História Caçadores de Folclore - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Bobby Singer, Dean Winchester, Personagens Originais, Sam Winchester
Tags Bobby, Dean, Sam, Sammy, Spn, Supernatural, Winchester
Visualizações 370
Palavras 7.905
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Nota atualizada: 13/08/17

Oi oi meus caçadores, como vocês estão? Espero que bem! Bom, tô meio atrasada, confesso, mas aqui estou eu com mais uma capítulo para vocês. Estive muito ocupada ontem e hoje ajudando a minha mãe a preparar as coisas para os dias dos pais, mas agora dei uma escapadinha para trazer um capítulo novo para vocês.

Enfim, não sei se vocês leram o aviso que eu dei, mas eu trarei os capítulos velhos, atualizando eles porque assim eu manterei os comentários, já que o feedback de vocês estava baixíssimo e isso prejudica muito a história. Bom, por conta disso eu recomendo que vocês tirem o favorito e favoritem novamente, porque acho que assim vocês receberão a notificação de capítulo novo. Bom, essa foi a melhor escolha que eu tive, porque o feedback estava realmente baixíssimo e agora ele irá aumentar, porque vocês deixarão os comentários novos junto com os velhos.

Não vou mais enrolar, sem mais delongas, boa caçada!

P.S.: Capítulo revisado, mas sempre escapa algum erro, então me desculpem!

Capítulo 6 - Curupira do Século XXI


Fanfic / Fanfiction Caçadores de Folclore - Capítulo 6 - Curupira do Século XXI

P.O.V Gustavo

- Socorro, alguém me ajuda, por favor! – Rebecca gritou a plenos pulmões, sua voz preenchendo os vazios entre as árvores da floresta silenciosa. Um grito tão inútil e tão suplicante. A menina estava jogada no chão úmido de terra e se arrastava para longe de mim, incapaz de se levantar por conta da fraqueza que os machucados em suas pernas causavam.

Estávamos no meio da floresta, ninguém a escutaria dali, era perda de tempo e fôlego ficar gritando por socorro, mas parecia que a menina não percebia isso, e continuava o fazendo, incansavelmente. Mas eu sabia que ainda lhe restava um pingo de esperança, ela era sempre a última que morria, não é mesmo? Eu observava suas lágrimas escorrerem por seu rosto ferido e arroxeado por conta dos socos e tapas que lhe desferi.

- Por favor, me deixe ir, eu faço qualquer coisa, mas me deixe ir embora daqui! – A menina implorou por piedade, ajoelhada a minha frente, olhando para mim de forma suplicante, com as lágrimas ainda banhando seu rosto machucado. Eu apenas abri um sorriso maldoso para a menina que me encarava com medo.

Levantei-me de onde estava e caminhei até perto dela, agachando-me a sua frente. Agarrei seus cabelos com força e aproximei seu rosto do meu. Pude perceber um resquício de ódio em seus olhos, e fiquei surpreso com a coragem da menina por sentir isso. E esse mesmo ódio a fez cuspir em meu rosto o sangue que preenchia sua boca completamente machucada pelas agressões que fiz a ela a alguns minutos atrás.

- É assim que me pede piedade? Cuspindo em minha cara? Sua vagabunda! Como ainda tem coragem? – Perguntei com raiva, vendo o pouco da coragem sumir de seu rosto, sendo tomado por completo pelo medo, a deixando pálida e arrependida. – Você não tem medo da morte, porque se tivesse não faria isso! – Falei enquanto limpava o sangue de meu rosto.

- O que é você? Quem é você? – Rebecca perguntou com a voz falha e fraca. – Que tipo de monstro é você? Me deixe ir embora, por favor! – A menina já se demonstrava cansada por conta de toda a situação que eu havia feito ela passar.

- Pensei que me conhecesse, Rebecca. Até porque, todos me conhecem. – Falei sorrindo para a menina que parecia tentar lembrar de onde me conhecia, e eu não conseguia acreditar como ela pode ter esquecido. – Eu sou o Curupira. Um pouco moderno e com conceitos diferentes dos da lenda, mas ainda sim sou ele.

- Curupira? – Perguntou assustada, e eu soltei uma gargalhada alta e divertida. – O que você quer comigo? O que eu te fiz? – Perguntou confusa, tentando entender a situação que se passava com ela.

- O que você me fez? Sério mesmo que você não lembra? Ah, Rebecca, como você pode ser tão má? Você me humilhou na frente da nossa turma inteira, vai dizer que esqueceu da humilhação que você me fez passar? – Sussurrei friamente em seu ouvido, colocando toda a minha raiva naquelas palavras. – Eu te amava, Rebecca. E você fez aquilo comigo. Eu só queria uma chance. – Completei.

- Gus? – Perguntou desacreditada e eu apenas concordei, sorrindo maldoso para a menina a minha frente. O choro de Rebecca só me dava mais vontade de rir.

- Grave na sua mente a última imagem que você verá, a última cena que você terá de mim. E não se esqueça nunca mais. Eu te amei muito, Rebecca, e eu apenas queria uma única chance. – Falei.

- Não! Por favor! – Gritou em desespero e tentou fugir se debatendo no chão e me arranhando, deixando vergões em meus braços e rosto, e eu soube que teria trabalho para escondê-los. Suspirei fundo quando a senti agarrar meus cabelos e os puxar com força, provavelmente arrancando um tufo.

- Vadia! – Rosnei com ódio.

Fechei a mão em punho e soquei seu rosto com o máximo de força que eu consegui, fazendo a menina ficar desnorteada e mole, presa em meus braços. Soltei seu corpo completamente mole no chão fofo e repleto de folhas da floresta, o que ajudava a ocultar minhas pegadas, e desferi outros socos em seu rosto, e então ela desmaiou.

Caminhei até um saco preto com zíper que estava ao lado de uma corda, objetos necessários para o que eu faria em seguida com a menina. Coloquei o saco preto sobre o ombro após colocar o corpo desacordado de Rebecca ali dentro. E então eu entrei mais ainda na floresta, deixando para trás a minha marca registrada: as pegadas ao contrário.

P.O.V Sam

- Boa tarde! – Falei para Ju assim que entrei na sala, vendo que a menina estava estirada no sofá assistindo Bob Esponja que passava na televisão. – Não acha que está grandinha demais para ficar assistindo Bob Esponja? – Perguntei parando no batente da porta, segurando o riso com o lado infantil da mulher.

