História Caçadores de Folclore - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Bobby Singer, Dean Winchester, Personagens Originais, Sam Winchester
Tags Bobby, Dean, Sam, Sammy, Spn, Supernatural, Winchester
Exibições 51
Palavras 11.221
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi oi meus caçadores, como vocês estão? Espero que bem! Como prometido, aqui estou eu com um capítulo novinho, e para quem não leu as notas finais do capítulo anterior, eu disse que postaria ou hoje ou na sexta porque ontem foi o casamento do meu irmão!

Mas, já venho avisando que essa capítulo está emocionante, preparem os lencinhos e as armas. Prontos para mais uma caçada? Boa sorte!

P.S.: Capítulo reviso, mas sempre escapa algum erro, então me desculpem.

Capítulo 14 - Canção de Ninar


Fanfic / Fanfiction Caçadores de Folclore - Capítulo 14 - Canção de Ninar

P.O.V Fernanda

- Ele já está enorme, né? - Minha vizinha comentou ao meu lado. Apenas concordei com um aceno breve de cabeça e um sorriso falso no rosto. Voltei meu olhar para meu filho e ele brincava com seu carrinho vermelho. 

Era quase fim de tarde, o sol não estava tão forte e eu aproveitei a folga no trabalho para vir até a pracinha do bairro com Gabriel. O menino brincava alegre com seu carrinho vermelho, sentado na grama perto do balanço. E enquanto olhava para o menino de cinco anos, lembrava-me da dificuldade que tive em criá-lo. 

Engravidei logo após completar dezesseis anos. A notícia fui um baque na vida de toda a minha família, ainda mas quando o pai decidiu não assumir o bebê. Desde aquele dia, choveu críticas sobre minha cabeça, além de ter sido expulsa de casa por meu pai, e logo fui acolhida por minha avó materna. Há cinco anos atrás.

Até hoje eu não falo com o meu pai, e para ele isso não é de grande importância, e se for não demonstra. Criei meu filho com a ajuda de minha avó e da minha mãe também, que ia me visitar escondida do meu pai. Sofri com os julgamentos das pessoas que viraram as costas para mim. Mas, eu consegui vencer essa batalha, e aos vinte anos eu sou uma mãe solteira.

- Ei, toma conta do seu filho, olha o que ele está fazendo! - Uma mãe gritou comigo. Saí de meus pensamentos e observei o que acontecia. Levantei rapidamente e corri até Gabriel que puxava com força o cabelo de uma menina.

- Gabriel, solte ela agora! - Briguei com o menino enquanto tentava soltar suas mãos do cabelo da menina. E obviamente me perguntava de onde aquele projeto de gente tirava tanta força.

- Mas, mamãe, ela quebrou meu carrinho! - Biel disse de forma chorosa. Tentei achar o brinquedo e o encontrei todo quebrado no chão gramado. Suspirei cansada e fiz uma nota mental de que precisava comprar outro brinquedo.

- Mesmo assim, isso não é motivo para você machucar a menina. - Falei fingindo uma raiva inexistente. Eu não conseguia sentir raiva do meu filho, e mesmo ele estando errado, eu sabia que isso era coisa de criança. 

- Mas, mamãe... - Peguei o menino no colo e logo senti seus bracinhos envolverem meu pescoço.

- Sem "mas". Você está errado em ter batido na menina e ela está errada em ter quebrado seu brinquedo. - Falei puxando seu rostinho já molhado pelas lágrimas. O menino tinha um bico enorme nos lábios. - Agora você vai ter que ficar de castigo por ter sido um menino mau.

- Não, sem castigo mamãe! - Falou fazendo birra. Dei as costas a mulher que consolava a filha e comecei a caminhar para fora da pracinha. 

- Sim, com castigo mamãe! - Afinei a voz e vi o menino no meu colo emburrar o rosto e voltar a chorar com a cara enfiada na curvatura do meu pescoço. - Depois a mamãe compra outro brinquedo, mas você vai ficar de castigo para aprender a não bater em menina. Isso é feio!

- Tudo bem... - Sussurrou e ficou calado. Sorri vitoriosa ao saber que o menino não discutiria mais comigo.

Atravessei a rua logo após chegar em frente a minha casa. Depois de trabalhar muito eu consegui juntar um dinheiro para comprar uma casa - com a ajuda de minha avó. Era um imóvel pequeno, mas o suficiente para eu e meu filho vivermos no conforto e seguros. 

- Vá direto para o banheiro que a mamãe já vai! - Coloquei a criança no chão e dei dois tapinhas de leve em sua bunda. Observei o projeto de gente correr em direção ao banheiro e eu fui até seu quarto. Separei a roupa que ele usaria e fui até o banheiro.

- Qual vai ser meu castigo, mamãe? - Gabriel perguntou assim que entrei no pequeno cômodo. Puxei a criança para debaixo do chuveiro e enquanto dava banho nele eu pensei no que poderia fazer para deixá-lo de castigo.

- Uma semana sem biscoito recheado e sem televisão. - Falei e logo vi um bico enorme se formar na boca do menino. Essas duas coisas eram seus vícios, e eu os tiraria por uma semana. 

- Mamãe, isso é injusto! Eu juro que nunca mais irei bater em nenhuma menina! - Falou juntando as mãozinhas em frente ao rosto e implorando. Ri nasalmente com o seu desespero, e mesmo querendo voltar atrás, eu não o iria.

- Essa é a intenção. - Comentei enrolando o menino na toalha e o pegando no colo. O seu rostinho emburrado me fazia querer rir, mas eu tinha que manter a pose de mãe durona. Não podia dar brechas para ele se aproveitar.

- A senhora é uma mãe muito malvada. - Não aguentei e gargalhei com o seu comentário, o fazendo ficar ainda mais emburrado comigo. - Não ria de mim, mamãe!

- Chega de falatório. Vamos comer alguma coisa que daqui a pouco nós vamos até a casa da sua bisavó! - Falei pondo o menino na cadeira da cozinha. Aproximei-me do fogão e comecei a preparar o lanche do menino.

- Eba, vou ficar com a bisa! - Falou gritando e erguendo os bracinhos. O sorriso enorme em seu rosto era encantador. - Mas, a senhora vai me buscar à noite? - Perguntou um pouco ansioso.

- Sim, meu anjo. Assim que a mamãe sair da faculdade eu passo lá para te buscar. Tá bom? - Falei aproximando-me dele e o menino concordou. Dei um beijo em sua testa e sorri. 

[...]

- Vamos, meu anjo! - Falei enquanto soltava Gabriel da cadeirinha de dentro do carro. O menino estava um tanto sonolento e seus olhinhos pesavam. Seus pequenos bracinhos rodearam meu pescoço e sua cabeça deitou em meu ombro.

- Mamãe, não tô com sono! - Gabriel disse com a voz baixa e arrastada. O que me fez rir fraco com a sua mentira. Entrei em casa e caminhei até seu quarto logo após jogar minha mochila no sofá.

- Mas já está na hora de dormir! - Falei olhando as horas no relógio do corredor. Já era tarde demais para uma criança está acordada, mas infelizmente as aulas na faculdade terminaram tarde e eu não pude chegar antes para buscar meu filho na casa da bisavó. 

- Mamãe, eu não quero dormir! - Falou enquanto eu colocava o menino na cama. Ajoelhei-me ao seu lado e comecei a acariciar sua cabeça. Abri um sorriso calmo para o menino.

- Mas você tem que dormir, ou então a Cuca vem pegar. - Brinquei com o menino que revirou os olhos. - Não acredita? Pois deveria!

- Isso não existe, mamãe! - Biel disse me fazendo sorrir. Levantei do chão e sentei-me ao seu lado na cama. 

- Vou te ninar até você dormir. Mamãe está cansada e precisa ir para a cama logo. - Expliquei e o menino pareceu compreender. - E já que você diz que a Cuca não existe, vou cantar uma música dela que minha mãe cantava para mim quando eu era pequena. 

- Tá bom... - Biel disse fechando os olhinhos. Comecei a acariciar sua bochecha e logo as palavras saíram da minha boca.

- Dorme neném, que a Cuca vai pegar. Mamãe foi à feira e papai foi trabalhar... - A cantiga foi saindo naturalmente da minha boca. A cantei até que pude ver Gabriel dormindo. Sua respiração era calma. Parecia até um anjo. Eu era extremamente sortuda por tê-lo em minha vida. 

Beijei sua testa e levantei de sua cama e saí do quarto tentando fazer o mínimo de barulho. Caminhei até o banheiro e tomei um banho, o dia foi muito cansativo, mas eu não poderia desistir dos meus estudos. Não demorei embaixo da água e logo caí na cama e adormeci rapidamente.

