História Brown Eyes - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Hunter x Hunter
Personagens Abengane, Alluka Zoldyck, Bonolenov, Chrollo Lucilfer, Feitan, Franklin, Gon Freecss, Hisoka, Illumi Zoldyck, Isaac Netero, Kalluto Zoldyck, Killua Zoldyck, Kortopi, Kurapika, Leorio Paradinight, Machi, Maha Zoldyck, Nobunaga Hazama, Personagens Originais, Phinks, Shalnark, Shizuku
Exibições 76
Palavras 4.113
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


ADVINHA QUEM VOLTOU DEPOIS DE MIL ANOS?!?! EU MESMO! *fugindo das pedras*
Pode me bater, eu deixo... mentira, não fiquem bravos. Tem uma explicação pra minha parada repentina.
Primeiro: estudos. Sim galera, eu ainda sou escrava de estudo! E vou continuar sendo por muito tempo.
Segundo: bloqueio criativo, eu tive um enorme problema com isso. Não estava conseguindo escrever nada, as palavras não estavam fluindo, um completo caos. Aí eu bati a cabeça na parede e me esforcei e saiu muitas coisas que eu não sabia que tinha guardada na cachola.
Foi praticamente isso, mas escrevi esse capítulo, e não vou abandonar essa coisinha porque eu amo a história que criei na minha cabeça, e eu quero que vocês conheçam também e amem muito. XD
Eu vou tentar não atrasar da próxima, e trazer sempre. Juro, palavra de Hunter!
Depois desse texto, BOA LEITURA, ESPERO QUE GOSTEM!!!

Capítulo 2 - Chuva.


Fanfic / Fanfiction Brown Eyes - Capítulo 2 - Chuva.


Finalmente cheguei em casa, abri depressa a porta do apartamento. Dando graças pelo ambiente estar quente. O frio lá fora estava de matar e ainda carregava o novo acompanhante nos braços. O cachorrinho jazia adormecido em meus braços, todo encolhido, parecia um bixinho de pelúcia.

Depois que fechou a porta se apoiou na mesma, suspirando. Seus pensamentos não davam trégua, a imagem do albino era reproduzida na sua mente a todo instante. Podia jurar que ainda sentia o corpo quente e aconchegante logo atrás de si, aquilo já estava me tirando do sério.
Os pensamentos foram cortados pela movimentação repentina em seus braços, era Urso. Olhando pra mim com uma cara de quem quer comida.

- Olha, eu acho que hoje você só vai comer frutas, os pets já devem estar fechando. - coloquei o animal no chão, deixando ele explorar o ambiente. Ainda não estava acreditando nas horas, já era quase 18:00 da tarde. Se distraiu tanto com Urso que não viu as horas passando, e ainda ocorreu o "acidente".
E lá estava Killua, ocupando seus pensamentos novamente. As poucas palavras que trocou com ele só fizeram ter certeza de que era o mesmo de seus sonhos. A mesma voz rouca e arrastada, o mesmo jeito debochado, mesmo corpo. Mesmo tudo.
Aquilo só dava a certeza de que estava ficando completamente pirado.

"Ótimo, além de ter sonhos completamente sem sentido, eles começam a virar realidade. Ridículo!"


Me tocando que ainda estava escorado na porta, e Urso já tinha sumido pelos cômodos do apartamento. Me dirigi até a cozinha, procurando uma vasilha velha para Urso. Sabia que não teria tempo para compra a comida especifica pra cachorro, resolveu improvisar com o que tinha em casa mesmo.
Cortou pequenos pedaços de banana e maça, colocando dentro de um potinho de sorvete.

- Urso, venha aqui. Tenho comida pra você! - chamou o cachorrinho, logo vendo uma bolinha de pelo marrom cruzar a porta da cozinha correndo. - Calma, garoto! Como vai ficar sem ração por hoje resolvi cortar umas frutas pra você. Coma tudo, você precisa ganhar peso, está magrinho de mais.

