História Bucket List - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Dra. Abigail "Abby" Griffin, John Murphy, Lexa, Marcus Kane, Octavia Blake, Raven Reyes
Tags Clarke, Clexa, Comedia, Crossover, Diversos, Drama, Fluffly, Lexa, Murphamy, Octaven, Romance, Song, Universo Alternativo
Exibições 544
Palavras 14.925
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Fluffy, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, olá.
Boa leitura.

Capítulo 12 - You and Me


...

- Okay, com mais força dessa vez, certo? - Lucy incentivava sua filha de seis anos, a mulher vestia uma blusa oficial do seu time de favorito de baseball, o Los Angeles Dodgers, em sua mão ela tinha uma luva característica do esporte, estava preparada para pegar a bola que sua filha iria arremessar -

- Eu não consigo mamãe, você está muito longe - reclamou Lexa cruzando os braços, mas permanecendo com a bola em sua mão. O boné azul com as iniciais LA mostrava que a garotinha também era fã do mesmo time que sua mãe - 

- Claro que você consegue, vamos lá, mais uma vez okay? - o sol do fim de tarde já não incomodava a garotinha de seis anos, ela descruzou os braços e viu o sorriso de Lucy crescer enquanto a mulher voltava a se abaixar na posição de receptor, sua mão vestida com a luva na posição para pegar a bola que a filha iria arremessar - Vamos Lexie, eu confio em você - incentivou mais uma vez -

Lexa olhou para a bola em sua mão, suas mãos pequenas não deixavam a bola ser abraçada por toda a mão, ela voltou a olhar para sua mãe que parecia muito longe para seu arremesso chegar nas mãos da mulher, ela respirou fundo e olhou ao redor, o parque ambiental no qual estavam já não tinha tantas crianças como há algumas horas e Lexa agradeceu por isso, ela não queria acabar acertando sua bola em outra criança como acontecera há duas horas, com as costas das mãos ela enxugou o suor em sua testa e endireitou seu boné, suas bochechas já estavam rosadas por todo o esforço naquela brincadeira com sua mãe. Ela então preparou seus pés como sua mãe ensinou antes de arremessar a bola, Lucy sorria a cada movimento da filha, foi então que a garotinha jogou a bola o mais longe possível, ela olhou sua bola cair muito antes de chegar a sua mãe e isso a fez bater o pé contra a poeira do chão e jogar seu boné. Lucy imediatamente correu para de encontro com a filha e sorriu.

- Ei, está tudo bem meu amor, não precisa ficar chateada - disse Lucy tirando sua luva e passando sua mão pelo o rosto da filha - 

- Eu falhei mamãe - retrucou com os olhos marejados, Lucy não entendia por que a filha mesmo com pouca idade sempre se cobrava de tudo -

- Não, você não falhou, estamos apenas brincando meu amor... ninguém falhou - Lucy esticou a mão e voltou a pegar o boné da filha, ela lembrava que havia comprado todo o uniforme dos Dodgers para o tamanho de sua filha, Lucy voltou a pôr o boné na cabeça de Lexa e sorriu -

- Você não está decepcionada? - perguntou abaixando o olhar, Lucy sorriu e beijou a bochecha úmida de suor da filha -

- Eu nunca ficaria decepcionada com você - assegurou causando um sorriso em Lexa, a garotinha abraçou sua mãe se sentindo menos culpada - Sabe o que iremos fazer? - perguntou como se estivesse prestes a dizer algo que a garota iria gostar - Um dia quando você estiver maior vamos à um jogo dos Dodgers e quando eles lançarem a bola para os torcedores eu vou pegar uma para você - Lexa sorriu animada como se não pudesse esperar para aquele dia chegar, ela apesar de ter apenas seis anos já era tão ligada ao esporte quanto a mãe, e no baseball conseguir pegar uma bola arremessada para a torcida era a realização de cada fã do esporte –

- Okay, hora de ir embora, não acham? - filha e mãe olharam para cima encontrando uma loira com as mãos na cintura como se estivesse prestes a repreender um filho - Está ficando tarde e vocês precisam de um banho antes de irmos comprar o presente para sua tia, Lexie - Gabriele podia ver o suor escorrendo nas testas de sua filha e esposa, ela não pôde esconder o sorriso bobo que se formou quando em sincronia as duas garotas arquearam uma sobrancelha - Não, não, não - Gabrielle deu alguns passos para trás sabendo o que aconteceria, Lucy e Lexa trocaram olhares e correram para abraçar Gabrielle - Vocês estão suadas. Não! - disse gargalhando mesmo com a situação não sendo de seu agrado, Lucy conseguiu fazer a esposa cair sobre a grama do parque -

- Mamy agora também está suada! - comentou Lexa beijando o rosto de Gabriele que só sabia sorrir com a situação, ela trocou olhares com sua esposa e instantaneamente teve o pensamento do quão sortuda era por ter aquela família -

- Eu já disse o quanto amo vocês duas? - perguntou Lucy tirando Lexa de sobre Gabriele e a colando sentada em suas pernas, Gabriele se apoiou nos cotovelos e continuou deitada sobre a grama -

- Quando eu acordei, quando eu voltei da escola, quando eu terminei minha tarefa, quando eu coloquei meu boné dos Dodgers, quando - Lexa continuava a dizer todas as vezes que ouvira sua mãe dizer que a amava naquele dia, Gabriele sorriu e olhou para a esposa - 

- Então vou dizer mais uma vez, eu amo vocês duas, meus dois amores - respondeu fazendo cócegas na filha e depois se inclinando para beijar Gabriele rapidamente - Okay campeã, hora de irmos para casa, não é? - a garota que antes estava sentada em suas pernas, já havia magicamente saído sem Lucy sentir, as duas mães olharam e observaram a filha ao lado de outra garotinha - Lexa? - chamou e Lexa olhou para trás -

- Quem é aquela garotinha, amiga de Lexa? - perguntou Gabriele levantando da grama e observando as duas garotas a uma pequena distância de si, ela não lembrava de ter visto aquela garota naquele parque antes. As duas mulheres foram até a filha e ficaram ao lado de Lexa enquanto observavam a outra garotinha -

- É sua? - perguntou a garotinha entregando a bola de baseball para Lexa, a garota havia esquecido ali quando correra para abraçar a mãe -

- É - disse pegando da mão da estranha garotinha. Lexa sorriu sem saber o por que e continuou a olhar para a garota - Você quer brincar comigo? - a garota pareceu assustada com tantas pessoas lhe observando, todas que estavam ali olharam para frente quando viram uma mulher chamar pela a filha, a garotinha diante de Lexa apenas acenou para a mesma e correu para sua mãe. Lexa continuou a observar a garotinha enquanto ela corria para os braços da mãe - Meu nome é Lexa... - disse mesmo sabendo que a garotinha não poderia ouvir, Gabriele e Lucy sorriram uma para a outra e tocaram no ombro da filha -

- Outro dia você brinca com ela meu amor, agora vamos - pediu Gabriele, e Lexa apenas concordou enquanto as três andavam para o carro parado próximo dali -

...

Depois da pequena declaração e do beijo que compartilharam diante do mar, as duas resolveram voltar para a casa decididas de que Lexa não iria a lugar algum sem Clarke. 

Elas estavam na mesma posição que já estavam acostumadas, uma diante da outra na cama, Clarke sabia que elas teriam muito o que conversar, assim como Lexa, porém nenhuma das duas pareciam querer começar a nova conversa, talvez o medo de saber a resposta e em como estavam depois do beijo seria muito assustador para as duas, mas aproveitando seu dia de coragem Clarke resolveu tomar novamente o próximo passo, ela abriu a boca e voltou a fechar, seus olhos continuavam em Lexa e a publicitária sorriu.

- Você pode perguntar - respondeu sabendo que Clarke estava para explodir com uma própria conversa com seu subconsciente, Lexa alcançou a mão da loira tentando passar um pouco mais de confiança - 

- Eu me declarei, nos beijamos e concordamos de que eu continuaria a viajar com você, mas... - Clarke parou suas palavras sem saber exatamente o porquê, ela havia perdido as palavras com algo irrelevante em sua mente que tentava tirar seu foco, ela balançou a cabeça e voltou - Mas o que isso quer dizer? - Lexa soltou a mão de Clarke e a loira pensou o pior, a publicitária se aproximou ainda mais e então as duas estavam próximas o suficiente para descobrirem a real tonalidade das diversas ondas que formavam a íris uma da outra -

- O que você quer? - perguntou em um sussurro como se não pudesse falar alto demais - O que você quer de mim? - perguntou no mesmo tom, ela viu a confusão nos olhos azuis, mas sabia que Clarke saberia responder a pergunta -

- Eu... não é sobre eu querer algo Lexa - explicou fazendo sua voz rouca ficar um pouco mais intensa com o sussurro - Não adianta eu querer algo se você não quiser o mesmo que eu -

- O que você quer? - insistiu, ela queria que Clarke dissesse o que realmente queria e não algo que Lexa queria, mas a loira continuou calada como se de todas as perguntas já feitas no mundo, aquela seria a única que ela não conseguiria responder - Você é a garota mais incrível e fascinante que eu já conheci na minha vida - Lexa sorriu e Clarke começou a sentir as insistentes acelerações erráticas que seu coração fazia quando Lexa sorria - E eu acho que eu sabia desde o início que você iria fazer alguma diferença na minha vida -

- Mas... - Clarke conhecia aquele olhar, conhecia aquela tática de elogiar para depois vir uma simples palavra "mas" que iria arruinar tudo, então a loira resolveu quebrar o contato visual não sabendo se iria aguentar olhar para os verdes de Lexa enquanto ela quebrava seu coração com palavras doces - 

- Sem "mas" - retrucou de imediato, a ponta do seu dedo indicador pousou no queixo de Clarke e o ergueu um pouco, ela parecia ser viciada nos olhos da garota - Eu só quero que você veja e entenda que você é bem melhor do que acha que é, eu sei que o que você sente por mim é real, e eu também sinto algo por você - os olhos de Clarke já gritavam esperança e ela sentiu um alivio indescritível ao ouvir aquilo - Eu só não estou em um momento bom para ter um relacionamento com alguém, eu não estou bem comigo mesma e eu não posso entrar em algo no qual eu não vou ser capaz de corresponder às expectativas - Lexa realmente estava dizendo a verdade, ela não seria capaz de entrar em um relacionamento com ninguém, ela tinha muito acontecendo em sua vida e não poderia adicionar algo a mais. Ela não queria arriscar algo com Clarke sabendo que não poderia se entregar completamente, Clarke merecia mais do que isso - Você é especial Claire, mas no momento o que eu posso oferecer é o que temos agora, sem nenhum compromisso, e eu sei que isso não é o suficiente para você ent - as palavras de Lexa foram cortadas por um beijo simples, mas que carregava um significado maior, Lexa levou suas mãos ao rosto da loira e as duas resolveram aprofundar o beijo não podendo impedir suas línguas de se encontrarem, a publicitária ouviu um gemido sair dentre os lábios de Clarke e isso a fez parar percebendo que ainda não era hora -

