História Body Say - Capítulo 21


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber
Personagens Justin Bieber
Tags Drama, Romance, Suspense, Trama
Exibições 384
Palavras 7.724
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Outro capítulo para vocês.
Boa leitura!
(Avisos nas notas finais)

Capítulo 21 - 21


Estou sozinha na cama quando abro os olhos; o espaço ao meu lado continua quente, parecendo bastante aconchegante. Mas, o que mais me frusta é perceber que ele está vazio. Não tenho nenhuma noção de tempo, pois tudo continua escuro. Esfrego meu rosto com as mãos e desvio o olhar para o despertador, já que deixei meu celular jogado na sala junto com a bolsa. Não se passou três horas desde que dormi, ainda são onze e quarenta e cinco da noite. Sento-me na cama, trazendo o lençol para cobrir meu busto e olho ao redor: completamente sozinha. Fico sentada por um tempo, parada, apenas olhando para um ponto vazio do quarto. 

Escorrego para fora da cama, deixando alguns lençóis pelo chão. Busco pelas minhas roupas íntimas espalhadas pelos cantos do quarto e as visto. Prendo meu cabelo num coque frouxo e sigo para fora do quarto, espiando pelo corredor para não deixar passar nenhum movimento despercebido. Por fim, só encontro o silêncio e a escuridão da noite engolindo por completo o apartamento. Continuo caminhando, firmando meus pés descalços pelo chão gelado, e então escuto uma doce melodia escapando do andar de baixo. Paro no topo das escadas, assimilando o som com o de um piano. Neste exato momento, sei que encontrei Justin. 

Desço os degraus sem fazer barulho, não me importando de estar vestida apenas com uma calcinha e sutiã combinando. Enxergo Justin do outro lado da sala, sentado sobre o piano, usando apenas uma calça moletom cinza. Parece concentrado no leve toque dos seus dedos, e me sinto incapacitada de interrompê-lo, então permaneço encostada no corrimão da escada, me dando ao luxo de observá-lo tocar, algo que eu só tinha visto uma vez. Eu não consigo reconhecer a melodia, não sou boa com música clássica, mas sei admirá-la. 

Fico o admirando quietinha, até que a música cessa e ele gira o corpo no banco, olhando diretamente para mim, me pegando no fraga. Nossos olhares se cruzam na escuridão e por algum motivo aparente, me sinto envergonhada. Talvez seja pela situação em que fomos dormir há algumas horas atrás — não tenho certeza se ele realmente dormiu — e isso não me deixa confortável. Se tem uma coisa que odeio com todas minhas forças — mais que odeio Mary — é ficar indiferente com ele. Só que eu também tenho o direito de estar chateada. Por todo esse tempo que passamos juntos, será que ele é incapaz de sentir amor por mim? Mas ele não me pediria em namoro se não sentisse alguma coisa, certo? Mas se esse sentimento for apenas um carinho ou um gostar? Eu não posso me contentar apenas com isso.

— Bela música — quebro o silêncio.

— Minha mãe tocava para mim quando eu era criança — diz ele, com a sombra de um sorriso nos lábios. — Ela criou essa canção.

— Sua mãe é uma mulher muito talentosa — digo, tentando melhorar as coisa.

— Certamente — acena com a cabeça. — Não quis acordar você.

— Não acordou — tomo a liberdade de dar alguns passos em sua direção, mas paro em uma distância aceitável. — Eu acordei por conta própria. Só achei estranho não achá-lo na cama. 

— Estava sem sono — contrai o canto da boca. — Então decidi vir tocar. E você? Por que acordou? 

— Senti sua falta na cama — olho fixamente para seus olhos.

Justin umedece os lábios com a língua.

— Você precisa me contar alguma coisa? — pergunta, sério.

— Por quê?

— Eu não estou entendendo você nos últimos dias — confessa. — Você muda de humor drasticamente e me trata de um jeito amargo. Eu fico me sentindo mal, culpado, e fico buscando memórias na minha cabeça para saber se fiz ou disse algo de errado. 

Desvio o olhar e engulo em seco.

— Não é nada, Justin — minto.

— Você está mentindo para mim — questiona. — Eu sei que está. Você não ficaria tão indiferente comigo por causa de nada — busca os meus olhos. — Por que você não me conta, hein?

Aperto os lábios, sentindo borboletas no estômago. Por mais que eu queira falar, as três simples palavras teimam em não sair da minha boca. Tento ser positiva, tento pensar que a reação dele será a melhor possível, mas meu subconsciente teima em me provar o contrário. 

— Não é nada — minto. — Não se preocupe.

Ele me olha desconfiado, mas derrotado.

— Posso confiar em você?

Balanço minha cabeça positivamente. Justin balança a cabeça e abre os braços, então eu me aproximo. Envolve minha cintura e me estimula a sentar no seu colo. Fico com as costas encostada no piano e tenho uma visão privilegiada do seu rosto. Seus cabelos estão bagunçados e seus olhos carregam um brilho especial. 

— Volta para a cama comigo — peço com um beicinho.

Ele sorri.

— Sim — balança a cabeça. — Tenho certeza que vou conseguir dormir agora.

Justin coloca o braço atrás do meu joelho e o outro nas minhas costas, assim podendo me pegar no colo. Levanta-se e me carrega pela sala, subindo com cuidado os degraus quando chega ás escadas. Alinho-me em seu peito e fecho meus olhos, tornando abri-los somente quando sinto minhas costas descansarem no colchão. Debruço-me sobre os lençóis, me escondendo debaixo dos seus braços quando ele se deita ao meu lado. Justin puxa um lençol e nos cobre, então adormeço no calor dos seus braços enquanto a sombra dos flocos de neve que despencam do céu refletem dentro do quarto.

 

 

 

 

Acordo sendo coberta de beijos. Esboço um sorriso, sentindo cócegas em cada lugar que seus lábios tocam minha pele. Dou risada quando ele esfrega o nariz no meu pescoço, então coloco minhas mãos ao redor da sua cabeça, sentindo seu sorriso em minha pele. Abro meus olhos, encontrando seus fios de cabelos fazendo cócegas perto dos meus olhos. Ele se afasta, me encarando com um sorriso brilhante. Seus olhos carregam um brilho intenso, e nunca o vi tão jovial. 

