História Campos de Concentração - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Visualizações 302
Palavras 6.595
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Primeiro, vamos lá. Sim, estou postando as duas da manha porque vai ser o único horario que eu vou ter.
Segundo, PERDÃO PELA DEMORA. Vou explicar o que aconteceu.

Eu consegui um emprego aaaaaaaaaaaah <3 Sim, ai eu estou me mudando, não só de casa, como também de cidade, então é uma mudança longa e cheia de coisas para empacotar, só que teve um porém, minha mudança foi adiada para outra semana, ai tipo, eu já tava com tudo pronto e deu tilt.
Eu tive aula no sábado e como eu não moro AINDA, na cidade onde eu estudo, são três horas de viagem de volta para casa, resultado, sai da aula meio dia, peguei onibus 1:30, cheguei em quase cinco da tarde, e como eu tava mooooorta, eu peguei no sono.
Ai domingo, dia de boas, fui estudar, porque eu tenho altas coisas amanha na faculdade, e só a noite consegui terminar de escrever, só que, o boy chegou para ver GOT, prioridades né, acho que vocês entendem <3 Entendeu, dei uma pausa e só voltei tarde para escrever e terminei agora, o capítulo está emocionante, apesar de que achei um pouco corrido <3

Capítulo 4 - IV. Amor e Guerra


Fanfic / Fanfiction Campos de Concentração - Capítulo 4 - IV. Amor e Guerra

— Onde ela está? – Perguntei completamente enfurecido, e essa não era uma faceta conhecida minha, eu não perdia a calma, não podia arriscar minha posição por simplesmente surtar, mas naquele momento, eu não parecia me importar com a minha carreira, meus soldados, a única coisa em minha mente era ela.

A dona dos meus pensamentos durante todo o último ano, aquela que conseguiu tirar meu sono e minha sanidade, sendo que apenas a vi por duas semanas, e que em meus mais profundos pensamentos estava segura em algum lugar fora da maldita Europa. Sequer parei para me preocupar com o fato da recém descoberta sobre sua religião, isso não importava, nunca importou para mim, e sim, para meus superiores.

Mas de que valia Sakura para meus superiores? Ela era apenas mais uma na multidão, um provável e possível efeito colateral daquela guerra, não era um soldado, ou muito menos uma ameaça, era apenas uma vítima e naquele instante meu coração doía pela possibilidade de sua dor.

— Onde ela está? – Eu gritei dessa vez, assustando meu soldado, e provavelmente todos ao meu redor, eu tinha uma fúria contida no olhar, que estava praticamente em chamas, queria degola-lo por simplesmente ousar toca-la, mas como poderia puni-lo por tê-la violado? Como poderia fazê-lo pagar por tamanho crime.

— Morta. – Ele praticamente cuspiu a palavra que se tornou o meu maior pesadelo em segundos, eu prometi que voltaria, e como um cavalheiro, prometi nas entrelinhas que a protegeria, eu deveria tê-la protegido, eu me recusava a acreditar naquela dura realidade, a morte de Sakura não seria um fardo que eu poderia carregar, não, eu não suportaria.

Eu soltei meu soldado, e tentei recuperar a minha calma, mas o desprezível homem a minha frente parecia querer testar meus limites, pois minha ira não foi o suficiente para amedronta-lo a ponto de fazê-lo ficar em silêncio. – Ela simplesmente não aguentou a minha intensidade, a vadia nem tentou lutar. – Ele riu uma última vez, limpando seu uniforme.

O único som audível depois disso foi o tiro da minha Walther 38, acertando em cheio o crânio de Deidara, e em segundos seu corpo estava no chão, e eu não sentia o mínimo de remorso, no entanto, a satisfação que deveria me seguir com sua morte não me alcançou, pois o desespero sobre a notícia de Sakura ainda consumia meu corpo de um jeito desproporcional, eu não sabia que algo ainda seria capaz de me causar tanta dor.

Por fora, eu parecia a mesma parede fria de sempre, sem expressar qualquer emoção exceto a calma, recuperando é claro, o respeito dos meus soldados que ainda carregavam em seu rosto, uma expressão indescritível para mim, não podia discernir se era medo ou... qualquer outra coisa.

Itachi se aproximou de mim, tentando compreender a situação, ele, mais do que ninguém sabia como eu reagia quando estava com medo, ou pior, quando estava com dor. Simplesmente tocou em meu braço e me fitou profundamente, e em uma fração de segundo, mandou recolher o corpo e jogar na vala mais próxima, enquanto tentava tirar de mim, alguma informação.

— Achem o corpo da mulher que este... Hurensohn¹, estuprou, e eu espero que a encontrem viva, caso contrário, vou fuzilar cada um de vocês. – Itachi engoliu o seco, ele sabia que eu tinha atingindo um estado crítico naquele instante.

