História Caixa Postal - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bastian Schweinsteiger
Personagens Bastian Schweinsteiger
Tags Alemanha, Drama, Dúvidas, Família, Inglaterra, Passado
Exibições 59
Palavras 1.361
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Famí­lia
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello pessoinhas!
Havia postado esta fanfic em minha antiga conta, assim como ela sem revisão alguma foi postada no Archive of Our Own (link ao final da fic) o qual eu já pedi a exclusão da conta e por algum motivo desconhecido ela ainda não foi excluída.
Muitoooooooo obrigada @Overgreen mais conhecido como pai da facção e beta parceiro, por ter me ajudado nesta one que não me deixava seguir com os trabalhos da faculdade enquanto não arrumasse ela kkkk
Espero que curtam, boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo único


Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal e estará sujeita a cobrança após o sinal.

O mesmo aviso. Sempre.

Já sou intimo de sua caixa postal, embora creia que este nem mais seja seu número.

O telefone é devolvido ao bolso da calça e esfrego as mãos em busca de um pouco de calor. As folhas caídas no chão tem coloração marrom, vermelha, algumas amarelas, o que trazem uma sensação de aconchego, ao menos em minha mente, mas o vento frio parece estar ali para me lembrar de que nada é perfeito, de que sou um intruso naquele local.

Os brilhos do mundo muitas vezes me colocaram em situações complexas, como quando festejei meu aniversário em Ibiza, lembra-se? Sim, eu ainda lembro que você não gostou nada da ideia, e honrando a pessoa de palavra que era, não compareceu a celebração, e nem depois...

Fui eu quem foi embora, fui eu que abandonei nossos sonhos, que despedaçou seu tão bondoso coração, que por tantos anos me compreendeu. Em tantas lesões me acompanhou, em tantas vitórias comemoramos, tantas lágrimas minhas enxugara, pois era a única pessoa a me ver chorar, a única pessoa a me conhecer de verdade.

Embora eu mesmo não me reconhecesse agora, diante de tantas lembranças.

O lago onde brincávamos quando jovens, ainda posso ouvir o riso de meus pais ao verem a cena, a falarem como você me trouxe de volta a vida, como me fez um homem mais caseiro, fez de mim uma pessoa melhor. E sim, tudo o que tenho, devo a você, que sempre foi meu suporte.

Na outra margem, alguns amigos me abanam, sorriem, mas não se aproximam, afinal, todos seguiram com suas vidas, eu quem sou o turista aqui agora. O deslocado, o que já não faz parte de turma nenhuma, o que só têm conhecidos e pessoas que não se importam com o que acho sobre elas ou com o que estou passado, pessoas que tenho a impressão que riem e olham para mim, talvez e seja o motivo.

Talvez toda a patética história envolvendo Ana seja o motivo, talvez eles simplesmente estejam seguindo com sua vida, e eu, paranoico, deslocado, me sinta afetado por aqueles que em outrora foram meus amigos e hoje já não mais se importam com a minha presença.

As ruas tão conhecidas têm algumas diferenças, as casas possuem novas cores, os velhos cachorros já não existem mais; em seu lugar, muros e câmeras de segurança, em outras casas, pequenos cachorros que não nos deixariam nem mesmo chegar até a campainha, denunciando nossa presença antes mesmo de a tocarmos e sairmos em disparada.

Seu sorriso já não está junto a mim. Seu sorriso, a única coisa capaz de dissipar dos céus as nuvens negras que por semanas a fio tem me feito companhia, como se para me lembrar que, indiferente se estiver na casa de meus pais, ou em meu apartamento em Manchester, meus dias sempre serão negros daqui em diante, pois seu sorriso já não mais está ao meu lado.

Cada local me lembra de você, cada cafeteria pela qual passo, cada pessoa que me pede autógrafos e de forma muda me questiona com o olhar o porquê fui embora, e respondo mentalmente um pedido de desculpas. Nem mesmo mais sei se para elas ou para mim mesmo.

Desculpe por destruir-se a si mesmo, Bastian. Parece louco, mas é assim que me sinto.

Meu caminhar me trás de volta ao prédio onde tantas reuniões fizemos com amigos, quantas noites românticas, quantas brigas.... O  velho porteiro ainda me conhece, conversamos por um tempo até ele me entregar a chave de nosso apartamento.

— Está vazio desde.... Bom, o senhor sabe quando.

