História Broken - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Harry Styles, One Direction
Personagens Harry Styles, Personagens Originais
Tags Drama, Fanfic, Fanfiction, Fic, Harry Styles, One Direction, Romance
Visualizações 24
Palavras 7.342
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 7 - 6 – Living like a normal teenager


Fanfic / Fanfiction Broken - Capítulo 7 - 6 – Living like a normal teenager

"You're only looking for attention

The only problem is you'll never get enough" - Attention (The Weeknd)

(Você apenas está procurando por atenção / O único problema é que você nunca vai conseguir o suficiente)


Harry fechou a porta atrás de si e colocou as chaves em cima de uma mesinha de madeira ao lado da entrada. Amy pareceu tímida ao caminhar até a mesa de centro e olhar em volta. Ela olhou o painel de madeira escura onde a TV estava pendurada e a pequena estante logo embaixo dela, mas não comentou o fato de não ter porta retratos ali, como deveria ter, mesmo claramente tendo notado isso. Olhou o sofá acinzentado com almofadas escuras; a parede da esquerda, ao lado da porta, onde havia um grande quadro com uma pintura de um parque de Londres que ele mesmo fizera; a cozinha do outro lado do balcão que separava os cômodos; e, por fim, seus olhos pousaram no cinzeiro em cima da mesa de centro. Ele não sabia muito bem o que dizer. Não planejava levar ninguém até ali; era como se fosse seu refúgio. E, apenas uma semana depois, havia uma pessoa no meio de sua sala de estar. Não se sentia confortável com isso, mas também não se sentiria confortável deixando ela sozinha, sem opção do que fazer. Conseguia ser um babaca quando queria, mas não era egoísta. Se ela precisava então, bom, ele ajudaria.

– Você fuma?

Harry a olhou como se ela fosse a pessoa mais idiota do mundo.

– Acho que isso é um sim. Seus pais não vão se importar de eu ficar aqui?

Sabia que responder aquilo só traria mais perguntas, mas não pretendia responder nenhuma, então apenas falou a verdade.

– Eles moram em Londres.

Ela pareceu surpresa.

– Ah, interessante.

Ele levantou uma sobrancelha. – Sem perguntas?

– Eu disse que não vou perguntar.

– Hm, ok. Obrigado.

Amy sorriu fechado.

– Se sinta à vontade pra pegar algo na cozinha.

– Certo.

Quando viu a garota se sentando no sofá, ele se virou e foi em direção ao corredor. Entrou no quarto que ainda não tinha decoração – apenas uma cama com lençóis brancos e cobertor cinza –, e abriu seu closet. Não tinha muita coisa lá e, por um momento, quis seu closet de Londres. Era perfeitamente arrumado, já que a família tinha uma pessoa para cuidar disso. Era o quarto dele desde os 7 anos, quando seu pai comprou aquela casa, então, tudo que ele tinha estava lá. Sua primeira câmera profissional. O primeiro desenho do qual se orgulhou, aos 13 anos, que fez quando estava com sua mãe no jardim e a viu olhando para as nuvens com os olhos apertados por conta do sol, pensando que aquela cena daria uma ótima foto. Mas como estava sem câmera, apenas começou a rabiscar em seu caderno, sem ideia de que aquele seria um de seus melhores desenhos. Também tinha lá uma caixa com as fotos que tirou de Emily quando ela decidiu que queria ser modelo. Ela desistiu alguns meses depois, mas ele ainda tinha as fotos. Era um cara de lembranças, afinal.

Mas ali em San Diego ele não tinha nada. Não tinha fotos, família. Ele não não se sentia em um lar. Isso o deixava mal, já que durante os dois últimos anos, pouco se importou com qualquer pessoa ao redor dele. Não se surpreendeu quando seus pais passaram a ignorar a presença dele. E, agora, ali naquele apartamento em outro continente, ele se sentia um completo babaca. Como você deixou sua vida chegar à esse ponto?, ele se perguntou novamente, pelo que pareceu ser a centésima vez.

Finalmente caiu em si e pegou um travesseiro e um cobertor no fundo do closet. Quando voltou para a sala, viu que Amy estava segurando a câmera que ele havia acabado de usar. Aquilo o irritou e ele nem mesmo sabia o por quê.

– Não mexa nisso – ele disse. A garota se virou para ele com uma expressão confusa.

– Não sabia que você fotografava.

– Amy, me dá isso – ele disse colocando as coisas ao lado dela no sofá. A garota pareceu hesitar, sem entender porque ele estava reagindo assim, mas entregou a câmera. – Eu não fiz um quarto de hóspedes, então...

– Tudo bem, muito obrigada.

– Ok – ele disse vendo que ela se levantava. Foi até lá e puxou os assentos do sofá para frente para que eles ficassem maiores e ela tivesse mais espaço para dormir. – Amy?

Ela se virou para ele. – Sim?

– Porque você não foi pra sua casa?

Ela pareceu surpresa com a pergunta.

– É só que, quando você me pediu para ficar aqui, falou sobre não querer ficar na casa do Nick, sobre a Claire já ter ido embora, mas não disse nada sobre sua casa.

Amy baixou o olhar.

– Eu e o meu pai não temos uma relação muito boa. Depois do que aconteceu com o Nick eu só... Eu não queria voltar pra casa logo depois. Só ia piorar.

Harry assentiu, sem acrescentar mais nada. Não sentiu que deveria se intrometer nisso.

– Boa noite.

Ela suspirou, parecendo frustrada. Talvez com Harry, talvez com Nick, com o pai. O garoto não fazia ideia. Mas, por fim, ela olhou pra ele.

– Boa noite, Harry.

[...]

– Sabe, Harry, essa não ficou tão boa quanto a outra – Emily disse apontando as fotos sobre a mesa da sala de jantar. Vez ou outra ela pegava uma delas para ver mais de perto. – Mas essa, ah! É a minha favorita.

