História Borderline - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Categorias Ansel Elgort, Ashley Benson, Bella Thorne, Chloë Grace Moretz, Jaden Smith, Justin Bieber, Pattie Mallette, Ryan Butler, Selena Gomez, Tyler Posey
Personagens Ansel Elgort, Ashley Benson, Bella Thorne, Chloë Grace Moretz, Jaden Smith, Justin Bieber, Pattie Mallette, Ryan Butler, Selena Gomez, Tyler Posey
Tags Jelena, Justin Bieber, Selena Gomez
Exibições 512
Palavras 3.313
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Escolar, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 23 - Nós vamos ficar juntos.


Fanfic / Fanfiction Borderline - Capítulo 23 - Nós vamos ficar juntos.

Eu podia ter tido mais calma.

Eu podia ter ido mais devagar.

E enquanto encarava seu corpo sobre uma cama, chegava à conclusão de que eu poderia ter gostado de outra pessoa. Alguém que curtisse o mesmo estilo que o meu, que fosse fã de recados em pequenos pedaços de papéis. E não de alguém tão complicada, não dela.

Me sentia tão horrível em culpá-la por algo, me sentia mórbido e me questionava por quê. Era egoísta. Mas, por tanto tempo, tentei entender por que nunca disse que a amava. E eu amo, amo tanto.

Passei horas sentado num banco qualquer daquele quarto de hospital.

459 era o seu número.

Ela não se movia, mas respirava talvez de um modo incomum, todavia sentia suas articulações palpitarem. E por mais mínimas que fossem as possibilidades de ver seus lindos olhos pardos se erguerem, conseguindo alcançar o sorriso que, de certa forma, ilumina uma cidade inteira, eu acreditava que isso pudesse mesmo acontecer. Mas, ao contrário disso, as horas se passaram e o mundo pareceu pequeno. O barulho dos aparelhos se intensificava à medida que meu coração parecia encolher-se dentro de mim, apertando meu peito.

Eu senti imensidões por ela.

— Selena está bem. — o rapaz conclui, apertando seus braços de um modo que me faz perceber a quantidade de tempo que passei aqui, encarando-a adormecida e pálida. — Obrigado por ter vindo. Mas pode ir para casa, se quiser. Ela não acordará hoje.

— Eu vou ficar. — seus olhos se movem inteiramente. Ele respira fundo antes de prosseguir.

— Eu sei que você gosta da minha irmã, e acredito que tenha sido a melhor coisa que aconteceu na vida dela, mas... Eu soube de Princeton. — imediatamente, viro meu rosto para encarar o de Thomas, tento decifrar o que vem a seguir. Ele mantém uma típica expressão calma, que poderia reconstituir diversas circunstâncias. — Selena precisa viver uma rotina. Mudanças não podem fazer parte do seu dia-a-dia. Não estou pedindo para você partir, mas quero que se afaste aos poucos. Não deixe que ela pense que você a abandonou, no final de tudo, porque é isso que acontecerá.

— Eu não farei isso. Não a abandonarei, eu só... — pensar a respeito parece errado, pois eu a fiz falar e fazer tantas coisas que não havia dito e feito antes de me ter por perto.

— Não é você. É ela. As coisas são assim.

Eu não sabia o que dizer, porque, na verdade, também não sabia lidar com aquela situação.

É horrível a sensação que sinto ao ver a garota que eu gosto numa cama de hospital. E mais horrível do que isso é saber que a garota que eu gosto quis se matar.

— Filho? — sua voz me desperta, fazendo com que eu suba meus olhos à altura dos da pequena mulher de pé em minha frente.

Telefonei há algumas horas para avisar que não voltaria para casa. Agora, às três da madruga, ela está aqui comigo.

— Eu vou passar o restante da noite aqui. — torno a dizer o que pensara enquanto mantínhamos uma curta conversa, esta ocorrida um pouco antes das onze.

— Eu sei. Mas vim lhe trazer algo. — suas mãos finitas deixam evidente um simples receptáculo escuro. — Não quero que fique com fome.

Meu sorriso se alarga. A única coisa capaz de arrancar isso de mim é o fato de vê-la tão compreensível enquanto me olha nos olhos.

Pattie, com seu corpo monumental, consiste-se ao meu lado. Sua fragrância natural invade o ambiente e me enche de ternura. Eu sinto uma absurda vontade de chorar, mas a dor é tão forte que impede que isso aconteça.

— O que aconteceu?

