História Broken Marriage - Capítulo 19


Escrita por: ~ e ~mshadows_

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Broken, Cabello, Camila, Camren, Fifth Harmony, Jauregui, Lauren, Marriage
Exibições 458
Palavras 3.906
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi, anjos, voltei.
Fiquei com peninha de vocês pelo aviso e decidi sentar a bunda e escrever o capítulo logo.
Desculpem pela atualização estar sendo feita ás 3:00 da manhã, mas eu realmente acabei de colocar o último ponto final e consequentemente não revisei, sorry.
Ah, amores, eu preciso pedir mais um favor pra vocês sobre aquela história do Wattpad. Vocês que vão passar a ler por lá podem me avisar aqui pelos comentários? Eu agradeceria muito pela ajuda. (Desculpem estar enchendo o saco sobre isso aqui também, mas é que a burra que vos fala esqueceu de falar isso lá.)
Enfim, mores, espero que curtam o capítulo e me contem tudo que acharem sobre ele, ok?
Qualquer erro, já sabem, né?
Ah, já ia me esquecendo. Aconselho a colocarem o colete á prova de balas. ;)
xx - Gabs.

Capítulo 19 - Encontros


Camila POV

O clima familiar dentro daquele quarto de paredes rosa-bebê era notável para quem quer que fosse que entrasse ali e visse a cena em que me encontrava, e aquilo era um problema. Eu estava deitada de lado na pequena cama de solteiro de minha filha tendo uma das pernas da mesma jogada em meu colo enquanto eu a fazia um cafuné. Toda a minha preocupação se concentrava na terceira pessoa deitada no lado contrário ao meu, com seus braços rodeando o pequeno corpo de Valentina.

Lauren parecia lutar contra o sono que o ambiente escuro proporcionava pois de segundo em segundo seus olhos fechavam parcialmente para logo serem abertos depressa. Ela apertava o corpo de nossa filha contra seu peito como se ter aquela proximidade fosse a coisa mais importante no mundo para ela, e realmente era. Mesmo que com muito tempo distantes, eu ainda conhecia a mulher que eu costumava ser casada. Lauren dava muito valor ás coisas pequenas que para muitos eram banais. Ela presava a presença de certas pessoas, presava estar e ser tudo para aqueles que ela amava, dar a eles todo o carinho e amor do mundo.

Essa é uma das coisas que eu mais amo nela.

Amo?

Sacudi a cabeça para parar meus pensamentos que começavam a ir por um caminho perigoso. Valentina, que já dormia há bons minutos, se mexeu jogando agora as duas pernas em cima de mim. Me ajeitei na cama e me sentei, atraindo a atenção da mulher de olhos verdes para mim. Lauren apenas me encarou com aquele seu olhar que mostrava tudo e nada ao mesmo tempo. Fiquei sem saber o que fazer então apenas a encarei de volta. Seus olhos estavam em um tom de verde tão claro que pareciam ser azuis. Eu sempre quis saber o que a variação de cores dos olhos dela significava, mas eu nunca consegui identificar nada.

A intensidade do olhar dela começava a me incomodar, e quando eu estava prestes a abrir minha boca para falar algo provavelmente muito estúpido, meu celular tocou em meu bolso me fazendo tremer e dar um pequeno pulo embaraçoso. Corei e peguei o aparelho, vendo que uma nova mensagem tinha chegado em meu whatsapp. Desbloqueei a tela que tinha como plano de fundo uma foto minha e de Valentina e selecionei o ícone verde, descobrindo que a mensagem que me tirou do momento íntimo e intenso com Lauren era de Gabriel.

Oh, Deus

Gabe: Tudo certo pro nosso jantar? Tô morrendo de saudade.

Respirei fundo e passei uma mão em meu rosto, exalando o ar. Gabriel tinha me ligado algumas horas mais cedo quando eu estava a caminho da casa de Dinah e Normani me chamando para jantar com ele e Valentina. Disse que tinha uma ótima novidade para me contar e que precisava ser hoje no intervalo de seu plantão. Como eu não sabia que nada do que aconteceu depois disso ia acontecer, aceitei. Mas o combinado era que ele passaria aqui ás 19:00, e segundo o relógio de meu celular, já eram 18:48.

