História Boys Of my Life - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink, Got7, Seventeen
Personagens Jisoo, Jungkook, Kim Mingyu, Lisa
Visualizações 21
Palavras 5.186
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Escolar, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 12 - Destinatário: Jinyoung


Fanfic / Fanfiction Boys Of my Life - Capítulo 12 - Destinatário: Jinyoung

 

Soo e eu estamos sentadas na escada da varanda. Ela toma uma bebida um iogurte, e eu trabalho no cachecol para Jisoo enquanto espero Jeon. Soo está aguardando nosso pai sair. Ele vai levá-la à escola, hoje

Eu semicerro os olhos. É Jeon Jungkook. Dirigindo uma minivan marrom. Ele coloca a cabeça para fora da janela.

— Vocês vêm ou não?

— Por que você está dirigindo isso? — exclama Soo.

— Não importa, Soohyun — responde Jeon. — Apenas entrem.

Soo e eu nos entreolhamos.

— Eu também? — Soo me pergunta.

Eu dou de ombros. Em seguida, me inclino para trás e grito para dentro de casa:

— Pai, Soo vai pegar carona comigo!

— Tudo bem! — Responde ele.

Nós nos levantamos, e, nessa mesma hora, a sra. Kim sai correndo de casa com o terninho azul-marinho, a pasta em uma das mãos e o café na outra.

Soo e eu nos entreolhamos com alegria.

— Cinco, quatro, três…

Droga! - Rindo, seguimos para a minivan de Jeon.

Sento no banco do passageiro, e Soo entra atrás.

— Do que vocês estão rindo? — Pergunta ele.

Estou prestes a contar quando Mingyu sai de casa. Ele para e olha para nós por um segundo, antes de acenar. Eu aceno para ele, e Soo coloca a cabeça para fora da janela.

 — Oi, Mingyu! — Grita.

— E aí?! — Exclama Jeon, inclinando-se por cima de mim.

 — Oi — diz Mingyu, e entra no próprio carro.

Jeon me cutuca e sorri.

— Me diz por que vocês estavam rindo.

Enquanto coloco o cinto, eu conto:

— Pelo menos uma vez por semana, a sra. Kim corre até o carro e derrama café em si mesma.

— E é a coisa mais engraçada do mundo — acrescenta Soo.

Jeon ri.

— Vocês são sádicas.

Soo coloca a cabeça entre nós dois.

— O que é “sádica”? - Eu a empurro para trás.

 — Coloque o cinto. - Jeon dá a ré no carro.

— É uma pessoa que fica feliz em ver outras sofrendo.

— Ah. — Então ela repete baixinho: — Sádica.

— Não ensine essas coisas estranhas para ela — reclamo.

— Eu gosto de coisas estranhas — protesta Soo.

— Está vendo? — Diz Jeon. — Sua irmã gosta de coisas estranhas.

Sem se virar, ele levanta a mão para bater na mão dela, e Soo se inclina para a frente e bate com gosto.

— Ei, me dá um gole do que você está bebendo aí atrás.

— Está quase no fim, pode tomar o resto.

Soo entrega a ele, e Jeon vira a garrafinha plástica na boca.

— É gostoso — diz.

— É do mercadinho— conta Soo.

— Achei ótimo. Lisa, traga um para mim amanhã de manhã, tá? Pelos serviços prestados.

 Olho para ele de cara feia.

— Estou falando das caronas! Caramba...

— Eu trago um, Jeon — diz Soo.

— Essa é a minha garota.

— Mas só se você me levar para a escola amanhã também — conclui Soo.

— Só vou parar, quando você enjoar de mim, Soohyun!

Pensei que Soo ficaria constrangida, ao contrário ela simplesmente sorria.

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Lisa.

— O quê?

Espio atrás da porta aberta e vejo Jinyoung usando um suéter fino de um azul intenso, com gola V, e calça cáqui.

— Estou com isto há algum tempo… Eu não ia dizer nada, mas achei que talvez você quisesse de volta.

Ele coloca um envelope cor-de-rosa na minha mão. É minha carta. Então Jinyoung também recebeu a dele. Coloco-a no armário, faço uma careta para mim mesma no espelhinho e fecho a porta com vontade.

