História Bubbline: Love in Red - Capítulo 32


Escrita por: ~

Postado
Categorias Hora de Aventura
Personagens Ash, Beemo "BMO", Finn, Hudson Abadder, Jake, Lady Íris, Litch, Marceline, Mordomo Menta, Princesa Jujuba, Rei Gelado
Tags (bubblegum, Bubbline, Hora De Aventura, Jujuba, Marceline, Romance
Visualizações 304
Palavras 3.741
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Mistério, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi bebês,
Já faz 84 anos... ~ Old Rose Speaking

Memes e piadas a parte, você ai que está aqui lendo essa mensagem, provavelmente você estava com saudades de LiR. Eu também estava, pra falar a verdade. Então, vou deixar as explicações (importantes!) para as notas finais.

Só pra matar a saudade, boa leitura!

Capítulo 32 - Auf Wiedersehen, Princesa


Fanfic / Fanfiction Bubbline: Love in Red - Capítulo 32 - Auf Wiedersehen, Princesa

Eu tinha dormido incrivelmente pouco essa noite. Estava preocupada e minha mente se recusava a deixar de trabalhar um segundo sequer. Naquela manhã, acordei exausta. Fiz minha higiene e vesti algo confortável, sem realmente me importar com as visitas. Preparei um café na cozinha ainda vazia, já que ainda estavam todos em suas camas e fui direto para o meu laboratório.

Peps havia feito o que pedi e o visor do meu radar piscava em várias direções diferente. Ele esteve em várias localidades em uma só noite, a última mostrava atividade vampírica no bosque de macieiras há 4 horas atrás. Um pouco antes do amanhecer, constatei. Tínhamos um padrão ali: VK se escondia durante o dia, longe dos meus radares, mas ao cair da noite ele se sentia confortável para sair de sua toca.

Retirei todo extenso o log de dados do sistema e enquanto tomava café, passei a analisar os eventos um por um. O bilhete que ele havia me deixado foi o que meu mordomo havia usado para achar o vampiro. Sobre a placa de metal onde ele jazia, o recado era bem claro e depois das horas de reflexão noturna, eu já conseguia entender o princípio daquilo. Era algo figurativo, escondido entre as palavras poéticas. O Rei acreditava que somente eu conseguiria compreender o que dizia, afinal, era a mim a quem ele se dirigia.

O vampiro estava apostando todas as suas fichas no meu lado destrutivo. Eu quase podia o enxergar planejando uma maneira de me tirar do meu juízo perfeito. Fazia todo sentido, tinha que admitir. Era algo que eu mesma faria se estivesse no lugar dele. Ele queria a “le carnage” e eu seria a condutora perfeita para algo do tipo. Não era exatamente a pessoa mais apegada à ética e provavelmente o faria sem remorso se acreditasse que seria realmente necessário. Melhor que isso, meu sistema de espionagem em seus tempos de operação era extremamente eficiente. Eu sabia dos pontos fracos de cada um dos reinos de Ooo, coisas que levariam a sua desestruturação em poucos meses.  

Acontece que no momento eu não estava no meu ápice, então, por que a mim? Ele matou a loira, pois ela era descartável. Usou-a apenas como uma maneira de punir sua inimiga. Por que não fazer o mesmo comigo? Eu adoraria vê-lo tentar…  

Eu simplesmente não conseguia deduzir o motivo de tudo aquilo. VK era uma alma anciã, ver o mundo explodir não parecia ser o tipo coisa que o divertia. Ele tinha um objetivo, eu precisava descobrir qual.

– Genial, Bonnie. – Elogiei a mim mesma pelo progresso, apoiando a mão na máquina recém criada. Eu era brilhante.

Um barulho na sala chamou a minha atenção. Peps sabia que deveria ser silêncioso enquanto eu estivesse trabalhando em algo no laboratório, sabia que eu odiava ser interrompida. Aí estava um dos problemas da nova casa, era pequena o suficiente para que qualquer ruído produzido fosse ouvido em todos os cantos dela. Agora que éramos 5, o problema parecia ter se agravado. Infelizmente, o ideal era que a dupla e Marcy se mantivessem ali até que o verme vampiro fosse exterminado. Ainda era um mistério as intenções dele com as mulheres. Precisávamos ficar todas juntas agora, nos separar enfraqueceria o nosso lado em um possível conflito. Eu não estava nada disposta a dar armas que meu inimigo pudesse usar contra mim.  