- Lexa... - sussurrou e beijou a ponta do nariz da publicitária, fazendo a mesma abrir os olhos - No momento ter você ao meu lado é o bastante, por você eu posso esperar o tempo que for necessário - Lexa sorriu e Clarke pôde ver que a garota havia ficado sem graça - Você não é apenas o "suficiente" Lexa, você é tudo - Lexa deixou uma curva nos lábios aparecer se sentindo um pouco envergonhada com o que ouvira, Clarke imediatamente entrou em um desespero interno, talvez ela havia ido longe demais - Desculpa, eu... eu não queria assustar você - Lexa podia ver a preocupação nos olhos de Clarke, então ela levou uma mão ao rosto da loira e seu polegar fez suaves círculos na bochechas de Clarke -

- Não se desculpe por isso - ela se aproximou e deu um selinho demorado nos lábios da empresária - Então estamos bem? - perguntou necessitada daquela resposta -

- Eu ainda vou poder beijar você? - retrucou sem mostrar nenhum sinal de que havia sido uma pergunta em tom de brincadeira, porque realmente não era, Clarke queria continuar a beijar a publicitária e enquanto esperava por uma resposta Lexa se fez alguns questionamentos internos -

- Você deve fazer isso - o sorriso da loira apareceu como se estivesse fazendo teste para propaganda de pasta dental, Lexa gargalhou percebendo o sorriso de uma criança ali - Agora é melhor irmos dormir, amanhã viajamos cedo - informou. Lexa beijou o rosto da garota e virou de costas, Clarke sem nenhuma permissão passou sua mão sobre a cintura de Lexa e colou seus corpos, deixando seu queixo descansar sobre o ombro de Lexa, a loira beijou o ombro da publicitária e depois depositou um beijo no pescoço da mesma fazendo com que arrepios corresse por seu corpo - Boa noite Claire - sussurrou fechando os olhos ao sentir a respiração de Clarke próximo ao seu pescoço -

- É Clarke - corrigiu causando um sorriso em Lexa - Boa noite Lexa - disse ao final, não demorando muito para adormecer com seu corpo sentindo o calor que irradiava do de Lexa -

...

- Ei, ei! - Octavia disse em tom de reprovação, já passava das três da manhã quando resolveram voltar para casa e já se encontravam no quarto - O que pensa que está fazendo? - perguntou quando Raven parou suas próprias mãos de tirar o restante da roupa. Depois do beijo nenhuma das duas quis conversar sobre o ocorrido, apenas continuaram aproveitando a festa juntas sem nenhum questionamento -

- Tirando a roupa para podermos nos beijarmos nuas e de preferência na cama - retrucou como se fosse óbvio, a publicitária não parecia bêbada assim como Octavia, ambas bem conscientes de tudo. Octavia gargalhou e foi até Raven que pareceu incomodada com aquela atitude da florista -

- Espera, você acha realmente que eu quero algo com você? - Octavia gargalhou novamente e pela primeira vez desde que conhecera a florista, Raven sentiu raiva da garota - Eu só beijei você porque eu queria contrariar meu pai e provar meu ponto, nada mais do que isso - Octavia viu a feição de Raven se fechar e ela esperou por uma resposta sarcástica ou uma resistência da publicitária, mas tudo o que Raven fez foi pegar seu vestido do chão –

- Qual o seu problema, garota? - era uma pergunta retórica e Octavia se viu pensando na resposta, Raven pegou o travesseiro da cama e resolveu ir para o quarto de Ingrid. Raven não sabia por que havia ficado tão irritada com a resposta de Octavia, já que ela não sentia nada além de desejo pela a florista. Octavia suspirou e fechou os olhos por alguns momentos pensando se realmente havia ido muito longe em suas palavras -

Raven não precisou bater na porta, ela já se sentia no direito de fazer isso. A publicitária viu Ingrid deitada no chão e falando algo que ela não conseguiu entender a princípio, Raven se aproximou e pôs seu travesseiro na cama de Ingrid para logo se abaixar e observar a mulher.

- Raaaae, para de rodar a cabeça - pediu Ingrid em uma voz lenta enquanto seus olhos piscavam - Tá parecendo aquela menina do exorcista que gira a cabeça - Ingrid gargalhou alto e Raven viu que a mulher estava realmente bêbada - 

- Okay Ingrid, vamos para cama okay? - sugeriu Raven segurando o braço da mulher, Ingrid levantou seu tronco e de imediato deu uma tapa em Raven que fez a garota levar uma mão ao local atingindo sentindo sua pele queimar - O que -

- Você quer me levar para cama? Eu não gosto de mulheres, mocinha, e outra você quer trair minha neta com a avó dela? - Raven girou os olhos e voltou a pegar no braço da mulher -

- Eu só quero ajudar você a ir para cama, só isso okay? - esclareceu e Ingrid sorriu entendendo tudo, com a ajuda da publicitária Ingrid conseguiu ficar em pé. Raven a direcionou para cama e a mulher se jogou de costas como se estivesse se jogando em um penhasco com os braços abertos - Você se importa se eu dormir aqui? - Ingrid apenas bateu sua mão no lado vazio da cama e Raven deitou ali -

- Acho que encontrei o amor da minha vida - comentou Ingrid se virando para Raven e confidenciando para a garota como se a publicitária fosse a sua melhor amiga. Raven se perguntou se Ingrid havia consumido algo além de álcool naquela festa - O nome dele é Jaha, é um pouco mais jovem que eu, mas eu senti que tivemos uma atração - Raven gargalhou percebendo que a mulher ficava mais tagarela quando bebia - Talvez eu e ele podemos entrar no casamento duplo de você, Lexa e minhas netas e então formamos um casamento triplo e e...e - Ingrid havia se perdido nos pensamentos não sabendo o que estava acontecendo, ela piscou e voltou a olhar novamente para Raven - Não sabia que você tinha uma irmã gêmea - respondeu vendo outra Raven ao lado de Raven - Prazer em conhecê-la outra Raven - Ingrid levou sua mão para o lado de Raven onde supostamente havia outra pessoa, Raven sorriu, mas não fez nada - Que rude - retrucou quando a garota não pegou sua mão -

- Hora de dormir Ingrid... - desejou e virou para o outro lado, nem ao menos percebeu que Octavia estava parada na pouca abertura da porta observando com um sorriso que nem ela mesmo sabia que estava ali a interação de Raven -

- Desculpa - Ingrid olhou para Raven que ainda estava de costas e percebeu que aquela voz não havia saído dela - Desculpa se fui rude com você - Ingrid sentou na cama e viu que era apenas sua neta parada na porta, ela não lembrava quando Octavia havia sido rude e tentou exercitar sua mente para buscar o que a neta havia feito - Okay, já fiz minha parte me desculpando - disse sem paciência, Raven não se movia, porém ouvia tudo com clareza -

- Está desculpada querida - respondeu Ingrid com um sorriso –

- Você não vovó, estou falando com Raven que eu sei que ainda está acordada - disse apontando para a publicitária, foi então que Ingrid entendeu -

- Sabe o que iria fazê-la se sentir bem depois que você fez seja lá o que foi para chateá-la? Uma noite de amor - Octavia girou os olhos vendo que sua avó ficava ainda mais maliciosa depois de algumas bebidas, Raven sorriu com o comentário e resolveu mudar sua posição e olhar para Octavia -

- Sua avó está certa - retrucou gostando da ideia da mulher. Octavia realmente achava que a publicitária havia ficado chateada, porém ao ver aquela feição de Raven sabia que era tudo dramatização -

- Não sei por que vim aqui - Octavia saiu do quarto furiosa, Ingrid apenas olhou para Raven que entendeu tudo -

A publicitária pulou da cama e correu para alcançar Octavia, antes que a florista pudesse entrar em seu quarto Raven segurou a mão da garota.

- Eu desculpo você, e realmente doeu saber que você só havia me beijado para provar algo ao seu pai - dessa vez Octavia viu que Raven estava falando a verdade então ficou calada enquanto apreciava uma das poucas vezes que Raven falava sem um tom de malícia ou para irritar a florista - Eu gosto de ficar ao seu lado, Deus sabe lá o porquê já que você sempre parece me querer longe - Raven continuava a segurar a mão de Octavia -

- Raven não f -

- Eu insisto com você demais para isso ser apenas uma atração física, eu não estou dizendo que estou apaixonada por você ou algo assim, mas não é apenas atração - Raven depois de beijar a florista entendeu que não era apenas sexo, ela sentia que queria mais de Octavia, ela se sentiu mais ligada à garota e isso ela não iria negar - Eu sei que você se machucou, mas você não sabe o quanto eu também já fui magoada, então se você realmente não quer absolutamente nada comigo é melhor você me dizer isso agora porque eu vou me afastar o quanto antes, só não usa seus joguinhos comigo, não sorri como se me desse esperança de que algo vai rolar, não me olha como se pedisse para não desistir de você. Somos grandes o suficiente para ser sinceras uma com a outra, então? O que vai ser? - Raven não sabia o que seus sentimentos poderiam dizer sobre Octavia, mas ela queria se assegurar de que se continuasse a insistir em Octavia a garota não iria magoá-la como alguém um dia fez -

- Eu não sou a garota que vai mudar sua vida Raven, então é melhor você continuar procurando - respondeu sem nenhum sinal de raiva ou sarcasmo, era a voz que toda pessoa usava quando estava abrindo mão de algo que queria. Raven lentamente soltou a mão de Octavia enquanto seus olhos continuavam na florista na esperança de algo mais sair da boca dela - E me desculpe pelas as vezes que fui rude com você, eu estava descontando em você a raiva por outra pessoa... - Octavia tinha que admitir que havia sido rude com a garota quando não deveria, Raven apenas continuou olhando para frente quando Octavia passou por ela parando exatamente ao lado do ombro da publicitária - Acredite, você ficará melhor sem mim - respondeu e voltou a andar para sua cama, Raven queria saber o que diabos havia acontecido para ter deixado Octavia daquela forma, mas ela não estava disposta a perguntar diretamente para a garota. A publicitária apenas fechou a porta e voltou para o quarto de Ingrid, ela iria pensar melhor quando não estivesse com Octavia -