— Você deve estar se perguntando do que se trata... — Hesito. — É, hã, bem, eu escrevi há muito tempo e…

— Você não precisa explicar.

— Sério? Não está curioso?

— Não. Foi bem legal receber uma carta assim. Fiquei bastante honrado.

Solto um suspiro aliviado e encosto no armário. Por que Jinyoung é tão perfeito? Ele sempre sabe a coisa certa a dizer. Em seguida, Jinyoung faz uma expressão que é meio careta, meio sorriso.

— Mas… — Ele baixa a voz. — Você sabe que eu sou gay, não sabe?

— Ah, claro, sem dúvida — digo, tentando não parecer decepcionada. — Não, claro que eu sabia.

Então Jeon estava certo, no fim das contas. Jinyoung sorri.

— Você é muito bonita — diz, e fico animada de novo. — Olha só, será que você pode não contar para ninguém? Eu já me assumi, mas não me assumi. Sabe o que quero dizer?

— Claro — concordo, superconfiante.

— Por exemplo, minha mãe sabe, mas meu pai sabe mais ou menos. Ainda não contei para ele.

— Entendi.

— Só deixo as pessoas acreditarem no que quiserem. Não acho que seja minha responsabilidade me rotular para elas. Você entende, não é?

— Exatamente. As pessoas não precisam saber, né?

— É.

Sorrimos um para o outro, andamos juntos na mesma direção; ele tem aula de mandarim, e eu, de francês. Em determinado momento, ele me pergunta sobre Jeon, e fico tentada a contar toda a verdade, porque estou me sentindo muito íntima dele. Mas Jeon e eu fizemos um acordo, deixamos bem claro que jamais contaríamos para ninguém. Não quero ser a primeira a dar com a língua nos dentes.

Então, quando Jinyoung me pergunta “O que está rolando entre você e o Jungkook?”, eu simplesmente dou de ombros e abro um sorriso enigmático.

— É uma loucura, né? Porque ele é tão… — Procuro a palavra certa, mas não consigo encontrar.

— Ele poderia fazer o papel do protagonista bonito em um filme.  

Então acrescento, mais do que depressa:

— E você também. Você faria o papel do cara com quem a mocinha deveria ficar.

Jinyoung dá risada, mas percebo que gostou.

Querido Jinyoung,

Nunca conheci um garoto tão educado quanto você. Você deveria ter sotaque britânico. No baile, você usou uma cravat, e ficou tão bem que acho que poderia usar o tempo todo e não passar vergonha. Ah, Jinyoung! Eu gostaria de saber de que tipo de garota você gosta. Pelo que ouvi falar, você nunca namorou ninguém… A não ser que tenha uma namorada em outra escola. Você é tão misterioso. Não sei quase nada sobre você. As coisas que sei são tão insubstanciais, tão insatisfatórias, como o fato de você comer sanduíche de frango todos os dias no almoço e fazer parte do time de golfe. Acho que a única coisa remotamente real que sei sobre você é que gosta de escrever, o que deve querer dizer que tem reservas profundas de emoção. Como aquele conto que você escreveu na aula de escrita criativa sobre o poço envenenado, e da perspectiva de um garoto de seis anos. Foi tão sensível, tão melancólico! Aquele conto me fez sentir como se conhecesse você um pouco mais. Mas não conheço você, e gostaria. Você é muito especial. Deve ser uma das pessoas mais especiais na escola, e eu gostaria que mais pessoas soubessem disso. Ou talvez não, porque às vezes é bom ser a única pessoa que sabe de uma coisa.

Com amor, Lalisa Manoban 

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Jennie enfia um punhado de batatas na boca.

— Me conta logo, Lisa. Até onde vocês dois chegaram?

Eu quase engasgo.

— Não chegamos a lugar algum! E não temos planos de ir a lugar algum no futuro próximo. Nem nunca.

— Sério? Nem a mão por cima do sutiã? Uma apalpada rápida no peito?

— Não! Já falei, Jisoo e eu não somos assim.

Jennie ri com deboche.

— Você está de brincadeira? É claro que a Jisoo e o Mingyu já fizeram sexo. Para de ser ingênua, Lalisa.

— Eu não estou sendo ingênua — respondo. — Eu sei que eles não fizeram nada.

— Ah, é? Como você tem tanta certeza? Eu adoraria saber.