Fodeu.

Eu: Claro. Já está vindo?

Gabe: Acabei de chegar no Leblon, já já estou aí.

Fodeu, fodeu, fodeu, fodeu!

Levantei correndo e saí em disparada do quarto, seguindo pelos corredores do jeito mais rápido que consegui sem me estatelar no chão e tranquei a porta da frente.        Eu lembrava de ter visto a chave de Gabriel em cima da mesa de cabeceira aquela manhã, então ele teria que tocar para entrar.

Voltei a correr para o quarto de Valentina, apenas parando ao colidir com o corpo de Lauren que agora se encontrava de pé na porta. Com o choque, eu acabei levando nós duas para trás alguns passos, nos desequilibrando um pouco. Lauren rapidamente segurou em minha cintura e me puxou para ainda mais perto enquanto colocava seu pé direito para trás, fazendo um tipo de alavanca para que não caíssemos.

— Wow, calma. Vai tirar o pai da forca?

— Desculpa, é que... – suspirei, jogando meus braços por cima de seus ombros e repousando minha cabeça em seu ombro.

Senti o corpo que me segurava tencionar e logo relaxar, sua bochecha encostando do lado de minha cabeça e seus braços rodeando minha cintura em um aperto gostoso, seu calor corporal sendo passado diretamente para mim. Respirei fundo o cheiro que exalava de seu pescoço cheiroso e fechei os olhos, engolindo a bola que se formou em minha garganta.

— Shh, tudo bem. Eu só fiquei assustada de ver você correndo tanto. Tá tudo bem? Você precisa de alguma coisa?

— Não, eu só... Só...

Minha voz se perdeu em minha garganta e uma enxurrada de lágrimas desceu por minhas bochechas, um soluço alto ressoando pelo quarto.

Eu não sabia porque estava chorando. Ou sabia, mas não tinha coragem de admitir. A verdade era que, por mais que eu tentasse, por mais que eu negasse para o mundo e, principalmente, para mim mesma, eu sabia que tudo que eu julgava estar morto na verdade não estava e nem nunca esteve. Tudo que eu estava fazendo da minha vida naquele momento estava construído sobre a areia movediça que eram as mentiras que eu criava em minha cabeça. Existe aquela frase onde a grande musa da minha vida Ana Carolina diz que “quando o coração está machucado, o cérebro para de pensar, e é aí que começa a confusão”. Meu coração foi machucado e eu simplesmente decidi fingir que ele não existia mais. Parei de dar ouvidos ao que ele me dizia e dirigi minha vida escutando apenas a razão, e é exatamente por causa disso que eu me encontrava no estado em que estava.

A questão é que eu já não aguentava mais nada daquilo. Não aguentava mais fingir que toda aquela situação era perfeita e que tudo estava bem, porque não, nada daquilo era perfeito, e não, nada estava bem. Eu não tenho estado bem desde que o amor da minha vida saiu por aquela porta e disse que nunca mais ia voltar; eu não tenho estado bem desde que eu parei de sentir os seus abraços quentes repentinos; eu não tenho estado bem desde que parei de escutá-la dizer o quanto me amava trezentas vezes por dia; eu não tenho estado bem desde que parei de ir dormir depois de ficar horas velando seu sono; eu não tenho estado bem desde que parei de sentir seus lábios macios pressionados contra os meus em um beijo molhado e gostoso. Não, eu não tenho estado nada bem.

— Camila? Ei, por que está chorando? – Lauren passou a segurar meu rosto com as duas mãos e o levantou fazendo-me encará-la, mas aquela tinha sido sua pior decisão. Foquei meu olhar dentro de suas esmeraldas e respirei fundo, cravando de leve minhas unhas em sua nuca. — Me diz, Camz. Fala com...

Ela simplesmente não conseguiu terminar sua frase. Bom, não foi bem por culpa dela.

Meus lábios agora pressionavam contra os dela, pegando-a de surpresa. Seu lábio inferior estava entre os meus e eu o sugava para dentro de minha boca suavemente, mexendo os meus contra ele. Lauren continuou paralisada por alguns segundos até que acordou e pressionou de volta, reciprocando meu beijo. Não passou de um roçar de lábios, mas quando me separei dela, eu estava completamente sem ar. Encostei nossas testas e permaneci de olhos fechados, escutando sua respiração também errática.