- Claro que não, Sammy! Não existe idade para assistir desenhos animados. Enquanto eles existirem, eu continuarei a assisti-los e então serei eternamente uma criança muito feliz. – Ju disse sem me olhar, não querendo parar de assistir seu desenho. Ri da menina e sai do cômodo repleto de uma áurea infantil.

Peguei os jornais que estavam na mesa da cozinha e um copo de suco e voltei para a sala. Sentei-me ao lado de Ju, colocando as pernas da menina sobre as minhas, então eu taquei os jornais em cima dela, finalmente chamando sua atenção para mim e fazendo ela parar de assistir seu desenho. Após resmungar muito por eu ter atrapalhado sua sessão infância, ela começou a ler os papéis em busca de algum caso para nós resolvermos.

Já estávamos há duas semanas de folga, e por mais que isso fosse muito bom, eu já estava começando a ficar agoniado por não ter o que fazer. Eu queria voltar à ativa logo, eu queria trabalhar. Mesmo sabendo que essas duas semanas ajudou muito na questão de nos aproximarmos das meninas, eu tinha em mente que trabalhando nós iríamos nos conhecer melhor e mais ainda. 

- Aqui, achei um possível caso para a gente... nossa, que horror! – Ju disse olhando para a folha de jornal e fazendo uma careta, a menina virou o jornal em minha direção e me mostrou a foto da vítima.

A cena do crime era claramente uma floresta, e havia o corpo de uma menina pendurada pelo pescoço em uma das árvores, o rosto completamente ferido, com manchas roxas, vermelhas e alguns outras cores estranhas, provavelmente pelo sufocamento causado pela corda. Haviam ferimentos por seu corpo também, indicando uma possível defesa por parte dela. Estava mais para suicídio do que para um caso nosso.

- O que te leva a pensar que isso pode ser um caso nosso? – Perguntei bebericando meu suco enquanto ainda olhava a foto exposta no jornal. Eu até mesmo estranhei eles terem mostrado aquilo sem uma censura básica, porque a foto era consideravelmente muito pesada para se mostrar assim. – Está parecendo suicídio para mim.

- A pergunta é: como você consegue ingerir algo vendo essa imagem horrível? Não dá vontade de vomitar não? – Ju perguntou fazendo careta em minha direção.

- Cala a boca, Ju! – Falei rindo da menina, que prontamente me ignorou e começou a ler a notícia para mim.

 

“Rebecca Almeida, 16 anos, aparentemente vítima de suicídio, é encontrada pendurada por uma corda dentro de uma floresta no Paraná. Os pais e colegas da menina afirmam que Rebecca era uma jovem normal e que não apresentava indícios de depressão ou alguma outra coisa que levasse ela ao suicídio”.

“O que descarta, completamente, a possibilidade de suicídio é o fato de que os peritos encontraram resquícios de pele por debaixo das unhas da vítima, o que leva a pensar que houve resistência por parte da mesma. Além disso, foram encontrados fios de cabelo ruivo em sua roupa, acrescentando uma característica ao assassino”.

“O que mais intriga as autoridades é que a pele encontrada não apresenta DNA humano, ou seja, não foi encontrando nenhum suspeito para o assassinato da jovem, deixando o caso ainda mais misterioso e sem solução aparente”.

 

- Isso com certeza é um caso para agente! – Mile disse, aparecendo do nada na sala, acompanhada de Dean, e assustando eu e Ju, o que me fez dar um pulinho no sofá e derramar o suco em minha blusa.

Resmunguei alguma coisa que foi completamente ignorada por eles. Os dois se sentaram no sofá de dois lugares, rindo da minha situação e me fazendo revirar os olhos com isso. Observei Mile se acomodar no sofá, colocando as pernas por cima das do Dean. Menina folgada. Joguei o jornal para Dean, e Mile começou a ler a notícia novamente. Dean prestava bastante atenção no que ela falava e por fim eu perguntei.

- O que acharam?

- Vamos para o Paraná. – Dean disse simplista.

P.O.V Mile

- Senhor e Senhora Almeida? – Perguntei assim que a porta foi aberta. Observei Dean e Sam colocarem seus aparelhos tradutores no ouvido e então eu me vi pronta para começar o interrogatório. – Sou a detetive Monteiro e esses são meus parceiros, detetive Prado e os peritos Winchester. Viemos investigar a morte da filha de vocês.

- Nós pensamos que a polícia havia deixando esse caso de lado, já que eles falaram para nós dois que não havia solução para esse caso e que seria tempo perdido. – A mulher disse deixando claro um pouco da mágoa que gerou dentro dela.

- Mas nós somos diferentes. E até que achemos o assassino de sua filha, não iremos sossegar. – Falei com bastante confiança.

- Podemos fazer algumas perguntas? – Ju pediu e eles concordaram, nos deixando entrar. Sentamo-nos no sofá, de frente para eles. Ao lado, em uma mesinha de canto, haviam buquês de flores diversas, e alguns cartões, provavelmente pêsames e solidariedade à família. Ao meu ver, meras e vazias palavras, pura educação forçada.

- Como era a relação de sua filha com vocês ou até mesmo com os colegas na escola? – Dean perguntou me fazendo voltar ao foco da investigação, deixando de lado as flores e cartões. Ju traduziu a pergunta do Winchester mais velho.

Durante uma das conversas na casa do Rio, chegamos a alguns acordos, e deixar os meninos participarem dos interrogatórios com as pessoas próximas as vítimas era um deles, e óbvio, seríamos as tradutoras para aqueles que não entendiam a língua natal dos irmãos. E esse era o nosso primeiro teste, nossa primeira experiência.

- Era normal. Rebecca sempre foi muito calma e simpática, sempre sorrindo e conversando, sempre rodeada de amigos. Todos amavam ela. E era a mesma coisa dentro de casa, na maior parte do tempo ficava dentro de seu quarto lendo livros, mexendo no computador ou no celular. Uma adolescente como outra qualquer. – A mãe descreveu saudosa e com indício de que iria começar a chorar.

- Rebecca tinha algum namorado ou algum afeto? – Ju perguntou.

- Não que nós saibamos. Se tinha, escondia. – O pai disse. Eu o achei calmo demais com a situação, provavelmente outros parentes os haviam entupidos de remédios calmantes para que eles lidassem com a perda da filha.

