História Broken - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Harry Styles, One Direction
Personagens Harry Styles, Personagens Originais
Tags Drama, Fanfic, Fanfiction, Fic, Harry Styles, One Direction, Romance
Visualizações 23
Palavras 5.279
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - 2 – Welcome to Michigan West High School


Fanfic / Fanfiction Broken - Capítulo 3 - 2 – Welcome to Michigan West High School

"I know they're thinking

You're too mean, I don't like you

Fuck you, anyway" – Afraid (The Neighbourhood)

(Eu sei que eles estão pensando

"Você é muito rude, eu não gosto de você"

De qualquer maneira, vá se foder)

"Welcome to Michigan West High School", Harry leu em um arco na entrada do local. Suspirou pesadamente e seguiu caminho, vendo um imenso jardim cheio de árvores e com grama perfeitamente aparada. Dezenas de grupos de amigos se reuniam debaixo de uma sombra, alguns fazendo piqueniques, outros apenas conversando. Harry se sentiu deslocado, como se aquilo tudo fosse um sonho em primeira pessoa. Simplesmente não parecia que ele estava ali. Alguns meses antes nem pensava em sair de sua cidade, muito menos do país. Achou que estaria bem àquela altura, mas as coisas não aconteceram como queria.

Ele estacionou em uma das vagas em uma área coberta do estacionamento e parou ao lado do carro, observando o colégio. Era composto basicamente por cinco prédios largos distribuídos - de forma estranha, Harry constatou - no centro do jardim. Eles eram interligados por corredores cobertos por um teto de vidro que não permitia sombras de maneira alguma. Um deles, o que estava no meio, era o maior, com seis andares; os outros tinham apenas três. Bem ao fundo, perto de um pequeno bosque, havia um campo de futebol americano com arquibancadas vermelhas e brancas, provavelmente cores da escola. Na outra extremidade do campo, ele pôde ver uma área com piscinas. Dois ginásios e o estacionamento era o que restava. Em outras circunstâncias - mais precisamente: o antigo Harry - teria adorado aquele lugar. Mas só havia uma bagunça impossível de ser arrumada dentro de sua mente, o que não lhe permitia gostar da experiência. Resistiu à tentação de acender um cigarro e, tentando expulsar aqueles pensamentos, entrou no prédio principal. Suas mãos tremiam, mas ele as escondeu nos bolsos de sua calça e caminhou pelos corredores procurando seu destino.

– Bom dia – um homem vestindo uma camisa social branca e blazer azul marinho o cumprimentou com um ar sério quando ele entrou na sala da diretoria. – Seja bem-vindo – ele disse lhe estendendo a mão.

Ele estendeu a mão hesitante e o cumprimentou. – Harry Styles.

– Nervoso? – ele perguntou olhando para a mão de Harry, que a afastou rapidamente e a colocou de volta no bolso.

– Primeiro dia – ele forçou um sorriso tímido.

– Não se preocupe com isso, hoje é o primeiro dia de aula de mais alunos, assim como você. É muito comum chegarem alunos novos depois das férias de verão – ele sorriu. – Sou o diretor do colégio. Me chame de senhor West.

– Certo, senhor West – Harry disse assentindo com a cabeça.

– Aqui está seu horário de aulas e um mapa da escola. O seu armário e a senha estão junto com o horário – ele disse lhe entregando os papéis. – Não acho que seja preciso falar, mas eu dou muito duro para educar meus alunos, por isso não aceito que alguém quebre as regras ou saia da linha. Então se você descumprir alguma regra, terá que arcar com as consequências. Sem segundas chances, entendido?

– Sim, senhor – ele disse.

– Ótimo - senhor West sorriu de novo. – Siga pelo corredor até chegar na sala de estar e verá escadas e elevadores; os dormitórios dos garotos ficam do lado esquerdo em todos os andares, acredito que vá ser fácil de encontrar o seu. Você vai ficar no dormitório 117 no terceiro andar, com Nicholas Schneider e Andrew Collins. Não é permitido garotos no dormitórios das garotas e nem o contrário.

– Certo.

