História Breathe - Capítulo 52


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Categorias Originais
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Palavras 1.856
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


WHERE IS THE LOOOOVE


vamos se acalmejar

Capítulo 52 - Capítulo 51: Eu odiava ser um segredo!


Erin PDV


Eu observava de longe as duas. Não sabia dizer se era excessivamente fofo ou se eu estava com inveja. Diferente de mim, elas podiam se olhar, sorrir, se beijar, sem se importar com os outros olhando. Já eu tinha que me contentar com sorrisos pequenos e rápidos.

Eu odiava ser um segredo!

Myrcella sorri a mim e acena empolgada. Ao seu lado Lara a olhava bobamente. Dava pra ver que as coisas haviam se resolvido entre elas. Finalmente, Myrcella havia aceitado que estava apaixonada por uma garota e que isso não era pra se envergonhar.

— Está todo mundo comentando — A voz me acorda do transe. — Elas formam um casal fofo, mas Lara é um tanto... impossível de controlar. — A loira cruza os braços e assim como eu, se escora no carvalho.

— Bom, se ela não se controlar e machucar Myrcella, eu tiro aquelas tatuagens dela com um ralador — Digo fazendo a garota rir. — Myrcella não é alguém pra se brincar, diga isso a sua amiga. — Puxo minha mochila de acampar e jogo nos ombros.

— Acho que você não me entendeu — Diz. — Sua amiga é adorável, fofa, mas não passa de uma garota com uma primeira paixãozinha lésbica. Lara se assumiu aos quatorze anos. Se sua amiga não for corajosa de verdade e assumir, logo, Lara irá se cansar dessa brincadeira.

Ela sorri a mim e pega a mala que havia jogado no chão.

Enquanto ela se afasta, não posso deixar de comparar aquela situação com a minha. Sophie era hétero até semana passada. Amava o noivo e de repente aquilo acontece. Eu sou lésbica desde os quinze anos, não conseguiria entrar em uma relação assim, as escondidas. Não aguentaria ter que voltar a aquela situação de quando me assumi.

Fico esperando Justin e Margo ali embaixo, folheando as páginas de Tolkien. Podia passar horas lendo as mesmas palavras que não me cansaria. O casal só dá sinal de vida quando os ônibus finalmente começam a chegar.

Justin aparece aos risos com mais dois garotos. O reconheci de cara pelo uniforme e as malas do time de futebol. Justin não jogava, mas gostava de conversar e ser amigo de todos apenas para lhe dar mais credibilidade no colegial. Ele se separa dos garotos e acena a mim levemente, logo se aproximando.

— Está todo mundo comentando sobre a viagem. Isso vai ser demais! — Diz ao parar a minha frente. — Você está bem? ― Seus olhos me analisam demoradamente, buscando qualquer sinal de pavor.

Eu estava bem. Minhas emoções estavam sobre controle.

― Claro ― Dou de ombros. ― Sei lá, sinto que... tudo começa a ficar mais fácil.

Ele assente e desce o olhar até minha mochila.

― Também veio com a sua mochila de acampar? — Franze o cenho.

— É do Tim — Explico. — A minha estragou na viagem de volta.

― Oh. Ei, você trouxe sua câmera?

― Sim, mas a Polaroid ― Ele concorda com um aceno e varre o lugar com os olhos demoradamente. ― Procurando pela Margo? ― Cruzo os braços. Ele me observa demoradamente, acho que estranhando meu tom provocativo.

— Ela me ligou — Diz ele como quem não quer nada. — Ela meio que tá pirando por causa da universidade. Marge não para de pegar no pé dela por causa das inscrições.

— Obrigada aos sete pelos meus pais desencanados. — Brinco.

— Cara, isso é um saco! — Ele exclama.

Tento ignorar sua reação, mas no fundo me pergunto por que se preocupa tanto com Margo e seus pais? Justin sempre foi aquele cara que se preocupava com ele mesmo, apesar de Margo, eu e Sarah sermos suas amigas, ele nunca demonstrou estar preocupado com o quanto nossa família nos pressionava.