O cachorro parecia ser gordinho, mas só era os pelos volumosos. A julgar pelos ossinhos aparente, sabia que não davam comida ao animal a um tempo. Assim que colocou a vasilha no chão, Urso já atacava as frutas com fervor. Estava certo, o animal não devia comer alguma coisa descente a tempos.

"Como podem fazer isso a um animal tão indefeso?"

Apesar de gostar muito de animais, sua tia possui alergia ao pelo de qualquer bicho. Por isso nunca teve animais de estimação em casa, só tinha contato com animais de rua ou quando algum amigo de escola tinha um em casa. Só de pensar que isso foi o suficiente para seguir a carreira de veterinário me assustava. Mas era inevitável, o sentimento que possuía pelos animais era enorme!

O celular começou a tocar, me dando um pequeno susto. Me levantei e fui até a sala, procurando o telefone pelo sofá. - E estava sendo difícil de achar. Não tem quando ele se perde pelo meio do sofá e é um saco pra pegar? Então, isso estava acontecendo bem agora - Depois do quinto toque, finalmente peguei o aparelho e atendi sem olha a identificação.

- Alô? Quem fala?

- Gon?! Aleluia, você atendeu! A gente já estava ficando preocupado, você não veio pra aula de tarde. Aconteceu alguma coisa? - A voz exaltada perguntou quase gritando, fazendo Gon afastar o telefone um pouco. Era Kurapika.

- Ahh, érr... meio que passei mal. Acabei por ficar em casa mesmo. - Achou melhor não falar nada sobre o acontecimento. Kurapika tinha síndrome de mãe as vezes, eu amava isso nele, mas as vezes enchia o saco. Sabia que ele iria fazer um milhão de perguntas, e tinha certeza que passaria em seu apartamento. Só pra certificar que estava tudo bem. Tudo o que eu queria agora era ficar sozinho um pouco, tomar um banho quente e relaxar.

- Hmm, sei - falou desconfiado. - Mas você está bem mesmo? Como assim passou mal? Por que não ligou?

"Começou a síndrome de mãe. Saco!"

- Ah, me deu dor de cabeça. Você sabe como é... acabei esquecendo de ligar. Mas já estou melhor, desculpe não ter ligado antes.

- Não, está tudo bem. Não quer que a gente passe aí? Leorio tá aqui comigo. - De longe eu escutei um "E aí Gon!" - Ouviu?

- Ouvi, tá tudo bem mesmo Kurapika. Não precisa passar aqui, e eu nem quero incomodar vocês.

- Você sabe que não incomoda, idiota. Mas se você insiste, a gente não vai. - A voz já estava mais calma. Apesar dele ter as síndromes de mãe, sempre me entendia. Era um ótimo amigo, e me escutava.

- Obrigado, Kurapika. Eu vou tomar um banho quente e ver se relaxo aqui. Amanhã eu vou pra aula, juro!

- Acho bom, baixinho! - Disse enquanto ria.

- Eiii, você sabe que eu odeio quando me chamam de baixinho. Eu já sou grande o suficiente!

- Claro que você é grande, é enorme! - Agora as risadas histéricas de Leorio se fez presente.

- Ah, vai se fuder vocês dois tá? Vou desligar. - Podia ouvir os protestos para não desligar na cara dele, mas o botão de encerrar a chamada já tinha sido pressionado.
Soltei uma risada nasal, eles eram impossíveis quando o assusto era minha altura. E eu nem era pequeno, aqueles dois que eram grandes de mais.

Depois de desligar fui até o quarto, deixei o telefone em cima da cômoda. Urso já tinha terminado de comer e me seguiu, deitando no tapete que havia no meu quarto, - O mesmo era felpudo igual ao pelo do animal - os olhinhos estavam fixados em mim, enquanto o rabo balançava. Andei até ele e fiz carinho em sua cabeça.

