História Camp Mars - Capítulo 41


Escrita por: ~

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Categorias 30 Seconds to Mars, Jared Leto
Personagens Jared Leto, Personagens Originais, Shannon Leto, Tomo Milicevic
Tags Acampamento, Comedia Romantica
Exibições 219
Palavras 3.548
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Não, não é miragem. Alice finalmente voltou!
Aconteceu uma coisa muito triste comigo. PLAGIARAM CAMP MARS! Dá para acreditar? Fiquei muito revoltada e finalmente tomei vergonha na cara e vim postar! '-' kjkkkkj
EU NÃO RESPONDI OS COMENTÁRIOS DO CAPÍTULO PASSADO POR FALTA DE TEMPO, MAS ASSIM QUE CONSEGUIR VOU RESPONDER TODINHOS VIU? NÃO SE PREOCUPEM!
Sem mais...
SIMBORA! ❤

Capítulo 41 - QUARTA FASE - Primeiro dia na UCLA


Fanfic / Fanfiction Camp Mars - Capítulo 41 - QUARTA FASE - Primeiro dia na UCLA

Duda PDV

 

Os motoqueiros pareciam esperar apenas por um movimento de Vincent, uma ordem silenciosa para atacar. Quão patéticos eram! Mesmo preocupada com o líder, não consegui tirar meus olhos de Corina. Se era para bater em alguém, ela, com certeza, ia ser a primeira a ver estrelas! Sorri, adorando a idéia.

Nesse momento, o som alarmante de sirenes nos fez olhar, todos, para a mesma direção.

– POLÍCIA! – Algum covarde gritou e isso foi o suficiente para a histeria se manifestar entre os estudantes.

Me admirei um pouco. Como a polícia local já saber do racha? A cidade era um ENORME, ora bolas!

– Ainda não terminei com vocês! – Vincent apontou o dedo para nós, antes de sair correndo com sua gangue.

O som de vários motores rugindo deixou-me atordoada. Com a correria, pessoas esbarrando em mim, não soube o que fazer. Estava mais preocupada em conseguir me manter de pé. Aquilo até me lembrou o arrastão na casa dos hermanos.

Olhei em volta e nem sinal dos babacas que estavam comigo. Podia jurar que ouvia o grito de Becca me chamando, mas não consegui vê-la em meio ao tumulto. O som das sirenes aproximando-se, me fez despertar.

MERDA!

Comecei a correr como todo mundo e, nesse momento, o ronco de um motor conhecido me fez estagnar.

– DUDA! – Chamou Jared.

Não havia o que pensar. Fui até ele, subi na moto e o Leto arrancou.

Enquanto ele desviava de carros e motos, em manobras arriscadas, tentei olhar para os lados, na expectativa de achar as garotas.

– Cadê todo mundo? – Berrei.

– Eu não sei! – Respondeu ele.

Jared subiu uma calçada para ganhar tempo, pois a via principal estava praticamente engarrafada. Todos estavam fugindo por ela. Temi que batêssemos em algo. No cruzamento, o aglomerado de veículos se desfez. Ele pegou a via esquerda, deixando para trás o alvoroço e já não podíamos ouvir o som das sirenes.

JAROLDO deu algumas voltas nas proximidades do nosso bairro, só para garantir que era seguro voltar para casa (nada bom aquela noticia sair correndo logo pela manhã), e me acompanhou quando entrei no apartamento das garotas. Sobressaltei com a cena à minha frente.

Os rockeiros, o viado e as meninas estavam petrificados, olhando para a sala bagunçadíssima. Comida espalhada pelo chão, vasos quebrados, revistas jogadas, cortinas rasgadas. Estremeci, tentando formular a pergunta que meus lábios eram incapazes de pronunciar.

– O que aconteceu? – Meu namorado questionou.

– Fantasma. – Murmurou o bisonhento, pálido.

– Nós acabamos de chegar e encontramos a casa inteira revirada. Ninguém pode ter entrado aqui. A porta estava fechada. – Becca balançou a cabeça, atônita. A única coisa que me consolava era vê-la segurando o capacete com a minha grana. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

 

(...)

 

#08:00 am#

 

Meu primeiro dia em UCLA. Estava animada. Tive uma rápida entrevista com o reitor e falei exatamente o que ele queria ouvir. Até me fingi de boa moça. Minha primeira aula era de História da Música.

