História Calm The Storm - Capítulo 26


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Tags Fairy Tail, Gray, Gruvia, Juvia
Exibições 82
Palavras 4.442
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Estupro, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eai gente bonita!!
Eu vi os comentários vou responder assim que postar o capítulo.
Queria dizer que sinto muito pela falta de criatividade nesse capítulo, sinceramente acho que não ficou tão bom, mas não queria deixar vocês sem nada depois de tantos comentários. Acho que toda as coisas que estão acontecendo devem estar me afetando e isso deixa a escrita ruim, ou a ideia ruim, ou eu to louca mesmo e n ta nada ruim...
Enfim ^^

Gray voltou \oo não tão forte ainda, mas vai voltar. E prometo melhorar os capítulo, estou contando os dias pra acabar esse curso, esse processo de separação dos meus pais, que eu já to pra me matar -literalmente - então contem os dias comigo!!! Provavelmente acaba dia 10/12 então trago um capítulo depois desses dias.

Ah só um P.S. Queria tentar ter tirado fotos mas não consigo postar a foto aqui sei la qlqr cosia deem uma dica como eu posso mostrar pra vocês essa foto pra verem que é verdade, maas Coloquei todos vocês nos meus agradecimentos de TCC porque realmente vocês não sabem o quanto os comentários e elogios, e ter alguém gostando do que eu faço é gratificante em meio toda essa depre dessa vida, vocês não sabem quantas vezes já fizeram meu dia melhor por causa de um comentário.. Então, obrigada <3

Capítulo 26 - Um Tempo


Dois anos depois.

 

Juvia estava sentada no banco da academia encarrando o nada enquanto sua instrutora Erza Scarlet tentava lhe chamar atenção.

-Juvia?

-Ah oi...

-Está pronta?

-Tô.

 

Dois longos anos se passaram desde aquela noite.

Ninguém, nem mesmo os assinantes comentaram mais sobre o site. Na escola muitos reclamavam da queda do site já que não sabiam o porquê. 

Depois daquele dia Juvia ficou quase louca com a história da gravidez. Mesmo depois de testes e mais testes negativos, ela ficara preocupada com isso e com qualquer possibilidade de estar doente.

Lyon nunca mais fora visto na cidade. Diziam que ele tinha se mudado pra casa do pai. 

Coisa que a princípio Juvia ficou com medo, afinal ela morava na capital.

Gajeel havia finalmente se mudado pra mais perto junto com Lica. Rogue, havia conseguido um intercambio do Canadá pra estudar computação lá.

Outro motivo dela ter se afundado ainda mais na depressão.

Ás vezes, sonhava com o beijo deles e acordava chorando, tentando saber se era saudade dele ou daquele tempo antes da festa.

A mãe de Levy tinha feito sua cirurgia e por dois anos o câncer não voltou a aparecer.

Ela nunca soube como Levy conseguira aquele dinheiro. Que no fim das contas foi usado pra pagar os cartões de crédito atrasados.

Sting, ninguém sabia ao certo o que acontecera com ele.

Infelizmente, não tinha morrido como Juvia desejava.

Hisui havia entrado na carreira de teatro, só descobriu isso quando viu um cartaz no teatro da cidade onde ela era uma das personagens da trama.

Tinha ficado feliz.

Natsu voltou pra casa dos pais no Sul pra acabar a escola por lá. Mas Gajeel dizia que tinha quase certeza que ele voltaria para fazer a faculdade aqui.

 

Cada dia que se passava, Juvia saia menos de casa.

Três meses depois daquela noite, Rebecca resolveu encaminhá-la ao psicólogo que achou melhor introduzir os remédios.

O que foi uma luta e ainda era.

Nenhum resultado.

A depressão só crescia.

Era uma mistura de tristeza constante e acessos de raiva. Do mesmo jeito que ela teve um surto nervoso com Yukino ela tinha frequentemente dentro de casa quebrando tudo.

Atualmente Levy teve de se mudar provisoriamente para o interior, por conta de um trabalho da mãe e seu padrasto – o mesmo que havia pagado a cirurgia de sua mãe.

Juvia se sentia sozinha em partes. Mas tinha Gajeel por perto ainda. Ele a ajudava em tudo, disso ela não podia reclamar. Sempre a encorajava a ir ao último ano da escola, e a academia que tinha virado um hobby.

A psicóloga dizia fazer bem.