- Eu vou tomar um banho, ok? Não destrói nada!

Já no banheiro, olhei no espelho e pude ver as olheiras aparente. As noites mal dormidas estavam cobrando; quando era pequeno tomava calmante pra dormir, mas nunca gostei de tomar remédios, acabei parando de tomar. Isso nem era uma opção agora, a maioria das pessoas que tomavam, acabavam se viciando. Não queria que isso acontecesse consigo.
Tirei a camisa, desabotoei a calça e depois tirei, sobrando só a cueca. O corpo continuava em boa forma, mesmo estando meses sem ir treinar. Ah, treinar. A quanto tempo não visitava seu mestre? Já estava sentindo falta da adrenalina que a luta lhe proporcionava!

"Seria uma boa ideia ir hoje, já que não vou lá a meses. O mestre vai ficar feliz, claro que vai me matar antes por não estar indo a tanto tempo."

A academia fechava só mais tarde, e ainda era 18:22 da noite. Tomaria um banho e iria andando. Era um pouco longe, mas não fazia mal. Era sempre bom aquecer os músculos antes.

Tirei a a roupa intima, ficando completamente nu; abri o boxe, entrei e depois fechei. Liguei o chuveiro na água morna, tomei banho devagar, aproveitando a sensação da água quentinha caindo pelo corpo, abrindo os poros e relaxando os músculos tensos. Era muito gostoso. Depois de ter me lavado corretamente, desliguei o chuveiro, enrolei a toalha na cintura e entrei no quarto novamente. Urso estava dormindo no tapete, com a barriga virada pra cima; andei até a cômoda, pegando uma cueca nova. Depois de vestir a mesma, tirei a toalha da cintura e comecei a secar o cabelo. Fui até o armário e peguei uma calça moletom com uma camisa regata e um casaco. Já vestido, sai do quarto pra comer qualquer coisa. - não podia treinar com o estômago vazio - Comi algumas frutas, e voltei ao quarto para ver Urso. Ele ainda dormia e tudo estava em ordem; deixei a porta do quarto aberta caso ele queira sair, andando até a porta do apartamento, calcei os tênis, peguei a chave e saí.

A caminhada não tinha sido cansativa, apesar da distancia. Depois de virar a esquina de uma rua não muito movimentada, avistei o logo da academia já tão conhecida por mim. Venho nesse lugar desde pequeno. Era como uma segunda casa, toda vez que tinha algum problema que sua tia ou sua avó não podiam ajudar, vinha pra cá esfriar a cabeça. Sempre ajudava.
Quando chegou em frente ao recepcionista, logo foi reconhecido.

- Gon!! A quanto tempo menino! Achei que nunca mais apareceria. Você vinha aqui todas as noites treinar, e de repente parou.

- Wing!! Ah, eu fiquei tão ocupado com a faculdade. Mas me diz, o que aconteceu esses últimos meses aqui? - Wing foi um de seus professores, quando ainda era pequeno.
Você não daria nada pra ele, é um carinha magro com roupas desalinhadas, mas ele sabia bater, e como sabia.

- Netero continua o mesmo, e temos um novato promissor. Para falar a verdade - olhou para o relógio - já era pra ele ter chegado, vem normalmente nesse horário.

- Estou louco para conhecê-lo então, vou entrando, ok?

- Claro, claro. Você já é de casa, criança.

- Osu!!

Ele sorriu.

- Que bom que ainda tem respeito, vá. Netero ficara feliz em te ver.

- Acho que ele vai querer me matar primeiro, o velho deve estar sentindo saudade. - Disse enquanto andava em direção a um arco, depois deste vinha um enorme espaço. Cheio de aparelhos e um enorme tatame no meio.

Era um lugar bonito e bem organizado, no começo de tudo, quando era bem pequeno e sua tia o levou ali, era apenas uma garagem com algumas coisas. Nada de mais. Mas foi crescendo e se tornou uma das melhores academias da cidade.