— Não vou contar.

Se eu contar para Jennie, ela só vai rir mais. Ela não entende, porque só tem um irmão mais novo. Não sabe como é entre irmãs. Jisoo e eu fizemos um pacto ainda no fundamental, que contaríamos tudo uma a outra, no qual só iríamos fazer com alguém que estivéssemos realmente apaixonadas e confiássemos.

 — Não, eu adoraria saber, mesmo.

Jennie está com aquele brilho faminto nos olhos, e sei que está só começando.

— Você só quer debochar, e não vou deixar — retruco.

Jennie revira os olhos.

— Tudo bem. Mas não tem como eles não terem trepado.

Acho que Jennie fala assim de propósito, para tentar provocar uma reação em mim. Ela adora conflitos, então tomo cuidado de não reagir ao que ela diz.

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— Você acha que se um garoto e uma garota estão namorando há muito tempo, isso automaticamente quer dizer que eles fizeram sexo? — Pergunto a Jeon.

Estamos sentados no chão da biblioteca, com as costas apoiadas na parede da seção de referências, à qual ninguém nunca vai. As aulas acabaram, a biblioteca está vazia, e estamos fazendo o dever de casa. Jeon só tira C e D em química, então resolvi ajudá-lo a estudar.

Jeon desvia o olhar do livro de química, com um interesse repentino.

— Preciso de mais informações. Há quanto tempo eles estão namorando?

— Bastante tempo. Uns dois anos, mais ou menos.

— Quantos anos eles têm? Nossa idade?

— Mais ou menos.

— Então é bem provável, mas não quer dizer que aconteceu. Depende da garota e do cara. Mas, se eu tivesse que apostar dinheiro, diria que sim.

— Mas a garota não é desse tipo. Nem o garoto.

— De quem estamos falando?

— Isso é segredo. — Hesito. — Jennie acha impossível eles não terem feito. Diz que não acredita.

Jeon ri com deboche.

— Por que você foi perguntar logo para ela? Essa garota é um desastre.

— Ela não é um desastre!

 Ele me olha de um jeito estranho.

 — No primeiro ano, ela bebeu Four Loko demais, subiu no telhado do Namjoon e fez um striptease

— Você estava lá? — Pergunto. — Viu com os próprios olhos?

— Vi. E pesquei as roupas dela na piscina, porque sou um cavalheiro.

Eu estufo as bochechas.

— Bom, a Jennie nunca me contou essa história, então não posso falar sobre isso. Além do mais, o tal Four Loko, ou sei lá qual é o nome, não foi proibido?

— Ainda fabricam, mas é uma versão aguada horrorosa. Você pode misturar com energético e ter o mesmo efeito. — Estremeço, o que faz Jeon sorrir. — Sobre o que você e a Jennie conversam? Vocês não têm nada em comum.

— Sobre o que nós conversamos? — Pergunto. Jeon ri. — Faz sentido.

Ele se afasta da parede e coloca a cabeça no meu colo, e eu fico completamente imóvel.

 — Você está se comportando de um jeito muito estranho hoje — digo, tentando fazer minha voz soar normal. Ele ergue uma sobrancelha para mim.

— Ah, é? Tipo como?

Jeon adora quando falam sobre ele. Normalmente, não me importo, mas hoje não estou a fim de fazer à vontade dele. Já tem gente demais dizendo o quanto ele é incrível.

Está sendo desagradável — respondo, e ele ri.

— Estou com sono. — Jeon fecha os olhos e se aconchega em meu colo.

— Me conte uma história de ninar, Lisa.

Pare de flertar comigo.

Ele abre os olhos.

Eu não estava flertando!

— Estava, sim. Você dá em cima de todo mundo. Parece que não consegue se controlar.

Bem, eu nunca dou em cima de você.

Jeon se senta de novo e olha o celular, e de repente desejo não ter dito nada.

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Estou pegando a correspondência na caixa de correio quando Mingyu estaciona na entrada da garagem dele.

— Oi! — Grita ele.

 Mingyu sai do carro e corre até mim, com a mochila pendurada no ombro.

 — Eu vi você no ônibus — diz ele. — Eu acenei, mas você estava sonhando acordada. Quanto tempo seu carro vai ficar na oficina?