- Algum inimigo? Ou então, uma mudança repentina de comportamento? Algo que tenha chamado atenção de vocês na semana que antecedeu a sua morte. – Sam perguntou e logo sendo traduzido por mim.

- Não, como falamos, Becca era uma menina calma. Nunca arrumou problemas ao ponto de ter inimigos ou algum desafeto passageiro. – A mãe disse com certeza em suas palavras. Percebi seus olhos marejarem e ela levar um lenço aos olhos, secando um indício de choro. – Por favor, eu imploro, achem o monstro que tirou a vida da nossa menina.

- Nós faremos o possível, prometemos. – Falei segurando as mãos trêmulas de uma mãe que aparentava desespero. Eu sabia o que ela estava sentindo, mas comigo foi ao contrário, e eu havia perdido meu pai. – Obrigada pelo tempo que nos deu, e pelas respostas. Foram de extrema importância para a nossa investigação.

- Estaremos aqui para o que precisar. – O pai respondeu.

- Desculpem pelo incomodo, mas posso fazer uma última pergunta. É importante. – Pedi já do lado de fora da casa. – Podem nos indicar alguém que conheça sua filha tão bem quanto vocês, ou até melhor? Uma amizade, talvez. – Pedi e eles pareceram pensar um pouco em que poderia nos indicar.

- Sim, ela era muito amiga das gêmeas Yabushita. Elas andavam para cima e para baixo com a Becca, estudavam juntas desde sempre, e faziam tudo juntas, e tudo mais. Há essa hora elas devem estar em aula. – A mãe explicou.

- Caso queiram questioná-las, elas estudam no Colégio Betânia. – O pai completou. Agradeci pela indicação e me despedi dos pais.

- Nada melhor para descobrir algo sobre algum adolescente do que amizades e, óbvio, celulares. – Dean disse após entrarmos no Impala.

P.O.V Dean

- Boa tarde, sou a Detetive Prado e esses sãos meus companheiros, Detetive Monteiro e peritos Winchester. – Ju nos apresentou na portaria do colégio Betânia. Nós quatro apresentamos nossos distintivos ao porteiro. Havíamos decidido vir até o colégio para tentar conversar com as gêmeas, e não perdemos tempo, viemos da casa de Becca direto para cá. – Queremos falar com a diretora. Ela está?

- Sim, por favor, queiram me acompanhar até a diretoria. – O porteiro respondeu simpaticamente, nos guiando pela imensa escola. Acompanhamos ele até a diretoria onde fomos recebidos pela própria diretora.

- Boa tarde, sou a diretora Mirela. Em que posso ajudá-los? – Perguntou de forma educada e simpática, nos indicando as cadeiras a frente de sua mesa. As meninas se sentaram e eu e Sammy ficamos parados em pé atrás delas.

- Viemos investigar a morte de uma de suas alunas, Rebecca Almeida. – Milena disse com um ar sério e formal. – Fomos informados pelos pais da vítima que duas de suas alunas eram muito amigas da vítima, e queremos interrogá-las, porém, precisamos da autorização da senhora.

- Por mim vocês iriam lá agora, o que eu mais quero é saber quem fez essa barbaridade com a Rebecca, mas, primeiro eu terei que informa os pais das meninas. Apesar de estarem sob minha responsabilidade, ainda são menores de idade e eu preciso da autorização deles. Esperem um minuto. – Mirela pediu e logo tirou do gancho o telefone e discou rapidamente um número. Ela trocou algumas palavras com as pessoas no telefone e logo finalizou a chamada com um sorriso.

- Eles permitiram? – Ju perguntou ansiosa pela resposta.

- Sim, eles falaram que se for para ajudar na investigação da morte de Rebecca as meninas estarão liberadas a hora que vocês precisarem. – Mirela respondeu de forma animada e nós quatros suspiramos aliviados. – Queiram me acompanhar até a sala delas, por favor.

Mirela se pôs de pé, caminhando conosco pelos corredores de sua escola, trocando algumas palavras sobre sua ex-aluna, Rebecca Almeida. E como os pais da menina haviam dito, a diretora afirmou que Rebecca nunca havia tido nenhum problema sério na escola e sempre se demonstrou uma ótima aluna, com notas boas, sempre calma e simpática com seus amigos. Todos gostavam dela!

- Aqui é a sala delas, fiquem à vontade! Qualquer coisa é só ir até a direção e eu estarei lá para responder qualquer coisa. – Mirela respondeu e nós agradecemos, sorrindo simpáticos para a diretora que nos deu as costas e voltou para a sua sala.

- Com licença. – Falei após bater com os nós dos dedos na porta da classe onde as próximas interrogadas estavam tendo aula. Abri a porta e observei a turma concentrada a aula, mas assim que minha voz se fez presente todas as cabeças viraram em minha direção. – Desculpe interromper a aula de vocês... – Comentei.

- Sim? – A professora, que por sinal era muito gata, interrompeu a aula e olhou em minha direção. Meu olhar desceu por todo o seu corpo, mas eu logo procurei me concentrar no caso que tinha que resolver.

- Perito Winchester. Queremos interrogar as irmãs Yabushita sobre a morte de Rebecca Almeida, os pais já nos deram autorização para isso. – Falei voltando a observar a classe, que estava completamente quieta, e vi duas meninas levantem as cabeças, que antes estavam sob o caderno, provavelmente dormindo. Pelo visto a aula da professora estava uma chatice.

- Claro. Meninas, estão liberadas. – A professora disse me olhando de cima a baixo, ignorando as meninas. Observei as gêmeas levantarem de suas carteiras e arrumarem seus materiais e caminharem até o lado de fora da sala, sendo acompanhadas da professora bonita. – Se precisar de alguma coisa estarei à sua disposição, perito Winchester. – Disse me olhando de cima a baixo.

- Qualquer informação é bem-vinda. – Falei entregando um cartão com meu número escrito na parte de atrás dele.

Eu sempre tinha um cartão desses nos bolsos, vai que eu encontro alguma mulher bonita como ela durante os casos que eu resolvia por aí. A professora piscou para mim, sorrindo maliciosa e aceitando o cartão de bom grado e voltou para dentro da sala de aula. Obviamente, quase quebrando os quadris de tanto que rebolava.