Pude ver que algumas pessoas treinavam no tatame, na frente delas estava um velho musculoso. Passava os movimentos e instrução. Era Netero. Seu professor e quase um pai.

Como ele estava virado de costas para si, não me viu chegar. Tirei o casaco, depois os tênis.

Subi no tatame sem fazer muito barulho,  alguns alunos olharam para mim e eu apenas coloquei um dedo nos lábios, sinalizando que não era para falar nada.

Cheguei perto de Netero e coloquei uma mão em seu ombro.

- Velho!! Como vai a vida?! - Só deu tempo de desviar, seria um soco de direito bem dado.

- Gon Freecss!! - Ele estava furioso, e eu rindo.

Todos estavam olhando, a maioria era novatos e os veteranos estavam gritando igual loucos.

- Gon, você voltou!!

- Gon, você vai levar uma surra! Como pode deixar a academia desse jeito?! Você sumiu do mapa! Achamos que tinha acontecido alguma coisa, seu moleque teimoso! - Netero gritava aos ventos enquanto socava.

- Eu juro que tem uma explicação, me deixa falar pelo menos! - Estava concentrado em desviar dos golpes, era quase impossível desferir golpes no velho. Já apanhou várias vezes.

Me afastei um pouco, e subi a guarda. Os punhos bem posicionados em frente ao rosto, os joelhos um pouco flexionados. Apesar de ser um pouco mais baixo que a maioria dos oponentes, era bem rápido, o que compensava. 

Avancei cautelosamente. Netero também estava de guarda, esperando um golpe a qualquer momento. Que não tardou a vir; dei um chute rápido, bem próximo a cabeça. Foi prontamente defendido.

E assim começou, uma série de chutes, socos, cotoveladas e joelhadas. Estava tudo bem rápido, o sorriso não abandonava os meus lábios. Era tão bom voltar a lutar.

De todas as lutas que fiz, a que mais gostava era Muay Thai. Era uma das lutas de mais contato, era muito famosa também. Apesar de ter feito muitas coisas, - o que tornou meu estilo diferente - era com a luta tailandesa que mais se identificava.

Era agressivo, mas elegante.

Até que fui bem no começo, mas depois de um tempo já estava no chão.
Vencer Netero era quase impossível, ele nem parecia humano.

- Mereceu a surra, devia ter dado noticias pelo menos.

- Me ajude a levantar - Falei enquanto estendia a mão. Essa logo foi agarrada e ele me puxava para cima.

- Obrigado, velho.

- Se me chamar de velho de novo, não vou responsabilizar pelos meus atos.

- Tá bom, velho.

- Ah, moleque!

Eu desci apressadamente do tatame, fugindo de Netero.

Depois de mais algumas brincadeiras idiotas, fui cumprimentar o resto do pessoal.
Zushi tinha acabado de chegar, era um garoto mais novo que eu. Mas éramos bons amigos.

- Gon, você esta de volta! É bom te ver.

- É bom ver você também, Zushi.

De longe escutei uma voz grossa, me era familiar.

- Zushi! Você trouxe uma faixa extra? Eu acho que esqueci a minha! - Meu coração quase parou. Eu não acreditava muito em destino, mas ele parecia estar brincando com a minha cara.

- Claro Kill, sabe que eu sempre trago.

- Espera, acho que tá aqu... - Ele parou logo atrás de Zushi, olhou para mim surpreso.

- O que você esta fazendo aqui? - Perguntei exasperado.

- Bom, eu treino aqui. Por que, não pode? - Ele perguntou com pura ironia na voz.

- Não! - Ele levantou uma sobrancelha pra mim. - Quer dizer, claro que pode.

- Pera, vocês se conhecem? - Zushi perguntou.

- Aham, vamos dizer que salvei ele.

- O que aconteceu Gon? - O garoto perguntou curioso.