Sorrio maliciosamente.

— Que foi? — Ele pergunta cerrando os olhos.

— Que foi o que? — Retruco em provocação.

Vejo perfeitamente a vermelhidão rubra lhe subir pelo pescoço. Ele desvia o olhar e leva o punho aos lábios, pigarreando seco. Controlo-me para não gargalhar. Justin não conseguiria disfarçar por muito tempo seu interesse em Margo. A mesma até poderia fingir que não se importava, mas ele era diferente. Ele tinha um ego.

Guardo meu livro que ainda estava em minha mão e toco em seu antebraço.

— Vamos comigo até a máquina de café? — Pergunto fazendo beicinho. Justin me encara por um tempo, mas não se demora. Ele nunca resiste ao beicinho!

 

(...)

 

Aquela é a primeira vez que a vejo rindo em dias. Meu coração aquece só em ver a cena. Sua felicidade é minha, e, é nesses momentos em que percebo o quanto estou fadada a me ferrar nisso tudo. Aos poucos meu coração vai mais e mais se apegando a sua imagem. Ao seu cheiro, ao seu sorriso, aos seus olhos, ao som da sua voz.

— Isso não significa que você não pode pegar! — Acordo do meu transe e olho para Justin. — Eu disse pra você não se esquecer.

— Deuses... — Margo suspira e revira os olhos. — Eu deixei no carro, droga!

Seu grito chama atenção no corredor, logo todos já estão nos olhando — incluindo ela. Seu sorriso de canto a mim faz meu ventre se contrair e meu coração disparar. Ela pisca e ao ver meu queixo caindo ri e se afasta com Srta. Davis ao seu lado.

Essa mulher ainda vai me enlouquecer.

— Você não acha que estou certo, Erin? — Olho pro garoto, piscando em confusão.

— Hã? — Pergunto.

Margo ri.

— Nem esquenta Justin, ela estava distraída observando a... Srta. Depardieu. — Ela sorri maliciosamente e cruza os braços.

— Você ainda não desencanou dessa? — Pergunta ele.

— Não enche meu saco, Mar. — Resmungo.

— Ela só vai descansar quando ganhar um pé na bunda da professora — Continua Justin. — Enfim... Eu tava falando pra Margo que tem muitos mosquitos nesses acampamentos. Você pegou repelente? — O olho com óbvia cara de confusão o que resulta em gargalhadas minhas e de Margo.

Convenço-os a esperar eu pegar mais um café antes de irmos pro campus, esperar a hora de entramos nos ônibus. Justin fica fazendo perguntas a Margo sobre sobrevivência na selva o que só nos faz rir ainda mais. O garoto não percebia, mas estava começando a ficar assustador sua preocupação com ela.

Os últimos ônibus chegam mais ou menos dez minutos adiantados e isso permite que os professores nos organizassem melhor para entrar.

Cada ano tinha seu professor responsável, no nosso caso, por uma incrível coincidência — ou destino —, Sophie era esse professor. Tínhamos também um próprio ônibus. A mulher teria que cuidar do terceiro ano sozinha e, eu sabia que não bastaria apenas seu ar de autoridade para controlá-los.

 

(...)

 

― Cala boca, Justin ― Margo ri e revira os olhos. ― A última vez que você viu neve na sua vida foi no Canadá! ― Fico na ponta dos pés, tentando enxergar por sobre a cabeça de todos os alunos na fila.

― E como é que você sabe? ― Justin retruca cruzando os braços.

― Bom, você disse! ― Ela gargalha.

― Erin, você está a ouvindo? ― Justin me olha, indignado com Margo. Porém, eu estava muito mais interessada naquela faking fila que não andava. ― Erin! ― volto minha atenção a ele.

― Que é?

― Não se preocupe, eles estão fazendo chamada. Os nomes são em duplas. ― Diz Margo, cortando Justin que pretendia se explicar.

― E por quê?

― Não sei ― Ela dá de ombros. ― Uma forma que encontraram para se organizarem melhor, talvez.

