História Californication - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 4
Palavras 2.000
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Escolar, Famí­lia, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Esse cap ficou maior que o outro porque eu me inspirei, Boa leitura.

Capítulo 2 - Você vai e ponto final.


Fanfic / Fanfiction Californication - Capítulo 2 - Você vai e ponto final.

Mia acordou aos gritos do pai, que lhe chamava para descer e tomar café. Eram 07:00 da manhã de um sábado, e a única coisa que a garota queria fazer era dormir, dormir pra sempre e nunca mais acordar. Tomou banho, vestiu a primeira coisa  que viu pela frente (um shorts jeans,  uma regata preta lisa e um chinelo), já que não pretendia sair de casa e ficou se encarando por um tempo no banheiro. Seus pais sempre lhe diziam o que fazer, e sempre estavam certos no fim, então por que Mia sentia que não devia ir? Será que era mesmo o certo a se fazer? Era uma oportunidade de ouro mesmo, estudar fora, ter sucesso, ser uma grande doutora, mas não era o que ela queria. Nem ela sabia o que queria, como poderia ser contra isso? 

Resolveu descer de uma vez, já que não tinha escolha,bastava aceitar. Desceu as escadas e se deparou com seu pai sentado na ponta da mesa lendo jornal com uma xícara de café bem quente e amargo, do jeito que ele gostava, e sua mãe pegando suco de laranja na geladeira e levando até a mesa junto com as panquecas. Assim que percebeu sua presença, seu pai lhe disse:

- Bom dia filha! Como vai minha doutora? Eu não pude vir ontem, você sabe: plantão, cirurgia, trabalho e mais trabalho, mas sua mãe deve ter te contado sobre... 

- Sim ela falou... -Respondeu Mia, num tom de voz frio e seco enquanto se sentava a mesa. 

- Então querida, não está contente? 

- Pai, eu só acho que... 

- Mia,- sua mãe entrou na conversa de repente, interrompendo a garota num tom de autoridade - nós já falamos sobre isso, você vai! 

- Ela não está querendo ir Márcia?  -perguntou o pai, um tanto surpreso. 

- Ela fez birra ontem, disse que o futuro era dela, que ela sabia o que queria, chegou a sair de casa e correr para praça chorando Ricardo. Nessa idade fazendo birra...  Onde já se viu? 

- POR QUE A SENHORA É TÃO CHATA EM?  - Mia levantou bruscamente da mesa e subiu até seu quarto, deixando cair algumas lágrimas. Era seu último dia com os pais, por que sua mãe tinha que provocar tanto? 

Ela sentou na cama e chorou, apoiando os cotovelos no joelho. Seu pai bateu na porta algumas vezes, a qual ela tinha trancado, mas ela nem se preocupou em atender. Percebeu então que o homem havia  desistido e resolveu se deitar e respirar um pouco. Se quisesse paz, teria que buscar fora daquela casa, respirar ar puro de verdade, então simplesmente abriu a porta e passou reto por seus pais, os ignorando completamente sem prestar atenção nos seus comentários. 

Sentou-se novamente naquele banco da praça, que pelo visto servia apenas para ser um refúgio quando a coisa ficava feia em casa. Sempre foi assim, ela sempre ficava sozinha. Não saía, não comunicava, até era considerada chata, sempre queria estar sozinha. Enquanto chorava lembrou-se de outras vezes em que chorou como naquele momento, o que era outro defeito de Mia. Não bastava estar triste, tinha que relembrar outras tristezas. Lembrou-se da morte de sua vó, que na época morava em sua casa. A senhora morreu de câncer, e pelo avanço do tumor, não  havia nada que podiam fazer. Ela com seus 7 anos não entendia como dois médicos, seus pais, não conseguiam curar o que a garota achava que era uma simples gripe, como todas as outras doenças do mundo. 

Depois se lembrou de quando mudou de escola, aos 14 anos. Digamos que seu oitavo ano não tenha sido muito bom. Na verdade foi péssimo. Mal chegou na escola e já ouviu coisas como "olha lá a novata gordinha, não vai comprar a cantina inteira em? " "caramba, que gorda. Ninguém vai querer namorar uma dessas ai". Sim, ela sofreu. E como era sozinha não podia contar aos pais, nem a ninguém. O único jeito de melhorar a angústia que ela encontrou foi...  auto mutilação. Apenas alguem que já fez isso sabe o quanto doí e...  o quanto alivia. E parece maravilhoso, ótimo, a primeira vista é uma coisa fantástica. Mas era horrível. Aquilo não calava os comentários, não parava a zoacão, apenas lhe trazia dor e cicatrizes. 