Ela treinava boxe de tarde e fazia natação. As únicas coisas que tinha gostado de verdade, mas não era fácil. A treinadora dela sempre reclamava da sua falta de presença e atenção nos treinos.

Perguntava a ela, o que queria e faria da vida depois de tudo. A resposta era sempre a mesma.

Não seria nada mal para de respirar pra sempre.

Parecia ser a plena paz.

A morte.

Sem dar trabalhos a mãe, ao melhor amigo. Sem lembranças, sem psicólogos, pesadelos...

Ela já tinha cogitado a morte algumas vezes naquele ano. E cada vez mais aquela ideia crescia e invadia sua mente.

O barulho de alguém caindo no ring a despertou do transe. Por um minuto achou tão bonito a ideia de levar uma pancada na cabeça e morrer.

Sem revidar...

Ela entrou no ring e cumprimentou a adversária.

 

Naquela noite, ela se deixou apanhar tanto propositalmente que Erza teve de tirá-la da luta.

-O que você está fazendo?

-Quero morrer.

-O que?

-Me deixa morrer Erza. – ela chorava

-Não seja idiota! – a garota gritou. Ela tinha uns dois anos de diferença da aluna e mesmo como professora havia se apegado a loirinha, não queria que ela pensasse essas coisas. – Não diga isso.

-Mas eu quero.

-Mas não vai! E te proíbo disso! Nem tudo que a gente quer podemos ter sabia?!

Juvia deu de ombros.

Ia achar outro jeito.

 

A segunda vez foi noventa por cento eficaz.

A piscina parecia o lugar perfeito.

Uma vizinha sua havia se matado na banheira de casa dias atrás. Afogada e de pulsos cortados.

Juvia ficou tão empolgada com a ideia que até sonhara. Mas não queria cortar os pulsos e esperar sangra até a morte, demoraria demais e alguém poderia acha-la antes da finalização do processo. Ela não tinha uma banheira, mas tinha a piscina...

Era perfeita.

Aquele horário que Bicks a trazia pra espairecer era perfeito!

A água parecia até lhe chamar...

Entrou aproveitando por um tempo a sensação de nadar, como se fosse a última vez. Era o jeito mais fácil.

O melhor lugar.

Começou a parar de nadar depois de uma meia hora. Observou Bicks e Erza do lado de fora conversando.  As pernas começaram a reclamar de câimbras, e ela se deixou afundar.

Era estranho.

No começo parecia tudo normal, até que a cabeça começou a doer, a necessidade de oxigênio se fez urgente. Ela continuou prendendo a respiração, a dor aumentando. O instinto de se salvar gritava por ajuda, até mesmo sentia os braços darem espasmos de querer se mover contra sua vontade.

Devia deixar a água entrar ou esperar?

Não sabia...

Só sabia que aquela dor ainda era mais fraca do que a outra.

O pouco de água começou a entrar pelas frestas da sua boca quando ela relaxou. A visão ficou preta deixando a atingir o fundo da piscina de olhos já fechados.

 

 

Juvia ouvia uma voz ao longe. Calma, enquanto alguém chorava do outro lado.

Tinha finalmente morrido?

Abriu os olhos se deparando com a irritante luz branca nos olhos.

Deus devia diminuir essa intensidade, doía só de olhar.

-Nós drenamos o pouco da água dos pulmões. É provável que ela tenha alguma dificuldade de respirar quando a situação exigir esforço.

O que?

Aquilo era um médico?!

Não...

Não, isso não podia acontecer!

Ela sentia o choro começar de dentro e doía chorar. As lágrimas começaram a escorrer de seus olhos para o ouvido.

Ela queria que um anjo a tivesse adotado ao ouvir aquele filha várias vezes.

Que Deus fosse o médico apenas a deixando bonitinha para o funeral.

Por favor...

Eu quero morrer...

-Filha? – ouviu Rebecca – Está tudo bem, estamos cuidando de você...

Não!

O choro aumentou.

Ela ainda...

Ainda...

Estava viva.

 

Chegar em casa foi a parte mais difícil. Depois de dois dias no hospital, ela finalmente recebera alta.

Rebecca custava acreditar que aquilo tinha sido uma tentativa de suicídio, mesmo que Bicks aceitasse e tentasse fazê-la compreender.

Suicídio ligado a sua filha era uma palavra que ela não aceitaria nunca.

