História Bounce - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bleach
Personagens Byakuya Kuchiki, Grimmjow Jaegerjaquez, Ichigo Kurosaki, Mayuri, Nanao Ise, Nelliel Tu Odelschwanck, Nemu Kurotsuchi (Nemuri Nanagou), Nnoitra Gilga, Orihime Inoue, Rangiku Matsumoto, Renji Abarai, Retsu Unohana, Rukia Kuchiki, Toushirou Hitsugaya, Ukitake, Ulquiorra Schiffer, Uryuu Ishida
Tags Bleach, Ulquihime Grimmnell
Visualizações 7
Palavras 5.061
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Ecchi, Fantasia, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá meus queridos, tudo bom com vocês?
Comigo aqui tá tudo de boa s2
Queria deixar claro que vocês são ótimos, obrigada pelos novos favoritos :D
Continuem com a tia que vocês não vão se arrepender.
Boa Leitura :*

Capítulo 9 - Cegueira Carmesim


Fanfic / Fanfiction Bounce - Capítulo 9 - Cegueira Carmesim

Eu não sabia que Matsumoto tinha essa capacidade de gritar tão alto. Ainda bem que ela não faz uso frequente ou exagerado dessa capacidade.

Falando em exagerado...

- Estou bem! – gritei de volta, o que estava sendo complicado pela fumaça ao meu redor.

No momento que ela soltou-se de mim e se segurou a viga eu me segurei forte nela. Claro que tive que me certificar de que ela estava segura para poder fazer isso, o que significa que eu estava mais baixo do que deveria, mais envolta na fumaça, mas pelo menos estava bem. E eu pude sentir certo alivio nas meninas ao saberem que eu estava bem. Mas não estaria bem por muito mais tempo se não sair logo daqui!

- Graças aos céus! – exclamou Orihime.

- Como estamos? – perguntei com a voz abafada e mais baixa que o normal. Meu pulmão começava a queimar devido a inalação de fumaça.

- Nem sinal da Rukia! – disse Nemu – Mas não se preocupe, temos um plano.

É ai que eu me preocupo!

- Vamos jogar uma corda improvisada pra vocês! – disse Nanao.

- Não! – disse Matsumoto – Isso não vai dar muito certo.

- Tem uma ideia melhor? – perguntou Orihime. Eu comecei a tossir mais uma vez e pude perceber que a tensão aumentava.

- Se tiverem, digam por que isso aqui não está legal. – consegui dizer em meio a tossidos. Não podia soltar uma de minhas mãos pra afastar a fumaça do meu rosto.

Crack...

Quando eu achava que não podia piorar um ruído bem audível de coisa quebrando sai de algum lugar acima de mim – Meninas o que foi isso?

- Uma parte da madeira está cedendo! – gritou Orihime.

- Nell você precisa subir escalando sobre mim, consegue? – gritou Matsumoto.

- Eu sim, mas não sei se você aguenta...

- Vai logo! – vociferou mais uma vez – Não quero morrer aqui!!!

Nem eu!

Decidida a não virar um saboroso defumado de Neliel Gilga eu pus o plano de Matsumoto em ação. Poderia sim ter feito isso, mas não sabia se ela aguentaria e não a levaria para a morte certa, mas já que ela quis assim: aqui vamos nós!

Calma e ordenadamente, mão após mão eu escalei o corpo da minha amiga. Quando já estava quase colocando o nariz fora da fumaça ouvimos aquele ruído novamente.

Crack...

- Quando eu passar, vou te puxar! – disse enquanto continuava a escalar Matsumoto. Estava demorando mais do que eu pensei, graças a fumaça que me deixou um pouco desorientada – Prepare-se pra queda!

- Do chão não passa! – ela disse acenando positivamente com a cabeça.

Já as meninas do lado de fora assistiam a tudo chocadas e completamente aflitas. Atrás delas eu podia ver alguns alunos assistindo a tudo. Francamente, ajudar ninguém quer!

CRACK!

