História Caçadores de Folclore - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Bobby Singer, Dean Winchester, Personagens Originais, Sam Winchester
Tags Bobby, Dean, Sam, Sammy, Spn, Supernatural, Winchester
Exibições 231
Palavras 4.953
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi oi caçadores, voltei com mais um caso para vocês. Desculpe a demora para atualizar, mas é que eu estou desde ontem - e ainda não terminei, falta o capítulo 13 - revisando os capítulos dessa fanfic, corrigindo erros e até mesmo colocando algumas coisas a mais.
Como no prólogo, eu editei as idades que as meninas vieram para o Brasil, pois assim ficaria com mais nexo em relação a um outro capítulo. Mas, nada que atrapalhe a história.
Bom, vou parar de enrolar e deixar vocês caçarem! Espero que gostem e que fiquem vivos até as notas finais.

P.S.: Eu revisei, mas, sempre escapa alguma erro, portante me desculpem!
P.S.:² Agora os capítulos tem capa, aeeeeeeee. Tá simples, mas foram feitas com amor!

Capítulo 7 - Festival Canino


Fanfic / Fanfiction Caçadores de Folclore - Capítulo 7 - Festival Canino


P.O.V Mile

- Vamos parar em São Paulo! - Falei sonolenta após finalizar a chamada com Ju. - Ela acabou de decidir junto de Sam que ficaremos umas duas semanas curtindo SP. - Ajeitei-me no banco traseiro da Baby e esperei por uma resposta de Dean.

- Eles estão certos. Merecemos um descanso, principalmente você. - Dean disse olhando para mim através do retrovisor. Elevei uma sobrancelha em dúvida sobre essa repentina preocupação de Dean para comigo. Eu havia percebido isso desde o caso do Boto, também em SP. E logo a vontade de questionar o porque me tomou.

- Anda se preocupando demais comigo ultimamente. - Comentei conseguindo o que queria. Sua quase total atenção e surpresa. E aos gaguejos Dean respondeu.

- O que quer di-dizer com isso? 

- É só estranho. O tão durão Winchester se preocupando com alguém. - Falei enquanto passava para o banco da frente, ao lado de Dean.

- Caso não saiba, Monteiro. Aqui dentro... - Falou apontando para seu peito. - Ainda bate um coração e ainda vive uma alma. E eles se importam com pessoas que são importantes para ambos. - Dean disse me olhando friamente. Calei-me com isso e abaixei minha cabeça e resolvi deixar minhas dúvidas dentro de minha cabeça. Apenas.

Na minha cabeça rodava apenas as palavras: "E eles se importam com pessoas que são importantes para ambos".Palavras que logo me fizeram imaginar coisas, ligando a conversa sobre a professora com o evento de agora. E esses pensamentos fizeram minhas bochechas corar - e eu agradeci por estar escuro -, além de fazer meu coração palpitar rápido demais para o meu agrado. 

O Jeep piscou o farol para Dean e ligou a seta, indicando que iríamos parar no acostamento da estrada. E foi o que Dean fez. Sam estacionou o Jeep atrás do Impala e nós quatro descemos dos carros. 

- Consegui duas reservas em um hotel à algumas horas daqui, um quarto de casal e um com duas camas de solteiro. Foi difícil, por ser madrugada, mas nada é impossível para uma Prado. - Ju disse se gabando e jogando os cabelos ao vento. Eu ri fraco, ao contrário de todos, pois ainda estava sob efeito das palavras duras que foram dirigidas à mim há poucos minutos dentro do Impala.

- O que há? - Parecia que apenas Sam notara meu silêncio incomum. Pensava eu que só ele notara, percebi logo que Dean olhava para nós dois, mas logo sua atenção foi voltada para Ju, que falava alguma coisa que eu não estava prestando atenção. Olhei para o alto, encarando seus olhos que diziam que uma desculpa esfarrapada não o convenceria a me deixar em paz.

