História Broken Hearts - Capítulo 66


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Categorias Batman, Liga da Justiça, Mulher Maravilha, Superman
Personagens Alfred Pennyworth, Arthur Curry (Aquaman), Bruce Wayne (Batman), Canário Negro, Clark Kent (Superman), Comissário James "Jim" Gordon, Coringa (Jack Napier), Damian Wayne, Diana Prince (Mulher Maravilha), Dick Grayson, Dr. Thomas Wayne, Hal Jordan, Harleen Frances Quinzel / Harley Quinn (Arlequina), Helena Bertinelli, Henri Ducard, Jason Todd, John Stewart, J'onn J'onzz "John Jones" (Caçador de Marte), Lucius Fox, Martha Wayne, Oliver Queen (Arqueiro Verde), Oswald Chesterfield Cobblepot (Pinguim), Rainha Hipólita, Ray Palmer (Eléktron), Selina Kyle (Mulher-Gato), Shiera Hall (Mulher-Gavião), Slade Wilson, Timothy "Tim" Drake, Wally West (Kid Flash)
Tags Andrea Beaumont, Batman, Ben Affleck, Bruce, Diana, Gal Gadot, Hentai, Mulher Maravilha, Romance, Suspense, Thomas Elliot, Thriller, Wonderbat
Visualizações 441
Palavras 3.487
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Magia, Mistério, Poesias, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Queridos leitores,

Eu sinto muito pela demora na atualização. Contudo, embora essa fic seja minha prioridade dentre os demais projetos e outros trabalhos, há momentos na vida em que é preciso ‘quebrar as regras’.

Escrever, pra mim, é um prazer. Mas, sobretudo, é a melhor maneira que eu encontrei de trabalhar minhas emoções. É minha forma de aliviar o coração, de compartilhar pedaços de mim (sim, porque o texto reflete o autor), de lidar com aquilo que eu não posso mudar, de mostrar como eu vejo o amor, a dor, etc. Logo, para atravessar uma tormenta de emoções, eu precisava escrever algo que refletisse essa força esmagadora que é o amor trágico.

Por isso, publiquei uma fic recentemente, chamada ‘Reencarnación’. Conta a história do amor imortal de duas almas – cuja força é capaz de vencer a morte. Um amor que tudo crê, tudo suporta, tudo espera.

O link está disponível nas notas finais.
No mais, boa leitura!

Capítulo 66 - Tramóias, bênçãos e confrontos


Fanfic / Fanfiction Broken Hearts - Capítulo 66 - Tramóias, bênçãos e confrontos

If I risk it all

Could you break my fall?

Se eu arriscar tudo

Você aliviaria a minha queda?

(Writing's On The Wall – Sam Smith)

 

 

 

♣ Olimpo || Panteão Grego ♣

 

A exuberância do salão de dimensões gigantescas era impressionante. A arquitetura da estrutura colossal – interna e externa – tinha um designe grego clássico inegável, todavia, reconhecidamente mais belo, dada a perfeição estética da construção – a qual a humanidade ainda não é capaz de reproduzir com exatidão.

A disposição dos suntuosos acentos dourados formara dois semi-círculos (um à direita e outro à esquerda do grande salão interno), dando a falsa impressão de que não havia hierarquia entre eles. Mas um olhar atento revelaria o contrário. A figura sentada majestosamente ao centro, se destacava dos demais: Ele estava em uma espécie de púlpito – que se elevava um nível acima do chão – ocupando um trono muito mais requintado e imponente que os demais. Duas outras figuras destacavam-se ao seu lado, porém, com menor requinte. Uma mulher à sua direita e um homem à sua esquerda, desfrutavam a mesma elevação sobre os demais.

O Panteão grego era, em termos gerais, o que os mortais chamavam de sala de reuniões dos deuses. E a rainha das amazonas tinha total ciência da extrema relevância de sua convocação – os deuses raramente se reuniam. Mas ainda mais rara era a congregação de todos eles, sem exceção. O que acontecera apenas no confronto com os Titãs, há milênios. O que Hipólita jamais presenciara. Mesmo Hades estava presente... Uma presença que ele nunca teve que enfrentar – já que seu irmão Zeus preferia mantê-lo distante, no Tártaro.