Mais audível que todos os outros, assim que eu senti o abalo na estrutura tive que juntar o resto de sanidade que tinha e agir rápido. Assim que cheguei a parte de cima juntei forças que nem sabia que eu tinha – obrigada, santa adrenalina – e puxei Matsumoto com tudo pra cima. Ela me olhou aliviada, mas não tínhamos tempo para isso! Puxei ela rapidamente em uma corrida até o último degrau não queimado e me joguei com ela arquibancada a baixo. Não sei ao certo o que eu vi, foi mais o que eu não vi.

Vultos passavam em câmera lenta, e o chão parecia mais macio do que eu me lembrava. Ao meu lado tossia uma cabeleira ruiva disforme e quando minha visão finalmente teve foco outra cabeleira ruiva me abraçou fortemente.

- Que bom que está bem! – disse Orihime enquanto me esmagava em seus braços.

- Gente, eu ouvi o desabamento! – exclamou Rukia que acabara de chegar completamente exausta da corrida. Ela vinha acompanhada pela professora Unohana e por um homem que eu já havia visto algumas vezes no bloco de medicina.

- Elas estão bem. – disse Orihime novamente me apertando.

- Eu gostaria de respirar... – comentei com a voz fraca e ela me soltou imediatamente.

- Desculpe. – comentou sem graça.

Agora que conseguia ver direito a multidão de curiosos havia se dissipado. O chão estava estranhamente macio por que Nemu e Nanao haviam amontoado todos os colchonetes que encontraram ali. Não tinha como prever o local da queda, mas se alguém conseguiria fazer esse cálculo tão rápido, esse alguém era Nanao. Não evitei o sorriso fraco, que logo se dissipou em meio a uma careta de dor.

- Obrigada, meninas! – consegui dizer em meio a um gemido abafado.

- O que foi? – perguntou Unohana se aproximando e me examinando – Você torceu o pulso. – ela disse convicta. – Vamos precisar ir a enfermaria.

- Torceu protegendo a cabeça da sua amiga. – comentou o homem que examinava Matsumoto. Certamente ele era algum professor novo do centro. – Vamos pra enfermaria, consegue se mover? – ele analisou o rosto de Matsumoto e a ajudou a levantar.

Tadinho do professor, nem sabia que estava fazendo justo o que a peituda safada queria. Nem em um momento tenso como esses ela consegue parar com essas coisas.

Safadinha...

54ª Dia do Outono, Casa da Orihime.

- Fico feliz que esteja bem. – confesso enquanto enfio um pedaço de bolo na boca.

- E eu também. – comentou Nell enfiando um pedaço generoso do bolo goela abaixo.

Nell estava um pouco cansada, tossia e tinha o pulso enfaixado e devidamente protegido por uma luva de proteção azul. Mas ainda conseguia ser ela mesma.

Quando nos locomovemos na direção da enfermaria atraímos muitos olhares. Desde professores curiosos que pareciam um pouco chocados, aos alunos do time de queimado e os presentes no campo que pareciam estar alheios ao ocorrido.

Por que nenhum deles ajudou?

Eu não sei o quão sangue frio você tem que ser para ver um terrível acidente e não se incomodar nem um pouco em ajudar, francamente eu acho isso ridículo. Mas isso não é importante, o importante é que tudo ocorreu bem. Em cima da hora, Nanao, Nemuri e eu juntamos o máximo de colchonetes possíveis e depois eu tive que ficar prestando atenção pra dizer como elas estava as meninas que mudavam as pilhas de lugar. Pelo menos foi o suficiente pra evitar grandes problemas.

- Está achando que rolou uma macumba piromaníaca, né? – Perguntou Nell quebrando o silencio e me fazendo rir.

Francamente!

Pigarreei e coloquei minha expressão mais séria – Você também acha que seja possível?

Ela me encarou por alguns segundos, de repente o delicioso bolo de chocolate não estava mais lá tão interessante – Sim. Não vejo nenhum ponto onde aquele fogo possa ter começado, mesmo que por acidente.

Nós duas pensamos na mesma coisa!

- Eu concordo. – disse enquanto ia em direção a pia com meu prato – Na verdade eu olhei para aquelas arquibancadas buscando pelo possível ponto de início, mas não encontrei nada.

- Fiz a mesma coisa. – ela colocou seu prato na pia. Nós combinamos que cada uma tinha seu dia de louça suja, e este era o meu. – Será que estão tentando te atingir?

