História Calafrio - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Gay, Jikook, Lobisomens, Revelaçoes
Exibições 75
Palavras 2.283
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 19 - Capítulo 17


Jungkook•- 13°C 

 

Quando o alarme de Jimin disparou na manhã seguinte, as 6:45 para aula, gritando eletrônicas obscenidades nos meus ouvidos, eu instantaneamente levantei, coração batendo forte, como tinha acontecido no dia anterior. Minha cabeça estava cheia de sonhos: lobos e humanos e sangue derramando em seus lábios.

 - Ummmmmm. - Jimin murmurou, despreocupado, e puxou os lençóis para cima ao redor de seu pescoço. - Desligue isso, por favor. Já vou levantar. Eu... vou levantar num segundo.

 Ele rolou, sua cabeça laranja mal visível sobre a beira de seu cobertor, e afundou na cama como se ele tivesse virado o colchão. 

E foi isso. Ele estava dormindo e eu não. 

Eu me inclinei contra a cabeceira dele e deixei-o ficar deitado ao meu lado, quente e sonhador, por mais alguns minutos. Eu acariciei o cabelo dele com dedos cuidadosos, tracejando uma linha de sua testa ao redor de sua orelha e até seu pescoço, onde seu cabelo parava de ser cabelo e ao invés disso eram cabelinhos fofos que se espalhavam para poucos lados. Eles eram fascinantes, aquelas penas suaves que iriam crescer em seu cabelo. Eu estava incrivelmente tentado em me abaixar e morder eles, muito suavemente, para acordar ele e o beijar e fazer ele se atrasar para aula, mas eu não conseguia parar de pensar em Jack e Christa e as pessoas que davam lobisomens ruins. Se eu for pra aula, eu ainda seria capaz de seguir o rastro de Jack com meu fraco senso olfativo?

 - Jimin. - eu sussurrei. - Acorde. - Ele fez um suave barulho, aproximadamente traduzido para “sai fora” na linguagem dos sonâmbulos. - Hora de acordar. - eu disse, e enfiei meu dedo em seu ouvido. 

Jimin gritou e me bateu. Ele estava acordado.

 Nossa manhã juntos estava começando a adquirir uma confortável rotina. Enquanto Jimin, ainda acordando, tropeçava para o banho, eu colocava um pão na torradeira para cada um de nós e convenci a cafeteira a fazer algo que parecia como café. 
 
  De volta em seu quarto, eu ouvi Jimin cantarolar no chuveiro enquanto colocava meu jeans e checava suas gavetas buscando meias que não parecessem curtas demais para mim usar. 

Eu ouvi minha respiração parar sem sentir. Fotos, aninhadas entre suas meias muito bem dobradas. Fotos de lobos. De nós. Cuidadosamente, eu ergui a pilha para fora da gaveta e voltei para cama. 

  Virando as costas para a porta como se estivesse fazendo algo ilícito, eu folheei as fotos com meus dedos. Havia algo fascinante sobre ver essas imagens com meus olhos humanos. Alguns dos lobos eu conseguia ligar a nomes humanos; os mais velhos tinham mudado antes de mim. Beck, grande, forte, os olhos azuis. Paul, preto e parecendo limpo. Ulrik, cinza amarronzado. Salem, com suas orelhas entalhadas e olhos ativos. Eu suspirei, embora não soubesse por que.

A porta atrás de mim se abriu, deixando uma onda de vapor que tinha o cheiro do sabonete de Jimin, entrar. Jimin parou atrás de mim e descansou sua cabeça no meu ombro. Eu respirei o cheiro dele. 

- Olhando para si mesmo? - Ele perguntou. Meus dedos, passando entre as fotos, congelaram. 

- Estou aqui?

 Jimin foi para o outro lado da cama e sentou me encarando. 

- É claro. A maior parte delas são de você... você não se reconhece? Oh. É claro que não. Me diga quem é quem.

 Devagar, eu folheei pelas imagens de novo enquanto ele se mexia perto de mim, a cama estalando com seus movimentos.

 - Esse é Beck. Ele sempre cuida dos novos lobos. - Embora sótivesse dois novos lobos desde mim: Christa e o lobo que ela criou, Derek. O fato era que eu não estava acostumado a novatos - nosso bando normalmente crescia com lobos mais velhos nos encontrando, não com a adição de novatos como Jack. - Beck é como um pai para mim. 

Soava estranho dizer isso, mesmo que fosse verdade. Eu nunca tive que explicar a ninguém antes. Foi ele que me colocou embaixo de sua asa depois que fugi de casa, e quem colocou os fragmentos da minha sanidade de volta.

 - Eu percebi como você se sente sobre ele. - Jimin disse, e ele soava surpreso com sua própria intuição. - Sua voz fica diferente sempre que você fala sobre ele.