Assim que o homem sentado ao centro sinalizou com um gesto silencioso seu consentimento, a regente das amazonas fez sua entrada no salão do sagrado Panteão – um templo estrategicamente localizado ao centro da cidadela erguida pelos deuses gregos, sobre o Monte Olimpo.

Hipólita fez uma reverência lenta e humilde aos deuses, evidenciando sua devoção à eles. Após breves cumprimentos em resposta dos presentes à convidada, o majestoso senhor ao centro disse-lhe:

– Antes de revelar-te o motivo do teu chamado, amazona, em virtude das tuas ações devotadas para com teus deuses, julgo desnecessário lembrar-te que nos jurastes lealdade e obediência incontestável. – O som da voz trovejante do deus sentado em seu trono só perdia em imponência para sua própria imagem.

Todos os deuses eram gigantescos, comparados à altura de um homem mortal (ainda que alto). Todavia, o rei deles, Zeus, superava a todos em grandiosidade física (e, obviamente, em poder). À métrica humana, Zeus tinha o tamanho de um prédio de dois andares e irradiava uma espécie de luz branca eletrificada ao seu redor, como uma aura de pulso elétrico. Seu corpo era igualmente grande, forte e jovem como o de seu filho Hércules, mas seu rosto era moldado por fios prateados dos cabelos e da longa barba branca. Não eram feições de um velho ancião, tampouco de um jovem rapagão.

O rei dos deuses, se pudéssemos apontar, tinha as feições de um homem bem cuidado de 50 anos. Uma medida que o mostrava sábio, bem como, ainda ativo e forte como líder.

A rainha riu para si mesma ao vê-lo, lembrando-se que Diana havia-lhe questionado a respeito da veracidade das histórias que ouvira sobre os inúmeros casos extra-conjugais de Zeus. Ele não era bonito, mas havia nele um encantamento charmoso e sedutor que Diana não poderia entender à época.

– Certamente, Vossa Divindade! – Hipólita balbuciou, fazendo nova reverência.

– Pois que seja feita a vontade de teus deuses, amazona. Sem hesitação, objeção ou questionamento. – Zeus completou – Creio não precisar reiterar que, dada a importância de tua missão, ainda mais valiosa por ser fruto de um consenso entre os deuses, tua punição por desobediência será igualmente severa. Resultando em banimento ou morte!

– Tu deverás tomar duas amazonas contigo, a filha que teu coração acolheu (Donna) e a feroz Artemis, com destino ao Mundo do Homem, ao encontro de Diana – O enrijecimento dos músculos da rainha não passou despercebido por nenhum deus. Ela temia que sua filha estivesse ferida, ou cativa, a ponto de precisar da interferência dos deuses.

– Não se aflija, Hipólita – Continuou a rainha dos deuses – Tu serás portadora das novas bênçãos que dedicamos em favor dela. E, sobretudo, revelarás à ela sua nova missão: nossa campeã deverá cumprir nosso desejo à todo custo.

– Para tanto, em sinal de nossa generosidade para com nossa campeã, decidimos enviar ao encontro dela aquelas que criteriosamente lhe servirão de auxílio no cumprimento desta nova obrigação – Atena frisou, com propriedade, deixando a rainha amazona segura de que é a alternativa mais sábia.

– Morpheu guiará minha esposa pelo mundo dos sonhos até o encontro do teu espírito, enquanto teu corpo descansa. Hera revelar-te-á teus desígnios e obrigações para com teus deuses – Zeus assumiu uma postura indicando encerramento – Tua partida será na próxima lua minguante (em três semanas, segundo nosso calendário).

Hipólita estava cheia de duvidas, curiosidades, temores do desconhecido, mas não ousaria questionar os deuses. Seja sobre o que os levou a mudança na missão de Diana, seja sobre o teor dela. Ela apenas assentiu firmemente com a cabeça e, ao consentimento de Zeus, pôs-se em retirada, após curvar-se, em sinal de respeito às suas divindades.