Ela levantou uma questão interessante – Eu acho bem possível. – Neliel me encarava seria.

- Te atingir me atingindo, que sujo!

- De qualquer forma não é prudente pensar nisso agora. – disse me concentrando a lavagem de nossos pratos – Vamos considerar como acidente, se acontecer uma terceira vez nós vamos...

- Fazer Macumbamacumbamacumba? – ela me interrompeu com um sorriso zombeteiro – Quero dizer, você faz a macumba eu posso tocar um tambor do seu lado, sabe? – ela gesticulou com as mãos como se tocasse um tambor – Pra entrar no clima?

Lhe espirrei agua na cara – Não seja ridícula!

Era simplesmente impossível não rir com Nell de bom humor, muito bom humor pra quem quase virou churrasco, alias.

- Vamos arrumar nossas mochilas. – ela disse – Não pretendo levar muita coisa.

- Nemu disse que lençóis e travesseiros são por conta dela. – comentei.

- Que bom. – disse Nell secando os dois pratos já lavados e fazendo o mesmo com os garfos em seguida – Não sei se o senhor Kurotsuchi vai concordar em levar tanta gente no carro.

- Nem eu. – concordei passando pela porta da cozinha e apagando a luz, seguida de perto por Nell que apagou a luz da sala quando subimos as escadas – Inclusive mamãe me ligou, disse que ia mandar um pouco de dinheiro pra comprar coisa, mas eu disse que não se incomodasse.

- E o bastardo? – perguntei fechando as cortinas do quarto e indo em direção a minha penteadeira.

- Acha mesmo que perco meu tempo querendo saber dele? – ela me fez uma cara engraçada – Francamente!

- Realmente. – dei de ombros – O que acha de dividirmos a mala? – lhe sugeria apontando a mala pequena no canto do quarto.

- Genial. – ela me deu um sorriso brilhante acompanhado de um joinha.

 

55ª Dia do Outono, Estacionamento da Universidade.

- Esse com certeza vai ser uma noite divertida! – Matsumoto dava pulinhos de alegria.

- Hime, onde estão as meninas? – me perguntava Nanao que estava escorada na parede próxima, ao lado de Rukia.

- Elas provavelmente vão vir com o senhor Kurotsuchi. – respondi enquanto as analisava. Nanao como sempre sóbria, tinha uma pequena mala preta, Rukia tinha uma mochila media e Matsumoto bem... essa tinha roupas para uma temporada de veraneio inteiro.

- Espero que não demorem. – Rukia disse.

- Já viu como o pai da Nemu é? – questionou-a Matsumoto.

- É Rukia, ele é super pontual. – assegurei – Nunca chegou na sala com nenhum minuto a mais ou a menos.

Ela pareceu parar para pensar por um momento, talvez nas vezes que o senhor Kurotsuchi foi a casa dela. Realmente aquele homem é regulado como um relógio, dá a impressão de ser tão certinho quando o irmão da Rukia, tirando o jeito lunático.

- Tem razão Hime.

55ª Dia do Outono, Laboratório de Ciências Biológicas.

O dia no laboratório foi tão divertido! Mesmo que tenha um tapado na equipe eu mal consigo perceber a presença daquela coisa grandiosa – exceto quando ele resolve abrir a matraca. Nemu e eu sempre fazemos tudo juntas e somos uma dupla bastante eficiente. Coloca-la como bolsista voluntaria foi a melhor coisa que o professor fez.

Por outro lado existem algumas atitudes dele que eu não considero tão sábias, como por exemplo o meu colega Omaeda. Aparentemente ele não tem cérebro, e o que ele não tem de massa cinzenta ele compensa em arrogância! Pense num sujeito nada cativante.

Hoje fizemos algumas misturas para as hortas da Universidade. Conversei um pouco com Hanataro, que se comparado com seu colega de bancada pode ser chamado de Inteligência Superior. Fracamente!

Já era quase hora da saída, e como eu sei que o pai da Nemuri é pra lá de pontual já havia deixado minhas coisas previamente arrumadas. Só as chutaria pra dentro da mochila e já estaria pronta pra sair.

- Onde está sua mala Nell? – me perguntou Nemu sentando-se no banco ao lado do meu e apoiando os cotovelos sobre a bancada.