- Foco no trabalho, Winchester. – Mile disse com um tom sério. Seus olhos estavam sem nenhuma emoção ou brilho, tinham um ar diferente do que eu já estava acostumado a ver em seus olhos doces de Mile. Olhei para as gêmeas e elas encaravam a professora com uma careta estranha, e eu me segurei para não rir disso.

- Em que podemos ajudá-los? – A gêmea de franjinha perguntou, voltando a nos encarar e deixando a professora de lado. Ao parar para observá-las, agradeci por não serem idênticas, o que facilitaria meu trabalho em diferenciá-las.

- Queremos fazer algumas perguntas a vocês sobre a Rebecca. Soubemos que vocês eram grandes amigas e não se desgrudavam. Talvez vocês possam nos ajudar muito nessa investigação. – Mile informou e as meninas concordaram.

- Pensamos que a investigação havia sido arquivada... – A outra gêmea disse e eu suspirei.

- Sim, mas agora estamos aqui e reabrimos a investigação e não iremos sossegar até encontrar quem fez isso com a amiga de vocês. – Sammy respondeu e eu pude ver as meninas sorrirem um pouco mais aliviadas. – Vamos para um lugar mais privado.

- Qual o nome de vocês? – Ju perguntou.

- Sou a Amanda, e ela é a Letícia. – Uma delas respondeu e nós apenas concordamos.

Saímos dos corredores da escola, caminhando lentamente por eles até o lado de fora do colégio. Pelo que havíamos percebido o campus do colégio era enorme, com muitas árvores, o que facilitava o nosso trabalho em questão de interrogatórios mais privados. Caminhamos por entre as árvores até chegar em um local onde haviam alguns brinquedos de praça, sentamos em um dos banquinhos que havia ali e começamos nossas perguntas.

- Sabemos que uma das melhores fontes de informação de um adolescente, depois do celular, são suas amizades. Vocês têm esse costume de contar segredos um para os outros, e então decidimos vir atrás de vocês a pedido dos pais de Rebecca. – Milena começou e elas concordaram.

- Então, queremos que vocês nos digam qualquer coisa estranha e fora dos padrões que aconteceu com Rebecca nos últimos dias, qualquer coisa mesmo. Isso é importante. – Pedi e elas concordaram novamente.

- Becca estava muito agitada e estressada nesses últimos dias. Aparentemente, estava normal, não demonstrava isso para as pessoas a sua volta. Mas, somos as melhores amigas dela, conhecemos Rebecca até do avesso, e reparamos nas suas mudanças. E esse tipo de comportamento não era normal na Becca. – Amanda começou.

- Entendo! Vocês saberiam nos dizer se há algum suspeito que possa ter feito isso com a amiga de vocês? – Sam perguntou e elas pareceram ficar agitadas, inquietas, mas com medo de acusar alguém sem provas. – Não precisam ter medo, nada irá acontecer a vocês, estamos aqui para protegê-las se for preciso.

- Ela andava reclamando muito do Gustavo, um menino da nossa classe que é completamente apaixonado por ela, dizia que a estava perturbando diariamente, querendo ter algo sério, a pressionando muito para isso. Porém, ela não queria nada com ele, e essa insistência estava estressado ela. – Letícia disse receosa, mas muito esclarecedora.

- Ele insistiu tanto, que até nós, que não tínhamos nada a ver com isso, estávamos sendo atingidas por essa reação "possessiva" dele para com a Rebecca. Estávamos ficando tão estressada e agitadas quanto a própria Becca, que era o alvo de tudo isso. – Amanda disse. – Até o ponto em que ela, literalmente, explodiu.

- Como assim, explodiu? – Ju perguntou.

- Becca chegou ao seu limite e humilhou o Gus na frente da turma toda, dizendo que não queria nada com ele e que nunca teria nada com ele, porque ela não gostava dele como ele gostava dela. Pediu para que ele a deixasse em paz de uma vez por todas e parasse de persegui-la como ele vinha fazendo nos últimos dias. E então... – Amanda parou de falar. Elas pareciam ter medo de continuar.

- E então ela sumiu e apareceu morta. – Completei e elas concordaram em silêncio. – Obrigado meninas, o que vocês falaram foi muito esclarecedor e nos ajudará muito nas investigações da morte da amiga de vocês. Podem voltar para a aula.

- Aliás, tudo o que foi falado aqui deve ser mantido em sigilo absoluto e qualquer coisa nos ligue. Qualquer coisa mesmo. – Mile disse entregando um cartão às meninas e dando um pouco mais de ênfase a última frase. – Como Sammy disse, estamos aqui para protegê-las se for preciso.

- Temos um suspeito. – Falei assim que as meninas se retiraram, caminhando de volta para a aula delas. – Já é um grande passo para a investigação.

- Sim, mas por hoje é só. Mal chegamos e nem tivemos descanso ainda. Vamos ao hotel. – Ju disse e todos concordaram. Passamos na sala da diretora para informa que já havíamos conversado com as meninas e então voltamos para o Impala.

P.O.V Letícia

- Mands, você acha que fizemos o certo em contar aquilo para os detetives? – Perguntei enquanto mexia nervosamente em uma mecha do meu cabelo. Percebi que fazia essa pergunta a cada cinco minutos durante todo o caminho da nossa casa até a sorveteria e, provavelmente, isso já estava irritando a minha gêmea.

- Let, você vai enlouquecer se continuar pensando nisso. – Mands disse revirando os olhos, me fazendo suspirar. Empurrei a porta de vidro dupla do estabelecimento e caminhei junto de minha irmã até o balcão. Fizemos nossos pedidos e nos sentamos em uma mesa para comermos.

- Eu só estou preocupada, Mands. – Comentei olhando para o meu sorvete.

- Eu sei, mas não precisa, não vai acontecer nada com a gente. Ok? – Minha irmã respondeu e eu olhei para ela, ainda insatisfeita com a sua resposta.

- Eu só... esquece. – Falei enfiando uma colherada de sorvete na boca e desistindo de prolongar aquele assunto que não parava de me intrigar desde o momento em que deixamos aqueles detetives no colégio.

- Você acha que foi errado acusar o Gus sem provas. Certo? – Mands constatou e eu apenas concordei, enfiando outra colher de sorvete na boca e tentando esquecer esse assunto por um momento. – Relaxa, as autoridades irão fazer o que é certo, e eles falaram que irão nos proteger. Agora coma seu sorvete, não podemos demorar, já é noite.