- Vocês não vão esperar os outros acordarem? - perguntou Abby quando sua filha e Lexa apareceram juntas na cozinha e já preparadas para irem embora -

- O voo sai em menos de uma hora mamãe, já estamos atrasadas - explicou enquanto verificava o horário em seu celular. Abby levantou da cadeira e abraçou a filha –

- Não some novamente, okay? Nós sentimos falta de você - disse já com lágrimas nos olhos. Lexa olhou aquela cena vendo o quanto as duas se amavam, não pôde deixar de lembrar da própria mamãe -

- Eu vou voltar mais vezes, mas vocês também precisam me visitar em Polis - argumentou soltando-se de sua mãe e enxugando as lágrimas bobas do rosto da mesma - Amo você mamãe - Abby depositou um beijo no rosto da filha e se aproximou de Lexa -

- Foi um prazer conhecê-la Sra. Griffin, obrigada por me convidar - agradeceu educadamente como fora ensinada, Clarke sorria feito boba e Abby percebeu que naquela manhã sua filha havia acordado com outra energia -

- Apenas Abby, querida. - Abby foi até Lexa e a abraçou pegando a publicitária desprevenida. - E também espero vê-la novamente - Abby soltou o abraço e segurou as mãos de Lexa - Eu não sei por qual problema você está passando, mas é perceptível pela a sua aura que você está passando por um momento difícil. Só aguente firme okay? Há sempre um novo dia - Lexa procurou por Clarke se perguntando se Clarke havia dito algo, mas ela percebeu pelo o olhar surpreso da loira que a garota não havia falado nada -

- Obrigada Abby - agradeceu. -

Lexa não queria acordar sua amiga para se despedir, ela sabia que Raven havia exagerado na bebida e provavelmente só acordaria a tarde, ela deixou uma mensagem no celular de Raven sabendo que a amiga entenderia.

- Não acredito que iriam sem se despedir de mim? - a voz de Jake ecoou pela a cozinha e Lexa sorriu para o homem. Animado como sempre ele deu um rápido selinho em Abby, depois um beijo na testa de Lexa e parou em Clarke - Já prendi Octavia no quarto, estava esperando conseguir prender você aqui também - antes que Clarke pudesse falar algo Jake a abraçou causando um sorriso em Abby e Lexa -

- Papai! - reclamou ainda presa aos braços do homem. Jake finalmente a soltou e beijou a testa da garota -

- Eu quero você de volta para o Natal, e quero que traga Lexa e toda a família dela, vamos fazer uma grande festa aqui - afirmou animado, porém logo percebeu um olhar triste em Lexa o que fez o homem se perguntar se havia dito algo errado - Eu disse algo errado? -

- Não, claro que não - respondeu Lexa prontamente e Clarke percebeu que foi a menção sobre a família de Lexa que havia deixado a garota assim - Enfim, temos que ir senão perdemos o voo - lembrou e Clarke concordou ficando ao lado da publicitária - Foi um prazer conhecê-lo, Jake - Jake sorriu, olhou para a filha e viu o quanto ela parecia radiante, imaginou que as duas haviam se acertado de alguma forma -

- Igualmente querida, e lembre-se que já me sinto próximo de você o bastante para dizer que Abby, eu e Kane estaremos aqui para o que você precisar. Os amigos de Clarke e Octavia sempre serão bem-vindos aqui - Jake abriu os braços esperando por um abraço de Lexa, a garota cedeu e fez o esperado. Abby e Clarke tinham o mesmo olhar ao observar a cena -

- Já está na nossa hora, papai… - informou e o homem entendeu que era hora de dizer adeus. -

- Tenho uma coisa para você - Jake correu sem dar mais explicações. As três mulheres se entreolharam confusas, Jake em questão de segundos voltou para a cozinha e na sua mão tinha o antigo companheiro de Clarke, o ursinho Rocco - Não acredito que você ainda guardava isso - Clarke gargalhou e pegou o urso da mão de seu pai -

- Onde isso estava? - Clarke não via aquele urso há anos -

- Guardado em seu quarto, lembro que você não conseguia dormir sem ele - Kane apareceu na cozinha, Jake havia comentado com os dois companheiros sobre o que achara. Kane repetindo o ato de Jake, beijou a testa de Lexa e depois de Clarke, por último deu um selinho em Abby - Você deveria levar com você - comentou o homem para Clarke -

- Não, vocês podem jogar se quiserem - disse entregando para Kane, Lexa imediatamente tomou o urso da mão de Clarke causando espanto em todos -

- Você não pode jogá-lo, ele é raro sabia? - Lexa parecia chateada enquanto olhava para Clarke - Ele é de uma edição limitada, quando eu era criança eu era louca por um desses - disse olhando para o ursinho em suas mãos -

- Ela tem razão, hoje ele deve estar valendo uma fortuna. Nos anos 90 ele foi uma febre e qualquer colecionador estaria disposto a pagar uma alta quantia - informou Kane enquanto colocava o café em sua xícara -

- Você pode ficar com ele se quiser, veja como um presente meu para você - respondeu Clarke e Lexa pareceu gostar da ideia, ela de imediato abriu sua mochila e o guardou - Agora realmente temos que ir -

Todos voltaram a se despedir das garotas e as acompanharam até a porta, na passagem pela a sala Clarke pegou seu violão e seguiu Lexa. Foi embora prometendo voltar e em sua mente ela imaginava que voltaria com Lexa ao seu lado.
Clarke não querendo que seus pais tivessem trabalho, chamou um táxi antes que eles pudessem se oferecer para levá-las, já no táxi Clarke suspirou sentindo saudades dos que deixou ali, ela olhou para o seu lado e sorriu.

- Então, para onde vamos? -

- Você é fã de baseball? - perguntou com um sorriso e Clarke tentou desvendar o que raios seria o próximo item da lista -

- Bom dia… - os três adultos olharam para trás e viram uma desanimada Raven se aproximando. Sem esboçar um sorriso ela fez hi-five com Kane e Jake e depositou um beijo na cabeça de Abby, puxou uma cadeira e sentou ao lado da mulher à mesa. Todos continuaram a olhar para Raven que parecia ter sido substituída por uma versão triste -

- Okay, vai nos contar o que aconteceu agora ou vai esperar as outras acordarem? - perguntou Kane levando um pedaço de mamão à boca enquanto observava a garota que passava geleia em sua torrada de forma brusca -

 

- O que ela tem tanto medo? Por que ela se fecha tanto para mim? O que? Eu não sou boa o suficiente para ela? - as próximas palavras foram incompreensíveis já que a publicitária enfiou um grande pedaço da torrada em sua boca - Mas quer saber? Eu não vou entrar nessa não, eu já estive nessa posição, comecei a gostar da garota ela se fez de difícil, eu insisti, ficamos juntas e eu me apaixonei, e no momento que eu estava desarmada ela me esfaqueou nas costas e me destruiu, não vou deixar isso se repetir. Se Octavia não está disposta a me dar uma chance eu não vou insistir mais - Raven nem ao menos olhava para os outros ali, ela confidenciava os pensamentos audíveis para a torrada que estava sendo coberta de geleia -

- Eu achei que estava tudo certo entre vocês depois do que aconteceu ontem - comentou Abby parando Raven de continuar a pôr geleia na torrada. A publicitária suspirou e olhou para Abby -

- É, eu também, mas aparentemente Octavia foi quebrada e não tem concerto -

- Ela se apaixonou por esse rapaz, aparentemente um príncipe encantado, eu desde o começo o odiei, mas não poderia fazer nada contra ele - Jake parou de comer e deixou sua atenção em Raven - Octavia estava cega por uma perfeita ilusão, ela o defendia sempre… - Abby olhou para o homem e viu fúria nos olhos azuis - Com um ano de namoro, em um dos aniversários de mamãe ela veio para a festa com ele, eu a abracei como sempre faço, a apertei e vi a dor em seu rosto, um lugar como esse e Octavia passou os dois dias de calça jeans e blusões, foi então que eu percebi que algo estava errado - Raven sentiu seu estômago revirar ao imaginar o que havia acontecido -

- Jake, ela… -

- Eu nem precisei falar com ela para saber o que havia acontecido, eu fui até a praia e o agredi, eu estava furioso com a ideia dele ter batido em minha filha. Ela imediatamente negou e ficamos sem nos falar por algum tempo, mas eu estava certo - Jake fechou seus olhos imaginando o rosto daquele homem -

- Então um dia Clarke ligou para nós desesperada, dizendo que Octavia estava no hospital e precisava de nós - continuou Kane lembrando daquele fatídico dia - Bellamy nos contou que quando estava chegando no apartamento onde Octavia dividia com o namorado, ele ouviu gritaria e barulhos de objetos sendo quebrados. Ele abriu a porta e viu Octavia no chão, tinha um corte no supercílio e o namorado em pé olhando para ela como se nossa filha não fosse nada, Bellamy e ele acabaram entrando em outra briga até que ele conseguiu fugir. Bellamy a levou para o hospital e foi então descobrimos tudo - Kane olhou para Raven e viu que a garota estava em mistura de surpresa e dor - Ela o amava, amava tanto que mesmo depois de ter ido parar no hospital por causa dele ainda queria o perdoar, foi então que eu e Jake o encontramos e não tivemos outra escolha a não ser ameaçá-lo para ir embora, mas ele não foi, oferecemos uma boa quantia e ele finalmente foi embora e nunca mais voltou. Poderíamos o ter entregado para a polícia ou até feito algo maior, mas sabíamos que Octavia nunca iria nos perdoa -

- Depois de alguns meses Octavia pareceu entender que aquele canalha não era nada bom, ela passou a morar com Clarke e Bellamy, voltou a sua rotina normal, porém ele não tinha deixado apenas marcas físicas em Octavia, ele a tinha quebrado por dentro. Ela acha que ela mesma fez algo ruim para ter merecido ser agredida, acha que não foi boa o bastante e que há algo de errado com ela. Foi então que ela construiu esse muro em volta do coração e não deixa ninguém entrar, ela acha que não é boa para ninguém. - explicou Abby, sua voz embargada porque tocar nesse assunto sempre a deixava triste, ela sabia que Octavia havia conseguido se erguer voltando a vida normal, porém ela não se deixava amar novamente -

