História Born to die - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hidan, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kankuro, Karin, Kisame Hoshigaki, Konan, Madara Uchiha, Mangetsu Houzuki, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Orochimaru, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Suigetsu Hozuki, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju, Yahiko
Exibições 57
Palavras 5.621
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa leitura.

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Born to die - Capítulo 1 - Prólogo

Tókio (estrada) - Japão - 17:22 

Os balanços do carro me provocavam náuseas, o livro em minhas mãos balançava de um lado para o outro. A paisagem era repleta de plantas, poderia ser comparada a uma selva. Tudo tão calmo, o vento de chocava contra o meu rosto, me provocando uma sensação de "borboletas no estômago". Então de repente o veículo parou. 
Uma casa com aparência antiga; vegetações se estendiam por toda sua volta. Um pequeno balanço se mexia com o vento, as flores de cerejeira caíam sobre o carro, escorrendo pelo vidro. 

-Chegamos! - meu pai pronunciou animado, enquanto abria a porta do carro e saía do mesmo.

-Vamos Sakura, vai ser legal! - minha mãe tentava me animar à todo o custo, mas eu não estava gostando daquilo, por mais que eu quisesse respeitá-los. - Venha. - ordenou enquanto abria a porta de trás, para eu sair. 

-Tudo bem mamãe. - desci do automóvel e ajeitei meu vestido amarrotado. -É só por alguns dias não é mesmo? - sorri e ela assentiu. - Então eu acho que posso aguentar! - exclamei.

-Ei! - meu pai, Kizashi, acenou já de dentro da casa, aparecendo em uma janela branca de madeira. - Não vão entrar? 

-Já estamos indo! - minha mãe gritou de volta.

Caminhei até a porta com a companhia de Mebuki - minha dócil e amada mãe. - mas não entrei na casa, queria antes tomar um ar. 

-Não vai entrar filha? - perguntou-me, dando passagem. Apenas neguei com a cabeça e segui meu caminho, ouvindo a porta se fechar lentamente.

Andei até um lago, que por sua vez, ficava um pouco longe da casa. 

A água límpida me refletia, dando-me a visão de uma Sakura borrada. O vento fazia com que meus róseos cabelos se emaranhassem. Meu vestido branco já estava ficando bem sujo de terra, pelo simples fato de eu estar sentada naquela grama extremamente verde e cheirosa. 

Algumas aves podiam ser vistas à voar, eram como pontos pretos naquela imensidão azul. Uma leve brisa roçava-se em minha pele alva, fazendo com que os pelos se arrepiassem. Com toda a certeza, uma das melhores sensações que eu já pude sentir.
Iria ficar cinco dias aqui, com meus pais. Eu apenas não estava muito animada para isso, pois não há nada interessante à se fazer em uma casa de campo.

Me levantei com a intenção de voltar para casa, mas ouço um barulho abafado; vinha de dentro da minha bolsa. - provavelmente meu celular. - pensei. 

Revirei a bolsa a fim de encontrar o aparelho, e quase que no fim das chamadas eu o acho e atendo a ligação, que peculiarmente, era de minha mãe.

-Alô mãe? - comecei, notando uma respiração descompassada do outro lado da linha. - Eu já estou voltando.

-Filha! Não entre na casa! - falou rápido e eu parei onde estava. 

-Porquê? - perguntei um tanto quanto confusa.

-Volte para a nossa casa, na cidade, imediatamente. Ligue para alguém vir lhe buscar. - falava rápido demais, então resolvi ignorar seu pedido, e ir à seu encontro. - Sakura, por favor, não entre na casa. - ela chorava. - Quero que saiba que eu e seu pai te amamos demais e nunca vamos deixar de te amar! Adeus! - apitos. Foi isso que eu pude ouvir depois daquela declaração.

Alguma coisa estava errada.

Meu coração estava dizendo para eu verificar aquela casa, ir atrás de meus pais. Mas minha cabeça lateja, dizendo para eu ouvir minha mãe.

Minha curiosidade foi maior, fui obrigada a seguir o coração.

Chegando em frente à casa eu pude perceber que a mesma se mantinha trancada.

-Mãe! Pai! - bati na porta três vezes seguidas. - Alguém abre essa porta! - um nó se formou em minha garganta, eu sabia que algo estava muito errado, eu estava com medo. - Eu vou quebrar isso! - esmurrava a porta com brutalidade, mas não adiantava.

Me afastei dali e corri para os fundos da casa, achando exatamente o que eu queria, uma janela. 