– Peps. – Chamei-o com irritação mal contida na voz. – Acredito que eu já tenha sido bem clara sobre o seu comportamento enquanto eu estiver trabalhando.

O barulho persistiu e eu não obtive nenhuma resposta. Bufei, avançando em direção à sala.

– Peppermint! – Exclamei em um tom de voz mais elevado, pisando duro em direção à fonte do som irritante. – O que diabos você acha que está fazen…

– Ah! Eu… Eu… – A mulher morena arregalou os olhos ao me ver, deixando o controle da TV cair no chão. Era dali que vinha o barulho, eu supunha. – Sinto muito. Estava curiosa com esses tantos botões… – Deu de ombros e eu pude ver a face da mulher tomar um suave tom róseo.

– Não sabia que era você. – Murmurei de forma mais amena. Agora eu sentia-me mal por ter sido tão grosseira… Argh! – Não se preocupe com isso, pode continuar a explorar o controle. Acreditei que fosse meu mordomo.

Dei as costas para a mulher o mais rápido que pude. Ela e toda a perspectiva que pairava sobre a mesma era justamente o monstro embaixo da minha cama. A mãe da pessoa que amava, humana e que conhecia um mundo que há um milénio já não existia mais… o que ela pensaria sobre mim e as coisas que faço? Eu jamais precisei, sequer me importei com a aprovação de qualquer pessoa que fosse. Costumava pensar que estava acima disso, mas veja agora… Eu correndo como uma garotinha assustada de uma mera humana. Patético!

– Espere! – Ela se levantou do sofá e eu paralisei no lugar, apertando os olhos com força, buscando todo o meu autocontrole para não ser sarcástica e assustá-la. Deve ser complicado acordar um dia e ver doces andando por ai... – Posso falar com você?

– Eu estou um pouco ocupada. Tenho informações a descobrir sobre o homem que trouxe você aqui. – Justifiquei-me, pronta para deixar o ambiente.

– É só por um momento. Eu posso te contar o que sei, sei que vai te interessar. Marcy me pediu que o fizesse quando estivesse pronta e essa pode ser a hora.  

– Certo. – Suspirei pesadamente, não podendo mais escapar para a segurança do meu laboratório. A mulher voltou a sentar-se no sofá e eu na mesa em frente a ela. A proximidade me deixou curiosa quanto ao fato dela não ser assim tão semelhante a filha. Estava claro que os genes do governante da Noitosfera prevaleceram em relação aos humanos e isso não era exatamente uma surpresa. Humanos não eram lá as criaturas mais fortes e resilientes que eu havia conhecido. – Você pode começar.

– Não é lá algo tão surpreendente assim. – Ela pigarreou e eu notei sua timidez. – Eu estava no meu trailer alguns dias depois dos objetos estranhos se alojarem nas cidades. Estavamos todos muito apreensivos porque aquelas coisas emitiam radiação... pelo menos era o que diziam nos telejornais. – Amélia deu de ombros. – Estavamos todos sendo evacuados para o campo e eu estava a me preparar para enfrentar a estrada quando o homem estranho se apresentou. Ele me convidou para ir com ele, mas eu prontamente recusei, é claro… Mas ai… Ai ele me mostrou as explosões que aconteceriam logo em seguida. 20 minutos no futuro e todos estaríamos mortos.

A expressão dela despertou algo em mim. Compaixão, talvez… A humanidade nunca mais se recuperaria daquele incidente. A radiação das explosões mudou tudo, a Guerra dos Cogumelos reduziu o antigo mundo em cinzas e fez florescer um novo. O meu mundo. Um mundo onde os humanos não tinham mais espaço e tudo o que restou às novas espécies foi assistir eles definharem e desaparecerem.

– Então é como eu havia imaginado. Você nunca morreu, ele te trouxe através de uma dobra, uma fenda no tempo-espaço. – Conclui comigo mesmo.

– Ah, eu não faço ideia do que você diz, mas suponho que esteja certa. Ele abriu um buraco na minha parede onde entramos eu, a moça loira que vinha com ele e minha filha. Nós viemos parar aqui, então e encontr…

O quê?!

– Espera! – Pedi, mal controlando meu tom de voz, o que fez a mulher pular no lugar. – O que você disse? Você trouxe a Marcy também?

