História Boys Don't Cry - Capítulo 8


Escrita por: ~ e ~littledemon

Postado
Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Personagens Originais, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoiha, Haku, Kaita, Reituki, The Gazette
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Palavras 8.386
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um ♥

Capítulo 8 - Coração de pedra


 

Yutaka observou Shiroyama se afastar e só saiu da recepção quando viu os portões se fechando. Ele olhou para Haku, que continuou parado, os olhos vidrados na direção por onde o advogado havia saído. Já se passava das quatro da tarde e ele nem conseguia verdadeiramente acreditar que havia sido Yuu que ficara ali com o menino durante todo aquele tempo. E também não conseguia crer na situação na qual estavam minutos antes.

Ele não aparentava nada daquilo, não demonstrava querer adotar e muito menos mostrava algum carinho pelo menino, mas conseguira ver em seus olhos que todas aquelas vontades eram reais.

Bem, aquilo era o que ele pensava.

Chamou Haku depois de um tempo e o mandou seguir com as outras tias para tomar banho e voltou até o pátio, onde sabia muito bem que Suzuki estava.

— Ei. – chamou assim que o avistou recolhendo alguns brinquedos. Ele sorriu e veio devagar ao seu encontro, enfiando as mãos nos bolsos. — Está muito ocupado?

— Não. – respondeu. — Precisa de algo?

— Preciso sim. – Yutaka sorriu, olhando para a prancheta que carregava logo em seguida. — Deixei com Haruko alguns documentos pra você preencher com os dados de algumas crianças e dos responsáveis. – o loiro balançou a cabeça. — Ah, e pegue mais um e preencha com os dados de Haku e... Shiroyama Yuu.

— O quê? – ele questionou, surpreso. — Vai dar entrada nesses documentos para Shiroyama-san levar Haku? – o mais velho engoliu seco, ajeitando um pouco os cabelos em nervosismo. — Shimomura-san demorou quase três meses pra conseguir a autorização, e agora Shiroyama-san não visita Haku nem há um mês e já consegue dar entrada?

Uke encarou Akira por um longo tempo, tão longo que fora capaz de fazê-lo refletir sobre o que havia falado e por fim, ficar roxo de tanta vergonha. Não queria ir contra as ordens de Yutaka e nem mesmo contrariá-lo, mas ainda assim era estranho.

— Algo errado nisso, Akira? – perguntou sério, virando um pouco a cabeça de lado.

— N-Não, é só que... Não é estranho? Por que Shiroyama-san conseguiu em tão pouco tempo?

— Por que está me questionando?

— Porque se alguém souber disso, o que decerto vai acontecer, irão pensar coisas erradas.

— Coisas erradas do tipo...?

— Que... Ele te deu algum dinheiro ou algo assim...

O moreno arregalou os olhos e com a mesma rapidez, sua feição se tornou fria e extremamente contrariada. Não acreditava que Akira estava pensando isso dele.

— É isso o que pensa? Que tipo de pessoa você pensa que eu sou, Akira?

— N-Não! – defendeu-se. — Eu nunca pensaria você nesse tipo de situação! Mas eu não falo por mim... – seu olhar hesitante encontrou o do moreno e viu o mesmo aliviar aos poucos. — É exatamente por isso que eu estou questionando... Porque me incomodaria demais ver as pessoas pensando em você sendo esse tipo de pessoa.

E completamente sem palavras para poder dizer algo, Yutaka apenas continuou o encarando, piscando algumas vezes e ficando meio sem jeito por aquilo. Por um momento, infelizmente, se esquecera de como Akira era estupidamente puro.

— Eu só... – balançou a cabeça, sorrindo sem graça. — Eu também não sei por que fiz isso. É que eu consigo ver em Yuu-san e no marido dele tudo o que Haku precisa. – deu de ombros, dando um passo para o lado. — Eu só não quero estar errado sobre isso.

Akira balançou a cabeça em afirmação e aos poucos, as bochechas foram ganhando um leve tom avermelhado.

— Me desculpe se eu acabei te aborrecendo. Eu... Eu confio em você e no que você faz. – declarou, fazendo o coração do assistente social bater extraordinariamente mais rápido. — Nunca questionaria você ou algo assim, mas eu só... Só pensei no que poderiam dizer sobre você.

— Eu entendo, Akira. Obrigado por isso. – o moreno sorriu com sinceridade, sentindo o peito formigar. Ele tocou o ombro do mais novo e balançou a cabeça. — Agora vá fazer o que eu pedi.

O Suzuki assentiu e segundos depois ele sumiu por uma porta larga, deixando Yutaka ali, com o coração fervilhando e o rosto completamente quente. Mas aquilo durou pouco, porque no instante seguinte, ele olhou para os lados, tomando uma postura séria novamente antes de seguir para sua sala.

(...)

Yuu entrou na cozinha e avistou o marido sentado à mesa, com um par de óculos no rosto enquanto digitava algo em seu notebook de maneira tão veloz que conseguiu ouvir assim que entrou em casa. Aproximou-se devagar, tocando seus ombros e assustando-o.

— Yuu! – gritou com a mão no peito. — Que porra!

— Foi sem querer. – disse sorrindo, levantando as mãos. — Que bom que saiu do quarto. – falou ele, sentando-se ao lado do marido. — Como foi seu dia hoj...

— Conta como foi com o Haku. – Kouyou o interrompeu o mais velho, que levantou um pouco as sobrancelhas. — Ele... Estava lá? – perguntou sem parar de digitar.

— Claro que sim, Kou. – girou os olhos. — Eu disse que era pra você ir.

— Me conta como foi. – o ignorou, ajeitando os óculos no rosto e se virando para o companheiro.

— Foi normal. Acho que ele ficou um tanto desapontado porque você não estava lá.

— Mesmo? Oh... – ele tocou os lábios, franzindo um pouco as sobrancelhas. — E você brincou com ele, Yuu?

— Brinquei.

— O tempo inteiro?

— Sim, Kouyou. – o moreno respondeu depois de um suspiro, buscando as mãos dele. — Brinquei o tempo inteiro com o menino. – sua voz era levemente debochada e Kouyou conseguiu claramente perceber aquilo.

— Mas você foi bonzinho com ele? Ele gosta tanto de receber carinho... Já percebeu isso?

— Não, Kou, eu não percebi. – disse por fim, fazendo o mais novo morder um pouco o lábio. — Sério, você não deveria ter me feito ir sozinho lá.

— Mas Yuu...

— Eu não sei lidar com crianças, Kouyou. – explicou com calma, mesmo que há muito, já estivesse um pouco aborrecido. — Elas querem atenção o tempo inteiro, querem que você brinque com elas, fazem perguntas estranhas... Eu não gosto disso.

— Yuu... – murmurou num tom pesaroso. — Por favor. Só mais um pouco...

