História By My Side - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Pokémon
Personagens Brendan, Ruby
Tags Batalhas, Emerald, Lemon, Lendários, Tensaishipping, Yaoi
Exibições 101
Palavras 7.003
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shounen, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


VOLTEEEI e mds, mil desculpas pela demora, mas eu estava bastante ocupada travando uma batalha brutal contra o meu bloqueio criativo -q Foi bem tenso.
mas eu ganhei, e aqui está um capítulo novo e grandão, eeeeh ♡ (gigante na verdade, lol)

aliás, já peço perdão pelas minhas noobices sobre pedras preciosas neste capítulo. Não entendo nada sobre o assunto, e por mais que eu tenha pesquisado, sei que ainda está lotado de erros de geologia. Relevem.

boa leitura! e não se esqueçam de deixar um feedback, ok? comentários, favoritos... tudo isso me ajuda (e incentiva) demais! <3

Capítulo 5 - Mudança de Planos


Quando chegou a Mossdeep, Steven desceu de Skarmory e acariciou o Pokémon, agradecendo-a pela viagem e retornando a amiga para a pokébola. Ele havia partido de Lilycove há pouco tempo. Não conseguiu encontrar o treinador quando saiu de lá, mas também não o procurou; sua cabeça estava bagunçada demais. Steven ainda tentava entender o que havia acontecido alguns minutos atrás, pois para ele era difícil acreditar que realmente tinha perdido o controle daquela forma, e por pouco, por muito pouco... Seria difícil encará-lo após aquilo.

O treinador suspirou e virou seu rosto para observar a cidade. Era bom estar em casa novamente. Tudo parecia familiar: as casas com telhados alaranjados, os rostos conhecidos das pessoas, até mesmo o ar refrescante do oceano que acariciava seu rosto como um gentil sinal de boas-vindas parecia familiar.

Ele começou a andar na direção da sua casa que ficava no canto da ilha, discretamente escondida atrás de algumas das árvores que cercavam a cidade. No caminho, os moradores que passavam por ele o cumprimentavam com palavras gentis, e Steven respondia a todos com um sorriso. O geólogo conhecia e era amigável com todas as pessoas que moravam ali, especialmente os treinadores, que sempre o procuravam para pedir conselhos nas batalhas, e ele ajudava a todos com alegria.

Finalmente estava em frente à porta da sua casa. Tirou uma pequena chave do seu bolso e encaixou-a na fechadura, destrancando a porta, e retirando seus sapatos para por fim entrar. Lá dentro nada parecia diferente, e para seu alívio, tudo estava em seu devido lugar – incluindo sua amada coleção que era exibida com muito orgulho na sala.

“Estou de volta!” Ele anunciou para o silêncio enquanto desabotoava seu blazer preto, fazendo sua voz ecoar pela casa vazia.

O silêncio, no entanto, respondeu. No mesmo instante que ele disse isso, uma das seis pokébolas presas no seu cinto começou a remexer, e não demorou muito para ela se abrir por conta própria e revelar um animado Beldum. O Pokémon flutuou por alguns lugares da sala, observando em volta e reconhecendo o lugar familiar, até que por fim voltasse para seu treinador enquanto emitia sons robóticos e alegres.

“Sentiu saudades de casa, não foi? Sim, é verdade que nossa última viagem foi bem mais longa que as outras.” Comentou o treinador, acariciando a superfície metálica e fria de Beldum que o encarava com seu único olho, tingido de um vermelho vívido.

Assim como a maioria dos Pokémon de aço, Beldum preferia lugares escuros e sem muita luz solar. Por esse motivo ele apenas ficava fora da pokébola quando o geólogo viajava para explorar cavernas, ou quando estava em casa.

Steven deixou que o blazer aberto deslizasse por seus braços para pendurá-lo no cabide que ficava ao lado da entrada, fazendo o mesmo com a gravata escarlate que enfeitava seu colarinho, deixando por fim seu torso coberto apenas pela camisa branca que usava por baixo.

Em seguida caminhou até seu quarto, e Beldum continuava flutuando atrás do treinador. Seu quarto não era muito diferente do resto da residência; pintado com cores claras, ornamentado com mais pedras preciosas que enfeitavam as paredes, estantes, e até mesmo a cabeceira da sua cama. Para ele, estava tudo perfeito daquela forma.

Ao lado da cama, havia uma plataforma escura com seis espaços esféricos e vazios, feita especialmente para deixar seu time repousando. Infelizmente, seus companheiros de batalha já não eram tão pequenos para andarem livremente pela casa sem quebrarem móveis ou esmagarem o piso, então por enquanto precisariam ficar guardados dentro das cápsulas.

Ele as guardou ali e voltou para a sala, finalmente decidindo fazer o que estava em sua cabeça desde que pisou naquela ilha. Steven caminhou até suas preciosidades que eram exibidas com muito orgulho naquela sala e analisou-as com cuidado, observando cada uma na coleção. Intactas, do mesmo jeito que ele as havia deixado quando saiu – um grande alívio. Porém não poderia dizer o mesmo da proteção de vidro que cobria seus tesouros. O tempo que passou fora de casa foi o suficiente para acumular poeira em seus móveis, deixando alguns deles com um aspecto acinzentado. Ele passou um dedo pelo tampo de vidro, observando a grossa camada de poeira na pele e deixando um único rastro limpo na vidraça.

“Temos que fazer uma limpeza.” Comentou Steven, e Beldum concordou com seus sons robóticos.

Para começar ele foi até a mesa que ficava no centro da sala. Em cima dela, tinha um HM azul com o nome ‘Dive’ escrito em caneta preta. Lembrou-se que havia ensinado esta técnica para Armaldo algum tempo atrás, para que assim conseguisse explorar as partes mais submersas do navio abandonado que ficava na rota de Dewford.