Harry seguiu o caminho que o diretor indicou. Ele entrou em um dos elevadores e apertou o botão para o terceiro andar. Uma voz feminina falava pelos auto-falantes dando recados e lembretes da escola. Ao sair do elevador ele virou à esquerda como indicado e andou pelos corredores verificando cada porta em busca de seu nome. O encontrou quando já quase desistia de procurar, no fim de um corredor iluminado por grandes janelas que davam para o estacionamento. Harry parou à porta e olhou para os nomes escritos nas plaquinhas de metal. Depois de um instante, abriu a porta e estava prestes a fazer uma longa análise do local quando viu um garoto de pele escura, cabelos molhados e vestindo nada mais, nada menos que uma toalha pendurada na cintura. Ele pigarreou, chamando a atenção do garoto.

– Ah, olá. Você deve ser o Harry. Me chamo Andrew – ele estendeu a mão para cumprimentar o garoto. Harry observou a mão dele com um olhar estranho até que ele percebeu o que se passava.

– Ah, me desculpe – e correu para o banheiro.

Harry balançou a cabeça e colocou sua mala sobre uma das camas desocupadas, que ficava perto da porta. O quarto era simples, mas grande, com três camas distribuídas em triângulo - a de Harry de frente para a de Andrew e a outra de frente para as duas. Cada uma era acompanhada de um criado-mudo em cada lado. Além disso haviam três armários pequenos e uma mesa de estudos em frente à janela com persianas acinzentadas.

O garoto saiu do banheiro depois de alguns minutos acompanhados de um barulho irritante de secador usando uma calça justa e uma blusa de hóquei que era duas vezes maior que ele.

– Agora posso me apresentar direito – disse e estendeu a mão. Harry o cumprimentou e viu que suas mãos paravam de tremer aos poucos. Se Andrew notou, não demonstrou. – Você não é daqui, é? - Andrew perguntou se jogando na cama.

– Como é que adivinhou? – Harry perguntou sem interesse.

– Instinto. E você é branco demais, com certeza não é da Califórnia. Aposto que é de algum lugar da Europa. Hum... Irlanda?

– Inglaterra.

– Ah, eu gosto de lá.

– Já conheceu?

– Pra falar a verdade, não.

– Então como gosta?

– Só tentei ser simpático.

– Que coisa.

Um silêncio desconfortável se instalou no lugar enquanto Harry desfazia suas malas, mas ele foi quebrado quando uma coisa no fundo da bolsa chamou a atenção do outro garoto.

– O que é isso? – Andrew perguntou se aproximando.

– Nada – ele fechou a mala rapidamente. – E o outro garoto? – ele apontou de relance para a cama que sobrava.

– Ah, ele já deve estar chegando. Estava na Suíça passando as férias.

– Nada como uma viagem de mauricinho para um garoto rico.

– Você é bolsista?

– Não.

– Então também é um garoto rico, deixa de ser mala.

– A diferença é que eu não me acho dono do mundo como os garotos ricos por aí.

– Claro, você se acha o bad boy – ele debochou.

– Cala a boca.

Andrew riu. – Parece que esse ano vai ser uma bela merda.

Harry suspirou. Eu não poderia concordar mais.

Alguns minutos se passaram e Harry terminou de guardar suas coisas. Tomou muito cuidado para guardar aquela pequena caixa em um lugar bem escondido e longe dos olhos de Andrew. A porta se abriu e um garoto de pele clara e cabelos loiros – tão escuros que pareciam castanhos – entrou falando e rindo ao telefone. Ele puxava uma mala grande e que parecia ser bem cara. Assim que fechou a porta ele desligou o telefone e o guardou no bolso da frente da calça.

– Andy, sai da minha cama.

– Oi pra você também – ele revirou os olhos e se levantou da cama.

Os dois se abraçaram brevemente e o garoto bagunçou o cabelo de Andrew.

– Como foi o feriado sem mim? – ele colocou a mala em cima da cama sem nem perceber que Harry estava sentado na cama logo atrás dele.

– Qualquer coisa sem você é o paraíso.

– Outch. Ah, olá – ele finalmente disse se virando para Harry.

– Olá – ele disse.

- Nem tenta. Aparentemente ele não gosta muito de pessoas - Andrew disse.