P.O.V Gabriel

- Dorme neném, que a Cuca vai pegar. Mamãe foi à feira e papai foi trabalhar... - A música que mamãe cantara para eu dormir ainda ressoava em minha cabeça. E não parava de jeito nenhum. Era como se eu estivesse sonhando com a canção. 

A voz de minha mãe ficava cada vez mais alto em minha cabeça, fazendo-a doer fortemente. Franzi o cenho em confusão, isso não era possível, fazia muito tempo que mamãe saíra do quarto. Eu pensei que mamãe já havia ido dormir. 

- Mamãe, o que a senhora está fazendo acordada? - Perguntei abrindo os olhos lentamente. Procurei pelo rosto tão conhecido por mim, mas mamãe não estava ali, o que me deixou ainda mais confuso com a música que ainda ressoava por todo o quarto escuro. 

- Xiu, sua mamãe foi à feira. - Uma voz grossa soou por todo o meu quarto me fazendo arregalar os olhos e sentar bruscamente em minha cama. Agarrei um ursinho que ganhara de minha mãe e puxei o cobertor para me cobrir. 

- Quem está aí? - Perguntei assustado e começando a chorar. Uma risada pode ser escutada e eu olhei em volta, porém, não conseguir ver nada pelo fato do quarto estar escuro demais. 

- A Cuca! - E então uma coisa saiu do canto do meu quarto, ao lado da janela que estava aberta. A cortina balançava lentamente por causa do vento frio que entrava no quarto, parecia dançar. A luz da lua iluminava fracamente o meu quarto. E eu pude começar a enxergar o que saia lentamente do canto do meu quarto. 

A luz fraca e pálida batia contra a pessoa, iluminando de leve o seu... rosto?! Não! O rosto era extremamente cumprido e escamoso. A pele verde escura parecia ser grossa. Aquilo não era humano. Com certeza, não! Era um jacaré.

- O que é você?! - Perguntei me encolhendo ainda mais contra a cabeceira da minha cama. A Cuca se aproximava de mim, mostrando todos os dentes afiados e amarelos. Isso tudo só podia ser um pesadelo por causa da música que a mamãe cantou para eu dormir. 

- Que tal uma canção de ninar? - Ela estava tão perto da minha cama e eu só sabia chorar. Aliás, o que uma criança de cinco faria contra um jacaré gigante e que anda nas duas patas traseiras? Absolutamente nada!

- Não chegue pe-perto de mim! - Falei entre os soluços causados pelo choro baixo, eu tinha medo de acordar minha mãe e esse monstro fazer algum mal à ela. As lágrimas escorriam por meu rosto moreno. Eu sentia meu corpo todo tremer de pavor. 

- Dorme neném, que a Cuca vai pegar. Mamãe foi à feira e papai foi trabalhar... - Ela começou a cantar e se aproximava de mim e eu não conseguia fazer nada. Eu queria correr e gritar por minha mãe, mas parecia que a minha voz havia desaparecido. Senti meus olhos pesarem e um sono enorme tomar conta de mim. Sua voz era suave e tomava cada canto do meu corpo, o deixando sonolento.

- Não chegue perto de... - E então tudo escureceu e eu caí adormecido em minha cama, agarrado ao meu ursinho de pelúcia. 

[...]

Abri meus olhos lentamente, e assim que os fiz, pude enxergar o local onde estava. Eu me encontrava deitado no chão úmido e gelado do que parecia ser uma caverna. Haviam grades de ferro a minha volta e o local fedia demais. Meus olhos continuaram a espiar o local e eu pude perceber que haviam outras jaulas como a minha, ocupadas por crianças que costumavam brincar comigo na pracinha do bairro onde eu morava com minha mãe.

- Ele acordou! - Uma voz fina e feminina pronunciou. Sua voz ecoou por todo o local, e logo um coro de "xiu" foi pronunciado por todas as outras crianças. Deveria ter umas quinze ali comigo, e estavam claramente assustadas, e sem exceção de nenhuma.

- O que aconteceu? - Perguntei me aproximando das grades para conseguir enxergar melhor meus amigos. Eu estava confuso, e sentia que eles poderiam me explicar um pouco o que estava acontecendo.

- Nós não sabemos direito, mas a Cuca nos trouxe até aqui e ela é muito má. - Olhei para a menina que falava isso e percebi ser a mesma que quebrou meu carrinho no dia anterior.

- Muito má? - Perguntei com medo e ela concordou. 

- Sim, ela já veio aqui uma vez e levou uma criança que estava chorando muito e gritava por ajuda. E até agora ela não voltou. E não conseguimos mais ouvir os gritos. - Marquinho, um menino que morava na casa ao lado da minha falou. 

- Meu Deus, o que vamos fazer? Precisamos de ajuda! - Falei me encolhendo contra a grade. Enfiei meu rosto entre meus joelhos e comecei a chorar de medo. - Eu quero minha mamãe... - Falei e deixei um soluço escapar. 

- Hora da janta! - Uma voz grossa soou por toda a caverna. Levantei minha cabeça assustado e observei o bicho caminhar até uma jaula ao lado da de Marquinho. A menina que estava ali dentro tremia violentamente e chorava alto. 

- Por favor, não faça nada comigo! - Gritou enquanto era arrastada para fora da jaula. Ela parecia ser uma pouco mais velha do que as outras crianças. A Cuca a pegou pela cintura e a jogou sobre o ombro. A menina se debatia, tentando se soltar. 

- Dorme neném, que a Cuca vai pegar. Mamãe foi à feira e papai foi trabalhar... - A menina parecia se acalmar, assim como todos presentes. E então a Cuca sumiu por um buraco que havia no fundo da caverna. Eu chorava baixinho e esperava pelo que viria. E não tardou a acontecer.

Gritos extremamente altos e agoniantes preencheram toda a caverna. Levei minhas mãozinhas até meu ouvido, tentando ocultar o som que me deixava com mais medo ainda. Os gritos me faziam querer chorar. Ela estava sofrendo. Ela estava morrendo, e nós não podíamos fazer nada a não ser esperar pela nossa vez.

Fiquei acordado por muitas horas, esperando que o bicho voltasse, mas ela não o fez e eu logo deduzi que a Cuca só vinha aqui duas vezes no dia. Na hora do almoço e na hora da janta. E as crianças eram seus alimentos. Esse pensamento me fez estremecer, mas mesmo assim eu acabei deixando o sono tomar conta de mim e eu adormeci com medo de ser o próximo a alimentar a Cuca. 

P.O.V Dean

Abri a porta do quarto de Milena e encontrei a menina dormindo em sua cama de casal. Há duas semanas a brasileira ficava enfurnada dentro daquele lugar, mal falava com ninguém. Eu, Sammy e Ju insistíamos para ela comer. E isso vinha acontecendo desde o caso do Saci, onde a cacheada foi a mais atingida pelo monstro. 

Meu coração se apertava dentro do meu peito ao ver a situação que a mesma se encontrava. Há uma semana eu decidi dormir com ela logo após saber que a mesma sofria com os pesadelos, acordando aos gritos, assustada e suada. E na maioria das vezes, chorando copiosamente. De início, ela resistiu, mas logo cedeu ao saber que eu não desistiria da ideia. 

Mile estava sofrendo com um medo enorme que se apossara dela após o ataque do Saci Pererê em Santa Catarina. Eu, Sammy e Ju procurávamos em todos os livros, e perguntávamos a outros caçadores se eles sabiam algo que pudesse reverter essa situação, mas as respostas eram sempre negativas, e vinha acompanhadas de um "Eu sinto muito por ela". 

Eu não queria a pena deles, queria a cura para esse medo de Milena. 

- Princesa, acorda... - Sentei-me ao seu lado na cama. Abaixei-me e depositei um beijo em sua bochecha. Esperei seus olhos abrirem de vez e um sorriso fraco apareceu em seu rosto cansado. 

Era visível o quanto suas noites eram horríveis. Ontem mesmo a menina acordou de um pesadelo, tremendo de medo ela se enroscou em meus braços. Eu não ousei negar a demonstração de carinho, tentando ao máximo assegurá-la que nada aconteceria com ela. Não enquanto eu estivesse ali.

E, mesmo não sabendo demonstrar o que eu sentia pela menina - e era algo extremamente forte -, eu tentava fazer, mas eu era péssimo. Eu sabia que ela precisava de carinho, de atenção, e eu o daria da melhor forma que eu conseguia, mesmo essa "forma" sendo péssima.