Semanas se passaram até ela voltar a escola. “Quase acabando” pensou.

Em breve sairia dali e faria faculdade. Era só o que ainda a motivava a estudar.

Um novo lugar, com novas pessoas.

Levy também não questionou em nenhum momento a parte do suicídio. Gajeel foi o único que tentou se aventurar nessa parte – como sempre.

Ela estava sentada na janela tomando alguns raios de sol enquanto ele debruçado no chão tentava fazer a lição de química que ela ajudava a fazer.

-Posso saber o que foi isso?

-Isso? – ela o olhou

-Na academia.

-Ah, nada demais.

-Nada demais? - ela fez que sim – Você tenta se mata e o que me diz é nada demais?

-Desculpa, mas é verdade. Não é nada demais.

Gajeel sentia raiva.

Odiava a amiga naquela hora por ser tão... egoísta de tirar a vida. E ele? E Levy? Sua mãe?

Eles estavam ajudando, estavam ali por ela. Não contava?

-Me diz o que você quer.

-Como assim?

-O que quer? O que eu preciso fazer pra você enxergar que você não precisa se matar? Que você tem nós?!É pouco? Eu deixo ou deixei de fazer algo por você?

-Não... Gajeel é só que é justamente por isso...

-É só que o que?!Até quando você vai ficar assim? Fugindo da sua própria vida? Você tem muito ainda pra fazer!

-Eu não quero. Não tenho mais vontade de fazer nada. – sua voz começava a travar.

-Mas eu tenho. Tenho uma lista enorme de coisas que imaginei fazer um dia nessa vida, você está junto na maioria delas sabia?

-Sinto muito...

-Você faria isso por mim? Não quero realizar sozinho.

Juvia começou a chorar e abraçou o amigo afundando a cabeça no seu peito.

-Viveria pela Levy, pela sua mãe? Mesmo chata, ela é sua mãe, só tenta ajudar. E sente sua falta aposto... Eu tenho certeza que ela vai sentir sua falta.

-Desculpe...

 

Naquela tarde Juvia se olhava no espelho vendo o quanto estava magra. Muito magra. Seu rosto e braços fino agora com aquele cabelo enorme a deixava parecendo um personagem de filme de terror. Decidiu que cortaria todo aquele cabelo. Estava enjoada dele. Além de lhe trazer más lembranças.

Gajeel pegou uma tesoura qualquer e lhe deu.

-Quer mesmo fazer isso?

-Quero.

Juvia respirou fundo olhando no espelho com o amigo sentado ao lado.

Fechou os olhos.

Não queria cortar certo. Queria só picotar tudo aquilo e deixar cair os pedaços no chão, como se cada mecha fosse um acontecimento ruim.

Cortou a primeira mecha do seu lado esquerdo sentindo os fios caírem pelos dedos. Continuou mais e mais vezes em ambos os lados ainda de olhos fechados.

-Está ficando desigual. – alertou Gajeel

-Calado. – continuou a cortar, cortar...

Cortar...

Gajeel ficou em silêncio observando todo o processo que realmente não estava ficando nada bom, mas não falou mais nada, deixou que ela fizesse como queria até acabar. Juvia abriu os olhos minutos depois percebendo que não conseguia mais cortar nada e se assustou.

A primeira reação de Gajeel foi gargalhar. Tentou por uma hora se segurar, mas não adiantou.

-Eu disse que estava desigual.

-Está horrível.

-Tá.

-Meu Deus... – Juvia começou a rir também. Os dois começaram a rir alto, sem parar. Juvia olhava os tufos caídos no chão, o cabelo até o queixo agora, com um lado maior que o outro. Como arrumaria aquilo? Chamou pela mãe algumas vezes até Rebecca aparecer correndo com as mãos sujas de terra assim como seu joelho.

-O que aconteceu?!!Está tudo bem?! – ela ofegava até olhar o piso do banheiro. Viu que Juvia ria então estava tudo bem. Respirou fundo um pouco – Por que cortou o cabelo?

-Enjoei dele, mas agora ficou feio.

-É, ficou...

-Você pode arrumar?

-Devia ter pedido isso desde o começo. – comentou o amigo sentado na tampa do vaso.

Rebecca lavou suas mãos e pegou a tesoura arrumando como pode os fios, deixando os mais comportados num leve repicado.

Juvia gostou do corte, mas a mãe percebia que ela ainda se sentia incomodada com o cabelo.