– Sim. Eu a trouxe, mas o homem disse que eu não poderia ficar com ela, pois ela havia sobrevivido e logo eu encontraria com a desta época. – Ela tentou se explicar, embolando-se ao pronunciar as palavras. Meu nervosismo repentino estava deixando-a em pânico, notei. Infelizmente, se o que ela dizia era verdade, eu tinha uma bomba relógio entre meus braços e que poderia explodir a qualquer momento.

– Ela ficou com ele? Você o viu a colocar novamente no portal? – Perguntei, incisiva.

– Não, eu não vi. Eu e Rayna as encontramos logo depois e tudo aconteceu muito rápido, mas…

– Droga! – Exclamei. – Droga, droga, droga…  

Levei as mãos aos cabelos, grunhido de frustração. Eu odiava perder, ser passada pra trás me deixava desconcertada e certamente era o que tinha acontecido. VK era uma canalha inteligente, um oponente a altura certamente… Cá estávamos nós, andando justamente por cima das pedras que ele meticulosamente tinha colocado em nosso caminho.

– Senhora? – Peppermint surgiu a minha frente, parecendo tão assustado pela minha explosão quanto a mulher.

– O vampiro tem a Marcy do tempo delas com ele. Estamos todo esse tempo aqui expostos, Pepps. – Murmurei, lutando para controlar o medo que crescia assustadoramente rápido em meu peito. – Ele pode alterar tudo, pode fazê-la perder o controle e matar a todos nós... Pior… Ele pode a ferir.

– Mas o quê?! Como assim, senhora? – Ele parecia tão temente e descrente quanto eu agora que tinha notado a magnitude do problema. – Princesa, o que faremos agora?

– Eu não sei, Pepper. Simplesmente não consigo pensar em nada. – Caminhei em direção a cozinha, coçando os olhos com força. Aquilo era definitivamente um pesadelo. Todos nós estávamos em perigo e tudo o que conseguia pensar era no que aquele infeliz poderia fazer com a Marceline. – Estamos nas mãos dele e minha mente está completamente em branco.

– Que gritaria maldita é essa? Não se pode mais dormir nessa casa? – Marcy murmurou irritada, deixando o quarto do primeiro andar com a loira em seu encalço. Em qualquer outra ocasião, aquela cena teria me incomodado profundamente, mas agora… Parecia algo insignificante. Apenas mais um grão de areia dentre os tantos outros que escapavam por entre meus dedos. – Que climão, o que aconteceu? – Seus olhos procuravam a resposta em meu rosto.

Eu não soube como dizer a ela a situação que estávamos. Apenas a encarei, ligeiramente perdida, abrindo diversas vezes a boca e fechando em seguida. Eu tinha perdido o controle da situação e me sentia profundamente envergonhada por isso. Pior ainda, eu não sabia qual seria a reação dela.

– Bonnie? – Ela se aproximou de mim, preocupada pelo meu silêncio. Seu tom de voz era baixo, algo privado entre eu e ela. – O que aconteceu? Parece que um furacão passou por você.

– E passou. – Suspirei, desviando meu olhar. Marcy segurou meu queixo, fazendo-me encará-la novamente.

 – O que aconteceu? – Disse pausadamente.

– O vampiro tem sua versão menor cativa. Há um equilíbrio entre as dimensões que não deve ser quebrado para não causar estragos na linha do tempo, além disso, estou certa de que ele tem algum poder sobre você através dela. No momento, ele pode fazer o que quiser contigo… e conosco. – Expliquei, encarando-a nos corajosamente.  

Foi a vez dela suspirar pesadamente. Estava sem reação, a mente divagando entre as tantas possibilidades e a centelha de medo indo e voltando em seus olhos. Marcy retirou suas mãos de mim rapidamente e se afastou como um animal acuado. Rayna tentara se aproximar dela, mas foi impedida por Peps, que lhe lançou um olhar severo. Ele tinha um telefone em mãos, indicando que havia se retirado rapidamente e retornado a pouco.

– O senhor Hunson Abadeer irá nos receber em sua residência, senhora. – Disse ele com firmeza.

– Hunson? – Murmurei, inicialmente confusa. Abadeer significava Noitosfera e talvez, só talvez aquela fosse a nossa fuga do furacão. Seu lado demônio poderia protegê-la?

– A Noitosfera é uma dimensão entrelaçada à nossa, mas que funciona de forma independente. – Ele continuou meu pensamento. – Podemos montar base lá até que seja a hora de atacar definitivamente o nosso inimigo. É o seguro.