Harry revirou os olhos e se levantou da cama com um pulo.

– Ah, que isso? Eu sou Nick – ele estendeu a mão. O garoto olhou para a mão dele, inseguro, mas acabou a apertando.

– Harry. Se me derem licença, vou dar uma volta por aí. Se for pra ficar trancado nesse lugar, que eu pelo menos conheça ele.


Harry caminhou pela escola e, depois dos primeiros cinco minutos, soube que nunca conseguiria ver tudo o que tinha a ser visto em apenas alguns minutos, como havia planejado. O lugar era gigantesco. A primeira coisa que ele fez foi entrar em uma sala de aula aleatória, para rever o ambiente em que estivera durante muito tempo, mas como se não estivesse mesmo presente lá.

As salas de aula eram todas iguais, exceto as como as de geografia, onde haviam pequenos mapas e gráficos básicos da matéria pendurados nas paredes, além de um tipo de vaso de madeira com mapas enormes enrolados dentro dele e um globo terrestre grande em cima do armário no fundo da sala. Os laboratórios, como era indicado em suas portas, eram as salas fixas de química e biologia. Havia também uma sala de informática dividida em duas partes por uma parede e porta de vidro para conseguir suportar duas turmas de uma vez só. Deviam ter pelo menos 60 computadores ali e todos aparentavam ser novos. E, por fim, uma sala de música onde haviam vários instrumentos variados e cadeiras com suporte para partituras.

No corredor que dava para o lado de trás da escola, Harry viu a enfermaria, a secretaria e as salas do diretor, dos professores e da psicóloga. Mais à frente, ele abriu uma porta dupla, vendo um pedaço do jardim. Vários grupos de alunos – e alguns solitários como Harry – andavam pelos caminhos de pedra; todos pareciam agitados e ansiosos. Ele supôs que fosse por ser o primeiro dia de aula depois das férias. Bem afastada, à esquerda, havia uma estufa tão pequena que ele duvidava que uma sala inteira conseguisse ficar naquele ambiente ao mesmo tempo. O campo de futebol que ele vira um pouco mais cedo estava na sua frente, mas bem afastado da escola. Ele se aproximou dos ginásios, descobrindo que um deles era para natação. Então as piscinas do lado de fora são apenas pra lazer, ele pensou. Anotado.

Ele voltou para dentro do prédio principal e, ao andar cada vez mais para dentro, deu de cara com um refeitório enorme, com dezenas de mesas distribuídas pelo salão, algumas televisões penduradas nas paredes, e um balcão onde se via bandejas, pratos, copos e recipientes para colocar a comida. Não havia comida nenhuma ali, mas pelo cheiro que se alastrava pelo local, estava sendo preparada.

Em seu bolso, o celular começou a vibrar insistentemente. Após ver que na maior parte dos colégios internos era proibido o uso de aparelhos eletrônicos que não fossem disponibilizados pela escola, Harry só havia aceitado entrar em um com a condição de poder ter seu celular e computador, ou nada feito.

Mom, ele leu na tela ao pegar o aparelho. Seu primeiro instinto foi ignorar a ligação, mas uma fração dele se sentiu culpado por ter ignorado ela desde dois dias atrás, quando chegou em San Diego.

Quando sua mãe lhe perguntou o porquê de San Diego, ele apenas disse: "Escolhi a dedo", o que por um lado não deixava de ser verdade. Sua mãe pensou que tinha alguma coisa a ver com o fato de eles terem morado lá quando Harry ainda era criança, mas ele nem se lembrava de ter conhecido a cidade. Tudo o que ele queria era um lugar onde pudesse ir para a praia. O que também foi uma condição quando seus pais perguntaram que apartamento ele queria. "Qualquer lugar pequeno que seja perto da praia", foi a resposta dele.

Ele andou de volta para o jardim e se sentou em um daqueles bancos de madeira.

Finalmente – ela disse assim que ele atendeu.

– Me desculpe, eu estava ocupado com tudo e não tive tempo de pegar o celular.

Você chegou bem? Já está no colégio?

– Cheguei às 14h.

E como é? Você gostou? É do jeito que você pediu, sem nada faltando? Podemos te ajudar a escolher outro se você quiser.

