História Born to Die - Capítulo 29


Escrita por: ~

Postado
Categorias Capitão América, Demolidor (Daredevil), Elektra, Jessica Jones, Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Dr. Bruce Banner (Hulk), Feiticeira Escarlate (Wanda Maximoff), Franklin "Foggy" Nelson, James Buchanan "Bucky" Barnes, James Rupert "Rhodey" Rhodes, Jessica Jones (Safira), Karen Page, Laura Barton, Maria Hill, Matt Murdock, Natasha Romanoff, Nick Fury, Pantera Negra (T'Challa), Peggy Carter, Personagens Originais, Pietro Maximoff (Mercúrio), Sam Wilson (Falcão), Scott Lang, Sharon Carter (Agente 13), Steve Rogers, Thor, Visão
Tags Aaron Taylor- Johnson, Bucky Barnes, Caity Lotz, Drama, Guerra Civil, Os Vingadores, Pietro Maximoff, Romance, Sebastian Stan, The Avengers
Visualizações 33
Palavras 4.203
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Fluffy, Luta, Mistério, Misticismo, Saga, Super Power, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OI, PESSOAL!

Depois de 85 anos, eu estou aqui com um novo capítulo ♥

Muito obrigada a todos os novos leitores e a participação de vocês. Eu fico muito feliz por todo esse carinho e isso me anima muito a continuar a história, mesmo com o meu dia a dia para lá de agitado.

NOVIDADE:

- Eu estou escrevendo uma nova fanfiction no Universo Marvel.
Ela é um SPIN OFF de Born to Die. Para quem se lembra, na ONE SHOT Long & Lost tivemos a introdução de uma personagem sem nome, acompanhada de Matt Murdock. Muitos leitores ficaram curiosos sobre ela e a sua história E AQUI ESTÁ ELA ♥

Apresento a vocês Rose, protagonista de Here by Choice ♥

Rose deixou Nova Iorque e a sua vida para trás para defender uma antiga amiga em um caso de estupro na corte da Califórnia e ela mal podia esperar que isso a levaria a um encontro com um motorista que entregou a alma ao diabo e, agora, estava determinado em tomar a sua alma para saciar a sua sede de vingança. Determinada em salvar a amiga e detonar uma gangue dominante de Los Angeles, Rose precisará encarar alguns fantasmas do seu passado, como também quem ela será no seu futuro: uma heroína ou a sombra do seu irmão.

https://spiritfanfics.com/historia/here-by-choice-9955118

Essa história terá MUITAS referências a Os Vingadores, como também a eventos do Daredevil e Justiceiro, no entanto, o foco será na série Agents of S.H.I.E.L.D e Robbie Reyes, o Ghost Rider ♥

Quem se interessar, fique a vontade para ler e comentar.

Espero que vocês curtam esse novo capítulo de Exile ♥

Até a próxima!

Capítulo 29 - Exile - Capítulo 06 - Symbol


Fanfic / Fanfiction Born to Die - Capítulo 29 - Exile - Capítulo 06 - Symbol

SYMBOL
aquilo que, por convenção ou por princípio de analogia formal ou de outra natureza, substitui ou sugere algo.

 

Galpão abandonado, norte de Tóquio.  

Lee e Willa despistaram os capangas. Sem armas, eles só tinham o instinto a favor deles. Willa sabia que aquele galpão estava bem no caminho e seria o primeiro lugar onde os capangas revistariam em busca deles, só que eles precisavam retomar o fôlego e planejar uma fuga. Só que eles não são parceiros em uma missão. Eles eram inimigos. E Lee fez questão de lembra-lá disso ao tentar meter um cano enferrujado contra a cabeça dela. A sorte dela era o seu sentido aguçado. Ela escutou o cano cortando o ar, o cheiro de ferrugem misturando com o ar. Ela levantou o braço, mas não conseguiu aplicar um contragolpe com primor, recebendo o impacto do metal contra o antebraço. Ela distanciou de Lee, gemendo pela dor do metal contra o seu osso. Talvez, uma fissura ou um músculo distendido. Ele não perdeu o cano. Deferiu alguns novos golpes buscando ataca-lá em pontos vitais do seu corpo e ela aproveitou para contra golpeá-lo com a técnica de defesa do aikido. Conseguindo usar a força dele a seu favor e atingindo um chute no cano. Ele voou pelo ar. Incapaz de usar a sua mão ferida, deferiu um golpe contra o tórax do líder da Tentaculo, o que arrancou o ar dele e rapidamente ela girou acertando com o pé na cabeça dele. Tonto, ele desabou no chão. Ela prendeu ele com o pé e o joelho em seu tórax. 

