História Boys Don't Cry - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, Kai, Lay
Tags Baekhyunchororó, Chanbaek, Drama, Kokobop, Romance, Yaoi
Visualizações 108
Palavras 7.278
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Em minha defesa de Chansoo shiper, uma shiner nojenta dos infernos fez a minha cabeça para escrever isso u3u + eu to meio sedenta no Baek de mullets... (NAO ME JULGUEM!)

Capítulo 1 - Lovesong


29 de agosto, 1996

Baekhyun caminhava pleno entre os corredores da escola acompanhado de Jongin e Sehun, carregava um olhar confiante e superior a todos como se nada no mundo pudesse lhe abalar. Ostentava um piercing no lábio inferior e fios tingidos de vermelho inconfundíveis, coisa que já tinha lhe encrencado várias vezes com os professores, mas quem ligava? Era seu último ano na escola de qualquer jeito.

A jaqueta de couro preta jogada por cima do ombro e os coturnos grossos lhe conferiam uma aura rebelde, exatamente como aqueles rock stars dos anos 80 que tanto almejava alcançar. A cada passo que dava era possível ouvir os suspiros sôfregos que deixava para trás, fileiras de garotas virgens e perdidamente apaixonadas se formavam ao redor de si como groupies desesperadas, todas queriam um pouco de sua atenção. E Baekhyun adorava aquilo.

Mas apesar de amar ser o centro das atenções e ser o sonho de muitos, havia apenas uma pessoa em especial que tinha total posse sobre seu coração, e lá estava ele parado batendo uma foto de uma borboleta que pousava em uma folha. Baekhyun achava adorável como aquele gigante de quase dois metros conseguia se encolher como uma conchinha apenas para fotografar algo tão simples, sua dedicação para com seu hobbie era tocante.

Park Chanyeol era a criatura mais bonita que já havia colocado os pés naquele fim de mundo, ele conseguia ser a flor que desabrocha em meio ao deserto, uma raridade jamais encontrada em qualquer outro lugar da terra. Tudo nele era grande e chamativo, sua altura anormal, suas orelhas vermelhinhas, seus olhos amendoados, seu sorriso acolhedor e principalmente seu cabelo rosa. Ainda maior era seu coração puro que era capaz de acolher todo aquele amor distorcido que Baekhyun lhe proporcionava, amor aquele que o destruía aos poucos.

Não foram poucas as vezes em que o menor viu o namorado chorar baixinho por ser ignorado na frente dos outros, ou quando ele se encolhia todo de vergonha por tentar beijá-lo sem sucesso. O ruivo era muito duro com aquele ser tão dócil e infantil e aquilo massacrava o peito com uma dor tão forte que lhe dilacerava o corpo. Mas quem mais odiava aquilo era Baekhyun, odiava ter que esconder Chanyeol do mundo, odiava ter que aceitar sair com garotas desinteressantes apenas para manter as aparências, odiava ter que ignorar todos os olhares tristonhos que recebia do maior e, além disso, odiava a si mesmo por negá-lo.

 

[12:30]

Baekhyun segurava a cintura de Chanyeol com força e sabia que seus dedos longos deixariam marcas na pele sensível do outro. Ele o imprensava contra a parede do banheiro e puxava seu cabelo levemente para trás, mordia-lhe o pescoço com vontade para logo em seguida depositar leves chupões. O ruivo adorava encher o corpo do maior com beijos, mordidas e todo tipo de marca possível, pois sempre que o visse pelos corredores ostentando as manchas se lembraria instantaneamente do momento em que as fez.

Baekhyun adorava o cheiro que o outro exalava, lhe deixava num estado de luxúria tão intenso que mal conseguia controlar o próprio membro dentro das calças, sempre queria muito mais. Ele beijava o de cabelos rosados com tanta força que algumas vezes chegava até mesmo a arrancar um pouco de sangue por causa da joia que usava no lábio, mas sabia que Chanyeol amava incondicionalmente aquele adereço, por isso nunca se irritava ou parecia lhe incomodar.

Puxou o maior para mais perto e estava tão envolto naquele beijo faminto que por muito pouco eram pegos por um dos estudantes que entrou no banheiro. Empurrou Chanyeol para uma das cabines e sentiu o coração pular para fora do peito, o que faria caso fossem vistos? Encarou os olhos gigantes do namorado a sua frente e percebeu resquícios de tristeza ali, sabia que ele sempre ficava extremamente frágil quando tinham que se esconder por que Baekhyun não podia ser visto aos beijos com ele.

O menor suspirou pesadamente, odiava ter que ser um babaca com o namorado e não suportava a ideia de vê-lo sofrer por sua covardia. Chanyeol estava sentado em cima da tampa da privada com as pernas cruzadas, o cabelo algodão despontando para todas as direções, o rostinho vermelho de vergonha e a boca inchadinha de tantos beijos. Ele era simplesmente adorável, tinha uma beleza que apenas Baekhyun era capaz de enxergar e o mesmo se perguntava constantemente “por que esconder?”.

Quando o garoto foi embora e se encontraram sozinhos novamente, Baekhyun fora o primeiro a sair do banheiro e voltar para sala, o rosto vermelho de vergonha e os olhos transbordando de tristeza.

 

[17:34]

– Puta merda Baekhyun, qual é a porra do seu problema hoje, hein? Já é a terceira vez que você sai do ritmo – Jongdae esbravejava irritado.

Jongin e Sehun pareceram concordar silenciosamente com o baterista e o ruivo sentia todo o corpo arder de vergonha. Era verdade que Baekhyun não conseguia acertar nada naquele ensaio, sua voz desafinava, saía do ritmo, cantava a letra errada ou acabava esquecendo sua parte.