- Tentamos convencê-la a ir ao um terapeuta ou algo assim para trabalhar essas inseguranças, mas ela é muito cabeça dura e não aceita isso. - disse Jake, Raven não sabia o que falar, ela estava congelada enquanto as palavras dos outros entravam em sua mente - Ela ainda guarda algumas coisas que o faz lembrar dele, sabe? Ainda deixa as fotos que os dois tiraram em seu celular, mas não porque ela ainda sente algo, mas como se fosse um lembrete para isso nunca se repetir - Jake como sempre otimista, ainda aguardava o dia que Octavia pudesse realmente ser feliz -

- Eu... eu sinto muito - disse olhando para Abby e depois para os outros homens, o nó em sua garganta deixava claro o quanto ela estava comovida com a estória - Eu não tinha ideia de que era tão grave, meu Deus, eu sou uma idiota! - 

- Você é uma pessoa encantadora Raven e você já percebeu o quanto eu gosto de você, e o quanto eu desejo que você e minha filha se entendam, mas como um pai protetor eu tenho que alertar você de que se você não estiver certa do que quer então não continue insistindo com minha filha, mas se você realmente sente que vocês podem ir longe que você pode amá-la o bastante para ensiná-la a confiar e amar novamente você tem todo o meu apoio -

- Ai meu... não! - todos olharam para trás vendo Octavia parada e com o olhar espantando - Por que vocês estão com essa cara? Aconteceu algo com a vovó? Ela... ela -

- Ela está dormindo, fica tranquila - acalmou Kane sorrindo e incentivando aos outros fazerem o mesmo, ele não queria que Octavia desconfiasse sobre o que estavam falando - 

- E por que essas caras de enterro? - perguntou puxando uma cadeira ao lado do seu pai e diante de Raven e Abby. Jake se inclinou para beijar o rosto da filha e bagunçar os cabelos da mesma como se fosse um moleque - 

- Estamos todos tristes por que vocês estão indo embora, Clarke e Lexa já foram, vocês logo mais vão... - explicou Abby mudando sua atenção para Octavia, Raven olhava para a florista como se a garota fosse um ser de outro planeta -

- E quanto a você Reyes? Por que está me olhando assim? - comentou esticando a mão para pegar a geleia que estava próxima da publicitária, Abby beliscou a perna de Raven a trazendo de volta para a realidade -

- Hum, nada. Só... só estou com um pouco de dor de cabeça - 

- E eu sou algum tipo de remédio que vai curar sua dor de cabeça só de olhar para mim? - disse em seu tom sarcástico de sempre, causando risos em Kane e Jake. Raven não sorriu ou disse algo, ela só continuou a comer sua torrada - Okay, vocês estão estranhos - comentou parecendo não se importar muito, Jake apenas negou com a cabeça e todos seguiram com um café da manhã silencioso -

...

As duas desembarcaram e perceberam a grande diferença em movimentação dos outros aeroportos comparado àquele, estavam no LAX, era quase irritante a quantidade de pessoas indo e vindo, falando alto entre si, falando alto ao telefone, alguns paparazzi posicionados para receber a próxima celebridade que fosse desembarcar ali. Clarke não era fã de Los Angeles exatamente por ser tão movimentada daquela forma, mas ela não precisava comentar isso com Lexa. As duas andaram até a saída do aeroporto e entraram no táxi que já estava parado esperando as passageiras, entram em silêncio e Lexa pediu para o taxista as levarem para o hotel Kawanda que ficava há menos de três quilômetros do próximo item da lista de Lexa.

Ao chegar no local Lexa fez o check in e subiu para o quarto com Clarke ao seu lado, a publicitária abriu a porta e logo procurou a cama para se jogar sobre a mesma, Clarke sorriu e se aproximou esperando alguma explicação a mais sobre qual seria o próximo item.

- Minha mãe - disse olhando para Clarke sabendo que a loira estava curiosa para saber o item - Ela é louca pelos os Dodgers, mesmo morando toda sua vida em New Jersey ela nunca torceu para nenhum time de baseball local, desde pequena ela aprendeu a amar os Dodgers, acho que isso vem do meu avô que também era fanático por eles - Clarke apenas mantinha sua atenção em Lexa enquanto ela contava aquele pequeno fato de sua família - Assim como eu - 

- Sem chances! - retrucou Clarke junto com uma gargalhada - Você fã de esportes? Não me parece -

- Você não tem ideia do quanto - disse levantando seu corpo e ficando sentada diante de Clarke - Mamãe me levou para meu primeiro jogo dos Dodgers quanto eu tinha doze anos - Clarke podia jurar que viu os olhos de Lexa brilhar ao falar - Ela pintou meu rosto de azul e branco cores oficiais do time, minha mãe Gabrielle enlouqueceu quando me viu assim, mas era nossa tradição - pela a primeira vez Clarke viu Lexa sorrir ao mencionar o nome de Gabrielle - 

- Então o item da sua lista é assistir um jogo deles novamente, é isso? - perguntou curiosa, Lexa tinha um sorriso nos lábios que fez Clarke prontamente entender que não seria tão simples assim - E lá vamos nós... não será algo fácil assim, não é? -

- Em todos os jogos minha mãe sempre tentava pegar uma das bolas que eram lançadas para a torcida, mas nunca tivemos a sorte de estar no local certo. Um dos itens da lista é isso, conseguir pegar uma bola de baseball dos Dodgers que for lançada para a torcida - Clarke ficava surpresa toda vez que Lexa falava algo extremamente complicado parecer simples com sua voz suave -

- Espera... - Clarke sorriu como se estivesse participando de alguma câmera escondida, ela não conseguia acreditar no que ouvira - Você está me dizendo que o item é pegar uma bola que é lançada para milhares de pessoas enlouquecidas em um estádio local do maior time de baseball da Califórnia?! - o modo como Clarke havia falado fez Lexa perceber que realmente era algo difícil de se realizar - Lexa, as chances de você conseguir pegar essa bola é de uma em... sei lá, infinito. - 

- Infinito, Impossível, odeio essas palavras que começam com In/Im e tentam nos parar. Eu vou conseguir aquela bola e vou levar até minha mãe! - Clarke viu a intensidade na qual Lexa a olhava, como se estivesse desafiando Clarke a tentar argumentar contra. - Você pode ficar aqui se quiser, Claire, eu - quando Lexa menos esperava os lábios de Clarke tocaram os seus e suas palavras foram engolidas. Por alguns segundos ela perdeu seu raciocínio e antes que pudesse levar suas mãos ao rosto de Clarke a loira quebrou o beijo –

- Você ainda não entendeu? A única forma de você me fazer ficar em um lugar é se você estiver nele - Lexa se perguntou quando Clarke havia construído tanta confiança assim, a publicitária sorriu e imediatamente as maçãs do rosto da empresária ficaram coradas -

- Gosto quando você cora - disse causando ainda mais calor no rosto da loira, Lexa gargalhou alto e puxou Clarke pela a blusa trazendo a garota para mais perto de si - Mas eu gosto ainda mais quando você fica assim - as duas estavam frente a frente novamente, faltando apenas mais um movimento para os lábios se encontrarem - Quando eu posso dizer exatamente o quão azul seus olhos são - os olhos de Lexa procuraram os lábios da loira e Clarke engoliu a seco, um sorriso malicioso se formou em Lexa, a publicitária levou seus dentes ao lábio inferior de Clarke e o puxou sem muita pressão, a loira por sua vez levou suas mãos ao rosto de Lexa e voltou a beijar a garota -

Clarke parecia necessitada do beijo, ela não esperou muito tempo e entreabriu a boca deixando a língua de Lexa deslizar para dentro, a loira se inclinou contra Lexa fazendo a publicitária deixar suas costas na cama, a loira sem quebrar o beijo ficou sobre Lexa e uma de suas mãos desceu para a blusa de garota.

Ela sabia que Lexa não estava procurando por um compromisso naquele momento, ela entendia o motivo da garota, ela iria esperar o tempo que fosse necessário, enquanto continuava a beijar a publicitária as duas com fôlegos invejáveis, Clarke se perguntava se era daquela forma que ela queria que a primeira vez delas acontecesse, ela sentiu as mãos de Lexa entrarem em sua blusa e arranhar seu abdômen, foi quando a loira parou e quebrou o beijo bruscamente deixando Lexa confusa e frustrada, as duas tentando recuperar o fôlego permaneceram se olhando, Clarke com suas mãos firmes segurando o lençol da cama ao lado da cabeça de Lexa e a publicitária ainda com uma mão dentro da blusa da loira.

- O que... você não quer isso? Só porque eu disse que não queria um compromisso não quer dizer que eu não quero sexo – explicou sentindo seu coração acalmar aos poucos. Clarke caiu para o lado da cama e Lexa virou sua cabeça para encarar a loira -

- Claro que eu quero, mas não assim, não desse jeito - Clarke continuou a observar a confusão no rosto de Lexa - Eu quero todo um clichê de filme romântico, eu quero que seja especial para você, eu quero que você lembre de cada detalhe - Lexa pareceu ter entrado em outro universo, ela olhava para Clarke como se tivesse outra coisa em mente - Eu sei que você não quer um relacionamento agora e eu entendo isso, mas sabe... hum... eu, é que - Clarke estava começando a voltar para sua origem de se perder em palavras direcionadas à Lexa - 

- É que... – incentivou a continuar –

- Seja lá o que venha acontecer entre nós no futuro, eu quero que você lembre de mim e de tudo o que compartilhamos. Nossa primeira vez, se tivermos uma primeira vez, eu quero que seja um momento que você não vá esquecer - a voz rouca de Clarke pareceu temer algo, foi quando Lexa levou sua mão ao rosto da loira fazendo a mesma fechar os olhos -

- Eu nunca poderia esquecer você, Claire - assegurou achando que havia dito apenas em sua mente, porém quando Clarke olhou para a publicitária com olhos esperançosos, Lexa soube que havia dito em voz alta - Você é uma boba, sabia? - Lexa sorriu mostrando os dentes perfeitos e Clarke corou, a publicitária se aproximou um pouco mais e descansou sua cabeça sobre o peito de Clarke enquanto a loira levou suas mãos para as costas da garota -

- Posso perguntar algo? - Clarke sentiu Lexa mover a cabeça sobre seu peito, como se tivesse afirmando a pergunta de Clarke - Algum dia eu vou saber por que você me chama de Claire? - Clarke brincava com os cabelos de Lexa enquanto esperava por uma pergunta que nunca veio - Okay, acho que posso conviver com isso, Claire é até um nome bonito - Lexa ainda na mesma posição sorriu com a resposta e fechou os olhos gostando de como os dedos de Clarke massageavam seus cabelos - 

...