— Não sei. A data muda toda hora. Tiveram que encomendar uma peça vinda de longe. Mingyu me olha com desconfiança.

— E você está secretamente aliviada, não está?

— Não! Por que eu ficaria aliviada?

— Pare com isso. Eu conheço você. Odeia dirigir. Deve estar feliz por ter uma desculpa para não precisar fazer isso.

Começo a protestar, mas paro. Não faz sentido. Mingyu me conhece muito bem.

— Bem, talvez eu esteja um pouquinho aliviada.

 — Se precisar de carona, sabe que pode me ligar, né?

Eu assinto. Eu sei. Não ligaria por mim, mas ligaria por Soo, em uma emergência.

 — Sei que você tem o Jeon agora, mas eu moro aqui do lado. É bem mais conveniente eu dar carona para você do que ele. É até mais responsável com o meio ambiente. — Eu não respondo, e Mingyu coça a nuca. — Quero dizer uma coisa para você, mas é esquisito tocar nesse assunto. O que também é estranho, porque antes nós podíamos conversar sobre tudo.

— Ainda podemos — digo. — Nada mudou.

Essa é a maior mentira que já contei para ele, maior até do que a vez em que contei a ele sobre minha suposta irmã gêmea morta, Lia. Até dois anos atrás, Mingyu achava que eu tinha uma irmã gêmea que morreu de leucemia.

— Tudo bem. Eu sinto… sinto que você tem me evitado desde que… a Jisoo terminou comigo.

Eu levanto a cabeça. É isso que ele pensa? Que o estou evitando por causa de Jisoo?

Minha carta provocou um impacto tão pequeno assim? Tento manter o rosto sério e inexpressivo.

— Eu não estou evitando você. Só ando ocupada.

— Com o Jeon. Eu sei. Você e eu nos conhecemos há muito tempo. Você é uma das minhas melhores amigas, Lisa. Não quero perder você também.

É o “também” que estraga tudo. É o “também” que me faz parar. É o que me irrita. Porque, se ele não tivesse dito “também”, aquela conversa teria sido sobre mim e ele. Não sobre mim, ele e Jisoo.

 — Aquela carta que você escreveu…

Tarde demais. Não quero mais falar sobre a carta. Antes que ele possa dizer qualquer outra coisa, eu disparo:

— Sempre serei sua amiga, Mingyu.

E abro um sorriso, o que exige muito esforço. Esforço demais. Mas, se eu não sorrir, vou chorar. Mingyu assente.

— Tudo bem. Ótimo. Então… podemos voltar a nos ver?

— Claro.

Mingyu estica a mão e belisca meu queixo.

— Quer carona para a escola amanhã?

— Quero.

Afinal, não foi esse o motivo de tudo? Poder andar com Mingyu de novo sem aquela carta pairando sobre nossas cabeças? Ser apenas a boa e velha amiga Lalisa outra vez?

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Soo escova os dentes, e eu passo uma máscara de pepino e aloé no rosto.

 — Você acha que, se eu pedisse, Jeon nos levaria ao McDonald’ s amanhã, no caminho da escola? — pergunta Soo.

Passo mais um pouco da máscara facial verde nas bochechas.

 — Não quero que você se acostume a pegar carona com o Jeon. Você vai de ônibus de agora em diante, tá? Soo faz beicinho.

— Por quê?

— Porque sim. Além do mais, Jeon não vai me dar carona amanhã. Vou com o Mingyu.

— Mas Jeon não vai ficar com raiva?

Meu rosto está ficando rígido conforme a máscara seca. Respondo entredentes:

— Não. Ele não é ciumento.

— Então quem é o ciumento?

Não tenho uma boa resposta para isso. Quem é o ciumento? Estou pensando nisso quando Soo começa a rir, olhando para mim pelo espelho.

 Quando volto para o quarto, mando uma mensagem de texto para Jeon avisando que não preciso de carona amanhã.

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O bilhete de Jeon de hoje diz:

Quer tomar sorvete depois da aula? Ele desenhou dois quadrados, um sim e um não.