– Só porque seus olhos ficaram mais claros - ele riu. – Minha favorita é essa – ele apontou para uma em que ela estava sorrindo olhando para baixo, parecia que tinha os olhos fechados.

– Já que é assim, também vou usar ela.

– Agora você aceita conselhos meus? – ele levantou uma sobrancelha.

– Como não poderia aceitar conselhos de alguém que tirou fotos para o meu portfólio completamente de graça? – ela sorriu brincalhona.

– E quem é que disse que eu tô fazendo isso de graça?

O sorriso no rosto de Emily sumiu em um segundo.

– Do que você tá falando?

Harry gargalhou.

– É brincadeira. Mas eu bem que queria uma lente nova – ele sorriu tentando fazer sua expressão mais fofa.

Emily revirou os olhos.

– Vou pensar no seu caso.

– É por isso que você é a minha irmã favorita.

– Eu sou sua única irmã, idiota – ela riu lhe dando um tapa de leve na cabeça.

– E é a favorita – ele insistiu.

O celular da garota vibrou em cima da mesa e Harry o pegou antes que ela pudesse.

– Noah, uh?

– Harry, me devolve isso!

– "Você tá linda na sua nova foto de perfil, quando vou poder ver pessoalmente de novo?" – o garoto leu em voz alta, fazendo com que Emily olhasse rapidamente em volta conferindo para ver se alguém estava por perto. Quando constatou que não, voltou a olhar para ele.

– Harry Edward Styles – ela lhe dirigiu seu olhar mais irritado. Ele sorriu interessado enquanto entregava o celular.

– Acho que acabei de ganhar um novo meio de te chantagear.

– Você não ousaria.

– Você ainda duvida de mim, não é mesmo? Vou aceitar aquela lente nova. E sorvete.

– Não vou deixar você me chantagear, maninho – ela falou semicerrando os olhos.

– Ô MÃE – ele gritou.

– Eu vou te matar – ela sussurrou. – Escolhe a merda da lente.

– E o sorvete?

Ela suspirou.

– E o sorvete.

– É ótimo fazer negócios com você, Emily Styles. Ainda mais quando a mamãe não tá em casa – ele sorriu vitorioso por ter conseguido enganá-la.

A garota pareceu se tocar.

– Você é tão idiota que chega a ser esperto.

– Prefiro pensar que eu sou um gênio.

[...]

Harry acordou por volta das 4h da manhã. Ficou alguns bons minutos tentando adormecer novamente, mas não teve sucesso. Muitas lembranças atormentavam sua mente. Tudo o que conseguia fazer era fechar os olhos e se sentir irritado com aquilo. Emily voltara a ser protagonista em seus pensamentos depois de tanto tempo que conseguiu passar sem nem mesmo pensar em seu nome e ele só desejava poder ver ela pelo menos mais uma vez.

Completamente frustrado, ele decidiu se levantar para ver se conseguia acalmar a mente. Saiu da cama rapidamente, embora estivesse muito cansado, e pegou um maço de cigarros na gaveta. Sabia que aquilo só iria piorar a insônia, mas preferia isso do que sonhar com ela. Não encontrou um isqueiro, por isso saiu do quarto e caminhou silenciosamente até a sala. Amy parecia dormir profundamente, por isso ele tentou fazer o mínimo de barulho ao abrir uma das gavetas da estante e pegar um isqueiro. Mas não bastou, já que ele pôde ouvir ela resmungando enquanto acordava.

– Harry? – ela disse em um sussurro sonolento.

– Desculpa, foi sem querer – ele se levantou já com o isqueiro na mão.

– Tudo bem – ela se sentou coçando os olhos. – Que horas são?

– Quatro.

– Hum, isso é estranho.

– Eu não consigo dormir, então levantei. Mas volta a dormir, eu fico no meu quarto.

– Não, sem problemas.

– Certo – ele concordou e acendeu a luz.

Harry acendeu o cigarro e guardou o isqueiro novamente na gaveta enquanto via Amy se esticar e pegar o celular na mesa de centro. Mas de repente ela viu a tatuagem que o garoto tinha no peito.

– O que é?

– Uma caveira mexicana.

– Porque uma caveira mexicana?

Ele deu de ombros, sem dizer nada.

– É bonita.

– Valeu – ele disse, de repente passando os dedos sobre a tatuagem.

Quando olhou de volta para a garota viu ela franzir o cenho para o celular. Ele quis perguntar, mas antes que ele pudesse ela colocou o aparelho novamente no lugar onde estava e se levantou.

– Pode me dizer onde fica o banheiro?

Ele apontou para o corredor. – Segunda porta à esquerda.

Ela assentiu e foi na direção indicada. Harry continuou ali, tragando o cigarro. De alguma maneira estranha aquilo lhe fazia ficar calmo. Ele tinha se focado naquilo para esquecer o verdadeiro problema, mas não era como se realmente funcionasse. Além disso, não conseguiria fazer aquilo na escola sem ser percebido e prometera para os pais que não arrumaria encrenca. Então a tortura ficava cada vez maior e ele contava os segundos para sair de lá.

Alguns instantes se passaram e logo Harry saiu do transe ao ver Amy voltar para a sala. Ela soltou um pequeno suspiro ao ver que ele ainda estava lá e então pareceu perceber a expressão curiosa em seu rosto.

– Meu irmão vai voltar pra cá – ela disse de repente.

Isso só traz mais perguntas do que respostas, ele pensou.

– Isso não deveria ser bom? – ele perguntou.

– É maravilhoso na verdade – a garota se sentou novamente no sofá e abraçou as próprias pernas. – Só não para a minha saúde mental naquela casa.

Quando viu que ele estava mais confuso do que antes, ela suspirou e continuou.