Não entendo a dificuldade que sinto em falar a verdade. Talvez seja porque soltar isso em voz alta me parece tão incluso à abstinência que tenho em querer esquecer o que aconteceu.

— Intoxicação medicamentosa. — minha mãe junta as sobrancelhas de uma só vez, questionando-se sobre o assunto.

— De maneira abusiva? — balanço a cabeça concordando com sua especulação. — Oh, céus! Como ela está?

— Ficará bem, acredito. — ela apoia suas mãos entre os seios, relaxando os ombros prontamente. — É que eu... Eu não consigo lidar com isso. Eu não consigo. — insisto, um pouco antes de limpar a garganta por conta do nó que estivera a machucando.

Sinto suas pequenas mãos se envolverem pelo meu corpo, acolhendo-o como resultado de amor materno. Contudo, aos poucos, deslizo-me em sua pele até apoiar a cabeça em suas pernas retas, cobertas por um jeans qualquer, gelado e pecaminoso.

Meus cabelos são acariciados pela ponta de suas unhas grandes, banhadas por um esmalte neutro e belo. E, novamente, aquela vontade de chorar se propaga, mas não o bastante ao ponto de transbordar pelo meu rosto abatido. Juro eu estar de tal maneira. Desolado e confuso.

— Eu amo aquela garota. — confesso, e nunca fiz isso antes. Não diretamente. Não para outras pessoas. — E saber que ela tentou tirar a própria vida me deixa péssimo. — enquanto isso, ainda consigo pressentir os toques de seus dedos em minha pele amarelada. — Eu nunca pensei que estaríamos da forma como estamos hoje. No começo, me aproximei de Selena por puro capricho e curiosidade. Eu queria saber mais sobre ela. Acreditava me apaixonar, em algum momento, mas... Agora eu penso que deveria ter gostado de uma garota diferente, talvez um pouco mais normal e menos complexa. — rapidamente, solto uma risada irônica, a própria contendo um sôfrego em sua extremidade. — Eu sei. Falar desse modo parece ridículo, eu me sinto um idiota. Só que... Ela não pensou em mim. Não pensou nem por um segundo em como eu me sentiria caso ela tivesse morrido.

Então, a mulher estufa seu peito após tanto ouvir e me encara de cima, deixando evidente seu amor que tanto me abriga.

— Ela precisa de você.

[...]

Distante, observo-a abrir seus grandes olhos pardos e fixa-los numa região específica, isso até acostumar-se com o clarão comum do quarto e analisar o lugar em que se encontra durante os segundos sequentes.

Sua pele parece pálida enquanto todo o resto das partes está fraca. As rachaduras de seus lábios entregam a vulnerabilidade instável da garota, esta agora sentada sobre a cama com uma expressão desfeita, como se sua face estivesse desmanchando-se aos poucos.

— Como está se sentindo, Selena? — é o que a enfermeira pergunta. Ela encara a paciente de maneira cuidadosa.

Seu irmão mantém os braços cruzados à espera de uma sequência.

— Eu quero ir para casa. — noto a diferença brusca de seu tom de voz. Dessa vez, assemelha-se a uma tonalidade absurdamente antipática. — Por que você fez isso? — depressa, seu rosto se move num movimento avulso. Ela encara seu único irmão.

— Eu fiz o que foi preciso ser feito. — ele responde; olha o relógio e observa a hora passar.

Não sei se ela me nota agora, à estreita, ou se isso não importa, de toda forma. Mas pareço invisível.

— Me leve para casa. Não gosto desse lugar. — a garota orienta-se a retirar alguns dos pequenos aparelhos que estiveram ajudando-a na noite anterior. Porém, a auxiliar trava a mão sobre a dela. — O que está fazendo?

— Você ainda não recebeu alta, Selena. Então, precisará passar mais um dia aqui. — seus olhos, imediatamente, se abrem assustados, de forma máxima. — Estou encarregada de cuidar de você no que for preciso.

— Eu não preciso da sua ajuda. — ela berra, batendo os punhos rígidos sobre a cama. — Eu quero ir para casa.

— Selena, você não está bem. — Thomas diz, ele se aproxima da irmã.

— Eu estou ótima. — em disparada, seu corpo se ergue, quase num pulo incomum. Mas, em aptidão, o rapaz desloca-se do perímetro onde se manteve por algum tempo até afagar os cabelos de Selena.  — Solte-me, Thomas. Não faça isso comigo. Não me deixe aqui.