— Na quinta você vai, você tem que ir. – ele levantou-se, saindo da cozinha e vendo o marido o seguir. — Sério, se passar somente um dia com aquele menino me deixou assim, imagina quando ele estiver aqui e...

Shiroyama calou-se de repente, notando não só o que havia falado como também os olhos brilhantes do loiro. Xingou-se mentalmente, amaldiçoou a si mesmo e também aquela falta de freio na língua.

— Quer dizer – voltou a caminhar, parando ao entrar no quarto — eu só quis dizer que não aguentaria passar mais de um dia assim com ele. – pigarreou, desviando os olhos dos do loiro, que continuava o olhando daquele jeito que lhe desarmava completamente. — O que é?

— Você é um homem maravilhoso, Yuu. – o moreno franziu o cenho, sentindo o outro o abraçar com força. — Eu amo você... Amo tanto você.

— Ahn... Eu sei. Sei que me ama e que sou maravilhoso. – esperou ouvir alguma risada do outro com aquela tentativa de fazer graça, mas não ouviu nada. Kouyou continuou o abraçando. — Eu também te amo, Kou. Mais que tudo.

E o que sentiu em seguida foram os lábios do mais novo contra o seu e junto com eles, uma carga de sentimentos e lágrimas finas vieram junto. Ele não entendeu no começo, mas também preferiu não perguntar nada durante aquele tempo. Suas mãos tocaram seu pescoço e cintura, enquanto o loiro passava os braços por seus ombros, os corpos ficando próximos demais, praticamente encaixando-se um ao outro enquanto os lábios se tocavam, as línguas brigavam por contato dentro de suas bocas e seus gostos eram misturados.

Yuu não lembrava quando havia sido a última vez que o marido lhe beijara daquela maneira, e não escondia de ninguém a saudade que estava sentindo daquilo, o desejo guardado dentro de seu peito durante aqueles dias eram tão grandes que nem sabia como havia aguentado.

Kouyou era perfeito demais, era o homem que amava e estava tão preocupado com sua saúde mental e física durante aquela situação que, se pudesse, o seguiria por onde quer que fosse apenas para cuidar de perto.

O mais perto que pudesse estar.

— Kou – murmurou quando os lábios se afastaram, beijando sua testa em seguida. — O que está acontecendo? – perguntou por fim, sentindo o corpo dele se encolher contra o seu enquanto a respiração contra seu pescoço fora cessada por alguns segundos. — Por que não me fala?

— Você... – o loiro sussurrou, olhando para o marido com seus olhos avermelhados e úmidos. — O que realmente aconteceu lá, Yuu? Me fala logo... – o advogado ergueu as sobrancelhas, esquecendo-se de como Kouyou conseguia lê-lo tão facilmente. — Me fala.

— Eu... – ele encarou o outro, tocando seu rosto com ambas as mãos. Kouyou era tão perfeito que não o imaginava chorando daquele jeito. — Bem, você tem que tentar encarar tudo de maneira positiva, promete?

— Como eu posso prometer isso, Yuu?

— Só tenta... Por favor. – Takashima mordeu o lábio e balançou um pouco a cabeça, mesmo que soubesse que aquilo seria muito complicado. — Eu estava com o menino e... Bem, ela apareceu.

— Ela...? – e subitamente o loiro adotou uma expressão completamente surpresa. Tão surpresa quanto apavorada. Seus olhos se arregalaram e ele levou as mãos à boca. — Como... Como assim Yuu? Como assim ela apareceu lá? O que ela foi fazer? O que essa mulher está pensando?!

— Ei, ei, calma. – disse tentando o tranquilizar. Yuu tomou as mãos trêmulas nas suas e sentou-se na cama, trazendo-o para seu colo. — Me ouve, tá bem?

— Mas, Yuu...

— Shh. – o moreno interrompeu, balançando a cabeça. — Só me escuta. Mas respira antes. – Kouyou o fez, respirando fundo enquanto sentia o coração bater com rapidez. Por deus, o que era tudo aquilo? Todo aquele desespero só por imaginar que a tal Naoko esteve lá? Sentia que estava começando a perder todo o seu controle em relação àquilo, mas não tinha nada a se fazer contra tal fato. — Ela esteve lá e veio falar com o menino quando eu estava com ele...

— E... E ele gosta dela, Yuu? Você acha que ele gosta dela? Ela gosta dele também? – perguntou sem freios, afastando-se um pouco para olhar o marido. — Você acha, Yuu?

— Hun, ele parecia gostar dela sim. – respondeu, tocando os cabelos do mais novo, que pareceu completamente apavorado com aquela informação. — Você tem que admitir, Kouyou, que aquele menino é assim com qualquer pessoa.

— Assim? Assim como?

— Dado. – disse sem rodeios, fazendo o loiro encolher um pouco os ombros.

— Ele não é assim, amor. – sussurrou balançando a cabeça. — Ele não é. Você é que não se permite ser um pouco mais aberto e compreensivo... Ele só quer carinho, Yuu. Qualquer criança que esteja na situação em que ele está... Ele só precisa de amor, carinho... Se sentir protegido.

— Eu entendo o que quer dizer, Kou, mas é que eu não...

— Você vai se dar uma chance, não vai? – interrompeu com um tom implorativo. Ele encarou o marido por um tempo, com aqueles olhos brilhantes e Yuu soltou o ar dos pulmões antes de murmurar:

— Eu vou tentar.

E depois daquilo, Kouyou sorriu, Yuu, por sua parte, não queria contar o resto do que tinha pra dizer apenas para não ver aquele sorriso morrer de vez. Odiava toda aquela situação porque, sempre, sempre era ele quem fazia Kouyou ficar triste. Seja por uma ação estúpida ou apenas por conta de uma notícia que lhe dava. Estava cansado daquilo.

— Ainda não acabou. – voltou a dizer, acariciando as costas estreitas do amado por cima da blusa que ele usava. Ele viu os olhos atentos do mais novo lhe encararem com certa preocupação por aquilo e engoliu seco antes de pronunciar: — Sabe aquele dia que Takanori perguntou a Yutaka-san como você poderia trazer o garoto pra casa? – Kouyou balançou a cabeça em afirmação. — Então... A tal Naoko, ela... Bem, ela aparentemente conseguiu a autorização pra fazer isso.

E aquele baque fora bem pior do que pensara.

Kouyou já nem sabia como diabos reagir àquilo. Ele apenas continuou encarando o marido, os olhos transbordando e as lágrimas rolando pelas bochechas rubras e quentes. Aquilo não poderia ser real... Não poderia.

Pensara no início de tudo aquilo, que não seria assim tão complicado, porém, aquele processo estava sendo muito mais atribulado do que desejava. Pelo visto, as palavras do marido realmente eram verdadeiras. Não que tivesse duvidado quando ele falara que não seria fácil e nem rápido, só não esperava que as coisas fossem se tornar tão complicadas assim.