- Olá, Dean... - Sussurrou sentando-se na cama. Aproximei meu rosto do seu e beijei de leve seus lábios rachados. - Estou com fome. - Arregalei meus olhos em surpresa. Pela primeira a menina confessava que estava com fome e isso era um avanço.

- Então vamos comer! - Falei ficando de pé e esperando a menina vir até mim. Descemos a escada lentamente, Mile estava fraca, e era visível. Mas, eu faria isso mudar, eu acharia a cura para esse medo.

[...]

- Achamos um caso! - Ju e Sammy falaram ao entrar na casa após meia hora que levaram para ir comprar um jornal. Sammy abraçava a menina por trás e tinha o queixo apoiado na cabeça da mesma, indicando a diferença de altura entre o casal. - Posso ler?

- Pode! - Falei ajeitando-me sob Milena, que encontrava-se deitada em meu peito quase dormindo com o cafuné que recebia. 

 

"Sete crianças desapareceram durante a noite em Salvador, Bahia, nesse domingo. As mães deixaram as crianças dormindo em seus quartos, e quando acordaram na manhã seguinte seus filhos não se encontravam mais em suas camas. As mães garantiram para a polícia que nenhum barulho foi escutado. E a polícia não achou sinais de arrombamento nas portas e janelas."

"A polícia está fazendo uma busca por todo o bairro e redondezas, mas até então nenhum sinal das crianças desaparecidas. As mães estão inconsoláveis e necessitam de alguma informação sobre seus filhos."

 

- Então? - Sammy perguntou em busca de uma resposta. Com certeza era um caso nosso, e precisávamos investigá-lo. Essas crianças precisavam de nossa ajuda mais do que qualquer outra pessoa.

- O que estamos esperando? Vamos para a Bahia! - Falei ficando sentado no sofá e trazendo Mile junto comigo. A menina se ajeitou ao meu lado e tinha a cabeça baixa e estava quieta demais. Todos esperavam por uma resposta da sua parte. 

- Eu não vou... - A voz da menina chamou a atenção de todos. Olhei surpreso para ela que ainda tinha a cabeça baixa. - Não posso ir! - Falou ficando de pé repentinamente. Ela esfregava as mãos no short de dormir, claramente um sinal de nervosismo.

- Porque? Milena, nós precisamos de você! - Ju disse se aproximando da menina e levantando seu rosto. Percebi que a brasileira chorava baixinho. A mesma começou a negar freneticamente, o que fez Ju agarrar o corpo da amiga e puxá-lo contra si em um abraço desesperado. 

Esse medo que consumia a caçadora estava passando dos limites, e eu sabia que todos ali presentes tinham medo de onde isso tudo iria acabar.

- Não, eu não posso ir. Eu não consigo! Eu tenho medo. Desculpem, mas, dessa vez vocês terão que ir sem mim. - Falou afastando as mãos da amiga de seu rosto. - Me perdoe por ser tão covarde. - E então a menina deu as costas a todos e correu até o andar de cima. E logo o som da porta batendo foi escutado.

Segurei o pulso de Ju que ameaçou ir atrás da amiga. Puxei o corpo da brasileira e rodeei seu pescoço em um abraço, e sem hesitação a menina retribuiu ao envolver meu corpo com os seus braços. O rosto de Juliana encontrava-se enterrado em meu peito, e suas lágrimas molhavam o tecido fino da minha camisa azul. Mas, eu sinceramente, não me importava com isso.

Sentia em cada soluço solto pela menina o desespero que lhe consumia. Desde o início da nossa caçada em busca da cura para Mile, Ju não comia nem dormia direito, e o cansaço era perceptível em seu rosto. Grandes e escuras olheiras pousavam sob seus olhos - na maior parte do tempo avermelhados. A menina andava lentamente, e de vez em quando - mesmo que tentasse disfarçar - podíamos vê-la apoiando-se nas paredes para que não caísse no chão.

Juliana estava ficando doente pela amiga.

- Não insistam, ela não vai ceder. - Falei separando-me da menina assim que senti seu choro cessar. - Durante a viagem eu ligo para o Bobby, ele saberá dar um jeito nisso. Tudo ficará bem, acredite em mim! - Beijei o topo de sua cabeça e afastei-me da menina, não tardei em deixá-la com meu irmão e caminhei até o andar de cima e entrei em meu quarto. Eu precisava arrumar minhas coisas. 

[...]

- Deixarei a Baby aqui caso você mude de ideia e resolva ir atrás da gente. Cuide bem dela, e de você mesma. Promete que consegue fazer isso? - Falei enquanto acariciava os cabelos  cacheados da menina deitada na cama. Entreguei a chave do Impala e ela sorriu confiante. - Fica bem, e me ligue qualquer coisa!

- Pode deixar, Dean. Eu sei me cuidar, não sou uma criança. - Falou baixo e mesmo não acreditando muito nas palavras da cacheada eu resolvi ir logo e fiquei de pé. - Eu te amo! - Um sorriso tímido abriu-se em seu rosto pálido e eu apenas sorri de volta, e fora perceptível a decepção ao não escutar a reciprocidade das palavras. Deixei Mile sozinha em seu quarto após beijá-la de forma lenta e demorada.

Eu não entendia o porquê de não conseguir falar as três palavrinhas para a brasileira. Eu, muitas das vezes, sentia medo do que poderia acontecer. Não queria que nada de ruim acontecesse a menina caso eu declarasse que também a amava com todas as minhas forças. E esse amor era tão grandioso que chegava a doer em meu peito. 

Mas, ainda sim eu tinha medo. 

- Prontos? - Ju perguntou assim que eu entrei no Jeep amarelo estacionado rente a calçada. Concordei em silêncio e logo o Jeep começou a sair de dentro do bairro que as meninas moravam. Olhei para a fachada da casa, reprimindo com todas as forças a vontade de voltar e ficar com Milena.

P.O.V Juliana

Eu me sentia consumida pela culpa por ter deixado Milena sozinha na casa do Rio de Janeiro, a mais de 1.600 quilômetros de distância, sofrendo com um medo aparentemente incurável. Medo esse que a deixava sem se alimentar direito e passar noites mal dormidas.

- Ela vai ficar bem, Ju! - Dean disse apertando meu ombro. Olhei para o homem através do retrovisor do carro e sorri sem mostrar os dentes. - Apenas confie nela, e no Bobby. - O Winchester mais velho disse e mostrou o celular.

- Conseguiu falar com ele? - Perguntei e o loiro concordou, o que me fez suspirar. De certa forma, saber que Bobby tentaria falar com Mile me aliviava. E eu torcia para que ele conseguisse reverter esse quadro psicológico que a menina se encontrava. Aprendi desde nova que as palavras do velho Singer têm poderes.

Estacionei o carro em frente à um hotel em Salvador. Demoramos um dia inteiro para chegar aqui, até porque eu me perdi algumas vezes entre as estradas. Quem dirigia era Mile, ela sabia ir para todo lugar nesse labirinto de estradas que era o Brasil. E sem ela, eu ficava perdida. Literalmente.

- Sammy, acorde... - Sussurrei perto do ouvido do Winchester mais novo que dormia profundamente no banco do carona. Ele pegou o último turno no volante e agora estava reabastecendo suas energias. Eu estava com pena de acordá-lo, já que fazia poucas horas que o mesmo pegara no sono.

- Já chegamos? - O menino perguntou abrindo os olhos e eu concordei com um sorriso fraco nos lábios. Aproximei-me dele e selei nossos lábios em um beijo calmo. Interrompi o ato quando ouvi Dean limpar a garganta, chamando nossa atenção para o desconforto do mais velho.

Ele sentia-se sozinho sem Mile ali.

- Desculpa... - Sussurrei e ele apenas concordou sem dizer nada e nos deixou à sós dentro do Jeep. - Ele está muito mal por causa da Mile, e isso me preocupa. - Olhei por cima dos ombros de Sammy o seu irmão entrar no hotel de cabeça baixa. Voltei meus olhos para o Winchester mais novo quando o mesmo suspirou cansado.

- Depois ele melhora. - Sam não parecia confiante com suas próprias palavras. - Ele sempre melhora... - A última frase saíra sussurrada de seus lábios e foi a deixa para que o mesmo deixasse o Jeep.

Fiquei alguns minutos no completo silêncio que predominava dentro do automóvel amarelo. Eu precisava achar alguma cura para esse medo de Mile, que de certa forma estava matando minha amiga lentamente. Eu não podia perdê-la. Eu não suportaria a ideia de perder mais alguém.