– O colégio é incrível, pra falar a verdade - ele admitiu.

Sério? – ela perguntou surpresa com o fato de ele ter gostado de algo contra o qual havia relutado insistentemente. – Isso é ótimo, Harry. Você já conheceu alguém?

– Só meus colegas de quarto.

Bom, fico feliz por você ter gostado. Talvez as coisas comecem a dar certo e fique tudo bem.

Ele quis dizer para ela parar com o otimismo, mas preferiu não. Sabia que só ia deixar ela chateada não era a intenção dele.

– Talvez. Você recebeu alguma notícia?

Ela fez uma pausa. – Não, acho que está tudo bem por enquanto.

– Certo.

Bom, eu só liguei pra saber como você estava. Agora tenho que ir.

– Tchau, mãe.

Me liga amanhã? – ela disse, mas, sem querer, Harry desligou no mesmo segundo.

Não retornou para dizer que ia ligar, apenas guardou o celular de volta no bolso de sua calça e entrou no colégio, seguindo caminho para o seu quarto.

Ao entrar novamente no quarto, Nick estava acompanhado de um garoto que Harry não conhecia. Ele tinha os mesmos olhos e cabelos de Nick, mas era mais baixo e tinha feições mais leves. Nick segurava algo em suas mãos que o garoto tentava desesperadamente pegar, sem sucesso. Quando viram Harry, apenas acenaram com a cabeça e continuaram com o joguinho.

– Aluno novo? – o garoto perguntou para Nick, como se Harry não estivesse ali.

– É, o nome dele é Harry. Não é muito de conversar – ele respondeu jogando o objeto para o alto quando o garoto foi para cima dele. Pegou de volta no segundo seguinte, recebendo um olhar atônito. – Ei, Harry - Nick chamou –, esse é o Derek. Ele é o meu irmão mais novo, tá no primeiro ano. Derek esse... Ah, quer saber? Toma seu celular de volta - ele entregou. – Já cansei.

– Cansou ou tá indo encontrar a Amy? – Derek sorriu.

– É, isso também – Nick riu. – Tenho que ir antes que ela comece a se preparar e não queira mais ver minha cara – e então se virou para Harry. – Espero que tenha roupas apropriadas, todo mundo leva a parte de "gala" muito a sério.

– Não sei do que está falando mas, o que quer que seja, não me interessa.

– Pois saiba que é um evento obrigatório para toda a escola.

– E o que é?

– O show de talentos pra comemorar a volta das férias de verão. Depois dele tem um baile, com dança lenta e tudo mais. Mas não é permitido bebidas, por isso damos uma festa no sábado à noite pra compensar. Esse ano vai ser na minha casa, se quiser aparecer...

– Acho que eu passo.

– Como quiser. Ah, Derek, acho melhor ir encontrar seus amigos. Harry não quer companhia.

– Acertou – ele pegou seu notebook dentro da gaveta ao lado da cama.

Nick esperou Derek sair e se virou para Harry. – Te vejo mais tarde, Grinch – ele sorriu e fechou a porta atrás de si.


O dia passou super rápido. Harry se manteve no quarto o tempo todo, assistindo filmes na Netflix apenas para passar o tempo. Quando a noite começava a chegar, começou a ouvir murmurinhos e risadas audíveis no corredor. Aparentemente, a festa era realmente um dia importante pra todos. Ele não sabia se tinha roupa apropriada para a ocasião. Não que se importasse em fazer parte daquela cena, mas era melhor isso do que chamar atenção por estar usando um moletom com touca. Por isso, assim que viu Andrew entrar para se arrumar, guardou o computador, se levantou da cama e foi até seu armário, começando a procurar por algo para usar naquela noite. Vendo que a única coisa formal que tinha era uma calça escura e uma blusa de botões branca, foi até o banheiro e tomou um banho rápido. Vestiu as roupas, dobrou as mangas até os cotovelos e tirou os cabelos dos olhos.

Ao sair do banheiro, caminhou até seu armário e pegou um par de tênis que podiam se passar por formais, os calçando logo em seguida.