– Eu não tenho uma boa relação com meu pai e o Adam muito menos. Chegou à um nível que ele foi morar com a nossa tia na França com a desculpa de que queria "descobrir o mundo" – ela fez sinal de aspas com as mãos. – Depois de tanto a minha tia insistir, meu pai acabou concordando e ele já está lá há quase 2 anos. Parece que ele cansou de caçar francesas por lá e quer voltar.

– Seu pai é realmente babaca assim? – ele perguntou sendo indelicado sem intenção. Mas não retirou o que disse.

– Vai me dizer que seus pais não são nem um pouquinho chatos?

Harry soltou fumaça pela boca fazendo com que uma careta se formasse no rosto da garota, mas ela não reclamou.

– Você disse que não ia perguntar – ele esticou a mão para o cinzeiro.

– Qual é, foi apenas uma perguntinha de nada. Posso saber o por quê de eu nem mesmo poder falar a palavra "pais" perto de você? Será que você pode me dizer, Harry, o que aconteceu? – ela perguntou, de repente com uma voz mais alta que o normal.

Harry teve vontade de rir e não conseguiu esconder isso ao falar.

– Você tá gritando.

– Você tá me deixando louca.

Dessa vez ele realmente riu.

– É engraçado pra você?

– Na verdade, é sim. 

Quando viu a garota revirando os olhos, apagou o cigarro no cinzeiro e começou a ir em direção ao quarto.

– Eu sinto muito – ela falou alto quando ele já estava no corredor. O garoto se virou novamente para ela – ... por qualquer coisa que tenha feito você se fechar tanto e ter tanto medo de confiar. Se soubesse que pode confiar em mim, talvez não estivesse tão sozinho.

Ele caminhou até ela e chegou tão perto que ela até mesmo se assustou.

– Você não quer me ajudar, só é tão mimada e curiosa que não aceita quando alguém te diz não. Para de tentar, porque eu nunca vou confiar em você. Conseguiu entender?

A garota sorriu ironicamente. – Entendi perfeitamente.

– Ótimo.

– Sabe, você entra tão na defensiva que a situação fica até engraçada. Me faz pensar que o que quer que você tenha passado não é nada demais. Você apenas quer usar como desculpa pra ser um completo idiota com as pessoas.

– Além de irritante agora você julga a dor alheia?

Amy riu. – Acho que foi você quem acabou de fazer isso. Mas pode deixar, vou adicionar isso ao meu currículo.

Harry revirou os olhos impaciente e fez menção de sair.

– Já vai? Posso ficar nisso a noite toda.

– Olha, Amy, eu não me importo com as brigas que você tem com o Nick, com seu pai, ou com quem quer que seja, então para de tentar arrumar discussão comigo só porque você tá acostumada com isso.

– Eu não tô acostumada a nada!

– Não é o que parece. Você diz que não é princesinha do papai, mas nada do que você faz tá me fazendo pensar o contrário.

– Ei, eu...

– É madrugada, eu realmente quero dormir. Tenha uma ótima noite – ele disse com tom de voz sarcástico e caminhou em direção ao seu quarto.

Como já sabia, a sua insônia só tinha piorado, e ele demorou muito pra conseguir pegar no sono. Quando acordou e se lembrou de que Amy tinha passado a noite ali, suspirou cansado se preparando para mais uma discussão.

Se levantou e fez sua higiene matinal o mais devagar possível. Quando voltou para o quarto viu uma ligação perdida em seu celular. Não conhecia o número, mas retornou.

Alô? – uma voz masculina disse do outro lado da linha.

– Alô, quem é?

Sou James, pai da Ashley.

– Ah, certo.

Será que você estaria disponível hoje?

Harry caminhou porta a fora e procurou por Amy. Ela parecia não estar em lugar algum.

– Sim, estarei. Que horário é melhor pra você?

Antes do almoço, de preferência. Estaremos ocupados depois disso.

– Ok. Vocês já sabem onde querem fazer as fotos?

Tem um parque aqui perto de casa, é um dos lugares favoritos dela. Vou te mandar o endereço.

– Certo. Te encontro lá às... – ele olhou a hora. – 10:30?

Combinado.

Quando o homem desligou, Harry calçou um tênis e ajeitou o cabelo rapidamente no espelho da sala. Logo depois, foi até o closet em seu quarto e trocou a lente da câmera e também o cartão de memória. Agora estava pronto.

Tá acordada?, ele mandou para a mãe, enquanto pegava as chaves do carro. Foi quando viu um pedaço de papel em cima da mesa de centro. Ele foi até lá e o pegou.

"Me desculpe por ontem a noite. É errado julgar as pessoas sem nem mesmo saber do que está falando. Mas não se preocupe, não vou insistir mais.

E obrigada por me deixar passar a noite, me ajudou muito.

xx Amy"

Harry franziu o cenho enquanto amassava o papel. Não teve muito tempo pra pensar sobre o assunto, já que sentiu o celular vibrar.

Sim, aconteceu alguma coisa?, ele leu.

Sem nem mesmo responder, ligou para ela. Sabia que esse tipo de ligação custava uma fortuna, mas sua mãe insistiu que ele não mantesse contato só por mensagem. Depois de apenas um toque, ela atendeu com a voz sonolenta.

Oi, Harry.

– Oi, mãe – ele disse saindo do apartamento. O elevador chegou rapidamente, já que não havia mais ninguém o usando, então logo ele estava no estacionamento do prédio.

Como você tá? Já faz dias que não dá notícias, fiquei preocupada.

– Desculpa, ando de cabeça cheia.

Ele caminhou até sua vaga e entrou no carro. Colocou o celular no viva voz e o deixou no seu colo enquanto começava a dirigir.

Aconteceu alguma coisa?

– Não, só parece que eu voltei a viver como um adolescente normal.

Isso é bom, não é? Faz a cabeça ficar mais limpa.

– Somos todos problemáticos.

Ela deu uma risada curta. – Adolescentes e seus problemas gigantescos. O que é? Problema com alguma garota?

– Por incrível que pareça, sim. Mas não é nada de...