[...]

- Boa tarde, Senhorita Martins? - Perguntei assim que uma jovem atendeu a porta. Estávamos parados em frente a casa de uma das crianças que havia sumido, já era noite e decidimos investigar todas as mães em um dia só. Foi trabalhoso, mas agora estávamos parados em frente a porta da casa da última criança.

Já estávamos em Salvador há três dias, e ficamos um bom tempo organizando tudo e coletando pistas, porém, nenhum resultado que nos trouxesse solução ao caso. Tínhamos medo de que mais crianças sumissem e essa demora que estávamos tendo era agoniante. Eu estava aflita.

Além de que esse tempo todo não paramos de pesquisar alguma cura para Milena. Fomos em centros espíritas, kardecistas, curandeiras, feiticeiras. E o resultado era sempre o mesmo. Elas não conheciam nada que revertesse essa situação e isso me corroía por dentro.

- Sim. Em que posso ajudá-los? - A mulher perguntou com a voz rouca. Pude perceber seus olhos inchados e vermelhos. Provavelmente a mulher parada a minha frente seria a mãe da criança que sumiu.

- Viemos interrogá-la sobre o sumiço do seu filho, Gabriel Martins. - Comentei e logo eu e os Winchester mostramos nossos distintivos. 

- Ah, é claro... Entrem. - Sua voz não tinha emoção nenhuma, e seus movimentos era quase robóticos, como se ela estivesse em piloto automático, obrigando-se a sobreviver caso tenha alguma notícia do filho. 

Eu sentia pena dessas mães que sofriam nas mãos desses monstros. Eu apenas queria levá-las para um lugar seguro e protegê-las de todo o mal. Às vezes eu me sentia uma inútil por não poder assegurá-las, mas eu tinha que me conformar com o fato de ser apenas uma, e não conseguiria estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

- O que querem saber? Eu já contei tudo o que sei para a polícia. - A mulher sentou-se à nossa frente no sofá e eu sentia que aquele assunto não era o melhor para ser discutido com a mulher. Porém, era necessário.

- Primeiramente, precisamos dizer que somos um pouco diferentes da polícia tradicional, e ao contrário deles, qualquer detalhe, por mais insignificante que seja, é precioso para nós descobrirmos o que aconteceu com o seu filho e com todas as outras crianças. - Expliquei o mais resumida e disfarçadamente possível, e pareceu adiantar.

- Tudo bem, por onde vocês querem que eu comece? - Perguntou e eu juro que vi um brilho esperançoso em seus olhos tristes.

- Fale das coisas que chamaram a sua atenção durante o dia e nos conte o que aconteceu quando ele foi dormir. - Pedi e ela concordou, e pareceu se esforçar para lembrar do dia em que o filho sumiu.

- Bom, durante a tarde eu o levei a pracinha, era meu dia de folga no trabalho e eu aproveitei para passar a tarde com ele. Eu até tive que brigar com ele por ter batido em uma menina que quebrou o carrinho vermelho dele. - E então a mulher soltou uma risadinha fraca e saudosa.

- Coisa de criança. - Sammy comentou e a mulher concordou risonha.

- Bom, depois disso eu o deixei na casa da bisavó, por que eu precisava ir para a faculdade. - A mulher continuou. - Quando minhas aulas terminaram eu o busquei e trouxe para casa. O coloquei na cama e cantei para ele dormir. 

- Só isso? - Dean perguntou e a mulher concordou. - Qual foi a música que você cantou para ele dormir?

- Uma canção de ninar, um pouco antiga, que minha mãe cantava para eu dormir quando era criança. - Falou e eu prestei mais atenção no que ela falava. Eu tinha a sensação que estava mais próxima da resposta do que imaginava. 

- Qual canção? - Perguntei e comecei a ficar nervosa.

- A canção da Cuca. - Falou e eu arregalei os olhos e senti os pelos do meu corpo arrepiarem.

- Ahn... Podemos olhar o quarto do seu filho? – Pedi.

- É claro, queiram me acompanhar. - A mulher ficou de pé e logo nós três estávamos seguindo-a para o quarto do filho.

Eu sentia meu coração palpitar dentro do meu peito, minha respiração estava acelerada. Eu tinha quase certeza do que estávamos lidando, era a Cuca, mas eu precisava ter certeza. Uma prova de que realmente era isso.

- Fiquem à vontade, irei fazer um suco para vocês.

- Obrigada. - Agradeci e sorri amarelo para a mulher que se retirou em direção a cozinha da casa. Girei a maçaneta da porta e empurrei a mesma, dando acesso ao quarto totalmente escuro. Olhei para os meninos e eles pareceram perceber o meu nervosismo.

- Ju, você sabe que monstro estamos enfrentando? - Dean perguntou e mesmo não querendo acreditar eu concordei e entrei no quarto sendo acompanhada deles. Procurei na parede o interruptor e acendi a luz do cômodo.

- Nós fale sobre ele. - Sammy pediu enquanto investigava o lugar junto de seu irmão. Respirei fundo e me juntei à eles na investigação e enquanto isso eu falava sobre a famosa Cuca.

- Diz a lenda que era uma velha feia com forma de jacaré, que rouba as crianças desobedientes. - Aproximei-me da cama do menino e procurei entre os ursinhos de pelúcia. - A figura da Cuca tem afinidade com o Bicho-papão e o Velho-do-Saco, seres medonhos a quem alguns pais ameaçam entregar as crianças rebeldes.

- Que horror! - Dean disse e eu concordei. - Continue...

- Quando eu era criança, meu pai me contava que a Cuca sequestrava as crianças desobedientes e malcriadas, e as levava para sua caverna, e fazia delas seu almoço e sua janta. - Peguei um ursinho dentro todos que estavam ali. Ele vestia uma macacão azul, e pendurado para fora do bolsinho estava algo parecido com um tecido de couro. 

- Você acha que foi isso que aconteceu? - Sammy perguntou e eu concordei.

- Sim, como a mãe disse, ele brigou com uma menina na tarde do dia em que sumiu. Ele foi malcriado. Talvez a canção de ninar que Fernanda cantou para ele dormir tenha atraído a Cuca, e quando ela foi dormir o monstro invadiu o quarto e levou a criança. - Expliquei e logo fiquei de pé ao perceber que aquilo em minhas mãos era pele, porém, não qualquer pele.

Era pele de jacaré. 

- Achou algo? - Dean perguntou e eu mostrei o pedaço de epiderme que segurava. A careta dele quase me fez rir, mas eu estava nervosa de mais para realizar tal feito. - Isso é pele?

- Sim, pele de jacaré. Agora eu posso afirmar que estamos lidando com um dos mitos mais famosos do folclore brasileiro. A nossa tão medonha Cuca. - Falei e olhei para os meninos que pareceram ficar nervosos com a minha constatação. 

P.O.V Milena

Caminhei até o quarto de Dean. Já se passava do terceiro dia, e eu estava morrendo de saudade do homem. Abri a porta do seu quarto e entrei no cômodo, acendendo a luz rapidamente para que eu não sentisse medo. Pois é, havia chegado ao ponto de eu ter medo de escuro.

Eu sentia que poderia enfartar caso alguém resolvesse pregar uma peça em mim. Para falar a verdade, eu não duvidava que em alguma hora eu teria medo da minha própria sombra, ou até mesmo do meu reflexo no espelho. Qualquer barulho, tanto dentro quanto fora da casa, me fazia encolher embaixo do meu cobertor e chorar baixinho. 

Eu sabia que os meninos e Ju estavam se esforçando para achar alguma coisa que revertesse minha situação, mas uma sensação de desilusão tomava conta de mim, e eu me encontrava desacreditada que um dia eu realmente poderia voltar ao normal. Como eu era antes.

- Para de pensar nisso, Milena. Você precisa ser forte, como Bobby pediu. - Comentei comigo mesma enquanto pegava uma blusa de manga cumprida de Dean.

Fazia um pouco frio no Rio, e eu estava mais carente que o normal. Soltei a toalha que envolvia meu corpo e senti o tecido fofo escorregar por meu corpo e cair ao chão. Vesti a calcinha que trouxe e em seguida a blusa com o cheiro do loiro que preenchia meu coração.

Caminhei até o espelho do quarto e observei meu reflexo no mesmo. Eu não encarava meus olhos, tinha medo do que eles poderiam me mostrar. Até porque, eu sempre acreditei naquele ditado que diz que os olhos são o espelho da alma, e bom... Eu não achava que minha alma tinha muitas coisas boas para me mostrar.