Ele se perguntava por que diabos não tinha escolhido outra criança e por que Shimomura Naoko simplesmente não tinha feito o mesmo. Havia quase uma centena de crianças naquele orfanato e ela tinha justamente que escolher Haku?

Se bem que, quem apareceu assim em seus caminhos fora Kouyou, uma vez que ela já estava há quase três meses fazendo o acompanhamento.

E talvez, só talvez, Haku realmente gostasse dela. Gostasse ao ponto de escolhê-la ao invés de preferir Kouyou e Yuu. E tudo o que sentia que precisava fazer no momento era somente conquistar ainda mais o pequeno e talvez assim, as coisas pudessem mudar.

— Não chora, amor. – Shiroyama tirou Kouyou daqueles dolorosos devaneios, enxugando suas lágrimas com as pontas dos dedos. — Me deixa terminar...

Ele ajeitou Takashima sobre seu colo, sorrindo sem com que ele pudesse ver no momento em que o abraçou com força.

— Eu vi tudo aquilo acontecendo e... Eu pensei que... Que talvez, você ficaria feliz se pudesse trazê-lo pra casa também. – sem entender nada, Kouyou apenas o olhou, levantando um pouco a cabeça.

— O quê?

— Pensei que ter o garoto aqui por alguns dias e levá-lo para passear por aí te deixaria muito contente, então... – ele sorriu novamente, tocando o rosto bonito com tamanha delicadeza. — Eu dei entrada no documento... Que permite trazê-lo pra ficar com você.

E logo após aquelas palavras ele sentiu os músculos do loiro tencionarem, os dedos dele o apertaram e Kouyou logo o olhou com os olhos arregalados.

— Você... Você está brincando comigo, não está? – disse com as mãos no rosto, àquela altura, as lágrimas já molhavam suas faces novamente.

— Eu jamais brincaria com isso.

— Yuu! Eu não acredito! Você... Você simplesmente... Meu deus, eu te amo tanto! Obrigado, amor. Obrigado. – Yuu sorriu doce quando ele o abraçou forte, beijando seus lábios algumas vezes antes de encostar a testa na dele e sussurrar:

— Esqueceu de que eu estou tentando me tornar um homem melhor para você? Então... Eu estou fazendo o meu papel, Kou-chan. – o loiro sorriu ainda mais com o apelido, o peito se enchendo de uma sensação gostosa.

Yuu, com toda certeza do mundo, era o homem mais perfeito do mundo. Mesmo que algumas vezes, ele mostrasse apenas o contrário.

(...)

Quando contou a Takanori, ele não acreditou.

O pequeno só faltava sair da casa e voltar horas depois, com todos os presentes que pudesse comprar. Àquela altura Takanori também já gostava demais do menino, não tanto quanto Kouyou, mas ainda assim gostava. E gostava de tal maneira que, na mesma hora, refez seu caminho e entrou numa loja de produtos infantis apenas para comprar um brinquedo qualquer. Queria agradar Haku, porque assim também estaria agradando Akira, uma vez que ele e o menino eram tão apegados.

Naquele mesmo dia, Kouyou contara-lhe também tudo o que havia guardado para si, como seus medos mais profundos e receios mais escondidos em seu peito. Já estava na hora de começar a mudar suas formas de agir, pensava ele, e se quisesse realmente fazer tudo certo, precisava começar a mudar a partir dali.

A primeira coisa que fizera foi lutar contra todo aquele desânimo que – infelizmente – continuava a lhe assolar de vez em quando, que tentava a todo custo prender-lhe na cama e não deixava com que saísse de lá.

Trabalhou no dia seguinte, mais fervorosamente do que costumava ser.

Estava ansioso para ver Haku no dia seguinte, queria pedir-lhe tantas desculpas por não tê-lo visitado aquele dia que até mesmo se envergonhava de ter feito aquilo. Mesmo que soubesse que a verdadeira culpa não era sua e sim daquele medo que lhe amedrontou por tanto tempo. Ainda assim, queria pedir perdão ao menino por ter ficado longe quando sua maior vontade era ficar pertinho dele.

— Você está ansioso para amanhã, Kou? – Yuu perguntou com ele em seus braços, sem poder ver seu rosto por conta da luz apagada, mas sabia bem que ele sorria, apenas a menção de verem o menino lhe deixava eufórico, ele tinha certeza.

— Estou. – disse contente. — Quero pedir desculpas a ele...

— Hun, sobre isso – o moreno voltou a falar, lembrando que havia simplesmente esquecido de lhe contar que havia dito ao menino que estava doente. — Eu disse pra ele que você havia adoecido...

— Mesmo?

— Uhun. – respondeu. — Ele ficou preocupado... Disse exatamente assim: fala pra ele melhorar logo, que eu tô com saudade e quero brincar com ele. Cuida dele um pouquinho, tá, Yuu-san?

Shiroyama imitou uma voz infantil que fez o loiro sorrir, negando com um aceno em seguida.

— Ele é um doce, Yuu...

Cuida dele um pouquinho, o que é que ele pensa de mim? Que te deixaria morrer de qualquer jeito?

— Yuu! – Kouyou beliscou sua barriga, ouvindo um gemido no mesmo instante. — Ele é só uma criança. – suspirou, aconchegando-se um pouco mais no corpo do marido. — Você já pensou que – mordeu o lábio, agradecendo por estarem completamente no escuro — quando ele vier... Ele vai querer dormir com a gente algumas noites?

— Kouyou! – o moreno resmungou, apertando um pouco mais o corpo do companheiro antes de rolar na cama junto com ele, ficando por cima de seu corpo e ouvindo um grito dele. — Essa cama é pequena demais, só cabe nós dois.

O loiro sorriu no momento em que os lábios dele encostaram nos seus. Ele abriu um pouco mais as pernas, o mais velho acomodando-se entre elas no mesmo instante. Shiroyama Yuu era realmente um bobo.

— Mas ele é pequenininho...

— Nós somos espaçosos. E você se mexe demais quando dorme. – riu, beijando o pescoço do mais novo. — Quer acordar e ver o menino cheio de hematomas? Hun?

— Não exagere.

— Não é exagero. – Yuu esticou a mão para acender o abajur e sorriu novamente, mirando o rosto bonito do homem que amava. — É realidade.

— Hun... – murmurou quando o advogado deslizou a mão por dentro dos shorts que usava, tocando-lhe intimamente. — Você já quer... De novo?

— Não consigo resistir. – disse baixinho, beijando sua boca e mordendo seus lábios algumas vezes. — Você é muito gostoso.

— E você é um sátiro! – sorriu, apertando os braços dele em seguida. — Não quero levantar pra tomar banho pela terceira vez, Yuu.

— Então não precisa de banho. – respondeu, a voz saindo um pouco abafada. — É só uma rapidinha.

— Rapidinha com você nunca é apenas uma rapidinha, Yuu. – retrucou, enfiando os dedos por seus cabelos enquanto o ouvia rir.