Deixou-o ali mesmo, pois o que realmente chamou sua atenção foi a quantidade de papéis que estava jogado em cima dela. Havia um mapa e diversos cartões postais da região de Sinnoh, incluindo fotos do Monte Coronet, Ilha de Ferro e Resorts.

Com tantas confusões nos dias anteriores – e alguns momentos bons também –, ele se esqueceu completamente sobre seus problemas pessoais, e essa viagem. Prometera a si mesmo que começaria uma vida nova em Sinnoh por diversos motivos: para encontrar novas pedras raras, para ficar longe das intrigas com seu pai envolvendo a empresa, treinar e, principalmente, para encontrar um novo propósito. Queria encontrar algo novo; há tempos ele se sentia vazio, sem um objetivo real. Pensou que encontraria um se viajasse mais, afinal isso era comum na vida de um geólogo como Steven, que vez ou outra precisava partir para procuras novas peças para sua coleção.

Entretanto, ir embora de Hoenn já não parecia uma ideia tão animadora, pois seus planos sofreram uma reviravolta. Já havia muitas coisas naquela região que o faziam ponderar se realmente valia à pena deixar tudo para trás, contudo, a principal delas possuía um olhar marcante de brilho escarlate.

Ele se sentia muito envolvido com o treinador. Começou num simples encontro na caverna, um encontro de certa forma atrapalhado, marcado pela entrega de uma carta com um assunto não tão agradável assim. Depois aconteceram as coincidências de vê-lo novamente pelas rotas de Hoenn, o combate contra as equipes criminosas... E agora, antes que pudesse perceber, os dois estavam no meio de uma futura catástrofe entre Groudon e Kyogre.

Mas a missão para impedir esse acidente não era a única coisa que o deixava ligado ao rapaz. Em pouco tempo Brendan tinha se tornado uma pessoa muito especial na sua vida, com toda aquela alegria e determinação; viu-se inspirado pelos sonhos do garoto, como se ele tivesse trazido um ânimo que há muito tempo não sentia. E com aquela personalidade forte, foi capaz de despertar sentimentos que nem o veterano sabia que era capaz de sentir, levando em conta que ele nunca se envolveu dessa forma com nenhuma outra pessoa.

Aquele garoto estava mexendo muito com a sua cabeça, e até mesmo seu corpo. A viagem para buscar algo que desse um novo brilho à sua vida já não tinha tanto sentido, e ele não queria deixar o par de rubis para trás. Steven não entendia, porém de repente todos os seus planos pareciam não ter a mesma graça sem a presença do treinador, e agora ele não sabia qual seria a melhor decisão a tomar.

Resolvendo não pensar nisso agora, ele pegou todos os papéis e os guardou no armário da sala. Não tinha certeza se precisaria deles futuramente, mas preferiu não jogar tudo fora. Enquanto os colocava na parte de cima do armário, um deles caiu de seus braços e foi parar no chão. Steven guardou os outros e se abaixou para pegar o que tinha caído, reparando então que não se tratava de nenhum mapa ou cartão. Era um jornal de quase um mês atrás, ainda enrolado. Provavelmente o último que comprou antes de ir a Dewford e não teve tempo de ler.

Desenrolou o papel e analisou a primeira página. Nela estava estampada a foto de um submarino, e um título que informava sobre a nova invenção e descoberta feita pelo Capitão Stern. Na matéria, ele comentava que com a ajuda de seu novo projeto – o Submarino Explorer-1 –, conseguiu encontrar uma caverna submarina. Aparentemente era uma caverna muito antiga, pois pouco se sabia sobre ela. O Capitão teorizou que aquele poderia ser o lar de um Pokémon que secretamente estava adormecido no fundo do oceano, entretanto sua equipe deixaria para confirmar isso em outra expedição aquática.

Steven sentiu uma boa sensação quando terminou de ler o artigo, como se a última peça do complicado quebra-cabeça em seu cérebro tivesse sido encaixada. Tudo parecia mais claro – a Equipe Aqua só poderia estar indo na direção dessa caverna. Faria sentido, afinal esse lugar ficava em uma parte tão profunda do oceano que só era possível acessá-lo com a ajuda de uma boa tecnologia, como a de um submarino, e por isso a Equipe o furtou. Entretanto, Steven não tinha um submarino...

Então uma nova ideia surgiu na sua cabeça. Seria possível chegar até lá usando a técnica Dive? Talvez, mas de qualquer forma, não testaria naquele momento. Brendan precisava saber dessas informações antes de qualquer coisa ser feita.

Ainda não estava pronto para encará-lo após tudo aquilo, mas no momento teria que deixar seu constrangimento e insegurança de lado; havia assuntos mais importantes que precisavam ser tratados com urgência. Por isso, tentando ignorar o receio, pegou a PokéNav e discou o número do treinador.

 

*

 

Frustrado, Brendan entrou no quarto da pousada, retirou os sapatos e jogou seu corpo na pequena e não tão confortável cama, dando por fim um longo suspiro. Kirlia estava sentado ao lado do moreno, observando com certa confusão a frustração dele.

A mente do treinador, no entanto, estava bem distante – mais precisamente em um certo momento daquela manhã. Ele fechou os olhos e viu todas as imagens daquela cena passarem por sua mente como um lento flashback. Lembrou-se da bela face de Steven tão próxima a sua, o bastante para sentir a respiração descompassada tocando suas bochechas rubras. Ainda recordava-se da sensação de ter aquelas mãos grandes e aquecidas segurando seu rosto com delicadeza, pedindo para que olhasse dentro dos olhos dele. Aqueles olhos, azuis e brilhantes como os diamantes que o geólogo tanto amava. Ele inconscientemente pôs dois dedos sobre seus lábios, imerso em pensamentos, imaginando como teria sido se tivessem finalizado o ato.