Eu olhava do pescoço para baixo. A blusa preta ia até a metade das minhas coxas, por conta da diferença de altura. Meus cabelos molhados e cacheados caíam sobre meu busto, molhando levemente o tecido do casaco. As mangas passavam das minhas mãos e eu me sentia uma anã dentro daquela peça de roupa. 

Aproximei a manga do meu nariz e puxei o ar que continha a fragrância de Dean. Um sorriso involuntário surgiu em meu rosto e eu fechei os olhos para aproveitar mais daquele aroma delicioso. 

Eu amo Dean, e fazia questão de deixar isso claro para o homem, porém, ele não fazia o mesmo comigo e isso, de certa forma, me deixava insegura e com medo de estar sendo usada pelo Winchester mais velho.

Qual era a dificuldade dele de me amar da mesma forma que eu o amo? Será que ele tinha medo de que algo acontecesse comigo? Ou então ele realmente não me amava e só estava comigo por pena? Eram tantas perguntas que rondavam minha cabeça, porém, nenhuma resposta e então eu decidi deixar isso de lado... Por ora.

Caminhei até a cama do homem e me joguei nela. Agarrei seu travesseiro e comecei a relembrar a conversa que tivera com Bobby há três dias. 

 

[Flashback ON]

Desci a escada em busca de algo para comer. Eu havia prometido para Ju que me alimentaria enquanto a menina estivesse fora. E bom, eu costumava cumprir com as minhas promessas, e apesar de não querer fazer nada, eu ainda queria viver um bom tempo, nem que para isso eu precise ficar com medo pelo resto da minha vida.

Procurei dentro da geladeira alguma comida congelada e fácil de fazer. Achei uma lasanha e sabia que meus olhos estavam brilhando ao encarar a caixa da minha comida predileta. Tirei a caixa do meio dos gelos e rapidamente a coloquei em um recipiente que fosse ao forno e logo ela estava cozinhando dentro do fogão.

Sentei-me à mesa para esperar que o alimento ficasse pronto e eu finalmente poderia saciar a fome que matava meu estômago. Peguei meu celular e desbloqueei a tela, parando alguns minutos para apreciar a foto do fundo. Era eu e Dean.

O loiro abraçava minha cintura e tinha seu queixo pousado em meu ombro. Minhas mãos agarravam seus braços e nós dois sorriamos para a câmera. A foto fora tirada por Ju e eu rapidamente me apaixonei pela fotografia.

Minha atenção foi tirada da foto quando uma chamada de Bobby apareceu no display do celular. Estranhei a ligação repentina e senti uma batida do meu coração falhar. Será que ele estava ligando para chamar os meninos de volta? Esse era o meu maior medo. 

 

[Ligação ON]

- Bobby! - Atendi e forcei para que minha voz ficasse normal para que o homem não notasse nada de estranho. - Como vai? Estou com saudade!

- Oi minha pequena, também estou. Como estão as coisas por aí? - Sorri com o carinho dirigido à mim. 

- Estão bem. - Senti minha voz vacilar um pouco ao tentar mentir para o velho Singer. Me xinguei mentalmente com todos os nomes imagináveis. Eu era péssima mentindo, ainda mais quando se tratava de Bobby.

- Com quem você aprendeu a mentir dessa forma? Esses Winchester não estão sendo um bom exemplo para você. - Bobby disse e eu não conseguir evitar uma risada divertida.

- Realmente não tem como mentir para você. - Comentei e decidi ser sincera com o homem que era praticamente um pai para mim. - Tenho certeza que os meninos contaram à você o que está acontecendo comigo. 

- Sim, Dean me ligou. - O homem disse e eu revirei os olhos. - Falou que eles estão desesperados em busca de uma cura para o que você tem. 

- Sim, eles estão se destruindo por causa disso. - Comentei me sentindo um pouco culpada pelo estado físico e mental que meus amigos se encontravam.

- Tenho certeza que eles encontrarão uma solução. - Bobby disse esperançoso e eu sorri com isso. - Mas, Milena, você também precisa se ajudar. Você tem que passar por cima desse medo, ou então, você vai ficar maluca.

- Eu sei, mas eu não consigo... - Respondi e senti um nó se forçar em minha garganta. Eu começaria a chorar novamente. - Eu já fiz de tudo, Bobby.

- Não fez o suficiente. Você precisa ser mais forte que esses medos que te assombram. Você precisa se ajudar. Eu te conheço desde a barriga da sua mãe, eu praticamente te criei. E eu sei que você é capaz de passar por mais esse obstáculo. Seja forte, minha menina. - Senti as lágrimas escorrerem por meu rosto e um soluço escapar por minha garganta.

- Eu irei tentar... - Comentei entre os soluços. - Obrigada por acreditar em mim, Tio Bobby... - Sorri entre as lágrimas ao chamá-lo como fazia quando era criança. 

- Eu sempre irei acreditar em você, minha pequena. Fique bem! - E então o homem finalizou a chamada. 

[Ligação OFF]

 

Fiquei olhando para a tela do celular, encarando novamente a foto de Dean. Eu precisava ser forte por todos eles. Eu precisava achar uma solução para tudo isso, ou então, eu realmente ficaria maluca.

[Flashback OFF]

 

Sentei-me na cama e encarei meu reflexo no espelho do quarto. Eu não podia simplesmente ficar deitada esperando que o tempo solucionasse os meus problemas, ou então deixá-los nas mãos dos meus amigos. Eu tinha que tomar uma atitude, como Bobby havia dito. E era isso que eu faria.

Saí a passos apressados e firmes do quarto e segui em direção à biblioteca da casa. Entrei no cômodo e parei no centro do mesmo. Rodei em meus calcanhares, passando meus olhos rapidamente pelas prateleiras de madeira escura das estantes. O amontoado de livros de cores, tamanhos e espessuras diferentes me deixavam levemente tonta, mas nada que me fizesse desistir do que eu tinha em mente.

Meus olhos pararam em uma das sessões das estantes. Curas. E era ali mesmo que eu procuraria, nem que isso durasse dias incansáveis e sem dormir aqui dentro. Eu acharia a cura para esse medo.

E com esse pensamento eu corri até a estante composta por dez prateleiras lotadas de livros e de início peguei todos os livros da primeira prateleira. Jogueis os encadernados no chão e me sentei no meio deles. 

Peguei o primeiro livro e respirei fundo antes de abri-lo e começar a folhear página por página. Meus olhos vidrados corriam pelas letras e anotações feitas nas bordas dos livros por meu pai e o pai de Ju. Eu, jamais em toda a minha vida, havia lido um livro tão rápido quanto hoje. Definitivamente eu bateria meu recorde, mas valeria a pena caso eu achasse alguma cura.

[...]

Levantei a cabeça assustada. Cocei meus olhos e passei os mesmo pelo cômodo onde eu me encontrava e logo lembrei de onde estava. Era a biblioteca. Ajeitei-me sobre o carpete do chão e logo senti as consequências por ter dormido no chão duro do lugar. Estalei as costas e os dedos, alongando-me para voltar ao trabalho.

Olhei para a minha frente e me deparei com dois montes de livros. Ao meu lado direito estavam os que eu já havia lido - e não eram poucos - e ao meu lado esquerdo os que eu ainda pretendia ler.

Olhei para a estante e apenas duas fileiras estavam vazias e com isso eu suspirei cansada. Busquei mais um dos livros no monte do lado esquerdo e abri o encadernado cinza, mas logo parei no sumário quando minha barriga deu sinal de vida.

Eu estava com muita fome. E com muito sono. 

Deixei o livro de lado e peguei meu celular para checar as horas. 1h:50min da madrugada, eu havia dormido apenas uma hora. Voltei a bloquear a tela e desci as escadas para buscar alguma coisa para comer. Eu não dormiria essa noite, e um ponto positivo sobre isso era que hoje os pesadelos não me assombrariam.

Após me alimentar de forma correta, fui até o banheiro e lavei o rosto, afim de jogar para longe esse sono que me deixava mole e preguiçosa. Voltei para a biblioteca rapidamente e me joguei novamente sobre um dos puffs e voltei a ler o livro de capa cinza. 

Dessa vez eu lia mais lentamente, pelo fato de ainda estar sonolenta. Mas, eu não podia me deixar vencer pelo sono. Meus olhos pesavam e queriam se fechar a todo custo. E eu pensava na possibilidade de imitar os desenhos animados e prender minhas pálpebras com fita adesiva. 

Sorri com o pensamento infantil, mas logo meu rosto se tornou sério ao ler o título do capítulo quatro do livro que eu não fiz questão de ler o nome. O nome chamara a minha atenção: "Cura para o medo". Era a gota de esperança que eu precisava. Era minha chance. 