— Viu? Nós fazemos amor três vezes por dia, sete dias por semana... Não tem como uma criança ficar com a gente. – falou com um sorriso nos lábios, mas nem ao menos aquilo fora capaz de deixar Kouyou chateado.

— Nós nem transamos todos os dias, Yuu. Não fale besteiras. – a risada do de cabelos claros fez o peito do moreno se encher de uma alegria tão gostosa que quase implorou para com que ele risse mais um pouco. Gostava de ver Kouyou feliz daquele jeito.

— Somente porque você não quer.

— Porque eu não sou como você!

— Como eu? – ergueu uma sobrancelha, a mão dentro de sua roupa íntima o tocou com ainda mais intensidade, fazendo-o gemer baixinho. — Como eu? – repetiu, aproximando um pouco mais o rosto do dele, a bochecha tocando a sua, quente, a pele macia lhe trazendo uma sensação gostosa.

— Y-Yuu...

E antes que percebesse, estava completamente entregue, havia sido pego pelas palavras e gestos de Shiroyama.

— Você não é como eu, Kouyou?

— Não sou... – sussurrou, puxando o ar por entre os dentes.

O moreno apenas sorriu, levantando um pouco a blusa de Kouyou e beijando sua barriga, passeando um pouco com a língua pelo local.

— Te amo. – o mais novo disse de repente, fazendo o marido cessar os movimentos e levantar um pouco a cabeça para o olhar. Ele então viu aqueles olhos amendoados cobertos por uma finíssima camada de lágrimas, e apenas aquilo fora o suficiente para com que ele parasse de vez, tirando devagar a mão de dentro dos shorts e subindo mais um pouco, ficando com o rosto na mesma altura do dele. — Eu amo muito você, Yuu.

— Eu também te amo, meu anjo. – o loiro fechou os olhos por conta da forma que fora chamado, as bochechas esquentando enquanto o abraçava.

— Estou muito feliz, Yuu.

— E eu amo te ver feliz assim, meu amor. – sorriu, roçando a ponta do nariz no dele.

— Eu tenho que estar... Por mim, por você... – seus olhos se encontraram e ele curvou um pouco os lábios antes de completar: — Por ele.

(...)

Se aprontava na frente do espelho, com aquele sorriso largo no rosto e o coração batendo rápido apenas por pensar em conversar com Haku e explicar-lhe tudo. Já até pensava no sorriso que ele iria abrir, na maneira como ele correria ao seu encontro e se jogaria em seus braços, e até mesmo das brincadeiras que fariam aquela tarde. Daria um jeito de incluir Yuu em todas elas, mesmo que ele relutasse por um tempo, sabia que conseguiria.

— Yuu, você viu meu... – parou de falar assim que ouviu o celular tocando em cima da cômoda, quase perdido entre os ursinhos de pelúcia. — Alô?

E os minutos que se passaram depois de atender foram mais difíceis do que na verdade deveriam. Do outro lado da linha, estava Michael Sexton, que lhe ligara apenas para dizer que, infelizmente – ou nem tanto – precisaria encontrar-se com ele aquele dia. Sabia bem que era para tratarem de assuntos de trabalho, mas ainda assim sabia que além daquilo, seria novamente alvo de suas investidas.

Choramingou e perguntou se não poderiam adiar aquele encontro, mas Sexton estava irredutível em sua decisão e deixou bastante claro que, realmente, deveriam se encontrar.

— Ei – chamou Yuu assim que entrou no quarto e o viu quase chorando — o que aconteceu?

— Eu não vou poder ir...

— Kou, aquele assunto de novo? – tocou seus braços.

— Não é isso. – resmungou. — Michael Sexton ligou... Ele quer me encontrar.

— O quê?! – Shiroyama franziu as sobrancelhas, as expressões se tornaram contrariadas e ele se afastou. — Como assim esse homem quer te encontrar?

— Calma. – girou os olhos. — Argh, por que diabos os preparativos dessa reforma tinha que acontecer logo no mesmo período que estamos adotando o Haku?

— Eu acho esse homem um atrevido. – resmungou se afastando. — Ele deve fazer tudo isso de propósito.

— Yuu, é meu trabalho. – Kouyou se aproximou dele, abraçando-o por trás. — E obrigado por não insistir em negar quando falei que estamos adotando.

— Ah, não me venha com essa. – ele tocou os braços do marido, virando-se. — Não quero ir sozinho de novo.

— E eu não quero ficar mais um dia sem vê-lo. – sorriu. — Céus Yuu, você ás vezes parece uma criança.

— Não me compare com aquelas... Com... Argh, Kouyou! – resmungou, fazendo o outro sorrir ainda mais. — O fato é que eu, definitivamente, não posso ir sozinho.

— Por quê?

— Porque eu prometi para aquele menino que você apareceria lá hoje!

— Yuu... - o loiro buscou seus lábios, beijando-o com calma. — Estou tão aborrecido o quanto você, se quer saber.

— Não é o que parece.

— Você poderia me ligar quando estiver com ele. – sugeriu, dando um sorriso de lado. — Acho que isso pode deixar ele um pouco mais animado.

— Hun.

— Amor, por favor. Você sabe que eu queria muito ir, mas... Eu não posso. – e mesmo que ele estivesse com os lábios um pouco curvados, as feições se tornaram um pouco tristes. Notando aquilo, Yuu percebeu o quão idiota estava sendo. Tinha nas mãos a oportunidade de ver o menino e estava se desfazendo dela daquela maneira, enquanto Kouyou, por seu lado, lutava pela mesma ainda que não pudesse tê-la de fato. Não naquele momento.

— Tudo bem... Eu... Vou dar o meu melhor. – o contou, sorrindo doce antes de deixar um beijo demorado em seus lábios. — Prometo.

— Eu sei que vai. – Kouyou o abraçou com força e se separou um pouco em seguida. — Brinca bastante com ele, tá? Não esquece de dizer que eu...

— Que o ama e que está morrendo de saudades. – girou os olhos, fazendo o marido rir.

— Idiota. E se der, me liga, ta bom?

— Pode deixar.

(...)

Haku esperou mais uma vez o loiro aparecer logo atrás quando Yuu entrou, mas mais uma vez aquilo não aconteceu. Na mesma hora, estranhamente, ele sentiu uma vontade imensa de chorar, mas não faria aquilo. Mas na verdade tal vontade não era assim tão estranha, ela começara a lhe assolar no início daquele dia, logo cedinho de manhã.

Vendo que Kouyou realmente não viria, ele levantou do banco com alguma dificuldade, os pés tocando o chão e dando alguns passos em direção ao moreno, que vinha sem pressa e sorriu sem jeito para ele.

Shiroyama engoliu seco ao se ver alvo dos olhos do pequeno, que naquele momento pareciam tão analíticos e intensos quanto os de Yutaka.