Faço um “X” no sim e coloco o bilhete no armário dele

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Quando a aula termina, encontro Jeon no estacionamento, e seguimos com o pessoal do Basquetebol para a sorveteria. Peço uma casquinha de iogurte natural com cereal, morangos, kiwi e abacaxi, e Jeon pede uma de limão com pedaços de biscoito. Pego a carteira para pagar o meu, mas Jeon não deixa. Ele pisca e diz:

— Pode deixar.

— Achei que você tinha dito que não ia pagar nada — sussurro para ele.

— Meus amigos estão aqui. Não posso parecer pão-duro na frente deles. — Em seguida, passa o braço por cima dos meus ombros e diz, alto: — Enquanto você for minha namorada, não vai pagar por sorvete.

Eu reviro os olhos, mas não vou rejeitar uma casquinha de graça. Nunca tive um garoto pagando coisas para mim. Eu poderia me acostumar com esse tratamento. Eu estava preparada para encontrar Momo, mas ela não apareceu ainda. Acho que Jeon está pensando a mesma coisa, porque fica com os olhos grudados na porta. Conhecendo Momo, sei que algo ruim vai acontecer voltando para o carro quando Jimin diz:

— Ei, Lalisa, você sabia que, se disser seu nome muito rápido, o som fica engraçado? Experimenta! Lalisa.

— Laalisa — repito, obediente.

— Vou começar a chamar você de Jolisa. Você é tão pequena que combina, e gosto de você, então tiro Jo de Joah (gostar) com seu nome Jolisa.

Dou de ombros.

— Tá.

Jimin se vira para Taehyung.

— Ela é tão pequena que poderia ser nossa mascote.

— Ei, não sou tão pequena — protesto.

— Qual é a sua altura? — Pergunta Taehyung.

— Um metro e sessenta — digo, exagerando. Está mais para um e cinquenta e cinco. Taehyung joga a colher no lixo.

— Você é tão pequena que caberia no meu bolso!

Todos os garotos riem. Jeon está sorrindo, mas de um jeito meio confuso.

De repente, Jin me pega e me joga por cima do ombro, como se eu fosse uma criança e ele fosse meu pai.

— Jin! Me põe no chão! — Grito, balançando as pernas e socando o peito dele. Ele começa a girar em círculos, e todos os garotos acham graça. — Vou adotar você, Jolisa! Você vai ser meu bichinho de estimação. Vou colocar você na minha antiga gaiola de hamster!

Estou rindo tanto que não consigo respirar e começo a ficar tonta.

— Me coloca no chão!

 — Solta ela, cara — diz Jeon, mas também está rindo.

Jin me joga para Yonggi, aquilo foi assustador, então corre na direção da picape de alguém e me coloca na caçamba.

 — Ei, me tira daqui! — Grito.

Yonggi já saiu correndo. Todos os garotos entram em seus carros.

— Tchau, Jolisa! — Gritam.

 Jeon corre até mim e me ajuda a descer.

 — Seus amigos são malucos — comento, quando meus pés tocam o asfalto.

Eles gostam de você.

— Sério?

— É. Eles odiavam quando eu trazia a Momo. Mas não se importam de você ficar com a gente. — Jeon passa o braço por cima dos meus ombros. — Vamos, Jolisa. Vou levar você para casa.

Quando estamos andando na direção do carro dele, deixo o cabelo cair na frente do rosto para que Jeon não me veja sorrindo. É legal fazer parte de um grupo, me sentir aceita em algum lugar

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— Soo! — Grito. — Atende a porta!

A campainha toca de novo.

— Soohyun!

— Estou fazendo um experimento importante! — Responde ela do andar de cima.

Vou até a porta e abro sem me dar o trabalho de ver quem é. É Jeon. Ele cai na gargalhada.

 — Você está com farinha no rosto todo — diz, limpando minhas bochechas com as costas da mão.

 Eu desvio dele e limpo o rosto com o avental.

— O que você está fazendo aqui?

— Nós vamos ao jogo. Você não leu meu bilhete ontem?

— Ah, droga. Tive uma prova e esqueci. — Jeon franze a testa, e eu acrescento: — Mas eu não vou poder ir de qualquer jeito, porque tenho que fazer cinquenta cupcakes até amanhã.

— Em uma noite de sexta?

— Bem… é.

— É para a feira da Associação de Pais e Mestres? — Jeon passa por mim e começa a tirar os tênis. — Vocês não andam de sapato em casa, andam?