Suspirei mais uma vez, e mesmo com esse aviso de que eles nos protegeriam se algo acontecesse, meu coração ainda batia por culpa e medo. Eu sentia um nó se formar em minha garganta e uma vontade enorme de chorar crescer. Uma sensação ruim crescia em meu peito a cada minuto que passava, como se algo de ruim iria acontecer a qualquer momento. Mas, mesmo assim, eu comi meu sorvete como minha irmã pediu.

Eu só queria voltar para casa viva e bem.

[...]

- Que horas são, Mands? Eu deixei meu celular em casa. – Perguntei e vi minha irmã procurar o celular nos bolsos da calça, mas logo me olhar assustada.

- Acho que esqueci o celular na sorveteria. Espere aqui e eu já volto, vou lá buscar. É rápido, prometo! – Mands disse e antes que eu pudesse protestar o fato de ficar sozinha à noite em uma rua deserta, ela já estava correndo em direção a sorveteria que ficava no fim da rua, me deixando sozinha ali.

- Merda! – Falei apertando o casaco contra meu corpo a fim de me esquentar do frio congelante que estava fazendo hoje à noite. Olhei em volta e nenhuma alma viva se fazia presente na rua, exceto por mim. Estava tudo escuro demais e frio demais, deixando a rua mal iluminada um pouco macabra. – Anda logo, Mands...

- Então quer dizer que as gêmeas me entregaram de bandeja como principal suspeito do assassinato de Becca para as autoridades? – Uma voz perguntou de trás de uma árvore, procurei desesperada pelo autor. E então de lá saiu quem deveria ser o Gustavo, mas ele estava completamente diferente.

Seus cabelos ruivos estavam desgrenhados e vermelhos, mais do que o normal, e sua pele, que deveria ser branca, agora era verde, como folha. Seus olhos eram maldosos e seu sorriso, repleto de dentes afiados, era maníaco. E o mais estranho... seus pés estavam virados para trás. Como uma deficiência. O que havia acontecido com o Gustavo que eu conhecia?

Recuei assustada com a imagem a minha frente e ele me seguia lentamente. Recuei tanto que por fim cai sentada em um banco. Gustavo se aproximou lentamente de mim e eu queria falar algo, gritar por socorro, mas minha voz parecia ter sumido, como se eu tivesse desaprendido a falar de uma hora para a outra. Ele sorria assustadoramente para mim e parecia que meu coração ia sair pela boca.

- Gus-Gustavo? – Gaguejei de uma forma humilhante, finalmente conseguindo falar algo, porém, algo que não me ajudava em nada. Ele estava próximo demais, dava para ver cada detalhe de seu rosto verde. Aquilo na minha frente não podia ser o Gustavo, não mesmo! Aquilo era um monstro!

- Si-Sim! – Ele me imitou com deboche, gargalhando em seguida. – Que tal um passeio pela floresta, em Letícia? – Perguntou e antes que eu pudesse reagir ou falar alguma coisa, o monstro a minha frente desferiu um golpe extremamente forte em meu rosto, fazendo minha cabeça tombar para trás e bater no banco com força.

E, não sei se foi o golpe, mas acho que o desespero ajudou no meu desmaio.

P.O.V Mile

- Cadê o Dean? – Perguntei entrando no quarto de Sam e o encontrando sozinho no meio de um monte de livros e recortes de papel. Provavelmente estava lendo algo sobre o caso e tentando encontrar mais alguma coisa que nos ajudasse.

- A professora ligou para ele, e bom, e ele foi... colher informações. Se é que você me entende. – Sam disse segurando o riso e eu balancei a cabeça de um lado para o outro, desacredita que o Dean realmente havia deixado o irmão sozinho para sair com a professora.

- É claro. – Falei revirando os olhos e suspirando com a situação. – Vou dar uma volta por aí, se a Juliana acordar avise a ela que não precisa mandar o FBI atrás de mim, eu sei me cuidar. – Falei fazendo o menino rir do meu exagero.

Saí de seu quarto e caminhei pelo corredor do hotel enquanto girava a chave do Jeep em meus dedos. Desci dois lances de escadas enquanto assobiava alguma música do Bon Jovi, e, por fim, sai do hotel. Assim que entrei no Jeep meu celular começou a tocar. Número desconhecido, e mesmo estranhando eu atendi a chamada.

 

[Ligação ON]

- Alô? – Perguntei em dúvida.

- Detetive Monteiro? Aqui é Amanda, lembra de mim? Uma das gêmeas que vocês interrogaram hoje mais cedo. – A menina falava de forma apressada e receosa, e eu logo estranhei seu comportamento.

- Claro que eu lembro, aconteceu algo com vocês? Ou então vocês esqueceram de nos contar alguma coisa? – Perguntei preocupada com a ligação repentina da menina.

- Sim, aconteceu algo. A minha irmã sumiu, detetive. – A menina disse e eu pude escutar um soluço. Senti meu coração afundar dentro do meu peito, se apertando de preocupação. – Eu preciso de ajuda. Eu não sei o que fazer, por favor, me ajude!

- Onde você está? – Perguntei. – Estou indo para aí imediatamente, se esconda e não faça barulho nenhum, entendeu? Se proteja e se for preciso corra para algum lugar! – Completei e esperei a menina me dar o endereço.

[Ligação OFF]

[...]

Estacionei o Jeep no acostamento da rua indicada por Amanda, o local estava completamente deserto e escuro, sem uma alma viva na rua, o que só me deixava preocupada. Desci do carro e estranhei não ver Amanda onde estava combinado de nos encontrarmos. Procurei a menina pelas redondezas, usando a lanterna para isso, mas, infelizmente, nenhum sinal da mesma. Eu estava extremamente preocupada.

- Amanda! – Chamei por uma das gêmeas e nenhuma resposta. Caminhei um pouco mais e então eu parei ao avistar um celular jogado no chão, com a tela trincada e algumas rachaduras em sua estrutura. Abaixei e peguei o aparelho do chão. Na tela havia uma mensagem enviada há exatos dez minutos. Era Amanda perguntando onde estava a irmã.

Perto do celular eu pude notar algumas gotas de sangue. Toquei o líquido com meu dedo e percebi que ainda estava quente e fresco, o que indicava que havia acontecido algo com Amanda. Olhei para dentro da floresta ao meu lado, seguindo o rastro do sangue, e então o desespero tomou conta de mim. E em seguida um grito perturbador que me fez, imediatamente, correr para dentro da floresta.