-Quer pintar? – sugeriu

Desde sempre Juvia enchia a sua paciência para pintar o cabelo. Ela achava que seria só uma fase, mas a persistência durou até antes da tal festa. Agora, parecia ser a hora certa.

-Sério?

-Claro filha... – sorriu – O que você acha Gajeel?

-Vermelho.

-Não vermelho não... – Juvia se olhou no espelho tentando se imaginar com uma cor. – Azul! Eu gosto de azul!

-Combina com seus olhos. – acrescentou Gajeel.

-Hmm... – Rebecca coçou a cabeça – Ok. Compro a tinta amanhã e pintamos.

-Eba!! – ela deu dois pulinhos abraçando a mãe – Obrigada.

-De nada querida.

Rebecca aproveitar para dar um abraço apertado na filha afinal eram quase dois anos que elas mal se falavam.

Ela estava sendo protetora demais, talvez Bicks tivesse razão. Só o tempo poderia dizer como a relação entre as duas poderia ficar daqui em diante.

 

~~

A vida parecia um verdadeiro filme.

Eu torcia para que tudo aquilo fosse apenas parte de um. Me recusava a acreditar que cada palavra era verdade.

Mesmo sendo.

Acho que nunca havia segurado o choro por tanto tempo. Me segurado por tanto tempo.

Fiquei quieto ao lado dela, ouvindo, ouvindo...

Mesmo quando ela começou a chorar eu apenas peguei sua mão e entrelacei com a minha.

Passava pela minha mente todo o resumo enquanto pensava no que dizer.

Algumas lágrimas traiçoeiras escaparem dos meus olhos enquanto imaginava tudo o que Lyon fez.

Eu sabia dos problemas dele. Desde sempre. E confiei fielmente que ele fosse superar isso.

Fui o único que nunca acreditou que ele pudesse ter feito mesmo, alguma coisa com Ariane naquele dia. E ele não tinha feito.

Mas ela...

Juvia...

Por que?!

Eu sentia nojo.

Raiva.

Não sabia como descrever o que sentia na hora.

Juvia chorava compulsivamente depois de terminar de me contar tudo.

Exatamente tudo.

Ela explicou até mesmo o porquê de me contar sobre o Rogue. Disse que queria ser sincera comigo como eu tinha sido com ela, com a Ultear.

Não senti ciúmes. Pelo contrário, até mesmo fiquei feliz que ela tivesse tido alguém importante para ela também. Mas imaginei desde o começo que essa festa iria dar merda. Era a única coisa que eu pensava.

Eu queria abraçá-la quando ela começou a chorar timidamente ao contar sobre a maldita noite. Mas simplesmente, eu havia travado.

Ouvia tudo quieto, sentindo toda a raiva espalhar por todo o meu interior. Raiva da situação, raiva do Lyon nunca ter contado pra mim aquilo. Ele escondeu tão bem o que aconteceu naquela noite que eu mal desconfiei.

Apesar que nunca desconfiaria que ele fosse capaz disso...

A vontade de chorar só me tomou por completo me impedindo de segurar por mais tempo quando Juvia detalhou as duas vezes que ela tentara se suicidar.

Nunca em um bilhão de anos, conseguiria imaginar o desespero que ela sentia, a tristeza, a angustia a ponto de agir com tanta naturalidade diante desse fato. E tentar o ato, ainda duas vezes.

Imaginei o quanto seria infeliz agora, a minha vida sem ela. 

A vida de nós todos sem ela.

Se eu nunca a tivesse conhecido, iria continuar sendo um idiota qualquer. Sendo infeliz como eu sempre fui e tentava esconder, saindo todas as sextas.

Eu ainda apertava sua mão quando sequei minhas lágrimas com a mão livre e respirei fundo.

Queria quebrar aquele silêncio.

Queria dizer algo que servisse de consolo, mas nada.

Nada vinha a minha mente.

Eu só queria achar o Lyon e descontar tudo o que esteve entalado esses anos na minha garganta na cara dele. Socar tanto a cara do Sting até outros dentes dele quebrarem.

Sempre tão falso.

Até nisso Lyon tinha me avisado. Percebi o quanto eles se encaravam quando trabalhavam juntos.

Balancei a cabeça afastando a quantidade de informações, e detalhes que passaram despercebidos todos aqueles anos, para dar atenção a ela, que chorava com a cabeça nos joelhos.