— Não — respondo, surpresa. — Sua mãe vai preparar alguma coisa?

— Barrinhas de flocos de arroz. Outra escolha bem mais inteligente do que cinquenta cupcakes.

— Lamento você ter perdido tempo vindo até aqui. Talvez a gente possa ir ao jogo na próxima sexta — digo, esperando que ele volte a calçar os sapatos.

 Mas ele não faz isso, vai até a cozinha e se senta em um banco. Hã?

— Sua casa continua igualzinha — comenta, olhando ao redor. Ele aponta para a foto em um porta-retratos em que Jisoo e eu estamos tomando banho quando éramos bebês. — Que fofo.

Posso sentir as bochechas ficando quentes. Vou até lá e viro a foto.

— Quando você veio aqui?

— No sétimo ano. Lembra que a gente ficava na casa da árvore da sua vizinha? Precisei fazer xixi uma vez, e você me deixou usar o banheiro.

— Ah, é.

— Quanto tempo vai demorar? — Pergunta ele, com as mãos nos bolsos.

— Horas, provavelmente.

Pego a xícara de novo. Não consigo me lembrar em que xícara eu estava. Jeon solta um grunhido.

— Por que não compra uns na padaria?

Começo a medir a farinha que já coloquei na tigela e a separá-la em montinhos.

— Você acha que as outras mães vão comprar comida pronta? Como isso ia ficar para a Soo?

— Bem, se é por causa da Soo, então ela deveria estar ajudando. — Jeon se levanta do banco, chega perto de mim, passa as mãos pela minha cintura e tenta desamarrar o avental. — Cadê ela? Fico olhando para ele.

O que… O que você está fazendo?

Jeon olha para mim como se eu fosse burra.

— Preciso de um avental também, se vou ajudar. Não quero que minhas roupas fiquem sujas.

— Não vamos acabar a tempo de assistir ao jogo — falo para ele.

— Então vamos só para a festa depois. — Jeon me lança um olhar incrédulo. — Isso estava no bilhete que escrevi hoje! Deus, por que me dou o trabalho?

— Eu estava muito ocupada — digo baixinho.

Estou me sentindo mal. Ele está cumprindo sua parte do acordo e me escreve religiosamente um bilhete por dia, e eu nem me dou o trabalho de ler todos.

— Não sei se posso ir à festa. Não sei se tenho permissão para sair tão tarde.

— Seu pai está em casa? Vou pedir para ele.

— Não, ele está no hospital. Além do mais, não posso deixar a Soo aqui sozinha.

Eu pego a xícara de medida de novo.

— Que horas seu pai chega em casa?

— Não sei. Tarde. — Ou talvez daqui a uma hora. Mas a essa altura Jeon já vai ter ido embora. — É melhor você ir. Não quero prender você.

Jeon geme.

— Manoban, eu preciso que você vá. A Momo ainda não falou nada sobre nós, e esse é o objetivo de tudo isso. E… talvez ela leve aquele babaca com quem está namorando. — Jeon faz beicinho. — Vamos lá. Eu ajudei com o Mingyu, não foi?

— Foi — admito. — Mas, Jeon, preciso fazer os cupcakes para a feira e…

Jeon estica o braço.

— Então vou ajudar você. É só me dar um avental.

Eu me afasto e começo a procurar outro avental. Encontro um com estampa de cupcakes e entrego a ele. Jeon faz uma careta e aponta para o meu.

— Quero o que você está usando.

— Mas este é meu! — É de guingão vermelho e branco com ursinhos marrons; minha avó comprou para mim. — Eu sempre uso este. Coloca o outro e pronto.

Lentamente, Jeon balança a cabeça e estica a mão.

— Me dá o seu. Você me deve uma por não ler meus bilhetes.

Desamarro o avental e o entrego para ele. Então me viro e volto a medir.

— Você é mais infantil do que a Soo.

— Anda logo e me diz o que fazer — diz ele.

— Mas você sabe cozinhar? Porque só tenho os ingredientes exatos para cinquenta cupcakes. Não quero ter que recomeçar…

— Eu sei fazer doces!

— Tudo bem, então. Coloca esses tabletes de manteiga na tigela.

— E depois?

— Quando você terminar, eu passo a tarefa seguinte.

