História By My Side - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Pokémon
Personagens Brendan, Ruby
Tags Batalhas, Emerald, Lemon, Lendários, Tensaishipping, Yaoi
Exibições 88
Palavras 2.176
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shounen, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Após vários meses de hiatus, eu finalmente estou de volta! :)
Faz muito tempo que eu estou planejando essa fanfic. Em breve vou tentar atualizar as outras histórias também.

Essa história é yaoi (homem x homem). Não gosta? Não leia, simples assim.
e só pra deixar claro, aqui o Brendan tem 17 anos, mas se você ainda se sente inconfortável com isso sugiro que não leia também.

Baseada na versão Emerald; isso inclui os acontecimentos do jogo, personalidade e aparência dos personagens.

A foto da capa foi feita pela usuária (id=7853031) no pixiv, todos os créditos para a artista.

Boa leitura ~ <3

Capítulo 1 - Sob pressão


Steven pausou seu trabalho apenas para respirar. Ele deslizou suas costas pela parede rochosa e deixou um suspiro escapar de seus lábios, pegando uma garrafa d’água e tomando um longo gole para se refrescar. Há dias ele estava nessa caverna em Dewford, uma das únicas na região de Hoenn na qual o colecionador ainda não havia checado completamente. Beldum, sempre ao lado do seu treinador, fazia companhia ao homem que buscava por alguma pedra preciosa. Infelizmente aquele dia não estava indo tão bem.

Em suas minerações Steven deixava sua mente focada apenas no trabalho, mas dessa vez estava sendo diferente. A conversa que ele teve com seu pai retornava à sua cabeça, mais uma vez o assombrando com um assunto que ele preferia a todo custo evitar.

Meses atrás, antes mesmo de sua vitória na Liga, seu pai o chamou para uma conversa sobre a empresa. Steven era herdeiro da Devon, isso não era novidade; o que de fato o perturbou foi o pedido do seu pai para ser o sucessor da empresa bilionária. Ele já sabia que um dia isso aconteceria. A verdade é que Joseph Stone nunca aprovou essa admiração do filho pela busca de pedras raras. Sim, suas minerações ajudavam o trabalho da empresa, afinal os produtos da Devon eram feitos a partir do material extraído das pedras preciosas. Mas Joseph sonhou com seu filho administrando o oficio de sua família, e não explorando cavernas em toda a região.

Para Steven, no entanto, isso era um pesadelo. Ele sabia que não seria capaz de seguir o ramo dos negócios; de jeito nenhum ele viveria uma vida sem explorações e descobertas, esse não seria Steven Stone. Se ao menos seu pai entendesse...

Ele ainda se lembrava das exatas palavras que seu pai exclamou naquele dia.

 

“Você não pode passar a sua vida inteira procurando por pedras, já temos funcionários para fazer esse trabalho!” Joseph disse, autoritário; um lado frio do seu pai que o treinador não conhecia. “Seu lugar é em um cargo muito mais alto, como na direção ou até mesmo na presidência.

“A Corporação Devon está há gerações na nossa família,” Ele continuou. Seu tom era mais leve, pois ele estava fazendo o possível para que seu filho entendesse. “Em breve em não estarei mais aqui para tomar conta da empresa. Quando esse dia chegar, eu quero que você seja o meu sucessor.”

“Pai me escute--”

“Sem questionamentos, Steven! Eu já disse; ou você encontra uma verdadeira ocupação, ou você irá assumir o meu lugar.”

 

Após esse dia, Steven começou uma jornada para encontrar essa tal “verdadeira ocupação”. Ele tinha um time, uma enorme paixão por batalhas e um ego muito alto. O colecionador pensou que se ganhasse o título de Campeão da Liga teria dinheiro suficiente para viver tranquilamente enquanto praticava o que gostava de fazer, e o mais importante: se ele ganhasse, ficaria livre do fardo de sucessão.

Desafiou a Liga, venceu, mas as coisas não saíram como ele havia imaginado.

Ser Campeão possuía seus lados bons e ruins. De um lado, ele recebia reconhecimento por suas vitórias e inspirava vários jovens treinadores; essa era a melhor parte, algo que ele sempre se recordaria e teria orgulho. Além disso, fez bons amigos durante a sua jornada, como os líderes de ginásios e membros da Elite Quatro. Sem falar que o laço afetivo com seus Pokémon ficou ainda maior.

No entanto, sempre havia uma parte ruim. Esse posto alto exigia muitas responsabilidades e um equilíbrio que o ainda imaturo Steven precisou esforçar seus limites para conseguir. Os holofotes tiravam seu ar, todos esperavam que ele fosse um modelo de perfeição entre os treinadores, e a pressão da mídia sobre “o herdeiro da Devon que venceu a Liga, mas raramente dava as caras” se tornou ainda maior. Steven mais uma vez se viu em um impasse.