— Camila?

Suspirei e nos separei, passando as mãos por minhas bochechas para secar as lágrimas. Abaixei meu olhar ao ajeitar meus cabelos e voltei a fitá-la, o olhar confuso presente em sua expressão só acrescentando ao sentimento de arrependimento crescente dentro de mim. Não, eu não me arrependia de tê-la beijado. Eu me arrependia de tê-la deixado ir embora um dia sem nem ao menos ter lutado para fazê-la ficar, mas infelizmente era tarde demais para isso.

— Me desculpa, Lauren. Eu... Bom, eu não sei o que me deu e peço desculpas por isso, mas é melhor você ir embora agora.

— Mas Camila, você...

— Eu sei, mas isso não importa mais. Por favor, só vai embora.

A morena suspirou e deu meia volta, entrando novamente no quarto de nossa filha. Continuei parada no mesmo lugar até que ela voltou e parou em minha frente mais uma vez. Ela pousou sua mão sobre minha bochecha e puxou meu rosto para ela. Eu já estava pronta para virar o rosto quando senti seus lábios em minha testa. Suspirei.

— Eu sei... – seus lábios se mexeram contra minha pele.

— O que?

— E eu também sinto. – ela continuou. — Eu sinto pra caralho, Camila.

Senti quando ela respirou fundo, inspirando o cheiro de meus cabelos e se afastou, me deixando ali sozinha e confusa.

Que diabos ela quis dizer com isso?

***

Depois de muito correr – agora já não no sentido literal da palavra –, consegui acordar Valentina sem que ela ficasse irritada e dei-a um banho rápido depois de me arrumar. Eu vestia com um conjunto de calça e cropped brancos com o cabelo solto caindo sobre meus ombros. A calça tinha suas pernas feitas em rendas brancas um pouco transparentes, apenas a parte de cima não era vazada, e o cropped era liso e simples, sem mangas. Nos pés um salto nude básico e baixo. Minha maquiagem estava muito suave, não fiz questão de muita coisa. Apliquei só a base, lápis e rímel. Não queria me enfeitar demais.

Vesti minha pequenina também num conjunto branco, só que dessa vez de blusa de mangas com calça. Os dois eram cobertos pela mesma renda de minha calça, e sua sandália era igual a minha, só que sem os saltos. Ela quis colocar um arco que tinha uma flor bege na lateral e pegou sua bolsa dourada, pendurando-a no ombro direito. Coloquei também seu cordão e pulseirinha de ouro e pronto, estava uma verdadeira princesa.

(A/N: Os links das roupas da Camila e da Valentina vão estar nas notas finais.)

— Mamãe, por que a mama teve que ir embora mesmo?

Minha filha agora estava sentada na minha frente no sofá da sala enquanto eu mexia em seus cabelos. Aquela era uma mania dela, sempre queria que eu estivesse fazendo carinho em sua cabeça.

— A tia Dinah precisou dela, meu amor. Lembra que eu te disse que a mama vai ficar com a tia Dinah e a tia Normani? Então...

— Mas ela podia ter ficado pra ir com a gente no passeio, mamãe. – ela cruzou os braços e eu tinha certeza que o bico de indignação estava lá.

Neguei com a cabeça e prendi o riso, não querendo emputecê-la mais.

— Tudo bem, amor. Da próxima vez ela fica aqui e vai com a gente, tá bom?

—Tá.

Ela permaneceu com os bracinhos cruzados e eu não me aguentei. A puxei para trás e agarrei seu corpinho pela cintura, meus dedos faziam cosquinhas em seus lados. A gargalhada dela soou por toda a casa, o que me fez esquecer de boa parte de meus problemas e uma risada se apossar de meus lábios, a acompanhando. A felicidade daquela garotinha era tudo para mim. Eu mataria e morreria por ela sem ter que pensar duas vezes. Aquela pequena parte de mim era a minha vida.

— Que delícia de risadas! Quero rir também.

