois ele não trocou nenhuma palavra comigo além de ''Desculpe'' quando, por acidente, me machuca. 

Ele se inclina e alcança uma atadura, prendendo-a em meu braço, deixando bem firme. Faço algumas caretas de dor, mas ele está se saindo super bem. Por fim, prende a atadura e guarda os materiais que usou. 

— Está doendo muito? — pergunta ele.

— Está bom assim — tento um sorriso.

Ele olha para o meu rosto, avaliando cada expressão minha. Eu odeio quando as pessoas me encaram, principalmente ele: eu fico constrangida e incomodada, pois sinto que há algo de errado comigo.  

— O que foi? — pergunto baixinho. 

— Nada.

— Você está me encarando.

— Gosto de olhar para você. Você é bonita — diz ele, simplesmente.

Umedeço meus lábios com a língua, enrubescendo. 

— Posso pedir uma coisa? — mudo drasticamente de assunto.

— Pode, claro.

— Por favor, não demite a Kate.

— Como é que é? — Ele me olha um pouco incerto das minhas palavras. — Você se lembra do que ela acabou de fazer com você?

— Eu sei, mas... — suspiro. — Ela fez isso por desespero. Eu praticamente roubei o emprego dela, e ela ficou com raiva. Eu entendo. Não estou dizendo que ela agiu corretamente, mas todo mundo merece uma segunda chance. Eu tenho certeza que ela está arrependida. Posso conversar com ela. Sei lá. 

Justin recosta na cadeira e me encara com uma expressão impassível. Eu não consigo saber o que ele está pensando, eu quase nunca sei. Eu sinto que estou perto de desvendar os seus segredos, mas seus olhos continuam sendo um enigma para mim. 

— Você não vai falar nada? — insisto. 

— Estou pensando....

— Pensando em quê? 

— Em você... No seu coração.

Abro minha boca para falar alguma coisa, mas acabo desistindo.

— Mesmo que as pessoas sejam más com você — ele faz uma pausa —, você é boa com elas. Não sei, eu não entendo. Você nunca está de mau humor, mesmo as coisas sendo tão difíceis para você. Você abre as portas, mesmo elas estando fechadas.

Abro um sorriso tímido.

— Acho que o meu coração é um pouco estúpido — dou de ombros.

— Não é — ele olha no fundo dos meus olhos. — Não conheço alguém como você, e posso dizer que você é uma joia rara. 

Suas palavras me fazem sorrir e enchem meu coração felicidade. Eu sempre fico orgulhosa de mim mesma quando ele me faz esses elogios tão carinhosos. Eu poderia guardá-lo só para mim, longe do mundo e de todos. Eu sempre tento adiar esses pensamentos, mas ás vezes é inevitável: ele me faz pensar além. Ás vezes eu me pego pensando em como seria ter uma vida juntos, com mãos dadas e buquês de flores. Com ''Eu te amo'', toda noite antes de dormir e toda manhã ao acordar. Com passeios e filmes em um dia chuvoso, com brigas e reconciliações. Bobagem. 

Escorrego da mesa e caio sentada em seu colo. Justin se debruça, segurando forte minha cintura e me trazendo para mais perto. Seguro sua cabeça entre minhas mãos e beijo seus lábios com força, mas de uma maneira tão intensa que sinto arrepios por todo o meu corpo. Suas mãos fazem carinho em minhas pernas, subindo e descendo, parando em minhas coxas e apertando. Gemo entre seus lábios e ele morde o meu lábio inferior. 

Ele beija o meu pescoço, deixando uma trilha molhada e gelada na minha pele aquecida. Isso causa um impacto delicioso. Suspiro ao sentir seus lábios em minha pele, e ele sobe para o espaço atrás do meu ouvido e morde o lóbulo da minha orelha. 

— Vou foder com você em cima da minha mesa, baby — sussurra de um jeito sexy, e torna a morder o lóbulo da minha orelha. 

Oh, céus, eu pensei que ele havia desistido dessa ideia. Mas não me parece tão arriscado, pois todos estão no salão do primeiro andar. Estamos sozinhos no vigésimo andar, ninguém pode nos ouvir. 