– Hipólita... – Afrodite quebrou o protocolo de seriedade que pairava no recinto, levantou-se e deu alguns passos em direção à ela, o que a impedira de retirar-se. – Antes de partir, quero que saibas que aprovamos as escolhas de Diana... – A deusa do amor pontuou, exibindo um sorriso divertido, que fez Hipólita, sabendo o significado, desgostar-se. Ela sabia que a única coisa que divertia a mãe de Eros eram seus jogos de amor.

A filha de Otrera caminhou lentamente até a saída do Panteão. Ela amaldiçoou a si mesma por voltar seu olhar para os deuses uma última vez, antes de sair. A rainha das amazonas evitara com sucesso o homem à esquerda de Zeus. Contudo, sucumbindo às tramoias do destino, seu olhar o procurou uma última vez.

Hipólita quase esquecera-se de que seus sentimentos por ele eram inegavelmente odiosos (raiva, frustração, decepção, mágoa) quando seus olhos se encontraram. Por alguns segundos, ela contemplou o senhor do submundo e a visão a fez lembrar porque caíra de amores por ele no passado.

Hades era quase tão imponente fisicamente quanto Zeus, embora fosse um tanto menos musculoso. Ele, como seu irmão, tinha a aparência de um homem experiente, que passara dos 40. Contudo, Hades tinha como vantagem, atenuando-lhe a idade aparente, os cabelos ondulados e cheios, negros como a noite, como os de Diana.

Mas o meio sorriso cínico que ele dirigira à ela reavivou todas as más lembranças... A rainha recolhera-se pelo resto do dia em seus aposentos. Aquele sorriso era um péssimo sinal. Era um sinal de que o deus do Tártaro não apenas concordara com a decisão, como estava satisfeito com ela. “Só há uma forma de satisfazer Hades: com compensações. Ele quer algo e está tramando para conseguir o que quer... Mas o quê?”, Hipólita não conseguia parar de pensar nisso.

 

♣ Metrópolis City || Planeta Diário || Heliporto ♣

 

A redação do famoso e respeitado Planeta Diário, bem como os demais setores que compõem a parte empresarial do jornal, ocupava os dois últimos andares do prédio comercial mais alto de Metrópolis. O segundo edifício mais alto da cidade – perdendo em muitos andares para a torre da Luthor’s Corporation.

No andar de baixo, ficavam as salas do setor financeiro, RH, manutenção, informática, e afins. E na cobertura, a redação tomava quase todo espaço, deixando lugar apenas para o escritório do presidente da empresa, uma recepção para convidados e uma sala de entrevistas.

Era madrugada e, tanto o Planeta Diário, quanto as demais salas comerciais estavam trancadas e vazias, à exceção dos vigilantes vigiando a entrada, no térreo. O silêncio não trouxera-lhe nenhum conforto para lidar com seus pensamentos e emoções conflitantes. Porque não havia nenhum silêncio... Não para ele.

O herói pairando sobre um imenso globo de bronze no topo do prédio, travou a mandíbula quando ouviu, há quilômetros de distância, os motores silenciosos (não para ele) de um jato, vindo em sua direção. Ele não pôde conter a onda de raiva e desgosto quando sua superaudição indicara-lhe o visitante. Ele não se sentia pronto para recebê-lo. Não por covardia, ou medo de enfrentá-lo, mas porque estava atravessando uma fase estressante em sua vida, que o deixava menos paciente e tolerante.

O Batwing pousa sobre o Heliporto. Não há observadores, mas ainda que houvesse, uma conversa entre dois heróis da Liga não é incomum ou suspeita.

O morcego salta da cabine com a leveza e a graça de um acrobata, como se tivesse o peso de uma pluma, ainda que pese 90 kg majestosamente distribuídos em seu 1m93 de altura. Após uma longa pausa entre ambos, o Batman solta:

– Eu serei breve... – Superman captou um leve aumento de sua pulsação, quando Batman se dirigiu à ele, erguendo os olhos. E quase considerou a reação como um indício de que suas emoções eram fortes o bastante para que ele as camuflasse por completo. Mas quando suas próprias emoções estavam ruins, sem o otimismo e amizade de sempre, foi fácil descartar o pensamento e ver o comportamento frio do Batman como ele que seja vista.