–  Os genes demônios da Marcy podem dificultar o controle do Rei e por ela se encontrar em outra dimensão, o poder dele deve ser nulo. – Conclui, deixando-me respirar aliviada por alguns instantes.

 – Eu não quero ir pra lá de novo. – Ela finalmente pronunciou-se. – Muito menos levar todos vocês até lá. Vai ser uma tragédia.

– Tragédia é a situação em que nos encontramos. Nós precisamos ir. – Perppermint semicerrou os olhos para a morena e ela fez o mesmo. – Não seja egoísta, ninguém aqui deseja que o pior aconteça.

– Qualquer outra coisa nós podemos lidar, Marcy. Faça isso por todos nós que precisamos de você bem e sã. Além disso… Serão só por uns dias. Não pretendo deixar o verme vagar por ai por muito mais tempo. – Disse, interrompendo meu mordomo e assumindo novamente minha posição de líder. Mesmo em meu pior estado, a liderança ainda era um talento nato meu. Em um aceno ínfimo com a cabeça, Marceline acabou por concordar com o plano e eu tive meu aval para agir.

– Peps, diga para os meninos arrumarem seus pertences e nos encontrar aqui em 30 minutos. Eu vou estudar o ritual para a abertura do portal, enquanto empacoto os apetrechos do laboratório que irei levar. Faça as nossas malas depois. – Ordenei, já me retirando para o meu local de trabalho.

Protótipos, fórmulas e plantas eram postas em cima da mesa para que Pepps recolhesse. Com eles, eu poderia reconstruir qualquer instrumento vital que fosse. Além disso, objetos de suma importância para o andamento das pesquisas relacionadas ao caso como a Jóia Demoníaca eram cuidadosamente postas em embalagens para resistirem a viagem. Fora estes, que por vezes eram raros e não poderiam ser substituídos, tudo seria refeito.

Pus todas as máquinas para imprimir um relatório das últimas atividades e enquanto as separava, Marcy se fez presente.

– Você não precisa estudar nada. Eu abro o portal para nós. – Disse desgostosa, encarando a confusão que se fazia presente no meu sempre tão impecável laboratório.

– Eu não queria ter que pedir algo assim pra você. Sei que os assuntos relacionados a Noitosfera não são os seus favoritos. Não são os meu também.

– Não há porque você ou o mordomo se cansarem para realizar algo que eu posso fazer num piscar de olhos. – Ela deu de ombros, agindo de maneira indiferente. – Deixe isso comigo.

Ela me deu as costas e eu precisei admitir que a distância que ela estava impondo entre nós era como uma faca me apunhalando por dentro. Desde a discussão de ontem a noite, o abismo que abrira a gente parecia apenas se alargar e alargar… Eu sentia que isso tinha destruído tanto ela quanto a mim, literalmente estávamos entre a cruz e a espada. Para que a Noitosfera fosse nossa única escolha, a situação devia estar a pior possível e era assim que se encontrava, de fato. Para encontrar refúgio no pesadelo, um monstro muito grande teria que estar a espreita lá fora. Ele existia e tinha até nome: VK.

Um apito no radar chamou minha atenção enquanto checava uma última vez às máquinas. Um ponto vermelho piscava incessantemente no bosque depois do prado, perto das macieiras. Ele estava mostrando-se durante a luz do dia sem quaisquer restrições, permitindo-se ser encontrado. Era claro que o vampiro sabia que eu estava de olho nele… e estava marcando um encontro.

Bem, se seu objetivo era me desafiar que considere-se aceito. Peguei um casaco qualquer, jogando desajeitadamente sobre meus ombros. Na sala, as pessoas pareciam absortas demais em suas tarefas para prestar a atenção em mim e eu agradeci por isso. Peps foi o único que me olhou com desconfiança, mas eu sabia que ele seria discreto quanto a isso.

Do lado de fora, assobiei para chamar a atenção de Morrow, que pousou em poucos minutos ao meu lado. Montei na grande falcão, dando uma última encarada no relógio da varanda. Não pretendia me demorar e na volta, poderia dar uma carona à Finn e Jake caso eles ainda tivessem a caminho. Ir encontrar o Rei poderia parecer um tanto precipitado, mas eu precisava encarar ele uma última vez antes de ir. Da maneira como ele gostava de jogar comigo, certamente me deixaria escapar algo que fosse ajudar.