Demorei um pouco para achar o prédio e a sala certa. Aquele campus era muito maior do que eu imaginava.

Ainda não havia iniciado a aula quando adentrei à sala. Subi os degraus para me sentar em uma das últimas carteiras.

Larguei os livros e tratei de analisar o ambiente. Havia muitos manés com cara de CDF. Não esperava encontrar rockeiros ali, afinal, o Curso de Música é quase todo teórico, e estudaríamos muito sobre música erudita. Ainda assim, tinha esperança de encontrar alguém legal para me socializar.

Uma garota de sorriso metálico começou a distribuir panfletos pela sala. Um deles chegou até mim. O peguei e li.

 

[Calourada sexta à noite na irmandade UMass. Leve cerveja!]

 

Desinteressada, amassei o papel e o coloquei no bolso do casaco para jogar fora, assim que possível.

O rapaz de boné, sentado à minha frente, sem olhar para trás, me estendeu um panfleto.

– Já tenho um. – Reagi automaticamente.

Ele chacoalhou o papel, insistindo.

OTÁRIO!

Tomei o panfleto de suas mãos, aborrecida.

Estava me preparando para amassá-lo, porém, o rabisco contido ali me chamou a atenção.

 

[Eu + Você + Cinema + Calourada = Sexta às 20:00!]

 

QUALÉ!

– Não posso ir, obrigada. – Murmurei em direção ao desavisado. Alguém precisava preveni-lo sobre minha má reputação.

– Por que não? – Perguntou ele, virando-se para mim.

– Ah... não! – Revirei os olhos ao constatar que o desavisado era Vincent. – O que está fazendo aqui? – Tudo bem, sei que a pergunta não foi muito inteligente.

– É minha sala... vou estar aqui o ano todo. – Deu um largo sorriso. – Me dá seu endereço! – Apontou para o folheto ainda em minhas mãos.

– Que parte do NÃO POSSO IR OBRIGADA você não entendeu? – Usei meu melhor tom rude.

O professor chegou à sala de aula, chamando nossa atenção. Vincent e eu fomos obrigados a encerrar a conversa ali. Me senti grata, pois não estava a fim de ficar de papo com o playboy.

 

# 09:30 am #

 

Fui até o banheiro feminino, com o intuito de fugir um pouco dos alunos que me encaravam de forma estranha. Não entendia o porquê dos cochichos. Era o meu primeiro dia ali, caramba! Sentia-me acuada, como se estivesse na minha antiga escola, onde minha má reputação repelia quase todos.

Uma garota entrou no banheiro e ficou do meu lado, com olhos vidrados no espelho, retocando a maquiagem.

– Olá, Duda. – Disse ela, gentilmente.

Fitei-a, perplexa. Como aquela criatura sabia meu nome?

– Desculpa... Eu te conheço? – Ergui as sobrancelhas.

– Tudo bem. – Ela pôs a mão no meu ombro. – Relaxe, meu irmão tem o mesmo problema. Além do mais, olha que coisa boa: o aviso te colocou no mapa, agora todos sabem quem é. Até Vincent Carter está interessado em você. Querida, boa sorte. – Ela saiu antes que eu pudesse reagir.

Chocada, me arrastei para fora. Fui ao bloco 9, a fim de encarar outra aula. No corredor, passei por um grupinho que ria em frente a um quadro de avisos. Minha curiosidade foi atiçada.

– Olha ela lá! – Apontou para mim, um cara cheio de espinhas.

Sem entender, olhei o quadro e quase tive uma síncope. Ali tinha um folheto com uma foto minha fazendo careta e, embaixo, um aviso.

 

[Esta aluna: Duda Ribeiro é portadora da síndrome de Tourette. Mantenha uma distância segura.]

 

Síndrome de Tourette? Não é aquele troço que faz as pessoas terem tiques nervosos e falarem palavrões compulsiva e involuntariamente?

Dei outra olhada na minha careta pavorosa na foto.

– CARALHO!

O palavrão não contido fez o grupo próximo a mim, cair na gargalhada.

Arranquei o folheto em vão. Pelo que a moça no banheiro me falara, minha nova reputação já tinha se alastrado pela UCLA. Que imbecil faria um trote ridículo desses?

