História Bumbleby: Quando comecei a ver-te com outros olhos? - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias RWBY
Tags Blake X Yang, Bumblebee, Bumbleby, Drama, Femmeslash, Romance, Rwby, Shoujo-ai, Yang X Blake, Yuri
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Palavras 5.362
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Bishoujo, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, FemmeSlash, Luta, Romance e Novela, Shoujo-Ai
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


AAHHHH VOLLLTTEIIII <3
Retornei do meu hiatos, hehe. Meu humor deu muitas osciladas (sofro com ele, um ó, não sei ao certo se é transtorno bipolar) e passei por muita coisas ruins, que contribuíram pro meu mal humor, falta de vontade de fazer tudo e por ai vai; uma depressão talvez?
Mas estou normalizando e retornando as minhas rotinas de escrita, e esse capítulo era pra ter só 2.000 palavras em média, mas ai no meio da revisão tive uma ideia de momento e escrevi... Vão saber qual é no momento que a Blake surtar e vocês também, talvez rsrsrs

Espero que gostem desse mega capítulo de retorno :3

Obs: primeira vez que faço uma capa boa de capítulo e ainda em folha de caderno de desenho, não recomendada pra fazer pinturas e desenhos que queira fazer algo trabalhado (ou no meu jeito de fazer, pois sai tudo cagado kkk)

Capítulo 7 - Uma ligeira inquietação


Fanfic / Fanfiction Bumbleby: Quando comecei a ver-te com outros olhos? - Capítulo 7 - Uma ligeira inquietação

~Blake P.O.V~

Ao terminarmos de almoçar caminhamos para o quarto papeando pelos corredores sugerindo um pouco do que poderíamos fazer, dizemos e pensamos algumas idéias que poderiam ser utilizadas de alicerce, comentamos planos comuns, clichês (base de planos bem conhecida, corriqueiras, comuns), acrescentamos e completamos a pequena base que tínhamos; acabamos por montar um raciocínio melhor, podia ser pelo menos visível e imaginado.

Vestimos nossas roupas de caçadoras, sendo a minha consistida em: uma camisa de colheita (crop shirt) branca com zíper na frente, gola em V, bainha (debrum, cercadura) preta e mangas que cobriam três quartos dos meus braços com meu emblema impresso (um fogo negro) em um cinza claro quase transparente no lado esquerdo da minha barriga. Usava calças pretas legging que possuíam faixas cinzas verticais no lado externo de cada perna e um cinto preto adornando e também segurando a peça de roupa que estava cobrindo toda a minha perna. Anexada à parte traseira do cinto, havia um pedaço de pano negro que cobria tudo embaixo, e em tal posição havia o tecido cinza e a calça. Estava em posse de botas pretas com salto que possuía duas alças e fivelas chegando a meia-panturrilha. Usava também minhas habituais fitas nos antebraços e laço na cabeça cobrindo minhas peculiaridades faunas, no caso, as orelhas.

Terminei de trocar-me no banheiro e fui de encontro com as meninas que estavam no aguardo de minha presença para continuar o que estávamos pensando.

— Eu achei que a aula nunca ia acabar. — comentei enquanto ajeitava minhas típicas fitas negras em meu antebraço enquanto caminhava em direção a onde dormia, ficando de costas para a escada do beliche.

O ambiente em que encontrávamo-nos era calmo, sereno, relaxante. A janela estava aberta e uma pequenina brisa ingressava no ambiente, juntamente da luz de fora que emanava do Sol naquela tarde.

— Certo meninas, hoje é o dia! — anunciou Ruby balançando suas pernas enquanto estava sentada em sua cama. —As investigações... Começam! —Finaliza dando um pulo saindo do beliche, o que foi do pequeno susto de Weiss, reagindo afastando-se da borda da cama.

— Fico feliz que esteja levando isso muito a sério. — a herdeira pronuncia distanciada.

— Ei, nós temos um plano! — dizia Yang com seu tom alegre usual erguendo seu antebraço enquanto esboçava uma pose. — Isso... É mais ou menos sério.

— Certo. Todas se lembram de seus papéis? — a líder pergunta referindo-se ao que combinamos anteriormente antes de nos arrumar.

Todas reunimos-nos em uma espécie de circulo para melhor ser ouvido possivelmente.

— Você e eu iremos ao CCT verificar os registros Schnee para de todos os roubos ou coisas do tipo. — a garota alva diz. — Já que eu sou da família, acredito que não seja um problema.

— A White Fang tem reuniões regulares de facção para distribuir ordens e recrutar novos membros. — comentei. — Se eu conseguir entrar poderei descobrir o que estão planejando.