A voz masculina me assustou, fazendo com que minha gargalhada morresse na mesma hora. Gabriel estava parado bem atrás do sofá com os braços apoiados no encosto do mesmo enquanto assistia à cena.

Cerrei o cenho e o encarei confusa. Como ele conseguiu entrar se a porta estava trancada e ele estava sem a chave?

— Acredita que esqueci as chaves hoje quando saí? A sorte é que você deixou a porta destrancada, ou eu teria que atrapalhar esse momento gostoso entre as mulheres da minha vida.

Ele sorriu e fez cosquinhas na barriga de Valentina, que por sua vez pulou em seu colo e deixou um beijinho em sua bochecha.

Eu já estava preparada para começar um escândalo dizendo que a porta tinha sido arrombada e que tinha alguém escondido dentro de casa até que lembrei de uma coisa: Lauren havia saído depois de eu ter trancado a porta.

Lauren.

Suspirei.

— Ah, sim. Eu vi suas chaves, por isso deixei a porta aberta pra caso você chegasse enquanto eu dava banho na Val.

Sorri pequeno para ele, recebendo uma pontada suave na consciência por estar mentindo assim na cara dura. Mas o que eu poderia dizer? “Ah, Gabriel, olha só, não fui eu que deixei a porta destrancada não. Na verdade eu corri pra trancar quando soube que você estava chegando porque a minha excelentíssima ex-mulher estava aqui e acabou rolando um clima e a gente se beijou, sabe como é né? Só que aí eu mandei ela ir embora porque eu sou uma idiota e ela saiu sem trancar a porta depois.”

Definitivamente não.

— Obrigado por isso, Mila. – ele sorriu novamente. — Estão prontas?

— Sim! – Valentina levantou as mãozinhas e gritou animada, se balançando toda serelepe, até que parou e olhou séria para mim. — Mas aonde é que nós vamos mesmo, mamãe?

Gargalhei acompanhada de Gabriel que beijou seus cabelos e cutucou sua cinturinha, fazendo-a rir também.

— Nós vamos jantar, pequena. E depois vamos tomar um sorvetão com caldinha de chocolate do jeitinho que você gosta, o que você acha? – ele disse por mim.

— Eba! Vamos logo, mamãe, levanta!

Ri novamente e me levantei, pegando minha bolsa e posicionando a mesma no meu antebraço.

— Tudo bem, vamos lá, amor.

***

Gabriel nos levou para um restaurante em Ipanema, bem perto de onde as madrinhas de minha filha moravam. Durante todo o trajeto que, felizmente, foi feito sem trânsito, ele pareceu muito animado em chegarmos logo lá. Foi conversando o tempo todo com Valentina e puxava os mais derivados assuntos comigo, mas eu quase não estendia as conversas.

Assim que estacionamos, o vallet do restaurante logo veio em nossa direção para levar o carro para o estacionamento. Ele abriu a porta para mim e eu agradeci com um sorriso pequeno, abrindo a porta de trás para tirar Val da cadeirinha. Ela abriu os bracinhos e eu a peguei no colo, trazendo sua bolsa que ela já tinha esquecido nas mãos. Gabriel entregou as chaves na mão do homem e veio até nós, nos acompanhando a entrar no lugar, sua mão no baixo de minhas costas.

— Uma reserva no nome de Cardozo, por favor.

A meître loira digitou algo em seu tablet e abriu um sorriso polido logo depois, nos pedindo para acompanha-la. Ela nos levou até uma mesa que continham quatro lugares, um deles com uma cadeirinha especial para crianças. Sorri.

Coloquei Valentina em sua cadeira alta e deixei um beijinho em sua testa. Já ia puxando minha própria cadeira quando Gabriel o fez, sorrindo para mim. Eu assenti para ele e sorri com os lábios fechados, sentando-me. Ele se inclinou para baixo e depositou um beijo suave em meus lábios antes de se direcionar ao seu próprio assento. Arqueei as sobrancelhas e suspirei, olhando para minhas mãos.

O sommelier veio até nossa mesa, perguntando que tipo de bebida nós gostaríamos de pedir. Gabriel o pediu que trouxesse uma garrafa de um vinho que eu sabia ser bem caro para nós e um suco de laranja para Valentina, o que era seu usual. Assenti para o homem e arqueei uma sobrancelha para o moreno sentado à minha frente, que me encarou confuso.