— Bom dia, minha querida — diz ele.

— Bom dia — espreguiço-me. — Que horas são?

— São quase sete — responde.

Suspiro.

— Tenho de me apressar. Preciso trabalhar — bocejo, ainda sentindo sono.

— Vamos tomar café, hum? Deixo você no trabalho.

Sento-me na cama, cobrindo meu busto com o lençol. Percebo que ele está acordado há algum tempo, pois tem cheiro de sabonete caro e está vestindo uma calça jeans escura e uma camisa de botões com uma cor jeans clara. O cabelo está graciosamente penteado e seus lábios carnudos parecem bem convidativos.

— Minha mãe está aí embaixo — anuncia de repente.

Arregalo meus olhos.

— Sua mãe? Aqui? Ai, meu Deus!

Justin me encara com uma expressão divertida.

— Ela quer conhecer você — diz com um sorriso.

— Me conhecer? — Exclamo baixinho. — Mas eu nem trouxe uma roupa adequada. Céus!

Ele dá risada.

— Louisa, pare de ser boba. — Adverte-me. — Você é bonita de qualquer jeito. Minha mãe é uma pessoa simples, não liga para esse tipo de coisas. Agora seja corajosa e vamos descer comigo.

Enrubesço, nervosa. Certamente não estava nos meus planos conhecer a mãe de Justin nestas circunstâncias. Eu esperava ao menos estar preparada emocionalmente. 

Escorrego para fora da cama, usando apenas uma calcinha e sutiã. Recolho meu vestido do chão, dobrando-o com habilidade, tendo certeza que não precisarei usá-lo, pois tenho noção que existem peças de roupas minhas por aqui. Deixo o vestido em cima da cama, sentindo minhas mãos tremerem. Justin me olha por cima dos cílios, incrivelmente relaxado com a situação.

— Vou tomar um banho — anuncio.

— Eu vou descer e fazer companhia á minha mãe. Mas se isso deixá-la mais tranquila, posso esperá-la para descermos juntos — olha para mim.

— Acho que consigo chegar lá viva — digo, arrancando um riso seu. — Não deixe sua mãe sozinha. Eu... eu já estou indo.

Ele balança a cabeça e levanta da cama; caminha até mim, segura meu rosto entre as mãos e beija minha testa.

— Não se preocupe, querida. Minha mãe te adora mesmo sem conhecê-la — abre um sorriso. — Vai dar tudo certo. 

Por um momento, penso se ele falou sobre mim para ela. 

— Eu vou tomar banho — digo.

Ele assente, escorregando suas mãos gentilmente pelo meu rosto. Caminha para fora do quarto, e me lança um sorriso confortante antes de fechar a porta. Quando me encontro sozinha, entro em pânico. Fico parada no mesmo lugar por um tempo, pensando no que fazer e armando um texto em minha cabeça, mesmo sabendo que vou esquecer tudo quando chegar a hora. Eu não posso causar uma má impressão á mãe do Justin. Céus, estou tão nervosa. Por ora, decido apenas tomar um banho. Uso a escova de dente do Justin e escovo meu cabelo num rabo de cavalo no alto da cabeça. Encaro-me no espelho, percebendo o quão minha pele está corada e deslumbrante. É incrível o que uma noite de sexo com Justin pode fazer. Além de me dar prazer, ele ainda tem a capacidade de melhorar a minha pele. Tem como ser mais perfeito?

Volto para o quarto e mergulho no closet, indo diretamente para o espaço que ele deixa reservado para as roupas que esqueço por aqui. Há dois vestidos, duas calças, três blusas e uma jaqueta de couro. Penso em usar um dos vestidos, ambos simples, mas penso na quantidade de frio que faz lá fora, então decido usar uma calça jeans cor vinho, uma blusa preta e a jaqueta da mesma cor. Volto para o quarto, calço minhas sapatilhas e coloco um pouco de um dos inúmeros perfumes de Justin. Tenho certeza que ele não vai se importar.

Respiro fundo duas vezes antes de abrir a porta, e mais quatro antes de descer as escadas. Chego á sala e não encontro ninguém, então deduzo que Justin e sua mãe estejam na cozinha. Aproximo-me um pouco mais, ouvindo vozes. Ouço meu nome ser citado algumas vezes, mas não sei exatamente sobre o que falam. 

Apareço na cozinha, vendo Justin encostado no balcão, enquanto olha para sua mãe com um sorriso enquanto ela lhe diz algo. Vejo a admiração em seus olhos; ele parece realmente feliz com sua presença. A mulher sentada sobre a mesa é muito bonita e jovem. Eu havia visto algumas fotos dela espalhadas pela casa, mas posso garantir que é muito mais bonita pessoalmente. Apesar de parecer muito jovem, sei que não é. Mesmo tendo um filho de vinte e três anos, tem uma pele lindíssima. Sinto-me um pouco confortável ao perceber que é tão baixinha quanto eu.

O olhar de Justin se cruza com o meu ao perceber a minha presença.

— Aí está ela — ele anuncia, andando em minha direção com um sorriso.

Sua mãe, cujo o nome é Pattie, olha para mim sorrindo. Retribuo o sorriso um pouco tensa, enquanto Justin me abraça pelos ombros e me puxa para mais perto da mesa. Pattie levanta-se para me cumprimentar com imensa simpatia; seus olhos transbordam em felicidade.

— Mãe, esta aqui é a Louisa — começa ele. — Louisa, está é a minha mãe, Pattie.

Estendo a mão, mas Pattie me puxa para um abraço e deixa um beijinho no meu rosto.

— Querida, que bom conhecê-la finalmente! — Ela se afasta um pouco para poder olhar no meu rosto, mas continua segurando meus ombros. — Justin tinha razão: você é muito bonita — sorri abertamente.

— Mãe — Justin a repreende. — Por favor, não comece a me envergonhar.

— Ah, besteira — Pattie revira os olhos para o filho e volta a olhar para mim com um sorriso. — Tudo bem, meu anjo?

Troco um olhar com o Justin, e me sinto mais confortável.

— Está tudo bem comigo — respondo. — É um prazer conhecer a senhora — sorrio simpaticamente.

— Oh, não! Por favor, não me chame de ''senhora'' — balança a cabeça. — Eu sei que o meu filho já é um homem, mas não sou tão velha assim.