— Eu tenho um velho amigo do lado sombrio da cidade e ele tipo, sabe de tudo o que acontece em Vale. — A loira cruza seus braços enquanto relembra sua tarefa. — Conseguir informação dele vai ser muito difícil. — Provavelmente ironizou.

— Ótimo! Iremos nos encontrar com a Yang e repassar o que descobrimos. — a mais nova dizia animada. — Vamos lá!

— Sim. — outro som soou próximo da gente, uma voz masculina.

Reconhecia a quem pertencia tal timbre, mas eu e as garotas nos surpreendemos, tomamos um pequeno susto com tal sonoridade.

— Sun?! — exclamei enquanto o víamos pendurado de cabeça pra baixo nos olhando através da janela que fora aberta.

Eu e as garotas demos um médio passo para trás, distanciando mais dele.

— Como você chegou aqui em cima? — Yang questiona.

— É fácil, eu faço isso o tempo todo!

— Você faz o quê?! — Weiss incredula-se.

— Eu subo em árvores o tempo todo. — ele responde. — Então, nós finalmente vamos pegar aquele cara, o Torchwick? — Ele saltou de onde estava pendurado e adentrou o quarto, de certa forma invadiu.

“Parece que ele escutou a conversa inteira... Droga, vai ser difícil nos livrar e sair dessa pequena enrascada”, foi o que pensei no momento. “Teremos que fazer algo em relação a isso ou ele pode espalhar.”

Eu e Sun nos encontramos de vez em quando aqui em Beacon, criamos uma pequena amizade pelo fato de ele ter conversado comigo e me feito companhia quando havia fugido; e também falo com ele quando encontro-o por ai, na verdade ele que puxa assunto.

— Nós estamos indo investigar a situação. — dei ênfase, dando um passo à frente e tomando a palavra. — Como um time. ― E finalizando, levantei meu antebraço apontando para o lado, mas era claramente visível que me referia a todo o grupo em si, todas nós.

Talvez seja má idéia permitir mais pessoas saberem sobre nosso planejamento, manter sigilo e discrição, afinal quanto mais pessoas, maior a chance de ocorrer eventualmente algum problema; também nunca se sabe caso vazem informação e tudo o que foi feito, gerando possivelmente confusões para nosso lado.

— Desculpa Sun. Nós não queremos envolver amigos se não precisamos. — Ruby se desculpa de uma forma sutil e amigável, sem pretensão de magoar o amigo.

— Isso é idiota, vocês devem sempre envolver os amigos. — ele contradiz. — É por isso que trouxe o Neptune. — Ele aponta para a janela com o polegar, indicando onde o sujeito mencionado está.

Não entendemos de o porquê tal ação, então fomos lá e checamos. De primeira encontramos um garoto de cabelo azul apoiado no apoio que havia na parede com medo de cair; uma atitude até que arriscada, uma queda daquela altura traria consequências.

— E ai? — ele diz virando levemente a cabeça em nossa direção, mostrando temor juntamente.

— Como você chegou aqui? — Ruby pergunta.

É uma boa questão saber de tal coisa; curiosidade, afinal não é todo dia que se vê um garoto naquele lugar tão arriscado de se estar.

— Eu tenho meus jeitos. — Ele diz. Em seguida olha para baixo e suplica: — Sério, posso entrar? Estamos tipo... Muito alto daqui.

De fato estava alto, então ajudamos Neptune a entrar no quarto e sair do perigo que era ficar onde estava um pouco relutantes e frustradas, já que fomos descobertas e teríamos que modificar ligeiramente a estratégia criada, adaptar.

Vimos que não haveria jeito de parar esses dois garotos de intervir nosso plano, então tivemos que autorizar a entrada deles em nosso cômodo e no plano, afinal mostravam-se prestativos e que não mudariam de idéia, tivemos que aceitar isso, mas não fizemos tão fácil quanto parece. Fizemos outra breve construção do plano, já que foi adicionada mais pessoas e também explicamos o que cada um fará (Ruby, Weiss, eu e Yang) resumidamente para locarizarem-se.

— Certo, eu vou com a Weiss. — Ruby escolhe e afirma. — Sun, você pode ir com a Blake.

