História Buying Her Love - Capítulo 24


Escrita por: ~ e ~tfbonney

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Fifth Harmony
Visualizações 1.294
Palavras 4.327
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá!!! Voltamos, amores. Desculpem a demora, tá muito corrido pra nós duas. :(

Capítulo 24 - Capítulo 24


Sempre odiei acordar com a luz do sol batendo diretamente em meus olhos, irritando-os e me obrigando a levantar de mau humor. Porém, ao sentir dois braços rodeando minha cintura e uma respiração leve contra meu pescoço, eu até que gostei do sol aquecendo minhas bochechas.

Antes mesmo de abrir os olhos, eu sorri de leve e me aconcheguei no abraço de Lauren.

Nossa tradição de conversarmos à noite se mantinha intacta, porém, ontem isso mudou. Pensei em ligar para ela, mas sentia medo de incomodá-la se caso Lauren estivesse ocupada. Quando reuni coragem suficiente para isso, ela não atendeu. E nos minutos que se passaram após a ligação ser encerrada, eu me senti mal.

Até Lauren aparecer na porta, com uma caixa de pizza em uma mão e um pote de sorvete na outra. Com um sorriso tão sincero que eu me esqueci do por que estar incomodada.

Depois de falarmos sobre nosso dia, entre risadas e olhares nada sutis, resolvemos assistir um filme – que se tornou em beijos lentos e molhados, e eu realmente não estava reclamando.

Nós não passamos dos beijos, entretanto, e eu também não me importava com aquilo. Deixar nosso relacionamento fluir naturalmente e devagar era uma ideia maravilhosa e eu podia sentir que era o melhor para Lauren também – e, é claro, para mim.

Suspirei e abri lentamente os olhos, sentindo a pele quente devido aos poucos raios de sol que entravam na fresta da cortina. Virei-me com cautela para não acordá-la, sem tirar seus braços ao redor de mim, e não evitei sorrir ao ver suas bochechas um pouco coradas e sua boca entreaberta.

Depois de tudo que passamos, eu mal podia acreditar que finalmente estávamos juntas por vontade própria e não por contrato, falso relacionamento e dinheiro.

Dei um beijo em sua testa e me desvencilhei dela. Eu vestia apenas minha lingerie, assim como Lauren. Estiquei os braços e esfreguei os olhos, indo até o banheiro depois de checar o horário.

Mesmo não gostando de acordar cedo em um sábado, naquele momento eu não me importava por ser sete e meia. Incrivelmente, eu estava feliz e me sentindo leve – até a ponto de abrir a janela após escovar os dentes, sorrir para a cidade em minha frente e dizer um “bom dia” para seja lá quem fosse.

— Camila – Lauren resmungou incomodada, provavelmente pelos raios solares que entravam mais intensamente agora, e ficou de costas para a janela.

— Acorde Lauren! – falei sorrindo, me jogando na cama e colocando o rosto em seu pescoço. Ela se arrepiou e encolheu o corpo, resmungando algo contra o travesseiro. — Já são oito e meia...

— Já? – perguntou ironicamente, bufando e se virando de frente para mim. Meu sorriso se alargou quando a vi esfregar os olhos com um bico quase imperceptível nos lábios. Ela abriu as íris verdes e me encarou, dando um leve sorriso em seguida. — Pensei que você odiasse acordar cedo no fim de semana.

— Posso abrir uma exceção hoje – beijei sua bochecha e joguei a cabeça no travesseiro — Dormiu bem?

— Sim, é claro. E você? – ela entrelaçou sua mão na minha e eu abaixei os olhos para ver como elas se encaixavam.

— Sim, sim. É bom sentir sua pele na minha. – subitamente, eu me achei estúpida por sentir as bochechas esquentarem de vergonha.

Nós já tínhamos passado da fase “ter vergonha por coisas ditas sinceramente”, porém eu não consegui evitar aquele sentimento ao ver seu sorriso presunçoso e malicioso.

Lauren se aproximou e deixou um beijo em meu pescoço, eu podia sentir seu sorriso contra minha pele e suspirei.