Seus lábios encontram os meus novamente, mas o beijo é rápido. Ele me faz ficar de pé e se levanta logo em seguida, me imprensando na mesa, de modo que eu fico meio sentada. Ele levanta um pouco mais o meu vestido, deixando-o acima dos meus quadris. Apoio minhas mãos na mesa e fecho meus olhos, sentindo seus beijos no meu colo, me deixando molhada. Ele fica em pé diante dos meus olhos, perto o suficiente para eu tocá-lo onde eu quiser, então afasta um pouco a minha calcinha e massageia meu clítoris. Jogo minha cabeça para trás e gemo baixinho, me controlando para não gritar de prazer. 

Ele penetra um dedo em mim, e tenho que apertar com força as laterais da mesa e gemer um pouco mais alto. Sinto o meu rosto quente, meu sangue pulsando nas veias, implorando por mais. Ele movimenta seu dedo de maneira torturante, lentamente. Chamo pelo seu nome, sentindo o gosto de sangue no canto da minha boca pela força que mordo meu lábio. 

Ele para. Tira o dedo de dentro de mim e arranca minha calcinha. Desabotoa a calça e abaixa junto com a cueca, deixando-as um pouco abaixo da bunda. Deslizo em cima da mesa para mais perto e coloco minhas pernas em cima dos seus ombros, para facilitar o seu trabalho. Ele segura minha cintura e me penetra com força, me fazendo senti-lo bem fundo, e acabo gritando, não consigo controlar. Justin fecha os olhos e geme. Sem esperar, ele se movimenta rapidamente, me deixando imobilizada. Apenas consigo gemer o seu nome e coisas incoerentes. O sangue pulsa loucamente, me deixando rendida. Senti-lo dentro de mim é a sensação mais maravilhosa que eu poderia ter experimentado. 

Ah, Justin...

Ele sai de dentro de mim e me puxa para descer da mesa; segura minha cintura e me gira, de modo que eu fico de costas para ele. Logo entendo sua intenção e apoio meus cotovelos em cima da mesa, ficando em uma posição favorecida para ele. Acabo sentindo um desconforto no braço machucado, mas pouco me importo. Mordo o lábio com força e fecho os olhos quando o sinto me penetrar por trás. Ele geme meu nome e sinto meu rosto quente. Ele se movimenta lentamente para trás, e torna a me penetrar com força, fazendo a mesa balançar. 

— Oh! — gemo.

Com mais algumas estocadas, ele se esvazia dentro de mim, gemendo meu nome. Caio deitada na mesa, ofegante, e sinto sua respiração quente e forte no meu pescoço. Inclinando-se sobre mim, ele afasta meu cabelo e beija meu pescoço. Morde o lóbulo da minha orelha e sai dentro de mim, me fazendo sentir um beliscão familiar dentro de mim. Respiro fundo e me levanto, sentindo minhas pernas um pouco bambas, e concerto meu vestido. Procuro minha calcinha e a visto. Procuro pelos olhos de Justin que estão cravados em mim — já está vestido —, e ele se aproxima, me beijando lentamente, me apertando contra si. 

 

 

— Eu tenho que ir para casa — olho para Justin; ele continua fazendo carinho nos meus cabelos.

Ele está sentado em seu sofá e estou deitada em seu colo. 

— Não. Você vai voltar para festa comigo — diz ele como uma advertência.

— Não posso — sento-me de costas para ele, e, mais uma vez, ele afasta meu cabelo, fazendo carinho no meu pescoço. Por um momento, me derreto. — A formatura é amanhã. Lembra? 

— Ah — diz ele, como acabasse de se lembrar. — Desculpe, eu havia esquecido.

— Hum.

— Você tem razão: precisa descansar — deposita outro beijo quente no meu pescoço e fico toda arrepiada. 

— Sim. Aliás, você conseguiu o que queria. 

Ouço seu risinho.

— Eu adorei — morde o lóbulo da minha orelha e mais uma vez me arrepio. — Podemos...

— Nem vem! — viro-me para ele, apontando o indicador para seu rosto, enquanto um sorriso divertido se forma em seus lábios. — Nunca mais vamos fazer uma loucura dessas! 

Ah, mas bem que eu queria. Não, não, Louisa! 

Justin faz beicinho.

— Isso não vai funcionar, Sr. Drew — escorrego para fora do sofá e vou em busca da minha bolsa. — Estou indo embora.  