- Coisas da minha cabeça... ou do coração. - Sussurrei a última parte, querendo e ao mesmo tempo não querendo acreditar no que minha própria boca dizia. Senti as grandes mãos de Sam afagarem meus cabelos e me puxar para mais perto de seu corpo. 

- Aposto que uma Monteiro passa por cima disso tão facilmente quanto caça e mata um monstro. - Sammy disse risonho, me impossibilitando de não soltar um riso fraco. Rodeei seu corpo com meus braços, em um abraço desajeitado e envergonhado, que foi retribuído com carinho. E como bônus, um beijo singelo no topo de minha cabeça. - Vai ficar tudo bem... - O menino sussurrou, como se soubesse toda a confusão que minha cabeça cismava em criar. Confusão que tinha nome, sobrenome, idade e um par de lindos olhos verdes. 

Me obriguei a acreditar naquelas palavras. Eu precisava acreditar. 


P.O.V Dean

Coloquei o corpo adormecido de Mile sobre a cama de casal que dividiria com sua parceira, Ju. Observei a menina dormir serenamente. Se não fosse pelo rosto machucado, eu diria que teve um dia incrível. Cheio de risadas e piadas.

E então lembrei-me da conversa que tivemos no Impala. Eu havia dito palavras duras para a menina, e nem ao menos tive a decência de me desculpar. Apenas deixei quieto e vi Sammy consolá-la do lado de fora do carro.

- Parece que você e Mile andam compartilhando do mesmo humor hoje. - Escutei a voz de Sam dizer. Olhei para meu irmão que estava encostado no batente da porta olhando Mile dormir.

- Porque? - Perguntei caminhando até ele. Juntos seguimos até nosso quarto, do outro lado do corredor. Diferente do das meninas, o nosso tinha duas camas de solteiro. Sentei-me em uma delas e joguei a bolsa no chão.
 

- Estão quietos e distantes. - Sammy disse entrando no banheiro. - O que há com você? 

- Não sei. Estou confuso. - Falei tentando por em ordem as coisas dentro da minha cabeça. - Para você ter noção, não aconteceu nada comigo e a professora. - Isso fez Sam voltar ao quarto com o rosto tomado por incredulidade.

- O que aconteceu com você? - Sammy perguntou se sentando ao meu lado. Parei um instante, olhando através da janela os prédios que tomavam a cidade de São Paulo, como se eles fossem organizar meus pensamentos e sentimentos. Ou então tacá-los dentro de gavetas e me deixar ser o Dean de sempre. Frio e fechado.

- Não tenho certeza. Mas, acho que sei. - Depois de minutos encarando os prédios eu respondi meu irmão. E bastou apenas olhar para seu rosto e eu percebi que meu irmão já havia entendido tudo. E que eu precisava de um tempo.

Sammy se levantou e voltou ao banheiro, me deixando sozinho com meus pensamentos turbulentos. Deitei-me na cama e logo o som do chuveiro pode ser ouvido por mim. E com isso eu adormeci.


 P.O.V Ju

- Já estamos enfurnados nesse hotel há uma semana. Preciso ver gente, sol, vida. - Mile reclamou pela milionésima vez só hoje. Eu estava preste a amarrá-la no pé da cama e tampar sua boca com cola superbonder.

- Por Deus, Mile. Cala essa boca! - Falei quando ela ia começar o mesmo discurso novamente. A menina olhou para mim com os olhos arregalados e eu logo me arrependi da grosseria. - Mile, me descu...

E o som da porta do quarto que eu dividia com Mile cortou meu pedido de desculpa. Olhei impressionada com o fato de a porta não ter sido partida ao meio com tamanha força que lhe foi aplicada ao ser fechada. Mile quase fundiu a porta com a parede ao sair do quarto xingando em setenta línguas diferentes e resmungando alguma coisa sobre sua vida ser horrível e ela querer morrer. 

