História Buraco Negro - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Esoterismo, Fada, Fadas, Hipnose, Hipnotismo, Magia, Magia Negra, Originais
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Palavras 2.255
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Primeiramente feliz dia das crianças e bom feriado.
Esta história comecei a escrever esse ano, e ainda está em andamento (será long).
O objetivo foi fazer a personagem sofrer machismo já no primeiro capítulo mesmo e polemizar.
Boa leitura!

Capítulo 1 - Apagão


Todas as luzes sumiram.

O ar se tornou congelante, o tempo congelou e meu corpo se paralisou, enquanto o par de olhos do monstro me olhavam, a atmosfera ficara carregada e o ambiente espiritualmente pesado.

Ele se aproximava e meu corpo não se movia, sem reação e eu podia sentir seu odor forte e pressentir que se tratava de um macho. Mas não era humano. Som algum saía de minha boca. A visita do monstro durou o tempo que para mim pareceu uma eternidade, me senti assediada, abusada e violentada.

Ele me cheirava e passava as mãos grandes e animalescas em meu corpo, e eu não conseguia fazer nada. Era como se eu tivesse sido enterrada viva e todo o oxigênio estava sendo roubado de mim pouco a pouco dentro de um caixão a sete palmos de terra.

— Tudo começou quando eu fui me deitar. Andei pelo dormitório, como de costume, de camisola, e tudo estava silencioso. As meninas já tinham ido todas dormir. Enquanto passei pelo corredor, todas as luzes começaram a se apagar. Não todas de uma vez como em um blecaute, mas uma por uma como se estivessem organizadas. Abajur, lâmpadas, tudo. O dormitório ficou frio. Quando entrei no meu quarto, tentei ligar pelo interruptor e nada aconteceu. Ouvi passos do lado de fora. Havia alguém e estava perto. Tremi e fiquei sem ar, nervosa. Antes que pudesse fazer algo, ele surgiu assim que o som de passos parou e eu simplesmente fiquei sem voz, com medo e sem ação. Tentei chamar por ajuda, mas não consegui.

“Eu estou muito apavorada e preciso que me ajudem. ” Falei.

— Quer que nós acreditemos que você foi atacada...por um monstro? — Minha amiga começou, desconfiada.

— Não tem como, Terri. — Minha outra amiga, respondeu olhando para mim.

— Estamos preocupados com você, mas não podemos... você sonhou e acha que isso aconteceu de verdade. — Ela prosseguiu.

— Eu fui violada a noite passada. E se isso acontecesse com um de vocês? — Perguntei alterada.

Tudo que recebi foram risadas das pessoas que eu achei que seriam as primeiras que me ajudariam.

— Não notou nada de errado ontem à noite? — Fiz a pergunta.

— Nada de diferente, Terri. — A segunda respondeu; ela era trans, mas ainda estava em transição então ainda era um pouco masculina.

Eu estava alojada em uma espécie de república, em uma excursão do curso de fotografia onde ficaria viajando a estudos por uns dias.

Assim que elas foram embora, fui até o dormitório dos meninos e contei a mesma história. Sim, eu provavelmente estava ficando teimosa e paranoica.

— Tem certeza de que aconteceu isso mesmo? — Perguntou um deles, com cara de paisagem, um magrinho de barba por fazer que eu não me lembrava do nome.

— Não foi algum remédio que você tomou? Anticoncepcionais podem ter efeitos colaterais. Atroveran também. — O próximo continuou, esse era gordinho e nem um pouco atraente, e com um pouco de acne no rosto; também não me recordo do nome.

— Eu não tomei Atroveran. — Respondi ele, um pouco irritada por um comentário de um garoto que não entendia nada do universo feminino.

— Não é estresse? Ou está naqueles dias? — O primeiro insistiu em questionar.

— Se não podem me ajudar, já vou indo. Obrigada por nada. — Me levantei e peguei minha bolsa. Isso era a gota d’água.

— Espera, tem alguém que pode te ajudar. O senhor estranho.

— Quem?

— O nome dele é Tadeu, um nerd esquisito que gosta de hipnotizar as pessoas.

— Acha que ele pode me ajudar? — Fiz a pergunta, pensando se seria uma boa deixar ser hipnotizada.

— Dizem que a hipnose pode resgatar memórias perdidas. — O novinho de barba rala afirmou. — Vou ir chamar ele.

Quando o cujo nerd apareceu, usava óculos como a maioria dos nerds, e tinha um cabelo rebelde e bagunçado, de cor meio acinzentada e queimada, e a pele levemente salpicada de acne. Era fofo.

— Olá, eu sou o Tadeu. — Soou meio tímido.

— Prazer, Terri. — Sorri e apertei a mão dele.

*

— E aí, como vai funcionar? — Fiz a pergunta, agora já na sala de estar da ala feminina, com minhas duas amigas uma ao lado da outra assistindo. Me deixava mais segura.

