História Broken - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Harry Styles, One Direction
Personagens Harry Styles, Personagens Originais
Tags Drama, Fanfic, Fanfiction, Fic, Harry Styles, One Direction, Romance
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Palavras 9.192
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - 4 – I know your pain


Fanfic / Fanfiction Broken - Capítulo 5 - 4 – I know your pain

"The loser hides behind

A mask of my disguise" – Message Man (Twenty One Pilots)

(O perdedor se esconde atrás

De uma máscara do meu disfarce)


– Você não desiste mesmo – Morgan riu parado à porta, apenas observando Harry tentando soltar as cordas que prendiam suas mãos atrás de si. O garoto lhe dirigiu um olhar furioso.

– Por que está demorando tanto? Eles recusaram? – ele perguntou, mentalmente torcendo para a resposta de Morgan ser não. Seus pais não o abandonariam daquela maneira, certo?

– Na verdade, pequeno Harry, nós vamos te dar uma chance de resolver tudo. E eu realmente espero que você faça exatamente o que mandarmos, ou vai se arrepender. Estamos combinados?

Harry pensou em dizer não ao ver o homem se abaixando no chão para conseguir olhar o rosto dele. Pensou até mesmo em cuspir em seu rosto e lhe mandar para o inferno. Mas ele não era burro, sabia que um garoto magrelo de 16 anos nunca conseguiria ganhar uma briga contra alguém como Morgan. Então ele apenas assentiu com a cabeça. – Estamos – ele murmurou.

– Estamos combinados? – ele gritou.

– Estamos! – Harry gritou de volta.

– Ótimo. Nos vemos amanhã.


O dia amanheceu ensolarado, assim como o dia anterior e a maioria dos dias antes dele. Era a Califórnia, afinal. Harry acordou assustado ao sentir seu corpo balançando sob as mãos de alguém acima dele. Ele abriu os olhos devagar e deu de cara com Nick, que tinha um sorriso zombeteiro nos lábios. Ele já estava vestido e de cabelo arrumado com todo aquele gel, como na noite anterior.

– Você não vai querer se atrasar pra nenhuma aula, vá por mim – ele falou dando tapinhas no rosto do garoto.

Ele suspirou, ainda com o sonho – ou melhor, lembrança – na cabeça, e se levantou da cama coçando os olhos. Ele sentia seu corpo pesado, como se não tivesse dormido durante dias. Era um sentimento não familiar para ele, pelo menos não mais. Se levantou da cama e esfregou os olhos sonolento.

– Ei, cara, o que aconteceu ontem? – Nick perguntou parecendo hesitante.

Harry não respondeu. Pegou algumas peças de roupa e atravessou o quarto em passos largos. Entrou no banheiro, fazendo sua higiene matinal e tomando uma ducha logo em seguida. Saiu já vestido, passando as mãos pelos cabelos para tentar fazer eles ficarem no lugar.

– Sabe, nós só usamos uniforme em dias de excursões – Andrew comentou ao ver Harry.

– Eu não estou vestindo uniforme – ele disse sem nem mesmo saber que havia um.

Nick deu uma risadinha, o que fez Harry o olhar feio.

– Você estava usando roupas pretas ontem quando chegou, está vestindo agora... Você não tem senso de humor, tem? – Andrew falou. – Bom, eu já vou indo. Você tem 15 minutos pra não se encrencar por chegar atrasado – e saiu do quarto. Nick continuou lá.

– Sabe, eu só estou perguntando porque a Amy ficou preocupada. Disse que você chegou a empurrar ela. Eu até ia tirar satisfações sobre isso, mas pelo jeito você tava alterado...

– Não aconteceu nada, será que você pode deixar isso pra lá?

– Eu disse que era a primeira vez que você chegava tão perto de uma garota – Nick riu.

– Que original – ele disse já saindo do quarto. Nick veio em seu encalço.

– Qual sua primeira aula, senhor fobia-de-garotas?

– Espero que não a mesma que a sua – ele entrou no elevador e quando as portas começaram a se fechar não as segurou para o outro garoto.

Quando chegou ao térreo caminhou até a porta lateral que dava para um dos corredores com teto de vidro, que ligava o prédio principal até um dos menores. Seguia calmamente olhando a foto em seu celular do mapa da escola que recebeu do diretor. Não seria idiota de sair por aí com aquela coisa enfiada na cara.

Entrou em um corredor largo com centenas de armários vermelhos; vários alunos ainda pegavam seus livros. Harry caminhou discretamente ao lado deles procurando pelo seu. Quando finalmente achou, desejou que não tivesse o feito.

– O que você está fazendo aqui? – ele perguntou para Amy, que estava encostada no armário do garoto. Ela tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo alto e usava um uniforme de líder de torcida.

Ela levantou o olhar para ele. – Oi pra você também.

Ele levantou uma sobrancelha apontando para o armário. Ela assentiu e se afastou, dando espaço para Harry o abrir e conferir seu horário. Ele pegou as apostilas e o fechou novamente.

– Eu só queria saber se você está bem.

Ele se virou para ela cerrando os olhos.

– Como você sabe qual o meu armário?

Ela mordeu o lábio inferior insegura. – Ser filha do diretor tem suas vantagens.

– Vou ignorar o fato de você achar que tem o direito de bisbilhotar minha ficha se me disser o que quer.

Os lábios dela formaram uma linha fina. Ela sabia que tinha cruzado a linha quando olhou a ficha dele.

– Eu já disse.

– Bom, então você é muito insistente.

– O que quer dizer?

– Achei que sua missão já tinha acabado quando mandou o Nick falar comigo.

Ela pareceu confusa.

– Eu não mandei ele falar com você. O que ele disse?

– Eu tô atrasado, Amy – ele disse já começando a caminhar. Quando percebeu que Amy estava seguindo, desistiu de pegar o celular para conferir o mapa. Apenas continuou andando como se soubesse para onde estava indo.

– Só me diz.

Harry a olhou pelo canto do olho. – Disse que só não tirou satisfações por eu ter te empurrado porque eu estava "alterado" – ele fez aspas com a mão desocupada.

– Ah. Você tá desculpado, não se preocupe com isso.

– Acredite em mim: a última coisa com que estou preocupado é isso.

– Hum, certo. E porque está preocupado?

– Como eu já te disse ontem: não vou responder suas perguntas.

– Como eu já te disse ontem: esse é o meu objetivo.

– Parece que vai falhar.

O sinal para o início das aulas soou, fazendo com que Amy parasse de caminhar.

– É o que vamos ver.

– Por que você se importa tanto?

Ela ficou em silêncio por alguns segundos. Harry não a conhecia, mas ela parecia estranha naquela manhã. Ansiosa, talvez?

– Porque você parece tão quebrado quanto eu – ela disse por fim, sem olhar para ele, e saiu caminhando na direção oposta.

Por um momento ficou olhando ela, imaginando o que diabos teria acontecido com a típica princesinha do papai para ela se sentir quebrada. O que quer que fosse, tinha certeza de que era drama adolescente. Afinal, que adolescente não pensa que seus problemas são os maiores do mundo? Somos todos patéticos e isso inclui você, Amy.