— Não ouse se mexer — ela exigiu em japonês do homem semi inconsciente e ela buscava discretamente por ar, com um olhar frio sobre ele. 

— E morrer sem lutar? — Lee cuspiu sangue, menosprezando a ninja. — Você deve achar que eu sou o que, um iniciante patético? Eu matava homens quando você ainda usava fralda. 

— Quem fala demais pouco sabe fazer — Ela proferiu pressionando o joelho contra o osso da caixa torácica de Lee. Ele fechou os olhos contendo o urro de dor, mas um pouco mais de sangue escapou dos seus lábios. — E se eu quisesse você morto, você estaria, abandonado naquela despensa, em pedaços.

Era isso que os seguidores da Tentáculo mereciam. Desaparecer da existência da humanidade. Por toda as atrocidades, por toda a sua maldade, por tudo que fizeram com Elektra.  

— Não fez por causa daqueles assassinos atrás de você — ele cuspiu aquelas palavras, sem tentar escapar da posse de Fairchild. — Nem me surpreendo — ele escarneceu, me olhando de cima abaixo. — A Casta deixa um rastro de inimigos em sua existência a muitos séculos. 

— O meu mestre deseja a sua morte e eu quero um motivo para não fazê-lo — o olhar de Lee vacilaram dela por alguns segundos. Ele era bem treinado. Conseguie esconder suas emoções, suas intenções. Ele era o que Stick chamaria de humano bichado pelas emoções. Willa o chamaria de alguém muito parecido com ela. — Essa é a sua chance. 

— Chance para que? — ele cuspiu a questão com duvida. — Implorar? 

— Me mostrar que a humanidade que vi em você mais cedo na entrada daquele colégio não foi uma ilusão... — aquele era o desejo vã de quem busca por uma centelha de bondade em alguém cruel. 

Lee não perdeu o seu ímpeto de buscar defender-se e escapar do peso do corpo de Willa, principalmente após a menção ao seu filho. O que ela planejava? Ele corria risco? Era em vão. Ela era excelente em contra peso defensivo. Poderia ficar horas assim, graças ao seu treinamento de judô rigido. Ele não quis ganhar tempo. Ele não tinha a pretenção de morrer sem lutar. No entanto, uma pequena parte de si questionava os ensinamentos do seu pai. Ele sempre nomeou os seguidores da Casta como discretos, sábios, velhacos tentando seguir leis do velho mundo e peçonhentos. Aquela mulher não se enquadrava em nenhuma dessas características. Ela era sincera nos seus sentimentos. Ele ate acreditaria que ela era mestre em inibir as suas emoções,  só que ele reconheceria a quilômetros alguém com tamanha frieza; ele cresceu com o seu pai tão impenetrável a emoções que Lee não saberia dizer se em algum momento ele teve orgulho do filho, pois amor, ele nunca sentiu. Ele garantiu isso a ele. 

Por isso, por essa dúvida, ele resolveu ponderar. Um risco. Se ele fizesse isso com um dos ninjas do Tentaculo teria a sua cabeça partida em duas em segundos, mas aquela mulher não piscou os olhos, não alterou a sua respiração e o seu coração batia em compasso relaxado, tranquilo, pacifico. Pareceria loucura, mas ele estava quase confortável sob o domínio dela. Ela era uma assassina com coração. Irônico. Ele sempre se considerou o único em seu mundo. Talvez, ele estivesse errado. 

— Eu sou o legado do Tentaculo e a sua missão é me matar — ele proferiu em paz. — Faça isso — Willa uniu as sobrancelhas com um misto de pesar e surpresa. Ela escurou a distância uma aproximação ensaiada e ágil; o cheiro de pólvora estava ganhando o ar. — Não busque me dar esperanças tolas que não se concretizarão, muito menos tente me enrolar para conseguir alguma informação de mim. Apenas cumpra com o seu dever. 