Mas, afinal, por que Steven desistiu?

Essa questão estava atormentando tanto sua cabeça que ele nem sequer conseguia se concentrar em suas obrigações. Mais cedo, pouco depois daquilo acontecer, uma treinadora o desafiou para uma batalha casual; porém sua cabeça estava tão bagunçada que acabou se distraindo e, consequentemente, perdendo. Sentia-se envergonhado por ter deixado isso acontecer, ele nunca baixava sua guarda em batalhas, mas seus pensamentos não podiam ser controlados.

Brendan nunca havia sentido algo assim, tão forte. Ele sempre soube que tinha algo diferente na amizade dos dois – os olhares, a felicidade ao encontrá-lo até mesmo em situações complicadas como nas últimas vezes, a sensação de conforto quando estavam próximos... Entretanto, o rapaz nunca colocou fé nesses sentimentos e os ignorou. Tanto é que quando May o perguntou se gostava de Steven, o treinador achou um absurdo. Ele nunca se interessou dessa forma por alguém, afinal sua vida sempre girou em torno dos treinamentos e Pokémon. Mas agora que pensava melhor sobre isso, e lembrava-se da sensação que sentiu quando Steven segurou seu rosto...

Sim. Talvez, de fato, estivesse começando a sentir algo que ia além da mera admiração pelo veterano. Talvez isso explicasse o sentimento que surgiu em seu peito de forma discreta, mas que aos poucos tomava conta do seu corpo e ações.

Mas, além disso, havia outra questão perturbando sua cabeça. No monte Pyre, Archie chamou Steven de ex-Campeão. Quando ouviu aquilo, imediatamente deduziu que era um engano. Porém agora que sua mente voltava no passado e lembrava-se das reações de May, tudo fazia um pouco mais de sentido. Sua amiga não estava impressionada por conhecer o filho do presidente da Devon, mas sim porque estava ao lado do antigo Campeão de Hoenn.

Era óbvio agora, e também chocante, pois isso nunca passou pela sua cabeça. Sentia-se um pouco idiota por não ter descoberto antes, contudo não podia culpar a si mesmo, afinal Brendan era novo em Hoenn e no mundo das batalhas, por isso pouco sabia sobre a Liga da região.

E por que Steven não contou essa informação antes? Talvez por medo de que começasse a tratá-lo de maneira diferente, só por causa do título? Que bobagem, Brendan não era esse tipo de pessoa. Ele gostava de Steven antes de saber essa revelação, e continuaria gostando da mesma forma, sendo Campeão ou não.

Havia inúmeras dúvidas na sua cabeça, e ele não gostava disso. Queria fazer várias perguntas e esclarecer toda essa história, mas era difícil questionar alguém quando nem se sabe por onde começar, e principalmente, quando nem se sabe se Steven gostaria de vê-lo de novo. Seu peito apertava só de pensar na possibilidade.

Um barulho irritante começou a soar pelo ambiente, fazendo-o abrir os olhos ao mesmo tempo em que despertava de seus pensamentos. Ele reconheceu que era sua PokéNav tocando em algum lugar do quarto.

Brendan se levantou e foi em direção ao armário para atender a ligação. Ele não se lembrava em que gaveta o aparelho estava, então começou a vasculhar uma por uma, ficando um pouco impaciente com o som que continuava a tocar incessantemente. Abriu a primeira, a segunda... Mas quando abriu a terceira, um objeto roxo, brilhante e peculiar chamou sua atenção. Intrigado, ele o pegou com suas mãos e o observou – era uma pedra. Sua superfície com aparência vítrea brilhava, tingida em um tom tão escuro quando o manto da noite, e os diversos cristais espalhados sobre ela lembravam estrelas. Magnífica.

Quando viu aquilo, a imagem de um certo amante de pedras preciosas imediatamente surgiu na sua cabeça. Aquela pedra obviamente pertencia a Steven. Talvez ele a tivesse guardado na gaveta quando foi dormir e acabou se esquecendo de pegá-la de volta.

Brendan sabia que precisaria entregar a pedra para Steven; e se ela fosse um item muito raro e precioso? Não poderia deixar que suas inseguranças prejudicassem o ex-Campeão. Ele guardou o objeto no bolso de sua bermuda, pretendendo devolvê-lo pessoalmente ao colecionador.

A esse ponto, sua PokéNav havia parado de tocar, e o treinador esqueceu-se completamente da existência do aparelho. Sua mente estava ocupada pensando em outros assuntos.

 

*

 

O dia já estava na metade, mas os pensamentos de Steven não se aquietaram nem por um segundo. Ele havia ligado para Brendan várias vezes, mas o rapaz não respondeu nenhuma delas. Isso significava que sim, sua maldita perca de controle estragou tudo entre os dois; era óbvio que o treinador não iria querer conversa depois daquele deslize.

Para completar, ele percebeu que tinha esquecido na pousada uma das pedras que conseguiu na sua última exploração. Amaldiçoou a si mesmo quando constatou isso; sabia que não era uma boa ideia sair por ai com uma pedra guardada em seu casaco, mas ele sempre fazia isso e nunca se esquecia de nenhuma. Os últimos dias foram realmente um dos mais atrapalhados de sua vida.

Para tentar se distrair, Steven pegou um dos seus vários livros sobre pedras preciosas e começou a lê-lo para passar o tempo. Beldum estava ao seu lado, observando com atenção as gravuras da página. Assim como seu treinador, o Pokémon também amava pedras preciosas, e por isso não o acompanhava só em cavernas, mas também em pequenas análises como essa.