– Eu to tendo um dia de merda, tá bom? Não enche meu saco – gritou de volta e sentiu a garganta queimar.

Backseat Blues era a banda que mantinha com seus três amigos desde que entraram no ensino médio e toda quarta-feira à tarde se juntavam para ensaiar na garagem de sua casa. Por mais que tivesse a consciência de que a era de ouro das bandas de rock tivesse passado, Baekhyun almejava seguir carreira musical e se tornar uma estrela mundial. Sabia que era um sonho bastante ambicioso para apenas um garoto do interior e sem dinheiro, mas tinha fé e era aquilo que lhe fazia seguir em frente.

Mas desde que começara a se envolver com Chanyeol sentia constantemente algo quebrado dentro de si, como se uma parte de seu corpo estivesse doente e aquilo lhe perturbava a ponto de se atrapalhar em tarefas simples do dia a dia, tais como cantar a porra da música no ritmo certo. Suspirou pesadamente e fez sinal para que recomeçassem a música, um cover pesado e melancólico de Lovesong.

Whenever I'm alone with you

You make me feel like I am home again

Whenever I'm alone with you

You make me feel like I am whole again

Cantar aquilo era quase como se estivesse se dirigindo ao gigante de cabelos rosa e só de imaginar Chanyeol escutando aquelas palavras fazia seu coração doer.

Whenever I'm alone with you

You make me feel like I am young again

Whenever I'm alone with you

You make me feel like I am fun again

Baekhyun sentiu lágrimas se formarem no canto dos olhos e a voz falhar, “Puta merda, Jongdae vai reclamar de novo” pensou, então tratou de se concentrar duas vezes mais na melodia e não dar mais motivos ao loiro para dar bronca.

However far away

I will always love you

However long I stay

I will always love you

Whatever words I say

I will always love you

I will always love you

O ruivo sentiu as pernas fraquejarem, realmente a música era a linguagem dos sentimentos.

Depois que o ensaio já tinha acabado e Jongin e Jongdae tinham partido em direção às suas respectivas casas, Sehun fora o único que havia permanecido já que morava na residência ao lado. Ainda que Baekhyun não percebesse, sentia os olhos do amigo sobre si e uma inquietação esquisita na boca do estômago, será que ele tinha percebido algo?

– Algum problema? – perguntou lhe encarando de volta.

– Nada - fingiu desinteresse e continuou – Só que você anda bem esquisito de uns tempos pra cá.

O ruivo sentiu um arrepio percorrer pela espinha e as palavras se embolarem na garganta, sabia que estava encrencado. Baekhyun e Sehun eram melhores amigos desde que se entendia por gente, haviam crescido juntos e o mais alto conseguia decifrar o outro com apenas um olhar, mentir para o amigo não adiantaria de nada.

– Tem umas coisas rolando... Mas eu não quero conversar – respondeu sincero.

– Ah qual é Baek, vai começar a ter segredinhos comigo justo agora? – riu incrédulo.

O ruivo abriu e fechou a boca várias vezes, sabia que podia confiar no amigo, sabia que ele jamais lhe abandonaria ou faria qualquer coisa para lhe trazer problemas. Mas estava inseguro, pois aquilo era um segredo profundo demais para ser dito em voz alta, era algo que apenas se permitia compartilhar com Chanyeol. Balançou a cabeça e murmurou um “deixa pra lá” tristonho.

 

 

14 de setembro, 1996

Chanyeol estava sentado no capô do conversível preto observando as estrelas com os olhinhos brilhantes e Baekhyun não conseguia evitar lhe olhar como se fosse muito mais bonito que aquele céu estrelado. Os fios rosados balançando de acordo com o vento, o moletom preto engolindo o corpo alto e esguio, a boca bem desenhada entreaberta que vez ou outra ele fazia questão de molhar com a língua e as mãos frias buscando abrigo dentro das suas. Chanyeol era o conjunto de todas as coisas mais bonitas da terra, cada sorriso, cada borboleta, cada amor, cada raio de sol vivia dentro daquele corpo tão grande e talvez fosse aquele o motivo de seu tamanho.

– Você sabia que as estrelas maiores na verdade são planetas? – O maior falou com a voz rouca quebrando o silêncio entre os dois garotos e o ruivo riu – Por que você está rindo? Aposto que sequer sabia disso – falou emburrado.

– Por nada, é só que eu acho muito fofo esses seus comentários aleatórios – respondeu sentindo o rosto queimar de vergonha.

Não era de seu feitio explanar aquelas coisas embaraçosas, mas não conseguia evitar aquelas observações quando estava acompanhado do outro. Chanyeol tinha aquele poder sobre si, conseguia fazê-lo se abrir e ser quem verdadeiramente era sem precisar fingir ou se esconder atrás de uma máscara e talvez aquele fosse o principal motivo para o menor encontrar-se perdido em amores pela sua pessoa.

Sentiu a mão gelada do namorado apertar a sua e logo em seguida um beijo casto na bochecha. Baekhyun virou-se rapidamente para o outro e percebeu seu rosto tomado por um vermelho quase tão intenso quanto seus cabelos, realmente Chanyeol era adorável. Segurou seu rosto entre as mãos, percebeu que ele evitava lhe olhar nos olhos ficando cada vez mais sem graça e o ruivo viu que já não conseguia mais guardar aquele sentimento arrebatador dentro de si. Era algo forte e verdadeiro, coisa que jamais havia sentido por alguém, era um sentimento que lhe devorava cada dia mais fazendo com que o coração apertasse e borboletas revirassem o estômago. Aquilo era amor.

– Eu te amo – Falou disparando as palavras com o coração batendo loucamente no peito, era a primeira vez que dizia aquilo.