— Se acordar cedo no sábado vier junto com essa sinceridade espetacular, eu aceito – dei risada e empurrei Lauren, batendo de leve em seu ombro.

— Vamos sair pra tomar café? – perguntei, analisando minhas roupas. Ouvi Lauren gritar um “sim” animado e sorri, pegando minha roupa social.

Embora seja sábado, eu precisava passar na empresa para resolver alguns assuntos pendentes que já tinha adiantado demais.

— Vai trabalhar? – Lauren apareceu ao meu lado com a mesma roupa de ontem e parecia confusa, com uma carranca leve.

— Vou só dar uma passada rápida pra resolver algumas coisas.

Me troquei rapidamente e pude ver pelo espelho que os olhos verdes não desgrudavam de mim, com um sorrisinho de canto que eu sabia muito bem o significado.

— Já disse que amo te ver com roupa social? – ela deu alguns passos para perto e eu fechei o penúltimo botão da camisa, segurando a vontade de sorrir quando Lauren ergueu sugestivamente suas sobrancelhas.

— Sim. Cinquenta vezes, suponho.

— Otária! – ela riu, abraçando-me por trás e colocando o queixo no meu ombro.

Eu adorava a intimidade que tínhamos adquirido, era confortável ficar tão perto de Lauren e saber que o sentimento era mútuo. Sem dúvida, era uma das minhas coisas favoritas no dia: ficar com ela.

— Hoje tem o jantar... – ela começou, meio hesitante em continuar. Eu me virei e abracei seu pescoço.

— Hoje tem o jantar. Nervosa? – Lauren fez uma linha reta com os lábios e deu de ombros.

— Não sei. Tenho medo de sua irmã rasgar minha garganta com as unhas dela – fez uma careta e eu ri, selando nossos lábios por um breve momento.

— Você é muito exagerada. Vamos logo – puxei-a pelo braço e em dez minutos nós já estávamos dentro do carro.

-x-

— Como está indo com a psicóloga? – Lauren perguntou, tomando um gole de seu café espumante. Eu franzi um pouco a testa, pensando no que deveria responder.

Está indo bem? Eu não sei. Nós conversamos bastante, sobre várias coisas, em especial sobre como eu me sinto diante de todas as coisas que aconteceram comigo.

Ela pergunta bastante sobre Lauren, sobre minha família e meu dia-a-dia. Era óbvio que minha psicóloga conseguia perceber diversas coisas que não dizia, apenas anotava em um pequeno bloco de notas que me deixava nervosa. Eu me perguntava a todo momento o que tanto ela escrevia, se eram observações positivas ou negativas.

Eu consegui ver, uma vez, a seguinte frase escrita: dificuldade em lidar com problemas amorosos.

Aquilo era a mais pura verdade.

— Bem... – Lauren ergueu as sobrancelhas e deixou sua xícara de lado para debruçar os cotovelos na mesa e me encarar de uma maneira que eu sabia o que viria a seguir.

— Não minta para mim. – eu balancei a cabeça.

— Não estou mentindo. Está indo bem, mas às vezes me sinto desconfortável para dizer o que sinto.

— Ela está lá para isso, amor. Para te ajudar a arrumar essa confusão aí dentro – ela apontou para minha cabeça e eu sorri fraco. — E eu também estou aqui. Se quiser, pode desabafar comigo. Não sou formada em psicologia, mas tenho experiência o suficiente para ajudar em algumas coisas.

Eu sorri verdadeiramente e assenti. Lauren piscou um olho e bebeu seu café. Eu fiquei observando-a e percebi que, além de uma beleza imensa, ela também tinha um bom coração. Mesmo tentando passar uma imagem fria de si mesma, eu sabia que Lauren não era assim. Ela não era assim comigo, afinal.

Depois de ficarmos cerca de meia hora na cafeteria, Lauren me levou até a empresa. Tínhamos saído com seu carro, então ela me levaria e também me buscaria depois para almoçarmos juntas.

Não podia negar, parecíamos um casal perfeito.

— Te vejo depois? – ela perguntou quando parou na frente da KAS & Co. Eu revirei os olhos divertidamente e me aproximei.