- Não, mãe! - Raven estava ao telefone com Stef, a mãe policial - Eu não sei o nome dele e não sei onde ele está, eu vou mandar uma foto para você e você tenta encontrar um jeito de achar esse filho da - Raven ouviu sua mãe a repreender antes que ela terminasse de praguejar o homem - É, ele agrediu Octavia e provavelmente deve estar fazendo isso com outras mulheres! - a raiva de Raven crescia ainda mais ao imaginar alguém encostando um dedo na florista - Não sei mãe, deve ter sido a uns três anos atrás mais ou menos isso - Stef começou a falar algo e Raven ouvia atentamente, ela olhou ao redor da sala e viu que ainda estava sozinha - Eu vou tentar descobrir o máximo de informação sobre ele e mando para você, okay, certo, tudo bem. Amo você também - Raven desligou a ligação e sentou no sofá, seus olhos se fecharam e ela lembrou da noite passada quando seus lábios estavam com os de Octavia -

- Não faça isso - Raven imediatamente abriu os olhos e levou uma mão ao peito com o susto que tomara, Ingrid deu a volta no sofá e sentou ao lado da publicitária, a mulher tinha em sua mão uma garrafa d'água tentando se hidratar - 

- Isso o quê? -

- Se Octavia souber que você está desenterrando o passado dela, ela vai ficar furiosa com você, e isso vai eliminar completamente qualquer chance que você tenha com ela - Ingrid falava baixo e Raven imaginou que era por conta da dor de cabeça infernal que a mulher estava sentindo - Não sei quem diabos contou isso para você, mas Octavia prefere fingir que nunca aconteceu e você deve fingir que nunca ouviu essa estória -

- Por que ninguém fez nada? Por que deixaram ele ir assim ileso? - Raven tinha os olhos atentos para que ninguém entrasse ali sem ela perceber, Ingrid tomou um gole de água e enxugou a boca com as costas da mão -

- Jake sabia que se ele fosse para a prisão alguém iria pagar a fiança e ele voltaria a infernizar a vida da minha neta, esse cafajeste sabia muito bem que Octavia nunca o deixaria mesmo com toda essa relação desastrosa, ela sempre dizia que ele não faria mais isso, mas nunca acreditávamos. Então Jake ofereceu uma quantia de dinheiro que ninguém recusaria, ele apenas pegou o cheque e sumiu de vez, então desde então nunca mais ouvimos falar dele e minha neta finalmente pôde seguir em frente e entender que esteve cega nesse relacionamento - Ingrid percebeu a ira se formar nos olhos castanhos e levou uma mão até o braço esticado de Raven no sofá - Você gosta da minha neta Rae? Seja sincera comigo -

Raven hesitou por um momento, se ela gostava de Octavia? Raven pensou nessa pergunta e a repetiu tentando encontrar uma exata resposta. Ingrid observava Raven como se tivesse todo o tempo do mundo, ela sabia que Raven deveria estar confusa. 

A publicitária então isolou os sentimentos superficiais que a faziam querer Octavia, e então um sorriso apareceu em seus lábios porque ela descobriu que não queria apenas um beijo ou uma noite de sexo, ela queria poder segurar a mão de Octavia quando saíssem na rua, ela queria poder levar Octavia a um jantar com sua família, ela queria poder defender Octavia quando sua mãe Lena entrasse em uma discussão com a garota, ela queria poder dizer a Octavia que ela não era nada como o último relacionamento da garota.

- Vai chegar meu próximo aniversário e você ainda está aí pensando - Ingrid levantou do sofá e pegou sua água, Raven segurou a mão da mulher e sorriu, aquela foi a resposta de Raven - Ótimo, agora seja paciente, e lembre-se de que uma ferida não se cura de um dia para o outro, enquanto ela continuar ali na pele ela vai incomodar e até doer em alguns momentos, mas um dia ela simplesmente some. Minha neta gosta de você, e sabe como eu tenho certeza disso? - Raven negou - Porque mesmo com as implicâncias ela ainda não deixou você sumir da vida dela -

...

- Okay - Clarke parou seus passos na rua e abriu a sacola mostrando o que acabaram de comprar - Já compramos nossas blusas dos Dodgers e os ingressos para o jogo à tarde - informou fechando a sacola e olhando para Lexa que pôs seus óculos escuros de volta no rosto - Para onde vamos agora? -

- Ali naquele parque tem o melhor cachorro-quente que comi em toda minha vida, quer experimentar? - Clarke apenas concordou e Lexa segurou a mão da loira entrelaçando seus dedos, Clarke não pôde deixar de sorrir internamente ao sentir de novo o calor agradável quando sua mão e a de Lexa estavam juntas -

As duas atravessaram as longas pistas da cidade e entraram no parque ambiental, elas logo viram alguns homens com câmeras fotográficas profissionais parados em um banco, provavelmente esperando alguém famoso aparecer causalmente por ali. As duas caminharam um pouco mais e encontraram um lugar vazio onde não tinha quase ninguém, as garotas sentaram na grama próxima a um lago onde algumas crianças alimentavam os patos dali.

- Eu vou comprar e você fica aqui, okay? - Clarke apenas concordou com a cabeça e observou Lexa andar em outra direção -

A loira colocou a sacola de compras ao seu lado e deitou na grama, fechou seus olhos enquanto o vento espalhava alguns fios de seus cabelos.

Clarke não esperava que acontecesse daquela maneira, ela não esperava que depois da sua declaração Lexa agisse daquela forma, Clarke já estava preparada para um "eu sinto muito, Claire, mas não sinto nada por você", ela não esperava que Lexa a beijasse e muito menos que de certa forma a desse uma chance, mas ali estava Clarke, deitada na grama sorrindo feito uma boba com os olhos fechados imaginando seus próximos passos com Lexa, se ela tivesse o poder de dar uma espiada em seu futuro ela faria isso para saber se no final de tudo ela e Lexa continuariam juntas, porque naquele momento Clarke não conseguia imaginar um futuro sem Lexa nele.

A loira puxou o ar do ambiente para seus pulmões e antes que pudesse abrir os olhos ela sentiu uma dor irritante e inesperada em sua cabeça, ela imediatamente abriu os olhos e levantou seu corpo da grama para procurar o que tinha acontecido, ela olhou para seu lado e viu uma bola de baseball parada ao seu lado, a loira franziu a testa e pegou a bola, Clarke analisava a bola se perguntando de onde aquilo tinha vindo.

- Ai meu Deus! - Clarke levantou seu olhar e viu uma preocupada mulher ao lado de um garotinho que usava um boné de um time de baseball - Atingiu você? - perguntou nervosa. A mulher era alta, os cabelos negros como a noite e ao seu lado um garotinho que era o oposto da mulher, tinha os olhos claros e o cabelo em uma tonalidade de loiro que quase se assemelhava com os de Clarke -

- Não foi nada - disse sorrindo para a mulher, mas a bola ainda continuava em sua mão -

- Meu nome é Emily, esse aqui é meu filho Matt- respondeu com orgulho de suas palavras, Clarke olhou para o garoto e depois para a mulher e se perguntou quantos anos o pequeno Matt deveria ter -

- Eu sou Clarke - respondeu levantando da grama e cumprimentando Emily com um apertar de mão, Clarke olhou para o garotinho que aparentava ter quatro a cinco anos de idade - É sua? - perguntou se abaixando e mostrando a bola -

- De novo não... - os três ali olharam para o lado e viram uma outra mulher se aproximar, Clarke olhou para Emily e percebeu que as duas se conheciam - Matthew Jonathan Fields DiLaurentis, quantas vezes eu vou ter que repetir para tomar cuidado com isso? - a mulher loira de estatura mais baixa olhou para o garoto e depois virou para a loira estranha - Me desculpe por isso, meu filho e a mãe dele vão acabar sendo proibidos de entrar no parque se continuar acertando as pessoas dessa forma -

- Não foi nada - Clarke sorriu para a garota e entregou a bola para Matthew - Aqui, você tem uma boa mão para arremesso, alguém já disse isso? - o garoto sorriu e olhou para Emily -

- Mamy disse que eu vou ser um arrebentador de bosiball - Clarke gargalhou quando o adorável garotinho se atrapalhou nas palavras - 

- Tenho certeza de que vai - retrucou sorrindo. Clarke voltou para Alison e estendeu sua mão para a garota - Eu sou Clarke -

- Alison - Alison que tinha na mão uma sacola com uma logo de cachorro-quente no centro, sorriu e cumprimentou Clarke agradecendo mentalmente aos deuses por Clarke não ser mais uma das pessoas que gostam de escândalos e brigar por conta do pequeno acidente -

- Ei - Lexa apareceu carregando em uma das mãos uma sacola idêntica à de Alison - Você deixou isso aqui em uma das mesas - Lexa vira exatamente o momento em que Alison pegou seu pedido e acabou esquecendo o celular sobre uma das mesas de espera, por sorte ela encontrou a garota a tempo -

- Eu saí tão apressada que acabei esquecendo, obrigada - agradeceu Alison pegando o celular e guardando no bolso. Lexa observou aquela cena e todas aquelas estranhas ao redor de Clarke, o silêncio confuso fez Alison continuar a olhar para Lexa se perguntando o que a garota estava esperando -

- Eu perdi alguma coisa? - Lexa fez a pergunta diretamente para Clarke, enquanto a família olhava para ela -

- Eu fui atingida por uma bola de baseball, Matthew aqui - Clarke apontou para o garotinho e sorriu - Ele tem um braço bastante bom para a coisa, Emily que é a mãe dele veio se desculpar por isso, foi então que apareceu Alison a outra mãe dele que por coincidência esqueceu o celular que você encontrou e agora estou aqui contando como todos nós nos conhecemos Clarke falou em um fôlego só deixando as mulheres tentando assimilar a rapidez das palavras da loira -

- Okay, o que acham de sentarmos aqui e aproveitarmos o lanche? - sugeriu Alison mostrando a sacola e apontando para a de Lexa, todos pareceram concordar e sentaram-se ali na grama diante do lago -

Nos primeiros cinco minutos todos comeram em silêncio, Alison se perguntou por que diabos ela tinha dado a ideia de comer ali com estranhos, mas foi só Matthew espirrar ketchup na blusa de Emily que o silêncio desconfortável havia sido quebrado por gargalhadas. Clarke perguntou a idade do garoto e com isso desencadeou uma conversa agradável entre as mulheres. Clarke e Lexa descobriram que o pequeno Matthew tinha cinco anos, descobriram também que as mulheres não eram de Los Angeles e sim de uma cidadezinha da Pensilvânia, mudaram de cidade para recomeçar uma nova vida, Emily trabalhava como treinadora de uma equipe de natação em uma das melhores escolas de L.A e Alison como professora na mesma escola.