– Ra’s pretende executar seu plano de contaminação em breve... Usado o mesmo vírus que infectou Diana. No organismo humano, a ação letal varia entre 18 e 21 horas. Talvez menos, em organismos com baixa imunidade, que sofrem com outra doença. – Batman viu Kal-El estreitar os olhos e descer até o nível do chão.

– Minhas investigações mostram que ele tem uma rede de pessoas trabalhando pra ele em países estratégicos em todo mundo. Ele está prestes a promover uma limpeza étnica ao redor do planeta. – Bruce foi interrompido pela pergunta de Clark.

– Eu sei que ele é insano, Batman, mas se ele matar toda população, para quem ele pretende governar? – Superman questionou.

– Ra’s é um genocida, Kent. Ele não se importa com a morte de um, de dezenas ou de milhares. – Batman prosseguiu – Se eu o conheço bem, ele não vai infectar a todos, mas provocar uma epidemia em nível global, com o objetivo de eliminar a população mais vulnerável à doença. Ele quer fazer em 24h o que a evolução da espécie humana fez em Eras.

– Por isso você está aqui? – Clark queria sorrir, como uma vitória pessoal, ver Bruce engolir seu orgulho e pedir ajuda, mesmo veladamente.

– Eu não posso estar em todos esses lugares para impedir a liberação do vírus ou conter a contaminação em massa, caso ele seja liberado – Batman subiu um pouco o tom, incomodado, o que fez Kal ter uma satisfação interna – Você precisa reunir a Liga e designar equipes para assumir essa missão. Se você concordar, eu enviarei ao Senhor Incrível um arquivo com as localizações dos homens de Ra’s e as identidades deles. Há cientistas, vilões, assassinos da Liga, políticos e empresários entre eles.

– Claro, Batman. É um dever da Liga proteger a população de uma ameaça com essas proporções, independente de nossos... – Clark fez uma pausa longa – conflitos pessoais.

Ele leva um momento para ler o Caped Crusader. Embora o Vigilante esteja usando um capuz, não é difícil para ele pegar os movimentos ligeiros, praticamente imperceptíveis, que estão sendo executados. Tudo indica que o Batman está levantando uma única sobrancelha, como se estivesse surpreso. “Ele não esperava que eu o ajudasse? Ou que concordasse tão rápido?”, Clark ponderou consigo mesmo.

Um silêncio constrangedor veio a seguir e Clark sabia que passara do momento de Bruce sair, sem dizer nada. Mas, contrariando a regra, ele ficou. Imóvel, em silêncio, sem olhar pro amigo, ao lado do Superman, olhando o horizonte – como se quisesse devolver na mesma moeda a surpresa que o comportamento de Clark lhe causara.

“Finalmente... Você não está vestido como um escoteiro que está no oitavo ano escolar”, Bruce sussurrou tão baixo que só ele poderia ouvir.

Kal sorriu sem olhar para ele, mas logo desfez o sorriso. Ele sentiu-se vil por não se alegrar ao ver o Batman deixar sua humanidade ‘exposta’. Ele deveria estar agindo dessa forma. Não o contrário... Ele deveria dizer algo levemente descontraído para quebrar o clima pesaroso, enquanto Bruce responderia com uma observação sêca – se respondesse!

O homem das sombras é quem preferia ficar sozinho, trabalhar sozinho, sofrer sozinho. Mas as coisas haviam mudado e Clark sabia porquê, ou melhor, por quem?!

Como se não bastasse ser inundado por um dilúvio de coisas que o abateram, como herói e como homem comum – ver o anúncio do noivado do Príncipe de Gotham com a Princesa de Themyscira na capa do jornal pela manhã, gritando felicidade, uma felicidade que eu perdera, o trouxe sentimentos que o envergonharam, mas tão comuns à todos nós: inveja, frustração, pessimismo.

Ele a ama profundamente. Ele ama seu amigo demasiadamente. Então por que não estar feliz por eles? Ele pode fingir essa alegria e esconder das pessoas seu desgosto. Mas não de si mesmo...

“Não a machuque...”, Clark disse em um tom baixo. 

Em defesa do Homem de Aço, ainda que não fossem positivas, suas emoções não vinham de uma fonte mesquinha. Ele não invejava Bruce por querer Diana para si – mesmo já tendo pensado na hipótese. Seu amor por Lois assumiu proporções além dos limites que ele achava possíveis de se amar alguém. Não era inveja... Era melancolia. Uma tristeza que Bruce e Diana acabaram por alimentar, sem querer.