– Se quiser posso te emprestar um blazer - Andrew disse ajeitando a gravata em frente ao espelho. – Acho que usamos o mesmo tamanho.

Quando Harry não disse nada, o garoto caminhou até seu próprio armário e tirou de lá um blazer escuro, perfeitamente passado. Ele colocou o cabide em cima da cama de Harry. – Não precisa agradecer.

O garoto observou o blazer por um momento, seus lábios formando uma linha fina por conta do sentimento de orgulho. Depois de um instante, pegou a peça de roupa e a vestiu, ajustando a manga na altura dos cotovelos assim como a blusa. Depois de fechar alguns botões percebeu o que estava faltando. Foi até uma das gavetas da parte de baixo de seu armário e pegou uma gravata cinza com um leve reflexo prateado – presente que ganhou de sua irmã quando estava para se formar no ensino fundamental. Ele observou a gravata por alguns instantes, imerso em lembranças.

– Você sabe dar nó? – virou-se para Andrew.

– É uma das únicas coisas que meu pai me ensinou - ele caminhou até o garoto. – Bela gravata.

Quando Andrew terminou de dar o nó, Harry se virou para o espelho. Aceitável, pensou. – Valeu – ele disse vendo que Andrew ainda estava parado no mesmo lugar. – Pelo blazer e pelo nó.

– Mas olha só, ele sabe falar obrigado! – Andrew caçoou, fazendo Harry revirar os olhos. – Brincadeira, brincadeira.

A porta se abriu com um solavanco e a figura de Nick entrou ofegante.

– O que diabos você tem?

– Tô atrasado. A Amy... – ele parou para respirar. – Quer que eu encontre ela em 20 minutos.

– Tic tac, tic tac...

– Andy, você é um péssimo amigo.

– Larga de ser chato. Enquanto você tá falando comigo poderia estar tomando banho, não acha?

Nick olhou para a porta do banheiro e depois para Andrew. – Certo. Você por acaso sabe passar roupa?

– Você vai ficar me devendo uma.

– Eu te amo – ele falou pausadamente e correu para o banheiro.

– Tudo isso por causa de uma garota? - Harry perguntou vendo Andrew abrir o armário de Nick e pegar algumas peças.

– Nick é louco por ela. Mas, pra falar a verdade, não acho que vá pra frente – Harry deu de ombros, desinteressado, mas Andrew continuou assim mesmo. – Se quer saber, acho que ele é muito burro de namorar a filha do diretor.

Andrew terminou de passar a roupa e a colocou em cima da cama de Nick.

– Se me der licença, vou dar uma olhada na festa – Harry abriu a boca para dizer que ia sair dali, quando ele balançou a cabeça. – Acho melhor ficar de olho no Nick até ele sair, com certeza vai dar problema.

– Você é a babá dele, não eu.

– A babá dele tá de folga por essa noite – Andrew disse já saindo e fechando a porta atrás de si.

Um segundo depois a cabeça de Nick apareceu pelo vão da porta, com água pingando de seus cabelos. – Por acaso você tem um barbeador?

– Que se foda – Harry murmurou para si mssmo e saiu do quarto, sem saber muito bem para onde deveria ir.

Não queria perguntar para alguém onde seria a festa, afinal, ficaria na cara que ele era aluno novo. Ele só queria ser invisível o tempo todo naquele lugar. Por essa razão, desceu pelas escadas – já que os elevadores estavam praticamente com fila de espera – e seguiu a onda de pessoas que passava naquela hora. Ele observava o caminho enquanto andava. Passou pelo refeitório, onde varias pessoas pareciam pegar pequenos lanches. Passou também pela sala do diretor, que estava trancada e com as luzes apagadas, e logo saiu pela saída do lado de trás do prédio. Alguns metros à frente ele parou confuso, achando que tinha seguido as pessoas erradas. Foi quando ele viu que a onda de pessoas seguia para os ginásios. Ele caminhou até lá, vendo vários casais pelo caminho.

A primeira coisa que viu quando entrou foi um palco de pelo menos 1 metro de altura, coberto por uma cortina de veludo vermelha. À sua frente, centenas de cadeiras almofadadas estavam enfileiradas deixando penas um corredor em seu meio. Dezenas de pessoas já se encontravam acomodadas espalhadas pelas cadeiras, um ou dois solitários e o resto em grupos de amigos, que conversavam e riam audivelmente.