No mesmo instante Chanyeol lhe encarou incrédulo, os olhos arregalados em surpresa e o lábio inferior trêmulo. E então ele abriu um sorriso tão lindo que era capaz de iluminar a cidade inteira, para logo depois responder: “Eu também amo você”.

Naquela noite houveram duas primeiras vezes, a segunda foi quando Baekhyun puxou Chanyeol para dentro do carro e fizeram amor como se suas vidas dependessem daquilo. Foi uma coisa bastante desajeitada, afinal, nas revistas pornôs que Baekhyun tinha só abordavam sexo entre homens e mulheres, como faria com o namorado? E também não era como se fosse virgem, tinha transado com tantas garotas que mal podia contar nos dedos, mas essa era a grande diferença, todas eram garotas.

Meio como se fosse uma coisa instintiva, os dois foram se encontrando entre beijos estalados e mãos bobas ao redor do corpo. Baekhyun pode sentir os céus lhe abençoando ao sentir a boca molhada do namorado lhe chupar toda a extensão do pênis com uma maestria digna de um profissional. Ele soltou um gemido longo e arrastado quando Chanyeol forçou um pouco mais seu membro contra a garganta na tentativa de engoli-lo completamente, o que lhe fez engasgar e rir com vergonha, mas estava tudo bem porque aquilo havia sido alucinante.

Do mesmo jeito que Baekhyun havia ficado fascinado com Chanyeol entre suas pernas lhe chupando com desejo, também havia ficado hipnotizado com a expressão que ele fazia enquanto era chupado de volta. O maior soltava suspiros tímidos que iam crescendo gradativamente à medida que o ruivo aumentava a intensidade, ele o encarava de cima completamente sem graça, mas não conseguia se conter. Baekhyun se descobriu viciado no Chanyeol recebendo prazer, a forma como mordia os lábios tentando abafar os gemidos roucos, os olhos perdidos em luxúria e o rosto ardendo em chamas.

– B-Baek, já está b-bo-ah! – O maior se perdeu num gemido alto o suficiente para preencher o silêncio e apertou as mãos no banco do carro.

Baekhyun riu e passou a língua ao redor da glande apenas para arrancar mais outro gemido, queria fazê-lo atingir o ápice e se desfazer em sua boca, queria saber como era Chanyeol bêbado de orgasmo. Não precisou de muito mais tempo para que ele gozasse em jatos fortes e quentes, revirando os olhos debaixo das pálpebras e segurando os fios vermelhos com força. O ruivo sequer se permitiu estranhar o gosto estranho de esperma que tomava conta do paladar, tudo que conseguia pensar era no outro respirando pesadamente com um sorriso nos lábios.

Após mais alguns beijos desesperados Baekhyun se posicionou contra a entrada de Chanyeol, mesmo que não tivesse certeza de que era daquele jeito que homens transavam. O garoto de cabelos rosados lhe encarou assustado ao sentir o membro roçar pela região e arregalou ainda mais os olhos quando começou a ter o corpo invadido. Era incômodo, muito incômodo, os gemidos que soltava não eram de prazer e sim de dor, fazendo com que o menor parasse várias vezes e lhe desse espaço para se acostumar.

Quando Baekhyun sentiu o membro ser esmagado pelas paredes internas de Chanyeol todo seu corpo fora tomado por uma onde de prazer arrebatadora, estar dentro do mais alto era indescritível. Ficaram quietinhos por alguns segundos para que o garoto pudesse se acostumar à dor incomum, mas ao sentir as mãos hábeis do namorado lhe masturbando ficou bem mais fácil de relaxar. Lentamente o ruivo começou a mover o quadril em direção ao corpo do outro, ouvindo pequenos resmungos misturados a gemidos sôfregos.

Então tudo começou a ficar mais prazeroso e agora Chanyeol gemia com um sorriso nos lábios aproveitando o momento. “Está bom?” Baekhyun perguntou aumentando o ritmo das estocadas e recebendo um aceno positivo em resposta. O maior passava os braços longos em volta de seus ombros e lhe encarava com a boca entreaberta, os cabelos rosados grudados na testa suada estavam uma bagunça só e o rosto tomado por uma expressão libidinosa. “Puta merda, será que tem como ele ficar ainda mais gostoso?” perguntou a si mesmo observando o namorado gemer cada vez mais alto.

Baekhyun sentia que o corpo iria explodir a qualquer momento e com Chanyeol lhe apertando forte contra o corpo não ajudava muito. O cheiro que exalava preenchia o ar ao redor enquanto o carro estava sendo maculado. O menor puxou o maior para um beijo afobado e as línguas quentes se chocavam numa troca de salivas inebriante. Como era bom poder sentir Chanyeol lhe beijar os lábios com tanta vontade e seu corpo o acolher tão prazerosamente, era um misto de sensações tão gostosas que poderiam lhe levar à loucura.

Quando sentiu que já não estava mais aguentando segurar o orgasmo Baekhyun voltou a masturbar o namorado e intensificou os movimentos pélvicos, fazendo com que Chanyeol gritasse seu nome repetidas vezes até gozar. O ruivo sentiu um choque gostoso se apossar de si e então o orgasmo lhe devorar por completo, cravou as unhas na cintura do outro e soltou um gemido longo e arrastado.

Relaxou o corpo em cima do maior, ambos se encaravam suados e ofegantes, as respirações pesadas e os corações acelerados eram tudo que se podia ouvir naquele momento. Trocaram um olhar cúmplice e Baekhyun tomou a iniciativa de beijar ternamente os lábios alheios, um beijo calmo carregado do mais profundo amor. “Eu te amo” o ruivo sussurrou contra a boca do outro e Chanyeol não pôde evitar o sorriso sincero que abriu, fazendo o coração do outro disparar mais uma vez.