 

# 10:30 am #

 

Estava concentrada na partitura diante de mim, enquanto a professora tentava nos ensinar como lê-la. Um aviãozinho de papel chocou-se contra minha cabeça. Irritada, olhei para trás e o retardado do Vincent sorria, acenando.

Peguei o aviãozinho, desdobrei e o li, enfurecida.

 

[Já sei sobre você e o Jared Leto. Relaxa, sei guardar segredos. Sortuda você, não? Mas relaxa gata, não sou ciumento. Vamos sair?]

 

Amassei o papel e, sem olhar para trás, ergui a mão esquerda, exibindo o dedo médio. Tinha certeza que ele entenderia o recado através do gesto obsceno.

 

# 11:45 am #

 

O refeitório da UCLA estava hiper lotado. Fiquei na ponta do pé, na esperança de avistar Becca ou alguém conhecido. Então...

– BOO! – Sobressaltei com o grito ao pé do meu ouvido. Virei-me, pronta para descer o braço na futura vítima e me surpreendi ao dar de cara... com quem? Vincent!

– Você é retardado? – Perguntei na lata.

– Vai começar a xingar agora? – Riu prepotente. – Duda Ribeiro Síndrome de Tourette.

– O tique está vindo, posso sentir! Vai ficar para ouvir a rajada de palavras de baixo calão? – Me senti inteligente, usando o boato para me livrar do babaca.

– Fala sério! Alguém só está te passando um trote. – Piscou o olho. – Vamos sentar com minha galera. – Puxou meu braço direito.

– Eu não vou! – tentei puxar meu braço.

– Vamos, Duda! – O playboy insistiu, puxando-me.

Fiquei cambaleando de um lado para o outro, até que não suportei mais.

– PÁRA, CACETE! – Berrei.

O palavrão chamou a atenção dos alunos que riram, confirmando o boato de que eu era anormal. PERFEITO!

 

# 12:46 pm #

 

Bocejei, tentando concentrar-me na aula chata. Quase gritei de raiva quando Vincent, atrás de mim, chutou minha carteira.

O playboy era um típico garanhão, minha recusa em sair com ele devia estar divertindo-o muito. Sem perceber, tornei aquilo, para ele, um jogo interessante, pois, as mulheres, assim como a vida, eram muito fáceis para aquele tipinho.

O maldito chutou a carteira outra vez. Irada, voltei-me para ele e falei:

– Tudo bem, saio com você!

– Beleza, gata! – Animou-se, já escrevendo seu número de telefone em um papel. – Te pego amanhã, então.  

Não gostei do duplo sentido! Guardei o número e voltei meus olhos para o professor.

Vincent Carter não sabia onde estava se metendo, não tinha idéia do que eu era capaz. Faria ele ter o pior encontro de toda a sua vida. O estúpido ia terminar a noite chorando num canto de parede, feito uma criança pequena. Após sexta à noite, ele fugiria de mim e me deixaria em paz o resto da vida.

Sorri, satisfeita.

No meio da aula de teoria musical, meu celular vibrou. Disfarçadamente, o tirei do bolso dianteiro da calça e dei uma olhada no visor.

 

[Mensagem 12:50 PM

Becca: Emergência/Delegacia]

 

Meus olhos saltaram pra fora e, por pouco, não gritei um “WOW”.

Como Becca conseguiu ser presa? O incidente do racha logo passou pela minha cabeça. Precisava ir ao encontro dela.

– Prof! – Ergui a mão, sorridente.

– Senhorita, me chame de Sr. Addams. Não estamos no ginásio. – Resmungou.

Fiz careta para o rabugento de gravatinha borboleta.

– Tipo assim... família Addams? Porque eu realmente te achei a cara do tio Chico. – Sorri, querendo agradar.

 Os alunos riram do meu comentário e ele não gostou.

– Qual seu nome, Srta.?

– Ribeiro. – Respondi contra vontade.

O tio Chico se limitou a rabiscar algo em uma prancheta e eu tinha certeza que ia me ferrar.

Revirei os olhos.

– Prof... quero dizer, tio Chico Addams – Coloquei a mão na testa. – Preciso sair, é uma emergência.  

– Que tipo? – Analisou-me, como se escutasse aquilo sempre.

Seria uma boa idéia dizer que minha amiga estava na cadeia?

– Familiar... – Tentei ser convincente.

Ele riu alto.