Saiu do transe quando sentiu seu celular vibrar no bolso. Mom, ele leu na tela. Era uma mensagem de texto. "Estou na aula, te ligo depois", ele digitou sem nem mesmo ler a mensagem que recebeu. Não planejava ligar, de qualquer maneira. Abriu a imagem do mapa e buscou a sala com os olhos. Por sorte, estava perto. Subiu as escadas e virou à esquerda, dando de cara com o seu destino.

Ele se dirigiu ao fundo da sala e tomou assento em uma carteira ao lado da parede. Alguns instantes depois, Nick entrou na sala com um grupo de garotos, todos rindo e apontando para um deles, que revirava os olhos claramente segurando o riso.

– Ah, olhe só quem está na minha classe de literatura! – Nick disse se sentando na carteira ao lado dele. Os outros se sentaram próximos, formando um grupo do qual parecia que Harry era membro.

– Bom dia, classe – um homem atrapalhado que não aparentava ter mais de 30 anos, com barba para fazer e cabelos castanhos que iam até os ombros disse entrando na sala e se dirigindo à frente da turma. – Me desculpem pelo atraso. Espero que tenham tido ótimas férias.

– Não devem ter sido tão boas quanto as suas professor, por que não nos conta? – Nick perguntou com um sorriso nos lábios. O professor o olhou.

– Ah, claro, o nosso palhaço particular – ele disse com um ar brincalhão. – Brincadeira.

– Disso eu entendo – Nick piscou.

– Todos sabemos, Nick. Agora me digam, quem leu o livro que eu pedi? – ele correu os olhos pela sala, mas não precisava de muita análise para ver apenas três mãos levantadas. O professor abriu a boca para falar algo, mas parou assim que viu Harry. – Ah, temos um aluno novo? Me perdoe por minha falta de atenção. Poderia ficar de pé e se apresentar para a turma?

– Harry Styles – ele disse sem se levantar. Todos da sala, sem nenhuma exceção, olharam para ele.

– E de onde você veio, Harry?

– Inglaterra.

– Ah, um país maravilhoso. O cenário de muitas obras literárias e também o lar de... Robert Langdon, conhece? – ele abriu um sorriso desafiador.

– O professor dos livros de Dan Brown?

O pai de Harry, além de produtor, era um completo apaixonado por livros. A primeira coisa que fez quando comprou a casa foi derrubar algumas paredes e construir uma biblioteca enorme com centenas de livros. Ele chamava o lugar de "A biblioteca da minha vida". Seu objetivo era ler todos aqueles livros antes de morrer e, sinceramente, Harry acreditava que ele conseguiria. Se lembrava perfeitamente de quando era pequeno, quando seu pai o levava para lá e os dois liam juntos em completo silêncio até a mãe entrar, tarde da noite, e dar uma bronca por terem desperdiçado mais um dia trancados em casa. A lista de Harry era muito menor do que a do pai, mas ele havia lido mais livros do que muitas pessoas já leram tendo 80 anos.

– Certo! – o professor estalou os dedos no ar com um sorriso nos lábios, o que fez Harry deduzir que ele não tinha muitos alunos realmente interessados em livros, mas sim em preencher a grade curricular.

– Ah, não. Temos outra Courtney?

– Fica quieto, Nick – uma garota disse. Harry se inclinou discretamente para procurar a dona da voz e a encontrou sentada na primeira carteira bem à frente da mesa do professor.

– Vem fazer – Nick rebateu, com um sorriso malicioso nos lábios.

– OK, deixe para flertar lá fora, pode ser, Nick?

O garoto riu como resposta. Logo depois dirigiu para Harry um olhar que ele soube exatamente o que significava: "Fica de boca fechada". Bom, era o que ele pretendia fazer. Não era da conta dele, afinal.

– Agora abram as apostilas na página 86. Quero todos os exercícios respondidos até o final da aula. Harry, poderia vir até minha mesa?

O garoto levantou o olhar para o professor que tomava assento em sua mesa, na frente da turma. Se levantou e caminhou até lá desviando das bolsas e mochilas no caminho.

– Sim? – ele disse assim que se aproximou.

– Gostaria de saber o que estava estudando no seu antigo colégio. Sei que os conteúdos são muito diferentes e quero ter certeza de que você vai conseguir acompanhar a turma.

Ele pensou em mentir que estava estudando algo a ver com a época renascentista – já que nem mesmo sabia o que estava sendo passado em sua antiga escola –, mas se teria a oportunidade de acompanhar a turma, se distrair com os estudos e o que quer que fosse, aproveitaria.

– Na verdade, professor, tenho muita familiaridade com livros. Então, o que quer que seja, acho que dou conta.

– Fico muito feliz de ouvir isso. Vou começar a falar sobre literatura inglesa. Juro que é uma coincidência! – ele sorriu. – Vamos começar com Charles Dickens. Pode começar a ler algum de seus livros se for te fazer acompanhar melhor.

– Certo, professor...

– Oliver.

– Professor Oliver, ok.

O professor assentiu e fez sinal com a mão para que ele voltasse para seu lugar.

– ... e não se esqueçam de começar a ler o livro! Já quero comentários na próxima aula! – o professor Oliver falava alto enquanto os alunos saíam da sala ao som do sinal.

Os corredores estavam cheios de adolescentes muito diferentes uns dos outros. A grande maioria era composta por mauricinhos e patricinhas, com suas roupas caras, cabelos perfeitos e ar de superioridade. O resto era apenas um grupo cheio de diversidade, desde estilos completamente monótonos, até geeks e góticos. Todos caminhavam conversando até suas aulas. Harry checou seu horário e começou a caminhar até a sala.

O resto das aulas seguiram da mesma maneira da primeira: ele se apresentando para a turma e depois ficando quieto prestando atenção na aula simplesmente por não ter mais nada pra fazer. Não viu Andrew, Nick ou Amy até aquele momento, mas todos estavam lá no horário do almoço, os três juntos em uma mesa acompanhados de um grupo de amigos. Harry passou direto por eles e seguiu para a fila, onde pegou seu almoço - um hambúrguer e um refrigerante. Parado na frente daquele lugar enorme, ele tentou localizar um lugar para se sentar. Havia apenas uma mesa vazia e foi a que ele escolheu. Por um momento pensou que algum mauricinho dono do pedaço - como Nick, por exemplo - colocaria o pé na frente dele para fazê-lo cair e derrubar a comida em sua bandeja como nos filmes, mas era apenas uma escola com pessoas normais e, talvez, civilizadas. Pelo menos ele esperava que fossem assim. Tudo o que mais queria era normalidade pelo menos uma vez na vida. Duvidava que conseguiria aquilo um dia.

Quando passou pela mesa onde eles estavam, sentiu o olhar da garota em suas costas.

– Harry – ela chamou delicadamente. – Onde está indo?

Ele a olhou como se ela fosse idiota. A resposta era óbvia, não?

– Ok, deixe eu reformular. Por que não se senta com a gente?

Harry olhou para os outros presentes na mesa. Eles lhe dirigiam um olhar estranho, como se ele fosse algum tipo de inseto. Como se fossem melhores que ele e que qualquer um naquele lugar.

Ela o olhou.

– Tem um lugar aqui – ela apontou para a ponta da mesa, ao lado de uma garota loira de olhos claros.