— Você não pode estar falando sério, ela é uma judia, não pode arriscar seu pelotão inteiro por uma mulher, Sasuke. – Ele me alertou, e eu educadamente, o ignorei, mas meu irmão podia ser bem insistente.

— Não me importo, Itachi. Eu só quero que a achem – Eu supliquei para meu irmão, ele podia perceber através de mim, e saber o quanto eu estava assustando com a possibilidade dela estar morta.

— Pare de agir feito criança, que desculpa vai dar aos seus superiores quando contar que fuzilou seu pelotão, que fez isso porque estupraram uma mulher, ou pior, porque estupraram um judia, você devia ter parabenizado o maldito soldado, não fuzilado. – Eu sentia nojo da afirmação dele, e o olhei completamente incrédulo após isso.

— Eu teria feito o mesmo que você, sabe disso. Mas não podemos arriscar nossas imagens por ninguém Sasuke, ele sabe de tudo que fazemos. – A mera lembrança do meu pai era o suficiente para me fazer tremer. – Eu posso mandar alguém da polícia fazer isso, não arrisque. – O ultimato dele foi final, mas eu ainda teria que embarcar naquele maldito treme e não poderia fazer sem ter notícias dela.

- Eu preciso que ela esteja viva, Itachi. – Segurei minha mão com firmeza, contra o uniforme do meu irmão. – Você falhou comigo uma vez, por favor, não falhe agora.

Eu podia ouvir os barulhos dos homens da polícia, andando pela mata, era uma caminhada demorada, a mata era densa, e a grama já estava na altura da cintura dos soldados, eles continuavam a abastecer o trem, enquanto eu olhava desolado para aqueles que vasculhavam o terreno atrás de Sakura.

— O que fará se não há acharem? – Pude ouvir a voz do meu irmão, logo atrás de mim, ele tinha se aproximado sorrateiramente, mas ainda assim, minha guarda estava baixa o suficiente para que eu não percebesse sua aproximação, e me condenei de imediato por sso.

— Dur, Dur. – Antes que eu pudesse responder, um dos mensageiros se aproximou, desesperado, ofegante e com traços de que havia percorrido um longo caminho para me encontrar. – Dur Uchiha? – Ele ainda ousou perguntar, o olhei de maneira sanguinário, o fazendo recuar quase que no mesmo segundo.

— O que você quer, Bengel²? – Analise precisamente a feição, ele não parecia ter mais de 18 anos, provavelmente nem tinha terminado a escola, mas já estava aqui, diante de mim, com as mãos trêmulas, o rosto suado e com os primeiros indícios de que provavelmente morreria de exaustão, ou por uma bala de inimigo.

— Uma mensagem, do general Hoshigaki. – O menino esticou os braços, e me entregou o papel, ainda com as mãos trêmulas, e eu não pude distinguir, se o frio ou o medo era o culpado.

— Pare de tremer. – Ordenei com a voz grave, e ele se ergueu. – Se é de frio, procure se aquecer, mas se for de medo, escolha outra carreira, não há lugar no exército para covardes.

— Sim, senhor. – Respondeu, e em seguida bateu continência, afastando-se de todos e procurando uma fogueira, Itachi não deixou de soltar uma risada meio deslocada, mas eu mantive minha expressão séria, enquanto abria a mensagem.

— O que aconteceu? — Minha mente foi bloqueada de tudo que estava acontecendo ao meu redor, enquanto meus olhos vagavam pelas palavras escritas no papel, um homem fardado e com uma máscara cobrindo quase todo o seu rosto surgiu de dentro da mata, e eu fiquei paralisado, em seus braços, ele carregava um corpo, claramente sem vida, eu a vasculhei por cada centímetro, analisei a pele alva recobrando dos rasos segundos que a toquei, até chegar em seus cabelos, antes longos e brilhantes, hoje estavam jogados contra o braço do homem, e pouco chegavam até o fim, com aparência de que foram cortados a força.

Nunca fui acometido com tanta tristeza em minha vida, como diante daquela cena, seus olhos fechados e sua respiração já não existia mais, não podia sequer imaginar que ela estivesse dormindo, não havia vida em seu corpo, não havia nada ali que lembrasse da mulher pela qual me dediquei no último ano, nem os toques do meu pai contra meu corpo puderam provocar tamanha ira em meu ser, sentia que nos próximos segundos eu poderia cair de joelhos diante daquele homem que mal conhecia, mas que já segurava minha vida em suas mãos.