Harry ficou de pé durante alguns minutos apenas observando o movimento ou mexendo no celular. Depois de algum tempo, aparentemente todos haviam chegado, o que fez com que ele caminhasse ao lado das fileiras procurando um lugar para se sentar. Quando estava prestes a se sentar na arquibancada em algum lugar perto do palco por não encontrar, viu uma mão balançando ao alto na segunda fileira. Quando viu que era Andrew com Nick e Derek ao seu lado quase escolheu ficar de pé, mas decidiu ir. Recebeu olhares tortos quando quase pisou em alguns pés durante o caminho, mas finalmente chegou no lugar que os garotos reservaram.

– Achamos que você já estava sentado, porque não avisou? – Nick perguntou.

– Por que eu não estava procurando vocês - ele falou olhando fixamente para um ponto da cortina à sua frente.

– Parece que o "obrigado" do qual você nos contou é só uma lenda, Andy.

Harry revirou os olhos. Ao perceberem que ele não estava para brincadeiras, passaram a ignorar a presença dele ali, o que para ele foi um tremendo alívio. Depois de todos aqueles anos convivendo com pessoas completamente desagradáveis, para ele não era familiar ser cercado de gente querendo amizade, ou até mesmo apenas ser educado. Não costumava ser tão rude com as pessoas, era mais paciente. Muitos diriam que tinha sido pela convivência, mas ele apenas descobriu porque os outros eram assim: era mais fácil. Ele não podia contar a verdade para seus pais ou seus amigos, nem mesmo se quisesse. Também não queria correr o risco de perder eles por culpa dele, então a solução mais simples foi afastá-los, fazer com que o odiassem. Era simplesmente mais fácil.

Saiu do transe subitamente quando ouviu uma voz saindo das caixas de som espalhadas pelo local. Levantou o olhar para o palco, onde viu o Sr. West vestindo um smoking e segurando um papel em sua mão. Quando todos ficaram em silêncio, ele aproximou o microfone dos lábios.

– Sejam muito bem vindos! Espero que todos tenham tido ótimas férias, que tenham aproveitado o tempo para fazer o que bem entendessem. Ficarei muito feliz se alguém tiver usado esse tempo pra estudar – ele sorriu brincalhão e risadas puderam ser ouvidas, acompanhadas de comentários como "Nem pensar!". – Certo, acho que não – ele riu. – Mas, ainda assim, espero que estejam prontos para continuar seguindo o caminho, afinal, muitos de vocês estão muito próximos da formatura. Nada de apenas aprovar, quero notas altas!

– Com esse discurso eu tô só desanimando. Ele tem mesmo que fazer isso todo ano? – ele ouviu Nick dizer para Andrew.

– Mas chega de enrolação, vamos iniciar a festa. A primeira apresentação é de Lana Walters!

Ele saiu do palco e alguns segundos depois uma garota de pele morena e cabelos encaracolados entrou sorridente, mas evidentemente nervosa. Se posicionou no centro do palco e colocou o microfone no pedestal, esperando que a música começasse. Harry reconheceu na hora, era uma música da Adele que tocava nas rádios o tempo todo, mas ele não se recordava do nome. Ela cantava em tom mais baixo e mais suave.

Todos aplaudiram enquanto ela saía do palco, ao passo que o diretor entrou e anunciou outro participante.

Aquilo seguiu por vários minutos e todos já começavam a ficar mais animados, torcendo ou esperando por alguém. As cortinas se fecharam e ficaram assim por alguns instantes, até que elas se abriram e o diretor subiu novamente ao palco e pediu que todos se acalmassem.

– A próxima apresentação é de uma garota talentosíssima. Sem favoritismo pela minha filha, é claro – ele sorriu. – Amy West!

Uma garota pequena entrou no palco e cumprimentou silenciosamente a platéia antes de se sentar ao piano que fora colocado ali. Ela vestia um vestido preto de tule, saltos altos, batom vermelho e tinha cabelos muito escuros. Alguns instantes se passaram enquanto ela se preparava para tocar. Ele não reconheceu a melodia, mas de uma coisa tinha certeza: era absolutamente incrível.