— É claro que sim, você é minha motorista hoje. – selei nossos lábios e estava pronta para me afastar quando Lauren segurou em minha nuca e me puxou para mais perto, intensificando nosso beijo.

Antes da noite passada, fazia tempo que não nos beijávamos dessa maneira.

Ela apertou minha nuca e segurou minha cintura. Lauren mordeu meu lábio inferior e passou a língua por ele, fazendo-me suspirar entre o beijo.

— Vou me atrasar... – tentei falar, mas sua língua já estava encontrando a minha de novo. Abracei seu pescoço e Lauren parecia nervosa para me puxar para seu colo, mas eu reuni forças e me afastei.

Respirei fundo e arrumei o cabelo, vendo sua expressão decepcionada. Ela fez um bico e eu dei risada, pegando minha bolsa e saindo do carro. Mandei um beijo no ar para Lauren, que retribuiu e foi embora.

Menos de duas horas depois, eu estava prestes a arrancar meus cabelos e jogar os papeis pela janela. Todos aqueles contratos, esboços de campanhas para serem aprovadas, relatórios e tantas outras coisas que me deixavam estressada.

Meu telefone tocou e eu pedi aos deuses para que não fosse algum cliente reclamando. Felizmente, era Dinah.

— Alô?

— Você esqueceu que eu existo? – sua voz estava estável e eu sabia que ela brincava.

— Meio difícil esquecer a maior perturbação da minha vida.

— Me respeita! – agora ela parecia ofendida. — Onde você está?

— Na empresa, quase cometendo suicídio.

— Por favor, não faça isso antes de me ajudar a escolher um vestido pra um encontro.

— Que encontro? – perguntei, interessada no que ela dizia. Fechei a pasta com os relatórios de campanha e joguei meu corpo para trás, fechando os olhos numa tentativa de relaxar.

— Então... é o seu primo, Raphael. ­— meus olhos, antes fechados, agora se arregalaram.

— O quê? – perguntei, com a voz um pouco elevada.

Dinah saindo com a porra do meu primo? Ele era lindo e muito simpático, mas eu não conseguia imaginá-los juntos.

— Nós estamos conversando há algum tempo...

— Vocês o quê?!

— Relaxa, Camila! É só um encontro inofensivo.

­— Você não me engana, Dinah. Ainda estou absorvendo o choque, então me dê alguns minutos de silêncio.

— Para de ser ridícula. Enfim, você pode passar aqui amanhã pra me ajudar?

— Eu não deveria, mas eu vou. O que não faço por você? Aliás, você vai me contar tudo sobre essa palhaçada e eu preciso aprovar.

— Você não precisa aprovar nada, porque nós vamos transar amanhã.

Depois de dizer para Dinah o quão nojento era imaginá-la transando com meu primo, eu desliguei o telefone e voltei para meu trabalho. Felizmente, ninguém havia ligado para meu escritório hoje, então eu tinha uma maior paz.

Assinei o último contrato e joguei a caneta longe, aliviada por ter acabado de ler e assinar todos aqueles papeis intermináveis. Massageei as têmporas e chequei o horário em meu celular.

Meio dia.

Eu mal tinha percebido a hora passar e tinha combinado de almoçar onze e meia com Lauren. Provavelmente, ela já estava me esperando lá embaixo.

“Acho que você esqueceu do horário, então eu vou te buscar e espero você terminar tudo.”

“Estou aqui embaixo, amor.”

A última mensagem foi há dez minutos, então Lauren não estava esperando muito, ainda bem. Desci o mais rápido possível depois de entregar os papeis à minha secretária e encontrei seu carro estacionado bem em frente à passarela da porta.

-x-

— Eu não quero mais ir, é sério. – revirei os olhos e passei o rímel pelos meus cílios, deixando-os longos.

Eu estava no telefone com Lauren, me arrumando para o jantar de meus pais, e ela insistia que achava melhor não ir.

— Lauren, você está parecendo uma adolescente que não quer sair com os pais da namorada porque vocês não são assumidas. Pare com isso! – falei um pouco brava. Ela grunhiu e eu peguei o batom vermelho, passando-o minuciosamente pelos lábios.