Somente quando voltei a mim que percebi que Juvia sussurrava desculpas várias vezes.

-Por que está pedindo desculpas? – fui um pouco mais perto dela que tentava se recompor pra me responder.

-Por não ter contado antes... – fungou – Eu achava que iria estragar a sua relação com o Lyon, e ainda acho, mas não podia esconder mais isso. Mas me dói tanto contar isso pra você. Por mais que seja verdade eu não queria que ficasse sem falar com ele ou qualquer coisa do tipo...

Respirei fundo.

Eu entendia claro. Na verdade, esse era o motivo mais óbvio de todos.

-Não quero que se preocupe com isso.

-Desculpe...

Eu não sabia o que fazer. Mas iria tirar a limpo aquilo tudo.

-Preciso dizer uma coisa – comecei. Ela olhou pra mim os olhos avermelhados assim como as bochechas – era pra eu estar nessa festa, mas meu pai não pode pagar pra eu ir. Lyon queria me apresentar uma garota, e lembro de ter dito que não estava bem ainda pra mulheres, foi na época da Ultear...

-Era eu. – ela concluiu, e eu concordei.

-Sim era... – suspirei – Sabe que não é sua culpa, não é? Nem pela sua roupa, nem por estar bêbada, nem gostar dele, nada. Você sabe não sabe? Se você não sabe eu estou dizendo, nunca ache que é sua culpa.

Ela assentiu várias vezes chorando.

Estava farto daquela distância já.

Passei meus braços envolta dela e a abracei apertado. O mais apertado que eu podia.

Escutei que ela voltava a chorar no meu ombro, e afaguei seus cabelos.

-Me desculpe também. Parece que... Sinto que te forcei a fazer isso...

-Era preciso. – ela se afastou de mim – Está ficando tarde...

Olhei o relógio na parede. Eram meia noite e meia.

Eu a chamaria pra ficar aqui.

Não queria tê-la longe de mim. Ainda mais agora.

Mas eram tantas informações que eu precisava espairecer, e certeza que ela também. E desde a hora que ela chegou eu conseguia ver no seu rosto que ela não estava ali para falar de nós.

Cocei a cabeça nervosamente.

-Posso levar você?

-Não quero incomodar... – ela sorriu pela primeira vez na noite e eu sorri de volta.

-Você nunca me incomoda.

Levantei do degrau da escada e estendi minha mão pra ela.

Acho que foi a parte mais difícil da noite depois de ouvir sobre o suicídio.

O carro foi silencioso daqui até a casa dela. Salvo a som das nossas respirações, a dela mais acelerada que o normal.

Quando desci do carro me senti com quinze anos de novo, sem saber o que fazer.

Não sabia o que dizer ou fazer com o coração acelerado e minhas mãos geladas.

Eu estava tão confuso...

-Acho que obrigada, por me ouvir. Achei bateria a porta na minha cara.  

-Acredite não faria isso – sorri - Eu estou sempre aqui.

-O que vai fazer?

Eu sabia que ela se referia ao Lyon.

Pisquei duas vezes.

-Sinceramente, eu não sei o que farei... – respirei - Por que está preocupada?

-Não quero que odeie ele por minha causa.

-Não se preocupe.

-Gray... – ela fez um beicinho – É sério...

Lhe dei um beijo na testa demorado.

-Vai ficar tudo bem.

Ela sorriu de leve e me deu um beijo demorado na bochecha.

-Boa noite.  

 

Depois que voltei pra casa. Tomei um banho de meia hora envolto em lágrimas e sabão.

Nem preciso dizer que não conseguia dormir.

Olhei diversas vezes o perfil dela no celular, mas estava off-line há dias.

Pelo que conheço sabia que ela havia desligado o celular.

Desisti de só rolar pela cama e desci para a sala.

Liguei o vídeo game e coloquei o jogo mais que eu achava mais difícil de passar à fase.

Justo hoje, consegui passar e zerei o jogo antes do esperado.

Peguei o celular e usei a discagem rápida.

-Alô.

-Esperava uma voz sonolenta.

-Não durmo bem desde que voltamos da praia. E você? Acordado essa hora porquê?

-Juvia me contou. Tudo.

Ele ficou num duro silêncio do outro lado da linha.

Apenas esperei enquanto meu jogo carregava.

Era isso que você tanto escondia de mim? – questionei quando percebi que ele não ria falar.