Tudo bem, você não precisa me explicar. Mas sabe que seria bom se envolver com as pessoas, não sabe?

– Eu não quero que aconteça de novo – ele falou simplesmente.

O que?

Ele hesitou por algum tempo. Fazia muito tempo que não conversava de verdade com a mãe, não sabia como se sentia sobre se abrir com ela. Mas, afinal, quem mais ele tinha?

– Eu me lembro da expressão de vocês quando foram me buscar na delegacia – ele disse finalmente. – E também de quando contei tudo. Eu nunca nem mesmo cheguei a pedir perdão.

Eu te perdoei no mesmo segundo, meu amor. É isso que país fazem, amam incondicionalmente seus filhos. Pra mim você continua sendo aquele mesmo garoto que ria de qualquer coisa e era apaixonado por arte.

O coração de Harry apertou.

– Meu pai não pensa assim.

Liz suspirou.

Tente se colocar no lugar dele. Vocês eram tão próximos, quando ele soube o motivo de você ter se afastado tanto, ficou decepcionado por você não ter confiado nele.

– Eu confio em vocês. Só não confio em...

Eu sei. Só dê tempo para ele.

Harry olhou para a bolsa da câmera em cima do banco ao lado.

– Eu tô indo fazer um ensaio fotográfico - ele falou de repente.

Jura? – ela disse parecendo surpresa. – São ótimas notícias!

Harry sorriu um pouco. – Eu sei. Conheci essa família ontem a noite e eles querem que eu faça um ensaio com a filhinha deles. Acho que é uma boa.

Eu estou muito feliz de ouvir isso. Pode me mandar algumas fotos depois?

– Claro. Mas me diz, como andam as coisas por aí?

Ah, o de sempre. Seu pai trabalhando até tarde, eu sempre tentando matar o tempo. As coisas ficaram muito... Monótonas.

Ele queria estar lá. Conversar de verdade com os pais, acabar com a tensão entre eles. Queria que as coisas voltassem ao normal. Mas não disse nada disso, continuava não se sentindo no direito.

– Sinto muito – ele disse estacionando em frente à um café.

Não se preocupe.

Os dois ficaram em silêncio enquanto ele descia do carro, e o silêncio continuou mesmo quando ele tirou a ligação do viva voz e entrou no estabelecimento. Ele caminhou até o balcão e se sentou. Sem nem mesmo olhar o cardápio, pediu um capuccino e alguns donuts.

Fiquei curiosa sobre seus problemas com garotas.

Harry revirou os olhos, pois sabia que ela tinha tirado conclusões precipitadas.

– Não é nada disso. Mas ela é extremamente curiosa e nós não podemos ficar muito tempo juntos sem discutir. É irritante.

Quem sabe ela não seria uma boa amiga se vocês tentarem conversar?

– Nem pensar.

Bom, eu acho... – ela começou, mas se interrompeu. – Seu pai está aqui. Quer falar com ele?

– Não.

Ah, ok.

– Eu só não acho que nós dois deveríamos ter uma conversa dessas pelo telefone.

Eu entendo. Bom, vou te deixar em paz pra comer. Não se esqueça de dar notícias.

– Ok, tchau.

Tchau.

[...]

Amy desceu do táxi e, depois de pagar, caminhou para dentro do colégio, seguindo o caminho de pedras sobre a grama até o prédio. Como estava praticamente vazio, não teve que parar para cumprimentar alguém, apenas entrou no escritório de seu pai para descobrir que ele não estava ali. Achou estranho, já que ele havia dito que passaria o final de semana resolvendo alguns problemas urgentes.

Com um suspiro cansado ela saiu do prédio e correu pelo estacionamento até encontrar sua vaga. Entrou no carro e o manobrou para fora do colégio, até uma pequena estrada feita especialmente para chegar até a mansão. Alguns longos minutos depois ela estacionou o carro em frente ao portão e viu o carro do motorista da família no gramado. Franziu o cenho e se apressou a entrar em casa.

– Pai? – ela chamou, logo recebendo uma resposta.

– Oi, filha – ele disse entrando na sala de estar. Amy estava prestes a responder, quando viu Adam surgir atrás dele, com um pequeno sorriso nos lábios. Ele continuava com os mesmos cabelos escuros, mas na altura das orelhas. Via as fotos dele em redes sociais, mas ele parecia muito diferente pessoalmente. Parecia um completo estranho.

– Oi, maninha. Você parece chocada.

– Quando me disse que voltaria, não achei que seria hoje.

– Não gostou da surpresa?

– Claro que gostei – ela sorriu fechado e caminhou até ele. Os dois se abraçaram por alguns instantes, até que o garoto a soltou.

– Onde esteve?

– Dormi na casa da Clay – ela mentiu. – Você tá com sotaque?

– Ah, estou? Eu não percebi – ele riu. – Talvez a viagem tenha me afetado mais do que eu pensava.

– Vamos conversar sobre essa viagem – ela sorriu e estendeu a mão pra ele.

– Certo – ele segurou a mão da garota, que o puxou até seu quarto.

Percebeu que o local havia mudado drasticamente desde a última vez em que se viram. As paredes que antes eram rosa, agora estavam cobertas por um papel de parede estampado com cores mais neutras, menos chamativas. Antes a porta de vidro que dá para a varanda ficava completamente descoberta, já que eles não estavam tão perto de alguém que pudesse espionar. Mas de um tempo pra cá, ela sentiu que ela melhor mudar isso, por esse motivo agora era ela coberta por uma cortina florida, tão delicada que nem mesmo parecia dela.

Adam pareceu analisar cada detalhe ali, que ela conhecia como a palma da mão. Não disse nada, entretanto.

Amy fechou a porta devagar e cruzou os braços enquanto ele passava os dedos sobre um porta retrato na cômoda.

– É, eu mudei a decoração do meu quarto – ela soou impaciente, sem intenção.

– Ficou bonito.

– Obrigada.