O livro estava aberto numa página sobre Vanadinite, um mineral raro, conhecida por seus cristais hexagonais e vítreos. Ela era linda, e sua raridade a deixava ainda mais especial. A cor escarlate era tão vívida que doía nos olhos. Ela era vermelha como os olhos de...

Suspirou; aquilo não estava ajudando. De repente, duas batidas na porta ecoaram pela casa e chamaram a atenção do geólogo. Steven levantou o rosto no mesmo instante e encarou a porta, como se assim pudesse ver quem estava atrás dela. Quem poderia ser? Talvez algum vizinho, eles adoravam pedir favores porque sabiam que Steven tinha prazer em ajudá-los, principalmente os treinadores que procuravam por dicas. Levantou-se, e Beldum o seguiu pelos cômodos até chegarem à sala de estar.

Colocou a mão na maçaneta fria e a girou sem nenhum receio. Seu coração disparou em surpresa no momento que abriu a porta e encontrou a figura de um jovem treinador, moreno; dono de olhos mais brilhantes que a própria vanadilite, que já o encaravam com ares misteriosos. Kirlia estava atrás dos joelhos dele, parecendo querer espiar dentro da casa com seus grandes olhos vermelhos, tão vívidos quanto os do próprio treinador.

O geólogo estava sem reação. Após ter suas ligações ignoradas, Steven pensou que o adolescente não apareceria, e agora não sabia o que dizer.

“Uh... Oi? Cheguei em uma hora errada?” O moreno perguntou, erguendo uma sobrancelha pela falta de resposta. Só então o veterano percebeu que estava o encarando há um tempo sem dizer uma única palavra.

“O-Oh, não! Desculpe pela minha atitude. Venha, entre.” Falou com certa pressa, abrindo passagem para ele entrar enquanto fazia o possível para manter sua expressão serena, mesmo estando um pouco nervoso.

O plano de Brendan era bater na porta, entregar a pedra e sair, a fim de evitar um clima ruim entre os dois; mas ele não pôde recusar o pedido gentil de Steven. O rapaz assentiu e retirou os sapatos, dando os primeiros passos no piso de madeira da casa junto a Kirlia, que continuava atrás de seus joelhos, parecendo tímido no lugar desconhecido para seus curiosos olhos.

Beldum, que até então estava ao lado de Steven, avançou para conhecer o outro Pokémon de perto. Kirlia deu um pequeno sobressalto quando ele se aproximou flutuando, mas após algum tempo o analisando com o olhar e suas pequenas mãozinhas, pareceu se familiarizar com o Pokémon metálico. Os dois eram do tipo psíquico afinal, a comunicação entre eles era bem mais fácil.

Steven observou a cena com um pequeno sorriso, contente por Beldum já ter feito um novo amigo, mas não demorou muito para ele desviar o olhar para Brendan. O moreno olhava em volta da casa, parecendo observar cada pequeno detalhe que ali estava, desde a estante de livros que ficava no canto da sala até a vidraça das janelas. Não havia muito para se ver ali. Mesmo sendo dono de milhões em sua conta, Steven não se apegava ao luxo. Aquela casa era confortável e ideal para morar tranquilamente, então estava perfeito.

“Como você pode ver não há muito aqui, mas este é o meu lar.” Comentou Steven para o garoto que ainda observava em volta, até que seu olhar finalmente repousasse na imagem do veterano. “Pensei que não viria, visto que você não atendeu as minhas ligações mais cedo.”

A PokéNav! Então o número que estava ligando mais cedo era ele. Brendan se sentiu constrangido por não ter atendido a ligação, que na verdade ele ignorou sem nem saber quem era. “Eu não pude atender naquele momento. Mas estou aqui porque acho que isto é seu,” Ele colocou a mão no bolso frontal de sua bermuda preta e tirou a pedra, estendendo-a na direção do mais velho. O semblante do geólogo ganhou um ar de admiração e alívio ao ver o cristal. “Encontrei na pousada.”

 “Ah, é o meu quartzo!” Disse com um sorriso. Ele pegou a pedra das mãos do rapaz, e Brendan se arrepiou ao sentir aquele toque novamente. “Eu já tenho vários desses, porém este ainda tem valor, pois é um quartzo roxo, e eu ainda não tenho nenhum com essa coloração. Muito obrigado.”

Steven caminhou até a mesa da sala e cuidadosamente deixou o quartzo repousando lá em cima, ao lado do livro que ainda estava aberto. Sentia-se aliviado porque agora o mineral estava seguro em suas mãos. E o garoto veio até sua casa apenas para entregar o quartzo... Essa atitude foi realmente adorável. Porém, agora que ele estava ali, precisava tratar sobre os assuntos mais sérios.

“Estou feliz que veio, pois tenho outros assuntos para conversar,” Ele falou, voltando a observar o rapaz. “É sobre a Equipe Aqua,” Começou, e o adolescente ganhou uma expressão de interesse e surpresa. “Eu acho que tenho uma pista de onde eles possam estar.”

“Sério? Onde?” Perguntou ansioso.

Steven pegou o jornal que estava na mesa e Brendan caminhou até ele. “Dê uma olhada,” Disse, entregando o jornal ao treinador. “O Capitão Stern disse que encontrou uma caverna no fundo do oceano, na qual ele acredita ser o lar de um Pokémon adormecido. Poderia ser? Afinal, a Equipe Aqua furtou o submarino com algum propósito como esse.”

Brendan passou seus olhos carmesins com pressa pelo papel, absorvendo cada letra daquele artigo enquanto seu rosto expressava uma feição séria.