Dou risada junto com ela.

— Agora que todos estão apresentados, podemos tomar café? — Justin se intromete. — Estou morto de fome!

— Ah, sim — Pattie caminha de volta para a sua cadeira e se senta sobre a mesa.

Justin se aproxima de mim e sussurra no meu ouvido enquanto sua mãe está distraída:

— Viu? Ela te adora.

— Sua mãe é adorável — cochicho. — E eu usei sua escova de dente. 

Justin estreita os olhos para mim e me acomodo em uma cadeira em frente á Pattie. Ela me lança um sorriso simpático e retribuo com a mesma simpatia. Por fim, Justin se acomoda ao meu lado. Ele aproveita que sua mãe está se servindo de café para sussurrar em meu ouvido:

— Vou adorar ter o gosto da sua boca na minha higiene bucal — faz uma pausa e inala discretamente o cheiro no meu pescoço. — Tem certeza que usou somente minha escova de dente? 

Solto um risinho baixo e discreto.

— Então, Louisa — começa Pattie, me olhando. — Conte-me um pouco sobre você. Justin me falou tanto sobre você que parece que nos conhecemos há anos. 

Olho para Justin com um sorrisinho, e acho adorável a maneira como ele enrubesce. 

— Bom — começo, voltando minha atenção para a mulher em minha frente. — Eu acabei de me formar em medicina, mas vou começar a trabalhar somente em fevereiro. Enquanto isso, trabalho em um restaurante. 

— Uma mulher independente... gosto disso — confessa. — Mas em que área você se formou?

— Neurocirurgiã. Mas também trato da cirurgia em geral.

Pattie inclina-se sobre a mesa, mais interessada no assunto.

— Isso é bem legal! — Admite. — Mas, querida, você é uma mulher bem corajosa, não? Se eu ver sangue, pode ter certeza que eu desmaio na hora, imagina abrir uma pessoa e mexer em seus órgãos? Jesus!

Dou risada e Justin me acompanha.

— Tudo vai de pessoa — sorrio. — Muitas pessoas realmente não tem coragem de ver sangue ou de mexer no interior de um corpo, mas cada pessoa nasce com uma vocação diferente, assim eu acredito. Não gostar de ver sangue não torna-lhe uma pessoa covarde. 

Pattie balança a cabeça, sorrindo.

— Seus pais devem se orgulhar muito de você — diz ela.

— Bom — troco um olhar com Justin. — O meu pai certamente tem orgulho disso. Mas minha mãe morreu antes de poder ver eu me tornar uma médica.

— Oh — a expressão de Pattie muda drasticamente, como se ela tivesse dito alguma coisa de errado. — Me desculpe, eu não...

— Oh, não! — Balanço a cabeça, rindo. — Está tudo bem. Não me sinto desconfortável em falar sobre ela. A minha mãe foi uma grande mulher — digo com orgulho.

Pattie abre um sorriso, mais confortável.

— Tenho certeza que sim — diz ela. — Dá para perceber por você.

Sorrio.

— Obrigada — agradeço. — E você?

— Hum... — ela bebe um gole de café antes de continuar: — Sou divorciada, mas levo uma vida muito agradável. Eu trabalhei por muito tempo na empresa que esse garoto conduz — aponta para o filho com o queixo. — Por fim, não quis me ligar mais a nada que envolvesse o traste do pai dele e saí da empresa com trinta por cento das ações.

— Mãe — Justin a repreende ao ouvi-la falar de tal forma. — Não fale assim do meu pai, está bem?

— Ué — ergue os ombros. — Estou falando a verdade, não estou? — Ela se volta para mim. — Homens são todos iguais, Louisa. Não posso negar que ele sempre foi um bom pai, mas um marido... — ironiza, revirando os olhos. — Por fim, fico tranquila em saber que o meu filho não puxou ao pai. Pelo menos, não em tudo. De qualquer forma, ambos tem a mesma dificuldade para demonstrar os sentimentos. Acredita que aquele traste só disse que me amava na hora do parto do Justin? Sinceramente! — Bufa, frustrada.

Ai, meu Deus! Será que vai ser a mesma coisa comigo?

— Mãe, já chega! — Justin diz um pouco irritado. — Por favor, não faça essa imagem ruim do meu pai para a minha namorada. Eu sei que vocês dois têm suas diferenças, mas isso é entre vocês.

Pattie revira os olhos.

— Desculpe, minha querida — ela me olha. — Não quis assustá-la. Ás vezes eu acabo saindo um pouco do controle quando o assunto é o meu ex-marido.

Sorrio apreensiva.

— Tudo bem — digo, por fim.

— Então — começa Justin, afim de mudar de assunto. — Louisa, eu contei á minha mãe sobre aquela ideia do natal. 

— Ah, sim! — Pattie abre um sorriso entusiasmado. — Louisa, minha querida, eu adorei a sua ideia! Céus, eu não sei de onde você saiu, mas obrigada por estar dando um jeito no meu filho! — Ela me olha, agradecida. — Eu nunca o vi tão feliz desde a morte da... — troca um olhar com o Justin, mas não me incomodo com o assunto. — Enfim — balança a cabeça, tentando desviar o assunto —, obrigada por trazer felicidade para a vida dele novamente.

Sorrio um pouco sem jeito, no entanto, sinto orgulho de mim mesma. Olho para Justin discretamente, percebendo o quanto ele ainda fica afetado com o assunto ''Helena''. Eu sei que ele está tentando esquecê-la definitivamente, mas não imagino o quanto ele fica incomodado ao lembrar da morte da ex-noiva. 

— Eu fiquei abismada quando ele disse que não comemorava mais o natal — digo. — Então eu consegui fazer a cabeça dele e convencê-lo a comprar uma árvore e convidá-los para passar o natal aqui com ele.

— Bela árvore, devo mencionar — diz ela, e sorrio. — E eu adorei a ideia, mesmo tendo de aturar o traste do meu ex-marido. Porém, é pelo meu filho e eu faço tudo por ele.    

Olho para Justin que faz uma careta. 