Ele irá comigo possivelmente por nós sermos faunus, então facilitaria nossa entrada, não nos barrariam e questionariam porque a outra pessoa que me acompanharia não era da mesma raça requerida para a reunião. Se Yang fosse comigo, talvez houvesse tal atravanco. Ela é do tipo que não fica muito quieta, é extravagante e não demonstra peculiaridades próprias dos faunus, montar um disfarce ou até as partes animalescas agora demandaria muito tempo, e tempo é algo precioso, nunca se sabe o que nossos inimigos estão fazendo por ai, não podemos deixá-los soltos sem saber do que ocorre, do que arquitetam maleficamente, já que sabemos de tanta coisa, sabemos o que os outros não sabem. Sinto que tenho que agir, fazer algo já que tal coisa possuímos a nosso favor e conhecimento, também os criminosos podem aprontar e estarmos tendo ciência e previsto; a culpa será imprescindível.

— E Neptune, você pode ir com a Yang porquê ela não tem um parceiro. Tudo bem? — A líder empurrava o garoto até a loira, assim terminando a formação das duplas.

— Na verdade Ruby, por que não vai com a Yang? Afinal ela é sua irmã. — Weiss propõe.

— Mas... Weiss, você quer ir com quem então? — Ruby questionou.

Para mim era claro quem era. A herdeira parecia interessada no amigo do faunus e evidenciava-se melhor na presença dele; interesse, sentimentos?

— Bem... Eu acho que o Neptune pode ir comigo. — a garota alva revelou, virando levemente os olhos para o lado demonstrando um constrangimento tênue.

Como resposta, Ruby riu pela cena e sugestão.

— Nah. — A líder foi até a garota alva e puxou-a pelo tecido da blusa nas costas, arrastando-a para fora do quarto.

— Mas!... Mas! — a herdeira protestou e relutou muito pouco, pondo seus braços para frente como se não aceitasse a resposta da mais nova, porém foi facilmente vencida.

— Ew, então é isso mesmo. — Yang aceitou pensando no que havia acontecido, com uma cara de indagação e incredulidade, mas não deixava escapar um pequeno sorrisinho de canto, já que foi risível. — Vamos também?

— Sugiro que esperemos até o cair da noite, pois provavelmente a White Fang fará a reunião nesse horário para não chamar atenção, serem os mais discretos possíveis. Você e o Neptune podem ir antes se quiserem. — Sugeri gesticulando levemente.

Afinal, para a minha parte dar certo, preciso do tempo, o que não é requerido no plano da Yang, eu acho.

E por algum motivo desconhecido, me senti um pouco mal em dizer sobre ela ir, se apressar, parecia que queria ficar longe dela da forma dita, porém eu sabia que não era realmente aquilo, e sim o oposto. Queria conversar mais, queria fortificar a amizade, um pequeno mal estar me vinha a tona imaginando ela partindo sem cerimônia, despedida, saindo do meu campo de visão e nunca mais retornando, ou voltando bem ferida fisicamente ou emocionalmente.

— Hm... É verdade. Vou optar por ir à noite mesmo, e em falar em noite, logo escurece, tipo daqui a umas horas. — a loira ponderou, assentindo e comentando sobre o horário enquanto olhava pela janela.

“Umas horas”? Está mais para um bom tempo, já que não é seis da tarde nem hora próxima, almoçamos faz um tempinho, no inicio desse período do dia.

Eu não sei porquê, mas desejo fazer dupla com Yang ao invés do Sun, porém ela é humana, não deixariam ela entrar na reunião no qual acabei sabendo por um descuido de um faunus ao passar por ele, perguntei o lugar e o horário, "será ao cair da noite em um galpão localizado na zona industrial” foi a informação obtida. Além de que ela irá até esse “velho amigo do lado sombrio da cidade”, e tal tarefa só pode ser feita por com ela, não quero causar confusão ou problema. Acho que Neptune pode auxiliá-la bem, é melhor deixar tudo como está.

Por que anseio ficar ao lado dela, por que quero estar próxima? Por que meu corpo parece se atrair por ela, ou seja, é como se eu quisesse abraçá-la, conversar, rir de seus trocadilhos? Eu estou mudando e não estou entendendo esta bagunça toda, estou ficando inquieta demais.

Por que me sinto um pouco estranha e irritada levemente com o Neptune, como se ele estivesse roubando algo de mim? Um sentimento, sensação estranha de posse; ciúmes?... Inacreditável, não pode ser! Até que ponto toda essa zona mental e sentimental está indo?!

Estou pensando de mais, é isso? Eu queria poder compreender melhor o que sinto, porquê sinto e me conhecer mais, entretanto deixarei isso de lado um pouco para focar no objetivo atual, precisamos, achamos uma oportunidade, nos agarraremos a ela e usaremos, temos que fazer isso em prol de todos e não se arrepender mais tarde... 
 