Ele se sentou, mesmo sabendo que iria se arrepender.

– E aí, cara? – Andrew o cumprimentou. Harry apenas acenou com a cabeça.

Nick, com a boca cheia de comida, não falou nada, mas fingiu ser uma garota dando oi sensualmente. Todos da mesa gargalharam.

– Harry, essa é a minha melhor amiga, Claire – Amy apresentou a garota ao lado de Harry. – Esse é o Josh. Esse é o Alex. E essa é a Beatrice.

Todos os apresentados lhe deram oi, sem tirar a expressão estranha do rosto. Aquilo incomodou Harry mais do que deveria. Quem eles pensavam que eram?

– Então, Harry, você sempre fala tanto assim? - um dos garotos perguntou, mas ele não se lembrava se ele era o Josh ou o Alex.

– É melhor quando ele tá quieto, acredite em mim - Nick riu.

– Eu sei responder sozinho – Harry disse.

– Viu só?

– Parem – Amy reclamou. – Não sei se você sabe, Nick, mas isso se resolveria se você fosse um pouco mais legal.

Não, Amy, não resolveria.

– Você consegue conversar com todos se tiver a atitude certa.

Você está enganada.

– Olá, Harry, meu amor. Como você está no dia de hoje? – Nick disse sorrindo. – Está bom pra você, Amy?

Harry suspirou audivelmente, o que fez com que Amy o olhasse completamente inexpressiva.

– Acho que sei o que tá faltando, Nick – Andrew falou colocando as mãos em concha no tórax como se fossem seios.

E, então, foi a vez de Nick o olhar. Mas ele tinha uma expressão, e era de desconfiança.

– Vocês poderiam ser um pouco menos idiotas? – Amy se levantou.

– Onde você vai? – Claire perguntou.

– Terminar de almoçar, é claro. Vem, Harry.

– Não vou fugir de uns caras que acham que conseguem me intimidar – Harry disse sem desviar o olhar dos dois garotos.

– Não é fugir, é apenas almoçar em paz.

Isso aconteceria se eu comesse sozinho.

– Vai lá - Nick abriu um sorriso. – Não perde a oportunidade.

Ele se aproximou e cochichou tão baixo que Harry quase não ouviu: – Aproveita que ela é fácil.

– Harry? – Amy chamou. Nick se afastou sorrindo para ele.

Harry ignorou o que ele disse. Sabia que ele estava apenas tentando mexer com a cabeça de dele. A boa notícia é que ele não conseguiria. Não se importava se ele dava em cima de outras garotas na aula. Não se importava se ela era fácil ou difícil. A única coisa com que se importava estava fora daquele colégio, em algum lugar. Talvez atrás dele, talvez não. Mas estava lá.

Se levantou e seguiu Amy até a mesma mesa vazia que ele havia avistado. Ela ficou em silêncio por alguns instantes, parecendo temerosa de perguntar.

– Você quer saber o que ele disse – Harry supôs, a observando.

– É tão óbvio? - ela riu fraco. – O que ele disse?

Ele pensou se deveria contar, mas a questão de não se importar se estendia a não se intrometer, não interferir. E foi o que ele fez.

– Não importa – ele deu de ombros e começou a comer seu hambúrguer.

Ela levantou uma sobrancelha. – Pra mim importa. Eu sou a namorada dele.

– Por que?

Ela pareceu ter sido pega de surpresa. Estalou a língua antes de falar. – Pensei que só eu fizesse perguntas pessoais.

Ele deu de ombros de novo.

– Não preciso que responda. Só acho que ou o que ele disse é verdade, ou você não respeita a si mesma, o que é triste.

Ela se ofendeu profundamente com aquilo. Sabia que era o que todos pensavam e só se sentia pior ao ver os olhares quando estava junto de Nick. Eles a julgavam e ela sabia disso.

– Você é tão babaca quanto eles.

– Me diga se eu estiver mentindo – ele disse calmamente.

Amy o fuzilou com os olhos antes de se levantar e pegar sua bandeja. Quando fez menção de sair, mudou de ideia e se abaixou. Olhou diretamente nos olhos de Harry. – Vá se foder.

Foi então que ela saiu e Harry a perdeu de vista. Depois daquilo, só falou com ela na sexta. Na festa de Nick. Céus, como ela chorava naquela noite.

Soube que tinha atingido um ponto fraco naquele momento, mas não se arrependeu. Ele fez de propósito. Queria que ela o odiasse. Ele não se permitia ter gente se importando com ele, mesmo que apenas um pouco. Amy? Bom, era óbvio que ela se importava com todo mundo e ela sabia muito bem que ele era quebrado. Má notícia, princesa. Não se concerta um vaso despedaçado com fita adesiva. Você apenas joga ele fora e compra um novo.

Harry demorou o máximo possível para terminar seu almoço, aguardando o sinal para as aulas. Foi apenas quando ouviu ele soando pela escola que se levantou e se juntou ao grupo de pessoas que seguia para fora do prédio. Nem mesmo precisou olhar em seu horário para saber que tinha que se dirigir ao ginásio. Era a aula que ele menos queria ter. Era bom com livros, arte, fotografia, mas quando se tratava de esportes ele era uma negação. Bom, precisava preencher sua grade curricular de qualquer maneira.

Quando entrou lá viu que alguns alunos já estavam prontos, apenas esperando o professor. Por isso caminhou em passos largos até o vestiário. Foi então que se lembrou de que não sabia qual seu armário. Ótimo, o primeiro dia de aula sempre tem que ter algo de errado.

– O professor tem o número dos armários do vestiário – um garoto de cabelos escuros falou se aproximando. Ele segurava um par de óculos de grau na mão direita. – Ninguém te falou?

– Não – ele respondeu.

– Bom, agora você sabe. Me chamo Eliot – ele estendeu a mão.

Ele o cumprimentou. – Harry.

– Seja bem vindo, Harry.

– Valeu – ele disse indiferente.

Quando o professor chegou, ele finalmente soube qual era seu armário e trocou de roupa a tempo para a aula. Quando correu para a quadra, os alunos já estavam se dividindo em times. Ele se juntou ao grupo de gente que ainda estava esperando ser escolhido e fingiu estar muito interessado em um ponto no chão um pouco mais à frente.

– Harry – ele ouviu uma voz dizer. Quando levantou o olhar, viu que era um dos garotos que estava escolhendo o time. Estranhou que ele soubesse seu nome, mas então viu Eliot logo atrás dele.

Caminhou até o grupo e esperou em silêncio até que todos os alunos foram escolhidos. Quando se perguntou o que iriam jogar, o professor – com a ajuda de um aluno – colocou a rede de vôlei na quadra.

– Você sabe jogar? – Eliot disse se aproximando de Harry.

– Sou péssimo.

– Porque não nos avisou, cara? A gente deixaria você pro outro time, pra eles perderem.

Antes que Harry pudesse dar alguma resposta sarcástica, o professor se encaminhou para o lado da quadra e assoprou o apito.

– Se posicionem! – ele gritou.

– Vem, você pode ficar na rede. É mais fácil de tocar.