Justin dá risada, balança a cabeça e se levanta, alcançando a carteira, a chave do carro e o celular em cima da mesa, e guarda tudo dentro do paletó. 

— Eu levo você. Estou chato dessa festa mesmo. 

Dito isso, resolvo não questionar. 

 

*          *         *

 

— Uma foto das meninas mais lindas desta faculdade. 

Viramos para o flash da câmera de Maxon e abrimos um sorrisão e ele bate a foto. 

— Ai, me deixa ver — Luara se aproxima saltitante, enquanto eu e Milena caminhos calmamente para perto dos dois para ver a foto.

— Ansiosas? — pergunta Maxon enquanto caminhamos lado a lado para dentro do auditório da faculdade. 

— Um pouco — respondo, apesar de estar com os nervos pulsando. 

Encontramos os nossos pais no caminho, conversando um com os outros. Depois de uma foto em família, seguimos para o auditório. Nós, estudantes, ocupamos as primeiras fileiras e os pais ficaram para trás. Toda a faculdade está aqui, consigo ver pessoas da área de advocacia, que fica no prédio ao lado. Mas não é isso que me interessa: Justin ainda não chegou e, se chegou, ainda não consegui vê-lo. Esperamos pacientemente até a chegada do diretor, professores e do pessoal da diretoria e um grande empresário para entregar nossos diplomas. Penso que Justin poderia entregar meu diploma, mas isso ficaria muito cara de Cinquenta Tons de Cinzas. Sim, eu já li. Sim, eu gostei muito. Mas eu não gostaria de passar pelas loucuras que a Ana passa; não gosto de sofrer. Mas acho que Luara adoraria ter um Christian Grey em sua vida. Desconfio que ela seja masoquista. 

O diretor começa com um discurso que desconfio que seja o mesmo todos os anos de formatura. Tento prestar atenção no que ele diz, juro que tento, mas minha mente está longe. Minha cabeça não consegue ficar quieta: fico olhando para os lados, á procura dele. Consigo ver até Suga (aquele namorado de Milena), que acena para mim com um sorriso simpático e devolvo o aceno e o sorriso com a mesma simpatia. Até ele parece mais interessado no que o diretor diz do que eu mesma. 

Depois, o empresário convidado toma lugar para um discurso onde ele fala sobre nossos futuro. Muito chato. Com certeza ele está pouco se fodendo para todos nós, só está ali para honrar seu nome e da sua empresa. Seu tom é tão medíocre que não gosto dele logo de cara. Pelo pouco que prestei atenção, descobri que ele é advogado e tem a maior empresa de advocacia de Los Angeles. Eu ligo? Claro que não. 

E então chega a hora. Somos chamados um por um para recebermos nossos diplomas. Os meus amigos são chamados primeiro que eu, mas esperam num canto até chegar minha vez. Aperto a mão do empresário, ele me entrega o diploma e me deseja boa sorte com o sorriso mais falso que já vi. Só perde para Kate, claro. 

Eu, meus amigos e nossas famílias nos dirigimos para o campo, onde está montada uma festa para os recém-formados. Todos se espalham e sobra apenas eu e o meu pai. O champanhe servido tem um gosto horrível, mas ninguém parece se importar. Mas começariam a se importar se bebessem um pouco dos que tem no apartamento de Justin. 

— Estou muito orgulhoso de você — diz papai, de repente.

Ergo meu olhar para ele, um pouco surpresa. 

— Pensei que Celeste fosse o orgulho da família — digo com a voz afiada. 

— Não começa, Louisa. Estou falando sério. Você não poderia ser gentil ao menos uma vez, sorrir e agradecer? 

Dou de ombros e beberico mais um pouco do champanhe. Papai ergue as sobrancelhas rapidamente e bebe um gole da bebida.

Mergulhamos no silêncio novamente.

— Tudo bem — cedo com um suspiro. — Obrigada por estar aqui. Estou muito feliz.

Venço meu orgulho e o abraço. Papai, um pouco surpreso, retribui o abraço e me aperta. Meus olhos se enchem de lágrimas, não sei bem o motivo. Faz tempo que não o abraço. Quando foi a última vez? No enterro da mamãe? Realmente faz muito, muito tempo. Sinto saudades. Muitas saudades. Das nossas conversas, das nossas atividades juntos. 