Com um pouco de dificuldade, eu quebrei o vidro da mesma, entrando com cuidado para não me cortar. A casa estava silenciosa, apenas podia-se escutar ruídos vindos do andar de cima. 
Preferi não chamar por meus pais e me mover silenciosamente, para não chamar atenção de ninguém que podia estar lá, como um ladrão.

Subi as escadas, ouvindo o barulho da madeira velha dos degraus se entortar e provocar "cracks" - sendo abafados ao máximo, por meus lentos e cuidadosos passos.

Cheguei em frente ao quarto de onde vinha os ruídos assustadores, a porta estava fechada. Minha mão suava e tremia para o simples ato de girar a maçaneta daquela porta branca de madeira. Meu acelerado coração e minha descompassada respiração denunciavam meu nervosismo.

Respirei fundo, afim de me encorajar para abrir a porta.

Mas nem toda a coragem do mundo serviria para o que estava prestes a acontecer.

Entrei.

A imagem chocante atingiu a minha visão, como num passe de mágica. Meu corpo congelou, minha visão ficou turva por uma fração de segundos, assim como o meu coração de parou de palpitar e minha respiração de se tornou inexistente por um tempo.

-Não...Isso não é real. - sussurrei para mim mesma e pisquei meus olhos na tentativa daquilo ser apenas um sonho, ou ilusão.

Meus pais estavam à minha frente. Minha mãe estava sem a cabeça, a mesma estava pendurada na janela, com os olhos abertos. Já meu pai estava com todas as partes do corpo amputadas, apenas lhe restavam a cabeça e o braço esquerdo, que foi intensamente cortado. 
Os dois estavam amarrados à cadeiras. O abajur piscava e fazia um barulho insuportável, enquanto as luzes do quarto permaneciam apagadas, o local estava uma zona. 

Havia uma mensagem na parede, escrita em sangue: "Você é a próxima."

Meu corpo estremeceu, uma onda elétrica passou por ele, arrepiando todos os meus pelos.

Lágrimas insistiam em correr insanamente pela minha face. Levei as mãos até eu rosto, limpando-as. Sussurrava coisas desconexas para mim mesma, na tentativa de me acalmar. 
Uma forte tontura me atingiu, caí ao chão, de joelhos. Apoiei minhas mãos no assoalho e me posicionei para chorar abafadamente. Eu tinha medo. Talvez o assassino ainda estivesse lá. Amaldiçoando-se mentalmente, eu não podia parar de pairar minha atenção naquela mensagem.

Você é a próxima. 

De repente minha atenção foi tirada daquele ambiente horrendo, quando eu ouço meu celular tocar.

Levo o aparelho até o ouvido, mas não falo nada.

-Sakura? Sua mãe me ligou pedindo para que eu lhe buscasse, certo? - era minha tia Tsunade.

-Sim... - falei ainda em choque. - Venha o mais rápido possível.

-Porquê? Aconteceu algo? - perguntou. Sua voz transmitia preocupação.

-Só venha, sem mais delongas. - pedi e desliguei, não queria ficar dando satisfações. 

Ainda com o aparelho em minhas mãos, eu disquei para a polícia.

-Alô? - falei enquanto me atendiam. - É uma emergência. - me perguntaram onde eu estava, então passei o nome correto do local, para o homem, e ele desligou dizendo que havia mandado pessoas, e para não ficar dentro da casa. Assim o fiz.

Eu me sentia diferente, algo havia mudado em mim. Aquilo, de alguma forma, me mudou. Eu já não chorava mais, e me sentia suja e idiota, por ser tão carinhosa e gentil com todos. Como eu podia ser assim? Olha como a vida é; de repente tudo na sua vida pode mudar, de repente a sua vida pode te mudar. 
Sem nem mesmo perceber, lágrimas faziam sua dança pela minha pele novamente. Em um ato rápido, eu as sequei e funguei direcionado meu olhar para o pôr-do-sol.

Passaram-se cerca de 30 minutos e minha tia havia chegado, juntamente com a polícia.

-Sakura! - a loira dona nos olhos castanhos veio correndo até mim. - O que houve? - perguntou preocupada.

Logo um policial se aproximou e fez a mesma pergunta, respondi normalmente.

-Ah meu Deus! - Tsunade chorava sem parar, e os policiais já haviam entrado na casa e retiravam os corpos, que estavam embalados em sacos pretos. - Eu sinto muito! - me abraçou em um abraço sufocante. 

-Não sinta, a culpa não foi sua. - falei tentando reconfortá-la. - Não há mais nada para fazermos aqui, além de assinar os papéis. - falei, assim que avistei um homem vindo com uma papelada em minha direção.  

