História Caminhos Traçados - Larry Stylinson - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Harry Styles, Louis Tomlinson, One Direction
Personagens Harry Styles, Louis Tomlinson, Personagens Originais
Tags Brasil, Drama, Larry Stylinson, Romance
Visualizações 28
Palavras 1.402
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Super Sentai, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Capitulo 2


 No outro dia após as rotinas matinais organizei novos livros do Bukowski e de alguns outros escritores que poeticamente poderiam induzir Thalles a se agarrar em sentimentos bons. Sempre tive essa impressão esquisita de que os livros abrem uma conexão profunda entre as mentes que os leem e absorvem o conhecimento ali contido, criando uma linha de simpatia espontânea. Não importa quão vergonhoso você seja, quando vir alguém lendo seu livro preferido na rua vai sentir uma conexão imediata que gerará uma vontade quase incontrolável de falar com um desconhecido.

 

O frenesi da televisão ainda não havia acabado no outro dia e minhas aulas com Thalles continuaram exclusivas. Ele havia virado a noite acordado lendo o livro que lhe emprestei apesar de eu não saber como conseguiu convencer o guarda a manter as luzes acesas. Quando me viu se pôs logo a comentá-lo.

- O primeiro conto desse livro me fez pensar na beleza de uma forma diferente, acredito eu que todos deveriam ler esse conto e aprender algumas coisas com a Cass, não a se matar claro, mas entenderem que a beleza não é sinônima de felicidade e que ela não vale coisa alguma.

- Concordo com você nesse ponto Thalles, mas creio eu que o verdadeiro problema está no que as pessoas andam considerando como beleza, um por do sol é belíssimo, o canto dos pássaros é uma das obras divinas mais belas, um sorriso sincero é a representação mais linda da felicidade. E tudo isso é realmente lindo, porem as coisas apreciadas em sua maioria são seios e bundas fartas, cinturas finas, olhos claros, e outros diversos padrões de beleza que eu considero ridículos e que nada oferecem na busca pela felicidade.

- Você ‘tá certíssimo, eu particularmente não desprezo as belezas físicas afinal não é todo dia que encontramos as pessoas com um livro do nosso escritor preferido nas mãos, mas preciso admitir que esse seu cabelo castanho e esses olhos azuis são bem sem sal, não gosto muito de belezas dentro do padrão, o Bukowski te salvou.

Comecei a rir não conseguindo decifrar se tudo não passava de uma brincadeira, tratando-se do Thalles que vivia de ironias, ou se ele realmente estava me elogiando.

- Eu não sei se foi só brincadeira ou uma critica em conjunto com um elogio, mas ‘pra sua informação senhor Thalles eu tenho amigos gays e participava de militância com eles antes de ter que dedicar todo o meu tempo para o seminário e muitos dos garotos solteiros ficavam tristes de saber que eu sou hétero.

Um sorrisinho de canto se abriu em meus lábios observando a careta de incredulidade que Thalles esboçou ao ouvir a revelação.

- Você era militante das causas LGBT? Mas isso não faz o menor sentido, ‘tu é muito louco mesmo.

A reação dele não me surpreendeu a maioria das pessoas quando ouvem isso da boca de um seminarista agem como se estivessem acabado de ver uma blasfêmia, mas minha função como seminarista é estudar e levar em consideração todas as partes da bíblia e interpreta-la, assim, do mesmo modo que homossexualidade e comer carne de porco são pecado, julgar ao próximo é um pecado maior ainda. Os julgamentos cabem somente a Deus.

- Thalles eu sei que é difícil ouvir isso de um seminarista quando os cristãos do nosso país refletem uma classe que nunca cumpriram os mandamentos de Deus, quando eles ficam contra os homossexuais eles estão descumprindo um dos principais mandamentos, amar ao próximo sobre todas as coisas. Senão conseguimos amar ao próximo que podemos ver, tocar, observar o sofrimento, como poderemos nos dedicar a Deus que não é visto nem tocado?

- Pra mim toda essa história de Deus é bobagem para obrigar pessoas ruins a fazerem o bem por medo, e de verdade eu entendo a necessidade, eu não sou a melhor das pessoas, mas posso te garantir que convivo com pessoas muito piores e que o mundo está cheio delas. Como uma pessoa que já foi crente eu assumo que viver acreditando que alguém benevolente e justo está olhando por você e que o sofrimento tem significado é mais fácil, porque quando se percebe que tudo é em vão a dor fica insuportável, mas Deus é uma historinha pra crianças.