Do alto, pude vê-lo repousando tranquilamente sob a sombra de um árvore enquanto cravava seus dentes sobre uma pobre criatura. Desci não muito distante dali, mas o suficiente para que Morrow ficasse longe do campo de visão dele. Comandei-a para me buscar uma flor específica e me encontrar em alguns minutos no local onde ele estava.  

– Ah, você veio. – Ele sorriu largamente. – Estava me perguntando o quanto mais me faria esperar. É dia, vê?! Está calor aqui.

– Você sabia que eu viria. – Murmurei sem qualquer traço de contentamento em minha voz. – Não desperdice meu tempo, então. Vou perguntar uma única vez o que você quer comigo.

– Como estão indo minhas convidadas? Elas estão se comportando? – Perguntou como se não tivesse ouvido uma palavra do que eu havia dito. Estreitei os olhos, cogitando ir embora naquele momento. Encarei os céus, esperando ver a pássara sobrevoando o lugar. – Converse comigo, Princesa.

– Não tenho tempo para joguinhos. – Voltei a afirmar, perdendo a paciência mais rapidamente do que eu gostaria.

– Vamos fazer o seguinte. Converse comigo e eu lhe respondo honestamente uma pergunta. – Propôs. Agora sim estávamos chegando a algum lugar.

– Estão ótimas. Adaptaram-se melhor do que eu imaginava. – Respondi, dando de ombros.

– Ah, sim. Ambas estavam na iminência de sua morte quando eu as resgatei, sabe?! A loira estava infantilmente irritada com o encontro do bosque e Amélia terrivelmente assustada com as bombas. É mais fácil negociar quando a outra parte está tomada por emoção mundana, você sabe…

– Não vejo como todo esse circo beneficiaria você. Por que não mudar seu futuro diretamente? Uma fenda como a que abriu lhe deixa infinitas possibilidades, por que logo esta?

– Já abriu uma fenda por si mesmo, Princesa? – Perguntou, mesmo já sabendo a resposta. Manipular um espaço-tempo não era como manipular matéria. Um evento grandioso era como uma bomba relógio repleta de fios, onde só um poderia desarmar o explosivo. Se cortasse o certo, ponto pra si, mas se por acaso esbarrasse no errado… – Espero que tenha uma oportunidade de o fazer alguma vez. Se me permite dizer, não é tão simples assim. Não importa o tempo ou o lugar, algumas coisas não podem ser mudadas e as que podem são uma caixinha de surpresa. Nunca se sabe as consequências sobre o futuro. Um simples tropeço diferente do habitual e todos nós poderíamos ser apagados da história do universo. As bombas poderiam nunca ter explodido e os humanos poderiam ter continuado a serem as criaturas desprezíveis que sempre foram.

– Imagino que sim. É por isso que tal poder não deveria pertencer a pessoa alguma.

– Eu não quero que as coisas mudem, vê?! Eu quero tudo exatamente como está agora. O sol brilha, a noite cai, Ooo respira vitalidade… tudo está perfeitamente como deveria ser.

– Isso não faz o menor sentido.

– Faz sim. É como ser o maestro de uma orquestra belíssima que é a vida. – Ele riu, levantando-se da pedra onde estava sentado para imitar passos de uma valsa.

– Estamos todos dançando conforme a sua música, não é? Até eu consigo ver que é ti quem está a ditar o ritmo. – Suspirei, verbalizando o óbvio.

– E quando Vossa Alteza se cansar de dançar, deixe-me saber. Aposto que gostaria de tocar alguma vez também. – Propôs e eu cruzei os braços em desafio. Em um rasante, vi Morrow descer há poucos metros de nós com o meu pedido em seu bico.

– Acredite em minhas palavras, Vossa Majestade. Eu irei descobrir como calar os teus instrumentos e logo não haverá música alguma soando em nossas vidas. – A arrogância era palpável em minha voz. Estendi a mão para a falcão que deixou cair a rosa vermelha que eu lhe mandei buscar. Eu a estendi para VK, centímetros fora da da sombra que o protegia. – Estou devolvendo a gentileza.

O vampiro estendeu a mão para pegar a flor, queimando os dedos no processo. Ele bem tentou disfarçar a expressão dolorida que surgiu em seu rosto, mas eu estava atenta o suficiente para captar os pequenos sinais.

