História Boss and Slave II - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Fairy Tail
Personagens Erza Scarlet, Gray Fullbuster, Jellal Fernandes, Juvia Lockser, Lucy Heartfilia, Mirajane Strauss, Natsu Dragneel
Tags Drama, Fairy Tail, Nalu, Romance
Visualizações 243
Palavras 3.781
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Ecchi, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Décima Ordem


Fanfic / Fanfiction Boss and Slave II - Capítulo 10 - Décima Ordem

Magnólia, ano X828

Fiore, Parque da Fairy Tail

 

 

Num dia calmo de inverno, onde a neve já havia caído aos montes, a mata da Fairy Tail tinha adquirido um aspeto pálido e cálido dos contos de fada - ramos de gelo, parecendo linhas de vidro brilhantes e a neve, que nem um manto de flores brancas, forrava a grama outrora verde. Uma loira tinha um copo fumegante nas pequenas mãos, acalmando-se antes de entrar na empresa e enfrentar o impiedoso Natsu Dragneel - que não deu férias a ninguém, apenas a permissão de aproveitarem o feriado de Natal e do ano novo - e, ao que parece, ninguém reclamou porque já estavam avezados.

A ordem era imperiosa!

– Troca de parceiros! – exclamou Mirajane, entrando na sala de descanso particular de Natsu, que a encarou irritado – Não vou acompanhar-te até a mata! Chegaram mais cavalos no estábulo e estão todos assustados, não os posso abandonar!

Natsu limitou-se a suavizar a expressão e voltar-se a nora.

– De onde vieram?

– Não te lembras? – respondeu com outra pergunta – Vieram daquela quinta negligente, a mesma onde encontramos a pantera raptada! Aquela que chamamos de Lírio (Lily) e que ofereceste a Gajeel! – dizia, não notando qualquer alteração no rosto do maior. Como sempre, ele pouco se importava com as coisas que não eram dele.

– Ficaram registados no nome de Levy, não? – Mira assentiu, vendo o rosado pousar o seu copo vazio e suspirar – Porque tenho de ser penalizado, se aqueles equinos nem são meus? Eu não te pago para cuidares de cavalos!

– Pensei que não te importarias! – arquejou, ficando tensa.

– Pensas muito, Mira! – riu, não parecendo muito feliz – Tanto que perdeste o teu namorado para outro homem. – alfinetou-a, sentindo a albina rosnar de leve.

A paixão de Mira por ajudar, qualquer ser que seja, sempre comovera e preocupara os seus familiares, incluindo Natsu (outrora). Todos reconheciam que ela era a pessoa menos convencional da já excêntrica família Strauss. Mirajane era sempre convidada para temporadas de eventos sociais de Fiore à Crocus. Era uma mulher bonita, de uma beleza por assim dizer clássica, com olhos azuis, cabelos platinados e um corpo alto e esguio. Os cavalheiros se sentiam atraídos por seu frescor e seu charme, sem saber que ela demonstrava o mesmo interesse perseverante por porcos-espinhos, ratos-do-campo e spaniels malcomportados. E quando chegava a hora da corte em si, os homens abandonavam a companhia agradável de Mirajane com relutância e se voltavam para moças mais convencionais. A cada temporada, as chances de casamento dela diminuíam.

Mirajane não parecia se importar. Com trinta e poucos anos, ainda não tinha conhecido o homem da sua vida, mas o veterinário Bickslow era um alvo – apesar de que, pelos rumores, ele era amante da sua irmã. Mas, Mirajane era uma força da natureza desvinculada às regras convencionais.

– Vai cuidar dos pobres cavalos... – disse o rosado, gentilmente. – Consigo encontrar as armadilhas ilegais sozinho!

– Ah, mas não vais sozinho! – ela riu, sentindo o seu plano a entrar de novo na linha correta – Providenciei para que a Senhorita Heartfilia o acompanhasse.

– Interessante. – sorriu, deveras alegre – Ainda não tive a oportunidade de a confrontar sobre a sua humilde invasão ao meu escritório na semana passada!

Antes que Mirajane pudesse responder, Lucy entrou na biblioteca, seu corpo voluptuoso em roupas de montaria e os cabelos presos em um coque trançado apertado. Trazia um caderno de desenho debaixo do braço. Ela parou bruscamente ao ver Natsu, que usava um casaco fidalguesco de equitação, calças justas de montaria e botas gastas pelo uso. Como sempre, o velho cachecol ainda fazia parte do seu guarda-roupa.