— Eu já estou pronta, tudo bem? Que horas vamos?

— Daqui meia hora eu passo na sua casa.

— Seu pai pediu minha presença, mesmo?

— Lauren! – falei irritada, fazendo uma careta. Sentei na beirada da cama e coloquei meus sapatos. — Ele gosta muito de você, eu já disse e você sabe disso! Por que está tão nervosa assim?

— Porque... – ela parou de falar, deixando-me curiosa e aflita. Peguei o celular e tirei do viva voz, segurando-o na orelha. — Ah, jantar com família é tenso.

Jantar com família é tenso.

— Que porra isso deveria significar? – tentei não deixar minha irritação explícita, mas eu não estava gostando da insistência de Lauren. Ela estava estranha e implorando para ficar em casa, e eu não sabia o motivo. Mesmo que ela dissesse mil vezes “sua irmã me odeia”, era óbvio que estava mentindo. Eu a conhecia o suficiente para perceber isso.

— Nada, esquece. Tô te esperando. – e desligou.

Franzi as sobrancelhas e bufei, jogando o celular na cama. Arrumei meu cabelo e retoquei a maquiagem, pegando meu celular e as chaves do carro.

O caminho até o apartamento de Lauren demorou vinte minutos e, quando buzinei e ela saiu, eu tive que prender a respiração. Ela estava linda.

Seu vestido azul escuro colado ao corpo me deixava sem fôlego.

— Oi – ela disse ao se sentar no banco. — Você está linda.

— Você também, uau. – ela sorriu e eu fiz o mesmo. — Posso ir ou você tem mais alguma reclamação a fazer?

Lauren rolou os olhos e empurrou meu ombro, me dizendo para ir logo.

Ela parecia calma durante o trajeto, dizendo coisas aleatórias e cantarolando junto com o rádio. Porém, quando parei no estacionamento da casa de meus pais, Lauren cerrou os olhos e mordeu o lábio. Não falei nada e saí do carro, sendo seguida por ela.

Bati três vezes na porta e Alanna abriu-a, sorridente e eufórica.

— Camila, Lauren! Entrem. – ela nos deu espaço e beijou minha bochecha, fazendo o mesmo com Lauren. Ergui uma sobrancelha para minha acompanhante com um sorriso de lado, ela rolou os olhos e eu sabia que tinha entendido.

Ela te odeia, então?

Meus pais vieram nos abraçar e Henry fez o mesmo. Todos pareciam felizes e aquilo me acalmou um pouco.

— Fizemos seu prato preferido, Kaki. – papai disse, me levando para a cozinha. Olhei pelo ombro, vendo Lauren conversando com meu cunhado e Alanna, e decidi deixá-la sozinho com eles por um tempo.

— Lasanha? – perguntei animada, vendo-o tirar a travessa do forno. Senti minha boca encher de água e meu pai deu risada pela minha animação. — Vamos comer logo! Venham todos pra cá! – gritei.

Meus pais tinham feito lasanha, macarrão, frango à parmegiana e salada.

Eu me sentei entre Alanna e Lauren. Minha mãe em minha frente, Henry na frente de Alanna e meu pai de Lauren.

Fui a primeira a pegar a comida e todos riram da minha afobação, mas eu estava com tanta fome que não consegui evitar.

— Estão gostando da vida de casados? – perguntei depois de alguns minutos.

— Eu não aguento mais, na verdade. – Alanna disse. Todos na mesa riram e Henry abriu a boca, fingindo estar ofendido.

— Amor, eu pensei que estávamos bem!

— Você ronca à noite, pelo amor de Deus. – eu gargalhei e Alanna se inclinou para beijá-lo.

— E vocês duas? – minha mãe se dirigiu a mim e Lauren. A mesa ficou em silêncio e eu não soube o que dizer. Olhei de canto para Lauren e vi que seus olhos estavam focados no prato.

— Nós... estamos bem. Lauren é uma ótima namorada. – sorri. Ela ergueu os olhos e me encarou com uma expressão divertida. Um tempo depois, Lauren se inclinou para beijar minha bochecha e sussurrou em meu ouvido:

— Namorada?