— É apenas um hospital. Eu não a deixarei. — ele explica.

Me sentindo pior, limpo a garganta, razão pela qual ela finalmente me olha. A princípio, a atmosfera aparenta carregar aflição, mas, sobretudo, seus grandes olhos escuros se movem em benefício ao modo como ela tenta desvencilhar-se de Thomas em gestos grotescos e brutos. Seu jeito parece agressivo.

— Thomas, por favor, não me deixe aqui. Eu não quero ficar nesse lugar. Me leve para casa. — seus braços são sacudidos, a garota esperneia enquanto tem seu corpo preso às mãos do mais velho.

— Acalme-se. — a enfermeira implora. — Mantenha a calma, Selena, ou terei de sedá-la. — dou alguns passos para trás, recuando em completo assombro.

— Não. Tire suas mãos de mim. — Selena persiste. — Tommy! — por impulso, deito meus olhos e, durante segundos, dessa forma fico. — Por favor, me leve para casa. Não me deixe aqui. Por favor, não me deixe aqui. — seus gritos são estridentes, aparentemente ferem suas cordas vocais afiadas.

Tudo parece fora de controle visto por terceiros.

A enfermeira recolhe uma pequena seringa; a ponta de sua agulha brilha por conta do contraste existente no quarto. Eventualmente, penso ser uma má ideia, mas chego à conclusão de que fora o melhor ao ver Selena desfazer-se nos braços de Thomas após receber a extremidade da vértice empurrada contra sua pele em desbotamento constante.

— Vai ficar tudo bem, meu anjo. — o rapaz responde, levando-a de um jeito delicado até a cama dissolvida. 

A garota demonstra quietude por conta do sedativo.

— Não me deixe sozinha. — sua voz está débil, em constante súplica. Percebe-se um timbre indisposto enquanto seus olhos se movem em completa fragilidade.

A mulher retira da face clara de Selena, alguns dos fios de seus cabelos sedosos e escuros. Prontamente, revira seus globos oculares pela região próxima até alcançar meu corpo imerso à fraqueza do lugar. 

Ainda estou com os braços esticados, totalmente motivado a correr para longe.

— É melhor deixá-la descansar. — a loura fala, indiretamente a mim, claro. — Mais tarde ela estará melhor, talvez com o humor um pouco mais considerável. E, então, poderá ir para casa.

Ao vê-la com seu corpo, neste momento, próximo ao batente, crio coragem para me mover. Passo pela porta sem olhar para trás, sabendo que deixo algo ao caminhar depressa em direção à saída do hospital.

Eu não quero vê-la mais. Não agora. Não desse modo.


Algumas horas mais tarde.
03H01MIN PM.

Pela nonagésima vez, giro a cadeira na qual meu corpo está consistido, ainda sem compreender, em partes, o que meus olhos tanto mantiveram-se envolvidos. Entretanto, a região iluminada do monitor à frente rouba meu interesse, fazendo com que, novamente, eu encare o texto seguinte relacionado à Personalidade Borderline.

É um transtorno mental grave com sérias oscilações de humor e impulsividade. Uma pessoa com o diagnóstico borderline possui hiperatividade emocional em que estão constantemente sobre a carga de emoções muito intensas. — apesar de não ter desejado, minha voz escapou quase imperceptível. — Droga.

Sacudo a cabeça e fecho os olhos após consistir meu rosto na mesa que segura o computador. Porém, segundos depois, torno a prosseguir com a leitura.

Eu só precisava de algum tempo para respirar melhor.

Fique atento às ameaças de suicídio e às automutilações, características do border. Nesses casos, dê atenção ao doente, converse e passe tempo com ele, compreenda suas angústias e aflições.

No instante em que ouço a porta ser aberta de maneira rápida e precisa, pressiono o único botão que há no monitor, desligando-o de imediato, isso para evitar que a seguinte pessoa tenha em mente o que tanto me atormenta.

Desde que deixei o hospital, não paro de pensar sobre isso.

Os olhos azuis de Ryan entram em contato com minha aflição explícita. Dessa vez, relaxo meu corpo antes de caminhar até a cama.

— E aí? — antecipadamente, sorrio para o rapaz, uma vez acostumado com sua face pouco receptiva. De todos, ele sempre foi o mais sério.

— Está tudo bem? — devido à pergunta, elevo uma de minhas sobrancelhas, pressionando a mesma com dois dos meus dedos. — É que você não costuma faltar às aulas, principalmente em dias de treinos.