Todos se posicionaram e logo perceberam a vergonha que Harry estava passando por não conseguir marcar ponto algum, mas ainda assim passavam a bola para ele, gritando coisas como "Vai, Harry!" e "No chão!". E então ele conseguiu marcar um ponto antes do jogo acabar, fazendo com que o time ganhasse a partida. Os outros garotos foram para cima dele comemorando e Harry riu fraco dando um empurrão em Eliot, que bagunçava seu cabelo.

– Tô querendo dar mais estilo pra esse cabelinho – Eliot riu.

Todos caminharam até o vestiário e tomaram banho antes de trocar de roupa. Quando estava em frente ao seu armário, Eliot apareceu novamente. Harry percebeu que seus óculos estavam tortos, mas não comentou.

– Qual sua próxima aula?

Harry verificou no celular. – Física.

– Infelizmente para você, não é a minha aula – ele riu. – Vai ter que se virar sozinho.

Ele cerrou os olhos levemente antes de responder.

– Tenho certeza de que consigo.

– Tá certo. Nos vemos por aí, Harry.

O garoto saiu em passos largos e se juntou novamente ao grupo de amigos. Saíram conversando até que Harry os perdeu de vista e trancou seu armário. Saiu devagar, ignorando o pouco tempo que tinha para chegar até a sala. De qualquer maneira, não era como se ele fosse aprender alguma coisa daquela matéria.


Na manhã seguinte, Harry repetiu o dia anterior: se arrumou pela manhã ignorando as falhas tentativas de Nick e Andrew de fazer ele se irritar; caminhou até sua primeira aula acompanhando o mapa e ignorando o que acontecia ao seu redor; se sentou na última carteira e prestou atenção na aula. Na hora do almoço, passou pela mesma mesa do dia anterior, ocupada pelas mesmas pessoas, e pegou seu almoço. Quando teve que escolher um lugar para se sentar, correu os olhos pelo lugar procurando Eliot, mesmo sem saber o motivo. Não era como se eles fossem amigos, mas ele ficou aliviado quando o garoto viu que ele estava ali e logo se levantou para ir até ele.

– Ei, Jay! – um dos amigos de Amy que Harry ainda não conseguia lembrar o nome, o chamou. Ele achou estranho, mas logo percebeu que tinha sido Nick quem pediu que ele o chamasse. Amy estava ao lado dele, mas nem mesmo levantou o olhar. - Senta aqui com a gente.

– Desculpa caras – Eliot disse, parando ao lado da mesa –, mas ele vai sentar com a gente hoje. Sabe como é, alguém tem que livrar os novatos das garras de vocês.

Nick cerrou os olhos, mas antes que ele conseguisse responder, Andrew o impediu.

– Deixa pra lá, cara, ele não é importante assim.

Harry não sabia de quem exatamente ele estava falando, mas não ficou lá muito tempo para descobrir. Logo que Eliot lhes dirigiu um sorriso irônico, os dois caminharam até a mesa onde ele estava com um pequeno grupo de amigos.

– De nada, aliás – Eliot disse se sentando.

– Valeu – Harry colocou sua bandeja na mesa e se sentou.

– Galera, esse é o Harry. Esses são Jake, Sarah e Jordan.

Todos eles acenaram e Sarah até mesmo sorriu. Ele apenas esboçou um meio sorriso e começou a comer.

– Então você é o discípulo que Eliot resolveu salvar – Jordan brincou.

– Discípulo?

Eliot balançou a cabeça rindo. – Toda vez que algum aluno novo entra na escola, esse grupinho tenta ganhar um novo membro. Você deu sorte de eu ser bastante prestativo.

– É, mas eu ainda sou do mesmo dormitório que eles, então não é como se eu fosse me livrar por completo.

– Você é o novo colega de quarto deles? – Jake riu. – Bem, veja pelo lado bom, você vai ter várias garotas se jogando pra você.

– Ah, então eles são esse tipo de grupo.

– Os populares, você quer dizer? Sim, eles são. Meio que comandam a escola.

– Acho isso muito cena de filme de adolescente, se você quer saber – Sarah comentou. – Como em Mean Girls.

– É como no filme? – Harry perguntou.

– Conhece a Amy? – Jordan perguntou.

Harry apenas balançou a cabeça em afirmativo.

– Por ela ser filha do diretor, não preciso nem dizer que todos têm medo dela. O sr. West é muito rígido e se algum aluno quebra alguma regra, tem punição. E se ela diz que você quebrou alguma regra, bom, não tem nada que você possa fazer que vai te livrar. A palavra dela pra ele é absoluta.

Harry olhou para ela por cima do ombro. Ela ria de alguma piada que contaram, mas não parecia que ela realmente tinha achado graça. Parecia forçado, mesmo que ele não conseguisse ouvir. Apenas ver. Desviou o olhar quando viu que ela olhava na direção em que ele estava.

Quis dizer que ela lhe pareceu diferente dos outros do grupo e que até mesmo se perguntou porque ela estaria ali, mas não se deu ao trabalho. Sabia que tipo de comentários viriam se fizesse isso.

– Mas então, Harry, de que lugar da Inglaterra você veio? – Sarah perguntou.

– Você fala como os meus tios que moram no interior – Jake comentou.

– Nasci em Holmes Chapel.

– Nunca conheci, sempre preferi os lugares mais quentes. Falando nisso, o que levou um britânico a se aventurar na Califórnia?

Harry deu de ombros, como se não soubesse a resposta.

– Já morei aqui quando era pequeno.

– Não deixaria San Diego por nada – Sarah sorriu.

– As praias... – Jake começou.

– As garotas... – Eliot continuou.

– Os garotos... – Jordan acrescentou rindo.

– Ah não, Jordan, você tem um péssimo gosto para os garotos daqui.

– Ainda não acredito que você namorou o Andrew.

Harry ficou surpreso ao ouvir aquilo, mas não da maneira como os outros imaginaram ao ver a sua expressão.

– Pelo menos não foi o Nick – ele tentou consertar.

Eliot concordou. – Isso eu jamais perdoaria.

O sinal soou estridente pelos autofalantes e logo várias pessoas começaram a levantar apressadas.

– Faz três dias que estamos aqui e já tá todo mundo desesperado pra ir embora, céus – Sarah comentou observando toda a movimentação.

Harry tinha se esquecido completamente de que já era sexta, ou seja, o dia de irem para casa. Quando leu as instruções do colégio que era dada para os alunos novos, viu que havia a opção de ir embora apenas no sábado, ou até mesmo passar o fim de semana todo ali. Mas tudo que ele queria era ter aqueles dias sozinho.

– Eu também tô desesperado pra ir pra casa, então... – Harry disse se levantando. – Até mais.


Harry jogava as roupas de qualquer jeito dentro da mala. Se sua mãe estivesse vendo lhe daria uma bronca e, claro, lhe mostraria como é que se fazia – o que basicamente significa que ela faria as malas para ele. Por um momento se permitiu sentir saudade, mesmo que não sentisse que tinha esse direito depois da maneira que tratou seus pais. Muito menos depois de ter feito eles sofrerem tanto.

Saiu bruscamente do transe quando a porta de seu quarto abriu. Pensou que um dos dois companheiros de quarto tivesse esquecido alguma coisa, mas viu que era apenas Eliot puxando sua própria mala.