— O que?

— Pra que esse vinho?

— Ué, nós estamos aqui pra comemorar, não pode ser com água.

Ele riu, pegando minha mão por cima da mesa e acariciando a palma com o dedão.

Inclinei a cabeça e continuei o encarando esperando que ele continuasse a falar, mas ele apenas parou por ali. Bufei.

— Comemorar exatamente o que?

— Minha promoção! Eu fui promovido a chefe de ala da pediatria, acredita?!

Abri minha boca em descrença. — Wow, isso é sério? Que bom, Gabe, estou muito feliz por você! Você merece.

— Sim, nossa... Eu fiquei tão feliz, Mila, você nem imagina. Eles me deram a notícia hoje de manhã mas eu só tive como te ligar na hora do intervalo pro almoço, e mesmo assim não queria contar por telefone. Parece que um médico que trabalhava na sede em Miami como chefe de ala foi transferido pra cá por ter alguns problemas com o chefe da cardiologia e acabou por perder o cargo. O cara é uma fera, encheu o chefe de porrada, pelo menos foi isso o que eu escutei. Aí por isso a direção resolveu transferi-lo pra cá pra trabalhar na minha equipe, mesmo que ele seja de outra área. Eu só espero que ele não arrume problema comigo...

Ele respirou fundo e voltou a sorrir, deitando a cabeça em sua mão apoiada na mesa. Sorri de volta sem prestar muita atenção porque algo me dizia que algo estava errado. Todas as informações que ele havia me dado estavam emboladas em minha mente, me deixando um pouco confusa.

Médico transferido.

Médico transferido da sede em Miami do Doctor’s Hospital.

Médico transferido da sede em Miami do Doctor’s Hospital que era chefe de ala.

Médico transferido da sede em Miami do Doctor’s Hospital que era chefe de ala mas que não é da área de pediatria.

Oh, Deus.

Meus olhos capturaram a imagem de quatro mulheres que entravam no restaurante, e que sentavam há algumas mesas de nós, uma delas dona de cabelos bem negros e olhos verdes como esmeraldas.

Lauren estava ali, sentada há poucos metros de mim e de Gabriel, junto a Dinah, Normani e uma loira que, mesmo de costas me parecia familiar, mas eu não conseguia dizer de onde. Engoli em seco e cocei minha nuca, torcendo para que Valentina não olhasse para frente e visse sua mãe ali, fazendo um escândalo e chamando a atenção de Gabriel. Ele não podia ver a morena ali, não depois da crise de ontem. Ele nitidamente estava incomodado com a história de Lauren estar vindo visitar novamente, e vê-la ali em seu momento de felicidade não iria ajudar em nada.

Parecia que elas ainda não tinham me visto pois nenhuma delas virou a cabeça para o lado onde eu estava. Me ajeitei na cadeira e peguei o menu, me escondendo parcialmente atrás dele. Passei a olhar o nome das comidas ali presentes e Gabriel me perguntou se eu já sabia o que queria pedir. Eu assenti e ele se virou para chamar o garçom, fazendo meu coração disparar pela possibilidade dele ver a morena. Felizmente, isso não aconteceu.

Nós pedimos nossos pratos – o meu, o de Valentina e o dele –, e o homem se afastou, dizendo que já traria nossos pedidos. Relaxei e continuei a fitar a mesa das quatro mulheres discretamente enquanto Gabriel começava uma conversa que eu realmente não estava prestando atenção com Val. Todas conversavam animadamente e Lauren ria de quase tudo que a tal loira desconhecida falava. Ela tinha um braço passando por trás da cadeira da mulher, tocando seu ombro esquerdo. Travei minha mandíbula apenas para ter minha boca pendendo em descrença assim que a loira virou seu rosto na minha direção, arregalando seus olhos quando me viu a fitando.

Eu não podia acreditar. A tal loira era... Ela estava aqui... Dinah e Normani sabiam...

Isabella.