— Você fica sentada em um assento confortável, e depois eu começo a sessão. Vamos voltar até a noite passada e ver o que de fato aconteceu. — Tadeu falou, um pouco alterado.

— O que foi? Por que está ficando vermelho? — Perguntei.

— É que... eu nunca estive no dormitório feminino antes. — Ele corou mais ainda. Eu havia chamado minhas colegas com medo de que ele fosse um mentiroso e que queria me assediar enquanto eu estava em transe, porém agora vejo que ele não seria capaz de fazer isso.

Paulina e Marina ficaram sérias por um momento assistindo sentadas, e eu me ajeitei na poltrona, tentando relaxar; as duas logo começaram a fofocar sussurrando e eu tentei ignorar.

— Bom, agora estamos de novo no seu dormitório, no seu quarto. É de noite novamente, e você não está mais aqui, nem eu. Está voltando no tempo. Está tudo acontecendo de novo. — Enquanto falava, o jovem usava uma voz mais tranquila e calma, arrastada como um sonífero eu fui caindo no jogo dele, já que ele me olhava deixando uma das mãos apontada para mim e girando lentamente um anel que estava preso em um dos dedos, me fazendo me deslocar mentalmente cada vez mais.

Depois disso tive um ‘apagão’.

*

Quando acordei, estava no meu quarto, deitada na cama. Verifiquei se estava de roupas e se alguém tinha as trocado, e suspirei de alivio ao ver que estava com a mesma blusa e a mesma calça jeans. Olhei no espelho, minha aparência não estava das melhores. O cabelo bagunçado, descendo em cascata na altura dos ombros, fios rebeldes de tom castanho escuro, algumas olheiras e dúvidas na minha cabeça.

— Olá. — Uma voz masculina me assustou, e eu quase enfartei. Tinha surgido na porta, que estava aberta, um homem magro e atlético, bem-apessoado.

— Oi.

            — Consegue devolver a máquina fotográfica que retirou do estoque acadêmico? Está passando o prazo de devolução. — Ele devia ser meu professor, mas eu não me lembrava dele, nem do nome. E também não sabia dizer onde estava a máquina que ele queria.

            — Claro. — Sorri.

            — É Teresa, não é? — Ele perguntou.

            — Sim. — Confirmei meu nome, Terri era apenas um apelido, e assim que consegui me livrar dele tentei procurar a maldita câmera fotográfica e também o meu celular, de alguma forma eu pensava que precisava dele.

            Vasculhei o cômodo inteiro sem sucesso. Sem tempo para pensar nisso, fui até o dormitório masculino de novo. Procurei por Tadeu.

— E aí o que aconteceu? — Perguntei ao hipnotizador. Precisava saber sobre a minha sessão.

— Bom, você se lembrou de tudo com detalhes. Eu achei que fosse invenção sua no começo, mas você foi convincente quanto a criatura que viu...eu não sei explicar, mas você não parava de se coçar, várias partes do corpo enquanto eu a hipnotizava. Também gemeu e se contorceu, parecendo desconfortável, como se tivesse vivenciado um trauma. Depois disso você falou. “Preciso ir ao bar Néctar” “Bar Néctar” e ficou repetindo esta frase.

— Muito obrigada. Era isso que eu precisava. — Com essa informação, eu poderia solucionar esse mistério. Se não me engano, este bar fica na área dos alojamentos próximo ao estacionamento dos ônibus da excursão.

— Pode me dar o seu número de telefone? Caso eu precise falar com você sobre mais algum detalhe da sessão. — O mesmo me interrompeu antes de ir embora.

— Está me...? — Comecei a frase, tendo a impressão de estar sendo cantada, mas parei e reformulei — Claro, eu posso... — tentei pensar no meu número, porém por alguma razão não me lembrei. — Eu...não...me lembro. Quer dizer, não sei de cabeça. Pode me passar o seu? — Sorri ingenuamente constrangida.

Tadeu deu sem demora, já que não devia estar acostumado a fazer isso com muitas garotas.

Fui correndo procurar o tal bar, e antes passei por algumas alunas do curso de fotografia, quase esbarrando nelas.

— Terri! Não vai ir na aula de agora? Já faltou a anterior. — Uma garota negra de cabelo colorido perguntou, e eu não me lembrava de tê-la visto antes ou conversado com ela.

— Claro, eu já vou. — sorri, mentindo. — Em um instante, e sei que perdi algumas aulas...eu dormi demais, te vejo depois, tchau! — Corri me afastando delas e tentando me livrar das perguntas chatas.

O bar Néctar ficava mesmo onde eu suspeitava, e era onde a maioria dos estudantes ia depois das aulas, então estava vazio agora; exceto por alguns gazeadores, tipo eu.

O que eu precisava encontrar aqui?

Sentei e chamei o garçom, pedindo um refrigerante. Eu perguntaria a senha do wi-fi, mas eu ainda não tinha achado meu celular. Quando dei uma olhada no interior do local, cheio de quadros de artistas de rock, como a maioria dos bares clichê, percebi olhares de um garoto.