- Ah eu dividi a mala com a Hime. – contei me virando para encara-la – Assim ocupamos menos espaço... – lhe dei um sorriso faceiro – Sem falar que sobrando espaço na mala podemos jogar a Matsumoto lá dentro.

- Neliel! – ela me deu um leve soco e começou a rir. – Já pensei em como iremos dispostas.

- Já? – lhe perguntei e não pude esconder a surpresa. Mas antes que ela pudesse me explicar fomos interrompidas por Hanataro.

- Noite das meninas? – ele perguntou gentilmente.

- É. – Nemu assentiu.

- Espero que aproveitem bem. – ele sorriu gentilmente enquanto colocava sua mochila nos ombros. Logo atrás dele Omaeda deu um arroto que estrondou o laboratório, sorte que o mesmo estava vazio. Nemu fez uma cara estranha e eu revirei os olhos.

- Cancela o veterinário que o porco deu sinal de vida. – comentei.

- O que disse?

Parece que o porco, digo o Omaeda não gostou de ser chamado de porco. Ele colocou sua mochila nas costas e veio caminhando pesadamente em nossa direção.

- Exatamente o que ouviu. – respondi calmamente como se o disco voador não estivesse se aproximando.  Ele pareceu detestar mais ainda a minha indiferença. Tanto que agarrou forte meu pulso direito e me puxou do banco, eu quase tropecei.

 O que esse imbecil está pensando!?

- Cuidado com a língua mocinha! – ele disse me encarando duramente.

Visivelmente ele queria me amedrontar, achava que eu teria medo dele. Coitado não sabe com quem está lidando. Na verdade acho que nem eu ao certo, por que ele tem bastante forca no braço. Mas bem o que dizem.

- Me larga. – disse com o meu tom mais frio.

- Se não o que? – ele me provocou. Nemuri ficou desconfortável e Hanataro mais ainda, já que se afastou consideravelmente.

- Parem com isso. – Nemu disse tentando manter-se o mais calma possível.

- Não até ela me pedir desculpas.

Ele me encarava fixamente com um sorriso divertido nos lábios. Omaeda podia até disfarçar bem, os covardes geralmente o fazem, mas era inegável que minha indiferença só o deixava mais irritado.

- Certo, desculpe. – ele abriu um sorriso – Acho que ofendi os porcos. – foi minha vez de sorrir. Ele por sua vez ergueu meu pulso me deixando um pouco sob a ponta dos pés.

- Solte ela Omaeda! – disse Nemu em tom de ordem colocando a sua mão sobre a de Omaeda que a empurrou subitamente.

 A gota d’agua!

Nemu bateu as costas – não tão de leve – contra a bancada. Já que o senhor Kurotsuchi não está no laboratório alguém aqui vai ter que assumir as rédeas da situação.

Bati minha testa contra a de Omaeda – isso foi bem nojento – o suficiente para deixa-lo levemente desorientado para livrar meu pulso. Uma vez que meu braço estava livre eu peguei o dele e de uma maneira ágil o girei contra a bancada com o braço torcido pra trás – Peça desculpas a Nemu.

Ele tentaria se mexer e sabendo disso posicionei um dos dedos de minha mão enfaixada em uma de suas terminações nervosas do pescoço o deixando imóvel – Vamos, peça desculpas!

Nemu olhava a tudo com um olhar – assustado? – impressionado, Hanataro estava completamente chocado e Omaeda? Bem esse tentou resistir o máximo que pode, mas isso não foi muito – Desculpe Nemuri – ele disse.

- Bom garoto. – comentei o soltando e me afastando.

- Tudo bem. – respondeu Nemu – Acho que seria interessante você ir agora.

A sala tinha ficado bem tensa, mas pude jurar que vi um receio no olhar de Omaeda. Esse não mexeria mais comigo ou minhas amigas por muito, muito tempo!

- Eu também já vou indo. – disse Hanataro andando de costas para a porta e acenando para nós – Até segunda.

- Ate! – dissemos eu e Nemuri em uníssono e olhando diretamente para a porta. Depois que a porta foi fechada Nemu voltou-se pra mim com um sorriso nos lábios.