– Você ainda não terminou? Cara, todo mundo já foi embora.

– Não sou todo mundo.

– Deve ter ouvido muito isso da sua mãe quando queria ir em alguma festa. E por falar nisso...

– Nem vem – Harry balançou a cabeça sutilmente.

– É só dizer sim ou não – ele disse impaciente.

– Não.

– Mas, cara...

– Olha, eu estou completamente aliviado de finalmente poder ir pra casa e ir pra festa não é uma coisa que eu planejo fazer.

– Eu entendo que você não vai com a cara do Nick, mas pensa nas garotas que vão ter lá. Tem cada uma... – ele colocou a mão em concha na frente do peito para insinuar seios grandes. Nem mesmo precisou finalizar a frase.

– Por mais que pareça ótimo... – ele fez careta, olhando as mãos de Eliot – Eu passo.

– Faça o que quiser. Mas não diga que eu não avisei.

– Muito obrigado pelo conselho, querido amigo – ele fechou a mala e começou a caminhar com o garoto para fora do quarto, logo em seguida entrando no elevador. Harry apertou o botão para o térreo.

– Tá, o problema não é comigo, já você trata todo mundo com indiferença. Qual é o problema?

Harry o olhou, se segurando para não revirar os olhos de novo. Ele saiu do elevador e caminhou até a entrada do prédio.

– Ok, ok. Se você quer ficar quieto, que seja.

– Pelo menos você sabe quando passou os limites. A maioria das pessoas não sabe o que é isso.

– Bom, eu não culpo eles... É difícil não ficar curioso, ainda mais quando você se recusa a responder qualquer coisa.

Harry o olhou feio.

– É, ok. Dessa vez eu cruzei a linha de propósito.

– Você tá me fazendo mudar de ideia sobre essa história de sermos amigos – ele caminhou até seu carro, que se lembrava exatamente onde estava.

Eliot suspirou. – Foi mal, cara.

Harry deu de ombros e destravou as portas do carro. – Até segunda.

– Ou até hoje à noite...

– Até segunda – ele repetiu firme.

Dessa vez quem revirou os olhos foi Eliot.

– Qualquer que seja o motivo que você tenha pra não ligar pra nada, você devia parar e viver a sua vida. O mundo tá cheio de garotas, ou garotos se é o que você prefere. Cheio de festas, bebida, diversão. Não faça a merda de ficar parado odiando todo mundo, isso só te faz ser um imbecil.

Aquilo atingiu Harry de uma maneira que não deveria. Ele queria tudo aquilo. Queria ser um adolescente normal, apenas isso. Queria poder ir para festas beber, ficar várias com garotas das quais nem se lembraria o nome, se divertir com amigos. Mas não era a realidade dele. Era uma realidade distante. A realidade de Harry era ter criminosos atrás dele. Como você deixou que sua vida chegasse à esse ponto?, ele pensou.

Harry abriu o porta-malas e colocou sua mala lá dentro. O fechou devagar. – Vou pensar – ele disse simplesmente e entrou no carro.


A noite chegou mais rápido do que Harry conseguiu acompanhar. Assim que chegou em casa, a primeira coisa que fez foi largar a mala em qualquer lugar e ir direto para a praia. O sol forte fez sua pele arder, mas ele não se importou. Precisava urgentemente relaxar. Depois disso, tratou de ir em um supermercado comprar mantimentos, já que não tinha mais quem fizesse isso por ele. Com isso feito, retornou para casa e simplesmente se jogou no sofá, feliz por não ter nada para fazer e nem ninguém para lhe importunar. Mas logo a noite chegou e essa felicidade se transformou em tédio, o que o fez levantar e tomar uma ducha. Decidiu andar de carro por aí, sem destino.

Antes de sair, viu sua câmera em cima da mesa de centro, parecendo estar sendo usada como decoração. Ela era muito mais que isso. Era a maior paixão da vida dele. Por isso, ele caminhou até lá e a pegou hesitante. Havia muito tempo que ele não fazia aquilo, parecia algo completamente estranho. Até mesmo pensou em deixá-la em Londres, mas não conseguiu se conter.

– Você não está segurando uma arma, Harry – ele falou sozinho ao perceber que analisava a câmera com um olhar estranho.

Saiu do apartamento trancando a porta atrás de si e entrou no elevador, apertando o botão para o andar subterrâneo logo em seguida. Verificou se a câmera estava com cartão de memória e ficou feliz ao constatar que sim.

Ao chegar no estacionamento logo visualizou seu carro estacionado em sua vaga ao lado de uma coluna com a letra C. Entrou nele e colocou a câmera no banco do passageiro. Ficou empolgado por estar indo fotografar. Antes de sair da garagem ligou o rádio, escolhendo a estação com a música menos barulhenta.

A noite estava linda, mas quanto mais ele se aproximava do centro, mais as estrelas sumiam. Não deixou isso o abalar, apenas continuou dirigindo até uma praça que parecia estar sempre cheia. Era o que queria naquele momento. Fotografar esses momentos em que as pessoas estão com os amigos, com a família. Quando era mais novo costumava tirar fotos do vazio, das paisagens. Ele tinha mais prazer em desenhá-los. Mas tanto já havia mudado até aquele momento, porque não mudar aquilo também?

Estacionou algumas quadras afastadas da praça, já que não encontrou vaga mais perto, e começou a caminhar até lá com a câmera pendurada no pescoço.

Foi então que viu a possibilidade da foto perfeita. Já que era uma criança, se viu obrigado a perguntar para os pais se poderia fotografar.

– Ei, com licença – ele disse se aproximando da família. – Eu sou fotógrafo, será que poderia tirar algumas fotos dela? – ele apontou para a garota segurando vários balões. Ela sorriu amigável para ele. Crianças.

– Ah... Claro, porque não? – o pai disse. – O nome dela é Ashley.

Harry assentiu e se abaixou ao lado dela. – Oi, Ashley. Meu nome é Harry. Quantos anos você tem?

Sabia que tinha que ganhar a confiança dela, ou as fotos não saíram boas. Aprendeu isso em uma aula de fotografia que teve quando tinha 14 anos. A pessoa que servisse de modelo para as fotos só daria o resultado esperado se simpatizasse com o fotógrafo. Acho que é o único jeito de eu não mandar alguém para o inferno, ele pensou.

Tleis – ela disse lhe mostrando três dedos. Harry sorriu.

– Eu tenho 18, mas pareço ter 3 também, não acha?

Pelo canto do olho, viu a mãe da garota sorrir para o marido.

Ashley balançou a cabeça para os lados.

– Jura? – ele disse. – Bom, tá vendo essa câmera aqui? – ele a levantou. – Eu sou fotógrafo. Você se importa se eu tirar algumas fotos suas?

A garotinha olhou para os pais antes de responder e, quando eles acenaram que sim, ela se virou para Harry. – Tudo bem.

– Muito obrigada. Podem voltar a caminhar e fazer o que quer que vocês queiram fazer. Só vou acompanhar de longe, não se sintam acanhados. Vou avisar quando terminar.

– Certo, Harry – a mãe da garota disse. – Vamos, Ash?

A garota segurou a mão da mulher e os três voltaram a caminhar como estavam fazendo antes de serem abordados pelo garoto.