Nunca havia o visto antes, era ruivo de cabelos cacheados rebeldes, uma longa barba e de pele muito clara, eu o achava fofo, porém tantos olhares estavam me assustando e eu desviava de todos, ocupada em beber o refrigerante e pensar no que deveria fazer. Enquanto mantinha o olhar baixo podia perceber o par de olhos fixos em mim.

Levantei e fui até o banheiro feminino, tentando evita-lo, mas ouvi e notei passos atrás de mim. Me tranquei no reservado, que estava vazio, e por paranoia me abaixei para ver se mais alguém estava vindo. Nenhum pé na minha visão por debaixo da porta do toalhete. Suspirei aliviada.

Quando movimentei a cabeça, percebi um papel no chão, mais afastado então precisei esticar o braço para pegá-lo, e não sei por que eu estava atraída em ver aquele exemplar, poderia ser um simples folder ou folheto, uma filipeta qualquer, mas era um mapa, e estava dobrado; isso ativou ainda mais a minha curiosidade.

Tinha várias repartições, no entanto era basicamente uma planta do alojamento da excursão, todos os lugares estavam mapeados, o próprio bar, estacionamento, prédios das aulas, dormitórios das meninas e dos meninos e a biblioteca. Fiquei imaginando quem teria o deixado ali, e porque precisaria dele. Talvez fosse isso que eu estava buscando quando mencionei o bar na minha sessão de hipnose, talvez fosse o meu subconsciente.

Guardei o objeto e quando fui sair do banheiro, o garoto que ficou me encarando estava parado na porta. Quando me viu, deu um passo à frente, me barrando e me impedindo de sair. Não sabia o que dizer, nem como agir.

— Você é bem bonitinha. Fofa, na verdade. — Ele disse, e eu sabia que ele queria dizer outros adjetivos, mas estava tentando parecer gentil. — Eu vi que estava olhando para mim, percebi que está interessada.

— Não estou. Você se enganou. — Respondi, pensando em algumas desculpas, ‘sou lésbica’, ‘sou assexual’, ‘meu namorado está vindo’, sendo que ele não está, mas sei que nenhuma delas surtiria efeito.

— Não precisa se sentir envergonhada, eu também sou tímido. Eu nunca disse isso antes, mas eu tive um crush em você. — Ele continuou, mesmo eu desejando que parasse. Talvez se eu gritasse, alguém do bar viesse me ajudar.

— Eu preciso ir, moço. Estou com pressa, com licença. — Dei um passo à frente tentando passar por ele.

— Eu não aceito não como resposta, me dê o seu número. Uma pele lisinha desse jeito, deve ser tão gostosinha. — Ele me bloqueou e tentou me tocar, e eu desviei dando um passo para trás. — Já estou ficando duro. Igual nesta foto. — Ele sacou o telefone e mostrou uma nude e eu desviei o olhar, fechando os olhos.

— Eu não quero, por favor... — falei, sentindo a mão dele envolvendo meu braço com força.

— Eu sabia, você é uma mal comida insuportável, eu pensei que não mas é. Eu estava fazendo um favor te dando mole... não importa, você provavelmente não curte homens...mas saiba que tudo o que você precisa é de um homem. — O mesmo começou com as ofensas típicas e eu permaneci séria mesmo interiormente já estar perdendo a paciência.

Ele apertou o punho no meu braço, coberto pela camiseta e eu estava quase reagindo quando surgiu mais um rapaz no banheiro, e eu pensei “ótimo, mais um assediador? ”

— Algum problema aqui? — Sua voz grave soou, ele era atraente e mais alto que o garoto problemático.

— Nada que seja da sua conta. Só estou conversando com minha amiga aqui, ela disse que quer ser minha namorada. — Ele rebateu.

— Ela disse não. É melhor você deixar ela em paz, cara. — O estranho continuou, pude perceber que ele tinha longos cabelos bem claros, quase prateados, e a pele muito branca.

— Fique fora disso, eu estou avisando. — O ruivo insistiu.

— E-está me machucando. — Gaguejei, tentando me livrar da mão do desconhecido.

— Caia fora daqui logo, está sendo desagradável caso não tenha percebido. — O estranho estava com o celular ainda em mãos, então o mais alto empurrou o objeto com a mão fazendo cair roubando a atenção do mesmo, que começou a gritar estressado.

— Quer saber, vão os dois para o inferno! — O mesmo finalmente foi embora, aos berros.

— Obrigada. — Agradeci.

— Espere!

— Eu preciso ir. Você me fez um favor enorme, mas não vai virar o meu herói por causa disso. Até mais. — Me antecipei indo embora e me despedindo.

— Terri! — Ele gritou.

— Como sabe o meu nome?

— Como sei o seu nome? Sou eu, Dankan.

— Eu não te conheço. — Virei as costas e fui embora.

“Sou eu, Dankan” e deveria isto significar algo para mim? O que ele quis dizer? Eu não sabia o nome dele e ele agiu como eu já o conhecesse.


Notas Finais


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