— Eh... Oi. – o cumprimentou ao se agachar na frente dele.

— O Kou-san não vem de novo? – perguntou baixinho, os dedos das mãos inquietos em frente ao corpo, apertando uns aos outros.

— É que ele ainda está um pouco doente.

— O senhor não cuidou direito dele? – o moreno arregalou os olhos, engolindo seco diante daquela pergunta.

— Eu cuidei!

— Não cuidou não! – reclamou, um biquinho se formando nos lábios. — O senhor prometeu, Yuu-san. Prometeu que ia cuidar dele, mas ele continua doente e nem veio me ver de novo.

Completamente sem saber o que diabos fazer numa situação como aquela e com um enorme medo de que o menino chorasse, Yuu o pegou no colo, levantando-se.

— Eu cuidei dele. – disse sério. — Mas aquela doença é muito forte.

— Muito? – o moreno balançou a cabeça. — Mais forte que o Naruto?

— Hum... Isso eu não sei.

— Quando eu fico doente, Yutaka-san faz chá e depois me dá um remédio. – disse de forma inocente, olhando nos olhos do moreno. — Se eu não reclamar do gosto ruim e beber o remédio todinho ele me dá um doce!

— É mesmo? – o pequeno assentiu.

— Ele diz que o doce ajuda a melhorar, e se a gente tomar mais remédio a gente ganha mais doce.

— Ele é um cara esperto.

— O senhor deu doce pro Kou-san?

— Hun? – ele ergueu uma sobrancelha, dirigindo-se até a recepção ainda com ele no colo, carregando-o meio sem jeito. — Não dei.

— Então é por isso que ele ainda tá doente, Yuu-san! – exclamou com uma feição brava, a voz um pouco elevada chamando a atenção de Yutaka. — Se o senhor der um doce a ele, então ele vai ficar bom rapidinho e vai poder me ver!

— Kouyou-san ainda está doente? – Uke perguntou assim que se aproximou.

— Oh, sim. – balançou a cabeça, mudando o menino para o outro braço para poder assinar o documento que Yutaka o entregara.

— É uma pena. – falou sorrindo de canto. — Espero que não seja realmente nada grave.

— Apenas uma virose forte demais...

— Hun...

— Ahn, eu vou lá pra fora. – o outro apenas assentiu, vendo-o sair com o menino. — Cadê aquele seu robô? – ele perguntou assim que colocou o pequeno no chão, vendo-o engolir seco e desviar os olhos. — O que foi?

— Eu... Eu não posso brincar com meu megazord hoje.

— Como? Por quê? – perguntou com estranheza, porque sempre que chegava ali o menino estava com o brinquedo.

— É que... Eu...

— O que houve? – o moreno, estranhamente, ficou um pouco preocupado. As feições do menino estavam começando a lhe preocuparem. — Por que não pode brincar com ele?

E novamente o advogado viu o menino fazer beicinho, os olhos ficando um pouco marejados.

— Ei, ei! – completamente indócil e com o cenho franzido, Yuu o pegou no colo mais uma vez. Não estava gostando nem um pouco de todo aquele contato. — Não chore!

Mas não teve como reverter a situação. Haku já estava com os olhos cheios d’água, as costas das mãos minúsculas coçando-os. Shiroyama o chacoalhou no colo durante uns segundos, ficando ainda mais sem jeito quando ele deitou a cabeça em seu ombro. Resmungou mentalmente por conta daquilo, das prováveis lágrimas e da baba sujando sua roupa, mas não reclamou, mesmo que estivesse fervilhando de tanta raiva.

— Me fale – falou afim de fazer com que o menino parasse de chorar — por que não pode?

— Hun... – ele levantou a cabeça devagar, passando a mão pela testa para afastar os cabelos. — É que hoje quando eu acordei – seus olhos encararam o moreno —eu encontrei o Yato e outros meninos quebrando meu megazord.

— Quebrando? – Haku balançou a cabeça, o rosto vermelho e molhado por conta do choro. — Não dá pra consertar?

— Eu fiquei com medo de falar pro Akira nii-san de novo. Eu não quero que ele brigue comigo. – o pequeno apertou um pouco o tecido do blazer que o moreno usava e mordeu o lábio antes de perguntar: — Nee... Yuu-san não pode consertar pra mim?

— Eu?! – o menino balançou a cabeça. — Ahn... Tudo bem, eu acho.

No mesmo instante, Haku se remexeu em seus braços, num claro pedido para com que fosse colocado no chão e Yuu o fez, com certa pressa e alívio. Mas para seu pequeno desespero, o garoto segurou sua mão, o puxando para dentro do orfanato, as perninhas curtas lhe dando alguma dificuldade para subir os degraus da escada, mas continuou trazendo o mais velho consigo.

E quando viu, já estava seguindo para dentro de um dos dormitórios, o mesmo onde lembrara ter ido na semana passada com o menino e o marido. Haku então soltou sua mão, correndo até a cama onde dormia e se abaixando do lado dela. Ele sentiu novamente os olhos queimando assim que viu as peças do brinquedo debaixo da cama, mas puxou todas elas e sentou-se no chão, olhando para Yuu com uma expectativa tão grande e uma vontade descomunal de que ele conseguisse consertar que o mais velho conseguiria sentir mesmo se tivesse bem longe.

— Bom... Vamos ver. – Shiroyama disse meio incerto, sentando-se ao lado do menino, apoiando as costas na cama enquanto pegava as partes do brinquedo.

O outro continuou o olhando com os olhos brilhantes, desejando, do fundo de seu âmago que ele fosse capaz de consertar.

Mas com um mínimo desanimo em seu peito, Yuu percebeu que, infelizmente não dava para consertar o brinquedo. As pernas, os braços e a cabeça haviam sido arrancados de maneira tão bruta que o quebrara sem chances de que fosse reparado.

— Eu...

— O senhor conseguiu consertar? – perguntou o mais novo, levantando um pouco as sobrancelhas ralinhas e se inclinando pra frente para olhar o brinquedo nas mãos do outro.

— Ahn... – ele coçou a cabeça, crispando os lábios antes de dizer: — Está quebrado, não dá para consertar.

Eram poucas as vezes que Shiroyama Yuu repreendia a si mesmo por toda aquela sua falta de sensibilidade e jeito com as pessoas. Ele se vangloriava de ser frio e sempre direto, mas ali ele notou que aquilo nem sempre era motivo de orgulho.

O menino não fez algum escândalo ou reclamou por aquilo, apenas puxou as pernas para perto do peito e as abraçou, apoiando a testa nos joelhos enquanto chorava baixinho, soluçando. Yuu arregalou um pouco os olhos, a boca ficando seca e suas mãos suaram. O garoto chorou por mais alguns minutos e Yuu viu, com grande desespero, ele se aproximando devagar, engatinhando, deixando claro que queria colo. Mas Shiroyama apenas tocou seus ombros, impedindo de que ele chegasse perto e fez com que ele se mantivesse longe.