— Sim. – sussurrei de volta. Meus pais começaram a falar sobre algo com Henry, então ninguém prestava atenção em nós.

— Eu não me lembro do pedido, será que tenho Alzheimer?

Revirei os olhos e mordi seu queixo, deixando-a sem resposta.

Eu podia sentir seus olhos me fuzilando quando eu voltei a comer. Não conseguia tirar o sorriso dos meus lábios e Alanna me cutucava às vezes, rindo da minha cara e dizendo que eu era “muito óbvia”.

O jantar foi tão agradável quanto eu imaginava. Meus pais não falaram sobre meu relacionamento com Lauren novamente, mas perguntavam algumas coisas sobre ela e sobre mim. Lauren estava tensa no começo, mas não demorou a se soltar e entrar nas brincadeiras deles. Em pouco tempo, a mesa foi preenchida de risadas.

Era tão bom ver minha família toda reunida e feliz que eu podia explodir naquele momento de tanta alegria.

Estar bem com Alanna, com meus pais e com Lauren. Tudo parecia surreal e eu tinha medo de algo ruim acontecer para estragar isso.

— Precisa de ajuda, mãe? – perguntei, vendo minha mãe lavando a louça enquanto meu pai a enxugava. Ela olhou para mim e para Lauren ao meu lado.

— Não, bebê. Pode ficar à vontade com sua namorada. – minha mãe enfatizou a última palavra e eu cerrei os olhos. Ela e papai riram.

Subitamente, eu tive uma ideia.

Pisquei lentamente e acho que fiquei por um tempo olhando para o nada, já que Lauren me segurou pelo braço e me perguntou se eu estava bem.

— Vem, vamos no jardim - peguei sua mão e nós saímos.

— Camila, você está bem? – eu assenti e sorri para tranquilizá-la.

— O que você se lembra da nossa infância?

Eu olhava para as pequenas flores à direita, mas eu sabia que Lauren tinha a expressão confusa pela minha pergunta repentina. Soltei sua mão e fui até as tulipas vermelhas, abaixando-me para observá-las de perto.

— Lembro de várias coisas. Por exemplo, você sempre amou esse jardim – eu sorri para mim mesma e passei os dedos em uma das tulipas, sentindo sua textura. Olhei em volta e uma sensação nostálgica me invadiu, mas era algo bom dessa vez.

— O que mais? – ouvi os passos de Lauren, mas ela não se abaixou.

— Nosso lugar preferido da casa era aqui, no jardim, porque tínhamos mais liberdade e privacidade. Sempre que seus pais subiam para o quarto, nós ficávamos horas e horas aqui. – suspirei e puxei a flor para cima.

Me levantei e olhei para Lauren, que tinha seus olhos curiosos em mim. Sua expressão estava neutra, mas seus olhos transmitiam toda sua ansiedade e, de certo modo, sua felicidade.

Os olhos de Lauren eram muito expressivos, então eu conseguia lê-los com facilidade. Quando ela estava feliz, eles sempre ficavam em uma tonalidade mais clara.

Eles estavam mais claros agora.

Sorri e estendi a mão.

— Vem – ela ergueu uma sobrancelha e segurou minha mão, me deixando puxá-la pelo jardim.

Tentei controlar o nervosismo que já começava a tomar conta de mim, mas era inevitável. Meu coração – maldito seja – batia rápido e toda a coragem que eu tinha minutos atrás desaparecia gradativamente conforme nós nos aproximávamos da árvore.

Dei a volta no grosso tronco e encostei-me a ele, puxando Lauren para perto. Ela continuava com a expressão curiosa e as sobrancelhas erguidas, mas algo me dizia que ela já sabia o que estávamos fazendo ali.

— Lembra-se daqui? – ela riu e abaixou os olhos.

— Impossível esquecer. – meu sorriso ficou ainda mais largo e meu coração batia ainda mais rápido. — Tantos beijos aqui... – ela sussurrou, erguendo a cabeça e encarando meus olhos.