- Nada de mais.... só uma coisinha idiota. - Não iria contar para ele, daria muita dor de cabeça. Explicar tudo.

Quando eu iria me pronunciar, minha fala foi cortada por Wing.

- Quer dizer que vocês já se conheciam? - Wing parou entre nós dois, enquanto arrumava a camisa. - Isso já adianta muitas coisas! Gon, esse é o novato que te falei! - Ele apontou para Killua. - Kill, esse é o Gon! - Por algum motivo, o mais velho parecia animado.

- Então você é o famoso Gon. É um prazer te ver de novo. - Killua levantou uma das mãos, um pedido amigável. Mas o modo como pronunciou o meu nome e o sorriso de canto, me deu vontade de socar aquele rosto bonito de mais.

- O prazer é todo meu. - Quando apertei sua mão, foi um pouco mais forte que o necessário. Foi com pura ironia que o vi retribuindo o aperto.

Eu me afastei um pouco dos meninos e fui falar com Netero.

- Será que pode me dizer um pouco sobre o novato? - A única coisa que Netero fez foi levantar o olhar e arquear uma sobrancelha.

- Por que a curiosidade? Vocês já não se conhecem?

- Nada de mais, e não nos conhecemos tão intimamente, foi só um acidente. - Eu nunca iria admitir que estava me roendo pra saber mais sobre Killua.

- Hmm, entendo... você sabe que eu sempre procuro saber sobre os meu preciosos alunos. - Ele realmente procurava, cada mínimo detalhe. - Pelo que eu fiquei sabendo, ele tem uma família rica... muito rica, mas nenhum parente mora aqui.

- Mas ele estuda? Ou alguma coisa do tipo?

- Sim, ele faz faculdade, mas trabalha em uma das empresas da família. - Uma das mãos do velho estava em sua barba, acariciando os pelos. Os olhos fixos em Killua.

O pior era que eu tinha esquecido o sobrenome do albino, no calor do momento nem me liguei para essas coisas, e agora pude perceber o quanto fiquei vulnerável.

Ridiculamente afetado.

- Qual é o nome da família? - Eu precisei perguntar.

- Zoldyck. - Agora os olhos do mais velho estavam direcionados a mim, eu não pude evitar a surpresa se espalhar pelo meu rosto.

Eu conhecia aquele sobrenome, quer dizer, qualquer um conhecia. Era uma das famílias mais ricas do país, e uma das mais misteriosas também... muitos diziam que estavam envolvidos com coisas perigosas, outros diziam que eram assassinos, e mais um milhão de teorias sem cabimento.
Eu não me importava, mas fiquei surpreso. Afinal, o que um Zoldyck estaria fazendo aqui? Era uma cidade pequena, longe e pacata.

- Agora que o interrogatório acabou, vá treinar! - Quase levei um susto por causa do mais velho, mas ainda tinha uma coisa que precisava saber.

- Espera, me diga. Como ele luta?

- Por que você não espera para ver? - Não consegui evitar sorrir, isso me deixava animado.

- Osu! - Netero também sorria.

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Netero estava pegando pesado, principalmente comigo, mas isso já era o esperado. Ele iria me castigar até cansar, depois de muito aquecimento, iria começar o treino de alguns golpes. - os quais eu já sabia, mas continuei o treino. - Tentei não prestar muito atenção no de cabelos brancos, mas a tarefa estava sendo árdua, não podia negar que Killua sabia das coisas. Os movimentos eram fluidos, calmos e precisos. De tempo em tempo eu lançava um olhar em sua direção, só para ver como o albino estava se saindo.
Isso me rendeu um puxão de orelha.

- Gon!! Pare de olhar pro vento e presta atenção no que está fazendo! - Netero gritava e eu juro que pude ver um sorrisinho no rosto de Killua.

Estávamos treinando pegadas com os braços quando Netero pediu para todos descansar um pouco, isso me deixou mais animado ainda, logo logo chegaria a trocação.
 