Ficamos assim por um tempo, até eu sentir que é hora de me afastar, apesar de não querer. Limpo as lágrimas disfarçadamente e olho para uma direção diferente dele. Até que sinto duas mãos tamparem meus olhos. Sorrio. Penso ser Maxon e me viro preparada para chutá-lo, mas um sorriso embasbacado surge em meus lábios ao encontrar seus olhos castanhos e seu sorriso orgulhoso. 

— Justin — exclamo, me jogando nos seus braços. — Você veio! 

— Claro que sim! Não perderia isso por nada — ele se afasta e olha em meus olhos.

— Você chegou agora?

— Não. Vi você no auditório, mas deixei você á vontade com seus amigos — ele desvia o olhar para o meu pai. — Ah, Rick — ele estende a mão e papai a aperta. — Como vai?

— Bem — ele responde. — Que surpresa vê-lo por aqui.

— Louisa me convidou — Justin me olha de relance. 

— Ah — papai me olha por alguns poucos segundos. — E então, rapaz, com o que você trabalha?

Justin explica todo o procedimento da sua empresa e papai se mostra muito interessado. Apenas fico prestando atenção na conversa de ambos, enquanto recebo uma verdadeira aula de tecnologia. Justin é muito inteligente e comunicativo — pelo menos para assuntos de trabalho — e fico orgulhosa dele. Jovem e muito rico, com muito para conquistar pela frente. Eu não me importo com o seu dinheiro, não mesmo, mas sei o quanto ele é importante. Por isso só desejo o melhor para ele, desejo que ele cresça cada vez mais e conquiste tudo que estiver ao seu alcance. 

Deixo os dois conversando e me aproximo de Luara, que está sentada em uma mesa sozinha, enquanto bebe um pouco de champanhe com uma expressão nada feliz. Eu entendo o seu sofrimento: Harry não apareceu. Eu me lembro de que ambos estavam ansiosos por esse dia, lembro que ele prometeu que estaria aqui, mas não está. É engraçado como tudo muda; uma hora estamos bem com todo mundo, e de repente nos encontramos sozinhos. Eu tenho vontade de sugar todo o seu sofrimento e deixar apenas os sentimentos bons. Queria ter o poder de resolver os problemas de todos que eu amo, para que nenhum deles precisassem sofrer. 

— Está tudo bem? — pergunto.

Luara dá de ombros. 

— Não fica assim — choramingo, empurrando seu ombro de leve. — Você merece ser feliz este dia. Desapega, vai... 

— Estou pagando todos os meus pecados — suspira. 

— Temos que lidar com as consequências dos nossos erros — sorrio apreensiva. — Os nossos erros nos ajudam a crescer. Não adianta ser a pessoa mais certinha do mundo, porque sem os erros não temos qualquer aprendizado. Agora é hora de pensar em você, de amar a si mesma. Admita que errou e siga em frente. Vocês precisam de um tempo. 

Ela respira fundo e limpa as lágrimas que ameaçam cair. Abre um meio sorriso e a abraço pelos ombros. 

 

 

— Você não pode mesmo ficar? 

— Desculpe, Lou. Eu tenho que trabalhar, você sabe — lamenta. — Mas podemos nos ver hoje á noite, o que acha? Podemos sair para jantar, sei lá. Hoje é o seu dia, você escolhe.

Sorrio.

— Eu adoraria. Um jantar seria ótimo.

— Ótimo. Vá comemorar com os seus amigos, aproveite o seu dia. 

Suspiro.

— Obrigada por ter vindo — olho nos seus olhos. — Eu fiquei muito feliz.

— Eu é que fico muito feliz — abre um sorriso de canto de boca. — Eu te ligo. 

— Tudo bem.

— Quero beijar você — sorri.

— Aqui não — olho para os lados, para ter certeza que ninguém está ouvindo nossa conversa. — Você passou quase a festa toda falando com o meu pai. O que vocês estavam conversando? — arqueio uma sobrancelha.

— Coisas de homem — sorri, escondendo alguma coisa.

— Hum — desconfio, com os olhos semicerrados. — Agora vocês viraram amiguinhos, é isso? 