– Essa é minha garota – ele ouviu Nick dizer, provavelmente para Andrew. Foi então que se lembrou do que Andrew falou no quarto. "Se quer saber, acho que ele é muito burro de namorar a filha do diretor."

Ela tocou a última nota e pareceu respirar fundo antes de levantar a cabeça e olhar para todos. Deu um largo sorriso que era claramente falso e saiu do palco.

Várias apresentações foram feitas, desde musicais até stand up. Mesmo que alguns fossem realmente talentosos, Harry podia ouvir que Amy era a favorita de grande parte das pessoas ao seu redor. O diretor subiu mais uma vez ao palco – pela última vez – e esperou até que todos fizessem silêncio.

– Muito obrigado por todas as apresentações, vocês se superam a cada ano. Será que posso ouvir uma salva de palmas? – ele disse e todos aplaudiram, alguns até mesmo assobiaram. – Bom, todos foram incríveis, mas um ganhador tem que ser escolhido. Os jurados tomaram uma decisão. Quem venceu foi... – ele abriu um envelope branco que segurava em mãos. Abriu um grande sorriso e voltou a olhar para a platéia. – Amy West!

A garota entrou parecendo estupefata, mas sorria. Uma mulher de cabelos loiros lhe entregou um pequeno troféu é Amy acenou feliz para todos. Aquela cena já começava a chatear Harry, quando o diretor se inclinou para o microfone.

– Que comece a festa!

Quase que automaticamente todos se levantaram e esperaram que os funcionários retirassem as cadeiras. Harry achou que seria muito mais prático ter feito o show no auditório e o baile no ginásio, mas não questionou. Começou a caminhar até a saída, mas parou quando ouviu Andrew gritando seu nome por cima da música que começava a tocar. Se virou e viu ele se aproximando com Nick em seu encalço.

– Onde pensa que vai? A festa acabou de começar!

– Não sou fã de festas – ele disse, embora tenha ido em muitas.

Nick abriu a boca para dizer algo, mas parou quando sua namorada parou ao seu lado parecendo radiante. – Parabéns! – ele exclamou enquanto a abraçava.

– Obrigada! – ela sorriu.

– Aquilo foi incrível, West – Andrew disse apertando as bochechas da garota.

Não faxa ixo – ela reclamou atrapalhada. Andrew soltou rindo. – E não me chame de West, Campbell. Aliás, muito obrigada – ela sorriu.

– De nada, West.

O sorriso se desmanchou e ela revirou os olhos.

– Amy, esse é o Harry – Nick apresentou.

– Olá – ela sorriu amigável e estendeu a mão para o cumprimentar. Harry repetiu o gesto e foi quando percebeu que tremia. Abaixou a mão no mesmo segundo. Amy pareceu chateada, mas o olhar que dirigiu à Harry foi de curiosidade.

– Olá – ele disse e fez um aceno de cabeça. Seu olhar ia a todo momento para a saída.

Andrew percebeu a direção de seu olhar e logo se manifestou. – Não, não, não. Você não vai sair enquanto não dançar um pouco.

– Não quero dançar.

Amy colocou a mão no coração de forma teatral, fingindo estar ofendida. – Nem comigo?

– Tá aí! – Nick exclamou. – Se essa garota aqui não for capaz de amolecer seu coração, ninguém é. Só não amolece muito.

Amy riu. – Para com isso.

A garota caminhou até o amontoado de casais dançando. Quando parou e viu que Harry não a acompanhava, se virou e levantou uma sobrancelha.

– Você não vem?

Ele pensou em várias desculpas idiotas ou constrangedoras; pensou até mesmo em dizer um simples "não" e sair, mas na hora de realmente falar, ele deu a pior desculpa que poderia naquele momento. – Eu não sei dançar.

Era mentira. Ele aprendeu a dançar música lenta com sua irmã, que queria muito ter uma dança com ele em sua formatura do ensino fundamental. Ele não era bom, mas pelo menos não passava vergonha.

Amy abriu um sorriso zombeteiro. – Você tem medo de garotas, Harry?