Comecei a ler os parágrafos que preenchiam o capítulo. Lia-os atentamente a cada detalhe importante que fosse relatado naquelas linhas. E meus olhos se arregalavam com as coincidências que apareciam conforme as linhas eram lidas. Eu não podia acreditar que estava mesmo lendo aqui. Que a cura tinha haver logo com isso. Que a solução era aquela.

A cura estava diretamente envolvida com o folclore brasileiro.

Busquei desesperada pelo meu celular e percebi que havia esquecido o mesmo no andar debaixo. Corri escada à baixo com o livro em mãos e entrei na cozinha sem nem mesmo enxergar a mesa - na qual eu bati muito forte com a cintura. Peguei o telefone em cima do móvel e sem nem ao menos me importar com as horas, eu disquei o número do celular de Juliana. 

Esperei ansiosa que a menina atendesse a ligação. Eu roía minhas unhas e comemorei quando a menina atendeu a chamada do outro lado da linha. 

 

[Ligação ON]

- Milena? Aconteceu algo? - Perguntou com a voz sonolenta. 

- Sim, aconteceu a melhor coisa do mundo! - Falei quase gritante e logo em seguida tampando a boca com a mão ao pensar na possibilidade de algum vizinho vir até minha casa reclamar da gritaria.

- O que aconteceu de tão especial para você me ligar às... 2h:30min da madrugada? - Perguntou e eu pude sentir um tom de raiva em sua voz, mas apenas mandei minha amiga catar coquinho mentalmente. 

- Achei uma possível cura para o meu medo. - Falei. Eu gostava de ser direta, mas às vezes isso era prejudicial, como agora. Juliana ficou em silêncio por muitos segundos, o que me preocupou muito. - Ju? Ainda está aí? Não me diz que enfartou logo agora que eu preciso de você. 

- MILENA ESSA É A MELHOR NOTÍCIA QUE EU RECEBI! - Afastei o aparelho do ouvido e ainda sim pude escutar em alto e bom som os gritos de felicidade de Juliana, e eu rezei para que ela não fosse expulsa do hotel onde estava hospedada. 

- Estou indo para Salvador amanhã de manhã. Me passa o endereço por mensagem! - Falei e minha amiga apenas concordou. - Me deseje sorte! 

- Boa sorte, irmã. Te amo! - Disse e eu pude sentir sua felicidade.

- Também te amo! - E por fim eu finalizei a chamada.

[Ligação OFF]

 

Levei o celular ao peito e corri até meu quarto. Entrei no mesmo e joguei o livro e o celular sobre a cama. Peguei minha bolsa dentro do guarda-roupa e comecei a colocar algumas coisas essenciais ali dentro. Eu finalmente voltaria a caçar, e só agora, olhando para minhas armas que eu percebi o quanto isso me fazia falta.

Respirei fundo após guardar tudo e caminhei até o espelho. Encarei meu reflexo e tomei coragem para encarar meus olhos. Eles se arregalavam lentamente, e eu percebi o qual longe esse medo estava chegando. Eu não conseguia encarar meus olhos através do espelho. Isso estava indo longe demais. 

Fechei os olhos e respirei fundo, e repassei em minha mente as palavras de Bobby e então voltei a abri-los, me arrependendo logo em seguida. Atrás de mim estava a imagem perfeita do Saci Pererê, pulando em uma perna só, sorrindo maleficamente para mim e fumando seu cachimbo. Eu estava paralisada. Até ele tocar e apertar fortemente o meu ombro.

Virei de costas para o espelho e dei um pulo para trás, o que fez com que eu me desequilibrasse e batesse fortemente contra o espelho que foi ao chão junto de mim. Para evitar o impacto, apoiei-me no chão com as minhas mãos e joelhos que foram perfurados pelos cacos de vidro do espelho recém-quebrado.

Soltei um grito de dor e fechei fortemente meus olhos. Respirei fundo e voltei a abri-los. Antes de conferir os ferimentos, eu olhei para minha frente e não havia absolutamente nada ali. Nenhum Saci Pererê. Era tudo coisa da minha cabeça que estava começando a ficar maluca de tanto medo que a consumia. 

Respirei fundo ao sentir um nó se formar em minha garganta e obriguei-me a ficar de pé. Fui em busca de uma caixa de primeiros socorros e encontrei a mesma no andar de baixo, dentro do banheiro.

Enquanto eu fazia os curativos em minhas mãos e joelhos, eu evitei ao máximo olhar para o grande espelho preso sobre a pia do banheiro, pois sabia que o veria novamente atrás de mim. Eu sentia o cheiro do seu cachimbo. Era tão forte que eu poderia jurar que estava ficando tonta.

E assim que terminei de enfaixar as mãos e joelhos, subi rapidamente para o meu quarto e tranquei a porta atrás de mim. Coloquei a mala ao lado da cama, e sem nem ao menos limpar os cacos de vidro sujos de sangue, eu deitei-me em minha cama e forcei-me a dormir, mesmo sabendo que o Saci me assombraria em forma de pesadelos.

Mas, amanhã tudo isso acabaria e ele iria me deixar em paz definitivamente.

P.O.V Sammy

- O que aconteceu com suas mãos e com os seus joelhos? - Perguntei ao ver Milena atravessar a porta do quarto que eu dividia com Dean. A menina jogou a mala sobre a cama e respirou fundo antes de começar a se explicar.

- Um pequeno acidente com o espelho do meu quarto. - Falou e percebeu que isso não era o suficiente para nós três. - Tudo bem, eu estou ficando maluca por causa do medo que continua crescendo dentro de mim, e quando eu estava me olhando no espelho eu vi a imagem do Saci parado atrás de mim e então eu levei um susto e caí no chão junto com o espelho... E bom, esses foram os resultados. 

- Meu Deus, isso está indo longe demais. - Juliana disse e a amiga concordou. 

- Eu vim o mais rápido que eu conseguia para cá, aliás, a Baby foi essencial para isso! - Mile sorriu e caminhou até meu irmão que beijou a menina carinhosamente. - Trouxe o livro com a suposta cura.

- O que diz nele? - Dean perguntou.

- Bom, o livro diz que eu preciso tomar o sangue de um monstro folclórico que se alimente do medo. - Arregalamos nossos olhos ao escutarmos o que a menina disse. - O que foi?

- Mile, estamos caçando a Cuca. - Respondi e então a menina pareceu se tocar. - O sangue da Cuca é a sua cura. Ela se alimenta do medo das crianças.

- O meu Deus! Não pode ser, é muita coincidência. - A menina começou a andar de um lado para o outro, estava nervosa. - Me diz que vocês já sabem como caçar essa... coisa. - A menina gesticulava exageradamente com as mãos, o que me fez rir baixo. - E por favor, alguém cobre essa merda de espelho porque eu não estou conseguindo olhar para ele.

- Tudo bem! - Dean disse pegando um cobertor fino e tacando por cima do espelho e eu percebi a menina relaxar com isso. - E sim, nós temos, está nos livros!

- Cadê o livro? - Perguntou e começou a procurar pelo encadernado pelo quarto. O mesmo se encontrava em meu colo e eu logo tratei de abri-lo na página correta e começar a ler o conteúdo.

 

"A única forma de matar a Cuca, é fazendo com ela o que a mesma faz com as crianças sequestradas. A bruxa deve ser picada, deixando seus membros bem separados, em seguida deve jogar os pedaços em seu caldeirão e fazer uma sopa de Cuca."

 

- Eu não vou conseguir fazer isso, mas posso ajudar com as crianças... se é que ainda tem alguma viva. - Mile comentou e nós resolvemos concordar. - Só não esqueçam do sangue. 

- Não iremos esquecer, mas agora precisamos achar uma criança desobediente. Por mais que isso seja ruim, teremos que usá-la como isca. Ela nos levará até a Cuca. - Ju comentou e todos concordaram. 

Todos se reuniram dentro do Impala do Dean e seguimos em direção ao local onde era o foco da Cuca. Dirigimos pelas ruas calmas do bairro até chegarmos na praça que estava menos movimentada do que o normal. Talvez os sumiços tenham deixado as mães com mais medo, e eu até me impressionava por elas terem saído com seus filhos. Estavam expondo eles.

Eu olhava através da janela do Impala. Estávamos os quatro parados na praça do bairro onde as crianças sumidas moravam. Estávamos observando as crianças brincarem umas com as outras e esperando para ver se alguma sairia da linha. Era nossa única chance, por pior que essa ideia pareça. 