Suspirei em arrependimento e deixei meu corpo cair com força no colchão, fazendo o peso produzir um som rangido de molas de colchão velho. Revirei os olhos e percebi que eu também já estava de saco cheio de ficar presa naquele hotel mofado onde eu corria o risco de morrer durante a noite, ou soterrada pelo teto rachado ou então pelas paredes cheias de manchas de umidade e rachaduras.  

Só que ao contrário de Mile, que eu tinha minhas dúvidas sobre o motivo desse mau humor - mais conhecido como TPM -, eu ficava calada e me acostumava com o que tinha, o que não era muito e nem de boa qualidade. Mas era o que tinha pra hoje.

- Mile não para de reclamar que você está sendo grossa e indiferente com ela. - Escutei a voz de Sam - e o mesmo em pessoa - invadir o meu quarto e em seguida uma risada divertida. Suspirei com esse drama que nasceu junto de Milena. Seu sangue, que é A+ podia ser chamado também de "RD+", que seria "Rainha do Drama+". Fechei meus olhos e percebi Sammy se jogar ao meu lado, fazendo o colchão ranger alto e me dar um solavanco, quase me fazendo cair da cama. 

- Opa! - Sammy agarrou minha cintura e me trouxe de volta a posição inicial, dessa vez eu estava rindo do meu quase tombo. Imaginei a cena, parecia mais uma banana podre caindo no chão do que um tombo digno.

- Vai com calma, Cowboy! – Falei rindo.

- Foi mal, leis da física... - Sam disse uma desculpa bem nerd.

O olhei de cima a baixo, mordendo os lábios e não podendo negar o belo físico do Winchester mais novo. Forcei minha boca a continuar calada, mantendo esses pensamentos dentro da minha cachola lotada de pensamentos impróprios que envolvia o menino ao meu lado.

- No que está pensando? - A pergunta que me fez voltar a realidade e fez minha cabeça poluída soltar um muxoxo triste ao perceber que eu não pensaria nessas coisas... Por enquanto.  

- Em pegar o computador e procurar uma festa para nós quatro irmos. Não vou mais aguentar ficar um dia dentro desse hotel fajuto de menos cinco estrelas. - Inventei uma desculpa rápida e corri até minha bolsa. Peguei o Notebook ali dentro e voltei para a cama. Sentei-me nela na típica posição de índio. Pernas cruzada e corpo ereto. 

- Isso vai fazer o Dean parar de reclamar da vida? - Sam perguntou me olhando. Concordei e ele se ajeitou ao meu lado. - Sabe se tá rolando alguma coisa entre ele e a Mile? - Sam perguntou. 

Porque ele num pergunta se pode rolar alguma coisa entre nós dois. Aqui, nessa cama. Neste exato momento... PARA COM ISSO JULIANA PRADO! Mandei essa mensagem carinhosa para meu cérebro. 

- Não sei, você também percebeu eles meio estranhos? - Perguntei tentando entrosar meu cérebro nesse assunto.

- Sim, só não sei o que há. - Disse olhando eu passar rapidamente pela aba aberta do Google, onde estava a pesquisa das festas para hoje.  

- Mais um motivo para irmos à festa que eu acabei de achar. - Falei apontando para a tela onde uma aba aberta indicava uma festa néon que teria hoje às nove da noite. - Vamos? - Olhei para ele e só vi Sam abrir um sorriso satisfeito. 


[...]

- Party all day, all night... - Mile cantarolou se olhando no espelho. A menina dançava enquanto passava o batom vermelho sangue. Seu vestido azul marinho brilhoso, que compramos hoje, havia caído extremamente bem em seu corpo. As costas nuas davam um ar sexy a menina fofa. O cumprimento da saia rodada ia até a metade das coxas, e ele era sem mangas, porém com as alças grossas. O scarpin bege equilibrava o look. Seu rosto impecavelmente maquiado e seu cabelo bem arrumado, preso em um rabo de cabelo alto. 