Ele seguiu os três de longe, captando os momentos que a garota sorria animada para algo, ou quando os balões balançavam ao vento enquanto ela corria. Harry ficou feliz com o resultado, por isso caminhou em passos largos até eles.

– Já terminei.

– Posso ver? – o homem perguntou.

Harry estendeu a câmera. – Claro.

O homem pegou a câmera e sorriu ao passar as fotos.

– Ficaram incríveis. Você tem algum estúdio ou algo assim?

Harry balançou a cabeça.

– Só gosto de fotografar por aí. Gosto de usar as fotos para desenhar.

– Isso é muito legal. Mas se quiser ganhar uma grana extra, ficaríamos felizes se você pudesse fotografar a Ashley.

– Tipo, fazer um álbum?

– Exatamente.

– Bom, eu... Ah, claro. Pode anotar meu número.

Harry passou o número para o homem, que salvou em seu celular.

– Ok, vou entrar em contato e podemos marcar pra essa semana.

– Na verdade... – ele começou, mas parou ao sentir seu celular vibrar em seu bolso. – Desculpe – ele levantou o dedo indicador, pedindo que ele esperasse. O homem respeitou, e esperou parado onde estava.

Eliot, ele leu na tela assim que pegou o aparelho. Com um suspiro irritado ele atendeu a ligação. Assim que atendeu soube que ele estava na festa de Nick.

– Alô? - ele ouviu a voz de Eliot do outro lado da linha. Harry precisou apertar o celular contra a orelha para conseguir entender o que o outro falava. Ele falou alguma coisa, mas Harry não conseguiu entender.

– Eliot, tem muito barulho, não consigo te entender.

– Vem pra cá - ele gritou dessa vez. – Preciso de uma carona.

– Você não pode chamar um táxi?

– Eu tô sem grana. Ah, eu acho que vou vomitar.

– Eu realmente não precisava saber disso - ele suspirou. – Me manda o endereço por mensagem.

– Ok! – ele gritou e desligou.

Harry pendurou a câmera novamente no pescoço.

– Como eu estava dizendo – ele se virou novamente para o homem. – Eu estudo em um colégio interno, então só estou disponível nos fins de semana.

– Ah, bom, não vai ser um problema.

Harry assentiu. Assim que a garotinha se despediu, os três voltaram a caminhar e por um momento o garoto os observou. Mas logo caiu em si e caminhou até o carro. Quando chegou lá, viu que Eliot já havia enviado o endereço. O colocou no GPS e começou a dirigir pelo trânsito que parecia piorar a cada hora que se passava.

Depois de quase 30 minutos ele finalmente se aproximou da casa de Nick. Ficava em uma rua plana em um bairro residencial que com certeza era nobre. As casas eram gigantescas. Ao longe, viu uma casa com todas as luzes acesas e, ao se aproximar mais, ouviu música que tocava no último volume. Como os vizinhos não chamaram a polícia?

Não conseguiu uma vaga perto de lá, já que a rua estava totalmente cheia de carros, por isso dirigiu até a rua de trás e estacionou em frente à um playground.

Quando deu a volta, entrou pela porta da frente, que estava destrancada, e fez uma careta ao se encontrar no meio de todo aquele barulho. Mandou uma mensagem para Eliot dizendo que já tinha chegado e esperou na porta. A casa era tão incrível por dentro quanto era por fora. As paredes eram de cor creme, a mobília era de madeira escura e vários quadros com paisagens estavam espalhadas pelas paredes. Sentiu seu celular vibrar e viu que era uma mensagem de Eliot. Tô do lado de fora, ele dizia.

Já querendo ir pra casa, Harry andou até o lado de fora esbarrando em várias pessoas que não lhe davam licença. Acabei de me lembrar porque não vou à festas.

Viu Eliot do outro lado da piscina, com uma cerveja na mão. Quando viu Harry, acenou com os braços ao alto. O garoto caminhou até ele com o cenho franzido.

– Achei que estava passando mal – Harry falou alto perto do ouvido de Eliot, já que a música estava alta demais.

– Nah, minha tolerância é alta – ele disse dando uma risada logo em seguida.

– Então porque diabos me chamou aqui? – ele perguntou irritado.

– Não é óbvio? Cara, eu sei que você não ia vir por vontade própria.

Harry revirou os olhos e se preparou para se virar, quando Eliot o puxou de volta pelo ombro.

– Ok, fica pelo menos vinte minutos. Se você quiser ir embora depois disso eu prometo que te deixo em paz.

– Caramba, por que quer tanto que eu fique?

– Porque eu sou um bom amigo, seu grande imbecil. Se você não vai viver sua vida por vontade própria, eu vou te obrigar a fazer isso.

– Você é um idiota.

– Posso até ser, mas você é quem vai ser o idiota se não ir ali falar com a Sarah – ele disse apontando para a garota de cabelos castanhos que olhava para Harry com um sorriso. – Ela ficou caidinha por você, mas não diz que eu te contei.

Harry olhou para Eliot e suspirou. – Vinte minutos.

Eliot comemorou. – Toma – ele entregou uma cerveja para ele.

Ele pegou a garrafinha e brindou com Eliot. Logo depois, tomou um longo gole. O maior motivo de ele andar até a garota foi calar a boca do outro garoto, mas não pôde deixar de não ficar interessado quando ela se aproximou vendo que ele ia até ela. Ela tinha cabelos ondulados que iam até a metade das costas e um olhar que mataria qualquer um. Seus lábios não tinham batom como a maioria das garotas ali e ele logo deduziu o motivo.

– E nos vemos novamente – ela disse assim que ele se aproximou. Logo depois, apontou para a bebida de Harry. – Posso?

Ele deu de ombros e lhe entregou a garrafa. Ela tomou um longo gole e a devolveu.

– Gostei do seu cabelo solto.

– Jura? Acho que não seria má ideia deixar ele mais vezes assim.

– Não mesmo – ele bebeu mais um gole de bebida.

– Seu sotaque é sexy – ela sorriu. Ele não pôde deixar de retribuir. Achou engraçado como ela estava tão solta, mas não sabia se ela era tão diferente no dia a dia, já que não havia convivido com ela.

– Fico lisonjeado. Pra falar a verdade, não percebo que tenho tanto sotaque até alguém comentar.

– Sabe, você fica bem mais amigável sem a postura misteriosa.

– Posso ter uma atitude diferente quando tô interessado em algo.

– E no que você tá interessado?

Ele não respondeu, o que fez Sarah rir. Ela olhou em volta para as pessoas que dançavam ao redor da piscina e pareceu ter uma ideia. – Dança comigo.

– Não sei dançar – ele disse.

– Essa desculpa não cola comigo – ela riu e o puxou pela mão.

Quando olhou para trás viu que Eliot comemorou para ele.