Seu olhar desconfiado dirigiu-se a Mirajane.

– Por que não estas pronta, Mira? – indagou, premeditando a façanha da mais velha.

– Sinto muito, Lucinha, mas não poderei ir. – sorriu, vendo o sorriso forçado de Lucy cair, tal como o caderno nos braços – Os nossos novos hospedes no estábulo precisam de mim e, além disso, conheces aonde põem as armadilhas melhor do que eu! – seu sorriso radiante foi dirigido a ambos – Espero que não levem com uma tempestade e tenham cuidado nos lagos congelados... São traiçoeiros! – e saiu a passos ágeis e longos, próprios dela.

Lucy franziu de leve as sobrancelhas finas. Sentia o coração, antes alegre e agitado, ficar tenso e apertado. Ela sabia que não poderia evitar se o rosado tentasse algo, porque de cada vez que ele a tocava, ela perdia a noção de tudo e depois... Sentia-se suja e usada, parecendo estar a trair a confiança e o sorriso de Lissana, que confiava Wendy a ela de cada vez que ia ao encontro do marido.

– Tens interesse por armadilhas? – a voz falou.

– Só quero olhar para elas. – rebateu, ao notar que ela mal o encarava – Caso esteja com medo de ir a algum lugar comigo, simplesmente recuse-se a ir.

– Medo do senhor? Nem um pouco.

Ele fez um gesto em direção à porta, numa paródia do estilo cavalheiresco.

– Primeiro as damas.

Sabia que no inverno a inspeção ficava adormecida e, ironicamente, congelada. Por isso, todos os invernos, ele mesmo iam a mata para desativar as armadilhas. Afinal, eram animais a beira da extinção que ai viviam e eram dele, sua propriedade. Como um dragão, Natsu era ganancioso e territorial, possessivo e bastante ciumentos com o que era seu - excluído a atual esposa, que nunca considerou como algo! Em meio às preocupações com atividade empresarial, contabilidade de alugueis, impostos, mão de obra, cortes salariais e trabalhos de arquitetura que de vez em quando fazia, não sobrava muito tempo para passeios e ócio.

Juntos, ele e Lucy cavalgaram por campos de trigo congelados, por pastos de trevo repletos de carneiros gordos. Atravessaram a floresta madeireira se dirigindo a noroeste da propriedade, onde rios extensos cortavam colinas ainda com algum vestígio de verde e rochedos de calcário. O terreno era menos cultivável ali, com mais pedra do que argila, mas ficava numa posição bastante defensiva para uma antiga casa senhorial fortificada.

Enquanto desciam uma colina, Natsu dava miradas furtivas a Lucy. Ela era graciosa no lombo do cavalo, e o guiava com movimentos calmos e parcimoniosos. Uma mulher perfeita, refletiu. Segura de si, articulada, competente em quase tudo que fazia. Mesmo assim, ela ocultava a sua presença de tal maneira que metade dos seus colegas não sabiam quem era Lucy, e nem lhes importava. Bastava-lhes que cada um fizesse o seu trabalho, de forma sistematica que nem peças dentadas de um relógio, e tudo sairia bem!

Chegaram ao pé de um lago, onde a maioria dos animais bebem e ela sinalizou para que parassem ali, depois de dar uma breve olhada no mapa que havia desenhado no caderno. Fez uma leve contagem enquanto Natsu amarrava os cavalos e murmurou um pedido de ajuda, tal como murmurava maldições à Mira o caminho todo.

Ela desenganchou a perna direita do cabeçote da sela e tirou o pé do estribo, permitindo que o homem controlasse sua descida. Pousou no chão, de frente para ele. Ergueu o rosto, encontrando os habituais olhos cinza, negros, sombreados pela franja sem controle. Eles ficaram de pé, ali, as mãos quentes do dragão na cintura fina. O rosto bronzeado dela estava corado devido ao esforço, seus lábios arquejavam de leve, soltando lufadas de ar que se esfriavam, condensando numa leve nuvem... E, de súbito, ele teve noção de como seria fazer sexo com ela, o corpo carnudo e dócil sob o dele, a respiração de encontro ao seu pescoço enquanto ele se movimentava entre as pernas dela. A levaria ao êxtase, lenta e implacavelmente, e ela o arranharia, gemeria e murmuraria o nome dele...