Enquanto Clarke contava o motivo do passeio a Los Angeles, Lexa observava a interação de Emily com Matthew, era perceptível a semelhança do garoto com Alison, os olhos, o cabelo e até mesmo o sorriso, mas era só olhar para Emily com o garoto que era notável que ela também era a mãe de Matthew. Algo na interação dos dois lembrava a relação de Lexa com sua mãe, em como elas saiam ao final da tarde para brincar no parque local, mesmo com Lucy exausta do trabalho ela colocava um sorriso e passava horas brincando com a filha.

- Mamy! Mamy! - o garotinho terminou seu lanche e com a boca suja de ketchup começou a pular -

- Matt, meu amor, você vai acabar vomitando - alertou Alison parando seu filho e o trazendo para mais perto. Ela abriu sua bolsa e tirou um lenço para limpar a boca do garotinho - 

- Eu quero brincar com mamy - pediu em um tom adorável que Alison nunca poderia negar um pedido - 

- Cuidado okay? Nada de ir acertando outra pessoa - alertou plantando um beijo na têmpora do filho e o deixando levantar. Emily levantou e pegou a bola e a luva do chão ao seu lado, foi até Alison e roubou um selinho da mesma, o que fez Clarke e Lexa sorrir timidamente com a cena daquela família -

- Então, alguma de vocês sabe como arremessar uma bola? - perguntou Emily na tentativa de encontrar outra pessoa para se juntar a sua pequena brincadeira com o filho, Lexa levantou e acompanhou Emily sem dizer nada. Clarke apenas observou os três se afastarem um pouco, mas permanecerem em seu campo de visão -

- Você tem uma linda família - comentou Clarke, fazendo Alison procurar sua esposa e filho - Há quanto tempo se conhecem? - ela não sabia se estava indo muito longe, mas a sua curiosidade para saber mais sobre a nova amizade a deixava assim -

- Emily e eu nos conhecemos no colegial - replicou voltando para Clarke - Emily sempre foi apaixonada por mim, já eu não me importava muito com seus sentimentos, até que aquela frase de só saber o que tem quando perde fazer sentido para mim, passamos por muita coisa, mas finalmente conseguimos nos manter juntas pra valer - Alison já não queria lembrar de tudo o que passara para chegar até onde estava com Emily, e Clarke percebeu isso - Aconteceu tanta coisa que nossa estória daria um livro, com certeza - 

- É algo bom - Alison pareceu não entender o comentário de Clarke - Quero dizer, quando você passa por tanta coisa que poderia separar vocês, e mesmo assim continuam juntas é algo bom, porque é quando você sabe que vale a pena e que é real - Alison sorriu e concordou, ela sabia que se não tivesse passado por tudo o que passara com Emily, provavelmente ela não estaria ali compartilhando sua vida com Emily e Matthew -

- Mas e vocês duas? - apesar de em nenhum momento as duas terem comentado serem mais do que amigas, Alison conseguiu perceber os olhares e em como as duas pareciam se interessar mais uma pela a outra, do que pelo o que ela ou Emily falavam enquanto contavam sobre uma pequena parte de sua vida - Vocês disseram que estão aqui para assistir ao um jogo, mas qual a ocasião? Aniversário de namoro? Casamento? - Alison estava com vinte e sete anos, imaginou que Clarke teria por volta de vinte cinco ou até mesmo sua idade, então a ideia da garota ser casada parecia apropriada -

- O quê? Não - negou gargalhando e Alison se manteve atenta - Não somos namoradas, é algo complicado de se explicar, mas nos damos bem - Clarke não sabia explicar para outros como estava sua relação com Lexa, ela não sabia dizer isso sem contar toda a estória e ela sabia que não cabia a ela relatar uma estória que não era sua - 

- Entendo, eu achei que eram, vocês são tão próximas uma da outra que parece não precisar perguntar para saber que estão juntas - explicou causando um sorriso bobo em Clarke, ela gostou de saber que ela e Lexa pareciam um casal, talvez assim espantasse qualquer pessoa que tentasse se aproximar da publicitária -

As duas imediatamente olharam para o lado quando algumas gargalhadas lhe chamaram atenção, Clarke não se segurou e gargalhou junto com Alison. Lexa provavelmente na tentativa de pegar a bola caiu no lago e estava encharcada enquanto andava em direção a Clarke, Matt gargalhava enquanto estava sentado no ombro de Emily que os traziam de volta.

- Tia Lex caiu na casa do pato, mamãe - informou Matt causando mais gargalhadas, Emily tirou seu filho dos ombros e o pôs no chão -

- Acho que é hora de ir, não é? - perguntou Clarke recebendo um olhar furioso de Lexa por a loira está rindo da situação - 

- Eu sinto muito Lexa, eu tentei avisar, mas você pareceu desequilibrar e então quando vi você já tinha caído no lago - Emily ainda sorria da situação e Lexa apenas deu de ombros, ela sabia que não era culpa de ninguém -

- É o preço que se paga para tentar pegar uma bola - retrucou sorrindo para Matt, ela se abaixou ficando na altura do garoto e entregou a bola para ele - Aposto que um dia você ainda vai ser um grande arremessador Matt, e eu estarei no estádio gritando seu nome quando você entrar para fazer sua primeira jogada - os olhos do garotinho brilharam e ele abraçou Lexa não se importando da mulher está toda encharcada. Clarke sentiu seu coração escapar uma batida com aquela cena, ela sacou seu celular e tirou uma foto daquele momento -

- Foi um prazer conhecer vocês - Emily que já estava ao lado da esposa sorriu para as duas garotas - Se ficarem por mais algum tempo na cidade nos avisem, podemos marcar alguma coisa, Lexa tem meu número - disse a treinadora olhando para Clarke, já que Lexa parecia grudada em Matt. Alison passou sua mão em volta da cintura de Emily e as duas ficaram abraçadas de lado -

- Estamos no meio de uma viagem e depois daqui já vamos para outro local, mas quando voltarmos à L.A marcamos algo - Clarke já não lembrava de quantas pessoas já conhecera naquela viagem com Lexa, e cada uma dessas pessoas haviam lhe ensinado algo que ela iria sempre lembrar. Aquela família só fez Clarke se sentir mais certa de que ela realmente estava a cada dia se apaixonando um pouco mais pela a publicitária -

- É hora de ir - Lexa levantou e bagunçou os cabelos de Matt, olhou para as mães do garoto e sorriu - Vocês estão fazendo um ótimo trabalho com ele, Matt é encantador - 

- É, Emily tem ensinado alguns truques à ele - comentou Alison sorrindo ao saber que Emily era a boa em primeiras impressões, as pessoas sempre pareciam se sentir mais confortáveis na presença da morena e ela adorava o fato do filho parecer tanto com Emily em pontos como aquele - 

- Até mais, garotão - Clarke tocou no ombro do garoto e sorriu, ele abraçou Clarke assim como fez com Lexa e depois a soltou. Clarke sorriu encantada com o garotinho e pegou sua sacola de compras - Foi um prazer conhecê-las - as quatro se despediram das novas amizades e enquanto a família Fields DiLaurentis permanecia no parque, Clarke e Lexa caminharam para fora dele - O que foi? - perguntou Clarke quando as duas já haviam tomado uma distância de onde estavam -

- O quê? Nada... - replicou enquanto via as gotas d'água caírem das pontas de seus cabelos e tocarem o chão por onde passava -

- Apesar de não nos conhecermos há muito tempo eu sei quando algo está incomodando você Lexa, o que foi? - Lexa parou seus passos e olhou para a loira, ela não sabia se Clarke era apenas uma boa observadora em geral ou se a garota tomava um pouco mais de tempo para analisar Lexa -

- Isso é importante para mim, sabe? - as duas ficaram paradas no meio da entrada do parque, e Clarke não se importava de impedir a passagem dos outros que queriam entrar - Minha mãe Lucy e eu costumávamos fazer isso, íamos ao parque no final da tarde e brincávamos de baseball, eu sempre era a arremessadora, e ficávamos nisso até minha mãe Gabrielle nos encontrar e nos levar de volta para casa - Clarke viu um sorriso nostálgico se formar e pediu aos céus que não fossem acompanhados de lágrimas - Um dia ela me prometeu que em um dos jogos ela iria pegar a bola arremessada para a torcida, e isso acabou indo para a nossa lista. Ver Emily e o filho me lembrou de como eu e mamãe éramos, eu fiz uma promessa de cumprir os itens da lista, mas não imaginei que algum deles não poderiam ser cumpridos - Lexa balançou a cabeça tentando impedir a tristeza de lhe quebrar - Você estava certa Claire, é impossível eu pegar essa bola na torcida - Lexa começou a andar novamente e Clarke permaneceu parada - Claire? Ei... Claire? -

- Hum, é, o que foi? - perguntou não entendendo a última sentença de Lexa -

- Eu disse "vamos" - repetiu e Clarke permaneceu parada - O que foi? -

- Você se importa de voltar para o hotel sozinha? - pediu entregando a sacola de compras para a publicitária, Lexa arqueou uma sobrancelha em questionamento, mas não disse nada, apenas pegou a sacola que estava sendo entregue a ela - Encontro você no hotel em uma hora - Clarke deixou Lexa e imediatamente encostou no táxi que acabara de deixar uma família ali no parque, ela entrou e o táxi saiu deixando Lexa no meio da avenida sem entender o que diabos havia acontecido com Clarke -

...