Jeon revira os olhos, mas faz o que eu mando.

— Então é isso que você faz nas noites de sexta? Fica em casa de pijama e faz cupcakes?

— Eu faço outras coisas também — digo, enquanto prendo o cabelo em um rabo de cavalo apertado.

— Como o quê?

Ainda estou tão nervosa pelo aparecimento repentino de Jeon que não consigo pensar.

— Hã, eu saio.

— Para onde?

— Meu Deus, não sei! Por acaso isso é um interrogatório? — Sopro a franja dos olhos. — Você me fez perder a contagem da farinha. Vou ter que medir tudo de novo!

— Aqui, deixa que eu faço — diz Jeon, se aproximando de mim. Eu me afasto dele.

 — Não, não, deixa que eu faço — recuso, mas ele balança a cabeça e tenta pegar a xícara da minha mão, mas eu resisto, e a farinha voa e se espalha no ar, sujando nós dois.

Jeon começa a rir, e eu solto um grito ultrajado.

— Jeon!

Ele está rindo demais e não consegue falar. Eu cruzo os braços.

— É melhor eu ainda ter farinha suficiente.

— Você parece uma velhinha — diz ele, ainda rindo.

— Bem, você parece um velhinho — retruco. Jogo a farinha que está na tigela de volta no saco.

— Na verdade, você parece muito a minha avó — diz Jeon. — Odeia todo e qualquer tipo de palavrão. Gosta de fazer bolos. Fica em casa nas noites de sexta. Uau, estou namorando minha avó

— Eu não fico em casa todas as noites de sexta.

— Eu nunca vi você sair. Você não vai a festas. A gente andava junto, antigamente. Por que você parou de andar com a gente?

— Eu… não sei. Era diferente no fundamental.

O que ele quer que eu diga? Que Momo decidiu que eu não era legal o bastante para andar com eles? Por que ele é tão sem noção?

— Eu sempre quis saber por que você parou de sair com a gente.

Eu estava na quinta ou sexta xícara?

Jeon! Você me fez perder a conta de novo!

Eu tenho esse efeito nas mulheres.

Reviro os olhos, e ele sorri para mim, mas, antes que possa dizer qualquer outra coisa, eu grito:

— Soo! Vem cá!

— Estou trabalhando…

— O Jeon está aqui!

Sei que isso vai convencê-la. Em cinco segundos, Soo entra correndo na cozinha. Ela para de repente e fica tímida.

— Por que você está aqui? — Pergunta ela.

— Vim buscar a Lisa. Por que você não está ajudando?

— Eu estava fazendo uma experiência. Quer me ajudar?

— Claro, ele vai ajudar você. — Para Jeon, eu digo: — Você está me distraindo. Vai ajudar a Soo.

Não sei se você quer a minha ajuda, Soohyun. Sabe, eu sou uma distração para as mulheres. Faço elas perderem a conta. — Jeon pisca para ela, e finjo que estou com ânsia de vômito.

— Por que você não fica aqui embaixo e nos ajuda com os cupcakes?

— Cha-to!

Soo dá meia-volta e sobe a escada correndo.

— Não ouse querer colocar coberturas ou confeito quando terminar! — Gritou.

— Você não ganhou esse direito!

Estou batendo a manteiga e Jeon está quebrando os ovos em uma saladeira lascada quando meu pai chega em casa.

— De quem é aquele carro lá fora? — Pergunta ele, ao entrar na cozinha.

Papai para na mesma hora.

— Oi — diz, surpreso. Está com uma sacola para viagem do restaurante chinês na mão.

— Oi, pai — cumprimento, como se fosse perfeitamente normal Jungkook estar na nossa cozinha. — Você parece cansado.

Jungkook endireita a postura.

— Oi, dr.Woong.

 Meu pai coloca a sacola na bancada da cozinha.

— Ah, oi — diz ele, limpando a garganta. — É um prazer ver você, Jungkkok, certo?

— Certo.

— Da galera antiga — diz meu pai, de modo jovial, e me encolho de vergonha. — O que vocês estão fazendo?

— Estou fazendo cupcakes para a feira de doces da Associação de Pais e Mestres da Soo e o Jeon está ajudando.

Meu pai assente.