Eu estremeci.

Seus olhos agora tinham uma tonalidade escura de verde.

Eram poucas as ocasiões em que os olhos de Lauren ficavam assim: nervosismo, ira, ansiedade e tesão.

Eu respirei fundo e a vi se aproximar. Encostei-me ainda mais na árvore, deixando que ela colasse seu corpo totalmente ao meu, e não demorei a selar nossos lábios. Uma de minhas mãos foi até seu cabelo, puxando-o para trás e ouvindo um pequeno suspiro dela.

Nosso beijo foi cheio de mordidas, chupões, língua e desejo. O jeito como Lauren apertava minha cintura e descia suas mãos para minhas coxas, erguendo minha perna até que eu a entrelaçasse em seu corpo, me deixava louca.

Nos afastamos para respirar e eu encostei a cabeça no tronco, ainda com os olhos fechados e a respiração desregulada.

Eu precisava me acalmar se queria que minha ideia desse certo.

Abri os olhos e encontrei o sorriso de Lauren. Seus lábios vermelhos e inchados deixavam-no ainda mais irresistível.

Eu não sei por quanto tempo ficamos nos encarando, mas minha respiração já estava mais calma e meu coração mais estável.

— Gosta de flores? – acariciei seu rosto e ela assentiu, fechando os olhos e inclinando a cabeça ao meu toque. — Quais?

Lauren não me respondeu. Ela parecia imersa em meu carinho e em meus dedos acariciando todo seu rosto. Sua boca estava entreaberta e ela parecia em paz.

— O que está sentindo? – perguntei.

— Sinto como se tivéssemos oito anos novamente. Ainda consigo lembrar do nosso primeiro beijo, tão inocente e desajeitado – sua voz baixa e lenta me provocava arrepios. Passei o dedão nos seus lábios e ela sorriu fraco. — Lembro de você pedindo mais um beijo, mesmo que nós fizéssemos tudo errado, a sensação de ter seus lábios nos meus era como sentir uma explosão dentro de mim. Tão clichê, mas tão... nós.

Eu respirava fundo a cada dez segundos.

Eu não conseguia mais esperar.

— Lauren, abra os olhos. – eu falei rápido, quase freneticamente. Ela fez o que pedi, olhando-me confusa.

Suspirei e levantei a tulipa vermelha que segurava e coloquei entre nós. Lauren abaixou os olhos por alguns segundos e os levantou até mim de novo.

Minhas mãos tremiam um pouco, uma parte de meu cérebro gritava o quanto aquilo era estúpido e meu coração parecia saltar de meu corpo a qualquer momento. Mesmo assim, eu reuni toda a coragem que não sabia ter e disse:

— Pra você, Laur... Mamãe diz que vermelho é amor e eu te amo.

Lauren arregalou os olhos e sua boca se abriu.

Ela tinha entendido. Ela tinha entendido que eu me lembrava de quando lhe falei essas mesmas palavras anos atrás.

— Camila – foi tudo que ela conseguiu dizer, baixo e quase inaudível. Ela olhou para a tulipa vermelha e a pegou.

— Eu te amo, Lauren. Eu nunca parei de te amar e uma parte de mim sabe disso. Mesmo quando não me lembrava de você, eu ainda te amava. Mesmo quando eu sentia raiva por não entender o que acontecia entre nós, eu te amava. Eu te amava na infância e te amo agora. Eu não sei como fazer isso, mas, meu Deus... você quer namorar comigo?

Eu falei tudo tão rápido, ansiosa para despejar todos aqueles sentimentos que me enforcavam há semanas.

Lauren estava tão nervosa como eu. Ela não piscava e parecia hipnotizada. Sua boca aberta e seus olhos tão arregalados que eu sentia medo por ela recusar meu pedido.

— Por favor, diga alguma coisa... Por favor.

Ela não disse nada. Ao invés disso, me abraçou tão forte que eu quase fiquei sem ar. Mas eu não me importava. Abracei-a de volta na mesma intensidade e coloquei meu rosto em seu pescoço, sentindo seu cheiro. Ela também tremia um pouco e eu me senti feliz por não ser a única que estava quase tendo um ataque.