— Os capangas estão a dez quilômetros desse galpão. Se eles seguirem a noroeste ganharemos alguns minutos, mas suponho que eles seguirão a leste quando encontrarem esse galpão no GPS, eles certamente trabalham com um, e aí teremos segundos para fugir e terminar essa conversa — Willa disse rapidamente sem piscar os seus olhos do alvo. — Podemos encurtar isso, Lee. Você pode sair daqui direto para os braços do meu filho. 

Ele não piscou os olhos. Não confirmou, nem contradisse as suas palavras. Não era uma confirmação, muito menos uma tentativa de confundi-la. Ele não confiava nela e se conseguisse que que esses capangas encontrassem eles era melhor. Ele poderia tentar fugir, ganhar tempo para ir até seu filho e fugir, para protegê-lo. 

— Eu posso proteger o seu filho. 

Ela não lia mentes, mas definitivamente lia corações. 

— Eu também posso fazer isso — ele retrucou, frívolo.  

— Não se for líder da Tentaculo — Willa ratificou com um menear leve de sua cabeça. Ele queria muito que ela fosse como os outros né, não é? — E eu não vejo essa paixão pela liderança em seu olhar, como eu vi nos olhos de seu pai — por um instante, Lee acreditou que Willa estava sob a influência de seu pai falecido. — Diga agora que é isso que você quer para o seu futuro, que você almeja esse legado para você e para o seu filho e sairemos daqui e buscaremos um campo afastado e reservado para um combate um a um, seguindo as normas dos shinobis. 


Ele levantou o queixo. Ela não era apenas uma mulher de fibra e empatia, ela tinha honra. Era algo elogiável, para uma americana. 
 

— E se eu negar? 

— Tem um estacionamento privado no centro de Tóquio, na avenida principal. Na vaga 53 você encontrará um SVU branco. Na parte traseira você encontrará uma mala com itens básicos para o dia a dia de um adulto e uma criança prontos para a viagem da vida deles: um novo começo na Nova Zelandia — Lee se encontrou sem palavras.

“Algumas roupas, itens de higiene pessoal, brinquedos e livros. Tem mais duas malas assim no porta malas, tudo para passar na checagem do aeroporto. No banco do carona você encontrará uma pasta com documentos para você e o seu filho. Identidade, certidão de nascimento, passaportes, carteira de motorista, certidões de domínio em idiomas, até diploma em arquitetura. Sim, você terá um trabalho em uma fábrica, tudo adequado para o seu novo você... Andrew Park. E dinheiro. No porta luvas tem uma boa quantia em dólar e na moeda nova zelandesa.” 

— Isso é o que, um jogo? — Porque ela faria isso por um completo estranho?

— Me chame de tola, mas eu acredito em segundas chances — ele piscou os olhos, mortificado. — Eu posso me arrepender disso, mas não teria pelo que me arrepender, se eu escolhesse matá-lo.

— Eu não posso fugir... Eles me encontrarão — ele sussurrou com um olhar devastado dominando o seu semblante. Willa engoliu em seco. Ela tinha razão. Ele estava tentando escapar dos tentáculos da mão. Ele estava tentando ter uma segunda chance, como ela tentara a alguns anos atrás. — Em qualquer lugar desse mundo. 

— Você conhece os pontos fortes e fracos do Tentaculo melhor do que qualquer um, pode conseguir captar um espião a espreita em segundos e a aproximação de um exército em poucos dias. Ouso dizer que você é melhor nisso do que até o próprio Nobu... — Willa arqueou uma sobrancelha, investigando o rapaz. Stick dizia que a apatia permitia despertar em seu consciente sentidos desconhecidos por uma maioria da população, mas Stone ia contra essa corrente, ele acreditava que a empatia era capaz disso, principalmente se você focar em emoções fortes como a raiva, o ódio, a vingança e o amor. Willa sorriu. Stone tinha razão, como sempre. — E pelo seu filho, alguém que você ama incondicionalmente, eu suponho que você dará um jeitinho de não ser nunca mais encontrado pela Mão. Nem que para isso você tenha que se esconder em uma caverna por alguns anos... 

— Tem um jeito — ele ponderou, pensativo.

— É claro que tem — Willa inclinou a cabeça e sorriu. — A escolha é sua. 