– Aqui está! – disse Lucy. – Sete armadilhas a volta do lago! – crispou, soltando-se das mãos fortes e esgueirou-se por baixo da sua figura, afastando-se.

– Antes! – confrontou-a, alcançando com os dedos compridos um dos braços dela e puxando-a de novo a si – O que a menina estava aprontando no meu escritório?

– Procurava um documento que Carla roubou da minha mesa! – disse e ele soube que era verdade, apesar dela ter ficado muito vermelha, talvez do calor.

– Então espero que esqueça o que ouviu lá dentro! – ordenou, abandonando-a próxima ao cavalo.

– Vai encontrar uma noiva? – ela perguntou inocente.

– Acha que eu deveria?

– Não, não creio que tenha as qualidades de um marido decente. – andou rápido, até alcançar a segurança das costas largas, afinal, haviam caçadores a procura de um prémio por ai – Não possui caráter suficiente para isso.

Era exatamente o que ele queria que todos pensassem: que ele era libertino e devasso demais para ser um chefe de família. Mas foi doloroso ouvir aquilo dela.

– O que a torna apta a julgar o meu caráter? – perguntou, ela remexeu os ombros e acelerou para ficar a sua frente.

– Não há como evitar ouvir sobre as suas proezas com as jovens e belas damas. – respondeu, sentindo o olhar ríspido cair sobre suas costas.

– Entendo. – ronronou – E acredita em todos os boatos que ouve?

Ela parou de andar, e ele ficou ao seu lado, encarando as suas bochechas perderem a cor quente e ela pareceu nostálgica até lança-lo um olhar arrependido. Isso abalou o peito do rosado, desejando evitar que ela se arrependesse mais no futuro, infelizmente, para o bem do seu plano, isso seria impossível!

– Tem razão. – ela sussurrou – E independentemente dos boatos serem verdadeiros ou falsos, foi um erro de minha parte dar ouvidos à conversa alheia.

Ele pareceu estranho. Alias, sentiu-se estranho por tê-la tão complacente a si, dando-o a entender que ele não a conhecia totalmente, não a conhecia como pensava conhecer e pareceu que isso era uma experiência do passado em sua voz.

– Quais as fofocas a meu respeito? – perguntou de maneira casual.

Ouviu o seu riso como o tilintar de sinos, algo que ela nunca fez em sua companhia e olhou para ele, cercando-o com os olhos castanhos enormes.

– Sua perícia como amante é muito exaltada.

– Ah, sim! – gargalhou, logo que desativava uma armadilha – Esses boatos definitivamente são verdadeiros. – estalou a língua, reconhecendo que ainda ela não deveria ter conhecimento sobre isso – Vocês, mulheres, falam mesmo sobre isso?

Lucy arqueou as sobrancelhas.

– Sobre o que imaginava que falávamos?

– Tricô. Receitas de geleia. – dizia, enumerando mais alguns afazeres.

Ela balançou a cabeça e conteve um sorriso.

– Isso deve ser muito entediante! – revelou, vendo os pequeno ombros abaixarem tensos, para que ela verificasse outra armadilha – Ficar sentada no canto da sala ouvindo fofocas, enquanto todos dançam.

– Não me importo. – sorriu falsamente – Não gosto de dançar.

– Já dançou com um homem? – provocou, abaixando-se também para libertar o seu hálito, muito mais quente, na orelha dela.

– Sim! – admitiu ela – Mas em casa. – terminou, e ele sentiu como se alguém estivesse apropriando-se de algo seu. E ele sabia que poderia ser o candidato, Jason!

– Então como pode ter certeza de que não gostaria de dançar num baile?

– Posso ter uma opinião sobre algo mesmo nunca tendo feito tal coisa. – respondeu, erguendo-se e apertando o passo para longe, desejando que ele não tivesse visto a sua pele arrepiada.

– É claro. – sorriu, sentindo que ganhou um ponto – É muito mais fácil formar opiniões sem ser atrapalhado pela experiência ou pelos fatos.

Lucy franziu a testa, mas ficou em silêncio.