— Sim, sim... Sim, mil vezes sim. Porra, eu aceito namorar você. – eu ri do modo que ela falava e Lauren colou sua boca na minha. Não foi um beijo intenso, nós apenas ficamos com nossos lábios juntos por um longo tempo. Mesmo assim, foi uma das melhores sensações que já tive.

-x-

Eu estava com Lauren na sala, Alanna e Henry estavam discutindo sobre alguma coisa típica de casais que eu não prestei atenção.

Desde que a pedi em namoro, nós estávamos mais felizes do que o normal. Se eu olhasse para a parede, eu daria risada e sorriria por cinco minutos sem motivo algum. Apenas porque eu estava tão feliz a ponto de querer gritar para os quatro cantos do mundo que – Jesus Cristo – eu estava namorando Lauren Jauregui.

Logo após acabarmos com a sessão “felicidade infinita através de abraços e beijos” na árvore, eu perguntei a ela por que ela estava tão nervosa mais cedo. Lauren respondeu: porque eu não sabia se estava como sua acompanhante ou como sua namorada, eu nem sabia o que éramos e aquilo me deixou quase explodindo de nervosismo.

— Eu vou pegar uma cerveja, não aguento mais esse assunto. – ele disse, bufando e indo até a cozinha. Alanna revirou os olhos e se jogou no sofá ao meu lado.

Lauren me abraçava de lado, com a cabeça encostada em meu ombro, e eu fazia carinho em suas costelas.

— Quando vocês se casarem, vão entender do que estou falando. – eu ri e Lauren se aconchegou mais em mim. — Ah, eu preciso falar uma coisa para você, Lauren.

Minha namorada ergueu a cabeça e se ajeitou no sofá. Nós trocamos um olhar rápido e eu balancei a cabeça, dizendo para ela que estava tudo bem. Lauren ainda tinha certo receio de Alanna odiá-la.

— Eu quero pedir desculpas pelo que eu disse no casamento. Sei que foi totalmente errado e me sinto mal por isso, eu só queria o bem de Camila. Você entende? – Lauren assentiu — E pode me perdoar?

— Não há o que perdoar Alanna, eu sei que você queria o melhor para Camila e eu entendo, então está tudo bem.

Essa é minha garota.

— Me dá um abraço, cunhada! – Alanna gritou, se jogando para cima de Lauren e quase batendo seu cotovelo em meu rosto. Elas riram quando Lauren caiu de trás no sofá e quase levou Alanna para o chão.

— Eu virei as costas e você está me traindo? – Henry disse entrando na sala.

— Eu gosto de morenas com olhos verdes, há! – ela disse, apertando Lauren no seu abraço desajeitado e estranho.

— O quê? Você vai roubar minha namorada? – perguntei, fingindo incredulidade. — Lauren, você não vai me trair né?

— Desculpa amor. – ela deu de ombros e eu abri a boca. Alanna gargalhou e saiu de cima dela, dando a língua para mim. Eu rolei os olhos e cruzei os braços.

— Você está muito fodida. – falei para Lauren, cerrando os olhos. — Na primeira chance que teve já queria me trair. Nosso namoro está totalmente cancelado.

Ela riu e me puxou, me fazendo cair em cima dela. Lauren beijou meu pescoço e eu ri com os arrepios que tive.

— Eu sei que vocês estão em um momento super fofo e amoroso, mas eu posso roubar minha irmã um pouco Lauren?

— Você quer é roubar minha namorada, Alanna. – me levantei e bati nas coxas de Lauren antes de seguir minha irmã até o andar de cima.

Entramos no quarto de hóspedes e ela fechou a porta.

— Mila, eu fiz o que você pediu. – eu franzi a testa, não me lembrando do que tinha lhe pedido.

Vendo que eu estava confusa, Alanna continuou:

— Eu descobri muitas coisas sobre Lucy Vives.


Notas Finais


O que acharam??? Vocês tem alguma teoria sobre a Lucy e o que a Alanna achou?
Espero que estejam gostando da fic!!!

All the love


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