Minha tia conversou com ele, sobre o que iriam fazem com os corpos e tudo mais.

-Por favor... - o moço começou enquanto estendia o papel. Antes que ele pudesse terminar de falar, eu peguei o papel e assinei. -Obrigado! - falou e recolheu, indo embora. -Adeus! - acenou antes de entrar em um carro da polícia.

-Vamos? - perguntei olhando para a loira ao meu lado. 

-Claro! - me puxou para o carro dela e pôs-se a dirigir. - O que pretende fazer de hoje em diante? - quebrou o silencio. 

-Não sei. - abaixei a cabeça.- Não tenho dinheiro nenhum...Nem onde morar. - murmurei.

-Eu irei lhe ajudar! - a loira se virou para mim e me fitou com um sorriso meigo estampado no rosto. - Mas irá ter um porém...Você não irá morar em minha casa. 

-Qualquer lugar tá bom tia! - a interrompi.

-Bem, será um apartamento. - levou a mão à nuca, e suspirou. - Você terá que dividi-lo com duas pessoas. 

-Quem? - perguntei indiferente.

-Dois garotos de sua idade. - respondeu com o ar pesado, provavelmente ela não tinha boa confiança nos rapazes.

-Hm. - murmurei cansada. -Está ótimo! - falei por fim, antes de encostar minha cabeça no banco e dormir.

***

Konoha - Japão - 20:42

Chegamos no apartamento, era até que bonito. 
Minha tia parou o carro em frente à portaria e olhou para mim, com um sorriso amigável.

-É aqui. - me entregou algumas chaves. - Amanhã você poderá pegar suas roupas. - coçou a nuca de forma exagerada. - Lá tem três quartos, você poderá ficar com o que está vazio. O número do apartamento é 163. - me puxou para um abraço apertado e depois se afastou com os olhos marejados. - Quero que fique bem, tente não pensar no ocorrido, irei cuidar de tudo. - pediu o impossível. - E também irei te matricular na KHS. - era uma escola muito conhecida da cidade onde eu iria morar daqui pra frente: Konoha. - Até mais querida. Suas aulas começam amanhã, no Konoha High School. - pronunciou o nome da escola com orgulho, talvez porque ela fosse a diretora... - Ah! Os meninos que morarão com você estudam lá! - piscou para mim, antes de eu sair do carro e revirar os olhos. 

Entrei pela portaria, dizendo "oi" em um murmúrio ao segurança. Segui até a sala principal, onde haviam elevadores, entrei em um e cliquei no número 16. 

Flashes do ocorrido rondavam minha mente, me fazendo querer chorar. Mas eu iria ser forte até o fim, é me vingar desse sujeito que estragou parte de minha vida. 

As portas do elevador se abriram, revelando uma pequena área, com 2 portas. Sai do mesmo e vi que havia a porta 163. Encaixei a chave e rodei, a abrindo.

Era bem bonito lá dentro, bem decorado. Uma mesa de vidro branca ficava ao canto da sala. Uma televisão grande, com vídeo-games conectados à mesma, chamava atenção. O sofá era enorme, marrom com almofadas cinzas e pretas. Realmente, um local aconchegante. 
Ouvi um barulho vindo do que parecia ser a cozinha, deixei minhas malas ao lado da porta, trancando-a, e caminhei até o local de onde vinha o som.

Um garoto cozinhava algo, ele não havia me visto, por estar de costas, enquanto eu o observava encostada no batente da porta. 

Seu cabelo era um ruivo vivo, como sangue. Corpo bonito, braços musculosos e bem alto. Trajava uma calça de moletom cinza e uma camiseta regata branca. 

Decidi falar com o mesmo, me apresentar, e ver o seu rosto, que até agora eu não tinha tido chances de ver.

-Ghra-ham! - cocei a garganta para chamar sua atenção. - Olá. - o ruivo se virou em um pulo - como o esperado - e olhou em minha direção, com um misto de confusão e medo.

-Q-quem é você? - perguntou se afastando e pegando uma faca na bancada. - Como entrou aqui? - levantei a mão, balançado as chaves e ele pareceu ficar mais confuso. 

Seus olhos eram bem delineados, eram lindos, verdes como duas esmeraldas. Uma tatuagem vermelha demarcava sua testa, com certeza era um garoto muito bonito.

-Sou Sakura, sobrinha de Tsunade. Creio que a conheça, não é mesmo? - arqueei uma sobrancelha e ele balançou a cabeça positivamente e largou a faca. - Bem...Eu não tinha onde morar e ela me indicou este apartamento. - expliquei com um nó na garganta e a voz meio embargada pelo choro. - Desculpe o incomodo. - tentei parecer amigável.

