História Caídos no Inferno II - O Pesadelo Volta à Vida - Capítulo 25


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sci-Fi, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 25 - Sentenciada


Não há ninguém perto dela. Poderia correr dali se quisesse, saltar a janela, sair pela porta da frente e tentar a sorte, mas ela sabe que não é assim que as coisas funcionam.

Por enquanto, se contenta apenas em mais uma vez andar pelo corredor sem iluminação.

O silêncio a ajuda a pensar com calma nos passos cautelosos a serem dados.

Ela sente que precisa fugir, no entanto se não usar seu cérebro pode acabar com tudo em um estalar de dedos.

Sua intuição diz que Joseph e os outros ainda estão vivos. A natureza de Nicholas não permitiria que ele os matasse tão rapidamente, apesar de ter condições para isso. Ele é sádico demais pra acabar com a 'brincadeira' tão rapidamente.

Um cantarolar afinado de voz suave ecoa, a fazendo ser mais cautelosa ao avançar. Sem precisar se aproximar muito ela reconhece no fim do corredor, sentado em uma cadeira na frente da janela, Lucian limpando algo enquanto é iluminado pela lua.

"Você de novo? Esse lugar é mesmo mais pequeno do que parece. Morgan esqueceu de te amarrar?" Sem precisar fazer contato visual, ele percebe Alex ali. Seus sentidos são muito aguçados.

"Ele disse que eu poderia andar sozinha se não fugisse..."

"Foi brincadeira, idiota... agora faça algo útil e alcance-me essa mala no seu lado." A mala é pesada, erguê-la é impossível então Alex apenas a arrasta na direção do homem. "Meu Deus! Não te alimentam aqui? É mais fraca que uma mosca." Com o pouco tempo em que observou Lucian, Alex conseguiu perceber que se trata de uma pessoa mal-humorada e sem paciência.

"Isso é uma Magnum?" O brilho da lua reflete no metal lustrado da enorme arma. Alex não conhece muito sobre armas mas sabe reconhecer uma Magnum quando vê.

"Eu vou entrar no bosque… dizem que há ursos nele, e quem sabe que merda mais aquele doente pode ter jogado ai? Preciso me precaver."

Alex está receosa de ficar ali. Lucian pode ser perigoso se ela não tomar cuidado.

"Sente ai! Eu não vou te morder ou atirar em você."

"O-ok…" contra sua vontade ela se senta no chão, com as costas apoiadas na parede.

"Eu me chamo Lucian. Você já deve saber. Mas não sei o seu nome. Diga-o." Pela primeira vez ele olha para ela, sua íris, assim como as de Niel, não possui cor, é completamente preta, impossível identificar sua pupila ali.

"Meu… meu nome é Alex." Um momento de silêncio começa a aparecer, e Alex inconscientemente começa a observar o rosto dele com mais atenção, a queimadura parece muito antiga, além disso, é muito visível que ele tem diversas cicatrizes em muitos lugares. "Por que você estava tomando chá de canudinho?"

"Eu não sei se você é idiota o suficiente a ponto de não perceber, mas meu rosto tem essa cicatriz. E ele possui algumas aberturas pequenas na região da minha bochecha. Não consigo ingerir coisas líquidas se não for de canudinho…"

"E como você conseguiu essa cicatriz?" Lucian para o que estava fazendo e a encara novamente.

"Sabe Alex, algumas pessoas não gostam de receber esse tipo de perguntas."

"Entendo, me desculpe." Diz Alex quando abaixa a cabeça.

"Mas eu não sou uma dessas..." Ele ri levemente. "Eu tinha dois irmãos. Eu era adotado. Nosso pai era um pedaço de merda. Tão lixo quanto o Morgan. Minha mãe era uma retardada que fazia tudo o que meu pai queria. Ele era um homem horrível. Vivíamos o inferno como cobaias das loucuras dele. Um belo dia, ele me trancou em uma sala, me amarrou em uma cadeira e despejou um ácido no meu rosto, sem anestesia. Se não fosse o pai do Morgan eu teria morrido. Agora tenho essa cicatriz. Não consigo beber coisas como uma pessoa normal e se não fosse ventríloquo, as vezes ninguém entenderia o que eu falo."

"Meu Deus… isso é horrível."