- Parece que as coisas estão andando à nosso favor! - Mile apontou para uma criança que chorava enquanto segurava uma boneca sem cabeça. Ao lado estava outra menina que gargalhava da situação e segurava a cabeça da boneca na mão. - Que pestinha!

- A pestinha que irá nos levar até o nosso monstro. - Comentei e ela concordou. - Mas, ainda sim é uma pestinha. - Todos riram. - Achamos nossa isca. Agora é só esperar a Cuca vir buscá-la. 

[...]

Dean dirigia o mais rápido que conseguia pelas ruas escuras de Salvador. As meninas estavam assustadas no banco de trás, principalmente Milena, que estava a ponto de chorar todo o líquido de seu corpo. A Cuca finalmente havia aparecido e agora corria rapidamente pelas ruas do bairro com um saco pendurado nas costas, e nossa única opção foi segui-la com o carro.

Até que finalmente conseguimos alcançá-la. A bruxa parou de correr assim que chegou em frente a uma casa abandonada. Paramos o carro um pouco longe, e seguimos o resto do caminho a pé. Paramos em frente a mesma casa, e percebi Mile encolher-se perto do corpo de Dean. A casa era medonhamente igual a do Saci. 

- Tem certeza que quer entrar? - Dean perguntou e a menina concordou com muita hesitação. - Então vamos!

Caminhamos até a parte de trás da casa, onde, estranhamente sabíamos que teria uma entrada aberta. E realmente tinha. Parecia que alguma coisa nos indicava o local exato para onde ir. A janela da cozinha estava arreganhada e nós não tardamos de entrar no cômodo, evitando ao máximo fazer barulho. De certa forma, já sabíamos onde seria a toca da Cuca e foi para lá que seguimos. 

Mile tremia muito e ameaçava chorar o tempo todo, e por conta disso Dean segurava sua mão com força. Paramos em frente a porta do porão, e a sensação ruim de que o Saci apareceria se mantinha em todos nós. Aquela casa era estranhamente igual a dele. 

- Porque será que é tão igual? - Ju perguntou antes de eu abrir a porta. Demos de ombros sem saber responder a pergunta que martelava na cabeça de todos. Mas, eu tinha uma ideia, mas não queria contar por não ter certeza se realmente era isso que eu estava pensando. 

- Talvez... Deixa para lá. - Falei balançando a cabeça ao tentar falar o que pensava sobre tudo isso.

- O que? Precisamos saber o porque estamos enxergando a casa do Saci. - Ju pediu e eu respirei fundo.

- O Saci é o maior medo da Milena no momento, e talvez o medo dela esteja tão grande que está nos contagiando, e a toca da Cuca possa refletir o medo das pessoas. No caso, cada um deveria enxergar a casa de uma forma. Da forma que refletisse o nosso maior medo. Mas, o medo da Milena está tão evoluído, que está se tornando maior do que qualquer outro. - Olhei para todos e eles estavam pasmos com a minha constatação.

- Eu preciso melhorar, eu não aguento mais! - Mile disse e uma lágrima escorreu por seu rosto. Dean tratou de limpá-la rapidamente e então beijou sua testa. - Vamos logo, antes que seja tarde. 

Essa resposta foi a deixa para que eu girasse a maçaneta e então encarasse aquela escada escura e medonha. Um arrepio subiu por minhas costas e eu fui o primeiro a começar a descer a escada. O pessoal descia atrás de mim e no fim da escada nos encontramos de frente para um corredor enorme. As paredes eram de pedras, como a entrada de uma caverna.

Seguimos por ele, atentos a qualquer movimento repentino ou suspeito. A cada metro andado, ouvíamos gritos de socorro, e eles iam ficando mais altos assim que nos aproximávamos. Paramos assim que chegamos a um lugar que parecia o hall de um hotel, porém, mais cavernoso.

O teto era extremamente alto e pendiam estalactites. Pelas paredes haviam estantes com recipientes que continham líquidos estranhos, além de livros grossos. Por todo o local haviam enormes rochas. No centro do hall estava um enorme caldeirão, de um lado havia uma mesa com utensílios de cozinha e do outro uma maca toda suja de sangue e um arrepio tomou todo o meu corpo ao imaginar o porque estava suja.

- Socorro! - O grito de uma criança chamou nossa atenção e logo uma canção preencheu o local.

- Dorme neném que a Cuca vai pegar. Mamãe foi à feira e papai foi trabalhar... - Um sono esquisito começava a tomar conta de mim, mas logo meu pulso foi puxado com força e eu me vi escondido atrás de uma das rochas.

- Coloquem isso, eu sabia que a canção funcionaria conosco também. - Dean nos entregou tampões de ouvido e eu não tardei em colocá-los e como mágica o sono saiu do meu corpo. Ajeitei-me atrás da rocha e comecei a prestar atenção no que a bruxa fazia. 

- Precisamos agir, ou ela vai matar a menina. - Falei e todos concordaram. Preparamos nossas armas e esperamos o momento certo para atacar. E ele apareceu assim que a bruxa ergueu o facão para cortar a menina. 

Nós levantamos rapidamente de trás da rocha e gritamos para ela parar. A bruxa assustou-se e olhou em nossa direção. Eu não hesitei em correr atrás do monstro e cair por cima dela, indo ao chão e fazendo com que a faca dela voasse longe. A "mulher" bateu com a mão em minha cara e eu caí para longe e senti o sangue escorrer por meu rosto.

- Milena, corre para ajudar as outras crianças! - Gritei e a menina parecia estar presa ao chão, paralisada com tudo o que acontecia a sua volta. Percebi Juliana correr em direção a amiga e empurrá-la com toda a sua força em direção a outra porta da caverna. Isso pareceu acordá-la para tudo o que estava acontecendo.

Milena correu o mais rápido possível para dentro da outra caverna e eu voltei a lutar contra a Cuca junto de Ju e Dean. 

P.O.V Milena

Entrei na outra parte da caverna com a respiração acelerada. E eu sabia que não era por cansaço, era por medo. Eu estava a beira da loucura com tudo o que estava acontecendo. E eu ainda ousei pensar que conseguiria levar isso numa boa e agora eu me via quase me juntando aquelas crianças e chorando enquanto gritava por minha mãe. 

A única diferença entre eu e elas... Era que eu não tinha mãe. 

- Onde estão as chaves? - Perguntei a uma das crianças, mas ela estava assustada demais para me responder e eu ousei revirar os olhos. Os barulhos de gritos do outro lado me faziam tremer. Eu estava tão assustada quando aquela criança, e entendia muito bem o que ela estava passando.

- Ali! - Um menino moreno apontou para o fim da caverna.

O molho de chaves estava pendurado em um gancho e eu logo corri em sua direção e peguei as chaves. Fui em cada cela que ainda tinha criança, e soltei umas dez e junto delas eu corri para o fundo da caverna. Eu não deixaria que elas vissem o que estava acontecendo, e nem que elas corressem o risco de serem pegas novamente. 

Eu as protegeria. 

Fiquei ali pelo que parecia ser uns dez minutos. As crianças mais assustadas agarravam minha cintura em busca de proteção e eu fazia o meu máximo para demonstrar que não estava assustada. Elas choravam baixinho, pois eu pedia silêncio para que não chamassem atenção, e elas me obedeciam. Algumas recebiam carinho, uma coisa que eu fazia em busca de tranquilizá-las. 

- Milena! - Assustei-me quando Dean entrou na caverna gritando meu nome. Senti as crianças se agarrarem ainda mais a mim e molharem levemente minha blusa com suas lágrimas. - Ei, deixa eu te ajudar!

- Crianças, Dean é amigo, podem confiar. - Falei e elas pareceram hesitar. - Ele é meu... amigo. - Falei e olhei para o loiro.

Não ter uma definição do que eu e Dean éramos me machucava. Eu sentia como se ele não gostasse de mim, e só estivesse comigo por pena. Dean quase sempre não demonstrava sentimento por mim, porém, foi só eu ficar "doente" que ele começou e isso ajudou para afirmar que ele só estava comigo por pena.

Ao contrário de mim, que demonstrava demais o que sentia por ele e sempre que perguntava sobre isso, ele desviava do assunto ou então ficava em silêncio. E no fim da noite eu me encontrava chorando por ele. 

- Tudo bem, podem vir comigo. - Dean abaixou seu olhar com a forma que eu o chamei e isso de certa forma doeu muito em meu peito. Será que eu que estava cega de insegurança e não enxergava que ele demonstrava? Ou então ele realmente não demonstrava?
Tantas perguntas e nenhuma resposta.