 

 

21 de outubro, 1996

A lanchonete estava mais cheia que de costume naquele sábado e Baekhyun estava impaciente na espera de seu milkshake de morango, seu preferido. Dividia a mesa com Jongdae, Jongin, Yoona, Soojung e Taeyeon, esta última não para de lhe encarar e se oferecer para seu lado. Ela era nada mais nada menos que a garota mais bonita do ensino médio e praticamente todos os garotos tinham uma quedinha enorme. A garota de cabelos castanhos era bonita, charmosa, engraçada e estava ali praticamente implorando um pouco de atenção para o ruivo.

Oppa – Ela falava forçando uma voz meiga que o irritava – Você vai ao cinema mais tarde, certo? – piscou os olhinhos na tentativa de parecer ainda mais adorável.

Baekhyun não queria, muito menos podia, iria se encontrar com Chanyeol para dar uma volta, já que não interagiam muito pelos corredores da escola e algo no fundo do garoto sentia que o namorado estava com problemas.

– Não Taeyeon, eu estou ocupado – falou revirando os olhos e arrancando resmungos da garota.

– Desde quando você nega um encontro com uma garota bonita, hein Baek? – Jongdae perguntou risonho como se insinuasse algo.

– É verdade, além do mais, faz tempo que a gente não vai ao cinema, estreou um filme legal há poucos dias – Jongin falou tomando um gole de sua soda.

Quando o milkshake do garoto finalmente chegou, Baekhyun já tinha perdido o apetite e a paciência, não sabia se era Taeyeon ou a pressão dos amigos que estava lhe deixando irritado. Olhou no relógio e constou que ainda era cedo, podia dar uma volta com o pessoal e se encontraria com o grandão mais tarde, só precisava aguentar um pouquinho. “Tudo bem” acenou positivamente dando um gole bruto na bebida e ouvindo comemorações dos amigos.

 

[19:34]

Baekhyun estava impaciente na fila do cinema e tudo que conseguia era bufar de irritação. A sessão era para ter começado há uma hora, mas algum problema interno com o projetor os obrigou a ficarem esperando mais tempo. O garoto olhava o tempo inteiro para o relógio como se aquilo fosse adiantar de algo e não percebeu que já estava chamando atenção dos amigos.

– Que pressa é essa, Baek? Não vai me dizer que agora tem hora para voltar para casa? – Jongin riu zombeteiro.

– Claro que não seu idiota, é só que eu odeio ficar esperando para entrar – Respondeu irritado e o amigo se calou.

Naquela noite iriam assistir “A hora do pesadelo 7” e Baekhyun realmente não fazia questão alguma daquilo, não era muito fã de filmes de terror, em especial os americanos que sempre enchiam a trama de cenas desnecessárias.O pensamento de Chanyeol cruzou sua mente e lembrou-se do namorado que se assustava com uma facilidade incrível, com certeza passaria o filme inteiro grudado em si e tapando os olhinhos em cenas fortes.

Acabou sorrindo com a ideia do maior atado a seus braços e o rostinho assustado se escondendo em seu pescoço. Baekhyun passaria o braço ao redor de seu corpo enorme e o puxaria ainda mais para perto, fazendo com que se acalmasse e encontrasse conforto em si. Emaranharia os dedos longos nos cabelos rosados num carinho gostoso, pois sabia como Chanyeol ficava manhosinho sempre que recebia um cafuné.

– No que você está pensando, oppa? – A voz fina de Taeyeon atravessou seus pensamentos fazendo-o acordar.

Encarou a garota bonita à sua frente e murmurou um “nada” em resposta. Ela o observava com os enormes olhos castanhos buscando alguma resposta sem tirar o sorriso interessado do rosto, se aproximando do garoto e enroscando o corpo magro ao dele. Não era novidade que a garota era uma das muitas groupies apaixonadas pelo ruivo, talvez a mais louca dentre elas e Baekhyun não gostava muito de sua presença, mas como Jongin namorava Soojung e ambas eram melhores amigas, encontrava-a com frequência.

Finalmente a sessão abriu suas portas e a fila começou a andar, Baekhyun só tinha aguentado tanto tempo por que já tinha pago o ingresso, mas estava planejando passar alguns minutos e depois fugir de mansinho. Porém ao ver aquela cabeleira rosa passar ao seu lado com a expressão mais sombria que vira na vida, o ruivo sentiu o mundo inteiro desmoronar.

Park Chanyeol usava uma camisa de Pokémon por debaixo do casaco preto, calça jeans escura que ia até seus tornozelos magros e um All Star vermelho. Seus olhos castanhos estavam envoltos numa escuridão devastadora, o corpo alto curvado dava passos longos e rápidos, trombando propositalmente com o ruivo e passando direto. “Ei seu imbecil, peça desculpas!” Jongdae gritou, mas o grandão já estava longe demais para voltar, e com toda certeza não o faria.

Todos olharam preocupados para Baekhyun que encarava o nada com o olhar vazio, a boca entreaberta e o rosto surpreso.

– Baek? Você tá bem? – Taeyeon perguntou segurando seu rosto entre as mãos. O ruivo então se afastou abruptamente e rosnou “Não me toque”, lhe encarando feroz como se Taeyeon tivesse culpa de alguma coisa. Claro que a menina não tinha culpa de nada, ela era só mais uma dentre as pessoas que Baekhyun seduzia sem propósito algum.

– Baekhyun? O que você está fazendo? Baekhyun! - Jongdae gritou enquanto via o amigo se afastar em direção ao conversível e arrancar com o carro.

 

23 de outubro, 1996

Baekhyun caminhava impaciente pelos corredores da escola, a cabeça distraída o fazia esbarrar em vários alunos e receber reclamações de volta, “Olha por onde anda cabeça de fósforo!” esbravejou um dos estudantes. Se não estivesse tão inquieto para encontrar Chanyeol, o ruivo teria dado meia volta e ensinado àquele garoto nunca mais soltar alguma gracinha para si, mas não tinha tempo nem cabeça para aquilo, estava focado em encontrar o de cabelos rosa.