Como um homem reservado, ganhar uma fama repentina e perder sua privacidade foi algo que mexeu com a vida do colecionador. Ele sabia que não poderia continuar daquela forma, ficando naquele posto apenas para dar orgulho ao seu pai e enganar a si mesmo. Não demorou muito para ele pedir que Wallace ocupasse o seu lugar; o líder de Sootopolis já estava acostumado com a fama, afinal.

Após uma batalha onde o treinador de água saiu como vencedor, Steven entregou sua capa de Campeão e voltou para sua ocupação; sozinho com seu time, sem pressão ou ansiedade. Mesmo tendo dinheiro suficiente para viver bem e não entrando em contato com seu pai desde então, ele sabia que Joseph cedo ou tarde o cobraria novamente.

Por esses motivos ele estava planejando uma viagem para Sinnoh. Lá havia ótimos lugares para caçar outras pedras raras, tais como a famosa Ilha de Ferro e Monte Coronet. Além disso, seria uma ótima oportunidade para treinar seu time, conhecer novos Pokémon e, principalmente, ficar longe das insistências do seu pai. Quem sabe até consiga encontrar um bom emprego nas diversas minas de Sinnoh.

Só faltava encontrar uma última Everstone nessa caverna e, talvez, explorar Meteor Falls. Após isso, começaria uma nova vida em um novo lugar. Sim, definitivamente era a melhor decisão.

Seus pensamentos foram interrompidos pelos sons de passos se aproximando, seguido pelo barulho de um Pokémon que certamente não pertencia a nenhuma das espécies que viviam na caverna. Ponderou-se; seria algum escavador? Se esse fosse o caso não havia motivos para se preocupar. Mas e se fosse um treinador perdido? Com essas dúvidas rodopiando na sua cabeça, Steven colocou sua garrafa d’água no chão e se levantou, decidindo que seria melhor investigar.

“Fique aqui, Beldum.” Alertou ao Pokémon que permaneceu quieto enquanto flutuava no ar. Ele preferiu deixar seu amigo vigiando a bagagem e a parede em que estava trabalhando do que expô-lo a um possível perigo.

Quando se distanciou um pouco do lugar onde estava, Steven deu de cara com a escuridão da caverna. Poderia chamar Claydol para iluminar o lugar com a habilidade Flash, mas havia passado tanto tempo explorando essa caverna que poderia caminhar tranquilamente por ela até mesmo no escuro, por isso decidiu poupar o trabalho. Esperou ali, parado, curioso e ao mesmo tempo tentando decifrar o que poderia ser. Eventualmente os passos se aproximaram, e ele conseguiu ver a sombra de duas figuras; uma delas possuía uma lanterna que iluminava caminho por onde eles passavam.

Não demorou muito para a luz já fraca do objeto iluminar o rosto do maior, e quando isso aconteceu, a figura deu um pequeno grito e derrubou a lanterna no chão. O próprio Steven se surpreendeu; não foi sua intenção assustá-lo, mas a reação deixou um sorriso divertido nos lábios do treinador veterano. “Oh, me desculpe!” O maior disse.

“Q-Qual o seu problema?!” Exclamou irritado pelo constrangimento, recolhendo a lanterna do chão. Por causa da queda, a luz dela estava fraca, e não demorou muito para ela se apagar de vez, deixando todos ali no escuro novamente. O rapaz começou a bater na lanterna em uma tentativa de revivê-la, mas não houve resposta.

“Não vai funcionar.” O veterano disse, e o garoto jogou o objeto no chão.

“Eu sei, muito obrigado.” Respondeu sarcástico, ainda apresentando mau humor na voz. O mais velho ergueu uma sobrancelha para o garoto que mal conheceu, mas já apresentava uma personalidade difícil. “Eu estou aqui procurando um tal de Steven Stone, você o conhece?”

Um tal de Steven Stone? A pergunta surpreendeu o colecionador. Não era todo dia que ele ouvia algo assim, afinal seu nome era conhecido por ser o “Herdeiro da Devon”, e após vencer a Liga sua fama se espalhou ainda mais. Aquela era uma das únicas vezes que um estranho não o tratava como uma celebridade; Steven apreciou esse fato.

Ele assentiu com a cabeça, um pouco mais animado. “Sim, está falando com o próprio!”

O adolescente deixou um suspiro escapar de seus lábios ao ouvir aquilo. Ele obviamente estava há horas o procurando dentro daquela caverna imensa. “Meu nome é Brendan. Seu pai me pediu para entregar uma carta para você.”

Uma carta do seu pai? Steven sentiu frio no estômago ao imaginar que mais uma vez precisaria enfrentar esse assunto. Realmente não teria escapatória, seu pai era um homem insistente e procuraria o filho até mesmo em cavernas se o assunto fosse a sua adorada empresa. O mais velho obviamente não comentaria sobre suas frustrações com um estranho, principalmente porque ele nem conseguia ver o rosto do rapaz.

“Antes de qualquer coisa precisamos sair dessa escuridão. Aqui perto tem uma parte iluminada, me siga.”