“Mas aqui diz que ele chegou nessa caverna usando um submarino. Como vamos chegar até lá? Eu acho que Swampert não consegue mergulhar em um lugar tão profundo.” O moreno disse quando terminou de ler o artigo.

”Por sorte, eu tenho isto,” Ele se virou para a mesa novamente e pegou o HM, entregando-o nas mãos enluvadas do treinador. “É a técnica Dive. Se você ensinar a um Pokémon, ele poderá alcançar lugares mais submersos. Já testei isso com Armaldo no navio abandonado.”

Ouvindo isso, a expressão do moreno instantaneamente mudou de intrigada para empolgada e ansiosa. “Ótimo! Sendo assim, vou ensiná-la para Swampert agora mesmo.” Afirmou, já retirando uma das pokébolas presas no cinto com suas mãos apressadas.

“Não agora. Antes disso, é melhor você desafiar o ginásio. Seria bom fortalecer seus Pokémon um pouco mais, afinal não sabemos o que está por vir.” Advertiu sério.

“Acho que tem razão...” Ele guardou a pokébola novamente e fez o mesmo com o HM, parecendo compreender a situação. “Mas o resto do meu time ainda está se recuperando no Centro Pokémon, pois treinamos bastante antes de chegarmos aqui.”

“Entendo. Não é um problema, podemos esperar um pouco mais. Fique à vontade.” O veterano falou com um sorriso sereno.

O treinador retribuiu o gesto, grato pelo convite. Aproveitou para observar a casa novamente, deixando que sua curiosidade o guiasse até a parte mais notável naquela residência. Um enorme acervo de pedras preciosas dos mais variados tipos era exibido na sala, com pequenas plaquinhas nomeando a classificação de cada uma com palavras estranhas que Brendan não conhecia. Havia pedras de Johto, Kanto e até Unova, deixando claro que Steven viajara bastantes em seus prováveis vinte anos de vida. Preciosidades das mais diversas cores, origens e tamanhos. Elas eram lindas, cada uma com seu brilho próprio; belas, rústicas e ainda assim de aparências tão delicadas. Era notável que Steven tinha se esforçado muito para encontrá-las, e por isso cuidava de todos com muito amor. Verdadeiros tesouros que não estavam à venda.

Os olhos carmesins então foram na direção da mesa em que Steven estava com o braço apoiado, onde o quartzo repousava cuidadosamente, ao lado do jornal e um livro aberto. Ele deixou se levar pela curiosidade mais uma vez e se aproximou da pedra. Kirlia não o seguiu, pois estava ocupado demais conversando amigavelmente com Beldum em outro canto da sala, e pela forma que ele dançava, provavelmente estava muito contente com seu novo amigo.

“Eu nunca vi algo assim antes, as únicas pedras que conheço são as evolutivas,” Brendan comentou com seus olhos ainda atentos ao cristal.

“Esse é um quartzo. Ele não serve para ser usado em batalhas, mas ainda tem sua beleza e utilidade. Esse é roxo, mas você pode encontrá-lo em várias cores.”

“E o que ele faz? Pode me explicar?”

Steven pareceu feliz ao ouvir aquela pergunta. Ele começou a explicar o que sabia sobre aquela pedra, e Brendan escutou tudo com muita atenção, observando as palavras deslizarem dos lábios do veterano com suavidade. Era evidente no tom de voz que ele tinha um vasto conhecimento sobre o assunto, e que também possuía muita paixão por seu hobby.

Brendan não sabia nada sobre minerais, mas a forma que Steven falava sobre o eles – com muito amor e entusiasmo – o cativou. Era curioso, pois o veterano geralmente não falava muito, mas essa característica mudava quando o assunto era suas amadas rochas.

Ele desviou o olhar do quartzo para o geólogo, reparando que seu belo rosto brilhava em entusiasmo enquanto explicava sobre a rocha. Steven deveria estar contente por ter a oportunidade de comentar sobre isso com alguém, afinal ele raramente falava sobre seus interesses, e não deveria ter muitas pessoas que o perguntariam sobre isso; muitas desconheciam o assunto e o julgavam como desinteressante. Exemplo disso era o garoto do lado de fora, que ganhou uma Pedra do Rei de Steven, mas em seguida resolveu entregá-la para o primeiro que encontrou, e ainda zombou do trabalho do geólogo. Quanta ingratidão. Brendan sabia que se Steven o desse uma pedra de presente, ele com certeza a guardaria com todo cuidado. Pelo menos agora a Pedra do Rei estava segura na sua bolsa, e sem dúvidas seria bastante útil nas próximas batalhas com seu poder de diminuir a precisão do oponente.

Enquanto mirava o semblante do maior, seus pensamentos insistiram em voltar mais uma vez para as lembranças de algumas horas atrás. Em um momento onde aquele lindo rosto estava próximo ao seu, onde as mãos quentes e acolhedoras o seguravam, e onde aqueles lábios rosa e bem desenhados quase tocaram os seus. Ele não parava de pensar sobre isso, e quanto mais se lembrava, mas detalhadas as recordações se tornavam. Essas lembranças faziam seu estômago rodopiar, mas em uma sensação boa.

Contudo, as velhas questões ainda deixavam o garoto intrigado. Deveria comentar sobre aquilo? E como começaria? Ou deveria simplesmente deixar de lado e esquecer? Steven não falou sobre o assunto em nenhum momento. Teria ele se arrependido? Na cabeça do veterano, tudo aquilo foi um erro? Muitas dúvidas atormentavam sua cabeça. As coisas não estavam indo como ele havia planejado! Brendan nunca foi alguém inseguro sobre suas palavras ou ações, ele sempre teve atitude em tudo, no entanto aquele momento parecia delicado demais.