Hoje ela apenas tinha marcas. Não se cortava pois seus pais descobriram, mas ao invés de levarem a menina para um psicólogo, um tratamento, apenas a tiraram da escola e esconderam o problema de todos. Claro, já era  uma vergonha ter uma filha doente e toda marcada, imagina se as pessoas soubessem? Ela também tinha emagrecido, desta vez com acompanhamento médico, p que ao menos, evitou que tudo se repetisse na nova escola, a qual ela acabava de sair. 

Ficou ali até sentir fome. Por sorte achou dinheiro naquele shorts, provavelmente tinha ido até alguma loja com ele e esquecido de tirar o troco. Foi até uma lanchonete e enquanto comia, foi abordada por um rapaz que parecia estar um pouco perdido. O garoto cutucou seu braço e perguntou:

- Licença. Por acaso você sabe onde fica a loja xxxxx? Eu preciso encontrar minha irmã lá, mas não tenho idéia e onde seja. 

- Sim,  claro. Eu amo essa loja. Se não se incomoda, eu posso acompanha-lo até lá, sou péssima em orientações... 

- Não, sem problemas, imagine...  Muito obrigado, você me ajudou muito. 

Mia pagou pelo almoço e acompanhou o rapaz até a loja. Durante o trajeto foram conversando sobre vários assuntos aleatórios. Acabaram descobrindo que moravam no mesmo bairro duranto 5 anos e nunca tinham se visto. Ao chegarem, o garoto  disse:

-Muito obrigado, você me ajudou muito. 

- Imagine, foi um prazer conhecê-lo.  

- O prazer é todo meu. Nos vemos  novamente? Você me trouxe até aqui, eu gostaria de pelo menos levá-la até uma cafeteria para conversarmos mais. 

- Eu adoraria, porém viajo amanhã, e pelo visto vou passar longos anos lá, mas muito obrigada pelo convite. Tenho que te deixar agora, preciso arrumar as malas agora. Tchau... 

- Lucas. Me chamo Lucas. E você... 

- Mia. - os dois riram um pouco. Era estranho conversar tanto sem nem saber o nome da pessoa. 

- Então tchau Mia, e lhe agradeço de novo pela companhia. 

A garota despediu-se e voltou para casa. Ficou com a imagem daquele garoto na cabeça, uma  pena não  poder vê-lo novamente. Lhe restava apenas voltar para casa, arrumar as malas e ouvir os sermões  da mãe. Que maravilha... Como planejado, assim que abriu a porta viu seus pais sentados conversando no sofá. Nem deu tempo da garota entrar, sua mãe ja veio gritando:

- De novo Mia? É assim que você resolve as coisas? Chora, grita e foge ao invés de conversar como uma pessoa normal. Você faz isso pra me provocar não é? Você adora me ver irritada, parece que eu não posso ficar em paz, sempre tem que estragar tudo, é incrível. E ao invés de chegar, falar com calma, ouvir os outros, naaaaaao é a Mia, ela tem que fazer o seu drama sempre. Tem que se trancar, correr, se fazer de vítima. Toda vez é a mesma... 

- Chega Márcia. Nem você sabe conversar como quer cobrar isso da garota? Mia suba pro seu quarto. Nós vamos conversar A SÓS. 

Pronto. Bastava reconhecer o tom de voz do pai pra saber que a conversa seria séria. Não que ela brigasse, ou batesse. Mas nesse tom de voz, sim é sim e não é  não. O que fosse decidido naquele momento seria feito, sem discussão. Ela então subia ao quarto e esperou pelo pai. Enquanto subia ouviu algo do tipo "Eu vou falar com ela, mas você tem que se controlar, ouviu bem? " Sentou na cama e logo seu pai entrou. Ele então sentou ao seu lado e disse:

- Mia, apenas converse comigo ok? Qual é o problema? 

- Eu não quero fazer medicina. 

- Mia você teve a vida inteira para falar isso e espera um dia antes da viagem? 