- Socorro! – Mais um grito, cada vez mais alto. O som ecoava por toda a floresta, preenchendo os espaços entre as árvores, deixando a cena ainda mais assustadora do que já era. Tirei a minha arma da cintura, preparando a mesma para qualquer ataque, e apressei ainda mais meus passos. Eu não podia deixar que nada acontece com elas, havíamos dito que as protegeria se fosse preciso.

- Amanda! Letícia! – Continuei gritando, na esperança de uma das duas me responder. Parei de correr, olhando para todos os lados e tentando identificar de onde vinha os gritos. E então mais um grito foi escutado, me ajudando na localização e eu segui o som.

- Detetive? – Escutei a voz de Amanda chamar assim que cheguei a uma clareira. Ela estava presa a uma árvore e ao seu lado estava sua gêmea. Letícia se encontrava da mesma forma, porém, desacordada e mais machucada que a irmã. – Como você chegou aqui? Você precisa sair daqui. Ele fugiu, mas pode voltar a qualquer momento.

- Você gritou por socorro, e eu vim te ajudar. – Expliquei o óbvio, confusa com a fala da menina.

- Não, eu não gritei em momento nenhum, não fui eu, detetive. Ele que gritou. – Amanda disse e eu engoli em seco. Era uma armadilha e eu havia caído igual a uma idiota no joguinho dele.

- Não importa quem gritou, agora eu estou aqui, apenas fique quieta. Antes eu presa com ele do que vocês. – Falei enquanto cortava as cordas que prendiam seu corpo e o de sua irmã às árvores. Segurei Letícia para que ela não caísse e a entreguei a irmã. – Tome essa faca para se proteger caso algo aconteça. Saía daqui e chame ajuda. Meus parceiros estão hospedados em um hotel perto da escola, acho que é o único de lá. – Falei e ela concordou, pegando a faca da minha mão.

- Eu sei qual é, irei até lá. Tome cuidado, detetive, ele é perigoso demais. – Amanda disse enquanto ajeitava a irmã ao seu lado. Eu apenas concordei e observei a menina sair dali o mais rápido que conseguia. Mancando de uma perna, segurando a faca, e ainda carregando o peso de sua irmã desacordada.

- Que tudo dê certo com elas! – Sussurrei para o nada e respirei fundo. – Agora o assunto é comigo. Apareça! – Gritei a plenos pulmões, querendo chamar a atenção do monstro. Preparei minha arma, apontando ela para todo lugar. A adrenalina e o medo corriam juntos por minhas veias, e isso me motivava.

Eu olhava tudo a minha volta, prestando atenção em qualquer movimento suspeito ou em qualquer barulho. Eu ouvia ele andando pelas folhas, caminhava lentamente, me observando. Rindo debochado e produzindo sons animalescos. Aquilo me irritava. Eu não sabia onde ele estava. Parecia estar em todo lugar. E a pergunta era: o que ele é?

- Tudo bem, como queira, agora o assunto é entre nós dois. Espero que goste da minha hospitalidade, Detetive Monteiro. – A voz disse e então uma pancada muito forte foi sentida na minha cabeça e eu caí desacordada no chão, inútil e sem qualquer chance de revidar ao ataque que veio tão facilmente.

Pelo menos eu me sentia mais aliviada por ter conseguida tirar o foco deles das gêmeas, que poderiam sair dali sem correr risco e chamar ajuda.

P.O.V Sam

- Sam, posso entrar? – Ju pediu após bater na porta do quarto. Eram três horas da manhã, eu estava dormindo, porque ela não estava também? Já era tarde! O que ela queria comigo a essa hora da madrugada?

- Claro que pode, Ju, entra... – Falei me sentando na cama.

Esfreguei os olhos para espantar um pouco do sono que eu sentia e taquei com força um travesseiro em Dean, que já estava no quinto sono na cama ao lado, assustando e acordando ele para uma ressaca forte. Há algumas horas ele havia chegado do encontro com a professora, cambaleando pelo quarto até cair na cama, rapidamente caindo em um sono profundo.

- Você sabe onde a Mile está? Estou ficando preocupada. – Perguntou se sentando na ponta da cama ao meu lado. A menina estava claramente com sono, mas parecia não conseguir dormir. E eu estranhei a pergunta da menina.

- Ué, ela ainda não voltou? – Perguntei e Ju negou. – Ela disse que ia apenas dar uma volta por aí, que não iria demorar, pensei que já tivesse voltado.

- Não, ela não voltou. E não atende o celular. – Falou enquanto mexia na barra de sua blusa. Observei Ju verificar o celular, procurando uma notícia da amiga, e sabia que aquela devia ser a milésima vez que ela estava fazendo isso. – Estou preocupada. Mile não é de sumir dessa forma.

- Ela deve voltar daqui a pouco, não precisa se preocupar, Ju. Mile é adulta, ela sabe se cuidar. – Dean disse tentando tranquilizar Juliana que apenas sorriu fraco para ele e voltou a verificar o celular.

E então ouvimos três batidas na porta do quarto, chamando a nossa atenção e nos fazendo ficar alertas. Juliana foi a primeira a levantar, correndo na direção da porta na esperança de encontrar sua amiga do outro lado da porta. Mas suas esperanças foram por água a baixo ao abrir a porta e ver que quem estava parada ali era Amanda, carregando sua irmã gêmea desacordada. E ambas muito machucadas.

- Amanda? – Dean estranhou a presença das duas a essa hora da madrugada, e eu comecei a perceber que tudo estava estranho demais nessa noite. Eu e ele corremos em sua direção, ajudando a menina a carregar sua irmã e trazendo as duas para dentro do quarto. Ajudei Dean a deitar Letícia em sua cama.

- Me desculpem, eu não queria que isso tivesse acontecesse com ela. Eu disse que ele era perigoso, mas ela não me escutou e continuou lá para confrontá-lo. Eu entendo que ela só queria nos ajudar, eu esperei ela voltar, esperei muito, mas ela não voltou. Eu sinto muito. – Amanda falou em meio às lágrimas e soluços, se enrolando em meio as palavras que tentava dizer, nos deixando confusos.