Saiu pelos portões sentindo o ar gelado chicotear-lhe os fios ruivos e um frio horrendo lhe envolver, parecia que o inverno estava chegando mais cedo. O coração batia disparado enquanto caminhava em direção ao conversível e torcia secretamente para que nenhum de seus amigos surgisse pedindo carona para casa, pois tinha algo a fazer e não queria perder tempo. Deu partida no carro e seguiu seu destino.

Ligou o rádio e percebeu que estavam tocando uma daquelas músicas ridículas que vinham lançando recentemente por grupos masculinos. Letras vazias que abordavam temas como amor de forma tão rasa e superficial, grupos criados por empresas sem trajetória alguma, não conseguia entender como aquilo fazia tanto sucesso. Recusando-se a escutar mais um segundo sequer daquela baboseira, inseriu uma fita cassete do Guns ’N Roses e ouviu Sweet Child ‘O Mine tomar conta de seus pensamentos.

She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything
Was as fresh as the bright blue sky

Lembrou-se de todas as vezes que Chanyeol sorriu para si com aquele monte de dentes branquinhos e os olhos brilhando como o sol, ele lhe trazia um conforto que nada no mundo conseguia. Respirou fundo sentindo o coração pesar, não queria lhe perder, muito menos lhe magoar do jeito que estava fazendo ultimamente, mas era covarde e por sua causa o outro acabava de machucando. Segurou as lágrimas que teimavam em descer e focou na estrada.

Chegando a uma rua pacata Baekhyun estacionou na esquina e desceu do carro com o corpo trêmulo, caminhou em passos largos e rápidos até uma das pequenas casas que enfeitava a rua e se deu conta de que era a primeira vez que ia à casa de Chanyeol. Era uma moradia simples, as paredes de alvenaria verde claro e porta de madeira iluminada por uma lâmpada no teto. Engoliu seco antes apertar a campainha, não sabia se o namorado estava realmente em casa – dado o fato que não tinha aparecido na escola – e nem se ele iria querer vê-lo.

Quando reuniu um pouco de coragem e apertou o botão, não demorou muito até a porta ser aberta e um Chanyeol alto com roupas amassadas e rostinho inchado aparecer na sua frente. Ele arregalou os olhos tão forte que parecia ter visto um fantasma.

– B-Baekhyun? O que você está fazendo aqui? – Apontou para si.

– Eu vim conversar...

– Como você sabe onde eu moro? – Cerrou os olhos desconfiado.

– Eu sei de tudo – Sorriu convencido e pôde perceber o outro soltar um pequeno risinho lhe dando passagem para entrar.

 

O quarto de Chanyeol era bastante pequeno, havia apenas sua cama, um guarda-roupa e uma pequena escrivaninha com seu computador e alguns livros. O ambiente era bastante acolhedor e limpo, as paredes pintadas em azul escuro e alguns pôsteres de animes e filmes de ficção científica decorando-as. O de cabelos rosa sentou-se timidamente na cama e lhe lançou um breve olhar esperando que falasse alguma coisa.

– Por que você não foi hoje? – Perguntou baixinho.

– Eu não estava me sentindo muito bem – Respondendo mexendo na barra da camisa que usava.

Baekhyun caminhou cautelosamente até a cama para sentar perto de si, sempre observando os movimentos tímidos do namorado a cada passo que dava em sua direção.

– Me diga logo o que você quer, Baekhyun – Chanyeol falou desviando o olhar para a janela.

O ruivo engoliu em seco, as palavras pareciam se formar em sua cabeça para depois se dissipar como fumaça, sabia que precisava falar algo, mas tudo acabava morrendo na garganta.

– E-eu quis ver você... – Falou se aproximando.

– Dois dias depois do marcado? – Soltou tristonho.

Baekhyun sentiu uma pontada no coração, Chanyeol estava realmente magoado com o acontecido, mas como não estar?

– Eu sinto muito Yeollie... De verdade – Falou segurando as mãos do maior – Eu deveria ter ido te encontrar, eu deveria ter dito não para Jongin e Jongdae, deveria ter empurrado a Taeyeon para longe, eu não quis te magoar, eu nunca quero te magoar, mas sempre acaba acontecendo... Eu só tenho a me desculpar.

Chanyeol lhe deu um olhar cansado, era possível ver a dor presente em seu rosto angelical e um sorriso fraco se formar no canto de seus lábios. Baekhyun então lhe segurou forte no peito como se fosse a coisa mais preciosa do mundo inteiro, como se precisasse daquilo para sobreviver. Sentiu lágrimas quentes molharem a camisa do uniforme e um chorinho baixo se fez presente no local. Ele nunca quis tanto ter o poder de voltar no tempo e mudar aquela noite, queria ter tido a coragem de recusar seus amigos e cumprir o encontro que tinha marcado com Chanyeol, ter lhe beijado durante a noite inteira e lhe dado todo o amor que merecia.

– Eu amo você... – O de cabelos rosa falou com a voz embargada.

Baekhyun tinha a plena certeza de que não merecia ter o amor daquela criatura tão meiga que era Chanyeol, não merecia nem 1% do amor que ele o dava, não merecia seus sentimentos e tampouco suas lágrimas. O ruivo era a pior pessoa a quem o maior poderia entregar seu coração, mas lá estava ele confessando seu amor e o perdoando pela enésima vez por ser um completo idiota. Realmente Baekhyun não o merecia.