Como poderia me livrar daquela sensação, eu não tinha para onde fugir daquela dor, a imagem de Sakura morta nas mãos de um oficial desconhecido atormentaria meu sono, provavelmente para sempre, e agora, eu só queria saber onde enfiar tanta tristeza, eu ia me aproximar do homem, mas fui detido por Itachi, que apenas me acenou não com a cabeça. – Deixe-me vê-la, Itachi pelo amor de Deus, me deixe pelo menos toca-la. – Implorei em silêncio, os braços do meu irmão se envolveram no meu pescoço, eu não sabia se ele estava tentando me consolar, de qualquer maneira, aproveitei seus braços para controlar meu rosto, pois naquele instante, ele era o detentor de todos os meus sentimentos.

— Vamos sair daqui, por favor Sasuke, não deixe que seus soldados o vejam perder a linha. – Acompanhei meu irmão até um armazém que ficava ali próximo, queria levar o corpo comigo, queria vê-la de perto, mas isso não me foi permitido, meu sangue fervia de ódio pela morte dela, mas a dor que me consumia por dentro era maior do que eu podia definir, não existia uma explicação lógica para o que está acontecendo comigo, como eu podia explicar aquilo.

— Ela está morta. – Falei convicto, como se eu precisasse dizer para mim, a realidade da situação, para que eu acreditasse na verdade. – Ela está morta.

— Eu sinto muito, Sasuke.

— Não. – Gritei com aspereza, e ele se assustou. – Não preciso da sua simpatia, eu preciso aceitar o fato que ela está morta, é só isso, eu preciso de um minuto para aceitar que a mulher que eu amo está morta.

—A mulher que ama? Sasuke, você a viu por duas semanas. – Proferiu e eu sorri ironicamente, nem mesmo eu entendia como aquilo era possível, como era possível se apaixonar, ou muito menos alguém depois de duas semanas.

— E você acha que eu não sei? Acha que eu sei que isso não faz sentido, eu só sei que nesse momento, eu me sinto esmagado, porque isso é minha culpa, eu a deixei morrer, eu deixei que invadissem a Polônia, eu fiz essa escolha. – Eu gritei, praticamente esbravejando. – É minha culpa que ela esteja morta, porque eu não estava aqui para protege-la, eu ordenei que tirassem os malditos judeus da cama para leva-los ao um matadouro, porque não há outra palavra que descreva aquele lugar, é um matadouro, mas no meio do caminho, eu não a vi. Itachi, eu não a vi. – O meu desespero era visível, e eu sentia como se estivesse sendo destruído, como se um tanque de guerra estivesse passando por cima do meu corpo completamente sem reação.

— Sasuke, eu não sei o que falar. – Eu não queria ouvir as palavras dele, realmente, naquele momento prezava pelo silêncio, mas ainda podia ouvir os gritos dos judeus do lado de fora.

— Eu vou para a frente, hoje à noite. – E de supetão, eu soltei esta notícia para Itachi, e ele arregalou os olhos.

— O que quer dizer com isso? – Perguntou, visualmente apreensivo.

— Quer dizer que eu acabei de receber uma ordem para liderar uma esquadrilha o bombardeiro da Luftwaffe³ na Inglaterra.

— Você vai voltar a saltar? Sasuke, você não está em condições de saltar de um avião, muito menos liderar uma esquadrilha — O alerta do meu irmão subiu aos meus nervos.

— Alguma vez, eu me deixei ser levado pelas emoções? – Cuspi com desgosto, aos poucos, eu retornava ao meu perfil autoritário, eu não podia dizer que estava me recuperando, mas podia dizer que seria muito bom em fingir que estava.  – Já passei por traumas o suficiente para saber lidar com eles.

— Quantos desses traumas envolveu perder alguém que você amava? – Ele disse, acertando em cheio o meu orgulho, e capaz de destruir a minha falsa faceta de mudança.

— Itachi, eu não tenho opção, eu não fui pedido gentilmente para ir lutar, eu fui intimado pelo meu general, pelo seu general, a ir lutar, nesta batalha que já está praticamente ganha, mas eu tenho que lutar, porque afinal de contas, somos o orgulho do país, a poderosa Luftwaffe.

— Quantas vezes você já pensou em fugir? – Ele me olhou, profundamente, me fitando de uma maneira que deixaria qualquer mulher envergonhada.

— Agora, mais que nunca, eu preciso de uma boa dose de sangue, sinto saudade dos primeiros meses, antes da guerra, onde eu só me preocupava com meus aviões, e com meu pelotão.

— Nunca aceitei bem o fato de você pertencer a Luftwaffe, e eu apenas a Heer4 - Itachi debochou, não que sua posição fosse em nada inferior à minha, no entanto, estar na força área era definitivamente um privilégio para poucos. – Você é um major, Sasuke, não acha que tenha necessidade de ir para frente.