~[...]~
 

Aguardamos o tempo passar conversando, jogando alguns jogos, na verdade quem fez isso foi os loiros e o de madeixas azuis, eu preferi pegar um bom livro e me distrair, estava confusa em pensar demais, me complicaria se continuasse de tal forma.

Saímos e lanchamos depois, um breve intervalo. Depois ficamos papeando e por mim própria, decidi retornar ao quarto, já que aquela sensação estava me perturbando, o famoso “ciúmes”.

Por que o tinha? Eu não sabia responder, mas estava sentindo e desejava não sentir, afinal, ele vem de posse, obsessão, e também... Apaixonar-se. Nego e anseio que tudo isso passe, não consigo me imaginar gostando de uma garota, e ainda por cima minha colega de equipe!

Fiz uma desculpinha para o trio que estava passando mal e que voltaria ao quarto, fiz rapidamente antes da Yang dizer algo, realmente estava bem encabulada comigo mesma e precisava de um momento só para me centrar, organizar minha cabeça.

Embora a loira tenha me alcançado e dito para ir à enfermaria, disse que não precisava e logo estaria bem, era um pequeno mal estar que logo passaria, e também disse que deixei meu livro em cima da estante, não poderia deixá-lo lá ou alguém roubaria, e estava com vontade de ler e ficaria por lá mesmo, e que se quisessem, poderiam me encontrar naquele ambiente. Não gosto muito de ficar no Sol e ambientes movimentados e com muitas pessoas (embora não fossem tantas perto de mim, mas conta), mais um fator pra sair de perto deles, embora não quisesse, mas precisava.

Caminhei pelos corredores com o coração meio apertado e um tanto acelerado, ansiava por retornar, talvez por alguém, mas lutei contra minha vontade e abri a porta.

Entrei no quarto, dei um longo suspiro e respirei profundamente, ainda não estava crendo no que acontecia e tinha que botar em ordem minha mente ou teria problemas na missão de hoje, que logo a faria, já que faltavam poucas horas para escurecer.

Vi em cima da estante realmente o livro que deixei quando dei uma pausa para me alimentar, antes de ir até ele, fechei a porta. O peguei e observei, realmente era um bom livro, o meu favorito... Ninjas of Love.

Ao olhar para fora, já que a janela estava aberta, consegui ver como o dia estava com um clima bom, animado e feliz: O céu azul com poucas nuvens, o Sol radiante no céu e uma leve brisa passeando por todo canto, além de pessoas conversando entre si, algumas rindo, algumas brigando, algumas lanchando e alguns casais vagando e trocando simples carícias, o que me deixou desconcertada ao avistar um de tal modo.

Perguntei-me se estava fazendo realmente a coisa certa em negar meus sentimentos, se devia ou não, se tinha que aceitar e abraçá-los, mas daria problemas, não? O fato que posso ser rejeitada vai doer, e também ficará um clima estranho no time e podemos chamar atenção, já que não “seguimos os padrões”, menino com menina e vice versa.

Odeio olhos me fitando, me intimida, e essa é uma das razões de ser tão discreta e reservada, evitar ser extravagante e pensar bem no que fazer.

Desvencilhei meus pensamentos e direcionei meus olhos para o objeto em posse de minhas mãos antes de encarar o exterior, sentei em minha cama e abri-o, folheei e cheguei na parte onde parei, havia marcado com um papel dobrado qualquer.

Quanto mais lia, sentia que lutava contra o que sentia, estava me obrigando a desfocar de mim e focar nas letras e história em minha frente, o que continuei a fazer embora me sentia ligeiramente mal.

Minuto por minuto passava, imergia e ganhava a batalha travada contra mim mesma, virava as páginas e lia atenciosamente cada letra, palavra escrita e roteiro montado contido naquele livro, até que...

A porta se abre lentamente e gentilmente, quebrando um pouco minha concentração, mas não parei de fazer o que estava fazendo.

― Blake... Posso falar contigo? ― uma voz atenciosa me chamava vindo da porta.

Ao erguer meus olhos sabendo do que viria, sentia que aquelas emoções voltavam, faziam-me inquietar e entrar naquele estado maluco que começava a sentir, mas um pouco mais forte ao ver a expressão de preocupação da loira, que estava por entrar no quarto e fechar a porta atrás de si.

― ... Pode. ― Resolvi permitir, então fechei o livro e deixei-o sobre meu colo, com as mãos sobre, encarando-o.

A Xiao Long caminhou até perto de mim... Ouvi cada passo como se fosse a morte chegando, ou até meu ar sendo arrancado de meus pulmões forçadamente a cada toque da sola no chão.