Sarah o puxou para o lado de dentro e parou perto da escada. Pareceu esperar que Harry tomasse a iniciativa, mas ele não o fez. Então ela revirou os olhos rindo e se aproximou dele, colocando as mãos em seu ombro. Ele automaticamente colocou a mão desocupada em sua cintura e ela começou a balançar para os lados no ritmo da música. O garoto riu ao ver como ela estava completamente desengonçada e ainda assim continuava, sem ligar para os que estavam ao redor. Na verdade, ele acreditava que nenhum deles se lembraria de mais de três momentos daquela festa, já que via todos virando bebida atrás de bebida. Por esse exato motivo, decidiu não tirar vantagem de Sarah. Apenas ficaria os 20 minutos que prometera à Eliot e quem sabe iria conversar com ela no colégio - uma área livre de álcool. Mas quando a garota sorriu para ele e jogou a cabeça para trás enquanto dançava, fazendo seus cabelos balançarem, ele soube que seria difícil resistir.

– Você tá fazendo uma cara engraçada – ela disse próximo ao ouvido dele.

– Tô me perguntando o quão bêbada você tá – ele disse e tomou um gole de cerveja logo em seguida.

– A raiz quadrada de 121 é 11.

– Uma nerd? Ok, vamos fazer um teste. A raiz quadrada de 256.

Ela ficou em silêncio por um momento, como se estivesse calculando mentalmente. – 16?

– Eu não faço ideia – ele disse a empurrando levemente para o lado da escada. A encostou na parede fria e a beijou calmamente. Logo ela aprofundou o beijo e arranhou a nuca do garoto. Alguns instantes se passaram até que eles pararam para tomar fôlego e a garota aproximou a boca do ouvido dele.

– Vamos lá pra cima – ela falou e Harry podia sentir a respiração quente dela em seu rosto.

O garoto levantou uma sobrancelha e ela fez uma careta ao entender.

– É preciso muito mais que isso pra transar comigo, lindinho – ela disse prontamente. Ele levantou as mãos na altura do rosto em sinal de rendição.

– Nem mesmo passou pela minha cabeça.

– Ah, claro. Acredito em você – ela riu e segurou a mão dele, o puxando escada acima. Os dois deram de cara com um corredor cheio de portas e, hesitante em entrar em algum quarto ocupado, o garoto seguiu para o final do corredor, que ele descobriu estar ligado à outro corredor. Achou a casa exagerada, mas pelo menos aquela parte estava vazia. Abriu a porta do quarto à esquerda e se preparou para sair quando viu que a luz estava acesa, mas então viu que Amy estava deitada na cama, olhando para o teto e abraçando uma almofada.

– Amy? – ele a chamou. A garota se assustou e olhou para a porta rapidamente. Ela tinha os olhos inchados e vermelhos, o rosto molhado em lágrimas. Quando viu que Harry estava acompanhado, pareceu surpresa.

– Ah, me desculpe, será que vocês podem ir pra outro quarto? Eu realmente preciso... – ela não terminou a frase.

Quando Harry fez menção de sair, Sarah lhe dirigiu um olhar. Ela o puxou para fora do quarto e lhe deu um beijo curto.

– Vá falar com ela.

– Mas...

Sarah olhou para trás. – Vou te esperar aqui – ela apontou para outra porta.

Harry mordeu o lábio, indeciso. Sarah percebeu e riu.

– Vai logo – ela o empurrou de leve.

– Hum, certo – ele falou e esperou que ela fosse para o outro quarto antes de tomar coragem para entrar. Não queria nem um pouco conversar com Amy sobre qualquer que fosse o motivo para ela chorar. Especialmente depois de ela mandar ele se foder e ter sumido pelo resto da semana, assim como ele queria.

Ele fechou a porta atrás de si e colocou as mãos nos bolsos.

– O que aconteceu? – ele perguntou. Ela levantou o olhar.

– Não se preocupe. Pode voltar pra lá.

– Amy, você estava claramente chorando. E, cá entre nós, ninguém se tranca sozinho em um quarto pra ficar olhando pro teto durante uma festa.

Ela suspirou.

– Peguei o Nick com outra garota. Bem aqui nessa cama. Nós brigamos feio.

Harry deveria ter se sentido surpreso, mas não foi o que aconteceu. Depois de ver ele dando em cima da garota na aula de literatura, mesmo que por brincadeira, soube que ele seria capaz de trair Amy. Com certeza já tinha feito isso antes. Mas ele não disse nada disso pra ela.

– Você não parece surpreso. Bom, eu também não fiquei, se você quer saber.

Harry balançou a cabeça confuso.

– Então porque estava com ele?

– Você já me fez essa pergunta. Vai dizer que eu não tenho respeito próprio de novo?

– Se você não está surpresa por ele ter te traído e ainda assim esteve com ele durante sei lá quanto tempo, quem sabe?

Ela o olhou irritada.

– Caramba, você é realmente um idiota. Acha que pode chegar na minha frente e achar que sabe tudo da minha vida? Nós não vivemos em um filme, não sou a patricinha perfeitinha que você pensa.

– Você não precisa descontar sua mágoa em mim.

– Ah, você com certeza pode falar algo assim, já que não faz isso. Trata as pessoas assim por felicidade? Droga, Harry, você deixa tudo estampado na sua cara.

– Ah, é? – ele a desafiou. – Fale o que pensa.

Amy o olhou com os olhos frios.

– Você passou por alguma mágoa gigantesca que causou uma ferida que não cura. Isso te deixou fechado, distante. Tem medo de se magoar de novo. Tem medo de se importar. Diria até que tem medo de se importarem com você. Mas posso te contar um segredo? Você está no mundo real. Todos vão pisar em você e não é se isolando que você tá impedindo isso.

Harry a olhou irritado. Irritado por ela ter acertado tão em cheio. Ela ter conseguido perceber aquilo em apenas alguns momentos que passou com ele o deixou furioso.

– Você não sabe nada da minha vida – ele disse baixo, sem ter certeza de que ela ouviu. – Eu tava tentando te apoiar aqui. Se quiser ficar sozinha e chorando o problema é completamente seu.

Ele se virou e começou a andar.

– Eu tinha um melhor amigo – Amy disse apressada.

Harry parou antes de chegar na porta.

– O que?

– O nome dele era Darren. Ele tinha a mente tão louca quanto eu e foi o que nos fez virar amigos tão rápido.

Ele se virou novamente para ela. Ela parecia se xingar mentalmente por estar falando.

– Amy, eu não sei porque está me contando isso, mas eu...

– Só cala a boca – ela disse entre dentes e respirou fundo antes de começar. Ela olhava para as próprias mãos em cima do colo, parecendo abalada em falar sobre isso. Pois então, por que diabos ela estava falando? – Ele dormia no exato dormitório em que você dorme agora, Harry. Na exata cama. Ele gostava de desenhos animados, era fascinado por música e, por alguma razão que eu ainda não compreendo, ele me entendia perfeitamente. Mesmo sem palavras, ele sabia o que eu estava sentindo. Bastava um olhar para ele saber que precisava me abraçar, ou que precisava rir junto comigo. Para ele, me fazer feliz era fundamental. E eu sentia o mesmo por ele. Não de maneira romântica, nós não passamos por isso. Era apenas uma amizade pura e verdadeira.

Harry cerrou os olhos, sem entender onde ela queria chegar com aquilo.

– Ele era tudo pra mim. Até que um dia, ele e Nick saíram de carro. Nick estava dirigindo, os dois estavam indo para uma festa na casa de um cara do time que eu nem mesmo lembro o nome. E então houve o acidente. Sabe aquela cicatriz que o Nick tem debaixo do nariz? Bom, é daí que vem. Ele deu de cara no volante. O Darren? – ela fez uma pausa antes de continuar. Aquilo parecia torturante para ela.