Quando voltou para a realidade, percebeu que as palavras do geólogo já não preenchiam mais a sala. Sentiu-se um pouco culpado por não ter prestado atenção na última parte por causa dos seus devaneios, mas não tanto, pois havia aproveitado o discurso do colecionador.

“Você sabe muito sobre minerais, não é?” Brendan disse. “É interessante, pois geralmente você é bem calado, mas se empolga bastante quando fala sobre suas pedras raras.”

“Desculpe se eu falei demais.” Respondeu um pouco constrangido.

“Oh não, não. Na verdade eu gosto de ouvir!” Ele se apressou em dizer, porque era verdade.

Steven sorriu como resposta, pegando o quartzo para guardá-lo na prateleira junto aos demais de outras colorações. “Você é quem está muito quieto hoje. Aconteceu algo?”

Brendan puxou uma cadeira e sentou-se à mesa com ares distantes. Era verdade que tinha algo diferente nele naquele dia, afinal Brendan sempre tinha suas emoções estampadas na testa; era fácil descobrir quando ele estava alegre, irritado, curioso ou triste. Mas dessa vez sua feição era indecifrável, e esse mistério incomodou o maior. No fundo ele sabia o que, de fato, estava afligindo o treinador. Não queria trazer o assunto à tona novamente, porém preferia isso a continuar vendo-o daquela forma.

Steven deixou o quartzo roxo guardado e fechou a proteção de vidro, voltando a encarar o rapaz com seriedade.

“Eu sei que temos um assunto pendente para conversarmos.” O veterano disse.

Vendo que não poderia esconder mais nada do veterano, Brendan levantou seus olhos carmesins e o encarou, parecendo disposto a revelar tudo que estava afligindo sua mente.

“Archie te chamou de ex-Campeão.” Ele finalmente disse. “Isso é verdade? Você já foi o Campeão da Liga?”

Steven ficou um tanto surpreso com a pergunta repentina, pois pensou que esse assunto também havia sido esquecido em meio a tantos acontecimentos do dia anterior. Na verdade ele imaginou que o rapaz o questionaria sobre o outro acontecimento. Mas de qualquer forma, já não tinha motivos para não querer comentar sobre isso com o rapaz, estava na hora de revelar isso. Ele caminhou até a mesa e puxou um assento, sentando ao lado do garoto, também disposto a contar tudo que sabia.

“Sim, é verdade. Eu já venci a Liga e me tornei Campeão de Hoenn.” Disse em seu tom mais sincero, com uma ponta de orgulho na voz.

Quando as palavras foram ditas, o adolescente ganhou uma expressão tão admirada que Steven corou. O veterano entendia que para Brendan essa era uma revelação incrível, afinal ele tinha o sonho de também ser um Campeão, e conhecer alguém que conseguiu tal realização era um motivo de inspiração.

“Isso é incrível! Eu sabia que você e seu time eram excelentes, mas nunca desconfiei que tivessem vencido a Elite Quatro, muito menos que você já foi o Campeão da região!” Ele exclamou isso em tom incrédulo, parecendo maravilhado com as próprias palavras. Mas sua expressão questionadora ainda estava lá. “Por que você não me disse antes?”

“Porque antes eu precisava assegurar que você não era o tipo de pessoa que se aproximaria de mim só por causa do meu status, ou me trataria de forma diferente. Durante o tempo que passei sendo o Campeão, junto com os diversos treinadores de bom coração, também vieram várias pessoas com más intenções.” Steven disse aquilo em tom áspero, como se tivesse rancor de todas as pessoas que já o trataram assim.

“Eu nunca faria algo assim.”

“Agora eu sei que não faria,” Ele sorriu. Era ótimo saber que nada mudaria entre os dois, e principalmente ter a confirmação de que o garoto realmente tinha um bom caráter. “Mas de qualquer forma, não é uma informação muito relevante para você agora; afinal, eu já não sou mais o atual Campeão.”

“E quem conseguiu te vencer?” Continuou questionando. Ele realmente estava muito interessado naquele assunto.

“Na verdade, eu renunciei meu título.” Começou, decidindo explicar a história toda, pois sabia que o garoto logo perguntaria sobre isso. “Junto com a grande e gratificante honra de ser o Campeão da região, também vem uma enorme pressão. Na época eu não tinha certeza sobre o que eu queria fazer. E meu pai, que nunca aceitou bem o meu estilo de vida, insistia bastante para que eu trabalhasse na Devon – algo que eu não queria. Então, num momento de pressão, resolvi agir e fazer outra coisa que eu gostava bastante: batalhar. Diferente da maioria dos treinadores, eu não tinha o sonho de ser o Campeão. Mas meus Pokémon e eu chegamos a um nível tão alto que a vitória na Liga veio de imediato.

Brendan continuava atento a todas as palavras, parecendo impressionado com a história do veterano.

“Claro que isso me deixou muito feliz,” Ele continuou. “Mas eu ainda estava confuso, e aquela posição alta não foi bem como eu imaginava. Eu já era cobrado antes por ser filho do presidente da Devon, e essa cobrança só aumentou após minha vitória. Nunca soube lidar com esse tipo de coisa, e eu não estava preparado para a fama que veio de repente.

“Eu não era o Campeão que a região queria,” Prosseguiu por fim. “Mas isso estava ok. Para mim, saber que fui capaz de chegar tão longe com meu time já era o bastante. Então já não havia motivos para continuar sentado no trono da Liga; por isso renunciei o cargo. Pedi para um amigo, que também é um treinador muito forte, ocupar o meu lugar... Oh, parece que eu falei demais novamente.”

Ele riu do seu próprio constrangimento, mas estava sentindo uma boa sensação, como se um grande peso tivesse sido tirado de seu peito. Steven nunca revelou aquilo para alguém, não gostava de contar sobre sua pessoa, muito menos detalhes tão pessoais. Mas por algum motivo, ele sentia-se à vontade com Brendan. No mais, era bom finalmente poder desabafar com alguém.