Ela sentou do meu lado no colchão e olhou-me por um pequeno tempo. Senti que foi minutos, longos minutos.

Eu conseguia ouvir meu batimento cardíaco com o silêncio instalado no cômodo, mas ouvia o alarido, o som emitido pelas pessoas fora da construção.

Atrevi-me a olhar para aquela em meu lado, e o que senti foi como uma foice atravessando meu corpo.

Aquele olhar de preocupada, de quem me conhecia bem e sabia que estava mentindo me fitava... Aqueles olhos, aqueles benditos olhos de íris tom ametista estavam por olhar os meus de tonalidade âmbar; parecia me ler, parecia que queria dizer alguma coisa.

― Blake... ― meu nome novamente foi dito, e simultaneamente, a dona dele levou suas mãos até as minhas, retirando delicadamente de cima do livro e envolvendo com as delas.

Reagi ficando um pouco corada e vendo cada movimento feito, como se fosse importante e crucial para algo.

E meu foco e centralização foram totalmente quebrados.

― Sim?...

― Você tá realmente mal? Quer algum remédio?

― N-Não precisa! Foi só um pequeno mal estar... ― fiquei nervosa, afinal, estava fora de meus eixos naquele momento.

― Saiba que independentemente do que for, estarei ao seu lado te ajudando, okay? ― falou em tom gentil e sereno, dando um sorriso.

Por que você sorriu?... Porcaria, estou ficando mega encurralada e perdendo totalmente meus sentidos.

Entorpecendo-me com seus gestos, atenção, voz, palavras... Olhares.

― O... Obrigada. ― e por pouco não consegui dizer, tive que olhar para baixo, para minhas mãos, ganhei uma pequena força e espacinho vamos assim dizer.

― Hah, só não esconda as coisas de mim, gatinha negra, te conheço bem e sei que está mentindo. ― e finalizando com chave de ouro, retirou uma de suas mãos das minhas e levou até meu rosto, levantando levemente pelo queixo me fazendo olhar novamente para aquele semblante, que agora demonstrava ainda preocupação, mas satisfação e emoção, é como se ela realmente desejasse ficar ao meu lado, assim como eu.

Aquela ação foi o que me quebrou totalmente, flechada no joelho.

Minha mente ficou em branco, não sabia como responder ou agir certamente, aquilo estava conflitando e me trazendo muita confusão!

“Blake Blake Blake Blake Blake FAÇA ALGUMA COISA!”, gritei mentalmente comigo mesma, a fim de acalmar-me talvez mais e fazer algo que tirasse-me daquela situação embaraçosa.

― Ei, Blake.

― Ei, Blake.

― Blake?

― O-oi?...

Yang ficou me chamando esse tempo todo e não notei, estou realmente estranha... Preciso, necessito fazer alguma coisa pra me tirar dessa situação!

― Por que está tão vermelha? ― a loira pergunta, levando sua mão que estava em meu queixo até minha testa e se aproximando mais, como se estivesse medindo minha febre.

Com aquela frase, senti meu rosto ferver com a distância mínima entre nossos rostos, dava pra sentir a respiração dela.

Passei a fitar os olhos dela, surpresa e totalmente em uma posição mega desvantajosa, no qual qualquer coisa podia acontecer... Tipo um...

Beijo?

“OLHA O QUE ESTOU PENSANDO! Porcariaaaaaa!”

Enxerguei o rosto dela se ruborizar também, sua pupila que antes não notei ficando maiores, crescendo. Dali conseguia ver os detalhes daquele rosto, conseguia ver nitidamente aqueles olhos cor de lavanda, aquele rosto e pele praticamente impecável e cabelos dourados tocando levemente minha face.

Foi ai que fiquei um pouco mais nervosa do que estava, meu coração estava quase saindo pela boca!

― Uh... ― ela ficou sem jeito, então se afastou de mim e voltou a sua posição, estando ao meu lado, sem tirar a mão que estava tocando a minha de lugar. Também abaixando a cabeça, escondendo o rubor de suas bochechas.

Um clima estranho veio, como se fosse uma bigorna caindo sobre a gente.

Era diferente, era como se estivéssemos conectadas... Era como se meu corpo atraísse pelo dela, a vontade incessante em abraçá-la e passar o resto do dia conversando e rindo até a barriga doer.

Sentimentos puros e inocentes.

― B-Bom... Eu vim aqui mais pra ver como você estava, me preocupei! ― a loira decide levantar a cabeça e recuar suas mãos, deixando uma em sua nuca coçando, num claro movimento de nervosismo.