— Você não está satisfeita com isso? — questiona.

— Eu só não quero que fique dando esperanças á ele. Não quero que ele fique pensando que podemos ter alguma coisa além do que temos.

— Mas podemos.

Olho para Justin, boquiaberta. Meu coração acelera e sinto o sangue latejando em minhas veias. Perco o fôlego, o foco, as forças... 

— Justin...

— Uma foto do casal! — Milena se aproxima, já tirando uma foto. 

Fecho meus olhos para me recuperar da mancha em meus olhos por causa do flash. Justin abre um sorriso e olha para mim, que continuo pasma. Sabe, eu amo a minha amiga, mas ela tinha de aparecer justo agora? Estávamos tendo uma conversa muito importante. Tudo bem que é meio estranho, pois nunca chegamos a este ponto, mas... Argh! 

— Agora eu tenho que ir — diz Justin. — Não posso me atrasar para uma reunião — ele se vira para mim. — Então, á noite? 

Ignoro o sorrisinho malicioso de Milena por cima do ombro de Justin.

— O.k. 

Ele segura a minha cabeça entre as mãos e penso que vai me beijar, mas beija o meu rosto com carinho e sorri ao se afastar. Ah, cara, deixa Milena lá e me dá logo um beijo. Ele se despede de Milena com um beijo no rosto e vai embora. Papai também volta para o trabalho e o pai de Milena nos deixa no shopping de carro. 

Nos sentamos em uma mesinha na praça de alimentação e fizemos nossos pedidos. Delicio-me da minha coca-cola e meu hambúrguer, ás vezes parando de mastigar para rir da conversa. Apenas Milena está acompanhada do seu namorado, apesar de não nos deixar desconfortável com aquelas melações de casais apaixonados. Ambos são super na boa, se divertindo apenas com selinhos e mais nada. São super reservados; é uma pena que não posso dizer o mesmo de mim e Justin, que fodemos até em cima da mesa do escritório dele. Esse pensamento me faz rir, porém, ninguém percebe que desviei minha mente da conversa para uma coisa mais impura. 

Olho para a escada rolante e um casal me chama atenção: eles parecem felizes, enquanto esperam abraçados a escada chegar no topo. Ele rir de alguma coisa que ela conta, na verdade, parece gargalhar. Depois de alguns anos, me bateu uma saudade de momentos assim. Sinto-me vazia. Não que eu não esteja feliz com o que tenho com Justin, mas eu queria ter um pouco mais. Ele não precisa ser meu namorado para eu chamá-lo de ''amor''. Não precisamos ser namorados para eu ganhar flores e bombons. 

— Vamos comigo pegar mais refrigerante? — Luara olha para mim.

— Hum, vamos.

Levantamos e seguimos para a lanchonete, até que, surgindo entre as pessoas, encontramos um homem alto, com covinhas nas bochechas e olhos verdes. Harry. O clima fica tenso entre Luara e ele imediatamente, e fico completamente incomodada por estar no meio dessa situação.

— Oi, Harry — cumprimento, tentando manter a paz entre todos.

— Oi — ele sorri gentilmente para mim, sem ao menos olhar na cara de Luara. 

Olho para a minha amiga de relance, que o encara com os olhos cheios de lágrimas. Droga.

— Oi, Harry — diz ela, baixinho. 

— Luara — ele acena com a cabeça, secamente.

— Ah, parem com isso — imploro. — Não sejam infantis. 

— Desculpe, Lou, mas não estou sendo infantil — ele se defende. — Só não preciso de gente falsa na minha vida.

Ele está sendo tão frio que nem parece o Harry.

— Harry...

— Louisa, por favor, não — ele balança a cabeça. — Desculpe, mas eu tenho que ir.

Ele se vira e vai embora. Respiro fundo e olho para Luara, que parece prestes a chorar. 

— Ei, não fica assim — abraço-a enquanto ela funga, se controlando para não desabar no meio do shopping. 

— Você viu como ele me tratou? — sua voz é chorosa. — Ele nunca vai me perdoar, Lou.

— Não fala assim. Lembra do que eu disse? Vamos dar tempo ao tempo.