– Amy, você não precisa me contar.

– O outro carro bateu em cheio no banco do passageiro. Ele chegou ao hospital com vida, mas...

Harry ficou em silêncio por um momento, sem saber o que dizer. Sabia exatamente qual era a sensação de perder alguém que significava tudo no mundo. Como se isso não bastasse, sabia qual era a sensação de estar no acidente. De se odiar por não ter morrido. Deveria ter sido ele, não ela.

Ficou inseguro se deveria se sentar ao lado dela ou não. Sentiu que ela precisava de um ombro; parecia tão frágil, tão humana. Mas ele não conseguiu. No momento em que um tijolo de seu muro caiu, ele ergueu mais dois no lugar.

– Eu sinto muito – ele disse por fim, com uma voz baixa. Se surpreendeu por Amy ter escutado, já que a música alta se infiltrava no local.

Um indício de sorriso surgiu no rosto de Amy, mas ele desapareceu tão rápido quanto surgiu.

– Depois do funeral eu finalmente tive coragem de ir até o quarto dele. Deitei em sua cama. Olhei suas fotos. E então Nick entrou. Ele parecia tão arrasado quanto eu, se sentia culpado. Ele nunca se perdoou pelo que aconteceu, mesmo que o outro carro tenha batido no dele, não o contrário. Nós conversamos pela primeira vez. Ele parecia ser o único que entendia a dor que eu estava sentindo, Darren era tão importante pra ele quanto era pra mim. Eu acabei me tornando um apoio para ele; e ele para mim. É por isso, Harry, que eu namorava o Nick. Não por não me dar respeito. Não por eu ser fácil. Não por diversão. Eu estou com ele porque, de maneira quebrada, ele entende.

Harry assentiu com a cabeça levemente, querendo lhe dizer sem palavras que havia entendido. Mas não concordava, de modo algum.

– Eu também perdi alguém importante – ele disse antes mesmo de conseguir se conter. Se xingou mentalmente por isso, mas quando Amy o olhou inexpressiva, ele prosseguiu. – A minha irmã.

– A que te ensinou a dançar? – ela perguntou franzindo o cenho. Harry assentiu. – Mas, eu achei que...

– Foi um acidente de carro também. Eu estava lá. E meus pais também. Minha mãe se recuperou completamente em alguns meses, mas a Emily... – ele não conseguiu terminar a frase. Fechou os punhos com força e tentou não deixar a lembrança daquele dia tomar conta de sua mente.

– Eu sinto tanto, Harry.

O garoto balançou a cabeça. – Eu só quero dizer que sei como se sente. Ela era tudo pra mim. Depois disso parece que o mundo...

– Perdeu o sentido? – ela sorriu sem ânimo. – Eu sei.

Os dois ficaram em silêncio, olhando para as próprias mãos. Estavam constrangidos e nem mesmo sabiam exatamente o por quê.

– Você respondeu algo significativo – ela disse depois de alguns instantes, com um meio sorriso.

– Você não perguntou – ele disse.

– Você quis me contar.

Ele suspirou. – Não pense que porque te contei uma coisa vamos ser amigos e compartilhar segredos.

– Tudo bem - ela disse erguendo as mãos na altura da cabeça, em sinal de rendição. – Mas se sinta livre quando quiser conversar. Claro, se for civilizadamente.

Ela se levantou ajeitando os cabelos atrás das orelhas e colocou as mãos nos bolsos da saia jeans que vestia.

– Não sei se você percebeu, mas eu não sou do tipo que se abre.

– Você é do tipo que se fecha. Não, você se tranca, com sete cadeados. Mas tudo bem pra mim. Você pode guardar seus segredos, eu não vou perguntar.

Ele levantou uma sobrancelha. – Fácil assim?

– Eu descobri o seu segredo, Harry. Você só se abre quando sente confiança na pessoa. No meu caso foi porque você se identificou com a minha dor. Bom, tem mais de onde essa veio, então sei que você vai acabar me dando as chaves. Não tenho pressa alguma.

Harry mordeu o lábio, se odiando por ter aberto uma brecha. – Não vai rolar, West.

Ela não disse nada, apenas sorriu fechado e saiu caminhando até o corredor. Harry se levantou e saiu do quarto. Quando estava prestes a atravessar o corredor, Amy parou de andar subitamente.

– Harry?

Ele a olhou.

– Sim?

Ela andou até ele e parecia envergonhada. Ele franziu o cenho.

– Eu ia passar a noite aqui, mas não dá mais porque... – ela limpou a garganta. – E a Clay foi embora com um cara do segundo ano... Eu iria pra casa, mas estou sem carro e...

Harry suspirou, sabendo exatamente onde aquilo ia parar. Não soube o que fazer.

– Será que eu posso... passar a noite na sua casa?

Ele a olhou, em dúvida. Não queria, não mesmo.

– Eu prometo que de manhã bem cedo peço uma carona para a Claire.

Ele suspirou de novo. Sem nem mesmo responder, ele levantou o indicador para que Amy esperasse e cruzou o corredor, entrando no quarto onde Sarah o esperava. Ao vê-la ali ele sentiu vontade de deixar Amy plantada, mas sabia qual a coisa certa a fazer. Por isso, foi até a garota. Assim que se aproximou, ela o beijou. Por alguns instantes o garoto retribuiu, mas logo separou o beijo.

– Eu tenho que ir – ele disse. Ela pareceu desapontada. – A Amy tá mal, então vou levar ela pra casa.

– Ah, eu entendo. Mas você volta?

– Acho que não. Mas, hm, será que você pode me passar seu número?

Sarah sorriu desanimada e estendeu a mão. Harry desbloqueou o celular e o entregou.

– Pronto – ela disse lhe estendendo o celular depois de salvar sei número ali.

– Ok, vou indo – ele disse e, antes de se afastar, lhe deu um selinho demorado.

– Tchau, Harry.

O garoto saiu do quarto e viu que Amy continuava no mesmo lugar, olhando o movimento do corredor. Quando viu Harry, logo falou.

– Eu sinto muito por atrapalhar. Se você quiser eu...

– Ela entendeu – ele disse dando de ombros. – Vem.

Amy assentiu com a cabeça e o seguiu pela casa, desviando de várias pessoas pelo caminho. Quando se aproximaram da entrada, viram que Nick estava perto. Harry quis verificar com Amy se estava tudo bem pra ela passar por ali, mas antes que pudesse perguntar algo a garota empinou o nariz e andou cada vez mais rápido até lá. Quando Nick pareceu prestes a dizer algo, ela passou direto por ele e cruzou a porta. Quando foi a vez de Harry passar, recebeu um olhar inexpressivo, mas ele sabia bem o que se passava na mente dele.

Se eles já tinham problemas por motivo nenhum, Harry não queria nem ver como seria com Nick achando que ele estava com Amy. Não que ele não merecesse, é claro. Mas não era da conta de Harry, preferia ficar longe de confusão. Por isso, simplesmente saiu com Amy e a levou até o apartamento.



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