O resto do café da manhã foi tranquilo, seguido de uma conversa agradável e risadas. Pattie é uma mulher excepcional: engraçada, simpática e uma ótima mãe. Parece ter um bom coração, assim como o filho. Apesar de Justin não gostar da maneira que ela trata o seu pai, vejo o carinho imenso que ele sente por ela estampado nos seus olhos.

No entanto, Pattie tem de ir embora. 

— Tem certeza que não quer que eu a leve em casa? — pergunta Justin, enquanto acompanha a mãe até a porta, abraçando-a pelos ombros. 

Estou logo atrás.

— Não, querido. Eu vim com o meu carro — toca carinhosamente o rosto do filho. — Cuide-se.

— Pode deixar.

Pattie desvia o olhar para mim.

— Cuide dele, querida. Nem sempre ele consegue manter essa cabeça no lugar.

Sorrio.

— Pode deixar, eu vou cuidar.

Justin revira os olhos.

— Foi um prazer conhecê-la, Louisa — Pattie me abraça. — Ficarei ansiosa por sua visita em minha casa.

— Ah, claro — sorrio. — Fico muito feliz em tê-la conhecido.

— Igualmente — ela chega mais perto e cochicha: — Meu filho é um homem de sorte — dá uma piscadela. 

Sorrio para ela, enrubescendo. 

— O que vocês estão cochichando aí? Mãe! — Justin a repreende, atraindo sua atenção.

— Coisas de mulheres, querido — Pattie sorri cúmplice para mim. — De qualquer forma, tenho que ir. 

— Tchau, mãe — Justin abraça a mulher com carinho. — Eu ligo depois.

— Vou esperar — ela espera enquanto Justin abre a porta, e já ao lado de fora, acena para mim. — Tchau, Louisa. Nos vemos em breve.

— Tchau — digo com simpatia, acenando de volta.

Justin espera que Pattie entre no elevador para fechar a porta. Ele se volta para mim, avaliando meu rosto, creio eu que busca por algum sinal de pavor. No começo, eu até estava apavorada, mas agora estou tranquila. Não é todo dia que você conhece a mãe do seu namorado, e por mais que ele tenha falado bem de você para ela, você sempre quer causar uma boa impressão. Fico feliz em não ter me esforçado para fazer isso. Apenas fui eu mesma. 

— E então? — pergunta ele.

— Sua mãe é muito simpática — digo com sinceridade. — E ela parece amar muito você.

Justin esboça um sorriso.

— Não ligue para o que ela disse sobre o meu pai. Sabe... eles têm sérios problemas — coça a nuca, um pouco incomodado.

— Não tem problema. 

— É por isso que eu não quis que eles ficassem no mesmo ambiente — limpa a garganta. — O clima fica muito pesado, sabe? 

— Eu tenho certeza que tudo vai dar certo — encorajo-o. — Mas, não querendo apressá-lo, eu não posso me atrasar para o trabalho.

— Ah, sim — balança a cabeça, como se tivesse acabado de se lembrar. — Eu vou trocar de roupa. Mas antes... — abre um sorriso.

— O que foi? — Observo enquanto ele caminha para o escritório.

— Espere um segundo.

Justin some entre a porta de madeira clara, e fico esperando no mesmo lugar sem mover um músculo. Poucos minutos depois, ele volta com dois papéis em mãos, sorrindo abertamente.

— O que é isso? — pergunto.

— São nossas passagens para Nova Iorque — diz com cumplicidade. 

Meus olhos se acendem.

— Eu... — começo entre risos, um pouco surpresa. — Eu não achei que você estivesse falando sério.

— Eu estava, sim — faz uma careta. — Você não estava falando sério? Não gostaria de ir á Nova Iorque?

— Claro que eu gostaria — me aproximo, sorrindo. — Eu só não imaginei que você realmente iria me levar á sério.

— Eu sempre levo — aperta os lábios. 

— Para quando é isso?

— Logo depois do natal — me entrega os papéis. — Mas infelizmente não vou poder passar mais que uma semana lá. Sinto muito.

— É o suficiente — sorrio, entusiasmada. — Ei, o que é isso? — pego um papel solto entre as folhas. 

— Ah, sim — morde o lábio inferior, com o sorriso escapando pelo canto da boca. — Nossa reserva para um jantar na Casa de Barcos.

— Não brinca! — Exclamo sem acreditar.

— Não estou brincando, não — ri de leve. — Como essa época do ano é muito cheia por lá, o restaurante sempre está muito lotado, então eu pedi para a Kate fazer uma reserva — diz com desgosto ao falar de Kate.

— Você é incrível! — Jogo meus braços ao redor do seu pescoço, e ele envolve seus braços ao redor do meu corpo, soltando uma risada gostosa na curva do meu pescoço. 

— Sou perfeito, não é? — brinca ele.

— Perfeito, não — solto uma risadinha. — Mas você chega perto.

Ele se afasta e segura meu rosto entre as mãos; olha nos meus olhos, abre um leve sorriso e me beija. Quase deixo as passagens escorregarem entre meus dedos com a intensidade do beijo. Sinto que deixei de pisar firme no chão, e que ele me segura em seus braços, pois minhas pernas fraquejaram de repente. Estou flutuando. Ah, Justin...

Ele se afasta com os braços ainda ao redor do meu corpo e sorri de um jeito jovial. Apesar de estar um dia nublado, a pouca claridade ainda consegue realçar seus olhos castanhos que parecem chocolate derretidos. Por um momento, me perco na imensidão dos seus olhos, percebendo o quão transparente ele está.

— Vou me trocar — anuncia, olhando fixamente nos meus olhos. — O que você está fazendo comigo, hein? — sussurra.

A sombra de um sorriso passeia pelos meus lábios.

— O que estou fazendo com você? — sussurro.

— Eu me sinto como seu prisioneiro — morde o lábio inferior. — Não tenho vontade de ir trabalhar só para ficar aqui com você. Nunca me senti assim em relação á nenhuma mulher... nenhuma — acrescenta com um sussurro, me fazendo derreter em seus braços. 

— Fico feliz em saber disso — umedeço meus lábios com a língua. — Pois eu sinto o mesmo.

Ele sorri.

— É melhor eu ir me trocar, não é?

— Sim — concordo com a cabeça, sorrindo. — Eu ainda preciso do meu emprego.