- Desde quando você é ninja? – ela me perguntou fascinada.

Eu não consegui não rir – Não sou ninja.

- Não tinha medo que ele reagisse? Quer dizer... ele é bem maior que você. – comentou.

- É como dizem Nemu: quanto maiores são, mais alto eles gritam.

- Credo! – ela comentou rindo e me fazendo rir junto com ela.

- Vamos? – fomos interrompidas pelo senhor Kurotsuchi que acabara de entrar no recinto. Ele tinha um olhar enigmático, não muito diferente da maioria das vezes.

- Claro. – Nemu respondeu tirando o jaleco e indo em direção ao armário – Algum problema, papai?

O senhor Kurotsuchi pensou por um tempo – Recebi uma carta que não consigo ler, perderei muito tempo indo ver um tradutor na segunda.

- Em que idioma? – ela perguntou me ajudando a tirar o jaleco.

- Alemão. – ele respondeu mostrando o envelope.

- Posso ler se quiser.

Falei rápido demais e sem pensar. Desde quando eu me meto na conversa dos outros? vê se acorda pra vida Neliel. Tanto Nemu quando o pai dela me encararam diretamente.

- Você fala alemão? – Nemu me perguntou enquanto estendia a mim minha mochila.

Assegurei colocando a mochila no ombro direito – Eu nasci na Alemanha. Esqueceu?

- Ih é mesmo. – ela disse colocando a mão rapidamente na testa.

- Se não for muito incomodo. – disse o senhor Kurotsuchi me estendendo a carta.

- Imagina. – consegui lhe dar um sorriso breve enquanto saiamos juntos do prédio. Não demorou muito a tradução e eu lhe devolvi a carta.

- Obrigado. – ele me respondeu e voltou-se a Nemu – Como vamos?

- As menores na frente. – comentou Nemu – Orihime e Rukia vão no banco ao lado do seu, eu e as meninas vamos atrás.

- Medo. – comentei baixo.

- Deixa eu ver se entendi. – começou Nemu – Não tem medo de um cara com o dobro do seu tamanho, mas tem medo de andar num carro lotado? – ela me questionou.

- Não. Tenho medo de ficar em um carro lotado com a Matsumoto do meu lado. – respondi com um pequeno sorriso. – Ela vai ficar olhando pela janela pra ver se tem carinhas bonitos do lado de fora.

- Claro que vai. – Nemuri concordou dando uma risada baixa – Tudo bem, você vai na frente com Rukia, além do mais tem o seu pulso.

Trocamos olhares cumplices. Eu nem se quer podia acreditar que o senhor Kurotsuchi tinha aceitado uma festa do pijama de dois dias quanto mais levar um carro lotado!

Caminhamos enquanto conversávamos sobre várias coisas. Com Nemuri a conversa não era tão banal, ela era uma das mais maduras do grupo então eu nunca perdia a cabeça conversando com ela, coisa que com Matsumoto acontecia pra caramba. Não demorou muito para chegarmos ao estacionamento e nos depararmos com as meninas esperando sentadas no chão.

- Finalmente. – exclamou Matsumoto.

- Não fale como se tivéssemos atrasados. – retruquei.

- Ela não sabe usar o relógio. – comentou Nanao com um sorriso Irônico.

- Minha nossa... – disse baixo enquanto Nemu tomava a frente.

- Bem meninas este é meu pai. – disse apontando para o homem que já estava colocando sua mochila no porta malas – Papai estas são Matsumoto, Rukia e Nanao.

O Senhor Kurotsuchi deu uma bela encarada nas meninas, e sem se desafazer da sua habitual cara seria se pronunciou – Olá. Coloquem as coisas aqui, e já vou avisando que não dirijo muito devagar. – disse dirigindo-se ao acento do motorista e se preparando pra sair.

Rapidamente Nemu ajudou as meninas a colocarem as coisas no porta malas do carro – Nell leve a Rukia.

- Pra onde? – questionou a baixinha.

- Você vem na frente comigo. – expliquei enquanto abria a porta do carro.

- E nós? – perguntou Matsumoto enquanto arrumava o cabelo.

- Vamos atrás. – disse Nemu, abrindo a porta de trás e dando passagem as meninas.