Não resisto a subir novamente ao 4° andar, e não mais a guirlanda enfeita a porta de carvalho. Nem mesmo o tapete de boas vindas, com um simpático senhor barbudo munido de um cajado e uma espada, além do chapéu pontudo e barba longa, recepcionava nossos visitantes com a clássica frase “you shall not pass”.

O local está vazio, ao menos em móveis. Abro a janela externa, vendo como o vidro já acumula pó. Uma escada de metal e alguns instrumentos de eletricista e marceneiro se encontram  no canto, além de um balde de tinta, mas não sinto cheiro de nada pintado recentemente. Além de que, nosso papel de parede com a flor de lótus do quarto de hóspedes ainda é o mesmo, nossos espelhos do guarda roupa embutido em nosso quarto ainda estão ali, e de certa forma, ao abrir suas portas, sinto o aroma tão característico e inebriante de seu perfume, como se algo seu ainda estivesse ali, mas nada encontro em minha procura.

Na sala, a marca amarelada na parede branca não é capaz de me fazer esquecer o belíssimo retrato nosso que ali existia, uma confusão de peles de nossos casacos. Talvez alguma pessoa desconhecida acharia o quadro ridículo, mas aquele era o nosso ensaio, fotos jamais divulgadas, algo apenas nosso, nosso segredo, guardado a sete chaves, segredos de duas pessoas tão públicas.

Sento-me no chão, pouco me importando se ficarei com a calça suja de pó ou as costas marcadas do branco do gesso da parede, apenas me entrego a saudade. Uma palavra engraçada que aprendi no Brasil quando lá estivemos, e que você até mesmo procurou no dicionário alemão se havia um sinônimo ou algo do tipo, pois dizia definir perfeitamente o que passava a cada vez que tínhamos de ficar distantes.

O que frequentemente acontecia, e agora ainda mais.

Saudades de suas mãos, sempre tão mais bem cuidadas que as minhas, seus cabelos tão macios e cheirosos, sua preocupação com a idade, com o certo e o errado, com às vezes em que este mesmo apartamento presenciara as cenas mais inacreditáveis do mundo: em duelos no vídeo game onde você me reduzia a nada, ou fazia inveja nos vizinhos nos tempos em que dispensávamos Malena, nossa empregada simpática, e você se colocou como ser supremo da cozinha.

Saudades de quando me chamavas de covarde por não querer levantar no frio, ou de estar andando muito com Thomas, pela quantidade de acidentes domésticos dos quais fui protagonista.

Uma lágrima faz o caminho até meus lábios quando as portas do elevador se fecham para minha descida, lembrando-me de quando tentamos refazer a famosa cena de 50 tons de cinza, e ganhamos olhares maliciosos da segurança do prédio a cada vez que nos cruzávamos depois daquilo.

Penso em voltar, em abandonar tudo como antes já fiz e voltar para casa, mas já não me sinto em casa. Sei que mesmo que retorne, as coisas não serão iguais. O outono que agora colore as ruas, não irá mais colorir meus cabelos com as folhas que você me jogava, o inverno não terá mais seus gritinhos e reclamações de quando eu, gelado, corria do banheiro para junto de ti em nossa cama. A primavera não terá mais o mesmo colorido sem o azul de seus olhos, nem o verão o calor de teu corpo.

Volto para casa e encontro o mais novo motivo de minha taquicardia: o maior e mais bonito sorriso desdentado que já vi em toda minha vida. Meu sobrinho a morder o que parecia ser um delicioso mordedor em forma de sol, confortavelmente seguro nos braços de meu irmão, que apenas não babava mais pelo dia ter apenas 24hs. Conto a ele sobre tudo o que se passou e rio, disfarçando o nó que se forma em minha garganta quando as lembranças retornam, mas tudo é muito vago. Tobias nem nenhuma outra pessoa pode ser capaz de compreender o que sinto e o que penso, a não ser aquelas que assim como eu, encontram-se longe de casa, e sabem que nada é como antes, nada nunca vai ser.

— Está falando de Sarah ou de Lukas?

O questionamento de meu irmão me trás de volta a vida, como se conseguisse sentir o calor da lareira e o cheiro da pizza recém-tirada do forno por minha mãe.
Sarah ou Lukas? Analisando todos os meus pensamentos, toda a dor, todas as lembranças, nem eu mesmo sei dizer por quem choro, talvez por mim mesmo


Notas Finais




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