-Não tinha onde morar? - caramba! Ele só absorveu isso?! 

-Sim...Não...Mais ou menos. - ele me encarou ainda mais confuso. - Bem, coisas aconteceram e eu não tive onde morar. Ou melhor, não tive com quem morar. - abaixei o olhar. 

-Onde estão seus pais? - perguntou.

Meus olhos marejaram e eu mordi o lábio inferior, eu ainda não tinha coragem de falar que eles estavam mortos. Não queria, não conseguia acreditar nessa possibilidade. 
Me virei para trás, para ele não ver as lágrimas escorrerem, mas logo senti uma mão em meu ombro.

-Ei...O que houve com você? - perguntou me virando para ele novamente. - Você está bem? 

-E-estou sim...Só não acredito no que aconteceu. Não podia... - comecei a chorar incessantemente. 

Senti suas mãos em minha pele, e um sorriso gentil se formar em seus lábios enquanto ele secava minhas lágrimas.

-Porque choras? Uma menina tão linda como você não deve chorar tanto, me conte o que houve. O que te fez chorar...?

-M-meus pais... - passei a parte superior da minhas mãos nos olhos, para limpar bem os vestígios de lágrimas. - Desculpe, devo estar te atrapalhando, você não deve querer saber sobre meus problemas. - sorri.

-Não! De jeito nenhum! Me conte o que houve com você, eu quero te ajudar.  

-Bem... - me sentei em uma cadeira, junto à ele e acabei desabafando com o mesmo. -E foi isso...

-Nossa. - ele me olhava perplexo. - Você realmente é uma garota admirável. Depois de tudo isso, ainda esta firme e forte aqui...Não sei como aguentou a dor. - abaixou o olhar. - Eu também pedi meus pais, queria ter sido tão forte quanto você. 

-Você é forte quando sabe que  apesar deles não esteram mais presentes nesse mundo... - levei a minha mão até o peito dele, na região do coração. - Sempre estarão aqui. Como todos que você ama e já se foram. 

Um sorriso meigo e dócil escapou de seus finos e corados lábios.

-Obrigado! - agradeceu timidamente. - A propósito, foi um prazer te conhecer. Meu nome é Gaara, seja bem vinda aqui. - sorri para e mesmo e ficamos um tempo nos fitando, até que barulhos vindo da porta chamam atenção do ruivo, que torce os lábios e murmura um "Venha!".

O segui até a sala e ele abriu a porta, dando espaço à um moreno que entrou apressadamente, sem nem me notar.

De repente ele joga uma mala preta sobre a mesa e me olha confuso.

-Quem é você? - perguntou friamente. 

-Sakura. - respondi mais fria ainda, o que não passou despercebido pelo garoto, donos dos olhos ônix e cabelos negros que contrastavam perfeitamente com sua pele alva.

-O que faz aqui? 

-Ela irá morar aqui! - Gaara interrompeu nossa mortal troca de olhares. - É sobrinha de Tsunade, algum problema? - o ruivo reforçou com um olhar nada amigável, direcionado ao garoto. 

-Tsc! Tanto faz. - pegou sua mala e colocou nos ombros. - Sou Sasuke. - dito isso, seguiu até um corredor e entrou em um quarto, batendo a porta com certa brutalidade.

Garoto estranho...Tsc! Não tenho tempo para esses babacas! 

-Ele é sempre assim, ainda não te conhece. - Gaara falou gentilmente. - Logo irá te conhecer melhor, ai será mais educado. - sorriu desajeitado me arrancando um suspiro.

-Tudo bem, eu não ligo pra essas coisas. - falei. - Se ele também não quiser ser educado...Eu não me importo. - dei de ombros e me sentei no sofá.

-Hm... - ele pareceu concordar. - Está com fome? - perguntou arqueando as sobrancelhas. 

-Bem...Sim. - sorri envergonhada, mas é que eu realmente estava faminta! - Mas antes preciso de um banho. 

-Ah sim! O banheiro é logo ali. - apontou para uma porta branca, aparentemente era de madeira. - Quer uma toalha? Ou sabonete? - perguntou um pouco corado.

-Ah não, obrigada. Eu tenho. - peguei minha mala e segui para o banheiro. 