Ainda bem que eu sei fingir, embora não queira mentir para o meu melhor amigo.

— Eu estou bem.

Seu olhar entrega a seguinte questão: "você está falando sério?" E antes de admitir, transbordo-me num alto e doloroso suspiro.

— Selena tentou se matar. — não compreendo a maneira como sou visto de fora, pois Ryan mantém a mesma expressão desde que passou pela porta.

Somente uma coisa me faria bem agora. Adormecer por longas horas.

— Eu não sei o que dizer. — sua reação é compreensível em vista do assunto. — Ela está bem, de qualquer maneira?

— Espero que sim. — começo, agora largando meu corpo sobre o colchão macio. Durante esse tempo, aliso o lençol com as costas das mãos. — Eu não sei se quero ter essa conversa.

— Nunca tivemos essa conversa.

Sendo mais claro, nunca falamos de sentimentos, apesar de Ryan ser apaixonado por Ashley desde a oitava série. Sempre foi algo estável, ele dizia gostar dela, mas não havia tanto o que falar sobre isso.

Admitir é o primeiro passo para lidar com as emoções próprias e eu nunca passei por isso antes. Eu nunca me apaixonei por ninguém, verdadeiramente... Até aqueles dias em Amsterdã.

— Eu não deveria ter me apaixonado. Não por ela. — é o que eu mais venho pensando desde a última madrugada. Durante a tarde, me entupi com cafeína para conseguir manter os olhos abertos. — Eu sei que estou sendo egoísta, mas é difícil lidar com essa situação, Ryan. Selena é a garota mais incrível que eu conheço. Ela é linda, é amável e não tem ninguém igual a ela, só que... Eu não consigo lidar com o que acontece. Eu não sei se estou preparado para simplesmente engolir as coisas que ela faz, diz ou passa. Além de que... Em poucas semanas eu estarei indo embora e Nova Jersey fica há 4.711 km daqui. Há 2.927 milhas de distância.

Há um silêncio entre nós, algo que dura por alguns minutos.

— Desculpe, eu não faço ideia do que te dizer agora. — meu amigo confessa, passando as mãos em seus cabelos dourados. Seu semblante está tenso. — Acontece que eu e Ashley também não estamos tão bem assim. Eu sinto como se estivéssemos forçando uma relação por conta da bebê. Não falamos sobre nós, só falamos sobre isso. Sobre a gravidez, sobre como as coisas serão depois que a criança nascer... É como se fizéssemos isso por obrigação e não porque realmente nos gostamos.

— Falando nisso, durante todos esses dias, eu nem te perguntei como está sendo. É tão típico de mim falar sobre eu mesmo.

O rapaz ri.

— É como eu te disse. As coisas estão sendo pressionadas, empurradas com a barriga. Mas talvez isso seja o melhor.

— O seu erro é esperar demais e nunca fazer nada. — Ryan pisca fortemente, esperando pela continuação. — Você nunca teve iniciativa. Durante três anos, a amou em silêncio. E agora que tem a chance de ficar com ela, está deixando tudo seguir à força.

— E o que você quer que eu faça, afinal?

— Ryan, você acha que a Ashley não é apaixonada por você também? Ela é, sempre foi. — meu tom circula irado, porém não estou irritado por conta disso. — Mas ela não vai falar isso a você. Ela não vai te chamar para sair. Ela não é esse tipo de garota. Na verdade, ela espera que você faça isso, que você seja esse tipo de cara. Ashley foi e continua sendo a garota mais popular do colégio. Ela é a rainha do baile, os garotos a chamam para sair. Então, por que acha que ficar de braços cruzados fará com que você consiga ser algo a mais do que o pai do bebê dela? Está na hora de ser mais intuitivo. Fale o que você pensa, faça o que você quer. Você já tem meio caminho andado, portanto não dificulte o restante. Convide-a para sair, não fale do bebê, esqueça esse detalhe. E se ela tentar entrar no assunto, deixe claro que não é algo que vocês precisem se preocupar agora.

— Mmm. Você tem razão. — ele respira fundo ao estufar o peito. — A verdade é que eu fico muito nervoso quando estou com ela. Fiquei tão confuso com essa história de gravidez, mas feliz em saber que ela é a mamãe da minha filha. E nossa! Como falar isso em voz alta parece assustador.

De maneira ágil, nós dois rimos.

Em questão de instantes, prossigo:

— Eu estou feliz por você, de todo modo. E quero ser padrinho da Lottie.