Ele sorriu. – Parece que você quer me perguntar alguma coisa.

– Porque voltou?

Ele deu de ombros.

– Senti saudade.

– Eu tô falando sério, Adam.

– O que te leva a pensar que eu não estou? É verdade. Voltei por sua causa.

Ela não acreditou.

– E o papai?

– O que tem ele?

– Aquilo vai se repetir? E eu não me refiro apenas à última briga, eu estou me referindo a tudo.

– Amy...

– Eu não tô brincando. Você sabe que eu também discuto com ele o tempo todo, mas você é diferente. É tão duro, tão insensível. Jogou a morte da mamãe na cara dele e ainda quer que eu fique só parada vendo?

– Ele mereceu. Te tratou como lixo.

– E isso é problema meu. Por favor, Adam, não se intrometa mais nisso.

– Como você disse: só quer que eu fique parado vendo?

– Sim, é exatamente o que eu quero que faça.

– Então me diga, Amelia, como foi o tempo que eu passei fora? Vocês viraram melhores amigos? Compartilham segredos? Ele passa tempo com você? Dá atenção aos seus problemas?

– Você pode odiar ele o quanto for, mas ele vai ser seu pai pra sempre.

– Ele vai ser meu pai quando agir como um. Como você consegue defender ele é o que mais me surpreende.

– Eu não tô defendendo ele! – ela praticamente gritou. – Eu tô me defendendo. Você justifica as suas ações dizendo que tá me defendendo, mas se lembra como eu ficava depois de cada briga? Sempre tudo caía sobre mim e eu ficava tão mal por isso! Você brigava por mim mas nunca sequer se importou de perguntar como eu me sentia.

Adam a olhou parecendo dividido. A garota sabia que ele estava dando razão pra ela, mas não acreditava na possibilidade de ele admitir.

– Será que agora as coisas podem ficar um pouco menos tensas? Se não puder ser capaz de ver nele um pai, pelo menos ignore. É o que eu faço na maior parte do tempo.

– Amy...

– Por favor, Adam. Eu prometo que não precisa ser tão ruim. Ele continua não dando atenção pra alguma coisa além do colégio, então...

– Assim é bem fácil de ignorar – ele sorriu cínico.

– Eu não disse que é fácil passar por isso.

– Desculpa por ter te deixado sozinha.

Ela ficou surpresa e não conseguiu esconder isso.

– Eu também teria ido pra França se tivesse chance.

– Eu te chamei pra ir comigo.

– Ele continua sendo nosso pai. Não sei como somos tão diferentes quanto a isso, mas eu tenho bem mais compaixão.

– Gêmeos... Sempre roubando as qualidades do outro.

Ela riu. – Roubei toda a beleza também.

– E toda a humildade, como posso ver – ele riu. – Mas saiba que eu me dei muito bem com...

– Eu realmente não quero saber – ela interrompeu.

– Tá certo. Vamos falar de você então. Uns meses atrás você me contou que tava namorando. Como tá indo?

Ela mordeu o lábio, hesitando. Não tinha falado sobre aquilo com ninguém ainda.

– Eu acho que isso é um não – ele observou. – O que aconteceu?

– Eu prefiro não falar sobre isso. Vou dizer que terminamos ontem e nada mais.

– Ah, ferida recente. Bom, sinto muito. Se quiser conversar...

– Obrigada – ela disse incerta.

[...]

Harry olhava as fotos passarem na câmera enquanto James e a esposa estavam pendurados ao lado dele sorrindo ao ver o resultado. Ashley brincava na grama sem preocupações. O garoto tinha simpatizado com ela, com a sua inocência. Achava fascinante como uma criança não fazia ideia das coisas que aconteciam no mundo ao redor e conseguiam ser felizes por isso. Mas então elas cresciam e o mundo real as engolia. Ninguém era criança para sempre, infelizmente.

– Você é muito bom nisso – a mulher comentou. – Conseguiria fazer carreira facilmente.

– Obrigado – ele disse.

James tirou a carteira do bolso e pagou a quantia combinada para Harry, que colocou o dinheiro no bolso assim que o pegou.

– Estamos indo almoçar, não quer se juntar à nós?

– Eu... – ele começou, prestes a dizer que tinha outro lugar para ir, mas então viu o sorriso amigável nos rostos deles e simplesmente aceitou. – Ah, claro.

– É só seguir a gente – ele apontou para o carro.

Harry assentiu com a cabeça e entrou no seu próprio carro. Colocou o tripé no banco de trás e a câmera de volta em sua bolsa no banco do passageiro. Quando viu James saindo com o carro, saiu logo atrás, na mesma velocidade.

Depois de algum tempo, o carro da frente finalmente fez sinal para estacionar. Como não tinha outra vaga ali em frente ao restaurante, Harry virou e estacionou na outra rua. Harry o passo para voltar para a outra rua, já que não queria deixar eles esperando.

Os quatro entraram em silêncio e logo uma recepcionista os levou até uma mesa desocupada. Depois de Ashley ser colocada na cadeirinha, todos já estavam sentados. Harry pegou o cardápio e continuou em silêncio, ignorando completamente a conversa deles, até que Marisa se dirigiu à ele.

– Então, Harry, você disse que estuda em um colégio interno. É no Michigan West?

– É sim.

– Temos um filho que estuda lá também, está no segundo ano.

– Não conheço quase ninguém lá.

– Ah, você é novo?

Ele assentiu com a cabeça.

– Você tem sotaque forte, não me surpreende que tenha acabado de chegar na cidade – James comentou. – E seus pais?

– Continuam em Londres – ele respondeu em tom monótono enquanto tentava se decidir entre dois pratos.

– Eu com certeza não teria coragem de fazer isso – Marisa riu. – Quero dizer, deixar meu filho morar sozinho em outro país sendo tão novo como você.

– Foi preciso – ele disse simplesmente.

– O que quer dizer?