O garoto suspirou, sem ânimo para continuar dizendo que não. Caminhou até ela e se aproximou, colocando a mão esquerda em sua cintura e posicionando a outra no ar, assim como sua irmã lhe ensinou. Amy assentiu com um pequeno sorriso fechado e colocou a mão esquerda no ombro de Harry. Quando ela segurou a mão dele que estava no ar, os dois começaram a girar lentamente.

– Não sabe dançar, né? – ela sorriu. – Como aprendeu?

– Com a minha irmã mais velha – ele respondeu monótono, olhando por cima da cabeça dela para nada específico.

– Então diga para ela que ela fez um ótimo trabalho.

Aquela frase fez o coração de Harry apertar, mas não deixou seu abalo transparecer.

– Vou dizer.

Ela se afastou ainda segurando a mão dele e demorou um instante para que ele entendesse o que ela queira. Então a girou, fazendo com que os cabelos dela balançassem. Ela sorriu e voltou à posição em que estavam antes.

– Eu sou o tipo de pessoa que fala sem parar, então pra mim é estranho você ser tão quieto – ela disse. – Você é antissocial ou só está tímido por ter acabado de me conhecer?

– A primeira opção, pode se dizer.

– Ah, certo. Posso saber porque?

– Você faz perguntas demais.

– E você vai responder alguma?

Foi então que ele a olhou. Os olhos cor de mel dela brilhavam sob o reflexo das luzes coloridas que se agitavam pelo ginásio. Ele desviou o olhar novamente. – Não, não vou.

– Pois então esse é o meu novo objetivo: te fazer responder alguma pergunta significativa.

– Não vai rolar.

– Ah, qual é? – ela sorriu. – Me diga algo que goste.

Harry suspirou. – Minha série favorita é How I Met Your Mother.

Os olhos dela brilharam mais ainda. – Você com certeza não tem cara de que assiste How I Met Your Mother. Qual é o seu... wait for it... – ela fez uma pausa. – Personagem favorito?

Harry quase sorriu. Quase. – Você acabou de citar ele.

– Barney também é meu personagem favorito. Claro, o Ted também. Ele é todo romântico e desesperado por compromisso. Meu tipo de cara... Bom, meu tipo de cara se eu...

Amy continuou falando, mas Harry não ouvia. A voz dela parecia distante, como se estivesse sendo ouvida de outro cômodo. A mente dele girava, era como se seus pés não estivessem no chão. Ele se afastou bruscamente e provavelmente recebeu um olhar surpreso de Amy, mas se esse foi o caso ele não sabia. Antes que ela conseguisse alcançá-lo, ele caminhou em passos largos até a saída. Do lado de fora, esbarrou em alguém que o segurou antes que caísse.

– Ei, cara, você tá bem? – o garoto perguntou.

– Tô – ele disse simplesmente.

Caminhou até uma árvore, e apoiou sua mão nela, respirando fundo até se acalmar. Quando finalmente voltou ao normal e ia ir até o prédio, ouviu a voz de Amy lhe chamando.

– Harry! Você tá bem? Me deixou preocupada.

Ele olhou para ela por um segundo, mas logo em seguida se virou e começou a andar até o prédio.

– Harry! – ela tentou de novo, mas ele continuou caminhando.

No elevador, se encontrou com um casal que havia claramente dado uns amassados antes de Harry entrar. Ele fixou o olhar em um dos botões do painel até que chegasse no terceiro andar. Saiu e deixou os dois lá dentro, para fazerem o que quer que fosse.

Seu quarto estava escuro quando entrou, mas ele não acendeu a luz. Simplesmente se sentou na cama e olhou para o chão, pensando em todos os motivos para a vida dele ter sido destruída de maneira tão violenta e tão cedo. A sua vontade era acabar com o esforço que estivera fazendo há pouco menos de duas semanas. Mas era orgulhoso demais pra isso, não ia desistir tão fácil.

Se levantou da cama, colocou o blazer emprestado na cama de Andrew e entrou no banheiro, tomando uma ducha fria logo em seguida. Relaxou o suficiente para se deitar em sua cama e dormir fingindo que nada tinha acontecido.



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