  - Alguns aqui nunca fizeram esse treinamento, mas acho que seria legal começar por agora. Vamos treinar trocação! - Ele estava tão animado quanto eu, mas os novatos fizeram cara de enterro e eu ri.

- Gon! Levante-se! Me ajude a demonstrar. - Netero sorria ladino, esperto.

Mais que rapidamente levantei e fui em direção ao centro do tatame, parando na frente de Netero. E assim começou uma trocação violenta, novamente.. e terminei no chão. A diferença era que agora tinha um par de olhos azuis o observando, estudando cada movimento, como se esperasse para dar o bote. Isso só me dava mais vontade.

Depois de ter demonstrado, Netero mandou todos levantar e fazer uma roda, cada um formou um par, - infelizmente não fiquei com Kilkua - e depois de um certo tempo, trocávamos de par, até todo mundo ter feito trocação com todos da roda. Isso me deixava cada vez mais ansioso, fazendo com que desse golpes rápidos atrás de mais golpes.

Já estava quase desistindo quando me toquei que estava parado na frente de um Killua de guarda montada. Isso me deixou surpreso.

- Eai? Vai ficar olhando até quando? - O albino perguntou, provocando.

- E quem disse que eu estou olhando? - Falei, me preparando também, a única coisa ruim era que estava sem faixa nos punhos. Os mesmo já estavam vermelhos, e até um pouco ralados, mas não estava sentindo dor nenhuma.

- Hmm, e seus punhos? Não vai machucar?

- Não, está tudo bem... vamos logo com isso, eu quero ver como você luta. - A minha voz estava imperativa e animada.

- O que você quiser. - Isso só fez com que a adrenalina corresse mais feroz pelas minhas veias.

Eu não esperava tudo aquilo, fiquei observando-o a todo momento e não parecia que ele lutava tão bem. Eu não esperava as ofensivas rápidas e os socos precisos, não esperava a rapidez em se esquivar dos meus golpes, mas o que mais me irritava era o sorriso... ah, aquele sorriso debochado não deixou o rosto de Killua nem por um segundo.
E por incrível que pareça, a raiva não me dominava, o que me deixava mais eufórico era a vontade de superar, de surpreendê-lo e foi isso que fiz.

Os chutes e cutuveladas vinham um atrás do outro, eu só estava me defendendo, as vezes acertava alguns socos, fazendo o albino se afastar e me dando uma brecha para continuar a bater. Tudo estava rápido e intenso, mas eu estava apanhando mais do que batendo. Foi quando uma idéia cruzou minha cabeça; relaxei mais a defesa, e esperei Killua tentar me derrubar, o final da luta se dava quando um dos lutadores caia. E foi isso que aconteceu, Killua parou com os socos intensos e veio para mais perto, tentando agarrar um de meus braços e me derrubar. Era exatamente isso que esperava, quando ele partiu em direção ao meu braço direito, chutei sua lateral, o deixando retardado por alguns segundos, esses foram o suficiente para levar o garoto ao chão. Ganhando a luta.

Quando olhei para baixo de mim, encontrei olhos extremamente azuis arregalados e uma respiração ruidosa, assim como a minha.
Não evitei sorrir largo, minhas mãos ainda estavam segurando um de seus braços quando me pronunciei:

- Isso foi bom, você luta bem... mas consegui pegar você! - As vezes eu era inocente de mais e nem me tocava das coisas que falava.

Quando eu ia me levantar e ajudá-lo a levantar também, fui bruscamente puxado para o chão de novo, mal pude ver o movimento de Killua.

- Eu vou considerar isso um empate... você também luta bem. - Killua disse, agora por cima de mim.
O arrepio foi leve, mas presente. E lá estava eu de novo, ridiculamente afetado.

Quando nos levantamos, notei que quase todos os presente assistiam e me perguntei a quanto tempo eles estavam olhando.