Assim que eu me sentei percebi que ir ali na frente com o pai da Nemu seria estranho, estranho tipo: MUITO ESTRANHO. – Não vou sentar no seu colo. – protestou Rukia.

- Não tem muita escolha, nanica! – exclamei a puxando e sentando em meu colo contra a vontade, para logo em seguida fechar a porta. Lá atrás as meninas já haviam se acomodado. Matsumoto atrás do banco do motorista, Nemu no meio com Orihime em seu colo e Nanao na outra janela.

- É melhor que estar espremida. – reclamou a ruiva peituda do banco de trás.

- Por que ela está tão ranzinza hoje? – perguntou Rukia.

- Aproveita que você está na janela põe a cara pra fora e estica a língua. – comentei. Isso arrancou algumas risadas das meninas, e não sei se sou eu quem está viajando, mas o pai da Nemu sorriu também.

- Palhaça! – reclamou Matsumoto.

Ela não gostava das piadinhas que eu fazia, e como havia ficado emburrado seria o suficiente para que ela fizesse todo o trajeto no mais perfeito silencio. Assim era melhor, já que as vezes os comentários dela se tornavam irritantes.

55ª Dia do Outono, Casa da Nemuri.

 

Havíamos chegado a alguns minutos e já tínhamos nos instalado. No quarto de Nemu tínhamos arrumado alguns colchonetes e colocado nossas mochilas próximas. O quarto dela era tão grande quanto o da Rukia, e a casa tão ou até mais impressionante!

Tinha tanto branco quanto a casa dos Kuchiki, mas tinha alguns tons de cinza e muitas janelas de vidro, sem falar na imensa claraboia no meio da sala. Conforme Nemu era possível caminhar sobre aquela claraboia já que fazia parte da parte superior do segundo andar: o terraço. E esse sim era incrível. Tinha plantas por todos os lados, uma decoração em estilo oriental e até um pequeno lago artificial.

Aprendi hoje que quando pessoas ricas dizem que suas casas são simples: não! Não tem nada de simples nessa casa. Definitivamente era impressionante, sem contar que era de frente a uma parte da praia que fazia parte do terreno da casa que era imenso. Realmente alguém aqui gosta de se isolar dos outros.

- Orihime, vamos.

Fui completamente retirada de meus devaneios pela voz de Nanao – Ah sim, estou indo.

Combinamos de dispensar a empregada. Ela não merecia aturar os gostos de Matsumoto. Nell, Nanao e eu cozinharíamos e se fosse necessário tenho certeza que a Nell espantaria a Matsumoto. Eu sei que você deve estar se perguntando qual a utilidade dela no nosso grupinho! Simples: distração. Ela é muito boa sendo distração e puxando assuntos, e várias vezes esse talento foi útil, tal como no dia que precisamos distrair o professor para que Nell memorizasse as respostas da prova. Quem vocês acham que enrolou o coitado por 10 minutos? Não precisava enrolar tanto já que Nell tem memória fotográfica, ela só ficou jogando charme pra cima dele por que era “gatinho”.

Chegando a cozinha – que não era menos impressionante que todo o resto – as meninas já estavam tomando seus lugares. Matsumoto estava sentada na bancada conversando com Rukia que estava a seu lado, e Nemu desenhava algo em uma folha branca enquanto era observada por Nanao e Neliel.

- O que estão fazendo? – perguntei me juntando ao grupo.

- Tô desenhando um mapa das coisas na cozinha, assim quando eu não estiver por perto vocês saberão onde encontrar as coisas. – explicou Nemu.

- Ou só perguntar a Nell, é mais rápido. – sugeri.

Alguns segundos depois Nemuri terminou seu desenho e mostrou pra Nell – Aqui.

- Aproveita e faz um mapa da casa pra Matsumoto. – comentou Nell com um sorriso sarcástico enquanto analisava a folha e devolvia para Nanao – Já acabei.

- O que podemos cozinhar? – perguntei alegremente pegando a folha de Nanao depois dela ter terminado de memorizar.

- Que tal... – Matsumoto começou a dizer algo, mas foi cortada por todas nós de uma vez só.

- NÃO!

- Mas vocês nem sabem o que eu estava prestes a sugerir. – ela defendeu-se com um sorriso engraçado nos lábios.