Ele segura o meu rosto entre as mãos e beija minha testa, descendo para os meus lábios logo em seguida, porém, o beijo não dura muito. Escorrego para fora dos seus braços e ele caminha preguiçosamente em direção ás escadas. Observo-o até que ele suma do meu campo de visão. Abro um sorriso embasbacado e me jogo no sofá, agarrando uma almofada entre suspiros de uma típica mulher apaixonada. Céus, estou voando tão alto que tenho medo de cair em algum momento e não ter paraquedas para me salvar. Eu só espero que esse seja realmente o lugar que eu devo estar, assim como o meu coração diz.

 

*                    *                    *

 

— Mais um pouco? 

— Por favor — murmuro, e Justin enche meu copo de vinho novamente.

— Vai com calma, docinho. Não vai conseguir trabalhar amanhã se continuar assim — abre um meio sorriso apreensivo. 

— Tem razão — bebo alguns goles do vinho e deixo a taça em cima da mesa de centro entre os sofás. 

— Você parece um pouco tensa — observa.

— É, eu estou — suspiro.

— O que está acontecendo, minha querida?

— Ai, Justin... — volto a suspirar, exausta do assunto. — As coisas lá em casa estão uma loucura. Meu pai pediu o divórcio para Mary, como eu já havia dito, e ela foi embora hoje. Ele está arrasado. 

— Quero dizer que isso é normal — segura minha mão. — Eu passei por isso, sei bem como é. Minha mãe ficou arrasada, mas você viu como ela é hoje em dia. Tenho certeza que o seu pai vai superar.

— Eu espero — mordo o lábio inferior. — Mas alguma coisa não está me cheirando bem.

— Como assim? — franze as sobrancelhas em confusão. 

— Não sei, é que... Sinto aqui dentro de mim que coisas ruins estão prestes a acontecer — esfrego o peito, um pouco angustiada. 

— Ei — Justin segura o meu queixo, me fazendo olhá-lo. — Não seja boba. Nada de ruim vai acontecer á você. Estou aqui para protegê-la, lembra? 

Sorrio.

— Então você é o meu super-herói? 

— Eu tento — sorri, vindo de encontro aos meus lábios, me beijando suavemente. 

— Eu tenho que voltar para casa — digo após ao beijo. 

Justin choraminga.

— Eu tenho que dar um apoio ao meu pai. Eu dormi aqui ontem, você não pode reclamar.

Bufa. 

— Justin...

— Eu sei, eu sei — diz. — Não estou sendo mesquinho. Longe disso. Só que é sempre difícil me separar de você.

— Que bonitinho — debocho com um beicinho.

— Não enche! — Empurra meu ombro de leve.

Dou risada.

— Desculpe — sorrio. — Será que eu consigo uma carona até em casa?

— Não precisa nem pedir. 

— Obrigada — digo enquanto observo ele passear pela sala em busca da chave de um dos carros.

— Vamos? — volta, segurando a chave entre os dedos.

— Vamos.

Pego minha bolsa em cima do sofá e nos dirigimos ao elevador. Chegamos ao estacionamento e Justin destrava um Saab amarelo. Depois de fechar a porta quando estou dentro do carro, se dirige ao banco do motorista e se senta sobre o volante. Põe o cinto de segurança e liga o carro com um ronco potente, arrancando pelo estacionamento vazio. 

Passamos pelo centro da cidade e o tráfego está um pouco lento por causa da intensidade de carros. É normal neste horário, e em quase todos os outros. Los Angeles é uma cidade superlotada, quase não se tem espaço para respirar. Quando todos saem para o trabalho ou voltam dele, as estradas do centro da cidade, entre os grandes prédios, lotam. Também existe os festeiros da noite e as patricinhas das compras do dia. Há gente de todo tipo por aqui. Dos mais ricos aos mais pobres. E eu? Bem, eu só sou a garota do café com um bom coração e a mente cheia de sonhos que teve um pouco de sorte por arranjar um cara tão legal quanto Justin, e por mais que seja difícil de se acredita, é um dos multimilionários que existem por aqui.

Justin estaciona em frente á minha casa, chamando a atenção de Celeste e um homem que conversa com ela do outro lado do pequeno muro que separa nossa casa da casa vizinha. Aquela casa era para estar vazia: parece que ganhei novos vizinhos enquanto estive fora por poucas horas. 

— Está entregue, mocinha.

Olho para Justin que tem um sorrisinho.

— Está parecendo o meu pai falando desse jeito — debocho, com um sorriso. 

— Não sou o seu pai, mas me sinto responsável por você mesmo assim — toca suavemente a ponta do meu nariz. — Gosto de mantê-la segura sempre.

— Sei disso.

Ele retrai o canto da boca, olhando nos meus olhos.

— Eu tenho que ir agora — quebro o silêncio.

— Estava torcendo para que você não dissesse isso — bufa.

Dou risada.

— Você vai superar ficar sem mim esta noite — seguro seu rosto entre as mãos e beijo seus lábios suavemente. — Acho melhor você ir. Você chegou do trabalho e eu nem deixei você tomar um banho e jantar. Descanse um pouco. Tenho notado que você anda um pouco exausto ultimamente.

Suspira.

— Você tem razão — admite. — Tenho trabalhado muito nos últimos dias. Por ora, acho que esta viagem á Nova Iorque será muito bem-vinda.

Sorrio.

— Agora eu tenho que ir.

— Me deixe te dar um beijo — sussurra, se aproximando um pouco mais.

Fecho meus olhos e deixo que Justin se aposse dos meus lábios. Seu beijo é tão suave que me sinto flutuando. Seu toque é como uma divindade e me causa arrepios.

Um tempo depois, interrompo o beijo, pois sei que sou capaz de ficar a noite toda aqui provando dos seus lábios.

— Tchau — despido-me.

— Tchau — responde, enquanto me observa sair do carro.

Aceno da calçada enquanto ele arranca pela rua. Viro-me para Celeste e me aproximo, sendo seguida pelo seu olhar e pelo olhar do rapaz com quem ela conversa.

— Boa noite — cumprimentos-os.

— Boa noite — responde o rapaz com um sorriso simpático. 

— Oi, Lou — Celeste me cumprimenta, com um sorriso divertido, como se acabasse de encerrar uma conversa engraçada. — Este aqui é o Alec. Nosso novo vizinho — informa.