"Acredite Alex, ele fez algumas coisas bem piores... Minha mãe assistia a tudo e não dizia nada. Quando ele nos levava para o médico com alguma desculpa besta ela concordava. Ela apanhava todos os dias, praticamente vivia em cativeiro e ainda dizia que o amava... uma retardada que eu acho que tinha síndrome de Estocolmo." Ele volta a lustrar sua arma quando fala isso. Alex pode sentir um leve tom de ódio em suas palavras.

"E o que aconteceu depois?"

"Minha irmã era uma menina franzina, fraca. Ela e meu irmão eram como minha mãe, apesar de sofrerem na própria pele, amavam meu pai. Meu pai matou ela. Nesse dia eu surtei, matei os dois e me escondi com meu irmão. Antes que você pergunte, eu não me arrependo disso. Se pudesse faria de novo." Ele solta a arma no apoio da janela e pega seu cetro, limpando com o mesmo tecido branco a esfera vitrea vermelha da ponta.

"Isso é tão… nossa!… mas onde está o seu irm…"

"Morreu." Alex fica intrigada com a tamanha frieza de Lucian. Intrigada e com medo.

"O que você faz agora? Por que está no meio dessas pessoas?"

"Eu tenho um circo. Isso tem alguns anos. No início era um circo de aberrações e servia de fachada para meu verdadeiro trabalho, agora que já terminei eu apenas viajo por ai entretendo pessoas sem compromisso. Agora é somente um circo normal. Eu fiz algumas coisas bem horríveis na minha vida Alex. Não pense que por estar conversando com você e respondendo suas perguntas chatas eu sou uma boa pessoa. Eu estou no mesmo barco que o Morgan e por mais que eu odeie admitir… somos o mesmo tipo de lixo." Lucian chama muito sua atenção. Apesar de suas palavras, Alex não sente que ele é igual a Nicholas. Algo no misterioso homem não deixa que ela o abandone ali, mesmo que o tema.

"Você se arrepende?"

"Das coisas que eu fiz? Não. Meu único arrependimento é o fato de que vou pro inferno e vou encontrar o Morgan lá. Aguentar aquele verme por toda a eternidade vai ser meu castigo e talvez eu mereça isso." Novamente, Lucian interrompe sua atividade para encarar Alex. "Você é uma ótima atriz. Se eu não tivesse atuado a minha vida toda nem teria percebido sua jogada."

"D-do que você está falando?"

"Morgan é inteligente para Medicina, mas quando se trata de outros assuntos as vezes ele é burro, ainda mais quando esses assuntos envolvem mulheres. Eu já entendi o que está tentando fazer." Os olhos de Alex se arregalam tirando um riso de Lucian. "É ridículo como ele fica mais retardado que o normal quando está encantado em um rostinho bonito. Como ele pode acreditar que alguém no mundo gostaria dele. Nem mesmo Estocolmo faria esse milagre."

Ela não sabe o que dizer, apenas desvia o olhar silenciosamente.

"Não se preocupe, não irei contar nada a ele e não irei te impedir. Quero mais que ele se foda."

"Então você…"

"Mas também não vou te ajudar." Toda a esperança que Alex tinha em fazer um possível aliado foi por água à baixo. "Isso é problema seu. Esse jogo é seu. E as consequências serão somente suas."

"Entendo…" a expressão de Alex se torna mais melancólica. Como sempre soube, ela está completamente sozinha.

"Você está seguindo um caminho que possui somente dois destinos. Você deve saber quais são. E o mais fácil de alcançar não é o que você sai viva." Ele cruza as pernas e olha para fora, admirando o horizonte. "Nunca confie nele Alex. Nunca pense que tem ele em suas mãos. Nicholas Morgan é uma bomba relógio. Você pode até conseguir conquistá-lo, seduzi-lo com facilidade mas se deslizar estará sentenciada."

"Você está me dando conselho… querendo ou não está me ajudando."

"Talvez… você não deve confiar em mim também. Eu poderia te entregar pra ele agora mesmo."

"Você não faria isso… eu sei que o odeia tanto quanto eu…"

"Como tem tanta certeza?"

"Intuição… A única coisa que não consigo explicar é o porquê de estar me dizendo essas coisas…" Lucian suspira.