Chegando lá, tranquei a porta e comecei a me despir calmamente. Liguei o chuveiro e logo uma água quente começou a escorrer pelo meu corpo, percorrendo cada centímetro meu. 
Os pingos se chocavam contra o chão, me fazendo suspirar e fechar meus olhos na intenção de me acalmar. Hoje o dia foi cheio...Cheio de surpresas...Cheio de desgostos...Cheio de tristezas...Mortes.
Sem nem mesmo pensar eu já estava chorando, mas eu não queria, não queria mais chorar. Eles morreram e não vão mais voltar, preciso seguir minha vida e encontrar quem foi o assassino de meus pais.

Ou até ele me encontrar.

Você é a próxima.

Isso significava que ele iria me encontrar e tentar me matar. Se eu ficar por ai como uma menininha fraca, chorando, ele irá conseguir isso facilmente. 
Daqui pra frente eu terei que ser forte, terei que enfrentar meu medos. Terei que me tornar uma nova Sakura Haruno. Não mais aquela garotinha frágil e medrosa, e sim uma garota forte e corajosa, pronta pra tudo o que vier. 

Mesmo com 15 anos, eu vou conseguir me tornar assim, forte e corajosa. É uma promessa, não irei mais chorar.

Desliguei o chuveiro e me enrolei em uma toalha, me secando.

Coloquei uma blusa branca de alças e uma calça de moletom cinza. Calcei um chinelo velho e e deixei meu cabelo solto, para secar no tempo.

Sai do banheiro deixando tudo organizado.

Entrei em um quarto que estava com a porta aberta. A cama arrumada e a falta de decoração denunciavam que ele não era ocupado por ninguém. Seria o meu quarto a partir de agora. 

Coloquei a mala na cama e sai do quarto, indo para a sala, onde na mesa estavam sentados Sasuke e Gaara, jantando.

-Sente-se. - Gaara puxou uma cadeira ao seu lado e eu me sentei. - Gosta de macarrão? - perguntou.

-Sim. - peguei um prato e coloquei um pouco do macarrão e depois o molho de tomate, estava delicioso. - Está ótimo! - elogiei e o vi corar. - Você cozinha bem.

-Obrigado! - sorriu.

-Diz isso porque nunca viu as minhas famosas panquecas! - Sasuke se pronunciou com um sorriso meigo brincando nos lábios, estranhei.

-Bem, então um dia eu gostaria de prová-las. - falei sorrindo de canto.

-Amanhã mesmo eu terei o prazer de fazê-las. - sorriu mais ainda. - Bem...Me desculpe pela forma de como eu agi antes. - começou corado. - É que eu estava de cabeça cheia, eu minha namorada terminamos. - abaixou o olhar e eu sorri. 

-Tudo bem, eu entendo, sinto muito. - tentei reconfortá-lo.

-Karin nunca foi pra você cara! - Gaara.

-Eu sei, eu só não entendo como fui capaz de ser tão trouxa. - o moreno olhou para Gaara. 

-Ela é uma vaca mano, só namorava com você pra fazer ciúmes nas outras! - o ruivo continuou. - Não fique assim, logo Suigetso vai ver o quanto está sendo imbecil. 

-Suigetso?! - perguntei com os olhos arregalados. 

Eu conhecia esse garoto, era meu ex-namorado. Descobri que ele andava me traindo com uma ruiva, só não sabia o nome da garota.

-O conhece? - Sasuke perguntou curioso e Gaara me olhou esperando uma resposta.

-Bem...Se ele tiver cabelos brancos meio azulados e olhos violetas, sim. - falei. - Era meu ex.

-Nossa! - Gaara exclamou. - Então é ele mesmo!

-Me traiu com uma ruiva, não sei o nome. - falei cerrando os pulsos. 

-Karin Uzimaki, famosa puta do colégio. - Gaara revirou os olhos antes de continuar. - Ela já deve ter dado para todos naquele lugar. 

-Até pra você? - perguntei sorrindo de canto e ele corou demais.

-N-não! Menos pra mim! E para o primo dela, Naruto Uzumaki. - arrumou sua postura na cadeira, ficando reto. - Eu tenho nojo dela. - fez uma cara engraçada, arrancando risadas de mim e do Sasuke, que até então estava sério.

-Ai cara! - Sasuke ria divertidamente. - Esses Uzumaki's! - de repente ficou mais sério. - Naruto é um pé no saco e Karin é puta. Realmente os Uzumaki's são complicados. 

-Prefiro os Sabaku's. - Gaara começou com orgulho presente na voz. - Sem falar que é um ótimo nome! Temari é super inteligente, quase as melhores notas do médio! E Kankuro é o melhor jogador de basquete, depois de mim é claro. - sorriu convencido e Sasuke riu.