Steven o guiou até a parte em que estava trabalhando anteriormente, e quanto mais eles se aproximavam, mais os raios de sol que entravam por uma enorme rachadura na caverna os iluminavam. Agora que estavam em uma parte clara, Steven finalmente conseguiu observar a figura do treinador. Era um jovem, quase da sua altura; ele usava vestes pretas com alguns detalhes em vermelho e uma icônica boina branca, detalhada com uma faixa em verde esmeralda que deixava algumas mechas do cabelo escuro a mostra. Ao seu lado, Marshtomp observava o lugar com cautela. Certamente um treinador incomum.

Steven, que observava o garoto de soslaio, viu quando os olhos dele se arregalaram ao encontrarem Beldum, que discretamente flutuava em silêncio. “Wow!” O rapaz exclamou, sacando do seu bolso um dispositivo eletrônico vermelho e apontando na direção do Pokémon. A maquina deu informações sobre Beldum e o garoto ouviu com atenção.

“É seu? Eu nunca vi um desses antes!” O moreno disse impressionado, e o sorriso mais uma vez apareceu nos lábios do maior ao notar tamanho interesse. Era incrível como esse Brendan mudava rapidamente de personalidade ao ver algo novo.

“Sim, ele está sempre comigo; um verdadeiro companheiro durante as minhas minerações.” Respondeu com uma ponta de orgulho por seu Pokémon. “Mas você disse que tinha uma carta para mim?”

“Ah, é verdade,” O rapaz guardou a pokédex na mochila e também retirou um papel de lá, estendendo o objeto na direção do mais velho com sua mão enluvada. Steven pegou a carta e rapidamente passou seus olhos azuis pelas escrituras do envelope, logo encontrando a assinatura de “Joseph Stone”.

“Certo, obrigado,” Ele agradeceu com um sorriso. “Você teve todo esse trabalho para me entregar a carta, preciso te agradecer de alguma forma.”

“Pfft, não precisa, passar por essa caverninha não foi trabalho nenhum.” O moreno respondeu em um tom convencido.

“Ora, não seja modesto. Você é um treinador, certo? Meu presente poderá ajudar na sua jornada.” Olhou em volta, procurando sua mochila que estava no chão ao lado de uma rocha. Ele foi na direção da mochila e começou a vasculhar seus pertences. “Deixe-me ver... aqui!” Steven retirou um pequeno disco e caminhou na direção do treinador. “Este TM contém Asas de Aço – meu golpe favorito.” Estendeu o TM para o rapaz, que o pegou em mãos e o observou.

“Obrigado!” Respondeu com um sorriso, levantando seu olhar para encarar o maior.

Só então Steven reparou que os olhos do garoto eram idênticos a rubis. Grandes e brilhantes, elas exalavam a confiança e o interesse presentes na personalidade do jovem treinador. Ele não soube explicar, mas por algum motivo se viu preso naquele olhar marcante que encarava fixamente o fundo de suas próprias íris – coloridas em um belo tom de azul. No entanto, a realidade o atingiu, e quando isso aconteceu o colecionador imediatamente quebrou o olhar, sentindo seu rosto queimar ao perceber que estava mirando o rapaz por sabe lá quanto tempo. Brendan aparentemente partilhava da mesma sensação, afinal ele estava olhando para qualquer outro lugar que não fosse a cara de Steven.

“Bem, uh... se você conversou com meu pai então suponho que ele te entregou uma PokéNav?” O maior perguntou um tanto nervoso, arranjando qualquer assunto para esconder seu constrangimento. Brendan assentiu e entregou o aparelho ao mais velho. “Vamos registrar um ao outro.”

Ele digitou seu número no dispositivo que imediatamente o registrou. Após isso, sacou sua própria PokéNav e registrou o número do garoto também.

“Prontinho,” Ele entregou o dispositivo do rapaz. “Há um atalho para sair da caverna, apenas siga à direita, vá em frente e você encontrará a saída sem problemas.”

“Tudo bem. Nós treinamos muito e vamos vencer Brawly dessa vez, certo Marsh?” Perguntou confiante ao Pokémon, que alegremente concordou.

Steven sentiu uma inevitável nostalgia com a cena; ver isso fez ele se recordar do início da sua própria jornada, mas a determinação de Brendan parecia incomparável.

“Vocês são bem determinados. Se continuar treinando, poderá se tornar o Campeão da Liga algum dia. É o que eu sinto.”

O garoto olhou para ele, orbes rubis brilhando. “É o que eu sinto também!”

Steven sorriu. “Agora eu preciso continuar o meu trabalho. Boa sorte vencendo Brawly, eu espero que nos encontremos de novo!”

“Não se você continuar quebrando as minhas lanternas!” Ele brincou enquanto corria até a direção indicada.

Ainda com um sorriso divertido nos lábios, o veterano assistiu o garoto energético sair da sua vista. De fato, seria interessante se os seus destinos se encontrassem novamente.


Notas Finais


*suspiro* whoa, isso levou uma década para terminar! Mas estou ficando contente com o resultado e muito animada também. c:

Não se esqueçam de falar o que acharam! Comentários e críticas construtivas são o que me incentivam a continuar e me ajudam a melhorar cada vez mais. <3


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