-Sinto muito...

-Não sinta.

-Como está se sentindo?

-Não sei. Confuso talvez? Com raiva, certeza... Muita coisa junto. Não consigo pensar.

-E nem dormir – ele completou – Vai ficar assim por muito tempo... sinto dizer. – funguei – Só não deixe isso te levar, tente manter os pés no chão.

-Por que? O que tem isso?

-Ah, você sabe... – senti a confusão na voz dele – É... A primeira menina que você gosta de verdade depois de tanto tempo. Sei lá, não quero que surte por ficar sem ela.... Quer dizer, vocês terminaram e agora isso. Vocês vão precisar de tempo pra pensar, você precisa se resolver com o Lyon... Sei lá... Só é muita coisa.

-Eu não tinha pensado nisso.

E por nunca ter pensado nisso, comecei a suar frio só de pensar em ficar sem ela.

Não...

Não seria assim, seria normal. Eu estava apenas abalado pela conversa.

Iríamos voltar...

É claro...

 

Passei o resto da madrugada jogando com o Natsu. Decidi que não queria mais falar.

E quando ele disse que iria se arrumar para a faculdade percebi o quanto estava “tarde”. Coloquei Call The Storm pra tocar mas joguei o celular na parede na metade da música acordando meu pai.

Ele nem questionou, juntou as partes do celular em vão tentando consertar e disse para eu subir e tentar dormir.

Foi o que fiz.          

 

Juvia Lockser

Minha mãe estava roxa de preocupação.

Percebi isso assim que entrei pelo portão. E percebi também que ela não queria me aborrecer com algum sermão de chegar tarde, mas a inquietação dela me deixava irritada também.

-Não vai acontecer mais...

-Só podia ter avisado. – ela finalmente disse duramente até suspirar – Foi tudo bem?

-Acho que sim.

-Vou deixar você dormir. – ela saiu do quarto ainda nervosa

Sussurrei um obrigada e comecei a tirar a roupa indo direto pra minha cama. 

Tive a sensação de que iria chorar mais. Mas, as lágrimas simplesmente não saiam e sono também não vinha.

Rolei várias vezes o catálogo da Netflix atrás de qualquer coisa que não fosse romântica, nem dramática. Acabei vendo todos os Busca Implacável do Liam Neeson, e só no fim lembrei o quanto Gray adorava aquele ator e gritei de raiva acordando a casa toda...

Hesitei ainda de levantar e ir pra faculdade.

Sabia que estaria com uma cara horrível e sentira sono mais tarde. Mesmo assim teimosa, eu fui.

Peguei meu atestado falso. Graças a Lica. Enfiei na bolsa e peguei algumas coisas de maquiagem pra tentar tirar as olheiras.

Coloquei uma roupa qualquer e meu par de botas.

Bicks estava na cozinha com Gildarts, os dois me deram bom dia e eu apenas sorri esquentando meu café.

Acho que contei até dez três vezes, então são trinta – antes de passar pelo portão da escola.

Assim que passei com meus fones de ouvidos senti os olhares do pessoal da minha sala me encarrando e juro que tive vontade de ir até lá e dizer que matei alguém por um acesso de raiva então era melhor eles olharem pra outra pessoa.

Mas me segurei.

Me dirigi a secretaria e entreguei o atestado quando senti dois braços fortes me abraçarem pela cintura.

-Bom dia Natsu. – continuei séria

-Bom dia, Lockser.

-Como vai você e a Lucy? – peguei meu atestado e guardei sem sair do abraço dele. Afinal, estava friozinho agora de manhã e abraços sempre são bons.

-Hm, o de sempre. Só falei com ela pra saber como você estava.

-Quando vai voltar a falar com ela?

-Estou pensando ainda.

-Só não demore, não pense que ela vai esperar a vida toda. – me virei finalmente pra ele. Notei rapidamente as olheiras nos seus olhos fundos. – Não dormiu bem, não é?

-Não dormi...

Deduzi que ele e Gray conversaram apenas pelo tom da sua voz. Entao agora ele sabia que eu havia contado tudo. Cocei a cabeça sem graça.

-Acho que temos que ira pra aula. – ele passou o braço nos meus ombros e fomos andando pelo corredor.

Encontramos Gajeel lá em cima indo pra sala dele. Mas não parei pra falar com ele já que ele estava ja entrando na sala.