- Hey... - Raven bateu na porta aberta apenas para chamar atenção de Octavia que já estava guardando suas roupas de volta na bolsa, ela queria deixar tudo preparado para a volta à Polis no dia seguinte -

- Hey... - retrucou sem nenhuma empolgação, da mesma forma como Raven havia dito. Ela continuou a guardar as roupas mesmo sabendo que elas iriam acabar amassando ali dentro - Papai disse que conseguiu as passagens para amanhã, eu sabia que se deixasse ele comprar ele adiaria mais um dia minha volta para casa - Raven sorriu fraco e sentou na cama, aquele ato silencioso fez Octavia parar o que estava fazendo e observar a garota - Você silenciosa é tão irritante quanto você tagarelando - Octavia estava ficando cada vez mais incomodada com aquele silêncio da publicitária - Podemos voltar para quando o beijo nunca tinha acontecido e você me irritava e eu era rude com você? Porque eu não estou gos -

- Você gosta de mim Octavia - antes que Octavia pudesse gargalhar ou negar, Raven voltou a desenvolver seus pensamentos - E eu não vou desistir de você, eu mesma vou quebrar cada tijolo que você construiu em volta do seu coração, não importa quanto tempo demorar, não importa o quão frustrada eu vou ficar com cada ato rude seu, eu não vou ignorar o fato de que eu sinto algo por você. -

- Para Raven, você não vai fazer isso - Octavia gargalhou depois das palavras da garota - O que deu em você? Não achei que era desse tipo de pessoas que acreditam nessas baboseiras - então o tom irritante de Octavia havia voltado, Raven segurou a mão de Octavia suavemente apenas como um pedido para olhar em seus olhos - 

- Quer saber de uma coisa Octavia? - Raven soltou a mão da garota e sorriu causando ainda mais confusão em Octavia, ela realmente estava achando que as pessoas naquela casa haviam acordado estranhas, talvez a grande quantidade de álcool deveria ter provocado isso -

- Não Raven, eu não quero saber - retrucou girando os olhos -

- Sua avó já marcou a data do nosso casamento, e eu tenho até lá para dar motivos para você se apaixonar por mim e é isso que eu vou fazer - Octavia iria argumentar, mas Raven deu um rápido selinho na florista - Eu não sei quem quebrou você, mas eu vou ajudar você a pôr todo os cacos no lugar, só assim você vai poder amar novamente e eu já peguei minha senha para quando você voltar a ativar seu coração - Raven saiu do quarto e quando Octavia teve a certeza de que a publicitária havia ido, ela se deixou sorrir, o motivo ela não iria admitir, mas ela sorriu como não sorria há muito tempo -

...

- Desculpe, mas não é permitido a entrada de fãs aqui - o segurança do local deu um passo para o lado bloqueando a entrada da garota. Clarke suspirou e virou de costas para ir embora, porém foi apenas seu plano para correr e entrar no local, mas o segurança novamente a bloqueou - Você acha que é a primeira a usar essa tática? -

Clarke estava a mais de vinte minutos tentando entrar na parte administrativa do estádio, os portões já haviam sido abertos para os fãs que aguardavam ansiosamente o jogo que começaria em menos de três horas, mas Clarke não queria estar na arquibancada, não agora, ela precisava fazer algo antes de voltar pata o hotel e buscar Lexa.

- Eu não sou uma fã - respondeu cruzando os braços. -

- Então é só mais uma louca querendo entrar no vestiário dos jogadores. Conheço o tipo -

- Nem de homem eu gosto - replicou furiosa, nada estava saindo como ela planejou em sua cabeça -

- É melhor você voltar para onde veio, senão serei obrigado a tirá-la a força dessa área. - atrás daquele segurança era a entrada e saída dos jogadores, por ali ela também teria acesso a administração do local onde geralmente ficava alguns representantes do dono do time -

- Tudo bem, tudo bem - Clarke deu novamente as costas para o homem e andou em direção a arquibancada lateral do estádio -

Quando deixara Lexa sozinha naquele parque foi por um motivo maior, ao ouvir o quanto aquele item era importante para Lexa, Clarke resolveu fazer algo para que Lexa conseguisse cumprir e ela sabia que se esperasse pela a sorte elas não iriam conseguir riscar aquele item. Então Clarke quis dar um empurrão para que tudo ficasse mais fácil, ela achou que conseguiria falar com alguém da equipe e convencer para um deles jogar a bola na exata direção delas para que Lexa pudesse pegar a bola.
Clarke teve que comprar outro ingresso para poder ter acesso ao estádio, ela suspirou e sentou na primeira cadeira da arquibancada próximo a base do jogo. Ela olhou as horas em seu celular e as chamadas perdidas de Lexa, ela deveria voltar para o hotel, mas ao pensar no quão triste a publicitária ficaria ao não cumprir o item fez Clarke se sentir mal, ela ainda não estava acostumada a sentir a dor de Lexa em sua própria pele, parecia que toda vez que a publicitária sofria Clarke sentia o mesmo. 
Clarke levantou da cadeira e marchou novamente para onde o segurança permanecia, ao ver a loira o homem suspirou.

- Olha aqui criança, você quer um autógrafo ou foto com algum jogador? Eles sempre atendem os fãs na saída - disse antes que Clarke pudesse falar qualquer coisa -

- Eu quero falar com alguém da administração - pediu cruzando os braços -

- Então saia do estádio, entre pela a entrada de cima e siga direto para recepção - informou. Clarke não podia acreditar que perdeu tanto tempo ali com aquele homem, quando tudo o que precisava estava em outro lugar. -

A garota correu para fora do estádio e subiu as escadas da entrada do local, encontrou a recepção e apoiou seus braços sobre o balcão.

- Posso ajudar? - perguntou a mulher uniformizada com as cores dos Dodgers -

- Eu preciso falar com alguém da gerência ou administração com urgência. - pediu olhando para o relógio de parede atrás da mulher -

- Tem horário marcado? - questionou já olhando na agenda eletrônica -

- Não, eu quero virar sócia do time - disse não acreditando que estava fazendo aquilo. A mulher imediatamente sorriu e pegou o telefone para informar ao superior -

 

Depois de dar seu nome para a funcionária Clarke esperou por volta de vinte minutos para poder ser atendida. Foi direcionada a uma sala onde dois homens que mais pareciam ter saído de um editorial de moda para escritório a aguardava.

- Tenho que dizer que é incomum mulheres quererem ser sócias do time - comentou levantando da cadeira e fechando o botão do blazer. Seguiu para próximo de Clarke e estendeu sua mão - Eu sou Cliff, eu cuido da parte contratual para possíveis sócios, esse é Daniel meu assistente - Clarke olhou para os dois, mas não deu importância. -

- Eu não tenho muito tempo e vou ser bem direta com vocês. - Clarke manteve sua atenção em Cliff que parecia o único a importar naquela conversa - Quanto vai me custar para um dos seus jogadores arremessar a bola para mim na hora do jogo? - os dois homens se entreolharam confusos -

- Me perdoe, mas acho que não entendi -

- Sabe quando um dos jogadores arremessam a bola para a torcida e alguém pega? Então, quero saber quanto vai custar para um dos jogadores mandarem em minha direção -

- Você está me dizendo que não está interessada em ser sócia do time? - Cliff nunca havia presenciado uma situação como aquela - Eu vou pedir para que você se retire da minha sala, não foi isso que -

- Eu preciso dessa bola - disse em um tom firme fazendo o homem gargalhar -

- Se quer tanto uma bola dessas que é usada nos jogos você deveria acessar nosso site, mas tenho que alertar que uma simples bola dessas não é menos do que mil dólares, são exclusivas para fãs -

- Eu pago dez mil dólares se um dos seus jogadores arremessarem essa maldita bola para mim - os dois homens se entreolharam e Cliff sorriu voltando para Clarke -

- Bom, me mostre a numeração que você está na arquibancada e um cheque de dez mil dólares e teremos um acordo - Clarke se aproximou da mesa e tirou da pequena bolsa o talão de cheque e começou a preencher, ela não conseguia acreditar que estava dando dez mil dólares em uma simples bola -

Lexa olhou para as horas no celular e voltou a andar de um lado para o outro como estava fazendo a quase meia hora, ela estava preparada para o jogo, a blusa dos Dodgers quase cobria todo o short da garota, ela estava quase entrando em pânico sem ter notícias de Clarke, a garota não atendia suas ligações ou respondia as mensagens. 
A porta do quarto se abriu e Lexa correu se prendendo em um abraço com Clarke, a loira se assustou no primeiro momento, mas depois passou seus braços ao redor de Lexa, foi quando a garota se soltou e deu uma tapa no ombro de Clarke.

- Onde diabos você estava, Claire?! Você tem ideia do quanto eu fiquei preocupada?! Essa onda de palhaços macabros sequestrando pessoas e você desaparece e não me dá um sinal de vida! - Clarke gargalhar alto ao ouvir Lexa -

- Acho que eu posso lidar com alguns palhaços - Clarke tinha uma sacola na mão para disfarçar o tempo que ficou fora -

 

- Onde você estava? - Clarke tirou duas latas de tintas e Lexa franziu a testa -

- Você disse que você e sua mãe costumavam ir para os jogos dos Dodgers com o rosto pintado com as cores oficiais do time - Lexa não conseguia acreditar, ela sorriu e levou uma mão a boca em surpresa - Demorou um pouco mais eu consegui encontrar essas tintas para irmos como torcedores fiéis - Lexa voltou a abraçar Clarke e dessa vez foi impossível a loira fazer o mesmo já que tinha duas latas de tintas em suas mãos -

- Não acredito que você fez isso… - sussurrou se apertando ainda mais a Clarke, ela não tinha palavras para dizer o que estava sentindo naquele momento, Clarke conseguia nos mínimos detalhes ganhar um pouco mais de Lexa - Obrigada… -

- Eu não fiz nada - Clarke beijou a testa de Lexa e se separou do abraço - Eu vou tomar banho e depois vamos, okay? - Clarke pôs as pequenas latas de tintas sobre a mesa próxima a cama e se direcionou para o banheiro, porém parou na porta - Lexa? - Lexa virou-se apenas para buscar o olhar da garota - Você estava certa, impossível é apenas uma palavra usada para justificar o medo de tentar. Você vai conseguir pegar essa bola - Lexa sentiu um frio no estômago e sorriu sabendo que Clarke era o motivo para aquilo -

**

- CLAIRE! - gritou Lexa para que a loira pudesse ouvir no meio daquela gritaria da torcida cantando o hino. Clarke parou de andar e olhou para trás onde Lexa havia parado. As duas estavam com os rostos pintados de azul e branco, usavam blusas do time com numerações de jogadores diferentes -

- O que? - perguntou voltando para Lexa -

- Nosso lugar é aqui, J57 e J58 - explicou apontando para as duas últimas cadeiras da ponta esquerda do estádio. Clarke sentiu seu corpo querer desfalecer naquele momento -

- Nosso lugar é M27 e M28 - tentou argumentar, ela não queria acreditar que tinha acabado de dar dez mil dólares por uma bola que cairia nas mãos de outra pessoa - Não brinca comigo Lexa -

- Eu não estou - Lexa mostrou a numeração nos ingressos e Clarke sentou exatamente na sua cadeira, ela lembrava exatamente do alerta de Cliff: "Fique atenta, no primeiro arremesso que nosso rebatedor conseguir fazer será na direção leste que é mais ou menos na fileira M". A fileira M era exatamente a que tinha mais chances de receber a bola arremessada - Não se preocupe, aqui também é um último local -

Meia hora depois o jogo começou, Clarke podia ver a animação no rosto azul e branco de Lexa. O time adversário começou rebatendo e isso deu tempo para Clarke pensar em como conseguiria mudar de localização para pegar a bola.