Ele suspira e assente. Seguimos para a lanchonete e pedimos o refrigerante. Voltamos para a mesa e Luara tenta o máximo não deixar seu desânimo afetar as outras pessoas. Terminamos o lanche e cada um volta para sua casa por conta própria. 

Vou direto para o meu quarto e tomo um banho, me livrando do vestido de festa. Coloco uma roupa confortável, agradecendo por Justin ter me dado o dia de folga. Deito-me na minha cama e pego o celular, e mando uma mensagem para ele.

 

Louisa: Tem alguém aí?

Justin: Tem, sim. Já está em casa?

Louisa: Sim, acabei de chegar do shopping. 

Justin: Se divertiu?

Louisa: Eu sempre me divirto com meus amigos. 

Louisa: Está muito ocupado com o trabalho?

Justin: Estou quase terminando aqui. Vamos jantar em um dos melhores restaurantes de Los Angeles hoje. 

Louisa: Ah, é? 

Justin: Você vai gostar. Você merece.

Justin está offline. 


 

Vou para sala e ligo a tevê. Está passando um dos filme das minhas sagas preferidas, Maze Runner: Prova de Fogo. Sério, este filme é maravilhoso. Sem contar que o protagonista, Thomas (Dylan O'Brien), é o maior gato. Mas não é só isso: é uma história cheia de ação e emoção. Conta sobre um grupo de amigos, que é imune á um vírus que se apossou da maioria das pessoas da Terra, que lutam pela sobrevivência e para fugir do C.R.U.E.L.

O filme acaba e recebo uma mensagem de Justin.

 

Justin: Te pego ás sete. Não se atrase, temos uma reserva.

Louisa: O.k.

Justin está offline.


 

Levanto do sofá no mesmo instante em que a porta se abre e Celeste surge no meu campo de visão, usando calça jeans e uma blusa listrada de manga curta. Eu odeio admitir isso, mas ela é muito bonita. Tipo, muito mesmo. Não tenho inveja dela, claro que não, mas é irritante quando mulheres mais bonitas que você esfregam na sua cara suas perfeições. 

— Boa tarde, irmãzinha — debocha ela. 

— Boa tarde, mana — debocho de volta. — Vejo que você não foi atropelada por um caminhão.

— Pois é, né? Infelizmente o destino insiste em nos unir — sorri cinicamente. 

— Infelizmente — digo com a voz afiada.

Subo as escadas e Celeste vem logo atrás de mim. Entro no meu quarto, seguida por ela. Procuro uma roupa dentro do guarda-roupa, e acho um vestido preto básico, simples, mas muito arrumadinho. Espero não estar simples demais para este jantar.

— O Justin me convidou para jantar em um dos melhores restaurante de Los Angeles — provoco. — O que acha deste vestido?

— Ele com certeza vai adorar ter uma piranha de companhia — alfineta.

— Obrigada, maninha. 

Se tem uma coisa que aprendi é: quando uma pessoa que te odeia disser que você está ou fica mal em uma roupa, pode se sentir maravilhosa, pois ela está com inveja e quer colocá-la para baixo, apenas para não admitir que você está bonita. Antes de qualquer coisa, se ame do jeitinho que você é, pois amor próprio é tudo. 

Troco de roupa e arrumo meu cabelo em ondas caídas nos meus ombros. Passo um pouco de maquiagem, bastante neutra, e, claro, meu batom vermelho tradicional. Uso um pouco do perfume que ganhei de presente de Maxon, e saio em busca de algum sapato fechado de salto, mas não muito alto. Sem olhar o que estou fazendo, enfio meu pé dentro do sapato, no mesmo instante que sinto algo perfurar o mesmo. Dou um pulo por causa da dor, e vejo o sangue escorrer pelos meus dedos e pingar no chão. Um pedaço de vidro está encravado no meio do meu pé, e não consigo evitar grunhidos de dor. 

Mas que diabos um pedaço de vidro estava fazendo dentro do meu sapato?

Celeste. Desgraçada, eu tenho certeza que foi ela. Agora foi a gota d'água: eu não vou mais aturar isso. Sinceramente, ela passou de todos os limites. Eu não sou do tipo que se vinga, mas, esta vai ter troco. Ah, se vai. Vou voar no pescoço dela e arrancar cada fio daquele cabelo preto bem-tratado. Mas primeiro eu tenho que dar um jeito no meu pé. 