-Não se engane! Todos nós sabemos que os Uchiha's são melhores! - falou com mais orgulho. - Madara é dono de uma das maiores empreses automobilísticas e Itachi é o filho de ouro, menino mais inteligente do terceiro grau, só notas acima de 9.2. - falou convencido.

-Haha! Ok. Tenho que concordar com a parte do Itachi, ele é realmente muito inteligente, mais do que minha irmãzinha, Temari. - o ruivo se rendeu. 

-Mas e os Haruno's? - Sasuke perguntou com um semblante desafiador, olhando diretamente pra mim.

-Bem...Ser a melhor e mais inteligente aluna conta? - sorri de canto. - E participar dos mais badalados eventos esportivos de Tókio? Ainda com o título de melhor lutadora de M.M.A! - falei convencida. - Talvez dono da maior empresa aérea do japão... - eles me olhavam espantados. - Ah! Detalhe: A melhor lutadora de M.M.A entre os garotos! Com mais de 27 medalhas de outro e 12 de prata. - sorri de canto novamente enquanto eles arregalavam os olhos. 

-Porra! - os dois falaram em uníssono e se levantaram ficando em minha frente e saudando como se eu fosse uma deusa, abaixando e levantando com os braços esticados. 

Ri muito, assim como eles.

-Ai meu Deus!  Vocês são muito palhaços! - falei ainda rindo.

-E você é incrível! - Gaara falou. - Sério! - reforçou me deixando levemente corada.

-Ai, ai garota! - Sasuke. -Vamos ter que competir então, pois eu também luto. - sorriu e o meu sorriso aumentou mais. 

-Eu adoraria ter o prazer de competir com a sua pessoa! - falei formalmente arrancando mais risadas.

-Ai Saky! Você é incrível! - o Uchiha falou me deixando corada. 

-Obrigada! - sorri meio sem jeito.

-Bem...Quem topa assistir um filme de terror? - o ruivo perguntou e os olhos de Sasuke brilharam. - Invocação do mal 1 e 2...Floresta maldita...Tem bastante. - continuou.

-Eu quero um bem forte! Terror mesmo! - nos levantamos indo em direção a sala, até que o moreno passou seus braços pelos meus ombros. - Mas temo que a madame aqui não goste...

-Amo! Amo filme de terror! Inclusive aqueles fortes mesmo! - falei animada e sorrindo de canto.

-Caramba! Isso vai ser ótimo, eu e Gaara também amamos! - exclamou.

-Ok. Vamos parar de conversa e vamos assistir logo! - Gaara reprendeu.

-Tá, calma apressadinho! - falei enquanto me jogava naquele sofá macio e me cobria com as almofadas. - Que filme vamos assistir? - perguntei enquanto procurava um na televisão.

-Eu comprei um. - Gaara se sentou ou meu lado. - É bem legal. - pegou o controle e colocou no filme. - Alguém apaga a luz? - perguntou. - E pega uma coberta lá no quarto! 

Sasuke se levantou e foi até o interruptor, apagando a luz, depois foi até o quarto.

-Não tem medo? - perguntou o ruivo me encarando. 

-Não. - me ajeitei no sofá, ficando deitada.

-Hm... - vi que a expressão facial dele mudou, ele ficou meio triste e sem jeito.

-Porque? Queria que eu tivesse medo? Pra ficar abraçada com você...? - perguntei sorrindo de canto e ele corou. - Eu não preciso estar com medo pra isso. - me aproximei dele e o abracei. - Eu estava querendo fazer isso há muito tempo! - sorri corada quando nos afastamos.

-Então porque não fez antes? - perguntou enquanto brincava com uma mecha do meu cabelo.

-Não sei...Não tive oportunidade. - sorri e o encarei, ficando de joelhos no sofá. - Você me parecia ter um abraço bom! Ai tive que testar. 

-Hahahaha! - me puxou para mais um abraço. - Te conheço faz pouco tempo, mas já te considero muito, Saky. 

-Caraca! Já estão namorando?! - Sasuke chegou lá com um edredom e três travesseiros. - Desculpe interromper o casal. 

-Cala a boca! - joguei uma almofada, mas ele agarrou ela pegou à tempo. - Não se pode mais abraçar alguém, que significa que a pessoa é seu namorado! Que mundo... - revirei os olhos e ele pulou no sofá ao meu lado.

-Hahahaha! Ficou estressadinha é? - riu. - Você fica fofa assim! - apertou minhas bochechas.

-Aff! - bufei de raiva, mas por dentro eu estava rindo de mim mesma. - Coloca logo o filme! - peguei o controle e dei play.