 - É mesmo? - Agora foi minha vez de ficar surpreso. - Diferente como? 

Ele deu nos ombros, parecendo um pouco tímido.

 - Eu não sei. Orgulhoso, eu acho. Eu acho que é doce. Quem é esse? 

- Shelby. - eu disse, e não havia orgulho na minha voz, por ela. - Eu te contei sobre ela antes. - Jmin observou meu rosto. A memória da última vez que Shelby e eu tínhamos nos visto fez meu interior se remexer desconfortavelmente. - Ela e eu não vemos as coisas do mesmo jeito. Ela acha que ser um lobo é um dom. - Ao meu lado, Jimin acenou, e eu estava agradecido por deixar nisso. Eu passei pelas próximas fotos, mais Shelby e Beck, até que eu pausei na forma preta de Paul. 
- Esse é Paul. Ele é o líder do bando quando somos lobos. Esse é Ulrik, perto dele. - Eu apontei para o lobo cinza-amarronzado ao lado de Paul. - Ulrik é como um tio maluco, mais ou menos. Um alemão. Ele xinga muito.

- Parece ótimo.

 - Ele é muito divertido. - Na verdade, eu deveria dizer que era muito divertido. 

  Eu não sabia se esse seria seu último ano, ou se ele ainda teria outro verão. Eu lembrei da risada dele, como um bando de corvos, e o jeito que ele permanecia com seu sotaque alemão, como se ele não pudesse ser Ulrik sem ele.

- Você está bem? - Jimin perguntou, franzindo a testa para mim. 

Eu balancei a cabeça, encarando os lobos nas fotos, tão claramente animais quando vistos por meus olhos humanos. Minha família. Eu. Meu futuro. De alguma forma, as fotos se borraram em uma linha que eu não estava pronto para cruzar ainda. 

Eu percebi que Jimin estava com um braço ao redor do meu ombro, sua bochecha se inclinando contra mim, me reconfortando embora ele não pudesse entender o que estava me incomodando.

 - Eu queria que você pudesse conhecer eles. - eu disse -, quando todo mundo era humano.

Eu não sabia como explicar a ele que enorme parte de mim eles eram, suas vozes e rostos como humanos, e seu cheiro e formas como lobos. O quão perdido eu me sentia agora, o único usando uma pele humana.

 - Me conte algo sobre eles. - Jimin disse, sua voz abafada contra a camiseta. 

Eu deixei minha mente repassar as memórias. 

- Beck me ensinou como caçar quando eu tinha oito anos. Eu odiei. - Eu lembrei de ficar na sala de Beck, encarando as primeiras árvores cobertas de gelo no inverno, brilhantes e piscando no sol da manhã. O quintal parecia como um perigoso e planeta alien.

 - Porque você odiou? - Jimin perguntou.

 - Eu não gostava de ver sangue. Eu não gostava de caçar coisas. Eu tinha oito anos. - Em minhas memórias, eu parecia pequeno, frágil, inocente. 

Eu tinha passado todos os verões anteriores me deixando acreditar que nesse inverno, com Beck, seria diferente, que eu não mudaria e que eu continuaria a comer os ovos que Beck cozinhava para mim sempre. Mas conforme as noites ficavam mais frias e mesmo passeios rápidos lá foram faziam meus músculos tremerem, eu sabia que a hora estava se aproximando em que eu não seria capaz de evitar a mudança, e que Beck não estaria por perto para cozinhar para mim por muito mais tempo. Mas isso não significava que eu iria por vontade própria. 

- Porque caçar, então? - Jimin perguntou, sempre lógico. - Porque não apenas deixar comida para vocês mesmos?

 - Há. Eu fiz a Beck a mesma pergunta, e Ulrik disse, "Já, e para os guaxinis e gambás também? - Jimin riu indevidamente encantado com minha imitação ruim do sotaque de Ulrik. 

Eu senti uma onda de calor em meu peito; eu me senti bem em falar com ele sobre o bando. Eu amei o brilho nos olhos dele, a peculiaridade curiosa que tinha em sua boca - ele sabia o que eu era e queria saber mais. Mas isso não significava que era certo contar a ele, alguém de fora do bando. Beck sempre tinha dito, 'As únicas pessoas que temos para nos proteger somos nós.' Mas Beck não conhecia Jimin. E Jimin não era apenas humano. Ele pode não ter mudado, mas ele tinha sido mordido. Ele era um lobo por dentro. Ele tinha que ser.

- Então, o que aconteceu? - Jimin perguntou. - O que você caçava?

 - Coelhos, é claro. - eu respondi. - Beck me levou enquanto Paul esperava na van para me pegar depois caso eu fosse instável o bastante para mudar de volta.