- Preferimos continuar sem saber. – informou Nanao que em seguida virou-se para o grupo – Que tal Chilli?

- Não gosto de pimenta.

Poxa vida, hoje ela estava pra reclamar mesmo ne? Já estou vendo a hora que a Nell vai pular nela e esgana-la. Mas pra minha surpresa ela até reagiu bem.

- Fazemos Chilli pra iniciantes pra você. – sugeriu – Sem pimenta.

- Mas o que é Chilli sem pimenta? – questionou Rukia.

- Oh tu não começa! – disse Nell apontando o dedo – Um problema por vez.

- Concordo. – disse Nemu – Dois tipos de Chilli.

- Três. – interrompeu Nanao que recebeu olhares estranhos virados pra si – Eu gosto de pimenta, e que eu saiba a Nell também. Então fazemos com muita pimenta pra nós, normal pra vocês e sem pimenta pra Matsumoto.

- De acordo. – comentou Nell indo em direção a despensa e pegando tudo que seria necessário – Três panelas de tamanhos diferentes.

- Uma pequena, e duas medias saindo. – disse Nanao indo em direção a um dos armários e retirando as panelas de lá.

Nell colocou os ingredientes próximo a mim e me estendeu uma faca. De imediato comecei a cortar tudo o que ela ia me dando e colocando em vasilhas separadas. Nanao colocava a agua pra ferver e assim o tempo passou. Rukia, Nemu e Matsumoto conversando enquanto nós cozinhavam. De todo tipo de assunto nós falamos, dos mais banais aos mais estranhos.

- Lembram de quando aquele feioso deu em cima da Matsumoto? – perguntou Rukia aos risos.

- Claro, como esquecer? Ela reclamou por semanas! – comentou Nemu com um sorriso amarelo no rosto enquanto desenhava algo em outra folha.

- Vocês amam lembrar das minhas vergonhas. – resmungou a ruiva peituda.

- Só por que você faz coisa que nós avisamos pra não fazer. – explicou Nanao enquanto mexia uma das panelas.

- Nhem. – ela nos deu a língua – O que é bom beber com Chilli?

- Cachaça. – disse o professor Kurotsuchi enquanto adentava o recinto. Vê-lo em casa certamente era algo estranho, longe de seu terno e jalecos habituais dava até pra pensar que ele era um sujeito normal. Alto, pele caramelo, olhos mel magro e sarado e tenho que admitir que a regata branca acompanhada da calca de flanela preta o deixou bem – palavras da Matsumoto – sexy pra dedel.

- É... – concordou Neliel – Mas no seu caso só agua mesmo, Matsumoto.

- Que injustiça é essa? – perguntou a ruiva de braços cruzados. Nell se aproximou dela com uma colher de Chilli e a ofereceu.

- Prova isso aqui.

Assim que Matsumoto provou a cara dela começou a ficar vermelha, mais que qualquer coisa que eu jamais tenha visto. Em segundos a ruiva saiu em disparada pela porta da cozinha indo em direção ao lavabo do piso principal. Nell apenas deu uma risada baixa.

- Isso foi maldade. – comentei.

- Não foi não, já imaginou essa menina bêbada? Credo! – disse voltando a lavar a louca que havia sujado.

- O que está fazendo Nemu? – perguntou o senhor Kurotsuchi dando uma rápida olhada no desenho e indo até um dos armários, de onde retirou uma caneca de louca branca.

- Um mapa da casa, assim quando não estivermos próximos as meninas podem consultar. – explicou Nemu.

- Ou perguntar a Nell. – disseram Rukia, Matsumoto e Nanao em uníssono, o que fez com que Nell se vira-se com uma cara engraçada.

- Olha que se começarem a me encher o saco eu vou cobrar uma taxa! – ameaçou.

- Por que isso? – perguntou o senhor Kurotsuchi se servindo de café. E devo dizer que ele deve amar café, por que encheu a caneca – que já não é pequena – por completo. Ele não aprecia ter nenhuma pressa, escorou-se na bancada e começou a beber o liquido lentamente.

Será que ele não reparou que a Matsumoto está secando ele?