O filme começou, até então eu estava de boa. Mas ai as partes assustadoras começaram aparecer e eu escondi minha cara na almofada.
De repente a luz se apagou sozinha e uns ruídos estranhos começaram a vir do quarto, do meu quarto especificamente. 

-Meninos? - chamei e comecei a procurá-los no escuro. - Meninos? Me respondam! - já estava ficando desesperada.

-Sakura!  - a voz de Gaara ecoou pelo local. - Eu estou aqui, a luz deve ter acabado. - senti mãos em meus ombros. - É você?

-Sim. - me virei, acho que estou de frente para ele. - Isso costuma acontecer? - perguntei levemente assustada.

-Não, é bem difícil. - Sasuke falou em um tom calmo, mas preocupado. - Fiquem aqui, eu vou lá no quarto, onde estão vindo os barulhos. 

-Não! Fique aqui! - pedi desesperada. Eu tinha medo, aquela mensagem veio em minha cabeça: Você é a próxima.

Aqueles ruídos eram familiares. Os mesmos que eu ouvi hoje de tarde, com meus pais.

-Por favor não vá! - reforcei já chorando. - Por favor! - o segurei pelo braço.

-Tudo bem...

Passaram-se cerca de 15 minutos e as luzes se acenderam abruptamente, me provocando um susto. 

-Agora eu vou lá no quarto. - Sasuke se levantou e foi seguido por Gaara. - Fique aqui Sakura. 

-Não! Eu vou junto! - me levantei e ele me lançou um olhar cansado. - Por favor, deixe-me ir. - pedi.

-Ok. - levantou as mãos em sinal de rendição e voltou à andar em direção ao quarto.

Chegando lá, ele abriu a porta bruscamente, dando-me a visão de um quarto limpo e calmo.

-Mas...eu podia jurar ter ouvido algo aqui! - o Uchiha falou incrédulo, levando as mãos à cabeça.

-Calma, talvez tenha até feito algum barulho, mas não tenha nada. - Gaara falou. - Talvez tenha sido o vento.

Vi um papel na cama, um papel que não estava lá antes. Corri até o local e peguei o pepel, lendo o que havia escrito.

Meus olhos se arregalaram, meu coração parou por uma fração de segundos. Aquela mesma sensação novamente. 

-Você é a próxima, não se esqueça disso. - era o que estava escrito.

Um gemido contido em minha garganta e um soluço ecoaram pelo ambiente. Olhei para todos os lados.

-Maldito! Ele entrou aqui! - falei entredentes.

-Ele quem? O que é isso? - Gaara foi até mim rapidamente e pegou o papel. - Sakura! O que é isso?! 

-É...eu vou sair daqui! - peguei minha mala. - Não posso deixar que nada aconteça à vocês. Ele está atrás de mim... - meus olhos marejaram, mas eu não iria deixar nenhuma lágrimas cair.

 De repente sinto uma mão me segurar, segurar meu pulso.

-Quem está atrás de você?! - o Sabaku me perguntou olhando no fundo de meus olhos. - Quem Sakura?! 

-Eu...Eu não sei! - levei as mãos à cabeça. - Que droga! Eu não sei! - falava pra mim mesma. - A pessoa me matou meus pais hoje. Antes de ir ela deixou essa mesma mensagem escrita em sangue na parede. 

-Você não vai sair daqui! Iremos chamar a polícia. - Sasuke se pronunciou.

-Não Sasuke, você não entende! - lágrimas insistiam em sair de meus olhos. - Eu não quero que nada aconteça à vocês! 

-E eu não quero que nada aconteça à você! - segurou meus pulsos próximos à seu peito. 

-E se ele vier... - passei a fitar o chão.

-Ele não virá. Nós chamaremos a polícia agora. - Gaara. 

-Tudo bem. - falei me rendendo e sentando na cama. 

Gaara pegou o telefone e foi para a sala, me deixando no quarto com Sasuke.

-Sakura, me conte o que houve hoje de tarde. - o moreno se sentou ao meu lado e passou a me fitar.

-Não é uma história muito bonita. - torci os lábios e ele continuou me encarando. - Bom, eu só estou aqui pelo fato de meus pais terem morrido hoje. - abaixei o olhar. - Eu estava viajando, era uma espécie de fazenda, então eu resolvi avistar a paisagem enquanto meus pais entravam na casa. - parei um pouco para encará-lo, eu me perdia naqueles ônix me fitando intensamente. - Horas depois minha mãe me ligou pedindo para que eu não entrasse na casa. Mas eu não a obedeci, e vi a pior e mais chocante cena da minha vida. - suspirei e pairei meu olhar na janela, fitando o céu estrelado. - Meu pais mortos de forma cruel, e aquele bilhete...Você é a próxima. 