- Tá indo pra curtir ou roubar os corações de todos os homens da balada? - Perguntei aparecendo no quarto. Estava me maquiando no banheiro, qual é, eu trago maquiagem em todas as minhas viagens, nunca se sabe quando será útil. Eu usava um vestido - comprado junto do da Mile - todo soltinho e reto na cor vinho. Por cima do tecido, uma renda da mesma cor, que compunha as mangas cumpridas do vestir, e para completar saltos altos bege. O cabelo solto e a maquiagem clara recém-feita finalizava meu look.

- Para de bobeira, eu sei que sou gostosa! - A menina disse piscando para mim e rindo logo em seguida. Pegamos nossas bolsas - com equipamentos de emergência... Se é que me entendem -, e saímos do quarto. Paramos no corredor ao vermos dois deuses gregos nos esperando.

- Estou no Olimpo ou isso é real? - Perguntei zombando deles.

- Até que vocês tem bom gosto para roupas masculinas. - Dean disse nos fazendo rir. - Vocês estão lindas... - O mais velho disse olhando diretamente para Mile. Juro que me senti ofendida. 

- Nós sabemos! - Respondi ao ver que Mile estava envergonhada demais para formar uma frase com início, meio, fim e sentido. - Vamos? Tem uma festa nos esperando!


P.O.V Mile

- Meu Deus, isso tá incrível! - Falei entrando na boate. Primeiro, estava lotada, mau dava para andar; segundo, estava tudo muito lindo. As pessoas tinha seus rostos e outras partes de seus corpos pintados de tinta neon laranja, rosa, azul e verde. Mas, não eram quaisquer desenhos. Formavam flores, tribais e características animais, e quando eram esses, tinham arcos de orelhinha néon em suas cabeças. 

-Vão querer como? - Um cara sentado em uma mesa ao lado da entrada disse. Ele tinha as mãos completamente sujas de néon e segurava um pincel. Sua mesa estava abarrotada de latas de tintas e moldes de desenhos.

Parei ao seu lado e apontei para as pintinhas de onça. Pedi que o fizesse em meu rosto e nas costas. Depois de feito, peguei o arco e coloquei na cabeça. Mile seguiu meu exemplo animalesco e fez listras de tigresa. Já os meninos foram mais "másculos" e fizeram tribais em seus braços e laterais dos rostos.

- Vem! - Chamei eles até o bar no outro lado da boate. Nos esprememos entre as pessoas e conseguimos chegar vivos e amassados até o lugar. Sentei-me no banquinho e anunciei ao barman. - Sacie minha sede de álcool com a sua bebida mais forte.

- Vai com calma gatinha... - Dean disse ao meu lado. Ele tinha um sorriso de lado, daquele que conquista qualquer mulher.

- Gatinha não... onça, das mais brabas! - Falei rindo. O barman logo veio com a nossa bebida que eu não demorei a beber, claro, sendo observada por Dean. - Para estrear a noite. 

Deixei o menino sozinho e entrei no meio das pessoas, me deixando ser levada pelo fluxo dos corpos dançantes e pelo som da música alta. Eu precisa curtir essa noite. E foi o que fiz. Fechei meus olhos e balancei meu corpo da melhor forma que eu conseguia. E ainda sim, eu sabia que os olhos de Dean queimavam minhas costas. 


[...]

- Oi gato, vem sempre aqui? - Perguntei me sentando no colo de Dean. O Winchester se assustou com o que fiz. Minha cabeça gritava para mim: "Para com isso, você está se deixando levar pelo álcool e está passando vergonha!". Mas eu não me importava com isso.

Eu simplesmente havia ligado o “Foda-se!” para o meu subconsciente certinho.

- Mile, para com isso, você está bêbada! - Dean disse tentando me tirar de seu colo. Ignorei sua reclamação e comecei a beijar e dar chupões em seu pescoço e maxilar. Ouvi Dean suspirar pesadamente e apertar com força minha coxa, me fazendo sorrir satisfeita.

- Fique quieto, Dean! - Sussurrei quando percebi que ele ia recusar novamente. Pressionei meus lábios nos seus, clamando por reciprocidade. E foi o que ele fez por um instante. Rolou um beijo, maravilhoso. Mas logo foi cortado por Dean me empurrando levemente.