― Agradeço pela preocupação. ― digo, deixando um sorriso escapar.

Ah... Ainda bem que tudo não se agravou mais do que estava, agradeci aos céus por isso, não saberia o que aconteceria, e poderia vir o pior, talvez o que estava pensando... Droga Blake, não pense nisso novamente!

E com minha mão fora de posse dela, voltei-a para perto de mim, sobre o livro.

 Não queria dissipar o calor e toque dela de perto de mim, a mão dela na minha, mas teve que acontecer...

― De qualquer forma, se cuide e melhore. ― Yang diz sorridente, levantando da cama e indo em direção à porta.

Involuntariamente, minha mão agarrou a roupa dela, como se meu corpo impedisse-a de ir embora, como se quisesse que ela continuasse por perto e não sumisse de minha vista.

― Algum problema? ― ela pergunta virando seu rosto, talvez surpresa pelo que acabei de fazer.

― ... Nenhum. ― Retirei minha mão de lá, trazendo para o mesmo lugar em que a outra repousava. Juntamente, encarei secamente o livro, apenas para não olhá-la novamente e ter um ataque cardíaco. ― Fique tranquila, estou bem, melhorei. Como disse, era um pequeno mal estar apenas que logo passaria.

― Hm... Bom, a senhorita está com febre, te aconselho a repousar um pouco, e talvez até esquecer a missão de hoje em prol da sua saúde. ― ela então sorri pra mim, me deixando desconcertada novamente.

― C-Certo, vou fazer isso...

― Tenho que ir, deixei os meninos me esperando lá fora, combinamos de treinar um pouco...

― Tudo bem, não se preocupe comigo, pode ir. ― disse gentilmente, despedindo-me.

― Sei que está mentindo sobre estar mal... ― a voz dela soou novamente, em um tom baixo, mas ainda audível enquanto os pés dela, a sola do sapato novamente batia levemente contra o chão, fazendo ela caminhar até a porta, girar a maçaneta e sair do cômodo.

E realmente estou mentindo sobre estar mal fisicamente, como uma doença, mas não menti sentimentalmente... Estou endoidecendo e ficando muito inquieta, agitada e tendo sentimentos e sensações que não devia ter, estou passando mal!

Arrepiei com a frase final dela antes de deixar o cômodo, realmente aquela loira me conhece bem, difícil enganá-la sobre meu estado, ou minto muito mal.

Fiquei por encarar a porta por uns segundos, ainda incrédula com tudo que havia e poderia ter acontecido. Matutei por um tempo tudo que havia sentido, o que estava de fato acontecendo comigo, embora uma resposta já possuía.

“Blake... Não foque nisso, não foque nisso! Você vai ficar estranha de novo, foque NO LIVRO. Isso, ler!”. Uma tentativa forçada de me distrair de tudo aquilo que ocorreu, já que vim ao quarto com a finalidade de esquecer-me destes sentimentos, mas nem o livro estava ajudando, afinal, estava na parte de romance!

Troquei de livro então, respirei bem fundo e me tranquilizei antes de iniciar a leitura, antes de esquecer a realidade e focar em outro mundo, o da literatura.

Deixei-me levar, o tempo se passava mais e mais e não pensava na Yang, afinal, estava me forçando a esquecer e ler, era tanta a força e vontade que falhava.

“O que diabos eu estava pensando?... Eu não posso beijá-la... Ah não, esquece! Foca no livro, no livro!”

Tudo aquilo acontecendo comigo pararia momentaneamente se dormisse, desligasse a mente, todavia não podia, afinal, logo estaria deixando Beacon e indo até a reunião dita anteriormente, encontrar-me mais uma vez com a White Fang, membros dela no mínimo.
 

~[...]~
 

Logo mais, Yang, Neptune e Sun retornaram ao quarto, mas não fiz questão alguma de tirar meus olhos do livro ou dizer um “a”, não queria quebrar minha concentração, o que foi demorado de obter

― Eae Blake? ― o loiro cumprimenta.

― Olá. ― retribuo.

― Se não se importa, vamos pegar um joguinho pra passar o tempo também, te fazer companhia juntamente. ― ele prossegue com o diálogo.

“Te fazer companhia”? Mas por que o Sun diria isso? Ah, esquece, foco!

Ouvi passos perto de mim, afinal, deixamos os jogos na estante também, juntamente dos livros de estudo e os meus pra ler, meu hoobie afinal. Alguém foi pegar algum, escolher.

Vi sem desvencilhar minha atenção às palavras uma roupa, uma saia... Cabelos dourados longos, Yang. Certamente ela foi pegar algum jogo, já que sabe onde fica, diferente dos garotos.