— Por que você está fazendo isso por mim? — a pergunta de um milhão de dólares.

— Não é por você — Ela proferiu com um olhar analítico sobre Lee. — É pela Elektra. 

— Posso sair debaixo do seu joelho? — O sorriso de Willa aumentou e ela distanciou-se de Lee, permitindo que ele finalmente respirasse e se recuperasse do seu contragolpe de contenção. Ela, no entanto, não abaixou a guarda, assistindo ele se sentar, limpando o sangue com as costas das mãos.

— Nós temos um acordo? 

— O que me garante a sua palavra? — ele ergueu o queixo mirando ela com seriedade. Willa atinou os seus sentidos, dele e para as suas possíveis reações emocionais – e o arredor. 

— Os capangas estão a cinco minutos de nos encontrar e daqui, eu tenho uma posição perfeita para arrancar os seus olhos fora. 

— Garota, você tem um problema com violência gráfica — Lee repousou a mão nas cinturas, rindo abafado.

— Eu não tenho garantias, apenas a minha palavra — ela confessou, entregando o jogo. — A escolha é sua crer em mim ou não. 

— Acho que estamos no mesmo barco aqui, então sim, nós temos um acordo — ela abaixou a cabeça, em um sinal de respeito e ele retribuiu o gesto com cortesia.

Ela se afasta dele em alguns passos, caminhando para uma possível saída a leste. Ele fica de pé cuidadosamente, mantendo uma distância segura de Willa, mas seguindo o seu caminho, ele que a admirava com uma curiosidade quase, faiscante.

— Você era amiga da Céu Negro? 

— Elektra — Willa o olhou de soslaio, corrigindo ríspida. — E sim — ela voltou o seu olhar ao horizonte, comprimindo um sorriso triste. — Eu era. 

— Você então deve saber que o seu mestre roubou ela das posses da Tentaculo — Willa não parou de caminhar, mas sentiu o seu coração vacilar com tal revelação. Se fosse um jogo para manipular suas emoções, ele ganhou uma vantagem com aquela mentira. Se fosse verdade, ela estava ganhando um presente pela sua benfeitoria. — E eu tenho uma ordem direta para persegui-los e retoma-la para a posse do Clã, principalmente com a chegada a terra do Punho de Ferro.

— Punho de que? — ela questionou com o cenho franzido.

— É uma longa história, mas o cara é uma lenda.

— E você o fez o que, sobre a Elektra? 

— Nada ainda. Alexandra, a minha vice no comando quer uma ação imediata... — ele parou ao lado dela, na saída e eles trocaram um olhar amigável. — Mas, eu tinha outra prioridade. Eu estava procurando o paradeiro de Stick. Nós temos uma pendência — ela assentiu, ele tinha uma vingança. — Você estava lá, quando ele matou meu pai? 

— Não — ela meneou a cabeça em negativa, com um olhar respeitoso. — Eu estava com um amigo, cuidando do corpo de Elektra. 

— A Casta e o Tentaculo fizeram coisas inadmissíveis ao longo dos séculos — Willa arqueou as sobrancelhas, ela não poderia dizer melhor. — Eu jamais desejaria esse destino ao meu filho... — ele observou o horizonte, o mar negro iluminado por feixes da lua cheia em um canal próximo e uma rua deserta com poucos carros estacionados. Parecia a cena ideal de um crime ou um ótimo lugar para desaparecer do mundo. Willa se pegou pensando em ter sob suas costas a responsabilidade de parte do futuro do mundo com um filho para criar, cuidar, ensinar e proteger, e teve mais simpatia por Lee, por não ter se convertido ao controle do seu pai. Quando dizem que a maçã não cai muito longe da árvore, eles se esquecem que ela  tem a tendência de rolar e sim, ela pode cair perto da arvore, mas pode dar um jeitinho de ter seu próprio rumo para bem longe daquelas raízes. — Liderar um clã condenado a matar pessoas, destruir países e dominar o mundo. Eles dizem que somos o começo, mas para mim, o clã sempre foi o fim. Eu não desejo fugir do meu destino, mas eu também não o aceito. 