Sento-me na cama. Seguro o vidro com firmeza, respiro fundo, fecho os olhos e puxo com força e de uma vez só. O vidro sai rasgando minha pele, e minha mão está lavada de sangue. Levanto e pulo de um pé só até o banheiro, deixando rastros de sangue pelo chão. Jogo o vidro dentro do lixo e pego a caixinha de primeiros socorros. Abro a garrafa de álcool e jogo em cima do corte, incapaz de me manter quieta por causa da dor. Gemo, balanço meu pé de maneira agonizante, na tentativa de amenizar a dor. Jogo mais um pouco de álcool e lavo com água corrente até parar o sangramento. Sozinha, costuro o corte que ficou bem fundo e colo um adesivo para cobrir e manter o corte limpo. 

Pressiono o pé no chão e fico parada até me acostumar com a dor. Manco de volta para o quarto e fico pensando em cancelar o encontro com Justin, mas acabo percebendo que isso é tudo o que Celeste quer. Mesmo que doa, mesmo que eu manque o tempo todo, eu vou a este jantar e vou me divertir muito. 

— Celeste — desço as escadas um pouco desajeitada, mas que se dane. — Celeste!

— O que é? — Ela surge da cozinha.

Avanço em seu pescoço e ela se desequilibra, nos levando ao chão. Soltamos gritinhos de histeria e puxo o seu cabelo, e arranco alguns fios. Dou um tapa no seu rosto, deixando vermelho. 

— Me solta! — ela tenta, mas puxo ainda mais o seu cabelo.

— Você é uma desgraçada! — Enfim, saio de cima dela, e estamos as duas descabeladas. — Foi você que colocou o vidro dentro do meu sapato, não foi? Claro que sim! Mas quer saber, sua piranha desgraçada?, eu vou a este encontro, nem que eu tenha que jogar você na frente de um caminhão, e ninguém vai estragar essa noite! Piranha desgraçada — cuspo as palavras. 

Manco de volta para o quarto e estou um desastre. Meu cabelo já era, e meu vestido está extremamente amassado. Troco de roupa, é o único jeito, e volto a arrumar o cabelo novamente. Por sorte, minha maquiagem continua intacta.

 

 

— Está mancando? — pergunta Justin, preocupado, quando fecho a porta do carro.

— Machuquei o pé — tento um sorriso. — Na verdade, fui sabotada pela Celeste — bufo.

— O que ela fez? — Ele junta as sobrancelhas.

— Ah, quer saber? Eu não quero mais falar dela. Eu conto depois, certo?

— Tem certeza? — ele busca os meus olhos.

— Absoluta. 

Justin funciona o carro e entramos em movimento. Uma chuva desabou repentinamente, batendo contra o vidro do carro bruscamente. Nos afastamos de uma via bastante movimentada, e entramos em uma estrada um pouco deserta. Eu conheço este caminho, e realmente há um restaurante isolado perto das montanhas, que é frequentado por pessoas da mais alta sociedade. Começo a me preocupar com o que estou vestindo: não que eu esteja mal-arrumada, mas creio que eu esteja simples demais.

De repente, o carro parece perder o movimento, até que para definitivamente. Nos entreolhamos, e Justin bate com força no volante. Ah, droga...

— O que aconteceu? — pergunto, calma.

— Eu esqueci de colocar gasolina — murmura.

Dou risada.

— O que é tão engraçado? — pergunta, emburrado.

— Quem é o idiota que esquece de colocar gasolina?

Ele revira os olhos e olha para cima, como se uma solução fosse surgir do céu. Ele pega o celular e faz uma ligação, mas não parece muito satisfeito com o rumo da conversa. Ele desliga e olha para mim.

— Desculpe, Lou, mas parece que não terá jantar esta noite — lamenta.

Apesar de tudo, me sinto aliviada. Se ele decidir me trazer aqui outro dia, serei mais cuidadosa em relação á minha roupa.

— Não faz mal — dou de ombros. — Mas o que vamos fazer agora?

— Teremos que esperar até o amanhecer — suspira. 

— Bom... Já que vou dormir no seu carro hoje, vou passar para o banco de trás — debruço-me, e passo de ladinho entre os bancos. — Você não vem? — pergunto, percebendo que ele continua no banco da frente.