— Muito prazer — Alec estende a mão, e eu a aperto.

— Igualmente — sorrio.

— Esta é Louisa — Celeste informa á ele. — Somos meio que irmãs... não sei... é complicado — olha para mim, um pouco confusa.

— Você pode me explicar amanhã, que tal? — Alec sorri para Celeste.

— Fechado.

— Minha mãe e eu nos mudamos para cá agora apouco — Alec se volta para mim. — Morávamos na Austrália, mas tivemos que nos mudar. Gostaria de ter novos amigos por aqui — sorri.

— Ficaria muito feliz em ajudá-lo — sorrio sem mostrar os dentes. — Ms agora eu tenho que entrar, espero que entenda.

— Não, está tudo bem — balança a cabeça. — Tenho que entrar também. Enfim, foi um prazer conhecê-las.

— Igualmente.

— Tchau, Alec — Celeste se despede.

— Tchau — acena enquanto caminhamos para dentro de casa. 

— Bonito, não? — diz Celeste enquanto fecho a porta.

— É — concordo, distraída.

— Vamos tomar um café amanhã.

Olho para Celeste.

— Vão?

— Sim — sorri.

— Mas... e o Maxon?

Celeste faz uma careta.

— Louisa, eu amo o Maxon — faz uma pausa. — Amo de verdade. Porém, eu decidi que não quero mais ficar correndo atrás de quem não me dar valor. Agora, se ele se sente realmente arrependido, que venha até á mim. 

Encaro Celeste, chocada com sua determinação.

— Não tiro sua razão — mordo o lábio inferior. — Eu só sugiro que vá com calma com suas decisões. 

— Sei o que estou fazendo — responde, segura de si. 

Papai desce as escadas, com uma expressão exausta e arrasada.

— Oh, filha, pensei que não dormiria em casa esta noite — diz, um pouco mais confortável com o assunto. 

— Eu quis voltar para lhe fazer companhia.

— Por que eu precisaria de companhia?

Encaro o meu pai, como se fosse óbvio.

— Eu vou para o quarto — anuncia Celeste, passando pelo meu pai e deixando um leve aperto em seu ombro.

Ela some pelo corredor do andar de cima.

— Como você está? — pergunto. 

Ele ergue o ombro lentamente, não podendo se expressar em palavras.

— Escute: — aproximo-me — não vai doer para sempre, está bem? Aquela mulher, ela não merece você. Logo você irá encontrar uma mulher que realmente te mereça.

— Oh, não — ergue os braços, rindo sem humor. — Sem relacionamentos, Louisa.

— Nunca diga nunca — sorrio sem mostrar os dentes. — Tudo vai ficar bem.

Suspira.

— Preciso de um abraço — olha para mim.

— Claro — deixo minha bolsa em cima do sofá e corro para os seus braços.    

Afasto-me, mas continuo segurando seus ombros.

— Já jantou? Posso fazer uma macarronada — sorrio.

— Opa! Acho que vou ficar deprimido mais vezes — brinca.

Dou risada e sigo para cozinha, e ele vem logo atrás de mim. Senta-se sobre a mesa enquanto caminho pelo espaço em busca dos ingredientes. Preparo o molho enquanto o macarrão cozinha. Espero e escorro o macarrão, para depois misturá-lo com o molho. Pelo cheiro, parece estar uma delícia.

Sirvo o meu pai e aproveito para comer um pouco.

— Justin me convidou para viajar — digo.

Papai ergue o olhar, surpreso.

— Viajar? Para onde?

— Nova Iorque — não consigo evitar um sorriso.

— Nova Iorque? — Exclama. — Uau! 

— Legal, não é? — bebo um gole do refrigerante. — Você se incomoda?

— Com o quê?

— De eu ir para Nova Iorque com ele? — encaro seus olhos azuis, que não são nada parecidos com os meus. Meus olhos são igualzinho aos da minha mãe.

— Você é maior de idade. Pode fazer o que quiser — dá de ombros.

— Eu sei, mas... sei lá. Não gostaria de partir sem ter certeza que você ficará bem — olho para ele, apreensiva.

— Eu vou ficar bem — assegura com um meio sorriso. — Quando vocês vão? Irão ficar lá por muito tempo?

— Não — balanço a cabeça. — No máximo, uma semana. Iremos depois do natal.

Ele balança a cabeça positivamente.

— Espero que vocês se divirtam nessa viagem — diz com sinceridade. — Você está mesmo precisando descansar. 

— Obrigada — sorrio e volto a comer mais um pouco da macarronada, que está muito boa por sinal.

Depois de comermos, lavo a louça e o meu pai seca, colocando os pratos no armário. 

 

*                    *                    *

 

Apesar de toda a neve, o dia de sexta-feira amanhece ensolarado, derretendo um pouco da neve acumulada na calçada. Ainda assim, o vento que balança meus cabelos é frio e me causa arrepios sempre que toca a pele do meu rosto. Consigo ver uma fumaça se formando em frente ao meu rosto toda vez que falo. 

Justin esteve muito ocupado essa semana, então quase não nos vimos. Também estou sem tempo; o movimento lá no restaurante está tão intenso que ás vezes penso que vou ficar louca. E ainda assim, estou correndo contra o tempo para preparar tudo para o natal. Por sorte, tenho todo esse feriado de folga. Fiz umas compras e Celeste está me ajudando a preparar a ceia de natal. Ela anda muito ocupada com o seu novo amigo, Alec. Ele é um cara legal, já veio aqui em casa duas vezes á convite de Celeste, e começo a desconfiar que ele tenha um carinho mais especial por ela. Não sei se isso é bom ou ruim, pois eu realmente torço para que ela e Maxon fiquem juntos. Sei que é só questão de tempo para ele perceber que pode gostar dela, mas tenho medo que seja tarde demais.

— Eu nem acredito que amanhã é natal — diz Celeste, enquanto corta os temperos para o peru. 

— Nem eu — admito. — O tempo está passando rápido.

— Sim, está — concorda. — Falta apenas um pequeno semestre para eu estar formada. Loucura, não?

— É bom estar formada. Você sente que finalmente deixou a adolescência para trás — suspiro. — Só que as responsabilidades aumentam, a pressão é quase sufocante e você ainda tem de lidar com contas para pagar.