- Acho melhor nós passarmos pra literatura, eu trouxe alguns livros novos do Rick Riordan que tenho certeza que não tinha na biblioteca e você vai amar.

- Você nunca passou por nenhuma desilusão com a vida não é? Infelizmente sua hora também vai chegar Pedro, e aí você vai entender o que estou falando.

- Thalles, eu não quero discutir isso, sei que você tem seus motivos para acreditar nisso e eu tenho os meus também, é melhor deixarmos assim.

- A diferença Pedro é que eu vi de perto a maldade do mundo e que nada nem ninguém aparecem para nos salvar, o meu motivo para acreditar nisso é a vivencia, o seu motivo é uma ilusão ridícula porque tem medo da verdade.

Peguei os livros dispostos sobre a mesa deixando o primeiro de uma série nórdica e o primeiro da nova série de mitologia grega do Rick Riordan.

- Eu estou indo, vou deixar esses livros pra você ler e depois discutimos sobre eles.

Virei-me andando em passos largos sem permitir que Thalles se despedisse. Richard me revistou respeitosamente e franziu a testa.

- ‘Que foi que aconteceu Sr. Pedro? Tá todo caladão e compenetrado e saindo muito cedo, os meninos maltrataram o senhor?

- Não se preocupe, foi só um desentendimento religioso com o Thalles, ele é um garoto maravilhoso, porém muito cabeça dura, ele teve uma evolução incrível durante o período que ele está na casa dos menores infratores, mas ainda tem um pensamento muito ruim sobre o mundo.

- Ah, mas é de se esperar né senhor, ele não tem convívio com ninguém só ficava trancado dentro do quarto olhando 'pro teto quando não ‘tava no refeitório, desde ontem o senhor chegou ele fica no quarto lendo, eu até o deixei manter a luz acesa até mais tarde porque ele ‘tava lendo um livro que o senhor pediu. Na ficha dele o bom comportamento é evidente, ele só teve uma briga, que apesar dele quase ter matado o outro menino, não foi ele que começou.

- Richard, você sabe por que ele está na casa para menores infratores?

- Ele matou um garoto e ligou pra policia da cena do crime e ficou sentado do lado do corpo esperando a policia chegar. Ele não quis defesa, mas falou 'pro juiz que matou por vingança, parece que o garoto atormentava o namorado dele, o senhor sabe que ele é ‘viado né? E o namorado dele se matou num dia, no outro ele assassinou o garoto lá, maior bizarrice.

- Obrigado pela informação Richard, eu vou estar ocupado amanhã e talvez quarta e quinta também e provavelmente não venha mais essa semana, dá um olhadinha no Thalles pra mim ok? Se ele terminar de ler os livros que eu deixei o senhor me liga que eu deixo outros aqui pra ele.

- Pode deixar que eu ‘dou uma olhadinha nele Sr. Pedro, até depois.

Fui para o ponto de ônibus com Thalles na cabeça, nossa discussão rondando meus pensamentos juntamente com o que Richard me contou. Obviamente esse era o motivo para todo o seu pessimismo diante da vida. Eu sabia que Thalles fez algo de ruim, caso o contrario não estaria numa casa para menores infratores, mas sua personalidade inteligente e até pacifica nunca me faria imaginar que aquele rapaz premeditaria um assassinato.

Talvez ele amasse tanto o namorado que cometeu o assassinato num momento de raiva, mas se assim foi, porque ele não quis uma defesa? Lembrei-me de suas palavras “eu não sou a melhor das pessoas, mas posso te garantir que convivo com pessoas muito piores e que o mundo está cheio delas...Você nunca passoupor nenhuma desilusão com a vida não é?... A diferença Pedro é que eu vi de perto a maldade do mundo e que nada nem ninguém aparecem para nos salvar, o meu motivo para acreditar nisso é a vivencia..”

Porque meu coração sentiu bondade em um garoto que cometeu assassinato? E porque suas palavras me afetaram tanto?

Toda a melancolia naqueles olhos negros brilhantes é a dor da perda de um amor ou a culpa por ter arrancado uma vida?



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