Haku soluçou mais um pouco, sem entender porque Yuu o afastou e passou as mãos pelo rosto, pensando então que ele, definitivamente, não gostava de si.

Com um sorriso sem graça no rosto e – só agora notando – um pouco de suor se formando em sua testa, o advogado perguntou se ele não tinha outro brinquedo para com que ele brincasse, mas Haku apenas desviou os olhos para a pequena cômoda. O restava apenas brincar com o Naruto e o coelho surrado de pelúcia com que dormia. Yato sempre dava nós em suas orelhas quando o pequeno não estava por perto, e ele sempre tinha muita dificuldade em desatar todos aqueles malditos nós.

Ele levantou-se, abrindo a última gaveta da cômoda e afastando um pouco as roupas. Yuu pôde ver o carrinho que Kouyou lhe dera e o Naruto bem escondidos ali. Haku pegou o boneco e buscou o coelho em cima da cama.

Olhou por um tempo os dois em sua mão e, pensando que Shiroyama não iria querer brincar com o coelho, ele sorriu sem graça, entregando-o o Naruto.

Virou-se para fechar a gaveta e seus olhos pararam no carrinho. Ele engoliu seco, ficando um pouco nervoso por aquilo, pensando sobre como ficaria extremamente triste se Yato e os outros meninos o quebrassem.

— Yuu-san... – ele sussurrou sem graça, pegando o carrinho nas mãos. — O senhor... O senhor pode levar o carrinho de volta? – Yuu franziu o cenho, vendo seus olhos lacrimejados. Não estava entendendo aquele pedido. Ele não havia gostado do maldito brinquedo?!

— Hein? Por que você quer que eu leve de volta? – perguntou sem conseguir compreender.

Haku mordeu o lábio e, enquanto puxava um pouco as orelhas do coelho em nervosismo, ele disse:

— É que... Eu tenho muito medo que eles quebrem o carrinho que o senhor e o Kou-san me deram, então é melhor o senhor levar ele embora... Porque se o senhor levar eles não vão poder quebrar.

O coração de pedra do moreno estremeceu ao ouvir aquele pedido. Ele não acreditava em toda aquela maldita inocência e naquele pedido tão sincero que ele fizera. Não podia crer que ele estava pedindo aquilo apenas por medo de que os garotos quebrassem o carrinho que Kouyou lhe dera.

— Não preciso levar nada. – ele disse enquanto se levantava, com as feições completamente contrariadas. Pegou o carrinho das mãos do menino e o colocou de volta no lugar, mas desta vez, tratou de escondê-lo melhor. — Oras, isso não pode continuar acontecendo.

— Mas... Mas eles...

— Não precisa. – Yuu repetiu, empurrando novamente as peças do Megazord pra debaixo da cama. — Vamos lá pra fora.

E desceram em seguida, Yuu ainda um pouco contrariado por conta daquilo e Haku sem entender o porquê daquela reação, mas o pequeno não perguntou nada. Eles brincaram por um tempo, descartando os brinquedos um tempo depois quando Haku insistiu para com que brincassem de esconde-esconde, o que fez diante de alguns resmungos e muita falta de vontade.

Eles pararam apenas quando Haku já estava cansado, ofegante e com um pouquinho de suor escorrendo pelas têmporas. Yuu estava quase que do mesmo jeito, ambos sentados no banco enquanto outras crianças brincavam, quase sempre acompanhadas de adultos.

— Você quer falar com Kouyou?

O pequeno o olhou com os olhos um pouco arregalados.

— Falar com Kou-san? – sorriu, balançando a cabeça em completa confirmação. — Quero sim!

Yuu torceu um pouco os lábios, pegando o telefone do bolso e discando o número do marido. Não demorou muito até com que ele atendesse.

— Kou? Está ocupado? – ouviu uma resposta negativa do outro lado da linha e continuou: — O menino quer falar com você.

E desta vez ele nem esperou que o loiro respondesse alguma coisa, apenas entregou o celular ao menino, que o segurou sem jeito com suas mãos pequeninas e o levou à orelha.

— Alô, Kou-san? – Haku disse com a voz alegre, seu sorriso se alargando um pouco mais.

Oi meu amor! – falou Kouyou do outro lado da linha, também sorrindo. Bastou apenas ouvir o som da sua voz para com que, no mesmo instante, sentisse o peito aquecer. — Como você está?

— Eu... Você ainda está doente? Por que você não melhora logo e vem me ver, Kou-san?

Ah, meu querido... – o loiro mordeu o lábio, suspirando. — Eu prometo que vou te ver assim que puder.

— Promete mesmo? – murmurou amuado. — Não é pra fazer igual Yuu-san, ele prometeu que ia cuidar de você e nem cuidou! – Kouyou sorriu com gosto, balançando a cabeça. Yuu estreitou os olhos para o menino, suspirando enquanto murmurava baixinho demais o quanto o garoto era abusado.

Prometo sim – respondeu convicto — pode confiar. – Takashima continuou com aquela sinuosa curva em seus lábios e voltou a falar: — Hun, você não me respondeu como está.

— Eu acho que estou bem sim. – falou enquanto desviava os olhos rapidamente para o moreno ao seu lado.

Acha? – o loiro riu da maneira que ele falou, achando graça e sorrindo doce sem saber que, de longe, Michael Sexton o admirava, rindo também, sem que tivesse ciência de tal fato. — Eu passei todos esses dias pensando em você, querido. Fiquei me perguntando o que você estaria fazendo e sentindo muita, mas muita vontade de estar com você. Mas eu não posso fazer isso enquanto eu não melhorar, não quero te causar algum problema.

— Algum problema? – perguntou curioso.

É... Não quero que corra o risco de adoecer também, bebê.

— Ah – murmurou o pequeno, só então entendendo o que o outro queria dizer com aquilo. — Sabe por que você ainda está doente, Kou-san? – questionou inocente, sem saber que, ao seu lado, uma pequena sombra de sorriso se passava nos lábios de Yuu por saber o que ele falaria após aquilo.

Por quê?

— É porque Yuu-san ainda não deu doce pra você! – Kouyou gargalhou, balançando a cabeça.

Mesmo?

— Sim! – e logo depois, o moreno ouviu aquela história que o mais novo lhe contara e foi exatamente enquanto ela transcorria que ele viu Yutaka aparecer, chamando as crianças para tomarem um lanche. Sabendo que o marido certamente não gostaria nem um pouco de ser interrompido, ele levantou-se, andando rapidamente até onde Yutaka estava e seguiu então com ele. — Nee, Kou-san – Haku murmurou assim que ele notou estar sozinho com o loiro —, eu estou mesmo com muita saudade.

A declaração fora dita baixinha, quase impossível de ouvir, e tal fato fez apenas com que Kouyou ficasse ligeiramente preocupado.