- Não vou fazer isso com você. - Seus olhos eram duros. Sua reação e suas palavras juntas do álcool me fizeram ficar com raiva. Levantei de seu colo com sangue nos olhos - literalmente - e sai pela multidão enquanto escutava Dean me chamar.

Eu chorava pateticamente de raiva. Fui rejeitada, e estava me sentindo suja e inútil. Eu estava devastada, e sabia que boa parte disso tudo era culpa do excesso de bebida. Sentei-me no bar e pedi outra bebida ao barman que já conhecia todos os meus casos de desilusão amorosa. E já havia me dado muitos conselhos. E um deles foi ir até Dean e beijá-lo.

E pelo visto não havia dado certo. Às vezes aceitar os conselhos de um barman não possa ser a melhor coisa a se fazer.

- Parece que o plano não deu certo! - Junior, o barman, gritou. Neguei com a cabeça e bebi de uma vez o líquido que desceu queimando por minha garganta. E dessa forma se foram vários.


[...]

- Ju, a minha vida é um desastre! - Gritei e chorei em seus braços enquanto minha amiga me levava até o banheiro da boate. Eu estava toda suada e molhada de bebida e sentia meu estômago revirar violentamente dentro da minha barriga.

- Eu sei, meu amor. - Ju disse carinhosamente enquanto abria a porta do banheiro e me levava até um divisor do banheiro. Ajoelhei-me em frente ao vaso no exato momento em que colocava todo o álcool para fora. Senti Ju dar palmadinhas em minhas costas.

- Me desculpa por ser uma amiga tão ruim. - Falei agarrando seu rosto e o apertando entre minhas mãos. Voltei ao vaso com uma rapidez inacreditável. 

- Você não é uma amiga ruim. Só está passando por um momento delicado. - Ju disse e eu concordei enquanto me sentava no chão frio do banheiro.

- Ele me rejeitou. Porque ele fez isso comigo? - Perguntei ficando sonolenta. Senti Ju acariciar meu rosto. - Porque o Dean me rejeitou...

- Vou chamar alguém para te levar pra casa. - Escutei a voz baixa de Ju anunciar. Minha visão estava ficando mais turva e escura. E eu fiz a coisa mais inacreditável que podia.

Eu dormi.


P.O.V Ju

- Sammy, vem até o banheiro feminino. Preciso de ajuda com a Mile. - Falei assim que o menino atendeu o telefone. Desliguei a ligação assim que ele confirmou que viria. 

Olhei minha amiga caída no chão e dormindo. Bêbada até o último fio de cabelo. Eu não sabia o que tinha acontecido, mas perguntaria no dia seguinte, isso se ela lembrar de alguma coisa. Escutei a porta abrir e logo os dois Winchester entraram no banheiro feminino. 

- O que aconteceu com ela? - Sam perguntou olhando para Mile com um olhar surpreso. 

- Álcool somado a TPM. Isso que aconteceu com ela. - Expliquei ficando de pé. - Precisamos levar ela para casa. Alguém pode carregá-la?

- Eu levo. - Dean disse se abaixando e pegando Mile no colo. Saímos do banheiro e já estávamos no meio do corredor quando um grito muito alto cortou o ar, ultrapassando o barulho do som. O DJ parou de tocar e a música foi substituía por gritos desesperados das pessoas.

- Dean, tira a Mile daqui, eu e Sam cuidamos disso. - Falei e o menino concordou. Nós três corremos para o meio da multidão desesperada que gritava e corria de um lado para o outro, tentando sair da boate a qualquer custo.

Eu e Sam corremos para o foco do desespero e Dean correu com Mile para fora da boate. Ao contrário da maioria, ele foi pela saída de emergência como uma minoria fazia. E então sumiu das minhas vistas.