 

Baekhyun beijava da base do pescoço do namorado até seu mamilo, passando a língua ao redor do local e depois sugando num estalo. Chanyeol não fazia mais que gemer rouco sentindo o membro do outro pulsar dentro de si e os braços fortes lhe prendendo num abraço. Ele estava sentado no colo do menor e mal se aguentava de tanto prazer, sentia a mão hábil do ruivo lhe masturbar num ritmo gostoso enquanto buscava seus lábios num beijo cheio de desejo.

– Você fica tão gostoso rebolando em cima de mim – Baekhyun falou lambendo a curva do pescoço alheio.

O rosto de Chanyeol ficou três vezes mais vermelho do que estava e Baekhyun o achou ainda mais adorável, lhe puxando para outro beijo ainda mais quente.  As mãos apressadas do ruivo corriam pelas costas largas do namorado fincando suas unhas curtas e deixando marcas vermelhas ao arranhar, fazendo com que o outro soltasse gemidos cada vez mais audíveis. Os fios rosa caindo sobre os olhos castanhos embebidos em prazer tornavam Chanyeol a própria personificação da luxúria.
O peitoral nu exibia várias de marcas de chupões recém feitos pelo menor, a pele branca orvalhada de suor, o pênis avantajado ereto e pulsando em suas mãos transformavam Chanyeol na visão mais bonita que Baekhyun tinha visto em toda sua vida, a forma como o namorado ficava tomado por uma aura sexual era de tirar o fôlego.

Baekhyun puxou o corpo do outro para mais perto e o jogou de costas na cama, ficando por cima de si invertendo as posições, estava cansando de ficar brincando com ele. Prendeu os pulsos do maior com uma das mãos e com a outra levou até sua boca esfregando o polegar ao redor dos lábios. Chanyeol em si era bastante inocente, mas sabia como enlouquecer o menor como ninguém, estendeu a língua quente para fora e lambeu o dedo alheio o encarando nos olhos de forma pervertida. “Puta merda Chanyeol...”, o ruivo grunhiu baixinho enquanto começava as estocadas.

A cama fazia um barulho desgraçado ao bater contra a parede por causa dos movimentos intensos do menor. Ele investia contra o corpo do namorado com força sentindo o pênis pulsar num prazer insano ao ser apertado pelas paredes internas do outro. Baekhyun mordeu o lábio inferior com força tentando conter os gemidos, ouviu palavras desconexas saírem da boca do maior e percebeu que ele não aguentaria muito.

O menor segurou o Chanyeol contra o si num abraçado apertado e mordeu seu ombro com força enquanto sentia o corpo explodindo num orgasmo feroz. Soltou um gemido longo e arrastado acompanhado do maior que preencheu toda a casa, o peito subindo e descendo rapidamente acompanhado da respiração pesada. Sentiu todos seus membros se contraindo em pequenos espasmos enquanto o ápice ainda tomava conta de si.

Afastou-se um pouco do namorado para encarar aquela expressão pós-sexo que tanto amava, sabia que jamais enjoaria daquela visão nem mesmo em mil anos. Lançou-lhe um sorriso terno e ao ser correspondido sentiu o coração se aquecer de um jeito que apenas Chanyeol era capaz, não importava o quanto tentasse esconder do mundo, pertencia exclusivamente àquele garoto de cabelos rosados.

 

 

10 de novembro, 1996

O festival de inverno da escola estava cada vez mais perto e Baekhyun podia sentir o estresse lhe consumindo vivo, iria se apresentar com a Backseat Blues e todos os dias ensaiavam incansavelmente. Para piorar a situação andava se encontrando cada vez menos com Chanyeol, que parecia extremamente carente de atenção lhe procurando frequentemente. Ele cruzava o seu caminho no corredor e lhe procurava durante os intervalos na tentativa se chamar sua atenção.

Baekhyun tentava fingir que não era com ele, tentava fingir que não conhecia aquele garoto estranho que tanto lhe encarava, devia ser apenas mais um entre tantos, mas cada vez que ignorava o gigante, mais seu coração se partia. Sabia que não estava sendo um bom namorado agindo daquele jeito, só estava machucando ainda mais o outro e aquilo andava lhe devorando como um monstro.

Naquele dia o céu parecia mais tempestuoso que os olhares vazios de crianças órfãs, Baekhyun sentia em suas entranhas que algo de ruim estava para acontecer e mesmo que atribuísse a culpa na ansiedade pré-apresentação, sabia que não era aquilo que causava tal incômodo. Caminhava apressado pelos corredores da escola quando se deparou com uma pequena multidão se formando ao redor de dois alunos. Várias vozes podiam ser ouvidas e burburinhos tomavam conta do local.

Esgueirou-se entre as pessoas e não pôde ficar mais surpreso ao notar que seu Chanyeol estava sendo imprensado contra a parede pelas mãos fortes de Zhang Yixing. O de cabelos rosa dava o dobro do tamanho do chinês e, no entanto estava ali tremendo de medo ao ser confrontado pelo mesmo.

– Admita logo Park, que você é um merdinha de um pervertido que estava tirando fotos minhas, admita, sua bicha! – Gritava o segurando pela gola da camisa do uniforme.

– E-eu n-não estav-va tirando fotos s-suas! Eu juro! – O pobre coitado estava tão assustado que sequer conseguia formar palavras.

O sangue de Baekhyun ferveu de uma forma que todo seu corpo ficou vermelho de raiva, queria voar em cima daquele chinês nojento e lhe bater tanto que perderia a consciência. Quem ele achava que era para tratar Chanyeol daquele jeito?

– Além de bicha é covarde, você é um imprestável Park, deveria ter vergonha de ser esse merda que você é e desse seu cabelo nojento! – O moreno rosnava apertando ainda mais sua roupa.