– Oh, claro, Srta. Ribeiro, não quero te atrapalhar, afinal, não estou dando uma aula importante e nem você está atrasada comparada ao resto da turma. Por favor, não se sinta obrigada a ficar... – Virou-se para o quadro, resmungando algo que não entendi.

Dei de ombros, peguei minhas coisas e desci os degraus, correndo.

– Valeu, tio Chico, eu sabia que tu ia entender, cara. – Dei um tapinha amigável nas costas dele, antes de sair.

No corredor, pude ouvir as risadas vindas da sala. Ué? O que eu tinha feito de engraçado? Resolvi ignorar enquanto corria pelo campus, sem saber como chegaria na delegacia.

Dobrei a esquina de casa ofegante, na sorte de pegar algum dos garotos em casa e assim conseguir uma carona.

Ao longe, vi outra pessoa correndo em frente de casa. Pessoa não, animal: Shannon.

Fui ao encontro dele.

– BISONHENTO! – Ele parou, arregalou os olhos e voltou a correr, só que agora, bem mais rápido.

Obriguei-me a aumentar o ritmo.

– FILHO DA MÃE! PÁRA, SHANNON, OU VOU TE MATAR! – A ameaça não o deteve. Minhas pernas estavam ficando sem forças.

O imbecil pulou para dentro do seu carro. Direcionei-me para o meio da rua, onde ele passaria. Ali, o infeliz seria obrigado a parar.

Estaquei ofegante no meio da rua. O carro vinha em minha direção com tudo e, por um segundo, temi que a anta me atropelasse. Fechei os olhos quando ouvi o som do carro freando.

Aliviada, abri os olhos e fui até a porta de passageiro.

– EU JURO QUE NÃO FUI EU! – Berrou, erguendo a mão em defensiva.

– Do que está falando, seu animal? – Irritei-me.

– Hein? – Ergueu as sobrancelhas.

– Cala a boca... – Foquei o que era importante. – Becca está na delegacia. Me leva até lá! – Ordenei, pulando pra dentro do carro

– Ah... – Sorriu, paspalho. – Estava mesmo indo para lá. Recebi uma mensagem.  

 

Minutos depois...

 

– O que estão fazendo aqui? – Perguntei enquanto os garotos e Julianne adentravam, comigo, à pequena delegacia.

– Becca deve ter mandado mensagem para todos. – Shannon respondeu aflito.

– Esconde sua maconha. – Falei, totalmente solidária.

– Becca! – Julianne quase berrou, dissipando o nervosismo, quando a viu sentada na sala de espera.

– Que bom que vieram. – Disse ela, preocupada.

Shann a abraçou e eu relaxei.

– Onde é o incêndio? – Perguntou Tomo.

– Por favor, venham comigo. – Pediu o jovem policial, indicando um corredor.

O seguimos. Ficamos todos de pé dentro da sala do delegado. Fitei Jared, que já devia estar planejando nos tirar dali. Foda! Eu não sabia que o racha ia nos encrencar tanto.

Já estava vendo nossas caras estampadas em todos os noticiários do Mundo.

– Muito bem... Meu nome é Charlie Hill. Sou o chefe de polícia da cidade. – O homem de meia idade e bigode engraçado, virou-se para nós, após desligar o telefone.

Minhas mãos gelaram. Íamos todos ser presos?

– Qual de vocês vai ser responsável pelo... – Olhou rapidamente uma ficha em cima da mesa. – ...Rony Pintolar?

Percebi que o chefe esperava uma resposta.

– O que ele fez? – Indagou Juli.

– Assaltou uma loja. – Respondeu.

Quando dei por mim, estava gargalhando feito uma louca.

Jared cutucou as minhas costas para eu me conter. Tentei, juro que tentei, mas, saber que a bichona tinha entrado pro mundo do crime era algo engraçado demais.

– Meu Deus, como isso aconteceu? – Perguntou Tomo, no momento em que consegui recuperar o fôlego.

– Segundo o testemunho da funcionária da boutique Lux, ele se apossou indevidamente de uma peça e saiu, literalmente, correndo de lá. A funcionária nos contatou. Como eu estava próximo ao local da ocorrência, o persegui por alguns quarteirões e devo enfatizar que o rapaz corre e grita muito. Mas, no final, conseguimos capturá-lo.  

– Atiraram nele? – Os olhos de Shannon brilharam de esperança.

– Não foi necessário. – Afirmou o chefe Hill.