Percebi que todas as crianças já haviam ido embora, e eu permaneci sentada no mesmo lugar. Voltei a realidade quando Dean tocou meu ombro e ficou me olhando. Percebi que ele segurava um pequeno recipiente com um liquido esverdeado e eu franzi o cenho com isso.

- Está bem? - Perguntou e eu voltei meu olhar para ele. Encarei seus olhos e percebi que estava começando a chorar. Eu amava Dean, e estava extremamente insegura em relação ao fato de ele retribuir esse sentimento. Mas, eu precisava dele ao meu lado. - Ei, minha princesa, não chora!

- Me desculpa... - Falei e agarrei seu pescoço em um abraço desesperado. - Me desculpa! - Dean afastou-me e encarou meus olhos.

- Não me pergunte o porque, eu só preciso que você me desculpe. 

- Tudo bem, eu te desculpo seja lá pelo que for. - Dean disse e eu senti-me um pouco mais aliviada. - Aqui... Essa é a sua cura. - Dean me mostrou o vidrinho e eu o peguei e fiz uma careta de nojo. - É só beber?

- Sim, é só beber. - Falei e respirei fundo. Destampei o vidrinho e sem pensar duas vezes eu virei o líquido esverdeado.

Aquilo queimava como se tivessem colocado fogo em minha garganta. Senti meus olhos marejarem e eu deixei as lágrimas caírem. Fiquei uns minutos com os olhos fechados e esperei uma reação muito ruim. E ela aconteceu.

Meu estômago começou a embrulhar, e eu senti o vômito subir rapidamente. Virei para o lado e curvei-me em direção ao chão e aquilo que saiu da minha boca era horrível. Um líquido negro espalhou-se pelo chão e eu sentia meu corpo inteiro tremer e doer muito.

Eu estava ficando quente, como se estivesse pegando fogo. Eu não conseguia parar de vomitar aquele negócio para fora de mim e estava começando a me sentir tonta e fraca. Agarrei meus cabelos e os puxei ao senti minha cabeça latejar como se alguém estivesse batendo nela com um martelo. E então um grito extremamente alto saiu de dentro da minha garganta.

- Milena! - Dean agarrou meus ombros e tentou me voltar a posição normal. Eu sentia como se estivesse morrendo. - Olha para mim, por favor. Você precisa ficar bem, você não pode me deixar.

- Dean... - Chamei pelo homem e encarei seus olhos marejados. Voltei a me curvar e vomitei mais e por fim eu caí ao lado de toda aquela sujeira negra e senti minhas pálpebras pesarem. Eu não podia morrer.

- Não, não, não, não. Fica comigo, por favor! - Dean gritava enquanto balançava meus ombros freneticamente. - Não me deixe... - A voz dele foi ficando mais distante e foi o último som que eu escutei antes de fechar meus olhos e então tudo ficou escuro e silencioso. 

P.O.V Juliana

Pude ver quando Dean saiu correndo com as crianças para o andar de cima, provavelmente as deixariam na cozinha. E logo ele voltou e correu de novo para a caverna onde Milena estava e ficou por lá mesmo. E eu já estava começando a estranhar a sua demora.

- Ju, eu sei que isso é nojento, mas eu preciso de sua ajuda. - Sammy estava com a faca nas mãos. Sua roupa estava toda suja de sangue esverdeado e na maca estavam os pedaços da Cuca. Além disso, o menino tinha um enorme corte em sua bochecha esquerda, além de outros machucados causados durante a briga. E eu sabia que não estava muito diferente dele.

- Tudo bem... - Falei e comecei a jogar os pedaços do bicho dentro do caldeirão. Era necessário fazer isso para pôr um fim nela. Logo estavam todos mergulhados na água que agora tomava uma tonalidade esverdeada. Deixamos o fogo ligado para que cozinhasse. 

- Será que Mile melhorou? - Sammy perguntou e eu dei de ombros sem saber responder. Ficamos em silêncio... Até o Dean começar a gritar do outro lado da caverna. Arregalei meus olhos e corri em direção aos gritos e paralisei na porta da caverna ao ver a cena. 

Dean segurava Milena em seus braços e chorava desesperadamente ao vê-la desacordada, chamava pelo seu nome baixinho e beijava a testa da menina a todo momento. A boca da menina estava suja de um líquido preto - que estava espalhado pelo chão. Corri em direção aos dois e ajoelhei-me ao lado deles.

- O que aconteceu? - Perguntei começando a chorar. - O QUE ACONTECEU DEAN? - Gritei ao não receber resposta do loiro. Eu estava desesperada ao ver Mile naquele estado. A menina estava mais pálida do que já era, seus lábios, sujos de um líquido negro, estavam ressecados. 

- Eu não sei... Ela bebeu o líquido e do nada começou a vomitar esse líquido preto e então ela desmaiou. - Dean disse soluçando. - Eu estou com medo.

- Ela não morreu Dean, não pensa isso! - Falei puxando seu rosto para olhar o meu. - Ela vai acordar. Só vamos embora daqui. - Dean concordou e pegou Milena no colo, juntos saímos da caverna. Sammy parecia nervoso por não saber o que aconteceu.

- Meu Deus, o que aconteceu? - Perguntou vindo em nossa direção.

- Reação ao sangue. Só torça para que ela acorde. - Dean disse ainda chorando. O homem ficou esperando que eu e Sammy terminássemos tudo e então nós subimos atrás das crianças que estavam encolhidas em um canto da cozinha. 

- Vamos, vocês precisam voltar para suas casas. - Falei e elas concordaram. Respirei fundo e juntos saímos da toca da Cuca. Eu sabia que não havia salvo todas as crianças, mas as que ficaram teriam um trabalho enorme para ocultar tudo isso da polícia.

Mas eu sabia que elas eram capazes. 

[...]

- Prometam que irão fazer o que pedimos? - Falei envolta das crianças e elas apenas concordaram. - Agora, fiquem bem e voltem para suas casas.

- Espera... - Uma das crianças chamou assim que eu fiquei de pé. - Promete que tia Milena vai ficar bem? - Fiquei surpresa com a sua pergunta e senti um nó em minha garganta se formar.

- Prometo. - E então sorri para a criança e voltei para dentro do Impala. A verdade era que eu não sabia o que aconteceria com a minha amiga dali para a frente. Mas, torcia que ela ficasse bem. 

- Vamos? - Sammy perguntou e eu concordei. Ninguém ousava falar nada, e o único som escutado era o do motor do carro e o choro baixo de Dean. Aquilo estava me doendo. 

- Eu estou bem, gente... - A voz de Milena assustou a todos no carro, o que fez Sammy frear bruscamente o Impala. Todos olharam para trás e encontramos Milena tentando se sentar. Não consegui segurar o choro de emoção ao vê-la viva. - Eu não vou deixá-los assim tão fácil. 

- Você tá viva. - Dean disse e então agarrou a menina ao seu lado em um abraço desesperado. Voltei a sentar normalmente no banco da frente e Sammy voltou a dirigir o Impala em direção ao hotel. 

Agora sim tudo estava bem. 

 

[LEIAM AS NOTAS FINAIS]


Notas Finais


O que acharam dessa caçada? Estão vivos para comentar? Espero que sim, pois a opinião de vocês é muito importante! Aliás, vocês que são fantasmas, apareçam ou eu irei caçá-los, a opinião de vocês vale muito para mim, e eu amo ler os comentários surtados de vocês kkkkk

Bom, estou correndo para as colinas porque sei que vocês querem me bater pelo que eu fiz com o Dean e a Mile, por favor, não me matem, no próximo capítulo tem uma surpresa que vocês irão amar, prometo!

Foi isso meus amores, descansem essa semana, porque semana que vem tem mais um caso para vocês! Espero que tenham gostado! Não esqueçam de deixar a opinião de vocês aqui embaixo!

P.S.: Quem quiser entrar no grupo do wpp, deixa o nome/apelido + número com DDD (o número tem que por separado, tipo: 1 2 3 4 5. Senão, não aparece).

P.S².: Acessem esses links aqui embaixo!!!!
LINK DA FANFIC DA AMIGA: https://spiritfanfics.com/historia/the-lover-of-two-brothers--supernatural-7143592 (leiam, ajudem ela xente)

LINK DA MINHA CONTA NO WATTPAD: https://www.wattpad.com/user/stilinskilz (me sigam lá)

LINK DA FANFIC NO WATTPAD: https://www.wattpad.com/story/91452211-ca%C3%A7adores-de-folclore (se quiserem ler lá, estou postando a fic lá também)


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