O que foi, bebê? Algum problema? – o menino mordeu o lábio e com a mão livre, apertou o tecido da calça que usava. — Fala meu amor... Está me deixando preocupado.

— Uhn, é que... Sabe aquele meu megazord? – ele ouviu uma resposta positiva do mais velho e continuou: — Os meninos mais velhos quebraram ele.

O quê? – exclamou aborrecido. — De novo?

— Uhum. – balançou a cabeça, como se o loiro pudesse vê-lo. — Mas dessa vez quebraram tão forte que Yuu-san nem conseguiu consertar! – explicou, sentindo novamente os olhos arderem. — E ele disse que nem dá mais pra consertar... Eu estou tão triste agora, Kou-san, porque eu gostava muito de brincar com ele.

Oh, meu amor... – o mais velho levou a mão aos lábios, franzindo um pouco as sobrancelhas. — Eu posso comprar um novo pra você, não se preocupe. – falou com calma, querendo claramente com aquilo tirar um pouco da tristeza do menino. Era tão simples, bastava apenas, no outro dia, comprar um brinquedo novo para ele e arrumar uma maneira de entregá-lo secretamente.

— Mas é que – Haku voltou a se lamentar — aquele foi Akira nii-san que me deu. – explicou ao loiro e com aquilo, ele deixara mais do que claro que nem mesmo se Kouyou lhe comprasse uma centena de megazords, nenhum deles se compararia com o que Akira havia lhe dado. Era um presente muito mais que especial pelo fato de ter sido o primeiro que ganhou dele, assim como o carrinho que Kouyou lhe dera era. — Eu tenho medo que ele fique bravo comigo.

Ele não vai. Eu tenho certeza.

— Mas eu tenho medo, Kou-san. – insistiu.

Ah, meu amor. – murmurou Kouyou, mordendo o lábio. — Eu imagino como você está tristinho... Isso me parte o coração.

— Sim. – balançou a cabeça, fazendo beicinho. E tal cena certamente despedaçaria ainda mais o coração do mais velho.

Mas o Yuu cuidou de você, não foi?

— Hun... Yuu-san nem me deu colo. – confessou baixinho, o biquinho nos lábios aumentando.

O quê? Como assim ele não te deu colo, meu amor? – questionou com o cenho franzido.

— Foi sim, Kou-san. Ele me contou que não dava mais pra consertar meu megazord e eu fiquei chorando. Mas ele nem me pegou no colo como você faz. Ele só me afastou e eu continuei chorando sozinho!

A confissão fez Kouyou quase rugir em ódio. Não conseguia acreditar que o marido cometera tamanha atrocidade para com o pequeno. Por deus, era apenas uma criança! Ele não merecia todo aquele destrato e ignorância dele!

Eu não acredito que ele fez isso com você. – o loiro tentou disfarçar aquilo de alguma maneira, sem saber que, infelizmente, já não havia mais uma forma de fazer aquilo. E foi com grande dor no coração que ele ouviu o menino lhe confidenciar:

— Hun... Eu acho que você se enganou, Kou-san.

O quê? Como?

— Eu acho que Yuu-san não gosta de mim.

As batidas do coração do loiro aceleraram no mesmo instante, sem saber que, do outro lado da linha, os olhos redondinhos do pequeno se enchiam de lágrimas novamente. Haku era tão indefinidamente doce que chegava a ser um grande crime fazer com que sua mente inocente pensasse algo como aquilo.

Kouyou, definitivamente, precisava conversar sério com o marido.

Oras – o loiro voltou a falar, num misto de raiva e tristeza que o assolava em proporções inimagináveis — tenho certeza de que ele gosta muito de você, amor. Muito.

— Você acha mesmo? – a vozinha claramente triste fez Kouyou fechar os olhos e respirar fundo.

Eu tenho plena certeza. Ele só não sabe disso ainda, mas não precisa se preocupar. – sorriu um pouco nervoso, dando continuidade à conversa deles. Kouyou deixou claro para Haku que ele não precisaria se preocupar com aquilo, contou que ele era tão meigo e amável que seria fácil demais mudar aquilo e quando menos esperasse, já teria conquistado completamente o coração de Yuu.

Mas Haku ainda estava incerto, se antes tinha medo dele, agora aquele sentimento havia aumentado mais um pouco. Como já havia dito, não queria que Yuu o odiasse, e se aquilo acontecesse, não saberia o que fazer.

Eles conversaram até Yuu aparecer de novo, com um sanduíche na mão e um copo de suco na outra. Ouviu Haku se despedir do loiro e ele estendeu o telefone pro advogado, que lhe deu o sanduíche enquanto pegava o celular. Preparou-se para se despedir também do marido, quando ouviu ele dizer do outro lado da linha que precisavam conversar seriamente quando chegasse e pelo tom de sua voz, já sabia bem que não seria uma conversa nem um pouco fácil.

Olhou com os olhos estreitos para o menino, se perguntando o que diabos ele havia falado para deixar Kouyou tão aborrecido, mas decidiu não comentar nada sobre, guardando o celular enquanto o encarava.

— Você falou algo pra ele? – perguntou sério, vendo o pequeno balançar a cabeça em afirmação. — E o que foi que falou?

— Várias coisas.

Yuu franziu o cenho, os olhos se arregalando um pouco enquanto se perguntava o quão abusado o menino era, mesmo que, certamente tal resposta fosse dada de forma inocente, não gostou nem um pouco daquele tom. Enquanto aquilo, Haku apenas continuou o olhando, dando algumas mordidas grandes no sanduíche, sem entender o motivo daquele olhar.

Mas o moreno apenas relevou, dando um pequeno gole no suco sem que o menino visse e o oferecendo logo em seguida.

— O que quer fazer depois? – perguntou sem o olhar. O pequeno levantou a cabeça, as bochechas cheias de comida.

— Hun? Não sei. O senhor não quer mais brincar de esconder?

— Você está comendo. – resmungou. — Não vai ficar correndo depois que comeu.

Shiroyama ficou ali até o menino terminar sua refeição, e quando já não restava pedaço algum do sanduíche, Haku desceu do banco, como sempre, com dificuldade, as perninhas curtas se esticando para tocar o chão, e quando o fez, acabou virando o restinho do suco que restara sobre as pernas do advogado, que apenas suspirou e apoiou a testa na mão.

Haku olhou o que fizera com certo espanto, apertando um pouco o copo enquanto esperava ouvir uma reclamação, e num ato de desespero ele passou a mão pelo local molhado, tentando enxugar o tecido com os dedos gordinhos.

— Você faz de propósito, não é? Fala pra mim...

Sem graça e com medo de que Yuu o repreendesse, o pequeno apenas continuou de frente para o advogado, os dedos mexendo incessantemente no copo em puro nervosismo.

— Sério, você só pode fazer isso de propósito! – reclamou, mas a voz continuou no mesmo tom. — Você sente algum prazer em derrubar suco em mim?