- Do que você está falando? Amanda, respira fundo e se acalma. Me diz o que está acontecendo! – Ju perguntou segurando os ombros de Amanda, olhando para a menina assustada. – Do que você está falando?! – Gritou enquanto sacudia brutalmente a menina que só sabia chorar cada vez mais.

- A detetive Monteiro foi raptada. – Amanda disse por fim. Ju parou de sacudi-la e olhou para a menina. Aproximei-me de Ju e abracei ao vê-la começar a chorar em desespero pelo sumiço de sua amiga.

[...]

- Sua irmã ficará bem, e você também, eu fiz o meu máximo com os seus machucados. Agora você precisa nos ajudar a encontra a Mile. Tudo bem? – Falei finalizando os curativos que fazia na menina enquanto Dean e Ju ajudavam Letícia, que ainda estava desacordada na cama do meu irmão.

- Faço e falo tudo o que vocês precisarem para encontrá-la. Ela salvou a nossa vida e eu serei eternamente grata por isso. – Amanda disse ainda chorando, porém, com menos intensidade.

- Descreva detalhadamente a aparência dele para a gente – Ju pediu já abrindo o PC. Eu havia conseguido acalmar ela também, falando que faria o possível e o impossível para tirar Milena dessa, e então a menina se acalmou e pediu desculpa a Amanda.

- Ele tem os cabelos ruivos, a pele verde e os pés virados para trás. Seus olhos são frios e reptilianos, como uma cobra. E seus dentes, extremamente afiados. As unhas sujas e quebradas. – Amanda se esforçou ao máximo para descrevê-lo, eu sentia que ela tentava mesmo ajudar nós três nesse caso.

- Espera... você disse que os pés dele são virados para trás? – Juliana disse largando o PC imediatamente e olhando para Amanda que apenas concordou. Juliana estava assustada e surpresa e eu sentia que ela conhecia o monstro que Amanda descrevia.

- Você conhece esse monstro, Ju? – Dean perguntou e Ju concordou.

- Curupira. – Juliana e Amanda falaram juntas, em uníssono.

- Cadê os livros sobre folclore? – Ju pediu e eu corri para pegá-los dentro das nossas bolsas. Entreguei um para cada, até mesmo para Amanda, e todos começaram a abrir seus livros. – Achem qualquer informação sobre como matar um Curupira. Entenderam?

- Sim. – Amanda disse e começou a folhear o livro.

P.O.V Ju

- Achei! – Amanda gritou após ler o terceiro livro sobre folclore. Larguei o livro que estava lendo e esperei a menina começar a ler o que havia achado.

 

“O curupira é representado por um menino de cabelos vermelhos, pele verde, e com os pés virados para trás, que fazem se perder aqueles que o perseguem pelos rastros. Monta em um porco-do-mato. Quando alguém desaparece nas matas, muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira. Diz-se que é muito poderoso e forte”.

“Para atrair suas vítimas, ele, às vezes chama as pessoas com gritos que imitam a voz humana. Para quebrar o encanto, deve fazer três cruzes com gravetos e colocá-las no chão em forma de triângulo”.

“Para matar o Curupira, deve-se cravar em seu peito o dente de um porco-do-mato, seu símbolo. E em seguida pendurar o Curupira pelo pescoço em uma árvore, como é feito com suas vítimas”.

 

- Tudo bem. Onde achamos um dente de porco-do-mato? – Dean perguntou um tanto desesperado para achar um item tão incomum.

- Meu avô... – Letícia disse com a voz sonolenta, acordando, finalmente, de seu desmaio. A menina sentou-se na cama, gemendo de dor, e se pôs a falar. – Ele caçava porco-do-mato. E uma vez ele guardou o dente de um, como prêmio de caça.

- Vocês podem nos trazer ele? – Pedi e elas concordaram veementemente. Ajudamos Letícia a ficar de pé e então levamos elas até o Impala e então saímos do hotel, e eu dirigi o mais rápido que conseguia em direção a casa delas.

- Qualquer notícia, nós ligamos para vocês. Boa sorte com seus pais. E obrigado pelo dente de porco-do-mato. – Falei.

Nós resolvemos que seria melhor deixar as meninas em casa, sã e salvas e bem longe do curupira, e foi o que fizemos. Caminhei de volta para o Impala e observei Amanda ajudar sua irmã a entrar em casa, e logo que bateram na porta seus pais apareceram desesperado. A mãe chorava e abraça as filhas. E então elas entraram.

- Temos tudo? – Perguntei.

- Dente de porco-do-mato. Corda. Arma. Faca. Gravetos. – Sam disse o que estava anotado no bloquinho. – Acho que sim. Prontos? Vamos resgatar a Mile.

[...]

- Ali, o Jeep. – Falei apontando para o carro estacionado no acostamento da rua. Estacionamos em frente a ele e pegamos tudo que iriamos usar. Descemos do Impala e nos aproximamos do Jeep.

- Vamos? Coloquem gravetos no chão durante o caminho. Por precaução. – Sammy disse entregando para mim e para Dean um punhado generoso de gravetos que colhemos no quintal das gêmeas antes de virmos embora.

- Vejam, as pegadas vão em direção ao Jeep. – Dean disse. – Então vamos segui-las ao contrário. – Dean disse apontando para dentro da floresta.

Respiramos fundo e entramos na floresta. Ainda estava escuro e por causa disso usávamos lanternas para iluminar o caminho. A cada barulho eu olhava e apontava a arma, com medo de ser o Curupira. Até que depois de tanto andar pela floresta e colocar gravetos em forma de triângulos no chão. Encontramos a Mile.

- Mile! – Chamei e minha amiga olhou para mim. Seu rosto estava horrivelmente machucado e sujo do seu próprio sangue. Corri em sua direção, agachando a sua frente e tocando de leve seu rosto. – Meu Deus... – Falei segurando as lágrimas ao ver minha amiga naquela situação.

- Vocês demoraram muito... – A menina comentou com a voz fraca.

- Me desculpe por isso, estávamos procurando alguma forma de matá-lo. Mas, agora estamos aqui e vamos te ajudar. – Expliquei e a minha amiga apenas concordou e abriu um sorriso fraco em minha direção. Ela estava tão machucada!

- Ele voltará a qualquer momento. Sejam rápidos. – Mile disse e eu apenas concordei. Me apressei em cortar as cordas que a prendiam na árvore e a sentei no chão, de forma que ela ficasse confortável. E então eu fiquei de pé, me juntando ao meu grupo.