Chamam Margo e Justin logo depois. Todos vão entrando no ônibus, podendo sentar em suas poltronas confortáveis e conversar. Eu não. Sou a última a ser chamada o que me leva a crer que não era meu dia de sorte mesmo. Paro diante da de Sophie com sua prancheta.

― Você vai se sentar comigo ― Diz distraidamente. ― Aparentemente, é o único acento livre ― Me olha. Ao contrário da sua expressão monótona, seus olhos azuis tinham um brilho travesso.

Oh...

― Podemos ir, Srta? ― Pergunta um homem engravatado que esperava pacientemente ao seu lado.

― Podemos sim ― Diz a mulher. ― Carter. ― Aponta pra dentro do ônibus. Obedeço, passando por ela e subindo a escada. Respiro em alívio ao sentir o ar-condicionado do veículo. Como eu era a única de pé, todos os alunos me veem entrar.

Os únicos lugares vagos são os dois primeiros acentos, o resto realmente estava ocupado. Vejo que todos me olhavam, incrédulos, como se percebem o que aquilo queria dizer. Sim, eu irei passar três horas ao lado da mulher mais bonita que vocês já viram na terrível vida de vocês. Obrigada.

Jogo-me no acento da janela e suspiro, afundando ali.

Srta. Depardieu entra e logo o motorista se dirige ao seu lugar.

― Então, como todos vocês perceberam, separei os lugares da forma que achei mais favorável para que nenhum de vocês me enlouqueça durante a viagem ― Todos se entreolham em silêncio. ― Podem conversar, não se preocupem. Apenas não enlouqueçam ao motorista, senão todos vocês irão morrer em um trágico acidente. ― Ergue os ombros.

Ao se sentar ao meu lado, as vozes começam a crescer por todo o ônibus.

― Sabe que isso não vai ser fácil, não é? ― Sussurro.

― Pelo menos você está comigo. ― Sussurra e me olha, piscando. Sinto meu corpo esquentar imediatamente.

Fecho os olhos, sabendo que tinha alunos ao nosso redor e que eu não poderia nem mesmo tocá-la durante a viagem. Seria uma tortura passar horas com ela tão perto, tão acessível, mas ao mesmo tempo tão impossível e perigoso. Engulo em seco e molho os lábios.

― Socorro. ― Sussurro olhando para a janela.

Sophie ri nasalmente.

A primeira hora foi a mais fácil, digamos assim. Todos estavam animados, conversando e rindo. Sophie estava distraída com sua prancheta. Ela fazia anotações, mas também fazia de tudo pra eu não ver o que escrevia. Eu também não tentava muito, afinal queria me distrair pra não pular encima dela.

Na segunda hora, alguns alunos começam a dormir pelo ônibus, outros apenas resolvem ouvir música. Alguns conversavam alto ou se pegavam pelos cantos mais sombrios. Sophie estava lendo e fingindo não arranhar minha coxa distraidamente. Aquilo sim era tortura.

Na terceira hora, mais da metade do ônibus dormia e a outra metade simplesmente estava pro fundo, conversando e fazendo coisas que eu simplesmente não me importava já que Sophie estava afundada na poltrona, me olhando e sorrindo da forma mais intensa com que alguém já me olhou. Não era simplesmente um olhar, era aquele tipo que queria dizer: estou pensando em fazer coisas com você que nem passam pela sua cabeça.

Eu não conseguia olhá-la durante muito tempo. Eu já estava arrepiada e excitada só em vê-la me encarando.

Quando finalmente entramos na reserva onde ficava o acampamento. Sophie me joga um sorriso de “ainda não terminamos” e se ergue para dar os recados. Engulo em seco e respiro, aliviada.

Paramos ao lado de mais alguns ônibus e começamos a descer. Por sorte, sou uma das primeiras e, assim que piso com meus coturno na grama recém cortada do lugar, fecho os olhos, sendo atingida pela enxurrada de lembranças e memórias. Algumas mais dolorosas que outras.


Notas Finais


ai essas duas... é um chove n molha q deozulivre


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