— Entendo — e como ela entendia. Ela não queria fugir da Casta, muito menos de Ross e as dezenas de governo querendo prender ela e os Vingadores Traidores, mas ela também não via futuro em ficar escondida em uma casa familiar no subúrbio do Japão. Não parecia certo quando o mundo estava queimando e o seu passado engatinhando para fora do seu tumulo. — Eu me sinto assim, repetindo um padrão. 

— Então, no fundo, você faz isso também por mim — ele sorriu, demonstrando simpatia, pela primeira vez. — Você quer me dar uma chance para quebrar esse padrão? 

— Você é diferente dos outros mestres da Tentaculo e eu já conheci alguns. Eu sinto isso no seu coração e eu dificilmente erro nas minhas interpretações — ela sorriu com orgulho. — A Tentaculo sem um líder é um benefício temporário para o nosso planeta. Eles vão precisar de tempo para escolher a pessoa certo para o cargo e isso nos dá tempo de proteger a Elektra, do seu e do meu clã. 

— Sem mim, o Tentaculo não padecerá. Sem um líder por direito, aquelas cobras se alimentarão delas mesma até a mais poderosa vencer e... — ele olhou para Willa, sombrio. — O que vira após essa vitória... Eu espero não estar vivo para assistir isso. Ou me arrependerei dessa decisão até o meu último suspiro. 

— Pense no seu filho. Isso elimina qualquer arrependimento. 

— Você tem um filho? — ele questionou com aquele sorriso simpático.

Ela titubeou e ele comprimiu um sorriso, foi um daqueles momentos onde não se precisa ler mentes para saber que estão na mesma sintonia em seus pensamentos; eles não eram amigos, mas em outras circunstâncias, outra vida, eles poderiam ter sido. 

— Você vai ser uma boa mãe um dia — ele profetizou, repousando gentilmente a sua mão no ombro dela. Willa olhou com desconfiança, mas relaxou, assentindo com uma concordância incerta, mas sincera, pode se dizer, quase desejosa.

— Se esse dia chegar... 

— Após essa noite, nossas chances são grandes de ter um futuro — ele disse, ressonando esperança. — E eu serei eternamente grato a você por isso — ele estendeu sua mão a ela e Willa aceitou o gesto, apertando sua mão e ali selando pela primeira vez um pacto entre um Tentáculo e uma Casta, que marcaria a história entre os dois maiores clãs do mundo e no futuro, certamente haveria um, histórias seriam contadas sobre isso, já que não era todo dia que dois inimigos naturais deixavam suas avensas de lado, por algo em comum: uma segunda chance para viver, ele com seu filho e ela... como Riddle. —  Você tem a minha palavra. 

Casa de Stone e Willa, subúrbio de Toquio. 

Willa caminhava tranquilamente na calçada com as mãos abraçando o corpo para aquecer o corpo com frio. Ela admirava a paisagem familiar e pitoresca. Lee seguiu por um caminho, em busca do filho para a sua escapada. Willa seguiu pelo outro lado, escapando de ser interceptada por aqueles capangas não identificados. Algum inimigo da Casta na sua cola? O governo? Ela não queria pensar naquilo naquela noite. Ela só queria curtir a paisagem, o céu negro estrelado e aquela lua cheia mística, sedutora. Ela planejava chegar em casa, arrancar os seus saltos e preparar um yakisoba. No dia seguinte... Ela não tinha planos para o dia seguinte. Ela tinha que informar Stone da sua decisão e isso ela resolveria agora. Ela estava a poucos metros da entrada da sua casa. Ela sentiu o bater calmo e controlado de um coração humano, conhecido. Na distância, um coração acelerou quando o gigante homem deixou o SUV preto com uma bolsa de couro em mãos e os seus olhos preocupados em Yanagi. Aquele batimento agitado desapareceu em milésimos e Willa revirou os olhos. Pietro dando o charme da sua presença. Mas, ele foi embora ou resolveu se esconder em um lugar menos visível para o homem desconhecido por ele e mais ao alcance de Willa para caso ela precisasse do seu auxílio. 