- Nell tem memória fotográfica. – disse simplesmente Nemu se aproximando de Nell e estendendo a folha – Aqui.

Neliel fez o mesmo que havia feito minutos atrás com a primeira folha, a analisou por alguns segundo e acenou pra Nemu – Pode deixa-la com Nanao, ela pelo menos vai guardar.

Rapidamente Matsumoto pegou a folha e se aproximou de Nell – e do senhor Kurotsuchi – e depois de dar uma boa olhada na folha se pronunciou – Porão?

- Ultima porta no fim do terceiro corredor.

- Lavanderia?

- Primeira porta do porão.

- Lavabo?

- Primeira porta depois do armário.

- Armário?

- Onde eu vou te trancar e jogar a chave fora se continuar com isso. – respondeu Nell virando-se pra pia e ignorando a ruiva.

Matsumoto se escorou ao lado de Nell – e do senhor Kurotsuchi – e apenas riu – Por que você tem que ser difícil?

Aparentemente ela não estava falando com a Nell e sim com o senhor Kurotsuchi que não havia se mexido um centímetro desde que a ruiva se escorou entre ele e Neliel. Aliás, reparando agora ele estava muito próximo de Nell antes e só foi interrompido por Matsumoto.

Ele reparou sim.

Depois de beber todo o conteúdo da caneca ele a depositou na pia virando-se o suficiente para seu peito raspar no ombro de Matsumoto – que deve ter ido a loucura – e então começou a se afastar – Vou querer um pouco do Chilli com pimenta forte, se não se importam. – e depois ele sumiu em meio a algumas daquelas portas.

 

...

A noite foi divertida!

Depois que Orihime, Nanao e eu cozinhamos o jantar e comemos as meninas tiveram a ideia de fazer uma aposta: Apostar na minha capacidade de decorar sequencias!

Nanao – que tem ótimas habilidades como mecânica – pegou um Simon de Nemuri e o modificou para que gerasse uma sequência de 1000 cores. Alegando que sequencias sonoras não são desenhos, Matsumoto apostou que eu não conseguiria, Nemu e Nanao apostaram com ela. Do meu lado estavam Orihime, que não me abandonaria mesmo que soubesse que eu não conseguiria e Rukia, que tinha plena fé na minha capacidade.

Depois que o Simon gastou uns 5 minutos realizando a sequência – bem mais rápido que um Simon normal – eu gastei o mesmo tempo para acertar toda a sequência logo em seguida. Rukia e Orihime me abraçaram e comemoraram enquanto as outras três pareciam não acreditar.

Derrota é derrota, meu anjo.

Havíamos dividido nossas obrigações em grupos de três. Esta noite o meu grupo composto por: Orihime, Nanao e eu limparíamos a louca suja. Já era quase onze horas quando Nanao terminou de lavar a louca e Orihime secava.

- Podemos te esperar. – sugeriu Nanao.

- Não tudo bem. – disse enquanto arrumava cuidadosamente alguns pratos em um dos armários – Podem subir eu vou assim que acabar.

Realmente eu era a única que podia por tudo no lugar onde estava originalmente, não havia por que fazer elas ficarem aqui como trouxas.

- Não demore. – disse Orihime colocando o pano pendurado no fogão.

Não faltava muita coisa, na verdade não faltaria se eu não tivesse saído umas quatro vezes para ajudar a Matsumoto a se encontrar nessa casa, já que aparentemente ela se encontrar no mundo estava meio complicado.

Após ligar o Spotify no celular de Orihime sobre a bancada e coloquei os fones Bluetooth dela. Estava tão alto que eu não ouvia nem meus pensamentos: Perfeito! A música me faz trabalhar mais rápido. Em alguns poucos minutos a louça já havia sido guardada em seu devido lugar.

Só faltava colocar mais uma tigela no lugar, a peguei com cuidado e quando me virei a deixei cair com o susto. Pra minha sorte – ou não – o motivo do meu susto foi bem rápido para pegar a tigela.

O senhor Kurotsuchi havia pego a tigela no ar. Ele me olhava com a mesma cara esquisita de todas as vezes. Certamente significava problema.

Não estou gostando disso... 


Notas Finais


E ai, o que é que vocês acharam? e-e
Estou falando dos erros de gramatica u-u


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