E então chegamos ao foco. No chão estava jogado o corpo de uma jovem loira, em meio a uma enorme poça de sangue. O peito aberto de uma forma animalesca, os braços e rosto machucados. E lhe faltava algo importante. Seu coração. Olhei para Sam já sabendo o que havia acontecido ali.

- Lobisomem. - Falamos juntos. 

E então eu percebi algo caído no chão, ao lado do corpo. Uma pulseira dourada. O pingente era a cabeça prateada de um lobo dentro de uma moldura que me lembrava um escudo. Atrás, uma data e um nome: Silena, 17 de Junho de 2016. Um mês atrás. 

- Olha. - Mostrei a Sam. - Deve ser a data de transformação. 

- Se realmente for isso, é uma recém-transformada. - Sam disse olhando para o pingente. - Precisamos sair antes que a polícia chegue. - Sam disse. Guardei o pingente na bolsa e sai da boate junto dele.


P.O.V Dean

- Porque você fez isso? - Perguntei enquanto colocava o corpo desacordado de Mile no colchão. Sentei-me ao seu lado e encarei a janela. - Desculpa ter te rejeitado, mas, eu não sou tão cafajeste ao ponto de me aproveitar de uma menina bêbada. Você não merece isso.

Olhei a menina dormir tranquilamente, parecia que nada tinha acontecido. Mas, eu sabia que quando ela acordasse, estaria em uma das piores ressacas. E logo a porta do quarto foi aberta e a cabeça de Ju apareceu na fresta. Ela entrou no quarto e ficou olhando sua amiga dormir. 

- Como foi lá? - Perguntei. 

- Amanhã nós quatro conversamos. Agora vou cuidar dessa menina aí. - Ju disse e eu concordei. Antes de sair do quarto, dei um beijo na testa de Mile. Olhei um instante para ela, lembrando do beijo e por fim sai do quarto deixando Ju cuidar de sua amiga.


[...]

- Bom dia! - Mile sussurrou em meu ouvido. Abri os olhos lentamente, logo o fechando por conta do sol batendo em meu rosto. Sam havia esquecido de fechar a cortina. Pisquei várias vezes e então abri de vez.

- Bom dia. - Falei com a voz rouca de sono. Encarei Mile sentada ao meu lado na cama. Seu sorriso era fraco, seus olhos sem brilho e abaixo deles enormes olheiras. É, a ressaca dava bom dia também. - Como você está? - Perguntei me sentando.

- Mal, mas depois melhora. - Sua voz era baixa e desanimada, totalmente o contrário do normal. - Ju me contou o que aconteceu ontem, passei vergonha na sua frente e na de Sam. Não sei de onde tirei coragem para vir aqui. - Seu rosto estava baixo e seus olhos encaravam as mãos que brincavam uma com a outra.

- Porque veio então? - Perguntei segurando seu queixo e virando seu rosto para mim. Seus olhos eram tristes. - Não foi pela vergonha de ontem que você veio aqui. Né? - E ela negou.

- Vim me desculpar pelas palavras que te disse naquele dia lá no Impala. Eu não sei o que deu em mim. Eu sei que você tem um coração. - Mile disse me fazendo sorrir. E até cogitei a possibilidade de me desculpar pelo beijo rejeitado. 

- Esta tudo bem. Já passou. - Falei e percebi que ela não havia engolido essas palavras. - De verdade. 

- Tudo bem então. - A menina ficou de pé. - Ju está chamando para conversar. Ela disse que aconteceu um assassinato ontem, eu estava desmaiada. Acho melhor você não demorar. 


[...]

- Chegou quem estava faltando! - Sam anunciou minha chegada. E Ju apareceu no quarto e me entregou uma sacola do MC Donald's. 

- Tem refrigerante ali. É o que temos para hoje. - A menina disse se sentando ao lado de Sam. Peguei meu corpo e me sentei ao lado de Mile, que estava deitada na cama.

- Ontem houve um assassinato dentro da boate. Dean estava levando Mile para casa, por isso não presenciou a cena. Uma menina foi morta e adivinhe... sem coração. - Sammy disse.