– E, por isso, vamos dançar na festa de Natal!  – continuou, sabendo que todos iriam estranhar a sua presença num baile que ele nunca foi – Vou deixar Levy e Mira planejarem o baile só por este motivo: no meio da festa, vou aproximar-me e convidá-la para dançar comigo. Na frente de todos!

Ela pareceu estarrecida. Imaginando ser tocada por ele no meio de todos, tendo de se controlar para não gemer quando as mãos extremosamente quentes tocarem as suas costas.

– Vou recusar.

– Vou convidá-la assim mesmo.

– Para chalacear de mim! – disse ela, parecendo estar nervosa – Para fazer nós dois de idiotas. Um recusado e uma donzela que não sabe aproveitar uma chance!

– Não. – a voz dele se suavizou, e passou para a frente dela, obrigando-a a parar antes de ter o nariz esmagado no peitoral duro – Apenas para dançar, Luce

E então, para a surpresa dele, Lucy sorriu-lhe. Foi um sorriso doce, natural e resplandecente, o primeiro que ela já lhe oferecera. Sentiu o peito contrair e todo o corpo esquentar, como se uma droga estimulante tivesse entrado diretamente em seu sistema nervoso. Parecia uma sensação de... Felicidade. Lembrou-se da felicidade de muito tempo atrás. E Não queria senti-la, contudo, o calor vertiginoso continuava a invadi-lo.

– Obrigada. – disse Lucy, o sorriso ainda em seus lábios – Isso é gentil da sua parte, boss. Mas nunca irei dançar com o senhor.

Obviamente aquilo tornou-se o novo objetivo da sua vida: envergonha-la no baile.

– Além disso, o senhor é um bárbaro! – contestou a loira, indignada, fazendo o rosado sorrir ao ser insultado – Independentemente da época.

O vento havia soltado uma mecha do coque. Incapaz de resistir, Natsu estendeu a mão e pôs o fugitivo atrás da orelha de Lucy. A pele dela era macia e delicada como a de um bebé, sensível o suficiente para ela sentir a almofada dos dedos fortes contra o seu pescoço.

– A maioria dos homens é... – disse ele, abrindo aquele sorriso em puro gozo – Só que agora nós temos regras. – tirou o cachecol e amarrou-o a volta do pescoço dela, sentindo-a retesar – Poderá pôr uma gravata em um homem, ensinar-lhe boas maneiras e obrigá-lo a comparecer a saraus, mas quase nenhum de nós é verdadeiramente civilizado.

– Pelo que sei dos homens, concordo! – disse ela.

Ele agarrou seu braço e puxou-a para mais perto, logo que viu que haviam tirado todas as armadilhas, assim que todos os pontos no mapa dela foram riscados.

– O que sabe dos homens?

Lucy pareceu solene, as íris acastanhadas ficando douradas a medida que ela erguia a cabeça para encara-lo diretamente, com um traço de irritação no olhar.

– Sei que não devo confiar neles.

– Eu diria o mesmo das mulheres. – sorriu e abraçou-a forte, pousando os lábios rudes nos dela. Por um momento, ele fechou os olhos e ela ficou parada. Na verdade, assustada com o movimento repentino, até sentir a língua dele escovar os seus lábios, tentando abri-los.

Ela não cederia desta vez.

Ergueu o joelho e golpeou o seu baixo ventre, como deveria ter feito a muito, ele a empurrou de imediato, como fizera meses atrás na clareira. Mas ela já espera por isso, tanto que caiu graciosamente e pôs-se de pé num raio, correndo e ganhando distância dele logo que entrava no coração da mata. Precipitou-se na direção, mas não desistiu.

Mas ela não conhecia aquele parte.

– Luce! – ouviu a voz máscula chama-la – Volta!

– Nem pensar, seu pervertido! – berrou exaltada, ouvindo-o praguejar e vociferar:

– Luce... Lucy, sua desalmada! Não vá por ai!

Os apelos do rosado continuaram a ecoar nas suas costas, enquanto corria sem saber para onde. Ele vinha atrás dela! Era uma questão de tempo até a alcançar. E ela haveria de se impor, recusando-se a acompanha-lo em qualquer intento que ele a opusesse. O Boss da Fairy Tail era assim: o ramo inofensivo de uma árvore, que se revela um predador voraz quando o pequeno inseto se rebelava! Sabia que durante todo aquele tempo, almejara conquista-la com a sua mansidão, tudo porque ele teria algo maior em mente. Sabia que ele iria usar aquela missão para obter algo mais, mas ela permitiu-se a baixa a guarda quando o viu tão manso... Estúpida! Mil vezes estúpida!