- Ora, ora. O que nós temos aqui? Vocês foram ótimos! - Wing também estava ali.

- Érr.. foi só uma trocação normal, Wing. - Eu estava morrendo de vergonha, e Killua continuava com a mesma cara impassível.

- E eu acredito em Papai Noel também, isso foi incrível! Vocês deviam ter visto a própria velocidade! 


- Vamos Wing, deixe os garotos em paz. - Netero apareceu logo atrás de Wing. - Mas realmente foi uma trocação e tanto! 

Eu apenas suspirei em concordância.
Voltamos a roda e fizemos os alongamentos finais. Quando fui arrumar minhas coisas percebi que já era tarde, muito tarde e para melhorar mais as coisas ainda, estava chovendo. E não era apenas uma chuvinha, estava caindo um dilúvio do lado de fora. Isso me deixou bravo por alguns minutos, afinal, tinha vindo a pé. Voltar para casa de pé naquele tempo era pedir para pegar uma gripe desgraçada, a única opção era esperar aliviar um pouco.

Felizmente ou infelizmente, alguém resolveu ser caridoso, só não esperava que fosse Killua.

- Você quer uma carona? - Eu dei um pulo com a voz grossa logo atrás de mim.

- Ah, não precisa. Obrigado, daqui a pouco passa. - Isso era meu cérebro tentando me convencer de que era melhor ficar na academia do que pedir carona a um estranho.

- Não seja idiota, isso não vai parar tão cedo... e o que vai te custar? Não é como se fosse te sequestrar. - A última frase foi dita com deboche, me fazendo o olhar desconfiado.

- Tcs... okok, vamos! - Eu já disse que sou trouxa? Pois é, eu sou.

- Espere aqui, vou pegar o carro. - Ele disse, se dirigindo a porta e entrando no meio daquela chuva.

- Ok.

Não precisei esperar por muito tempo. Um carro totalmente preto e esportivo estacionou em frente a academia e ele abaixou o vidro, me chamando para entrar. E o que era para ser um caminho tranquilo até ao meu apartamento, se tornou em uma tensão enorme. Conversamos pouco, e isso só consistiu em eu explicando o caminho da minha casa.

Quando ele parou o carro na frente do pequeno apartamento, eu só queria desesperadamente descer. Mas ele resolveu se pronunciar só agora.

- Você está bem? Sabe, depois do acidente? - Não pude evitar ficar surpreso.

- Estou, estou bem. - A minha resposta foi rápida e parecia meio seca. Isso me deixou frustrado. Não queria ser ignorante.

- E o cachorro? Urso, não é?

- É... isso mesmo, ele tá' bem também, só um pouco magro, mas bem.

- Ah, que bom. - Silêncio.

Eu realmente precisava descer, a sensação de dividir o mesmos espaço que ele era eletrizante. Parecia que raios emitiam da sua pele para a minha.

- E-eu já vou indo, obrigado de novo pela carona. - Mal esperei uma resposta e já estava descendo do carro. 

Quando entrei no meu apartamento, notei que estava prendendo um pouco de ar, soltando depois com alívio.
Urso estava no meu quarto, mas a cozinha estava toda suja. Teria que começar a passear com o animal, ele podia acostumar mal e só fazer as necessidades em casa, e isso era ruim. Limpei toda a bagunça, e servi mais um pouco de água na vasilha.

Tomei um banho quente e me deitei, não evitando em pensar sobre o dia. Quando finalmente dormi, estava pensando nele.

 Naquela noite não tive muitos sonhos.

   


Notas Finais


AEEEEE, FIM DO CAPÍTULO! Ah gente, sério... só quero agradecer aos comentários no cap anterior, são coisas assim que motivam qualquer autor, mesmo que com poucas palavras. Espero que vocês tenham gostado dessa coisinha. XD
ATÉ A PRÓXIMA.


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