- Lobisomem. - Eu e a Mile falamos juntos. E eu ri da nossa sincronia.

- Sim, e eu encontrei essa pulseira ao lado do corpo. Uma cabeça prateada de lobo com alguma planta na boca, dentro de um escudo. - Ju disse nos mostrando a pulseira e logo tacando ela para Mile. - Atrás tem um nome e uma data.

- E vocês suspeitam dessa data? - Mile perguntou olhando a pulseira e me mostrando ela.

- Ju acha que pode ser a data da transformação. Porque é recente. - Sammy disse. - Pesquisei o símbolo e ele é o brasão de uma antiga família que reside em São Paulo. Família Oliveira Cardoso. - Sammy continuou. - E só existem dois membros dessa família em São Paulo.

- E quem seriam? - Perguntei com a boca cheia de hambúrguer. Ju fez uma careta para isso e eu apenas ignorei, já estava acostumado com essas reações em relação ao meu modo de comer. 

- Os gêmeos Enzo e Arthur Oliveira Cardoso. - Ju falou. - E essa tal de Silena deve ser uma das filhotes deles. Coitada, não deve nem saber como se meteu nisso. 

- O que estávamos esperando? Vamos até o ninho deles. Vamos caça alguns lobisomens. - Falei engolindo o último pedaço de hambúrguer e terminando meu refrigerante. 


P.O.V Sam

- Essa é a casa. - Anunciei assim que estacionou o Impala em frente a mansão completamente abandonada dos Oliveira Cardoso. - É enorme. 

- É medonha, isso sim! Da até uns bagulho louco aqui dentro! - Mile disse fazendo careta. - Como ninguém desconfiou de um lugar desse? 

- Juro que estou me perguntando isso. - Dean falou. Meu irmão tirou a arma carregada com balas de prata de sua cintura. - Não vamos demorar muito.

- Você sabe que isso sempre demora! - Respondi e então todos desceram do carro. Atravessamos a rua e demos a volta na casa, tomando todo o cuidado para não chamar atenção. Íamos entrar pelos fundos. 

- Lobisomem também faz parte do folclore? - Dean sussurrou. Eu também me perguntava isso. Ultimamente o folclore brasileiro estava criando vida aqui no Brasil. E tudo era motivo para desconfiar.

- Sim, apesar de sua origem ser europeia. Mas, faz parte do folclore. - Mile explicou. Ficamos em silêncio e nos escondemos ao ouvir barulho de passos. Logo o som da porta abrindo, porém, sem ser fechada.

- É a nossa chance! - Ju disse. Em silêncio nos contamos até três e entramos na casa. Fechei a porta sem fazer muito barulho. Nos separamos pela casa, eu e Ju ficamos no andar de baixo, e Dean e Mile no de cima. 

Não demorou muito para um grito e um tiro ser escutado. No andar de baixo som de passos apressados e logo dois homens apareceram na sala onde eu e Ju estávamos. Em sincronia nós dois apontamos as armas para eles.

- Ora, ora, temos visita! - O mais alto falou sorrindo. - Faz tempo desde a última visita. Não é mesmo?

- O que fizemos com elas? - O de cabelo grande perguntou. - Ah, nós comemos os corações delas. - E então eles riram e atacaram.

Eu não tive tempo de reagir. Caí no chão com o homem por cima. O mesmo fez um ferimento em meu peito, me fazendo soltar um grito de dor. Estiquei meu braço, tentando alcançar a arma ao meu lado, mas alguém chutou ela para longe.

- Acho que não em bonitão. - Uma mulher disse sorrindo. - Levem eles para cima. - É nessas horas que o Dean e a Mile podiam aparecer de surpresa. Olhei para Ju, o homem estava segurando ela pelos cabelos e braços, seu rosto estava machucado, assim como sua coxa. 