Fiquei sentada em minha cama lendo sutilmente com o livro cobrindo metade de meu rosto deixando apenas minha vista visível, mas por incrível que pareça não estava conseguindo me concentrar decentemente, talvez por conta da conversa e risada emitidas pelo trio que estava no chão lá pra frente da cama de Weiss e Ruby. O som não era tão alto, estavam respeitando e sabiam que estava lendo, trataram de abaixarem o tom da voz.

Arrisquei e ousei direcionar meus olhos para eles, saber o que se passava para tudo aquilo. Sutilmente e inesperadamente, para minha surpresa meus olhos cor âmbar se encontraram com uns olhos lilases pertencentes à loira, que fazia uma expressão serena enquanto jogava cartas e não dizia nada no momento. Reagi de uma forma meio estranha, arrepiei, parecia que havia perdido vagamente meu ar e fiquei sem graça, logo voltei a encarar o papel e palavras em minha frente um pouco abaixo disfarçando.

Transparecer nervosismo ou qualquer emoção do tipo? Não.

Passou pouco tempo e o dia mal se concluiu e muita coisa já aconteceu, vou dar um tempo com essas coisas e evitar ter contato com o que pode fazer meus sentimentos se exaltarem... Não quero ter um infarto.

Nesse tempo, já havia escurecido, notei desviando o olhar para o lado, para a janela encarando o azul escuro do céu, pois estava meio desnorteada com o que ocorreu aparentemente e meu foco se esvaiu totalmente novamente.

Fechei o livro, levantei singelamente da cama e guardei-o do lugar que retirei, na pequena estante que ficava de frente para a janela e do lado de onde dormia.

Bom, eu já havia terminado mais um capítulo, marquei a página antes de guardá-lo, claro.

Yang notando minha movimentação logo fez uma ação nova enquanto eu estava por admirar lá fora, as árvores e estrelas:

― Bom, eu já vou indo, escureceu e não quero que meu amigo acabe saindo e o perca de vista.

Com a voz dela se fazendo presente, tomei um pequenino susto, já que foi dito em um tom um pouco maior para eu ouvir também. Virei-me imediatamente e a vi se levantando, ajeitando suas vestes também.

― Tudo bem. ― Neptune diz. ― E então Sun, já vai também?

― Vou, não podemos perder mais tempo e agora é o horário ideal.

― Sim. ― concordei ajeitando minha arma, andando até a porta assim como eles. ― Venha Sun.

Quando fui até a porta, notei que Yang e Neptune estavam arrumando as cartas que antes estavam sendo usada em algum jogo e guardaram na embalagem que pertencia. A seguir, a loira foi até a estante e deixou o objeto sobre e se juntou a nós.

Retirei-me do quarto, dando um passo para fora e parei no corredor, aguardando todos saírem. A loira por fim fechou a porta e se colocou ao meu lado, enquanto os meninos estavam à frente conversando de alguma coisa que não era de meu interesse.

Olhei de canto para ela, como se questionasse tal ação, era previsível que fosse optado ficar com sua dupla e discutirem algumas táticas que poderiam vir a ser usadas, mas não foi feito.

― E então, conseguiu ler? ― ela pergunta olhando para mim, dando um simples sorriso.

― Não muito. ― respondi direcionando meus olhos para frente, evitando contato visual.

― Esperava por essa resposta, afinal, estávamos fazendo barulho. ― suspira. ― Desculpem-nos.

― Certo. Fique tranqüila sobre isso, posso ler mais tarde, e também já tinha finalizado um capítulo.

― Mas mesmo assim meio que foi falta de respeito nossa quebrar tua concentração, pra ler precisa ter que eu saiba. ― a loira diz, levando um braço até a cabeça coçando em constrangimento.

― Sim, está certa. ― deixo escapar um pequeno e discreto sorriso. ― E, aliás, o que tanto estavam rindo que não entendi?

― Ah, eu estava fazendo trocadilhos com coisas aleatórias e a gente tava contando nossas desventuras por ai enquanto jogávamos. ― ela recorda, alegrando-se.

― Está explicado. ― balancei a cabeça levemente assentindo e não reprimi uma curvatura na boca, sorriso, afinal, era até que cômica tal coisa, já que Yang quando deixada, faz cada piada e trocadilho que dá vontade de sair do lugar ou morrer de rir; algumas são boas, outras, péssimas.