Celeste dá risada.

— Não precisamos esquentar tanto a cabeça com isso — diz ela. — Somos muito jovens, Lou. Você só é três anos mais velha que eu, mas e daí? Vinte para vinte e três é praticamente um nada. Temos de ter responsabilidades, sim, mas também não podemos deixar de viver a nossa vida por causa de trabalho. 

— Faz sentido — bebo um gole de café. 

— Ansiosa para ir á Nova Iorque? 

— Muito — sorrio. — Já consigo me imaginar caminhando pelo Central Park e tomando café em um Starbucks maravilhoso.

Celeste dá risada.

— Que obsessão é essa por café? Cruz-credo! 

Sorrio, divertida. 

— Mas nada parece mais empolgante do que um jantar na Casa de Barcos — digo.

— Parece incrível — sorri. — Não esqueça de tirar fotos, o.k.? 

— Pode deixar.

— Que horas são? O Alec me chamou para dar uma volta.

— São quinze para ás nove — respondo, olhando no celular. — Você e o Alec estão bem próximos, não é?

— Ah — dá de ombros. — Ele é um cara legal.

— Você está gostando dele? — pergunto com cautela.

Celeste solta um muxoxo.

— Alec é um amor de pessoa, sabe? Me trata muito bem e é um cara que eu tenho certeza que gostaria de beijar — dá risada junto comigo. — Mas... — ergue os ombros, tentando se expressar. — Ainda não é o cara certo, entende? Pode vir a ser, mas eu ainda estou... magoada.

Olho para ela, apreensiva, e quando abro a boca para dizer alguma coisa, a campainha toca. Ouço o meu pai falar da sala que se encarrega de atender a porta. Minutos depois, Maxon aparece na cozinha. Celeste desvia o olhar, com uma expressão impassível, e sinto uma tensão pairar sobre nós.

— Oi — cumprimento-o para diminuir a tensão.

— Oi — Maxon responde, desviando o olhar de Celeste. — Eu estava aqui perto e decidi passar aqui para ver você — explica-se. 

— Ah — olho de relance para Celeste, que mantém o olhar fixados na janela da cozinha.

— Lou, eu tenho de ir — diz Celeste, quando Alec aparece no seu campo de visão ao lado de fora. — O Alec está vindo. Volto assim que der para ajudar com o resto dos preparativos.

— Tchau — digo enquanto observo ela caminhar para fora da cozinha, sem ao menos olhar para Maxon.

Percebo o quanto isso o deixa incomodado.

— Alec? — Maxon olha para mim, com a sobrancelha um pouco arqueada.

— É um carinha com quem ela está saindo — dou de ombros. — É o nosso novo vizinho.

— Ah — diz, olhando para Celeste e Alec da janela da cozinha se abraçando do lado de fora. — Eles estão...?

— Namorando? Não — bebo mais um gole de café. — Também não duvido que isso aconteça num futuro tão distante. Ele têm saído muito — provoco.

Maxon me olha de relance, afundado em pensamentos.

— Por que tanta pergunta? — Ergo uma sobrancelha com um sorriso de canto de boca. — Está com ciúmes?

— O quê? — Exclama. — Claro que não! Eu? Com ciúmes da Celeste? Por favor, né? 

— Então por que está tão nervoso?

— Eu não estou nervoso — bufa. — Chega de perguntas, está bem? 

Sorrio, divertida com a situação. 

— Bom, eu tenho de ir — diz ele.

— Eu te acompanho até a porta. Preciso encontrar Justin no centro da cidade — alcanço minha jaqueta em cima da mesa e a visto sobre os ombros.

Pego minha bolsa na sala e seguimos em direção contrária ao chegar ao lado de fora. Coloco meus fones de ouvido e sigo caminho ouvindo minha playlist aleatória. Pego um ônibus ao andar alguns quarteirões e solto no centro da cidade. Troco algumas mensagens com Justin que diz estar chegando. Paro na calçada até o sinal estar vermelho para eu poder atravessar, e quando dou alguns passos, um babaca freia com o carro em cima de mim.

Dou um pulo para trás, colocando minhas mãos no capô do carro. Meu coração acelera em uma fração de segundo e todo o sangue do meu rosto desce para os pés. Olho para o homem sobre o volante, que usa óculos escuros, mas consigo captar cada traço do seu rosto miserável.

— Tá louco, seu babaca? — Exclamo, batendo minha mão no capô do carro. — Seu imprudente dos infernos!

Algumas pessoas param para assistir o acontecimento. 

O homem sobre o volante me dá um sorriso de canto de boca debochado, e acelera o carro, me fazendo pular para o lado para não ser atropelada novamente. Ele arranca pela estrada, violando várias leis de trânsito e cortando vários carros, fazendo uma onda de buzinas ecoarem por onde ele passa. 

— Panaca! — Murmuro, e termino de atravessar o restante da faixa de pedestre. 

Recupero-me do susto e espero Justin no lugar combinado. Ele demorada um pouco para chegar — apesar de eu odiar isso —, mas espero pacientemente. Depois de quinze minutos, ele aparece do outro lado da rua, carregando seu iPhone e enfiado num terno azul escuro muito bem cortado; sua camisa tem os dois primeiros botões abertos e não usa gravata. 

Justin atravessa a rua e me agarra para um beijo. Dou risada entre seus lábios, enquanto sinto seu sorriso.

— Oi — diz com um sorriso quando se afasta, mas continua com os braços ao redor do meu corpo. 

— Oi — sorrio. — Isso tudo é saudade?

— Você nem imagina o quanto — confessa. — E aí, está com fome? Não tenho muito tempo.

— Estou morrendo de fome.

— Vamos almoçar então — seu sorriso desaparece quando ele olha para o meu rosto. — Você está pálida. Está se sentindo bem?

— Estou bem — suspiro. — Um babaca quase me atropelou quando estava atravessando a rua e acho que estou um pouco assustada ainda.

Justin franze as sobrancelhas.

— Meu Deus, como isso foi acontecer? Você se machucou? — despeja a pergunta, revistando o meu corpo em busca de alguma ferida. 

— Calma — dou risada. — Eu estou bem. Só foi um susto.

— Tem certeza? — olha para eu, preocupado.