Ouço seu suspiro, e em segundos ele está se acomodando ao meu lado. Tiro os sapatos e coloco os pés em cima do banco, me encolhendo por causa do frio. Justin, percebendo o meu ato, tira o paletó e coloca em cima dos meus ombros. Agradeço com um sorriso e ele me puxa para mais perto, me envolvendo em seus braços quentes. Lá embaixo, sinto meu pé latejar, mas pouco me importa agora. Estou mais feliz aqui, parada no meio do nada, no banco de trás de um carro e nos braços quentes do homem que me faz bem, do que em um jantar com gente metida a besta. 

— Eu estraguei sua formatura — diz ele.

— Não, não. Estou feliz aqui, não se preocupe.

— Hum, sei... Feliz no meio da chuva e dentro de um carro — debocha ele.

— Estou falando a verdade — olho para o seu rosto mergulhado na escuridão. — Eu gosto de estar a sós com você. Não importa o lugar. 

— Eu sinto o mesmo — ele olha nos meus olhos. — Na verdade, eu preferia que jantássemos no meu apartamento, sem tanta formalidade. Mas eu queria uma coisa bacana para a sua noite.

— Eu ia adorar ter jantado na sua casa — digo com sinceridade. — Sério. Eu não ligo para essas coisas. 

— Essa é uma das qualidades que me fazem gostar tanto de você: sua simplicidade. 

— Ah, é?

— Hum-hum.

— Então você gosta de pessoas que não estão nem aí para o seu dinheiro. É isso?

— Exatamente — confessa. — Mas você deveria me deixar presenteá-la um pouco mais. Me deixar ajudá-la, entende?

— Você já fez muito por mim.

— Não, não fiz. Eu posso fazer muito, muito mais — insiste. 

Suspiro, sem lhe dar uma resposta concreta. Ficamos em silêncio por um tempo, apenas escutando o barulho da chuva forte. 

— Eu seria muito idiota em dizer que eu quero mais? — Olho para o seu rosto, e vejo uma expressão confusa se formar em seu rosto. — Quero dizer, eu não estou lhe pedindo em namoro, mas...

— Hum. — Ele faz uma longa pausa. — Estou entendendo o que você quer dizer. Flores e bombons, não é isso?

Balanço a cabeça. 

— O que você acha? — encolho os ombros. 

— Lou, eu acho que perdi o jeito para essas coisas — diz apreensivo.

— Mas não importa — levo minha mão ao seu rosto. — Podemos tentar alguma coisa, e descobrir o que sentimos um pelo outro de verdade. 

— Mas e se não der certo? E se você se decepcionar e querer me deixar? — O medo habita em seus olhos. 

— Você precisa acreditar nas minhas palavras: eu não vou te deixar. E se não der certo, voltamos a ser como éramos antes.

— Não é tão simples assim...

— Está com medo de se apaixonar? — Abro um sorriso de canto de boca. 

— Me apaixonar? — Ele se afunda em pensamentos por um momento. — Não. 

Meu sorriso se torna melancólico.

— Desculpe — sussurro. — Isso é bobagem. 

Levanto-me do seu colo e me sento no banco, sem olhá-lo.

— Louisa...

— Não, está tudo bem — sinto lágrimas no canto dos meus olhos. Mas o que está acontecendo comigo? — Eu sou muito idiota mesmo.

— Não, Louisa — ele segura o meu rosto e me força olhá-lo. — Não, não fique assim. Por favor, eu não quero magoar você. Por isso tenho medo de dar um passo á frente. Eu... eu tenho medo de não ser o suficiente para você — sussurra.

— Mas você é — sussurro, chegando mais perto e afagando o seu rosto. — Eu posso te fazer feliz.

Ele segura a minha mãe em seu rosto e olha no fundo dos meus olhos.

— Mas você já faz — diz. 

Respiro fundo.

— Por favor, nos dê uma chance de experimentar algo novo — digo á centímetros dos seus lábios. 

Ele toca o meu rosto e olha no fundo dos meus olhos; seu polegar escorrega pela minha bochecha, me causando arrepios.

— Eu quero — ele respira fundo. — Eu quero tentar com você.

E me beija. 



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