– Luce! Escuta-me!

Não! Ela já o conhecia! Natsu a alcançaria e falaria devagar, resoluto, prometendo uma solução que jamais se concretizaria... Vil embusteiro! Ela não era Mira ou Levy para acreditar na mentiras dele, elas que não tocaram os horários dela porque diserram que ele prometeu jamais toca-la ou pressiona-la!

Não podia permitir que ele a agarrasse.

Urrou de raiva e acelerou. Como é que havia de pôr fim à sua miserável vida? Não demorou muito para ver o limite da terra: estava a metros de uma ravina, uma queda indecifrável. Mas iria fugi dele, fugir até que ele soubesse que jamais a alcançaria. Mas não podia saltar por causa dos espinheiros que haviam mais abaixo... Os espinheiros! Queria forma mais eficaz de libertar o seu corpo desta existência? Morrer. Como podia pensar em morrer... Tinha um primo, uma mãe e um pai que a amavam desde sempre. Tinha amigos que a fortaleciam. Mas, ela nunca sentiu-se verdadeiramente feliz.

Mas, entre os espinheiros, uma área vazia. Não sabia que poderia sobreviver a queda ou ter o azar de falhar a sua descida e aterrar nos espinhos. Infelizmente, deveria mostrar a sua precerverância ao rosado e jamais dar-se por fraca perante ele!

Aproximou-se da beirada e abaixou-se, calculando quanta força e como teria de pousar a cinco metros do chão. Deu alguns passos atrás, com os gritos de Natsu a estrondearem os ouvidos. Correu a todo o gás e pulou, os ramos dos espinheiros surgiram do outro lado, agitando-se freneticamente na sua ânsia por sangue. Não sentiu medo, acirrada pela determinação. Sabia que a adrenalina faria tudo tão rápido que a dor nem a roçaria a perceção.

Sentiu-se pairar no vazio e viu as hastes assassinas tombarem sobre mim... Porém, inesperadamente, foi como se o ar solidificasse à sua volta e a puxasse para trás. Sem saber como, ficou novamente prisioneira nos braços de Natsu, estrangulada de horror. O dragão rosnou, como o seu animal interior e rodou no ar, caindo de costas no vazio. Esmagou-se contra o chão, com o seu corpo musculoso por cima do seu delicado e os ramos dos espinheiros a chicotearem à sua volta. A fúria do arbusto amaldiçoado era tão veemente que rompia a alma animalesca do rosado.

Mas ele pôs-se de pé, ainda com a loira nos braços e rugiu, ainda mais alto, mas cuspindo fogo. Labaredas quentes queimaram os arbusto coberto de magia negra e ele afastou-se, reconhecendo-o. Ela também reconhecia o arbusto - os antigos Heartfilias foram os criadores daquele sanguinário.

Quedou-se sem respirar, terrificada, enquanto os braços lenhosos, cobertos de espigões afilados como adagas, fustigavam as costas de Natsu, lutando contra a dor. O seu enorme corpo era maior do que o vazio, e não conseguiu evitar alguns espinhos... Pousou-a no chão e caiu sobre ela, amparando o próprio corpo com os cotovelos. O olhar negro do dragão arregalou-se, enquanto o seu sangue espirrava para as pedras, pingava sobre as faces da loira, molhando o seu cabelo imaculadamente loiro... E ele começou a gritar. E, por entre o suplício dos seus berros, o fogo irrompia das suas feridas nas costas, queimando os requisitos dos ramos. Esse caos durou dois ou três fôlegos, mas pareceu arrastar-se por uma eternidade. De repente, os ramos começaram a tombar no chão, quebrados e ressequidos, despojados de vida. Ele desmaiou naquela posição, ficando assim por horas, até o sangramento parar...

A quietude noturna voltou a reinar, apenas cortada pelo som do vento e pelo ruído da respiração descompassada. Colado a si, Natsu tremia da cabeça aos pés, começando a acordar e enterrava o rosto no seu pescoço e cerrava os dentes para não uivar de dor. Ela ofegou, igualmente trémula, sem saber o que dizer. Ele quase morrera para a salvar!