— Está com fome, Jeon? Tem o bastante para todo mundo. — Ele levanta a bolsa. — Camarão lo mein, frango kung pao.

— Na verdade, Lisa e eu íamos passar na festa de um amigo nosso — diz Jeon. — Tem problema? Prometo que a trago de volta cedo.

 Antes que meu pai possa responder, eu digo para Jeon:

— Eu já falei que tenho que terminar os cupcakes.

— A Soo e eu terminamos — interrompe meu pai. — Vocês dois podem ir para a festa de aniversário.

— Não tem problema, pai. Eu é que tenho que fazer, vou fazer uma decoração especial.

— Soo e eu damos um jeito. Pode ir trocar de roupa. Vamos trabalhar nesses cupcakes.

— Tudo bem, então.

Mas não me mexo, só fico ali de pé, porque tenho medo de deixar os dois sozinhos. Jeon dá um sorriso largo para mim.

 — Você ouviu seu pai. Está tudo sob controle.

É eu penso: Não aja com confiança demais, porque meu pai vai pensar que você é arrogante.

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Há certas roupas que fazem a gente se sentir bem toda vez que as usamos, e há roupas de que gostamos tanto que as usamos várias vezes seguidas, e depois parecem ter saído do lixo. Estou olhando meu armário agora e tudo parece lixo. Minha ansiedade só aumenta por saber que Momo vai estar perfeita, porque tudo fica bem nela. E eu também tenho que usar a roupa certa.

Jeon não viria até aqui fazendo questão de ir à festa se não fosse importante para ele. Coloco uma calça jeans e experimento algumas blusas: uma cor de pêssego com babados que de repente parece exagerada, um suéter comprido e felpudo com o desenho de um pinguim que parece infantil demais. Estou colocando um short cinza com suspensórios pretos quando alguém bate à porta. Fico imóvel e pego um suéter para me cobrir.

— Lisa.

É Jeon.

— O quê?

— Você está pronta?

— Quase! Só… me espera lá embaixo. Desço daqui a pouco.

Ele solta um suspiro audível.

— Tudo bem. Vou ver o que a sua irmã está fazendo.

Quando ouço os passos dele se afastando, experimento uma blusa creme de bolinhas com o conjunto de short e suspensório. É bonitinho, mas será que está fofo demais? Exagerado? E devo colocar uma meia-calça preta ou meias pretas até os joelhos? Jisoo disse que essa roupa me faz parecer uma parisiense. Parisiense é bom. Sofisticado, romântico. Experimento uma boina só para ver o efeito, mas descarto na mesma hora. Fica exagerado. Eu queria que Jeon não tivesse aparecido assim. Preciso de tempo para me planejar, me preparar. Embora, para falar a verdade, se ele tivesse me convidado com antecedência, eu teria inventado uma desculpa para não ir. Uma coisa é ir à sorveteria depois da aula, mas uma festa com todos os amigos dele e, além de tudo, Momo? Pulo pelo quarto em busca das meias até os joelhos e depois em busca do meu potinho de brilho labial de morango no formato de um morango. Caramba, preciso arrumar o quarto. Não consigo encontrar nada nessa bagunça. Corro até o quarto de Jisoo para pegar o cardigã dela emprestado. Passo pela porta aberta de Soo, e vejo Jeon e ela deitados no chão, mexendo no kit de laboratório. Reviro a gaveta de suéteres de Jisoo, que agora só tem camisetas e shorts, porque ela levou a maioria dos casacos. Não acho cardigã nenhum. Mas, no fundo da gaveta, há um envelope. Uma carta de Mingyu. Quero tanto abrir. Sei que é errado. Com todo o cuidado do mundo, tiro a carta do envelope e a desdobro.

Querida Jisoo, Você disse que tínhamos que terminar porque você não quer ir para a faculdade namorando, porque quer sua liberdade e não quer se sentir presa a nada. Mas você sabe e eu sei que esse não é o verdadeiro motivo. Na verdade, você terminou comigo porque nós transamos e você ficou com medo de ficarmos muito íntimos.

Eu paro de ler.

Ouço Jeon chamar meu nome.

— Lisa! Você já está pronta?

Mais do que depressa, dobro a carta e a enfio de volta no envelope. Coloco na gaveta e fecho.

— Estou indo!

 



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