- Eu tentei falar, eu juro. Mas nunca me ouviam, sempre me cobravam de ser doutora, sempre a mesma coisa. Meus avós, bisavós, vocês, todos médicos sempre me falando que eu devia fazer isso mas... 

- Mas o que filha? 

- Ninguém nunca me perguntou o que eu queria. 

- Posso te perguntar então? 

- Acho que sim. 

- O que você quer Mia? 

- Eu...  eu...  Não sei

- Eu não posso fazer nada Mia. Você vai pra faculdade com a sua tia. Arrume suas malas e descanse. Eu te amo querida, amo mesmo, mas enquanto você não se decide, nós não podemos esperar. 

Apenas deu um beijo na sua testa e saiu, deixando Mia com um aperto enorme no coração. Ela levantou da cama, pegou sua mala em cima do guarda-roupa e arrumou sua coisas. Quando tudo estava pronto ela dormiu, apesar de ainda serem 18:00. Ao menos ela estaria descansada, já que acordaria tão cedo no dia seguinte. 

Eram 04:00 e seu despertador tocou, o que foi bem inútil já que ela estava acordada desde as 02:00. Talvez tivesse ido dormir cedo demais. Tomou banho, colocou uma calça jeans, uma camisa de manga longa um pouco solta branca e um tênis preto e desceu para tomar café. Como seus pais só acordariam dali a uma hora para se despedir, ela foi até uma cafeteria próxima para comer alguma coisa. Pegou um cappuccino e um croissant, e quando foi sentar-se em uma mesa vazia, ouviu:

- Mia. Não é possível. -era Lucas, sentado na mesa de trás. - senta aqui comigo. -disse ele acenando para lhe chamar atenção. 

- Lucas, oi. E não é que nós viemos mesmo tomar café juntos? -brincou a garota, se sentando na cadeira sa frente. 

- Que coincidência. Cappuccino? 

- Sim, eu não sou tão fã de café. 

- Posso chutar? Não conseguiu dormir? 

-   Consegui sim, só que cedo demais. Acabei acordando antes dos meus pais e vindo aqui comer alguma coisa. E você, por que acordou tão cedo? 

- Eu não consegui dormir muito bem ontem, fiquei até tarde vendo minha mãe no hospital, então me restava apenas vir aqui tomar café pra ficar acordado. 

-Nossa Lucas, eu sinto muito. 

- Tudo bem, ao menos ela está melhorando. Mas vamos mudar de assunto. Que horas você vai? 

Os dois ficaram conversando durante um bom tempo, até a garota perceber que já estava na hora de sua tia chegar para busca-la. 

- Lucas, foi ótimo ter te encontrado mas eu tenho que ir, minha tia ja vem me buscar. 

- Eu digo o mesmo Mia, foi ótimo vê-la novamente. Uma pena você ter que ir. 

- A minha viagem não impede que a gente se fale. Podemos nos falar por telefone, trocar mensagem, o que acha? 

- Eu adoraria. 

Os dois trocaram os números e se despediram. Ela então correu até sua casa, por sorte sua tia ainda não havia chegado. Entrou na casa e seus pais estavam tomando café na mesa. Assim que sua mãe lhe notou, perguntou:

- Posso saber onde estava? 

- Bom dia pra você também mãe. 

- Eu te fiz uma pergunta Mia. 

- Márcia deixa a garota ela já tem 17 anos. 

- 18 pai- corrigiu a garota entrando na casa - e eu estava tomando café aqui perto, acordei cedo demais e não queria acorda-los. 

- Fez bem - respondeu sua mãe muito séria - temos plantão hoje então foi bom não nos acordar, mas da próxima vez, deixe ao menos um bilhete avisando. Sua tia chega daqui a pouco. Desça com as malas e tranque a casa quando sair. Nós temos que ir. 

Os dois saíram para o hospital e Mia desceu com as malas. Não demorou 15 minutos sua tia ja tinha chegado. As duas entraram num táxi e foram até o aeroporto, esperar para que finalmente, fosse a hora de voar. Não sabia se chorava ou sorria, não sabia o que dizer. Mia apenas estava lá, esperando a hora chegar. 





Notas Finais


Foi isso gente. Talvez eu poste o próximo hoje, talvez. Obrigada por ler 💖


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