Harry deu de ombros e observou um garçom se aproximar da mesa. Todos fizeram seus pedidos e entregaram os cardápios.

– Você é sempre reservado assim? – Marisa perguntou, uma ponta afiada de desconfiança em sua voz. Harry fingiu não perceber e respondeu em um tom sem censura.

– Sim.

– Tenho certeza de que é um bom garoto – James falou, mais para Marisa do que para qualquer um.

– Em momento algum duvidei disso – ela abriu um sorriso.

– Então, Harry – o homem chamou, mudando de assunto –, o que seus pais fazem?

– Meu pai é produtor e minha mãe é arquiteta, mas faz algum tempo desde que ela fechou o escritório.

– Ah, é uma pena. Ela simplesmente desistiu?

Harry quis dizer que a mãe havia parado de trabalhar desde que Emily morreu porque, assim como ele, entrou em depressão. Harrison foi o que mais se conteve. Talvez se sentisse responsável por deixar o filho e a esposa mais confortáveis. Por exemplo, ao ver o estado de Harry, Liz apenas piorou, e vice versa. Foi bom que o pai tenha aparentado estar bem, mas Harry se preocupava por ele nunca ter procurado apoio. Apenas se virou sozinho.

– Acho que sim. Nós nunca questionamos – ele mentiu.

– Bom, se faz ela se sentir melhor – Marisa sorriu amigável de novo. – E ela fica sozinha lá? Ou você tem irmãos?

O garoto já começava a se chatear com tanto questionamento.

– Só eu.

– Oh, okay.

Sabia que ela estava o julgando mentalmente, mas não teve vontade alguma de se justificar para ela. Não importava o que ela ou qualquer pessoa pensava. Se seus pais entendiam, então era o suficiente para ele não morrer de culpa.

– Desculpe, eu não quis ser rude ou algo assim – ela disse. – Só fiquei curiosa sobre ela ter parado de trabalhar tão de repente e você estar em outro país sem...

– Minha irmã morreu alguns anos atrás e a minha família se despedaçou – ele interrompeu em um tom que mostrava que ele estava extremamente desconfortável. – Por isso ela fechou o escritório.

– Oh. Oh, meu Deus, eu não fazia ideia.

Harry ficou em silêncio, torcendo mentalmente para que a comida chegasse no próximo segundo e ele tivesse desculpa para não falar nada.

– Eu sinto muito pela sua irmã – James falou. O garoto havia simpatizado bem mais com ele, já que ele não era indelicado como a esposa.

Ele apenas assentiu com a cabeça, ainda sem querer falar. Estava segurando cada músculo do seu corpo para não levantar e ir embora. Não estava fazendo drama, apenas não achava que valia a pena gastar mais tempo ali.

Um silêncio desconfortável se instalou na mesa e, por sorte, a comida chegou. Harry não se incomodava com o silêncio como a maioria das pessoas, na verdade ele sempre ficava feliz com ele. Eles começaram a comer e, de vez em quando, um deles parava para ajudar a pequena Ashley.

Quando finalmente terminaram, James se ofereceu para pagar a conta e todos se levantaram para ir embora. Na hora de se despedir, Marisa o encarou como se esperasse que ele se desculpasse por deixar eles desconfortável.

– Valeu pelo almoço – ele disse e acenou para Ashley antes de sair.

[...]

Assim que acordou na segunda feira de manhã, a primeira coisa que viu foram as mensagens de Eliot perguntando que horas ele chegaria no colégio. Bom, se dependesse dele, chegaria tarde, mas não queria perder as aulas então disse que ia chegar nos próximos 45 minutos. Como já havia feito sua mala na noite anterior, não precisou de muito para sair de casa. Apenas tomou um banho, colocou novas roupas e saiu.

Ao chegar no colégio, se deparou com a mesma cena do primeiro dia e o fato de ainda não ter se habituado ao ambiente não ajudava. Simplesmente estacionou o carro e, quando desceu, viu Eliot se aproximando com Jordan.

Jordan sorriu. – Ouvi falar que você se deu bem com a Sarah na festa.

– Oi pra você também.

– Desculpa, cara, eu tive que contar – Eliot disse e soltou uma risada. – Mas você não vai gostar dos comentários que andam rolando por aí.

– Que comentários? – ele perguntou enquanto os três andavam para dentro do prédio principal.

– Viram você saindo da festa com a Amy.

Harry suspirou. – Não aconteceu nada do que vocês estão pensando. É sério – ele completou ao ver Jordan levantar uma sobrancelha para ele.

– Tudo bem, vou fingir que acredito. Até eu sei que é burrice não tentar nada com Amy West. E eu sou gay, então...

Os três entraram no elevador e Harry apertou o botão para o terceiro andar.

– Se não aconteceu nada, então porque vocês saíram juntos da festa?

– Não vou sair fazendo fofoca, até porque não é da minha conta. Eu só ajudei ela.

– Awn, nosso garoto misterioso fazendo caridade – Eliot disse colocando a mão no peito.

Harry revirou os olhos, já se arrependendo de ter comentado qualquer coisa.

– Foi mal – ele riu. – Mas, sabe, você é do mesmo dormitório que o Nick. Se ele acha que aconteceu alguma coisa, então...

– Não é como se ele precisasse de uma desculpa.

Eles saíram do elevador e ainda assim os garotos continuaram andando com ele. Harry franziu o cenho.

– Vocês vão mesmo me levar até a porta do meu quarto?

– Não temos nada pra fazer, então sim.

– Que sorte a minha.

– Vou fingir que você realmente quis dizer isso – Jordan disse enquanto o seguia pelos corredores.

Os três andaram até o quarto de Harry e, quando abriram a porta, deram de cara com Andrew desfazendo suas malas. Parecia que era sempre o Nick a chegar atrasado.

– Hey – ele disse quando os viu. Dirigiu um olhar estranho à Jordan, mas logo desviou.