- DA PARA CALAR A BOCA?! - um irritado homem de meia idade virou-se e reclamou com Lexa que não parava de dar uma de técnico e falar o que deveria ser feito com o time. -

- SE ESTÁ INCOMODADO VAI PARA CASA ASSISTIR O JOGO NA SUA TELEVISÃO - rebateu Lexa irritada, a veia saltada no pescoço mostrava o quão irritada estava. Ela havia esquecido de dizer para Clarke o quanto ela ficava com os sentimentos a flor da pele em jogos -

- VOCÊ TEM IDEIA COM QUEM ESTÁ FALANDO? - o homem levantou da sua cadeira e ficou diante de Lexa que já estava para dar outra resposta -

- EI EI EI! - Clarke tomou a frente de Lexa impedindo que a garota fizesse algo - Vamos voltar a assistir ao jogo okay? Não queremos confusão - o homem olhou novamente para Lexa e depois voltou a se sentar - Não queremos confusão, certo Lexa? - Clarke levou suas mãos aos ombros da publicitária e a garota apenas suspirou e concordou -

- Agora é nossa vez de rebater! - alertou Lexa animada e batendo palma - VAMOS LÁ TURNER! - gritou como se o rebatedor pudesse ouvir, o homem novamente olhou para Lexa e Clarke lhe deu um sorriso -

Clarke aproveitou o foco de Lexa no campo e saiu sorrateiramente lembrando que a bola seria arremessada para a torcida com o primeiro rebatedor do time.
A loira correu pela a lateral das arquibancadas e quando viu a letra M nas laterais das cadeiras ela parou, permaneceu em pé como se pertencesse aquela divisão de cadeiras.
Ela viu o estádio ficar quieto enquanto esperavam ansiosos para o primeiro rebater dos donos da casa, um suspiro de frustração saiu em uníssono quando o rebatedor não alcançou a bola, isso se deu nas duas primeiras vezes, na terceira ele finalmente conseguiu, a bola parecia vir em câmera lenta, Clarke subiu as escadas das arquibancadas e entrou na fileira sem permissão, ouviu reclamações e a bola estava caindo exatamente em sua direção, até que um homem pulou mais alto que Clarke e segurou a bola.

- AH NÃO! - Clarke sem pudor algum empurrou o homem que caiu sentado, a loira pegou a bola da mão do homem e correu o mais rápido que pôde - POR FAVOR, NÃO ESTEJA ATRÁS DE MIM, NÃO ESTEJA ATRÁS DE MIM! - pediu enquanto corria sem olhar para trás, ela podia ouvir uma gritaria e quando olhou para frente viu que Lexa estava novamente diante do mesmo homem que discutira antes, ela viu quando ele segurou o braço da publicitária, Clarke apressou seus pés quando chegou ao seu lugar de antes, deu um soco no rosto do homem - NÃO ENCOSTA NELA! - ordenou. Clarke ouviu outra voz gritando por "maluca" e quando olhou para trás era o homem no qual ela pegara a bola - CORRE LEXA, CORRE! -

Clarke correu e Lexa mesmo sem entender seguiu a garota, as duas corriam entre as cadeiras na arquibancada causando confusão e irritação nos outros torcedores. Clarke viu a saída do estádio e sentiu uma dor na altura de sua costela por correr tanto, ela olhou para o lado e viu Lexa já ali, as duas saíram do local e Clarke puxou a publicitária para o lado esquerdo da saída. 
As duas deitaram no gramado que ficava na lateral do estádio e caíram na gargalhada, já havia anoitecido e elas nem ao menos conseguiam prestar atenção nisso. Lexa abriu os braços no gramado e então sentiu os pingos d'água borrifarem em todo o seu rosto e corpo banhando todo o gramado e as garotas que estavam ali.

- O que acabou de acontecer? - perguntou Lexa ainda sorrindo sem entender toda a correria - E por você bateu naquele homem? Ele só estava segurando meu braço porque ele tinha acabado de me pôr no chão, ele havia me colocado em seus ombros para eu ter a chance de pegar a bola - Clarke então arregalou os olhos não acreditando que havia agredido um homem inocente -

- Ai meu Deus! Eu achei que ele estava agredindo você - Lexa negou e deu um rápido selinho em Clarke. A loira sentou na grama não ligando para a água que molhava seu rosto a cada vez que a torneira girava em seu lado - Tenho algo para você, fecha os olhos - Lexa hesitou por um momento, mas acabou obedecendo. Clarke tirou a bola de dentro da sua blusa e segurou em suas mãos - Pode abrir - Lexa imediatamente viu a bola e seu coração acelerou com algo que viera em sua mente - É sua - afirmou colocando a bola não mão de Lexa, a loira sorriu enquanto observava Lexa piscar várias e várias vezes -

- Isso… Você pegou a bola? -

- Eu sei que deveria ser você a pegar, mas estamos juntas nessa, então tecnicamente se eu realizei algo você também realizou, então nós pegamos uma bola jogada para a torcida de um dos rebatedores dos Dodgers, já pode riscar outro item - Clarke falou aquelas palavras na mesma velocidade que saíra do estádio. Lexa continuava a olhar para a bola em suas mãos, e quando levantou sua cabeça Clarke viu as lágrimas na garota -

- Você não tem ideia do quanto isso significa para mim - Lexa estava muito sensível sobre aquele item específico da lista. Para outros poderiam parecer bobo, mas ninguém nunca iria entender o que se passava com a garota e no quanto aquela simples bola lhe trazia lembranças -

- Lexa… - Clarke saiu de sua posição sentada ao lado de Lexa e dobrou seus joelhos diante da garota, ficando frente a frente com a publicitária - Eu sei, eu sei o quanto é importante para você, eu peguei a bola exatamente porque eu sabia que era importante para você - Clarke pegou a mão livre da garota e entrelaçou seus dedos. A tinta no rosto das duas não davam nenhum sinal de se desmanchar, nem com as lágrimas de Lexa ou com a água espirrada a cada três segundos nas garotas -

- Como você sabia onde a bola iria cair? - perguntou por curiosidade. Clarke engoliu a seco e antes que pudesse falar algo, Lexa sorriu - Não acredito que conseguimos, que você conseguiu - comentou esquecendo sua pergunta, o que Clarke agradeceu internamente. O sorriso de Lexa era quase maior que seu próprio rosto e Clarke percebeu que valeu a pena cada centavo que deu por aquela bola. -

- Você é linda - disparou e Lexa não sabia exatamente o porquê daquele comentário. - Eu gosto quando você sorrir assim, como se tivesse ganhado o maior prêmio da noite -

- Você acredita em destino, Claire? De você está destinada a encontrar alguém ou algo tipo? -

- Não, e você? -

- Nem por um segundo -

- Então por que perguntou? - retrucou voltando a sentar ao lado de Lexa. A publicitária deitou na grama e Clarke a seguiu da mesma forma, as duas olharam para o céu -

- Um dia eu ouvi uma estória de duas garotas que se conheceram por conta de um acidente de carro, se apaixonaram e depois descobriram que toda a estória delas estava ligada como se uma força maior tivesse feito o caminho das duas se cruzarem, algo sobre está escrito nas estrelas - Lexa tirou seus olhos do céu e encontrou a imensidão azul dos olhos de Clarke -

- É a estória de um livro, não é real - explicou Clarke e Lexa sorriu concordando - Não acredito que haja uma força maior traçando o caminho um do outro, acredito que cada é responsável por suas ações, que cada um escreve sua própria estória - Clarke se perguntou se Lexa estava trazendo aquele assunto em relação a tal garota no qual Clarke não conhecia, mas já odiava. - Posso perguntar algo? –

- Claro… - Clarke voltou a sentar na grama, sua roupa já estava úmida assim como a de Lexa - O que foi, Claire? - Lexa sentou diante da loira e ficou preocupada -

- Você um dia falou sobre essa garota da sua infância… - Clarke sentia seu próprio coração acelerar com a incerteza de não saber se queria ouvir a resposta para a própria pergunta - Se ela reaparecer na sua vida, o que você faria? Não se preocupe com o que eu vou achar, só seja sincera comigo -

- Não faz isso - pediu alcançando a mão de Clarke e entrelaçando seus dedos, ela nunca enjoava daquele calor agradável que sentia quando fazia aquele simples ato. - Não pensa sobre o que pode acontecer no futuro - Clarke não sabia se gostava daquela resposta - Aqui e agora é só você e eu, é só isso que você precisa entender. -

- Você e eu? - repetiu e Lexa concordou - Eu gosto de como isso soa - a bola ainda descansava ali na grama próximo das duas. Lexa se aproximou e enlaçou seus braços ao redor do pescoço de Clarke -

- Você e eu - repetiu com um sorriso, quando Lexa estava para beijar a garota um jato d'água espirrou novamente em seus rostos. Lexa gargalhou, mas logo voltou a juntar seus lábios com os da loira não se importando com os empecilhos -

- É ELA! ELA ROUBOU MINHA BOLA! - Clarke imediatamente abriu os olhos e empurrou Lexa para o lado, ela viu o homem correr até elas -

Clarke pegou a bola do chão e puxou Lexa pela a mão, as duas correram pelas as avenidas movimentadas da cidade tentando despistar os três homens que corriam atrás delas. Lexa mesmo correndo não conseguia parar de gargalhar da situação, ela certamente jamais esqueceria daquele dia e esperava que Clarke fizesse o mesmo, porque no final de tudo seria apenas elas duas.


Notas Finais


Bjors


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