E foram os desdobramentos de sua experiência de quase morte que o levou a isso. Ele perdera seu melhor amigo (bem, ele o considerava seu melhor amigo); sua melhor amiga se afastara dele (Com Diana vivendo na Mansão, eles mal se viam); Ele sentia-se culpado por não ter conseguido evitar que um desastre recente fizesse vítimas fatais; Se isolava cada vez mais das pessoas importantes em sua vida (Lois, seus pais, seus amigos).

“Eu gostaria de nunca fazê-la sofrer”, Bruce respondeu, com uma honestidade que seu amigo jamais o vira mostrar, nem sem capuz. “Mas nós dois sabemos que, em algum momento...”, ele não terminou a frase. O que deu a Clark uma noção de que duas pessoas vieram até ele: o Cavaleiro das Trevas e Bruce, o homem real, seu amigo. Alguém que ele vira raramente. O amigo que ele amava porque o enxergava com o coração, por sob as camadas do Batman e do Playboy. O amigo que, à seu modo, estava dizendo-lhe o quanto ele era importante em sua vida, a ponto de fazê-lo vencer o orgulho e ir até lá; que ele era sim seu melhor amigo, a ponto de se esforçar em ser o amigo que Clark precisava agora; que o amava a ponto de baixar seus escudos por alguns minutos, mostrando emoções que lutou a vida inteira para esconder.

– Por que ainda está aqui, Bruce?

– Diana... – No fundo Clark sabia que ele não viria ao seu encontro sem a influência de Diana. Uma hipótese otimista, Bruce o chamaria à caverna. “As pessoas vão à ele, nunca o contrário”, Kent pensou. – Ela me pediu para fazer um convite à você.

– Foi meu primeiro palpite. – Clark disparou, um pouco decepcionado.

– Ela me disse pra visitá-lo no seu apartamento, sem o traje – Batman revelou, vendo o desapontamento do amigo – Mas eu precisava vir logo...

– Então... Me fale sobre o convite! – Kal-El sorriu, vendo o significado das palavras de Bruce, que ele viera por vontade própria.

– Diana... quer dizer, nós gostaríamos que você fosse o padrinho do nosso filho – Ambos voltaram o olhar um para o outro – Ela acha que você é o melhor homem que conhecera no mundo e, se nós morrermos, ele será criado como você fora, em um ambiente familiar e afetuoso.

O filho de krypton aos pouco sentiu-se aquecido por uma chama de afeto, que derretera pedaços do gelo que congelara seu coração.

– E você concordou, Bruce? – Era uma pergunta honesta – Por mais lisonjeado que eu me sinta, eu imagino que tenha sido uma escolha exclusiva de Diana, não do casal, como deveria ser. Eu conheço você... – Clark queria aceitar, mas duvidava que Bruce estivesse de acordo – Aposto que você preferia Dick ou Alfred... Ou qualquer outro que não seja um meta!

– Não se subestime, Kent... Você é a melhor escolha racional: Alfred pode não estar aqui daqui a 10 anos, por mais que eu odeia pensar nisso – Clark concordou movendo a cabeça – Além disso, se ele herdar a imortalidade de Diana, você estará com ele por muito tempo. E não há ninguém melhor para protegê-lo.

– Eu ficaria honrado... – Clark fez uma pausa para pensar se deveria ou não chamá-lo assim – meu amigo (...) Mas, eu estou mais curioso sobre quem será o outro padrinho que saber quem serão as madrinhas.

Em segundos o cérebro de Bruce estalou com a dedução lógica sobre as palavras do Superman, que sorriu, ao vê-lo bem menos eficiente em esconder sentimentos que ele considerava fragilidades e fraquezas.

– Você sabia que eram dois, não sabia? – Kal olhou pra ela sabendo que a resposta era não.

– Claro! – Bruce mentiu e Clark sorriu.

À seu modo, cada um tinha a sensação de que poderiam reerguer a ponte que os conectava e havia sido destruída, os isolando. Seria mentira dizer que as coisas voltaram ao normal entre ambos.