"Eu não ia te dizer isso mas… ah, esquece. Não vou te dizer. Eu só quero ver o desfecho disso."


Timidamente a porta do escritório se abre. O rangido leve faz o homem concentrado levantar o olhar.

Apenas a lua cheia ilumina o cômodo e sua luz azul invade completamente o lugar.

"Você não mudou. Ainda é um masoquista que gosta de apanhar." Alex se senta em um espaço vazio da escrivaninha. Nicholas sorri fracamente. Seu rosto ainda machucado e com marcas de sangue. Um lenço branco manchado de vermelho que deve ter sido usado para limpar o ferimento está largado ao seu lado. Agora ele parece estar concentrado em papéis.

"Talvez eu seja…" por conta própria, Alex pega o lenço e limpa cuidadosamente a gota de sangue que escorreu do corte na maçã do rosto levemente roxa do outro que não faz nada além de continuar sorrindo.

"Sua letra é bonita demais, tem certeza que é médico?"

"Nem todos os médicos tem letras ilegíveis." Seus olhos esmeralda se encontram com os de Alex. "Por que veio aqui por conta própria? Pensei que quisesse distância de mim."

"Eu não tinha o que fazer." Ele tira da gaveta uma caixinha de curativos que entrega para a mulher. "Isso não está doendo?" Ela desembala um com seus finos e brancos dedos enquanto ele observa atentamente.

"Não, eu quase não estou sentindo na verdade." Alex possui cuidado ao colocá-lo sobre o corte. "Porque está fazendo isso?"

"uh?"

"Você impediu Lucian de me atravessar e agora está aqui... Eu tirei tudo o que você amava de você…" Alex desvia o olhar.

"Eu não tenho mais escolhas que não sejam aceitar que o que eu tinha não existe mais. Você mesmo disse. Essa é minha nova realidade não é? Você é a realidade agora." Nicholas sente algo que não sentia a tempos quando ouve as palavras de Alex. Seu coração por algum motivo que nem ele entende se acelerou bruscamente e nenhuma resposta consegue vir a sua boca entreaberta em surpresa.

"O-o que foi?" Ele se aproxima, ficando a poucos centímetros de distância da mulher.

"Você não ousaria me enganar não é? Sabe que eu acabaria com você se fizesse isso…" sua voz é um sussurro.

"Eu pareço estar mentindo para você?" Alex não rejeita o sutil contato dos dedos dele em seu rosto enquanto não tira os olhos dos do médico. Suas palavras são firmes e convictas.

Silêncio.

Alex sabe o que deve ser feito e Nicholas espera qual será o próximo passo dela. Está curioso, intrigado e ao mesmo tempo excitado. Não esperava nenhuma atitude desse tipo vinda de Alex.

Vagarosamente ele se levanta, diminuindo aos poucos a pequena distância que há entre os dois.

Internamente está se segurando para não avançar de uma vez sobre ela e estranha essa atitude vinda de si mesmo.

É um desafio controlar seus próprios impulsos quando o ar quente da boca de Alex toca seus lábios.

Ela sabe que ele está sob seu controle neste momento.

A pequena 'avançada' que ele dá na tentativa de capturar os avermelhados lábios dela é fracassada quando ela se esquiva, no entanto, Alex não se demora em retribuir a atitude.

Nicholas não entende o que sente. Ele a beijou tantas vezes desde que a arrastou de volta a Fox hole mas em nenhuma dessas ocasiões ele teve essas sensações. Até porque em nenhuma dessas vezes foi de fato beijado por ela.

Demoradamente, Alex começa a desfazer os botões da camisa do homem que entrelaça seus esguios dedos nos cabelos macios dela enquanto sua outra mão é apoiada na mesa.

Alex é muito menor que Nick. Sentir as mãos pequenas e geladas dela deslizando suavemente pelo seu peito musculoso o faz inconscientemente a puxar mais para perto de si.

Ela consegue sentir na ponta dos seus dedos o coração acelerado de Nicholas. Não consegue pensar em nenhuma explicação para isso.

Alex pode não ser velha, porém, durante sua vida teve experiências sexuais o suficiente para saber perfeitamente como deixar um homem excitado e Nicholas, apesar de ser diferente em muitos aspectos, ainda é um homem.

E de fato Alex sabe conduzir isso com maestria.