Stone parou com as mãos diante do seu corpo com a pasta na sua posse e Yanagi olhou para ela e sentiu sua espinha gelar com um pressentimento. Ele conseguiu as respostas que ela buscava? Stone trocara de roupa. Agora vestia roupas negras, portava uma pequena adaga na cintura. Estava protegido e camuflado. Era noite e todos dormiam naquela rua. Isso não queria dizer que eles estavam a salvos. Os ninjas da Tentaculo eram como sombras. Imperceptíveis. Stone perdera um homem, um amigo naquela noite. Ele não perderia Yanagi.

— Você o fez? — Ele questionou objetivo em japonês. Willa abaixou a cabeça, incomodada por essa ter sido a sua primeira questão e sentida por decepciona-lo mais uma vez, o que apenas fez mal a ela. Ele não entendia as suas necessidades e mesmo assim, ela buscava a sua aprovação. 

— Não — ela respondeu também em japonês.

 Stone comprimiu um sorriso. 

— Suponho que nesse momento ele esteja entrando em algum jatinho para algum lugar da América do Sul. 

— Algo assim... — Não era um jatinho. Era um voo comercial para a Nova Zelandia, na classe econômica. Seguro e imperceptível em um primeiro momento para o ninja mais treinado e preparado para uma emboscada. — Eu não posso mais cumprir esse tipo de missão, Stone. 

— Eu sei — ele abaixou a cabeça, como se buscasse esconder algo com um sorriso comprimido. — Por isso eu dei ela a você. 

Willa ficou confusa com as suas palavras. 

— Eu confio na sua percepção — ele prosseguiu, olhando-a com o que parecia ser orgulho mesclado com contentação. — Eu acreditava na índole de Lee, mas eu temia ser uma intuição falha. Não seria a minha primeira vez, mas duvido muito que seja a sua. Se você deu a ele esse benefício da dúvida, devemos agora seguir em frente e esperar a colheita das nossas decisões em nosso futuro. 

— Eu espero que eu tenha tomado a decisão certa — ela proferiu, refletindo suas últimas atitudes.

— Confie em sua intuição, menina Yanagi — Stone sorriu, abaixando a cabeça em um sinal de cortesia. — Ela é forte, como você. Inquebrável como um Carvalho. 

— Stick não vai gostar disso — ela entortou um sorriso sapeca.

— Stick... — Stone pensou nas suas próximas palavras com um divertimento em seus olhos. — Não gosta de muita coisa. E ele tem outras preocupações agora. E você tem outras preocupações relacionadas com o conteúdo dessa pasta... — Ele entrega a pasta a Yanagi e ela abre o fecho, encontrando papéis, fitas, DVDs, fotografias soltas e um caderno de capa vermelha com um círculo desenhado em preto. Ela o pega com um olhar curioso. — Eu falei com o investigador. Ele revelou que escondeu a sua verdadeira origem de mim, para protegê-la de um destino tenebroso. Tudo que ele me reportou há anos atrás foi uma mentira com a única intenção de enterrar a sua verdadeira origem. 

— Do que ele estava falando? — Willa estava confusa. Aquilo parecia demais para algo que até então, parecia pequeno. — Que origem?

— Detalhes sobre a sua família, sobre quem você era antes do acidente da sua família, do que aconteceu com você após isso, o que te levou até nós... — ele se calou, abaixando o seu olhar com comoção e Willa percebeu isso, crispando os lábios, contendo o seu desejo de confortá-lo. — Ele não teve tempo de me contar mais. Foi assasinado, por um sniper.

— O assassino vestia preto? — ela inclinou a cabeça, temerosa.

— Sim. Como os homens que você viu mais cedo seguindo Lee. 

— Eles estavam... — ela abaixou o olhar, sentida. — Seguindo a mim. 

— Porque você acha isso? — ele soou com urgência, mesmo que a sua expressão continuava sem demonstrar uma mudança se quer de emoção. Uma pedra, como sempre.

— Eles estavam na boate, tentaram me capturar — ela contou, sentindo um peso sobre os seus ombros. O investigador não morreu por saber demais, ele morreu por possuir o caminho para as origens de Willa, para quem Riddle era. Se ele morreu por isso, imagine o que aconteceria a quem estava no seu convívio. — Conseguiu chegar até um deles, descobrir da onde são? 

— Não. Eu tinha outra preocupação — Stone proferiu, com pesar. — A família de Mikael, o investigador. O marido e o filho, eles são civis e seriam eliminados, só para eliminar arquivo. Eu levei eles para o hotel, estão em segurança com o Stick. 