Em meio àquela confusão os olhares de Chanyeol e Baekhyun se encontraram, o desespero visível em seu rosto e praticamente gritava “Me ajude” para o outro. O ruivo respirou fundo várias vezes, é claro que queria intervir naquela confusão e proteger o namorado daquele babaca, mas sabia que tinha que se abster diante daquilo ou então as pessoas começariam a se questionar. Por que diabos o Baekhyun coração de gelo sairia em defesa de Park Chanyeol?

– Baek! – Ouviu a voz esganiçada do maior chamar pelo seu nome.

O coração do ruivo disparou em pânico, não esperava que Chanyeol realmente fosse clamar pela sua ajuda. Sentiu todos os olhares sobre sua pessoa e a mente colapsar, precisava sair dali o mais rápido possível. Abaixou os olhos e fingiu indiferença, como sempre fizera nos corredores da escola, apressou o passo e seguiu seu caminho sem sequer ter a coragem e encarar o namorado uma última vez.

 

 

[18:34]

O resto do dia tinha se passado como uma tortura, Baekhyun não conseguia tirar a imagem de Chanyeol da cabeça e isso fazia com que seu peito explodisse sempre que pensava no outro. De acordo com o que tinha ouvido dos outros estudantes, a professora Choi havia aparecido para apartar a briga e ambos os garotos tinham ido para a diretoria. Com certeza era a primeira vez de Chanyeol enfrentando aquele tipo de castigo e deveria estar assustado com toda aquela situação, o ruivo não conseguia evitar o coração disparar só de imaginá-lo levando bronca.

Quando finalmente estavam liberados de suas aulas, Baekhyun andou o mais rápido em direção aos portões de saída para encontrar o namorado, queria checar como ele estava. Claro que tinha passado o dia inteiro se culpando por ter ignorado-o, dessa vez não havia perdão para a sua atitude e já estava pronto para aceitar qualquer tipo de castigo que o outro quisesse lhe aplicar. Passou zarpando entre os estudantes ignorando completamente Jongdae que gritava seu nome para que o esperasse.

O ruivo procurou a cabeleira rosa entre os estudantes que voltavam para casa e lá estava Chanyeol andando cabisbaixo em passos lentos. Baekhyun deu uma pequena corridinha em direção ao outro tentando chamar sua atenção discretamente.

– Psst, Chanyeol, eu preciso falar com você – Falou olhando ao redor para se certificar de que ninguém os observava. – Me encontre no lugar de sempre às 19.

O maior ficou em silêncio como resposta, sequer levantou o rosto para lhe encarar, continuando seu caminho como se não houvesse ninguém ali. Baekhyun sentiu o peso da culpa lhe apunhalar a consciência e então se afastou lentamente seguindo outro caminho para longe do namorado.

 

Exatamente às 19 horas Baekhyun aguardava ansioso a chegada do namorado, o coração batendo forte contra o peito e a respiração pesada. A lua naquela noite estava sendo ofuscada pelas várias nuvens que cobriam o céu e a praça em que se encontrava parecia muito mais sombria envolta pela escuridão. O ruivo respirou fundo olhando ao redor, havia poucas pessoas caminhando por perto e o menor nunca se sentira tão solitário.

– O que você quer? – A voz grossa de Chanyeol lhe assustou.

– Aish, não apareça assim de repente! – Baekhyun pousou a mão no peito.

Chanyeol carregava uma expressão sombria e cansada, o corpo curvado como se sentisse dor e os olhos escuros tomados por uma apatia lamentável.

– Por que me chamou aqui? – Perguntou sem vida.

– Ora essa, para ver como você está.

Chanyeol soltou uma risada sem humor e balançou a cabeça incrédulo.

– E então pedir desculpas de novo? Tentar se redimir por ser um babaca e me machucar? – Sua voz estava carregada de cinismo – Olha Baekhyun, eu já ouvi demais dessa história, toda vez é a mesma coisa e sabe, eu já estou cansado disso.

O menor pôde perceber que uma mudança drástica havia acontecido dentro de Chanyeol, era possível ver que o tom de voz que usava era completamente diferente de quem ele era normalmente e aquilo o estava assustando.

– Eu estou cansado Baek, cansado de todas as coisas ruins pelas quais você tem me feito passar e o que me prendia era a esperança de que você iria acabar mudando. Eu nem sei por que fiquei esperando algo de você e colocando expectativas nisso, está mais do que claro que você não tem coragem para assumir quem você é e tampouco me assumir.

Baekhyun estava sem palavras diante daquilo tudo, tinha consciência dos seus erros e atitudes idiotas acerca do outro, mas jamais esperaria ter aquilo tudo jogado na sua cara. Abriu a boca para falar, mas fora interrompido pelo de cabelos rosados:

– Não dá mais para mim Baek, eu não aguento mais ser ignorado e ver você agindo como se eu não existisse, eu realmente não aguento mais ter que ser o seu segredo e não seu companheiro, eu estou exausto de querer te tocar, beijar e falar com você em público e não poder por que isso vai afetar sua reputação. Pelo amor de Deus, você dá mais importância ao que os outros vão pensar do que o que você realmente é?

– Você não entende Chanyeol... – Tentou se defender em vão.

– Não eu realmente não entendo, e sinceramente já cansei de tentar, a única conclusão que eu cheguei é a de que você é um covarde.

Ao ouvir aquelas palavras Baekhyun sentiu como se uma espada estivesse atravessando seu corpo, a dor da verdade lhe cortando ao meio através de palavras duras. Encarou o rosto do garoto parado diante de si e ele estava completamente sério, nunca tinha o visto carregar uma expressão tão sombria antes.

– É muito mais do que uma simples reputação, Chanyeol, é a minha carreira que também está em jogo, o que você acha que as pessoas diriam ao saber... Saber disso? – Falou trêmulo.