– Você não é imortal e eu não estou com medo. – Sussurrei ameaçadora para ele, virando-me para montar no meu passáro.

– Mande minhas lembranças para Hunson, Princesa. – Ele devolveu o desafio, mostrando que já sabia que tudo e ainda sim, não faria nada para impedir.

Me parei por alguns segundos, voltando a encará-lo. Um sorriso brincava em seus lábios, com a tranquilidade de quem tinha o mundo seguro firme nas mãos.

– E você ficará ai parado? – Quis saber.

– Na hora certa vocês retornarão, não há motivo para pressa. Até que o momento chegue... Auf Wiedersehen, Prinzessin.

Pus-me a voar sem dizer uma palavra além à ele. VK havia me dito adeus em alemão, provando que me conhecia melhor do que eu imaginava. Sinceramente, sabia que não deveria estar surpresa. Aquele homem era alguém milenar e tinha dividido aquela terra comigo há algum tempo atrás. Como lutar com alguém que sabia de tudo, porém?

Como planejado, encontrei os meninos no caminho de volta e os dei uma carona até a cabana, antes de me despedir brevemente de Morrow. Não estava exatamente preocupada, já que ela sabia se virar muito bem sozinha. Além do mais, logo eu estaria de volta para livrar a minha terra daquele parasita. Aquele era apenas um adeus temporário.

Do lado de dentro, Peps trazia a última mala com o material do laboratório para a sala. Estava tudo pronto e todos nos entreolhamos tensos. Ninguém ousou dizer nada, mesmo Finn e Jake compreenderam que aquele não era momento para brincadeiras.

– Nós não vamos ficar além de uma semana. Nós temos 7 dias para bolar um plano e atacar VK antes que ele vire Ooo do avesso. – Comecei explicando. – O nosso tempo é curto e está correndo, então, não encarem o lugar para onde vamos como um Playground. Não esqueçam que estamos em guerra. – Encarei a cada um dos presentes, suspirando pesadamente ao final.

– Estamos todos prontos? – Marceline perguntou, já se dirigindo para a parede livre da escada.

Era estranho a falta das velas ou do leite de insetos, por exemplo, mas não diz quaisquer perguntas. Ela deveria saber o que fazer, afinal. Somente as cortinas foram fechadas, deixando o ambiente na penumbra. Marcy se pôs a desenhar com os dedos na parede e eu senti um calafrio percorrer minha espinha.

– Maloso vobiscum… – Ela disse em um som gutural

– … et cum spiritum. – Peppermint, Amélia e Rayna responderam no momento em que a parece passou a brilhar e a abrir-se no meio.

Uma Marceline de olhos verdes fendados e orelhas pontiagudas nos encarou. Ela parecia no meio de uma transformação que agora, retrocedia pouco a pouco. Ela foi a primeira a entrar e todos os outros a seguiram. 


Notas Finais


OK!
Antes de tudo, eu gostaria de explicar o motivo do hiatus que tirei em LiR e que foi bastante extenso, pra falar a verdade. Com a correria do final do ano e as viagens que eu fiz na virada de 2016, eu acabei de afastando a história e quando voltei para escrever, me encontrei completamente perdida. Não sei se foi um bloqueio ou algo do tipo, mas cheguei num momento onde eu simplesmente não sabia o que fazer com a história e eu não conseguia pensar em nada que fosse bom o suficiente para por em prática. As antigas ideias não eram mais suficientes e eu não conseguia pensar em nada melhor. Foi quando, para não danificar a obra que eu vinha trabalhando com tanto carinho, precisei me afastar e ver as coisas do lado de fora.
Nos últimos meses, vim pensando com calma sobre o que eu gostaria de fazer quanto ao enredo de LiR e traçando com calma as linhas do futuro da fic. Eu tenho tudo esquematizado e já no rascunho até praticamente o desfecho de Stakes e é o eu estarei postando para vocês. Depois disso, vou pensar com carinho entre dar um final digno para Love in Red ou prosseguir para o arco do Lich (spoiler? Maybe!).
De qualquer maneira, eu voltei e estou muuuuuitíssimo feliz de estar aqui novamente. Vou tirar um tempinho pra ler o comentários que vocês me deixaram nesse meio tempo.
Bem, até loguinho e obrigadinha a você que não abandonou a tia mesmo depois de todo esse tempo. <3


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