— Estou bem, sério — asseguro. — Vamos almoçar. Você não tem muito tempo, lembra?

Ele suspira, e balança a cabeça positivamente. Entrelaça nossas mãos e seguimos caminhando pela calçada. E mesmo com todo esse frio, sua mão continua quente e aquece o restante do meu corpo. 

— Eu nunca te dei flores — ele para de repente.

— Hum... não. — Olho para ele, confusa. — Mas por que isso agora?

— Espera aqui — Justin me dá um selinho e corre para o outro lado da rua, atravessando entre os carros. 

Fico parada na calçada, confusa, mas dou risada quando ele para em uma barraquinha de flores. Esse menino é tão bobo, só pode. Uma hora está nervoso e estressado, outra hora está doce e romântico. De qualquer forma, eu o amo mesmo assim. 

Espero na calçada e finalmente ele anda em minha direção com um buquê de tulipas. Espera o sinal vermelho e atravessa, e basta um segundo para tudo virar uma confusão. Olho para o lado, em direção á um carro que vem á toda velocidade contra mim, e não tenho reação para me mover. Fecho os olhos, esperando a pancada, até que sou jogada para o lado, ralando meus braços contra o meio-fio. Braços estremecidos me envolvem com força, me causando uma onda de pânico. Abro os olhos, vendo o carro sair em disparada pela rua, dobrando a esquina á toda velocidade.

— Louisa, você está bem?

Olho para Justin em estado de choque, enquanto tento me fazer falar, mas tudo que consigo fazer é olhá-lo enquanto seus braços estão ao meu redor. Ele se levanta, me puxando para ficar de pé. Pessoas de todos os lados pararam para ver o acontecido, e Justin só está preocupado em verificar se estou bem. Ganhei um ralado no braço esquerdo, na parte abaixo que a jaqueta está dobrada, e um corte pequeno alinhado na testa. 

As tulipas estão espalhadas pela pista.

— Louisa, fala comigo, por favor! Você está bem? — Justin agarra meu rosto entre as mãos, e olho para seus olhos aflitos.

— O carro... — balbucio, em choque.

— Está tudo bem — sussurra.

— O carro... — repito, tentando me fazer falar. — É o mesmo que quase me atropelou antes de você chegar.

Justin olha por cima do ombro, por onde o carro seguiu. Olha para mim novamente, um pouco assustado.

— Você tem certeza?

Balanço a cabeça positivamente. 

— Está tudo bem — ele me puxa para perto, me abraçando.

Deito a cabeça em seu ombro, com o coração batendo forte. No entanto, sei que isso não se trata de uma mera coincidência: a primeira vez foi como um aviso, e na segunda, ele tentou finalizar o serviço e me matar.

Mas por quê? Eu ao menos o conheço, mas seu rosto continua gravado em minha mente.  


Notas Finais


☼ Minhas queridas leitoras, quanta demora, não é? Peço mil desculpas pela demora, mas é aquela velha história da internet. E mesmo que demore séculos para postar cada capítulo, não vou abandonar vocês. Mas espero que eu possa postar o mais rápido possível.

☼ Eu gostaria de informar quem são as pessoas que interpretam nossos personagens: Louisa é interpretada pela Lucy Hale, como vocês devem ter percebido na capa da fanfic. Celeste é interpretada pela Jenna Coleman, o Maxon pelo Daniel Sharman, o Rick pelo Andrew Lincoln, a Mary pela Jennifer Aniston, e nosso novo personagem, Alec, pelo Chris Wood. Não podemos esquecer de Luara, que é interpretada pela Adelaide Kane e Milena por Kate Graham.

☼ Queridas, eu tenho outra fanfic (finalizada) que deixarei o link caso vocês se interessem em lê-la: ( https://spiritfanfics.com/historia/a-garota-que-voce-deixou-para-tras-5742301 ) Ela se chama: ''A Garota Que Você Deixou Para Trás''. Deem uma olhadinha lá, prometo que não vão se arrepender, certo? Mas não me abandonem aqui, pelo amor de Deus!

☼ Algumas leitoras se manifestaram sobre o flash back do casal Jouisa e então decidi escrever o capítulo. Porém, estou pensando em deixá-lo para o final, como um epílogo. Não quero que me odeiem por isso, mas é que a história está envolvente demais para eu interrompê-la em um capítulo assim do nada. Por isso eu decidi deixá-lo para o final. Também não quero fazer um flash back assim do nada, quero que seja um capítulo único e especial. Acho que vocês já perceberam que gosto dos detalhes, hehehehe! Mas eu vou escrever, não se preocupem com isso.

☼ Tenho de agradecer ás leitoras que vêm me ajudando a divulgar a fanfic, seja indicando para as amigas ou colocando no perfil. Não tenho nem palavras para descrever o tamanho da gratidão que tenho por vocês. Isso ajudou a fanfic a crescer bastante nos últimos dias, pois de 80 favoritos a fanfic pulou para 200 e continua crescendo. E que assim seja pelo decorrer dos dias. Cada favorito é importante, cada ajuda é bem-vinda, então, muito obrigada.

☼ Já disse que adoro ler os comentários de vocês? Pois saibam que eu simplesmente amo! Ver vocês participando de cada capítulo, deixando suas opiniões e elogios, isso me deixa muito feliz. Podem deixar suas críticas, podem deixar sugestões: eu leio cada uma com enorme carinho. E para quem me adicionou como amigo, podem conversar comigo, eu sou um amorzinho, uma pessoa bem legal, então não sejam tímidas! Porém, me mandem uma mensagem direta, não conversem comigo pelo bate-papo porque estou usando o spirit pelo aplicativo do celular. Se alguém tiver alguma pergunta, pode ficar á vontade para fazer; seja ela da fanfic ou sobre mim. Quem quiser meu número de whatsapp, só é me mandar uma mensagem.

☼ E, por fim, meus agradecimentos á todas vocês, leitoras, que sempre me acompanham e participam dessa história e faz com que ela seja maravilhosa. Vocês são as melhores leitoras que existem, sério. Obrigada por todo o carinho e compreensão, pelos textos enormes e pelo entusiasmo em cada palavra. Amo vocês, e cada uma de vocês tem um lugar reservado no meu coração.

Um beijo de luz e vejo vocês na próxima! ♥


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