Porquê?

Estavam tão próximos que sentiu a sua energia reacender-se, desta feita como uma brisa morna. Começava a sarar... E, num ímpeto quase irracional, ela fez que nem a mãe: pousou-lhe a palma direita mesmo em cima do coração dele, enviando a energia que ela captava do sol diretamente para a sua corrente sanguínea, para lhe apaziguar o sofrimento e acelerar a recuperação.

Natsu não sabia, mas todas as Heartfilia's tinham uma afinidade com o sol.

De imediato, o seu corpo ficou tenso, como se a iniciativa da loira o abismasse. Lentamente, susteve-se o suficiente para a encarar e envolveu as suas faces com as mãos. Ela quis protestar, mas o novo verde do seu olhar roubou-lhe a voz: límpido, quente, deslumbrante... Não havia um pingo de corrupção nessa superfície cristalina de esperança e de mar. Antes, uma necessidade premente de contacto, de carinho... De paixão!

Como é que Natsu consegue mentir tão bem com os olhos?

E se... E se não estivesse a mentir?

Parte da mente de Lucy bradava, em pânico: este é o celerado que aterroriza a tua vida desde que chegaste aqui... Todavia, outra parte sussurrava: este é um homem perdido, em busca de redenção. E os sussurros sobrepunham-se aos brados, enquanto os dedos longos deslizavam pela pele sedosa, numa carícia desejosa. Já não era a dor que fazia o seu corpo estremecer encostado ao seu! O nó na sua garganta subiu e desceu, enquanto o olhar se fixava nos seus lábios.

Nem pensar!

Livre do tresvario que, por instantes, a paralisara, estrebuchou-se para se soltar, e ergueu-se afastando-se do corpo maior e andando para o barulho de água a correr. O rosado seguiu-a, movendo-se com rapidez. Estava quase refeito. Pelos vistos, o incidente fora mais aparatoso do que grave! Isso era um alívio... Ou não? Ela mal conseguia levantar os olhos do chão. O seu rosto ardia, incendiado pela vergonha e pela confusão. Sem reparar no transtorno que causara, ou simplesmente ignorando-o, Natsu cravou-lhe os dedos no braço, increpando com ardor:

– O que foi que te passou pela cabeça? – berrou raivoso – Tamanho despautério é indigno de alguém como tu! – continuou no mesmo tom, os olhos ainda verdes.

– Chega de falsidades! Chega de mentiras! – suplicou a menina, ainda com os olhos no chão – Tudo o que sai da tua boca está envenenado pelo egoísmo e pela ambição!

– Estas maluca? – controverteu no mesmo tom. – Estou a sangrar por tua causa e acusas-me de egoísmo? Quando foi que eu te menti? – indagou, puxando-a contra o peito e mergulhou no olhar castanho, firmando num arquejo – Eu nunca te menti! Ao contrário de tu, que sempre rebateste uma para me fugires!

– Eu não vou fugir mais! – murmurou, sentindo a mão do homem escorregar-lhe do braço – Porque da próxima vez vou ignora-lo e continuar a minha vida como se nunca o senhor houvesse existido.

– Se não fosse por mim, tu não existirias mais! – rosnou – Mas se é isso que deseja, jamais cruzarei o seu caminho e farei os possíveis para que nunca ouça a minha voz! – dizia, afastando-se dela – Não se preocupe... Vai apenas ouvir falar o meu nome. Vou deixa-la em paz, Senhorita Hearfilia!

Não se mexia. As lágrimas escorriam-na pelas faces, sem que os olhos sequer piscassem. Inspirava e expirava, rápida e avidamente. O sabor do sangue colara-se ao céu sua da boca. O coração martelava o peito. As entranhas contorciam-se com tal veemência que os seus assobios chegavam aos seus ouvidos. O tempo passava... E ela continuava prostrada sobre o tapete de neve que forrava o chão da mata.

E sem que tivesse a certeza, foi a última vez que vira o rosado naquela semana.

 


Notas Finais


....



Entao gente, a parte HOT começa no proximo...
Pancadaria, raptos, hentai e fugas.

Juvia aparece daqui a pouco.
Onde estao os GraJu shippers???


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