– Oi – Jordan disse.

Antes que Andrew pudesse responder, Harry colocou a mala na cama e se virou para os garotos.

– Vamos ir fazer alguma coisa.

– Mas a gente não ia...

– Vamos – Eliot concordou claramente segurando a risada.

– Tá certo...

– Até mais, Andrew – Eliot mandou um beijo e soltou uma risada antes de sair do quarto junto com os outros e fechar a porta atrás de si.

– Okay, isso foi estranho – Jordan comentou.

– Eu já fico desconfortável normalmente, imagine trancado entre quatro paredes com ex casal.

– Já eu, fiz por você mesmo – Eliot disse.

– Vou fingir que as intenções do Harry não eram egoístas – ele riu. – Valeu.

– Tá, o que vocês querem fazer?

– Eu só falei aquilo pra sair de lá – Harry comentou.

– Mas agora é tarde, você vai ter que ter um pouco de diversão.

– Eu digo para irmos comer.

– Tudo que eu mais queria – Harry os acompanhou até o elevador.

Ao entrar, viram um cara de cabelos escuros e olhos cor de mel. Jordan pareceu reconhecer, mas também pareceu não ter certeza. Trocou olhares com Eliot, que assentiu com a cabeça.

O garoto se virou para ele e abriu um sorriso.

– Jordan.

– Ah, oi, Adam. Você desapareceu.

Ele deu de ombros. – A França estava bem legal.

– Porque voltou? – Eliot disse em tom afiado.

Adam sorriu de novo.

– Senti saudade, sabe como é.

– Claro.

Ele se virou para Harry. – E você, quem é?

– Harry.

– Muito prazer, Harry – ele disse assim que a porta do elevador se abriu. – Vejo vocês por aí – e saiu.

– Não acredito que ele voltou – Eliot comentou irritado enquanto eles saiam em direção ao refeitório.

– Já vi que não gostam dele, posso saber porque?

– Ele é irmão da...

– Amy. Ela me contou que ele ia voltar.

– Tão amiguinhos...

– Cala a boca.

Jordan riu. – Bom, eles são gêmeos. Você pode até achar que eles são igualmente ruins, mas ele é mil vezes pior. Parece que sente prazer em deixar as pessoas pra baixo. Eu realmente não entendo, só sei que não mexo com ele.

– Se Amy já inventou coisas pro pai dela uma vez, pode ter certeza de que ele inventou muitas vezes mais.

– Qual o ponto disso? – ele perguntou ao chegar no balcão. Pegou algumas panquecas e um suco.

– Vai saber. Talvez ele só seja problemático.

– Eu sou problemático. Ele parece ser pior.

Eliot deu de ombros. – Ele tem muita coisa errada na cabeça, disso eu tenho certeza.

– Olha só quem resolveu aparecer – Jordan sorriu largo para alguém atrás dele. O garoto se virou e deu de cara com Sarah.

– Hey – ele sorriu um pouco.

– Hey.

– Ok, eu não quero ficar de vela, então...

– Você é tão delicado, Eli.

– Awn, muito obrigado, Dan.

Harry os olhava estranho.

– O que?

O garoto balançou a cabeça e se sentou na primeira mesa vazia que encontrou. Os outros o acompanharam e Sarah foi buscar algo para comer.

– Então, você e a Sarah – Eliot disse sorrindo.

– Não começa.

– Acha que vai dar em alguma coisa?

Quando o garoto não respondeu, Jordan se pronunciou.

– A gente não vai contar pra ela.

Ele suspirou, sabendo que os garotos não iam deixar ele escapar da pergunta.

– Eu não sei, sinceramente.

– Bom, é uma pena.

– Ei, Eli, se lembra de quando você tinha uma quedinha por ela?

Harry olhou pra Eliot, levantando uma sobrancelha.

– Não se preocupe cara – ele riu. – Já faz bastante tempo.

– Não é com isso que eu fiquei preocupado.

– Ficou preocupado de ter furado olho? Eu que mandei você ir falar com ela, lembra?

– Lembro.

– Ela tá vindo, acho melhor mudarmos de assunto.

– Só vou mudar porque vocês me livraram de uma conversa estranha com o Andy – Jordan disse. – Mas na próxima eu vou fazer você passar vergonha.

– Eu gostaria muito de ver isso – Harry sorriu debochado.

– Porque eu ainda falo com vocês?

– Você tem muito amor no coração – Jordan brincou fazendo coração com as mãos.

O garoto revirou os olhos e então Sarah colocou sua bandeja na mesa, se sentando do lado de Harry. Ele não sabia como conversar com ela, pelo menos não com os garotos ali, então ficou em silêncio, apenas comendo.

– Sobre o que estavam falando?

Jordan revirou os olhos forçadamente. – Sobre o Adam. Ele voltou pro colégio, você viu?

Ela pareceu surpresa.

– Sério? Merda.

– Ele é tão ruim assim? – Harry perguntou e voltou a comer.

– Eu já fui muito próxima dele, uns anos atrás. Mas aí tivemos uma briga feia e não somos amigos desde então.

– Depois da briga ela quase foi expulsa do colégio porque ele inventou para o pai que ela tinha quebrado uma regra bem... Quente, se é que você me entende – Eliot riu.

– Entendi perfeitamente. Mas você não foi expulsa.

– Muito bem observado – ela riu. – Adivinha quem me defendeu? E o diretor ouviu, até porque...

– Amy?

– Exato. Foi tão estranho. Não é como se nós fossemos amigas, sabe? Nunca fomos. Mas pelo que me contaram, os dois brigaram feio, depois o pai deles brigou feio com o Adam...

– Aquela família é problemática – Jordan interrompeu. – Eu não chegaria nem perto se fosse você.

– Não tenho a mínima intenção de tentar – ele bebeu o último gole de suco. – As aulas vão começar daqui a pouco, vou ir pegar minhas coisas.