- Foi o que eu pensei. – O Curupira disse aparecendo de trás de uma outra árvore, sorrindo maldoso para o nosso grupo. Suas mãos estavam sujas de sangue e machucadas também. Provavelmente Mile havia lutado contra ele. Observei Dean ficar na frente de Milena, protegendo-a de qualquer ataque.

- Foi o que eu pensei também. – Sam disse aparecendo atrás dele e batendo com muita força em sua cabeça com um pedaço de galho que ele achou. Porém, o Curupira apenas cambaleou e caiu de joelhos nas folhas, um pouco tonto, mas logo se levantou, indo na direção de Sammy e socando com força o rosto do Winchester, fazendo ele cair de costas.

Dean veio eu sua direção, deixando Mile sozinha por um momento e fez um corte em suas costas com a faca que carregava em mãos. O monstro soltou um grito alto, e se virou na direção de Dean e fez a mesma coisa que fez em Sam, socou Dean e lhe deu um chute na barriga, fazendo o Winchester mais velho bater contra uma árvore e cair sentado.

Agora, de alguma forma, e até que os meninos se recuperasse, era apenas eu e o Curupira, e eu precisava fazer alguma coisa ou então tudo iria por água a baixo. Corri na direção do Curupira, fazendo uma coisa bem imbecil, mas que funcionou por um momento. Eu pulei nas costas do monstro, caindo com ele no chão. Girei para o lado, na tentativa de me distanciar dele, mas senti golpes serem desferidos em meu rosto.

Me defendi, segurando seus braços e fazendo máximo de força que eu conseguia para manter suas mãos longes de mim. Eu rezava para que algum dos meninos tivesse se recuperado do golpe e enfiasse aquele maldito dente no peito desse monstro, e acabasse de vez com isso. E foi o que aconteceu. Vi o objeto atravessar seu peito e uma gosma verde sair de sua boca, caindo sobre minha roupa. Seus olhos ficaram completamente brancos.

- Isso é pelas meninas e principalmente pela Milena, seu monstro desgraçado. – A voz de Dean se fez presente, e tinha tanto ódio nela que até eu fiquei surpresa, e então ele tirou o Curupira de cima de mim e eu pude finalmente suspirar aliviada.

Me levantei com um pouco de dificuldade e olhei Sam envolver o pescoço do monstro com a corda que havíamos trago. Amarrou uma pedra na outra extremidade da corda e tacou por cima de um galho. E junto com Dean, ele puxou a corda, erguendo o corpo quase morto do Curupira, que ainda se debateu tentando se soltar, mas depois de alguns minutos ele cessou os movimentos e morreu.

Sam correu em minha direção, olhando para ver se tudo estava bem comigo e eu apenas sorri, dizendo que ele não precisava se preocupar comigo, e Dean pegou Mile no colo e juntos nós saímos da floresta. Sam veio comigo no Jeep e Dean colocou Mile no Impala e assim fomos embora para o hotel.

P.O.V Mile

- Vocês foram muito corajosas, meninas. – Falei para as gêmeas uma semana depois do acontecido. Eu já estava melhor, havíamos ficado no hotel até que eu melhorasse, e elas vieram me visitar e ver como estávamos.

- Você também. Agora, se cuidem e tenham uma boa viagem de volta para casa. – Letícia disse sorrindo para nós quarto. – E obrigada por salvarem as nossas vidas.

- Não precisa agradecer, é o nosso trabalho! Se cuidem também. Qualquer coisa pode nos ligar. – Respondi entrando no Impala. Amanda e Letícia acenaram para o Impala e o Jeep que já se distanciavam rapidamente delas. Respirei fundo e me acomodei melhor no banco ao lado de Dean.

- Como foi com a professora? – Perguntei tentando puxar assunto com o homem ao meu lado. Deixando transparecer um pouco do ciúme que tomava meu peito.

A cena daquela professora dando em cima de Dean descaradamente rodeava minha cabeça o tempo inteiro, não me deixando em paz e fazendo meu sangue ferver em minhas veias. E eu nem ao menos sabia o porquê disso. Mas, o Winchester estava balançando minhas estruturas de uma forma que nem eu era capaz de entender como ele foi capaz de fazer isso tão rápido e em tão pouco tempo. E eu me sentia possessiva.

- Normal, não aconteceu nada demais entre nós dois. Apenas bebemos e conversamos. – Dean respondeu me trazendo de volta a realidade. E então eu percebi que estava com os punhos cerrados e tratei logo de relaxar.

- Só? E porquê? – Perguntei estranhando a sua fala.

Dean olhou para mim e entendeu a minha reação, rindo fraco, mas logo voltando a olhar para a estrada. Ele não parecia estar ofendido com isso. Ele sabia que sua fama com as mulheres não era das melhores, Sam havia me contado isso em uma noite de bebedeira que nós quatro tivemos na casa do Rio. E bom, eu esperava não ter dito nada demais!

- Tenho meus motivos. – Falou simplista, em seguida dando um sorriso de lado, um sorriso de alguém que escondia algo. E ainda completou. – Agora vê se você se aquieta e vai dormir um pouco, a viagem vai ser longa. – Ri disso e fiz o que ele pediu.

Passei para o banco de trás e me acomodei ali. E logo dormir com um sorriso no rosto, pensando em sua frase misteriosa. E eu não sabia o motivo dele. Mas, eu queria saber quais eram esses motivos que fizeram Dean, o Winchester mais mulherengo, desistir da professora, que confessando com muita raiva, não é uma mulher de se jogar fora.


Notas Finais


Nota atualizada: 13/08/2017

E aí, o que acharam do capítulo? Ele teve bastante edição, acrescentei mais detalhes que alimentassem melhor a imaginação de vocês. Eu acho ele um pouco pesado, mas faz parte, e achei que combinou demais com o nosso famoso Curupira. Bom, espero que vocês tenham gostado! Espero também que vocês entendam a minha decisão sobre os capítulos, será o melhor para a história.

Não esqueçam de fazer o que eu pedi nas notas iniciais, eu realmente espero que funcione. Caso contrário, apareçam por aqui todo sábado/domingo para ver se tem capítulo novo. Por favor, não me abandonem, de verdade, comentem o que acharam aqui embaixo, é importante demais para mim. Enfim, um feliz dia dos pais para todos os pais de vocês e até a próxima atualização! <333


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...