— N-Não senhor. – respondeu baixinho, as bochechas vermelhas de tanta vergonha. — Me desculpe, Yuu-san. Foi sem querer...

— Ah, que droga. – ele levantou-se, tentando limpar a calça enquanto respirava fundo.

— Me desculpa...

— Tsc, tudo bem. – disse por fim, só então olhando para o menino. — Não me olhe assim.

— O senhor quer que eu lave? – perguntou baixinho, olhando para a parte molhada.

— Hein? Não. – resmungou. — Está louco?

— Mas eu...

— Só esquece. – disse por fim, tirando o copo de suas mãos e o colocando em cima de uma das mesas de concreto. — Então – falou quando voltou pra perto dele — o que vamos fazer agora?

Já era quase fim de tarde quando perguntou aquilo, e com certo gosto ele viu o menino coçar os olhos, certamente com sono.

— Hun... Vou buscar algum brinquedo! – e antes que Yuu pudesse responder algo, Haku saiu correndo pra dentro, deixando-o ali. Yutaka se aproximou no mesmo instante, com Akira ao seu lado. Suzuki carregava uma bandeja e recolhia os copos sujos.

— Nee, Yutaka-san, posso falar com o senhor um instante? – Shiroyama questionou, vendo o outro assentir antes de murmurar algo para Akira. O assistente social pensava que o advogado perguntaria sobre a autorização para poder levar Haku para casa, mas ele se surpreendeu com a pergunta que ele lhe fizera sem hesitação. — Vocês não educam as crianças aqui?

O mais novo arregalou os olhos e entreabriu os lábios antes de sentir-se ofendido com tal pergunta, e bastou apenas ter noção do que se tratava ali para com que suas feições se tornassem completamente aborrecidas.

— Como?

— Oras – resmungou Shiroyama — o senhor não permite que eu e Kouyou demos presentes a Haku, mas as outras crianças podem quebrar os brinquedos dele, que já são poucos e tudo fica por isso mesmo?!

— Eu não entendo o que quer dizer, Shiroyama-san. – Yutaka empertigou-se, sem deixar de olhar no fundo de seus olhos. — Há algo errado com Haku?

— Com ele? Não! Não há nada de errado com ele. O problema são as outras crianças... Um tal de Yuto... Não lembro. – deu de ombros. — Hoje Haku estava chorando muito porque esse garoto quebrou um brinquedo dele e ele não tinha nada para brincar.

— Temos vários brinquedos disponíveis para todas as crianças, Yuu-san. – respondeu o outro. — Haku certamente tinha sim com o que brincar.

— O quê? O senhor não pode comparar os brinquedos que eles têm disponíveis aqui aos brinquedos que eles ganham especialmente de uma pessoa... Brinquedos que são apenas deles. Certamente o senhor sabe que não há comparação.

— Decerto... – respondeu com sinceridade. — Fazemos de tudo para manter a ordem entre elas, Yuu-san. Mas dizer que não as educamos com certeza é algo muito precipitado.

— O fato é que Haku está sofrendo por conta desse garoto. Ele tem medo de que ele quebre os poucos que ainda lhe restam inteiros e deixa de brincar aqui fora com eles por isso. – Yutaka ouviu tudo com calma e atenção, as mãos juntas em frente ao corpo enquanto o rosto se mantinha impassível. — O senhor sabe que isso não pode continuar assim.

— Farei o que estiver ao meu alcance para com que isso não aconteça mais.

— Fico feliz por saber disso. – respondeu, vendo o menino vir correndo com um livro grande nas mãos. — Espero que me entenda, Yutaka-san. – voltou a dizer, sorrindo de lado enquanto ainda olhava o pequeno se aproximar, como se verdadeiramente estivesse feliz por tudo aquilo. — Só quero o melhor pra ele.

— Eu entendo perfeitamente, Yuu-san. – ele curvou-se um pouco antes de se afastar. Shiroyama deu um risinho contido ao vê-lo sair e Haku então chegou até ele.

— Nao-san me deu esse livro! – ele estendeu para o moreno, que logo reconheceu a capa. — É do pequeno príncipe!

— E?

— O senhor pode ler pra mim? – perguntou com os olhinhos brilhantes, por um momento esquecendo-se da calça molhada do outro. — Por favor.

— O quê? Leia você! – resmungou, estendendo o livro para ele.

Haku fez beicinho e respondeu com a vozinha baixa:

— Mas eu não sei ler, Yuu-san...

O moreno o encarou por alguns segundos, quase sendo pego por aquele par de olhos brilhantes e cheios de expectativa. Haku sorriu pequeno e Yuu achou que ele poderia ser um pouquinho adorável. Mas apenas um pouco, e que ficasse bem longe dele.

— Tudo bem, vamos logo com isso. – o menino sorriu abertamente, quase abraçando suas pernas de tanta felicidade.

— Nao-san leu ontem, mas nem terminou. – disse ele. — O senhor vai ler todo, não vai?

— Não sei. – falou enquanto seguia até uma arvore e sentava-se debaixo dela, recostando-se no tronco. — Vem logo.

O garoto atendeu ao seu pedido com agilidade, mas ele só não esperava que ele fosse sentar tão perto de si, o rosto quase apoiado em seu braço.

Durante os próximos minutos ele leu o livro para o pequeno, imitando as vozes de alguns personagens sem perceber, fazendo-o sorrir com aquilo. Com gosto e satisfação, Yutaka os observou de longe, e julgou a cena até mesmo um pouco bonita. Se Shiroyama Yuu demonstrasse somente mais um pouco...

Yuu então se perdeu naquilo, por um momento ficando completamente entregue e até mesmo sorrindo para o menino enquanto comentavam sobre o livro ao término do mesmo, mas aquilo durou menos tempo do que Haku ansiava.

Na hora de ir embora ele não prometera a Haku que traria Kouyou consigo na semana seguinte, mas contou-lhe que faria o possível para com que ele viesse e lhe trouxesse algum mimo, e isso fez com que o garoto apenas criasse uma expectativa ainda maior sobre a vinda do loiro.

Como na visita anterior, mandou recados para Kouyou e pediu para com que lhe avisasse que esperava ansiosamente para vê-lo novamente, e Shiroyama estava completamente pronto para lhe entregar todos eles assim que entrou em casa, mas bastou encontrar Kouyou com as feições completamente furiosas e os olhos vermelhos para com que perdesse todas aquelas vontades.

— Como consegue viver com esse coração de pedra, Shiroyama?

 


Notas Finais


A vontade de abraçar o Haku e dar carinho até morrer é maior que eu XD e alguém dá o Oscar de melhor ator pro Yuu, por favor?
Eu espero que tenham gostado do capítulo assim como eu gostei ~

Comentem e me deixem saber o que vocês acharam, sim? Pleaseee ♥

Até o próximo!


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