Fui pro meu “campo de exatas” com Natsu conversando sobre coisa aleatórias que não envolvessem as hashtag: amor, Gray, Lucy e derivados.

O que deu em: química.

Entrei na minha sala e me sentei ao lado de Kagura.

-Oi. – sussurrei pra ela que devolveu um sorriso.

-Posso te abraçar? – dei uma leve risada e estendi os braços pra ela que fez um barulho de felicidade e me abraçou forte.

-Achei que fosse me deixar, eu não iria conseguir fazer todo nosso trabalho sozinha... – dei risada – Sem contar que senti sua falta...

-Não vou te abandonar, vamos acabar isso juntas.

Passei o resto da aula apoiada quase no colo dela.... Dormindo.

~~

No intervalo fiquei o tempo todo jogada na biblioteca. No meu canto escondido, dormi de novo com o livro caído no meu tórax.

Sonhei que estava me afogando numa piscina.

Acordei no susto com Lucy ao meu lado. Ela segurava minha mochila e a sua.

-Parece que perdi os dois últimos turnos de aula... – comentei e ela assentiu.

Nós saímos da biblioteca em silêncio, inesperadamente, não por minha causa, ela que estava quieta. Lhe fiz poucas perguntas e ela quase não as respondeu.

Levy me esperava do outro lado da rua com Gajeel. Os dois agarradinhos como um casal que eram agora, e eu sorri com a cena.

Dei tchau a Lucy e segui até eles.

No caminho eu sabia que Levy não iria conseguir ficar quieta. Mas eu esperava que ela começasse o assunto. Ela perguntou sobre o tempo, as aulas, minha noite de sono, menos sobre o Gray.

-Por que não pergunta logo o que quer saber?

-An? – seu rosto ficou vermelho como se fosse uma criança sendo pega fazendo travessura – Só não queria te incomodar sobre o assunto.

-Não importa, seu rodeios pra chegar no assunto me deixam nervosa.

-Eu sei... – ela murchou os ombros e eu suspirei com a minha grosseria de sempre.

Ficamos mais algum tempo em silêncio até que chegou na minha casa. A chamei pra entrar e nos deitamos na grama do quintal dos fundos.

-Eai?

-Foi difícil. – comentei – Mas, por algum motivo me sinto bem melhor de ter contado.

-E ele?

-Só... – respirei – Ficou comigo, nós dois choramos, colocamos algumas coisas em ordem... Mas eu sinto que não tem nada em ordem.

-Por que?

-Ele ficou tão abalado.... Sem contar que eu, sei lá... – funguei e sequei as lágrimas que nem sabia que tinham saído – parece que acabou é estranho. Não sei como olhar pra ele de novo, não sei se vamos conversar de novo, nem se vamos ficar juntos de novo.

Levy me abraçou e senti que começava a chorar de novo.

-Não pense assim. Sinto que vai dar tudo certo.

Assenti em silêncio. Eu não sentia nada.

Não saia da minha mente as lágrimas dele rolando pelos olhos. Chorando.

Por mim.

Pelo Lyon.

Eu sabia que era o que se tinha que fazer.

Só que vê-lo naquela situação, descarregando toda aquela bomba em cima dele... Era demais.

Eu só queria me enfiar num buraco e sumir.

-Por que não está com Gajeel?

-Não consigo. Vocês estão todos triste... Você e Gray, Lucy passa os dias enfurnada no computador estudando tanto propositalmente só pra não falar com ninguém, Natsu cada dia chega com mais olheiras de ficar sem dormir. Isso me afeta.

-Desculpe.

-Deixe de ser idiota. Não precisa pedir desculpas sempre. Nem sempre é sua culpa... Mesmo você fazendo muito merda.

Dei risada.

-Acha que ele ainda gosta de mim?

-Ah me poupe... Claro que gosta! Pior, ele ama.

Arregalei os olhos pra Levy.

-Ele não...

-Ama sim, e ele deve estar louco a uma hora dessas porque ele não sabe mais o que é isso, e não estar com você piora tudo, mas sabe de uma coisa? Dê um tempo a si mesma, vai ficar tudo bem.


Notas Finais


Até o próximo, deixem suas sinceras opiniões sobre o capítulo! Esqueci de dizer que eu ia fazer um cap maior porem, se eu continuasse escrevendo ia demorar e ficar muito gigante entao... chega de falar bjos!


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