- Temos jantar para hoje. - A mulher disse sorrindo. Os homens nos levaram para o andar de cima, e nos arrastaram até duas pilastras, onde nos amarrou com força. Procurei por Dean e Mile, mas nenhum sinal deles. 

- Procurando alguém? - A mulher disse se aproximando de mim e tocando meu rosto com seu dedo, como se analisasse o jantar, e era o que ela estava fazendo. Analisando o jantar. 

- Não! - Falei trincando os dentes em raiva. 

- O que trás dois caçadores até aqui? - A mulher perguntou. 

- Ontem à noite teve uma morte na boate. E achamos o brasão da família ao lado do corpo. Viemos acertar as contas. - Ju falou. Olhei para a porta e pude ver Dean e Mile fazendo símbolos frenéticos com as mãos, indicando que entrariam na sala.

- Aposto que a pulseira lhe pertence. - Mile falou entrando na sala apontando a arma para a mulher. - Solte meus amigos ou eu estouro seus miolos sem piedade. - Juro que a Mile estava mais assustadora que o normal.

Dean atirou assim que um dos homens tentou atacar Mile. O outro voou para cima de Dean, e como reflexo Mile atirou nele, dando a chance da mulher atacar. As duas caíram fora da sala e eu assisti desesperado a mulher tentar morder Mile, mas ela foi esperta e rápida. Chutou a mulher para longe e pegou a arma no chão, ficando de pé. 

- Isso é pelos meus amigos, sua vadia! - E então a menina atirou. A mulher caiu no chão com um baque surdo. Dean jogou o outro homem para o lado, morto com uma facada de prata no peito, levantando do chão com a ajuda de Mile.

- Você está bem? - Perguntou e a menina concordou.

- Já podem nos soltar. - Ju falou chamando a atenção deles.


P.O.V Dean

- Estou todo dolorido. - Sam reclamou entrando no Jeep. Balancei a cabeça e caminhei até o Impala, entrando ao lado de Mile. Observei o Jeep passar ao meu lado e Ju acenar para nós dois.

- Vamos? -  A menina falou animada. Mas, eu não liguei o carro. - Dean, eles já saíram. Vamos! - Insistiu. 

- Espera. - Falei pensando no beijo rejeitado. - Primeiro eu quero lhe pedir desculpa. - Continuei e recebi uma cara de confusão. 

- Pelo que? - Mile perguntou. - Está ficando louco? - A menina disse rindo.

- Naquele dia da boate, você tentou me beijar. - Comecei e vi a menina ficar com vergonha. - Até rolou algo, mas, eu te afastei, rejeitando seu beijo. E eu queria pedir desculpa por isso. - Resumi a explicação e observei Mile concordar. Ela parecia digerir tudo o que falei. 

- Me admira a sua atitude. - A menina começou. - Eu estava bêbada, obrigada por não ter aproveitado isso. 

- Eu nunca faria isso com você. - Respondi sorrindo. 

- Mas saiba de uma coisa Dean. - Mile disse antes de eu ligar o carro. - A maioria das coisas que falo ou faço quando estou bêbada, é porque não tive coragem suficiente para fazer quando estava sóbria. - E então a menina abriu um sorriso divertido. Seus olhos tinham um brilho diferente. 

Sorri com essa confissão. E com isso em minha cabeça eu liguei o carro e rumei de volta para casa. Mile ligou o rádio e começou a cantarolar os rocks. E eu apenas sorria para isso. 


Notas Finais


O que acharam da caçada? Espero que estejam bem! E sim, antes que me perguntem, o lobisomem faz parte do folclore brasileiro, tendo influência na Europa. Bom, é isso meus amores, espero que tenham se divertido ao lado desse quarteto incrível. Comentem o que acharam, e espero vê-los no sábado para mais uma caçada!

Aliás, se alguém quiser perguntar para mim algo sobre a fanfic, ou até mesmo quiser conversar, eu vou deixar o user do meu twitter aqui, é só me seguirem e me chamar na dm para eu saber que são vocês. Beijos meus amores!

Twitter: @stilinskilz


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