A perversidade da traição está no rastro invisível de maldade que ela leva as pessoas a seguirem após descobrirem que são vítimas dela. Ela marca com tanta força, que nem o poder do perdão serve de borracha para apagar a mágoa. (A maioria não perdoa, mas mesmo os que conseguem perdoar de verdade, não conseguem esquecer).

A perversidade da traição está no preço que se paga tentando sanar o dano que ela provoca. A soma de muitas boas ações, diversas demonstrações de carinho, várias provas de amor e o esforço explícito do “traidor” (por deslize, não o mau-caráter) em redimir-se, é infinitamente maior que o ônus de uma traição banal e sem valor pra ele. A crueldade da traição está no castigo que ela impõe aos que se arrependem: não basta o esforço da quase perfeição, só o tempo pode apagar as marcas.

Por mais que Clark veja o esforço louvável de Bruce, é preciso tempo para restaurar a confiança novamente. O perdão garante aproximação, alívio, chance de recomeçar. Mas uma confiança perdida precisa ser reconquistada.

Antes de voltar à Gotham, Batman finalizou o mote de ações estranhas convidando-o para ir à mansão.

“Diana sente sua falta”... Foi seu adeus, antes de decolar, para justificar o convite e voltar ao modo indiferente habitual.

 

♣ Fortaleza de Al Ghul || Líbano ♣

 

Ra’s Al Ghul examinou o poço Lazaru  à sua frente. Tudo parecia bem. Apensar de seus planos de matar os sete fundadores ter dado errado, as coisas não estavam indo mal, já que a Liga ainda precisava de tempo pra se reorganizar e não havia forma de encontrá-lo sem o detetive. Tampouco o Batman poderia detê-lo sozinho.

Ele sorriu para si mesmo. Talvez o detetive tenha sido capaz de detê-lo antes, mas não agora. Não com um contágio nestas proporções. Em dois dias, a humanidade seria purificada.

O detetive pode já saber disso, reconheceu Ra. Mas sem o poder da Liga como backup, ele não conseguiria parar o plano nesse estágio tardio sozinho.

 

(...)

 

O segundo assassino correu pelo imenso corredor do QG de Ra’s. Batman colocou a mão abaixo das costelas no lado esquerdo. “Merda”, ele estava dolorido. A faca penetrou no músculo, abaixo das costelas. Ele estava sangrando profusamente nesse ponto e, ao sentir-se fraco, foi forçado a cauterizar grosseiramente a ferida antes de seguir em frente.

A melhor maneira de entrar agora era o caminho de menor resistência, razão pela qual ele vestiu a roupa do assassino inconsciente sobre sua armadura, puxou a capa e a máscara do assassino e se misturou entre os soldados da Liga.

Agora, Batman estava penetrando na fortaleza, esperando que a Liga fizesse sua parte nos pontos em que devia deter os comandados de Ra’s. Ele tinha que ser ainda mais sorrateiro que de costume, ou seu inimigo iria detecta-lo.

– O que você está fazendo?

Batman parou e se virou. Talia Al Ghul estava a vários metros atrás dele no corredor, com as mãos nos quadris.

– Vigiando – ele disse, mudando a voz para ter o mesmo sotaque que o assassino que ele havia interrogado antes de abatê-lo. Talia. Ele não podia acreditar que ele confiou nela.

Talia estava desconfiado agora. Ela caminhou até ele.

– Não me lembro de você. Qual é o seu nome?

– Não tenho nome. Sou um assassino do Demônio.

O olhar de Talia perfurou o dele, e um momento depois, ela sorriu.

– Amado! – ela sussurrou. – Eu sabia que era você. Você esconde seu rosto e fala como nossos assassinos, mas eu reconheceria seus encantadores olhos cinzentos em qualquer lugar.

“Merda”, ele disse a si mesmo, rangendo os dentes. Ele realmente precisava investir em lentes de contato. Ou talvez Talia fosse apenas inteligente.


Notas Finais


>> Reencarnación:
https://spiritfanfics.com/historia/reencarnacion-9878289



Trilha recomendada
Sam Smith - Writing's On The Wall (from 007 contra Spectre)
https://www.youtube.com/watch?v=8jzDnsjYv9A


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