– Ah... – Lamentou.

Encarei os idiotas ao meu lado. JAROLDO relaxou os músculos, cerrando os lábios para não rir. Shannon comia um sanduíche, indiferente. Já a fofolete, Tomo e Juli, estavam horrorizados.

– Podemos vê-lo?

– Sim, só que um de vocês vai ter que assinar a papelada. – Ele a jogou sobre a mesa. – E pagar a fiança.  

Becca sussurrou para nós:

– Hora de fazer uma vaquinha.  

– Ah, não! – Shannon esbravejou. – Vamos deixar ele aí. O sem pregas é perigoso. Um dia ainda vamos acordar já mortos e esquadrejados.  

Acordar mortos? Esquadrejados?  Alguém me deixe surda, por favor!

– Pelo amor de Deus! – A sebosa se apossou da papelada.

Minutos depois, o chefe de polícia nos levou até a cela onde Rony estava trancafiado, alegando que o mesmo estava fora de si e que, talvez, nossa presença o acalmasse.

O distrito possuía diversas celas, praticamente lotadas. Porém, a que Rony se encontrava estava vazia. Ao contrário do que o chefe Hill informou, a bichona aparentava tranquilidade, pois estava sentado no chão, fitando o vazio, enquanto passava uma caneca de alumínio nas grades e aquilo fazia um barulho irritante. Um pinguço no fundo da cela, tocava uma canção em uma gaita, intensificando o clima triste e solitário da prisão.

– Rony, levante-se! Viemos te tirar daqui. – Disse Becca.

O viado não mexeu um dedo. O Sr. Hill abriu a cela.

– Vamos, rapaz, saia! – Ordenou.

Ele continuou batendo a caneca nas grades, totalmente alheio.

– Shannon, vá buscá-lo! – Incentivei, rindo.

– O QUE? FUI! – Saiu rapidinho do local.

Jared bufou, entrou na cela, passou o braço do viado por seu ombro e o ergueu, servindo de apoio para o pobre coitado, que continuava a passar a caneca por grades imaginárias.

Fomos para o apartamento da Barbie, a fim de ouvir a versão dos fatos pela boca do próprio Rony. Ele tomou um banho demorado e, finalmente, apareceu enrolado em uma toalha, igual a uma mulherzinha.

– Vou voltar para o estúdio. – Jared levantou-se do sofá, visivelmente desconfortável com os trajes do pavão.

– Eu também! – Shannon, enojado, disse, dando um selinho rápido em Becca e arrastando Tomo consigo.

Pensei em pedir uma carona. Olhei pro relógio, dando-me conta de que ainda tinha uma hora antes da última aula, então, resolvi ficar por lá e me divertir mais um pouco às custas da miséria alheia.

– Rony, nos conte logo o que aconteceu! – Becca pediu, impaciente.

Cruzei os braços, interessada. O maluco foi até uma das sacolas que estavam na mesinha de centro e, de lá, puxou a tenebrosa saia feita com penas de pavão, a qual havia me mostrado, no outro dia.

– Acharam que roubei isso!

– Como assim? – A loira burra não entendeu... ok... eu também não.

Respirou fundo, então, começou a tagarelar em voz alta.

– Fui na boutique ralé e, na vitrine, vi minha saia. MINHA! Não tive escolha, saí correndo de lá com ela. Nem morta que ia deixar minha obra prima na mão da mundiça. – Enrolou uma mecha de cachinho com o dedo.

– Fumou unzinho na cadeia? – Perguntei, confusa.

– AAAAAAAHHHHHH! – Rony bateu o pé no chão, nervosa e possuída. – SUAS RAXAS BURRAS, FOMOS ROUBADAS! COPIARAM NOSSOS MODELITOS! ESTÃO TODOS SENDO VENDIDOS NA LUX!

Fofolete e Julianne se colocaram de pé, revoltadas.

– Não pode ser! – Disse Becca, triste.

– Ah, não... ralamos para criar essas peças! – A loira burra começou a andar de um lado para outro.

– É uÓ! Gente uÓ total! Isso é espionagem de alta costura. Precisamos fazer algo! – O viado botou mais lenha na fogueira. – Em menos de uma semana, nossa loja estará pronta para a inauguração e não temos nenhum lencinho exclusivo pra vender. Eu quero morrer! – Se jogou no meu colo.