-Eu...sinto muito! - senti seus braços fortes me envolverem em um abraço terno, carregado de carinho e compaixão. Me senti realmente tranquila pela primeira vez, depois do acidente.

-Obrigada! - sorri de forma verdadeira para o mesmo. 

-Os policias já estão vindo. - Gaara alertou, entrando no quarto. - Atrapalho algo? - perguntou com uma sobrancelha arqueada. 

-Não... - Sasuke respondeu indiferente. - A não ser um momento entre amigos, um bom momento entre amigos. - sorriu para mim, que retribui de mesma forma. 

-Ah sim... - o ruivo revirou os olhos e se sentou na cama. - Não suspeita de ninguém Sakura? - perguntou.

-Não faço ideia de quem seja, e porque fez isso... - respondi. - Mas irei descobrir à qualquer custo. - falei determinada.

Passaram-se 15 minutos e a campainha tocou, provavelmente era a polícia.

Abrimos para a mesma entrar, explicamos tudo e os guardas disseram para fazermos um boletim de ocorrência e que iriam ficar de olho, para qualquer coisa chamá-los novamente. Depois foram embora.

-Que bela ajuda! - Sasuke falou com tom de deboche, enquanto comia uma maçã. - Sakura, amanhã você irá para a escola? 

-Sim... - respondi. - Você conhece alguém lá? Além de Gaara.

Ele começou a rir histericamente, acompanhado pelo ruivo que comia uvas, franzi o cenho esperando uma explicação para aquilo.

-Conhecemos toda aquela escola! - o moreno respondeu parando de rir. - Mas é claro que temos nossos melhores amigos, o melhor grupo da escola. - sorriu convencido.

-E quem seriam? - perguntei.

-Ah! Você irá conhecê-los. Inclusive, eles são mais velhos ok? Vamos ver se você continuará sendo a inteligente... - sorriu de forma desafiadora e eu arqueei a sobrancelhas. - São do terceiro. - por fim suspirou.

-Diga o nome de algum. - pedi animada enquanto me sentava na mesa, junto à eles.

-Hm...Deixe-me pensar...Alguém que você provavelmente não conhece... - levou a mão ao queixo, e olhou para o teto, pensativo. - Yahiko. 

-Yahiko? - perguntei e ele assentiu coma cabeça. - Como ele é? Digo, fisicamente. 

-Ai já é pedir demais! Você conhecerá todos amanhã. 

-Nosso grupo chama-se Akatsuki. - Gaara falou em um tom de orgulho.

-Nome legal!  - elogiei e roubei uma uva de sua vasilha. 

-Ei! - o ruivo advertiu e puxou a vasilha para seu colo. 

-Ai! Que menino chato! Não posso nem pegar uma uva! - zoei.

-É brincadeira rosada, claro que pode! - colocou as uvas à minha frente e meus olhos brilharam, parti pro ataque. 

Ficamos conversado banalidades até tarde, ou melhor até Gaara se levantar e falar que precisava dormir pois amanhã teríamos aula.
Fui para o meu quarto, mas antes ele foi examinado pelos dois, para ver se não havia ninguém escondido. Deitei na cama, era macia e confortável. Os lençóis brancos roçavam-se em minha pele e provocam cócegas, tudo por causa da corrente de vento que entrava da janela.
Me levantei e caminhei até a mesma, fechando-a e olhando as estrelas. Provavelmente meus pais estavam ali, naquele mar de constelações, olhando para mim. 
Voltei para a cama e pus-me a pensar, pensar em como seria minha vida daqui para frente. Como eu iria segui-la...

Amanhã seria um novo dia, eu conheceria novas pessoas, novos amigos. E talvez...Novos amores. 

Mas isso...nem eu sabia se seria capaz de fazer. Amar...uma palavra tão fraca com um significado tão forte, algo que eu realmente nunca senti por ninguém, além dele. 
Eu o amava, mas ele sumiu de minha vida, sumiu de tudo...Será que nunca mais vou encontrá-lo? Será que nunca mais vou voltar a amar alguém novamente?

Será que eu ainda o amava? 

 


Notas Finais


Acho que foi o maior capitulo que eu já escrevi na vida! Só acho...

E quem vcs acham que seria "Ele" - ai do final.

Leiam também: "Coração Dividido" e "What I am?"

Bjs, espero que tenham gostado!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...