 Eu não conseguia esquecer como Beck tinha me parado perto da porta antes de sairmos, se curvando para poder olhar no meu rosto. Eu estava parado, tentando não pensar sobre a mudança de corpos e quebrar o pescoço de um coelho com meus dentes. Sobre dizer adeus a Beck no inverno. Ele tinha me pego nos ombros e disse: "Sam, sinto muito. Não fique assustado." 

Eu não tinha dito nada, porque eu estava pensando que estava frio, e que Beck não iria mudar depois da caça, e então eu não teria ninguém que sabia como cozinhar meus ovos direito. Beck fazia ovos perfeitos. Mais do que isso. Beck me mantinha Sam. Naquela época, com as cicatrizes em meus pulsos ainda tão frescas, eu estive tão perigosamente perto de me transformar em algo que não era nem humano nem lobo. 

- No que você está pensando? - Jimin perguntou. - Você parou de falar.

 Eu olhei para cima; não tinha percebido que eu havia desviado o olhar dele. 

- Mudança. - O queixo de Jimin se pressionou no meu ombro enquanto ele olhava no meu rosto; a voz dele era hesitante. 

Ele me fez uma pergunta que já tinha feito antes: 

- Dói? - Eu pensei no lento e agonizante processo da mudança: os músculos se flexionando, a pele se abaulando, os ossos se moendo.

 Os adultos sempre tentaram esconder essa mudança de mim, querendo me proteger. Mas não era ver a mudança deles que me assustava - a visão só me fazia sentir pena deles, já que até mesmo Beck gemia de dor. Era a minha mudança que me aterrorizava, mesmo agora. 
Esquecendo Jungkook. Eu era um péssimo mentiroso, então não me incomodei em tentar.

 - Sim. 

- Meio que me deixa triste pensar em você ter que fazer isso quando você era um garotinho. – Jimin disse. Ele estava franzindo para mim, piscando seus olhos brilhantes demais. - Na verdade, me incomoda muito. Pobre pequeno Jungkook. - Ele tocou meu queixo com um dedo; eu me inclinei em sua mão. 

Eu lembrei de estar tão orgulhoso que eu não tinha chorado quando mudei aquela vez, diferentemente de quando eu era mais novo e meus pais tinham me observado, os olhos cheios de horror. Eu lembrei de Beck, o lobo, se afastando e me deixando entrar na floresta, e eu lembrei da sensação quente e amarga da minha primeira matança em meu focinho. Eu tinha mudado de volta depois que Paul, colocando um casaco e um chapéu em mim, me pegou. Foi na van no caminho para casa que a solidão me atingiu. Eu estava sozinho; Beck não ficaria humano de novo aquele ano.

Agora, era como se eu tivesse oito anos de novo, sozinho e assustado. Meu peito doeu, minha respiração se espremendo para fora de mim.

 - Me mostre como eu pareço. - eu pedi ao Jimin, colocando as fotos em direção a ele. - Por favor. - Eu deixei ele pegar a pilha da minha mão e observei o rosto dele se iluminar enquanto passava as fotos, olhando para uma em particular. 

- Aqui. Essa é minha favorita sua. - Eu olhei para a foto que ele me entregou.

 Um lobo olhou de volta para mim, usando meus olhos, um lobo parado observando da floresta, a luz do sol tocando a beira de seu pelo. Eu olhei e olhei, esperando que significasse algo. Esperando por uma faísca de reconhecimento. Parecia injusto que a identidade dos outros lobos fosse tão clara para mim nas fotos, mas a minha estivesse escondida. O que havia nessa foto, naquele lobo, que fez os olhos de Jimin se iluminarem? O que havia em mim? E se ele estivesse apaixonada por outro lobo e apenas achasse que era eu? Como eu saberia? 

Jimin estava inconsciente a minhas duvidas e entendeu errado meu silêncio, achando que era fascinação. Ele desdobrou as pernas e levantou, me encarando, então passou a mão pelo meu cabelo. Ele ergueu sua palma até seu nariz, inalando profundamente. 

- Sabe, você ainda tem o cheiro que você tem quando é lobo. - E bem assim, ele disse a única coisa que poderia me fazer sentir melhor. Eu entreguei a ele a foto quando estava saindo. 

Jimin parou na porta, sua silhueta vaga pela fraca luz cinza da manhã, e olhou de volta para mim, para meus olhos, minha boca, minhas mãos, de uma forma que fez algo dentro de mim se amarrar e desamarrar de forma insuportável. 

Eu não achava que pertencia aqui no mundo dele, um garoto dividido entre duas vidas, arrastando o perigo dos lobos comigo, mas quando ele disse meu nome, esperando que eu o seguisse, eu sabia que faria qualquer coisa para ficar com ele.



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