— Não teria uma pessoa melhor para isso.

Então, as horas se passaram.

Primeiro eu chorei, senti medo e pena. Foi um pequeno tempo perdido, admito. Minha mãe falou comigo sobre como devemos seguir nossos corações. Se tivéssemos tido essa conversa há meses atrás, eu teria pensado no quanto ela se assemelha a uma vulnerável mulher apaixonada, que acredita que o amor é uma coisa tão valiosa quanto nossas próprias prioridades. Não que em algum momento eu tivesse pensado que nunca sentiria isso que sinto hoje, mas houve sim um tempo em que ousei achar que não importasse quem fosse a garota, eu jamais a colocaria acima das minhas prioridades. Mas Selena merece. Por isso não insisti em querer me afastar aos poucos. Eu pensei, assumo. Pensei em deixá-la para trás. Sentir saudade por um tempo até que isso se tornasse apenas uma coisa que passou pela minha vida. Pensei em nunca mais olhar para ela, culpar aquele egoísmo que teve ao tentar tirar sua respectiva vida, eu tentei colocar isso na minha cabeça, achando ser a melhor opção. Eu iria antecipar o sofrimento de ambos e, quem sabe, encerrá-lo mais cedo, porém, não o faço. Eu simplesmente entro em meu carro e vou até ela, porque eu a amo e eu nunca amei ninguém.

Assim que Thomas bate seus olhos em mim, um sorriso amigável cresce em sua face anêmica.

— Você é teimoso, hein, garoto?

Sem o que dizer, concordo balançando a cabeça, agora indo em direção ao quarto de Selena, este no final do corredor estreito e sem luz.

Ao passar pela porta, eu a vejo deitada em sua cama, como havia constatado durante os minutos pegando a estrada vazia devido às horas.

Retiro minha mochila das costas quando me sento ao lado de seu corpo pálido. Involuntariamente, os olhos da garota se abrem, só que de maneira calma e delicada, como se sentissem medo do que provavelmente poderiam ver.

— O que você faz aqui? — não entendo a forma como ela me olha, transmite insegurança e impaciência. — Eu não quero te ver.

Enquanto isso, retiro da mochila a pequena bandagem que trouxera de uma farmácia há três quadras daqui, juntamente da finita embalagem com esparadrapos. 

Selena assiste cada movimento que faço com as mãos até alcançar seus braços nevados, dessa vez, esticados e quase sem vida.

Contorno a atadura em sua pele até atingir a área da articulação. E concluído, pressiono o adesivo no limite da faixa, deixando-a intacta e repetindo o procedimento no braço seguinte.

— O que significa isso? Você acha que eu irei me cortar? — por fim, Selena pergunta.

Sim, isso passa pela minha cabeça.

— Eu não acho nada. — ao responder, guardo os utensílios que uma vez foram usados.

Aproximo meu rosto e beijo seus lábios de forma rápida, pois sinto meu corpo ser empurrado com pressa, tornando brutal esse mesmo deslocamento. No entanto, Selena vira de costas, passando-me a sensação de angústia.

— Por que está fazendo isso?

— Eu não quero te ver. Não quero que fique aqui. — é o que ela diz antes de mais nada. — Vá embora, tá legal?

— Não.

— Como? — a garota me olha em disparada.

— Não irei te deixar sozinha. Não irei deixar você fazer aquela merda de novo. — aperto os punhos ao me lembrar. Por isso, sinto uma imensa vontade de descontar a raiva em algo, em alguém. — Nós vamos ficar juntos.

— Você vai se cansar.

— Não vou, pois você é tudo que eu quero.

Enfim, seu sorriso começa pelo olhar.


"Eu não sei se você significa tudo para mim. E eu me pergunto se posso te dar tudo que você precisa." — Deep End


Notas Finais


Cheguei com mais um capítulo para vocês. Confesso que não é um dos meus favoritos, mas isso a gente supera. Não aconteceu muita coisa – ou nada –, porém é a vida que segue e nós também.
Estarei respondendo os comentários amanhã mesmo, pois já sinto sono. Amei ver que muitas de vocês reapareceram. Fico feliz por saber que não abandonaram a história. Por favor, não sumam.
Por hoje é só. Espero que gostem pelo menos um pouco. Logo estarei postando mais um cap. Obrigada mesmo. E olhem quem voltou:
https://spiritfanfics.com/historia/after-midnight-7158112 ✨💛


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