Jordan assentiu com a cabeça. – Vou ficar mais um pouquinho aqui.

– Tem certeza de que quer ficar sozinho aí? - Eliot perguntou se levantando.

– A Sarah vai me fazer companhia, não é mesmo?

– Só se você for buscar pudim pra mim.

– Fechado.

Eliot riu. – Até mais tarde então.

Harry apenas acenou e então foi com o garoto até os corredores onde ficavam os armários. Já que os dois não ficavam na mesma área, eles se despediram e Harry caminhou calmamente até seu armário, sabendo que ainda tinha tempo antes de ir para a aula, e pegou seus livros.

Ao chegar na sala, caminhou para o fundo e se largou na última carteira. Não demorou muito até os alunos começarem a entrar, sentando perto de seus amigos e continuando as conversas altas que incomodavam os ouvidos de Harry.

Nick entrou com o mesmo grupo da última aula de literatura e se sentou no mesmo lugar, ao lado dele.

– Olá – ele disse sem olhar para Harry. Ele batucava os dedos na superfície da mesa e não tinha uma expressão agradável. O garoto não se conteve e riu baixo de toda aquela pose. Nick o olhou franzindo o cenho. – Sou engraçado?

– Bastante.

– Olha aqui, Harry – ele disse se aproximando. – É melhor você...

– Sei porque está agindo assim, então já vou dizer a verdade, pra economizarmos tempo: não aconteceu nada entre a gente. Satisfeito?

– E porque eu deveria acreditar em você?

– Não acho que você tenha se importado com qualquer coisa relacionada à Amy quando a traiu. Então porque se importa agora?

– Como você sabe disso?

– Não faço fofocas, então a única coisa que eu vou te dizer é que eu sei, simples assim.

– Só pare de agir como se você soubesse algo sobre mim, Styles.

– Os fatos que eu estou usando são os que eu conheço.

– Ah, é? E o que você conhece?

- Que você é um idiota e que faz as pessoas ao seu redor se sentirem miseráveis. E que você parece ter bastante consciência disso.

O garoto cerrou os olhos. – Você percebe como é hipócrita?

Harry deu de ombros.

– Pelo menos eu ajudei ela quando ela me pediu.

– Quer saber? Você pode fazer o que bem quiser com ela. Só toma cuidado, porque a loucura vem junto com todo o pacote.

Harry riu. – Eu não quero nada com ela, mas é bom saber que você permite. Mas, sabe, como uma pessoa experiente na área de afastar as pessoas, te aconselho a abandonar a pose de rei do colégio antes que tudo desabe. Pelo que eu soube, as pessoas não te acham tão legal quanto você pensa.

– O segredo da coisa é não se importar.

O professor Oliver entrou na sala e largou sua pasta sobre a mesa antes de dar bom dia à classe.

– Isso não sai bem na prática e acho que você sabe disso – Harry disse e voltou sua atenção ao professor.

[...]

O garoto guardou seus livros depois do sexto período e pegou o livro para a última aula do dia, aliviado de saber que teria o resto do dia livre para fazer o que bem entendesse. Como ainda não tinha tido aula de química, precisou do mapa para se localizar no meio dos corredores, mas mesmo assim demorava a achar os laboratórios. Se lembrava de ter passado por lá no dia em que chegou, mas como estava apenas andando aleatoriamente por lá, não sabia muito bem onde era.

– Você tá com cara de quem tá perdido – ele ouviu uma voz familiar falar ao lado dele. Ele se virou e viu Amy com uma expressão de quem estava segurando a risada.

Harry soltou um suspiro cansado, já que realmente não queria interagir com ela naquele momento. Ou nunca.

– Sei exatamente onde estou.

– Qual sua próxima aula?

– Química.

– Os laboratórios ficam na direção oposta de onde você estava indo – ela apontou para a direção certa.

Ele não agradeceu, apenas foi na direção que ela apontou. Olhava todos os corredores no caminho enquanto Amy seguia em seu encalço.

– Tenho a impressão de que você quer me dar um gelo.

– É exatamente o que eu quero. Você podia ajudar.

– Não, obrigada. Acho divertido como você fica irritado com tudo.

Ele olhou para ela pelo canto do olho. – Qual seu problema comigo?

– Viu só? Ficou irritado.

– Eu não tô brincando, Amy. Você tem que parar de agir de forma tão bipolar.

Ela levantou uma sobrancelha debochadamente. – Bipolar?

– É impossível que você não perceba - ele disse finalmente encontrando o corredor com os laboratórios.

Ele entrou e a garota continuou o seguindo. Não acreditou na sua falta de sorte por ter a mesma aula que ela.

– Na verdade, não. Acho que o bipolar é você.

– Eu sempre demonstro que não gosto de você, você é quem age amigavelmente em um momento e no outro age como uma louca por briga.

– Se você não gosta de mim, então porque me ajudou no sábado? Você estava se divertindo com uma garota e a deixou lá só pra me ajudar.

– Eu continuo sendo um ser humano, se você tinha dúvidas. Você precisava, então eu ajudei.

– Bom, só sei que, se você me conhecesse, iria gostar de mim. Mas tudo o que você faz é me julgar uma filhinha de papai.

– A questão, Amy, é que eu não quero te conhecer. Quantas vezes eu vou ter que repetir isso até você finalmente entender?

– Eu entendo completamente. Mas eu sei que você precisa de alguém. Então mesmo você sendo um completo idiota comigo, eu ainda estarei disposta a ser sua amiga quando você precisar.

Ele não sabia como responder àquilo. Por isso, se calou e observou a garota ir se sentar com uma garota que ele não conhecia, furioso porque, novamente, ela havia acertado em cheio. Ele realmente precisava de alguém. O que ela não sabia é que ele nunca pediria apoio dela, porque qualquer dia desses ele iria fazer as malas e dar o fora dali e doeria ter que abandonar mais uma pessoa. Ele não conseguia ser tão egoísta assim.



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