Andamos pelos corredores conversando de vez em quando com os meninos, outra entre nós mesmas. Ao sair de dentro de Beacon, Yang foi até onde estacionava sua moto e subiu nela, logo a seguir fez um gesto para Neptune, claramente era para ele fazer o mesmo para a partida ser dada e a missão realmente começar para eles, começando pelo trajeto até o local.

Fomos até a rua, no qual era em frente à Academia, e tinha conhecimento que o caminho que tomaríamos seria oposto, já que a roda do veículo da loira estava apontada para a esquerda, e eu estava indo para a direita.

― Bom, então aqui nos separamos. ― Sun diz, enfatizando o que previ.

― Pois é. Desejo boa sorte pra vocês e tomem cuidado. ― Yang profere. ― E você loirinho, não ouse meter minha amiga em enrascada ou você vai se ver comigo.

― Tá, tá, pode deixar. ― Wukong parecia intimidado com tal ameaça, mas ria descontraidamente, como se não cresse, mas também não descresse.

― Boa sorte pra vocês também. ― e então retribuo, desejo o mesmo para a dupla em meu lado.

― Nos vemos mais tarde. ― Yang acelera a moto e vai adiante a seu caminho, virando à esquerda seguindo a rua, trilhando seu caminho.

Fiquei apenas por observar aquela figura ir diminuindo pouco a pouco, queria mesmo que aquela loira não se encrencasse e voltasse inteira, já que vira e mexe ela se mete em confusões, mesmo pequeninas, ou se acidenta por ai, como se cortando sem querer, caindo no chão e por ai vai; desastrada.

― Ei, vamos. ― meu parceiro quebra meus devaneios com sua voz no recinto.

Quando virei para trás a procura do som emitido, notei que ele estava até que distante de mim, começou a ir sem nem me avisar, me distraí. Tomei o passo e me juntei a ele, logo começamos a andar um pouco mais apressadamente até a zona industrial, o local onde a organização estaria reunida... O local de encontro.

O que nos esperaria lá? Chegaremos atrasados, adiantados ou na hora certa? Eu não sei, mas tenho um leve mau pressentimento quanto a isso, talvez por conta de estar indo me encontrar com a facção que antes apoiava e lutava tanto em prol; não consigo deixar de lembrar meu passado e tal fato marcante.

Acabei por lembrar de mais cedo, quando foi proposto uma espécie de troca, no qual Yang me ajudaria no social, comunicação, e eu ajudaria ela no que mais tem dificuldade; as notas dela que digam! Uma troca equivalente? Ainda tenho tempo em reverter e recusar, mas talvez deva tentar?

Uma ligeira inquietação toma conta de mim, e tal coisa está tomando forma e fazendo-me ter emoções e sentimentos desconhecidos, porém conhecidos por mim pela parte da literatura.

Gratidão, admiração ou realmente estou me apaixonando por ela?...
 

...

 

As conclusões inesperadas de uma noite descontraída geraram efeitos inesperados pela jovem Belladonna. Perante um novo sentimento ainda desconhecido para ela, Blake mal sabe como se portar diante de Yang.
Além disso, ambas se intrigam com o jeito de ser uma da outra. Curiosas sobre como cada uma vigia a vida a seu modo, um desafio foi traçado. Será que elas conseguirão lidar com coisas tão opostas? 

 


Notas Finais


E então, o que acharam? Comentem sugestão de possíveis cenas que podem acontecer e etc, gosto de ler comentários ^^
Vai ter pressão na Blake? Sim. Vai ter uma loira chegando cada vez mais perto e provocando como esse capítulo? Sim.
Talvez eu até mude o ponto de perspectiva, veremos o que a loirinha pensa sobre a gata negra.
O foco desse capítulo foi olhares, tanto que as vezes que a Blake quase infartou foi em contato visual, por isso a capa enfatiza isso também, rsrsrs
"Os olhos revelam mais do que palavras", realmente!

Senti que tava faltando alguma coisa, algum parágrafo ou momento, eu não sei, mas acho que poderia ter sido melhor. Decai um pouquinho, enferrujei talvez porque passei muito tempo sem escrever assim, rsrsrsr

Os próximos capítulos pretendo reduzir o tamanho pra eu dar conta, ai posto mais rápido e evito essa pausa de meses (2 meses, oh god!)

Créditos desse parágrafo final ao MikeCrossCG, que sempre está ai comentando, recomendo que deem uma olhada na história dele, que está maravilhouser também (em falar nisso, deixei acumular muitos capítulos da fic dele, oh god...)

Até o próximo capítulo <3 Obrigada por acompanhar mais esse capítulo (que ta mais pra one-shot mas tudo bem).


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