“Que história,” Comentou o moreno impressionado, parecendo apreciar cada detalhe daquele relato. “Eu nunca imaginei que ser um Campeão fosse um título difícil não só de conseguir, mas também de manter. Para você foi ainda mais difícil, e... Me faz questionar se eu vou realmente conseguir ser um bom Campeão para representar Hoenn.”

“Não se preocupe, você está se provando bom o suficiente para ser um ótimo Campeão no futuro.”

O garoto sorriu, parecendo mais confiante. “Mas você batalhou com seu amigo, não foi?”

“Sim, essa é a regra. Porém, mesmo que eu tivesse a intenção de entregar meu título, foi uma batalha justa. Nossos Pokémon deram tudo que tinham, e no final, meu oponente conseguiu vencer. Mas não foi uma surpresa, afinal ele é... Bem, você sabe quem é o atual Campeão?” Perguntou, e o rapaz respondeu com um aceno de cabeça negativo. “Então prefiro manter o mistério. Você descobrirá a identidade dele quando desafiar a Elite Quatro, e sei que isso acontecerá em breve.”

“Com certeza! E por isso preciso me apressar,” Disse com o mesmo ar confiante, levantando-se. “Acho que o resto do meu time já está completamente curado.”

“Você já conhece os líderes de ginásio, certo?” Steven também se levantou de seu assento, apoiando-se na mesa atrás de seu corpo.

“Gêmeos, batalha em dupla... Sim, eu os conheço, e já montei uma estratégia: vou vencê-los com Kirlia e Flygon.”

O treinador já estava prestes a sair, porém ao invés disso, parou na porta, como se tivesse se lembrado de alguma coisa muito importante. Steven assistiu a cena, curioso, ponderando-se sobre o que poderia estar se passando na cabeça dele.

“Mas antes disso, eu ainda preciso resolver mais um assunto.” O moreno anunciou, voltando-se para o veterano.

Ele ergueu uma sobrancelha. "Que assunto?"

Nisso, ele apoiou as duas mãos na borda da mesa, prendendo o maior entre seus braços. Ele estava tão perto que Steven conseguia ver sua própria reflexão naquelas jóias escarlates que adornavam o olhar do treinador. Steven mais uma vez estava sem reação com a atitude repentina do moreno, e respirar era uma tarefa difícil quando o rosto que estampava seus pensamentos estava mais uma vez tão próximo. Brendan pareceu apreciar esse detalhe, levando em conta que havia um sorrisinho sacana estampado nos lábios que a esse ponto já não pareciam tão inocentes.

“Você não acha que eu me esqueci do que aconteceu mais cedo, não é?” O rapaz perguntou. Seu olhar era provocativo, mas seu tom era sério. “Estava esperando você falar sobre aquilo, mas como não disse nada até agora, terei que te questionar assim. Eu não vou simplesmente esquecer sobre o que aconteceu.”

Steven continuou em silêncio, não conseguindo fazer outra coisa senão encarar as rubis. Ele sabia que o treinador não se esquecera daquilo, mas não imaginou que seria interrogado daquela forma. Aparentemente, Brendan tinha atitude dentro e fora das batalhas. E não podia negar: estava gostando dessa proximidade.

Vendo que seu silêncio não serviria de nada, resolveu se pronunciar.

“Eu sei que você não esqueceu. Eu também não me esqueci, e por isso quero pedir desculpas.” Começou com a mesma seriedade, e o rapaz continuou ouvindo com atenção, mesmo que agora sua feição fosse de dúvida. “Eu sinceramente não entendo o que aconteceu comigo para agir daquela forma, acabei me deixando levar pelo momento.”

“Por que está se desculpando? Você não fez nada de errado. O que você fez foi tentar me acalmar em um momento de desespero, e eu tenho que agradecer por sua atitude.” Então sua expressão séria se abrandou. O veterano não sabia se era apenas impressão sua, mas o brilho dos rubis parecia mais intenso desta vez. “Mas se você tentou fazer aquilo, é porque sente alguma coisa por mim, não é?”

Steven foi mais uma vez pego de surpresa com a pergunta. O rapaz realmente ia direto ao ponto quando queria. A expressão de Brendan demonstrava a ansiedade que ele sentia por uma resposta, porém como ele poderia explicar o que estava sentindo se nem ele mesmo entendia?

“Steven, seja sincero e me responda.” Ele insistiu, não desviando o olhar por um segundo.

“Eu sinto, mas...” Suspirou, quebrando o contato visual por pura frustração de si mesmo. “É complicado explicar. Acho que precisamos pensar mais sobre isso.”

O treinador deu um sorriso sarcástico de deboche com a afirmação. “Você sempre está pensando demais, Steven. Às vezes nós temos que simplesmente seguir os nossos instintos.”

O rapaz se aproximou ainda mais, deixando seus corpos praticamente colados. Steven sabia o que viria a seguir, e o mesmo sentimento de mais cedo começou a cobrir seu corpo, principalmente seus lábios, que pesavam em antecipação. Ele continuou a observar os movimentos do moreno, esperando para ver se ele realmente seguiria em frente. No entanto, ao invés disso, Brendan ganhou uma expressão melancólica, como se um pensamento muito triste tivesse invadido sua cabeça de repente.

“Mas você vai embora de Hoenn daqui a alguns dias, então acho que isso não importa agora.” Dizendo isso, o rapaz abaixou seu olhar e se afastou, caminhando na direção da porta e ficando de costas para o maior.