— Segurança e Stick não combinam na mesma frase — Willa arqueou as sobrancelhas, cruzando os braços.

— Eu vou ajudá-los a deixar o país em segurança e eu recomendaria que você fizesse o mesmo, o quanto antes. Quem matou Mikael não fez por vingança ou por ele ter fugido da tal organização. Foi um ato pensado para silenciar o que ele sabia sobre você — tal mestre, tal pupila. — Esses arquivos... É tudo que restou dessa verdade. 

— Você leu? — Willa questionou com um frio em seu estômago.

— Não cabia a mim — ele abaixou o olhar com aquele respeito dominando o seu semblante.

— Só cabia a você — ela disse com comoção deixando o seu semblante condensar esses sentimentos. — Quer ler?

— Agora não é o momento. Preciso retornar ao hotel e ajudar a família de Mikael a partir antes do amanhecer. Me mantenha informado sobre as suas descobertas e parta, o quanto antes — ele repetiu o seu conselho, retornando os seus passos para o carro e Willa seguiu ele, com respeito. — Vá para algum lugar na América do Sul ou África. Mantenha-se em movimento. Eles são bons, mas você é melhor — ele a olhou, comprimindo um sorriso. — Nós somos. Leve o tal Sokoviano com você... — Stone abriu um sorriso divertido. — Ele estava bem inquieto, incerto se esperava ou não por você aqui. 

— Vou fazer isso — ela concordou com um sorriso tímido. — Você... vai voltar para a mansão? 

— Não. Stick tem compromissos em Nova York e eu retornarei a montanha — Stone revelou, pensativo. — O nosso mestre quer tratar do Punho de Ferro e se ele será um aliado ou um inimigo para nós. 

— Punho de... Honestamente, eu não vou nem questionar! — ela gesticulou em negativa com as mãos.  

— É uma entidade — Stone explicou mesmo assim, só pelos velhos tempos. Ela sempre seria uma estudante arredia e ele um professor dedicado. — Ele é o escolhido pelo povo de Kun Lun para proteger suas terras e aniquilar a Tentaculo. Ele é a mão destinada para matá-los. 

— E Elektra é a mão destinada para protegê-los — compreendi o alvoração com a existência do tal Punho. 

— Entende? — ela assentiu, entortando os lábios. Isso acabaria em uma guerra. — Um só existe se o outro existir. O retorno dos mortos da Elektra é inevitável, mas ganhamos um tempo valioso e esconderemos a conosco pelo tempo que conseguimos, para protegê-la desse destino e também, o mundo — ele olhou Willa contemplando-a com um afeto, talvez, nunca percebido por Yanagi. Ela queria abraçá-lo e ele sabia disso. E sorriu. — Yanagi... Fique bem. Eu estarei rezando por você. 

— Obrigada por isso, por tudo, Stone — não só pelos documentos, mas por Willa. Não importasse quem Riddle foi ou poderia ter sido, mas Willa Fairchild era uma boa pessoa e ela tinha que agradecê-lo por isso, muito de quem ela era, foi por conta da sua criação.  

Ele assente, desfazendo o seu corriso lentamente e entrou no carro. O seu motorista recebe o comando de prosseguir e Willa assisti o carro percorrer a avenida e melancolicamente, despede-se do seu mestre, rumo ao seu próprio destino cravado em pedra a décadas atrás. 

Willa, por sua vez, voltou a sua atenção para o caderno em sua mão. Deixou a ponta do seu indicador passar no círculo, melancólica, como se essa não fosse a sua primeira vez fazendo isso. Abriu a capa sentindo o cheiro de veludo antigo e mofo, e foi quando, os seus olhos azuis encontraram aquele desenho marcado por carimbo e um grito rasgou na sua garganta. O caderno caiu na calçada despejando alguns papéis e imagens. Willa tinha a mão trêmula repousada no coração acelerado e os seus joelhos enfraqueceram, levando ela a cair no concreto com lágrimas inundando os seus olhos. A luz da lua iluminou o desenho pintado em vermelho sangue na folha de rosto do caderno. 

O símbolo da Hydra. 


Notas Finais


O que vocês acharam desse capítulo? Alguma teoria, ninjas? ♥


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...