O suspiro dele ao ter seu lábio inferior mordiscado por Alex tira um sorriso leve dela e isso consequentemente tira um dele.

"Se eu soubesse… que ter você me dominando dessa… maneira era tão bom eu teria sido mais gentil com você… desde o início." Ele tem dificuldades em falar quando seu pescoço começa a ser agradado em locais sensíveis pela boca quente de Alex. Suas enormes mãos seguram firmemente as coxas finas dela, subindo vagarosamente o vestido expondo sua pele branca. "Eu não sei o porquê de você estar fazendo isso… mas por favor não pare." Alex sorri novamente enquanto sobe uma trilha de beijos pelo maxilar do homem, voltando a atenção a boca dele.

Ele tenta manter seu controle ao máximo, realmente não quer que ela pare. Há anos não ficava tão atiçado com os toques de uma mulher.

Parando o beijo repentinamente, Alex é fitada pelo olhar brilhante do homem ofegante que a observa abrir botão por botão o seu vestido branco.

Nicholas morde seu lábio impaciente já que ela está demorando apenas para provocá-lo.

O aperto de suas calças já é incômodo, o levando a se desfazer de seu cinto e abri-la desesperadamente, trazendo um pouco de alívio a seu rígido desejo que suplica pelo corpo delicado da pequena mulher.

"Você parece impaciente Nick…" ele ri enquanto joga sua camisa em algum lugar do cômodo.

"Não tire… está frio…" ele a impede de tirar o vestido, o deixando apenas aberto de uma maneira inexplicavelmente sensual, e suas mãos se movem para a cintura fina de pele macia que ele acaricia intensamente.

As pernas de Alex dão a volta em seu corpo e em um movimento prático, Nicholas a levanta, se sentando em seguida com a mulher em seu colo.

"Que droga…" Nick sussurra contra o pescoço da outra enquanto a puxa cada vez mais para perto de si.

"O que foi? Alguma coisa errada?" Mesmo que esteja dando seu melhor para uma boa atuação, e que esteja tentando ao máximo se excitar para que a experiência não seja tão desagradável, o prazer que está sentindo nesse momento é mínimo, ao contrário de Nicholas que parece ficar mais louco a cada segundo.

"Eu sinto que tem algo errado mas não consigo pensar direito. Eu estou hipnotizado… como está me enfeitiçando dessa maneira Alex?" Explorando o colo de Alex com os lábios, Nicholas está curioso, inconscientemente fazendo exatamente o que Alex quer.

"Eu não estou fazendo nada… cale a boca Nick, você fala demais." Ele apenas ri contra os lábios da mulher.

A noite é longa.

Na maior parte do tempo, Alex foi quem conduziu o ritmo da dança e Nicholas foi passivo a ela como nunca foi em sua vida. Quando reassumiu o controle das rédeas, até mesmo suas investidas eram mais suaves. Dessa vez ele não parecia um animal selvagem em meio a cópula mas sim alguém que estava aproveitando cada segundo intensamente.

Enquanto ela dorme serena em seu colo coberta pelo seu vestido, Nicholas olha para o teto, ainda incrédulo com o misto de sentimentos e sensações que acabara de sentir.

O que era apenas uma atração sexual obsessiva estava se convertendo para algo mais profundo. Não quer tomar decisões precipitadas no entanto a ideia de que pode estar se apaixonando por Alex toma conta de seus pensamentos.

O fino braço dela repousa sobre seu peito descoberto.

Ela está ali. Em seus braços, sob sua posse. Talvez não seja algo ruim depois de tudo. Ter sua vingança e em seguida voltar a Paris acompanhado.

Ele ainda não havia pensado no depois. No que faria logo após terminar seus planos ali. Era tudo vago antes disso.

Poucas vezes em sua vida Nicholas esteve apaixonado por alguém. Pode-se contar nos dedos de apenas uma mão todas as vezes em que alguma pessoa ocupou seus pensamentos dessa maneira. No entanto, Nicholas não quer que Alex termine como as outras terminaram. Agora parece diferente. Transformá-la em sua rainha parece algo mais aceitável e possível.

Mal sabe ele que está sendo passado para trás. Seu coração acelerado não permite que ele ouça a verdade. Está totalmente alheio aos planos de Alex. Dessa vez é ele quem está sendo enganado.



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