Steven, por sua vez, ainda tentava recuperar a respiração e entender tudo que havia acabado de acontecer. Seu corpo ainda reagia ao contato, e a sensação de ausência mais uma vez estava em seus lábios. Kirlia e Beldum os observavam em silêncio no canto da sala, parecendo confusos, pois não entendiam nada do que os treinadores estavam fazendo. O veterano nem deu importância aos pares de olhos curiosos, pois naquele momento sua cabeça estava mais bagunçada do que nunca.

O que deveria falar? Essa era a verdade, ir embora de Hoenn ainda era uma opção, mesmo que agora a ideia já não parecesse tão tentadora.

Já na porta, Brendan colocou os braços na frente do corpo e estalou os dedos, dando uma última olhada para o maior por cima dos ombros. Mesmo tentando disfarçar, era fácil notar o traço de melancolia presente naquele olhar que sempre era tão alegre e otimista.

“Deseje-me sorte.” Ele disse por fim, e caminhou para fora de casa. Kirlia despediu-se de Beldum e acompanhou o treinador com pressa. Dessa vez, porém, ele não dançava.

Brendan saiu, mas suas palavras ficaram presas na cabeça do geólogo, que ainda estava imóvel no mesmo lugar. Depois disso, não restava nenhuma dúvida que ele de fato sentia algo forte pelo rapaz. Era óbvio que Brendan também tinha sentimentos parecidos. Então, se o sentimento era recíproco, porque os dois não aproveitavam isso juntos? Talvez o garoto tivesse razão. Steven sempre estava pensando demais, e por causa disso, muitas vezes deixava de fazer o que queria por medo das consequências.

Racionalidade sempre funcionou na hora de resolver seus problemas. Mas neste caso, aparentemente a melhor solução para suas dúvidas seria aproveitar o presente, e desfrutar do novo sentimento que estava surgindo. Ele só queria viver o agora, algo que ele nunca fez antes.

Se ficasse em Hoenn, continuaria recebendo a pressão do seu pai com os assuntos da empresa, e as desavenças com ele só aumentariam. Contudo, Steven não ligava mais. A tal viagem já não fazia sentido – por que ele iria embora para procurar algo que iluminasse sua vida se o que o deixava feliz estava bem ali, declarando-se e mostrando que queria ficar junto a ele?

Estava decidido. Permaneceria em Hoenn, e a partir de então começaria a aproveitar o presente. Ele passou vinte anos apenas pensando nos problemas do futuro; estava na hora de ter uma pausa ao lado da pessoa que o deixava feliz.

Não conseguiu pensar nisso por muito tempo, pois o barulho familiar da PokéNav começou a soar pela sala e cortou seus pensamentos. Ele tateou seus bolsos na procura do aparelho e quando o encontrou, passou seus olhos pela tela para reconhecer o número, tendo uma surpresa ao ver o nome do Professor Cosmo – um dos cientistas do Centro Espacial. Eles conversavam quando se encontravam, mas era bem difícil receber uma ligação do Professor. Mesmo confuso sobre o porquê de ele estar ligando, não pensou duas vezes antes de atender.

“Alô, Professor Cosmo?” Ele foi o primeiro a dizer.

“Oh Steven, há quanto tempo! Ouvi dizer que você está aqui em Mossdeep novamente.” O professor falou em tom amigável.

“Sim, é verdade. Mas como vão as coisas no Centro Espacial? O Senhor não me liga normalmente, então suponho que tenha acontecido algo?”

“Sim, de fato. Hoje nós recebemos um comunicado escrito por uma tal Equipe Magma. Eles nos ameaçaram, e avisaram que a qualquer hora atacarão nosso Centro para roubar o combustível do foguete,” Respondeu, e foi possível ouvir um suspiro em seguida. “Estamos com medo, não sabemos do que eles são capazes.”

Era exatamente como Steven havia imaginado. A ideia não tinha sentido, ele não conseguia imaginar na utilidade do combustível nas mãos da Equipe Magma, mas após os últimos acontecimentos, era melhor não subestimar os planos deles. Contudo, essa ameaça revelava algo ainda mais importante: eles não foram despertar Groudon imediatamente.

“Isso é terrível,” Respondeu o treinador com seriedade. “Vou até ai para assegurar que nada aconteça.”

“Foi por isso que eu liguei para você, Steven. Imaginei que com suas habilidades você poderia nos ajudar caso algo ruim aconteça. Espero que não seja um incômodo.”

“De forma alguma, Professor. Estarei aí em um minuto.”

O Professor agradeceu e desligou, deixando Steven intrigado com aquela conversa. Estava de certa forma aliviado porque a Equipe Magma ainda não estava no caminho para despertar Groudon, porém confuso em relação ao plano dos criminosos. De qualquer forma, decidiu não perder tempo deduzindo o que poderia acontecer. Ao invés disso, vestiu seu casaco e pegou três pokébolas, o bastante para resolver qualquer problema. Mesmo tentando convencer a si mesmo o contrário, ele sabia que algo muito ruim estava prestes a acontecer, e pediu mentalmente para que Brendan passasse o resto do dia ocupado no ginásio; o treinador não merecia mais problemas.


Notas Finais


não estou 100% satisfeita com esse capítulo, mas foi o que eu consegui fazer neste período crítico (demorou um mês pra escrever um capítulo asfghahsg maldito bloqueio)

e como deu pra perceber, tive que fazer uma pequena mudança na ordem dos eventos do jogo para deixar as coisas mais organizadas e interessantes.

enfim, por favor comentem, as opiniões de vocês são muitíssimas importantes :)) estou entrando no período de provas e não tenho certeza se o próximo capítulo vai sair tão rápido, porém vou fazer o possível!! e comentários funcionam como energias positivas para eu conseguir ♡


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