– Disso? – Chanyeol falou com lágrimas lhe tomando a face – Você realmente consegue ser tão egoísta à ponto de considerar apenas a sua situação e ignorar meus sentimentos? Se iria ter tanta vergonha de mim, por que então resolveu me namorar? Por que você resolveu se envolver comigo? Por que precisou me arrastar para a sua confusão?

Lágrimas grossas corriam pelo rosto do mais alto e a voz grossa tremia à cada palavra proferida, ele respirava pesadamente e o rosto se contorcia numa careta triste. Baekhyun estava se sentindo a pior pessoa do mundo inteiro e não tirava um pingo da culpa que tinha, se aquele relacionamento tinha dado errado era única e exclusivamente por causa de sua covardia e egoísmo.

– Eu sinto muito... – Foi a única coisa que conseguiu falar.

– Não sinta, aliás, não sinta mais nada por mim, continue me ignorando como sempre e fingindo que eu não existo, só que dessa vez em tempo integral – Chanyeol falou afastando-se e desaparecendo de sua visão.

 

14 de novembro, 1996

O festival de inverno estava agitado e a escola cheia de visitantes, haviam várias pessoas no teatro ansiosas para a próxima apresentação e Baekhyun estava uma pilha de nervos, sequer tinha conseguido dormir. Jongdae, Jongin e Sehun se preparavam nos bastidores para subir no palco e se apresentarem, porém o ruivo só conseguia tremer de ansiedade e mais um misto de coisas esquisitas.

– Calma Baek, vai dar tudo certo – Sehun falou passando o braço ao redor de seu ombro.

– É, fica tranquilo que a gente ensaiou várias vezes, tá tudo sobre controle – Jongin lhe lançou um sorriso acolhedor.

– Se você não relaxar vai ser pior, por que você vai acabar errado na hora – Jongdae retrucou.

– Porra Jongdae, não tá vendo que a gente tá tentando acalmar o Baek? – Sehun reclamou.

– Só estou sendo realista – O loiro retrucou.

A verdade era que Baekhyun não estava nervoso por causa do público, mas sim por causa de uma única pessoa em especial que estaria lhe assistindo: Park Chanyeol. Como o garoto fazia parte do clube de fotografia, estaria na plateia tirando fotos das apresentações e com certeza assistindo o ex-namorado cantar. Visando sua presença entre as pessoas, Baekhyun tinha ensaiado especialmente uma música para si, queria que Chanyeol a escutasse com atenção e algo dentro de dele captasse seus sentimentos.

– E agora a oitava apresentação do dia, a banda Backseat Blues – A voz da apresentadora ressoou pelo local acompanhada de uma salva de palmas e alguns gritinhos histéricos.

“É agora” pensou consigo mesmo e respirou fundo várias vezes, olhou para seus colegas de banda que lhe lançaram um olhar acolhedor e então caminhou em direção ao palco. Olhou ao redor da plateia e percebeu que seu fã clube em peso estava lá para lhe dar apoio com cartazes coloridos, Baekhyun não podia se sentir mais amado. Correu os olhos entre as pessoas tentando encontrar aquela cabeleira rosa que tanto amava e o avistou sentado numa das últimas fileiras. Estava vestido todo de preto como sempre, apenas se destacando por causa dos fios coloridos. Baekhyun sorriu internamente, era hora de expor seus sentimentos.

– Olá à todos, eu sou Byun Baekhyun, vocalista da Backseat blues e iremos apresentar algumas músicas para vocês, esperamos que gostem! – Falou animado recebendo gritinhos em resposta.

Quando a guitarra de Jongin começou a tocar a melodia de “Boys Don’t Cry”, todos na plateia se animaram um pouco, menos Chanyeol que os observava indiferente.

I would say I'm sorry

If I thought that it would change your mind

But I know that this time

I have said too much, been too unkind

Baekhyun cantava com paixão olhando diretamente nos olhos do ex-namorado como se estivesse se dirigindo somente à ele, o coração batendo forte contra o peito e o pensamento à mil. Naquele momento não existia mais ninguém fora eles dois.

I try to laugh about it

Cover it all up with lies

I try to laugh about it

Hiding the tears in my eyes

'Cause boys don't cry

Boys don't cry

A reação da plateia fora mais do que positiva e as pessoas assistiam a apresentação animadas, porém o maior continuava com a mesma expressão séria.

I would break down at your feet

And beg forgiveness, plead with you

But I know that it's too late

And now there's nothing I can do

E quanto mais Baekhyun cantava aquela música, mais ele se identificava e mais se sentia tocado, não poderia falhar agora.

Misjudged your limits

Pushed you too far

Took you for granted

I thought that you needed me more

De repente percebeu reações vindas do de cabelos rosa e perdeu o fôlego por um segundo, Chanyeol desviara o olhar visivelmente abalado e enxugou uma lágrima que desceu pelo rosto.

Now I would do most anything

To get you back by my side

But I just keep on laughing

Hiding the tears in my eyes

'Cause boys don't cry

Boys don't cry

Boys don't cry

A apresentação terminou ao som de vários aplausos e gritos de excitação, todos tinham amado a música, porém ao ver Chanyeol sair do teatro em passos largos aos prantos, Baekhyun engoliu toda sua dor e enxugou rapidamente as lágrimas que teimavam em descer, afinal, garotos não choram.


Notas Finais


Eu vou lançar a segunda parte logo logo, fiquem atentos <3
Espero que tenham gostado <3
A fic foi baseada numa iamgem que mandaram no grupo do exo fanfics e eu fiquei louca pelo plot (https://scontent.frec5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/19894870_131103490813692_2833571495813394746_n.jpg?oh=1d8d8e6218b5241e93aa5fb317d2d0a4&oe=59CAD353).


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