Empurrei-o com força e o maldito caiu de quatro no chão.

– Precisamos agir, não vamos deixar isso barato! – Julianne mantinha uma expressão determinada. – As costureiras que contratamos devem ter sido as culpadas, elas, certamente, venderam nossas idéias para o dono dessa tal de Lux. 

– Vamos nessa loja, eu preciso ver com os meus próprios olhos. – a Ruiva estava furiosa.

– Eu vou também. – Falei sem crer no que acabara de sair da minha boca. – Afinal, quem vai chamar os rapazes para pagar uma nova fiança? – Enruguei a testa.

Pouco tempo depois, Julianne estacionou seu carro em frente à loja. Fui uma das primeiras a sair, louca para ver um barraco.

Atravessamos as portas de vidro e, assim que colocamos os pés dentro da Lux, Becca saiu correndo em direção a um manequim. Não precisava entender de moda para sacar que aquela peça havia sido desenhada por ela.

– Em que posso ajudá-las? – Perguntou um afeminado com um longo cabelo loiro, gordinho, com um cachecol enrolado no pescoço.  

Rony, que mantinha-se atrás de mim, escondendo o rosto safado com grandes óculos escuros, cutucou a loira, que disse:

– Você é o dono da boutique?

– Sim, meu amor, a primeira e única. Me chamo Max. – Sorriu, orgulhosa.

– Quem é o estilista? – Ela continuou o interrogatório.

– Eu, gata. Tudo isso é meu! – Abriu os braços, girando. – Vai comprar?

– BEM DOIDA! – Rony esbravejou, jogando os óculos no chão. – Eu conheço pistoleiras da tua laia, sua bicha de megahair mal feito! – Empurrou a mim e Juli, abrindo passagem pra encarar a colega de irmandade.

– Que é isso? – Max colocou a mão no peito, pasma. – Quem soltou a cachorra raivosa?

– Você roubou nossos modelitos! – Acusou Becca, segurando um vestido.

– Não sei do que estão falando! – Ele jogou o cabelo pro lado. – Saiam da minha loja!

– PÁRA! PÁRA! PÁRA! – O pavão colocou as mãos na cintura. – Que viado uÓ! Pense numa mequetrefe! Tu quer que eu arranque esse teu megahair todinho, desgraça? Se tu pensa que eu vou deixar barato, está é muito E-N-G-A-N-A-D-A!

– SEGURANÇAAAAAAAAAAAAAS! – Berrou a ladra.

Imediatamente, apareceram dois armários e eu percebi que a coisa ia ficar feia.

Rony, para a surpresa de todos, puxou a bolsa das mãos de Juli e deu uma bolsada firme na cara da bicha loira.

Definitivamente, ele tinha a quem puxar.

A dona da loja cambaleou tonta com a porrada. Os seguranças vieram para cima de nós.

– CORREEEEEEEEEEEE, RAXAS! – Gritou o pavão.

Foi exatamente o que nós fizemos. Rony começou a distribuir bolsadas. Isso foi o suficiente para distrair os seguranças, e nós fugimos.

As garotas e eu nos metemos dentro do carro num piscar de olhos, temendo que fôssemos dar outro passeio na delegacia.

– Pisa fundo, Juli! – Disse Becca.

Juli acelerou e nos distanciamos da loja.

– ME ESPEREEEEEEEEEEEM! – Ouvi o grito ao longe.

Eu, que estava no banco de trás, virei-me, só para dar de cara com a bichona, correndo no meio da rua atrás de nós, desesperada. Os seguranças o perseguiam.

XI! HAVÍAMOS ESQUECIDO DELE!

A loira freou para que o lunático pudesse nos alcançar. Abri a janela do carro e, colocando a cabeça para fora, gritei:

– CORRE, VIADO! CORRE! VÃO TE PEGAR!

Com as mãos balançando no ar e ainda segurando a bolsa, o esquisito chegou até nós. Não esperou que eu abrisse a porta. Lançou o corpo magro pela janela, caindo por cima de mim. Da cintura para cima, ficou dentro da BMW e suas pernas chacoalhavam do lado de fora.

– Vai, Juli, Vai! – Ordenou a fofolete e a loira voltou a acelerar.

Partimos com metade do Rony do lado de fora. Ele berrava, assustado, pedindo socorro.


Notas Finais


XOXO ❤❤❤❤❤


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