Agora os olhos das quatro estavam em mim, e eu só sabia me controlar para não deixar que as lágrimas que inundavam meus olhos descessem. Engoli em seco olhando para a mesa, ainda assim sentindo a intensidade do olhar da morena sobre mim. Meu coração batia descontrolado e minha respiração o acompanhava, se tornando errática por mais que eu tentasse me controlar. Minhas mãos começaram a tremer, o que chamou a atenção do homem à minha frente.

— Mila, o que houve? Está passando mal? Você está tremendo.

Ele sussurrou para não assustar Valentina, me encarando preocupado. Eu neguei com a cabeça e engoli o choro, tirando minha mão da sua e tomando um gole da taça de água que estava ali. Respirei fundo e me recompus, encarando o moreno.

— Estou bem, não se preocupe. Provavelmente foi a minha pressão que deve ter baixado um pouco, só isso. Eu vou até o banheiro rapidinho, ok? Com licença.

Sem dar a ele a chance de responder, me levantei sobre o olhar de – agora – cinco pessoas. Segui até a porta onde havia uma plaquinha dizendo “feminino” sentindo minhas bochechas queimarem e apenas deixei que as lágrimas tomassem conta de meu rosto quando me encontrei apoiada na pia de mármore do banheiro, fitando o grande espelho.

Eu não podia me deixar ser tão fraca assim, realmente não podia. O que eu estava esperando? Que Lauren viesse sozinha para passar o aniversário de nossa filha, mesmo sabendo que ela estava namorando? Que, depois do que aconteceu hoje de tarde, ela ligaria para a namorada modelo de calcinhas da Victória’s Secret e terminaria tudo com ela?

Eu era mesmo uma completa idiota.

De repente, a porta foi aberta com força, uma morena de pele alva passando pela mesma com uma expressão atordoada no rosto. Ela abriu a boca para dizer algo mas a fechou no mesmo instante ao ver minhas lágrimas. Pude ver a dor em seus olhos que agora marejavam. Neguei com a cabeça e voltei a encarar o espelho, abaixando a cabeça.

— Camila...

— Não. Não fala nada, você não tem que me dar satisfações da sua vida, nós não somos mais casadas.

— Eu sei, mas Camila, me escuta...

— Eu não quero ouvir, Lauren. O que você tem pra me falar? – me virei para ela, cruzando os braços. — Que sente muito? É, eu já sei disso, você me falou hoje mais cedo. Mas foda-se você e suas desculpas, não tem motivo pra isso. Você é uma mulher comprometida agora, deveria voltar pra lá e fazer companhia a sua mulher.

Ela arqueou e cerrou as sobrancelhas e inclinou a cabeça, seu olhar intenso perfurando minha pele. Engoli em seco mas não desviei o olhar, mesmo que minhas lágrimas abundantes ainda caíssem e me envergonhassem por isso.

— Eu realmente queria saber em que momento eu falei que Isabella e eu estávamos juntas.

— Você não disse, mas também não precisou disso. Eu soube depois de todas ligações para sua filha em que ela estava presente e da cena que eu “presenciei”. – fiz aspas com os dedos.

— Então você simplesmente tomou suas suposições como verdade?

— Exatamente.

— Você sempre se achou muito esperta, né? – arqueei uma sobrancelha. — Mas dessa vez você errou feio, errou rude...

— Como é?

— É isso aí mesmo que você entendeu, mas eu não vou repetir. Você é inteligente, vai saber do que eu estou falando. O que eu realmente não consigo entender é o porquê de tudo que aconteceu durante esse dia. Primeiro você me beija depois de chorar nos meus braços. – ela deu um passo para frente, se aproximando. — Depois você simplesmente me expulsa da sua casa. Aí, como se já não bastasse tudo para me confundir a cabeça, eu encontro você no restaurante jantando com o seu namorado, apenas pra te ver ter uma crise de choro no banheiro por ter me visto com a Isabella... – ela se aproximou mais, me fazendo dar passos para trás até que minhas costas batessem contra a parede, me encurralando.

— Eu não estava chorando por te ver com a Isabella, estúpida.

A cortei nervosa pela situação, mas Lauren não se abalou e continuou a falar.

— Então eu te pergunto, Camila, qual é a sua? Porque eu realmente não estou conseguindo te entender.


Notas Finais




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