—Sabe que sempre preferi os campos de batalha aos escritórios de estratégia, não gosto da ideia de crianças lutando guiadas por caras como eu era antigamente, eu era irresponsável com minha própria vida, não posso ser com a dos outros – Meu anos de guerra sempre foram muito esporádicos, afinal de contas, a Alemanha não podia sequer ter um exército, mas toda a sacada do Führer para nossa formação fora digna de parabéns, fomos bem treinados, e extremamente bem posicionados para ganhamos uma guerra que daríamos começo.

- Vamos lá, o importante é que estamos no maldito exército, que o Hitler não nos escute. – Aproveitei para fazer um comentário que arrancou uma risada de meu irmão, naquele instante, eu estava determinado a bloquear as informações que vinham dela, mas aproveitei para fazer um último pedido. – Itachi, a enterre com dignidade, por favor, não deixem que a joguem na primeira vala. – Era certo o que iriam fazer com ela, e por mais que eu não fosse permitido para aproximação, podia pelo menos evitar que ela tivesse o mesmo destino que todos de sua religião estavam fadados a ter.

— Farei isso. – Assentiu ele, em silêncio. – E você, não seja morto pelos britânicos. – Disse com orgulho, seria uma desgraça ser morto pelo país responsável pela nossa derrota na primeira guerra, o qual agora estávamos sendo responsáveis por destruir, apesar do fato, da nossa origem, é claro.

— Ser morto pelo meu próprio país, enquanto tento destruí-los é meio vergonhoso, não acha? – Itachi apenas assentiu e nos despedimos com um rápido abraço.

A verdade mais escondida por meu pai era o fato de eu e meu irmão termos ambos nascidos no país de minha mãe, a Inglaterra, e que apesar de todos os seus esforços para encobrir isto, Itachi descobriu antes de sermos mandados para escola militar, mas sobre suas ameaças constantes, nunca tivemos a ousadia de contar, afinal de contas, a única coisa que alemães odiavam tanto quanto judeus eram os britânicos.

Não fomos criados na terra da rainha, não, assim que eu nasci, meu pai nos arrastou para a Alemanha, em segredo é claro, para que ninguém soubesse da vergonha que era ter dois filhos britânicos, e neste meio tempo, foi este fato que pesou o suficiente para fazer minha mãe ir embora, e nos abandonando.

— Primeiro esquadrão em posição. – Saí do armazém, completamente recomposto, o corpo de Sakura já não estava em um lugar que meus olhos pudessem alcançar, então segui tranquilo, recuperei o olhar assustado de todos os meus soldados, eu tinha apenas de 25 anos quando fui promovido a Major, mas sempre mostrei um grande espírito de liderança, e o medo e respeito que era sempre visto nos olhos daqueles que eu comandava foi uma das maiores razões para minha antecipada promoção.

— Companhia Ramcke5 - Gritei, chamando a atenção de todos a minha frente. - fomos convocados pelo General Hoshigaki para um ataque aéreo na Grã-Bretanha, partiremos 0500 horas, levem o máximo de munição que puderem, serão colocados nos contêineres, o salto acontecera ás 0700 horas, como o terreno já é considerado tomado pelo Her, não levaremos as grandes pistolas para terra, no entanto, atenção, os soldados britânicos nos odeiam o tanto quanto os odiamos, não deem margem, não quero baixas na minha equipe, entendido. – O aviso foi dado, seguiríamos em marcha a pé na direção contrário ao trem, a brigada de paraquedistas era uma equipe de elite da força área alemã, mas invadir território não-hostil não fazia bem o meu estilo, principalmente para auxiliar um bombardeiro, no entanto, não questionaria minhas ordens.

— Sim, senhor. – Fui respondido com uníssono dos soldados.

— Preparem-se rapazes, estamos indo para Inglaterra. – O olhar preocupado era evidente, a terra da rainha era um dos maiores territórios inimigos, e por mais que o sucesso da invasão tivesse sido alcançado, não podíamos contar com a certeza de desistência, ainda iriamos enfrentar fogo cruzado, e apesar de minhas continuas reclamações, continuaríamos a saltar praticamente desarmados, enquanto aguardávamos os contêineres com nossas munições e armas mais pesadas ser empurrado para fora dos aviões que pulávamos.

— Senhor, o que podemos esperar? – Um dos meus tenentes veio perguntar, e novamente me espantei em quão jovem era um mais dos meus subordinados.

— Quantos anos você tem, Bengel? – Perguntei e ele se recolheu, como se estivesse surpreso com a minha pergunta.

— 18 em dezembro, senhor. — Nem a idade mínima para o exército o garoto tinha.

— Por que está nessa guerra garoto? Pela honra, ou pela propaganda? – Era uma pergunta válida, a lavagem cerebral feita pela propaganda nazista foi uma das mais massivas que qualquer já tinha visto, jovens saiam de casa com intenção de lutar uma guerra, contra um inimigo criado, era uma ilusão, não estávamos sobre ataque, estávamos apenas de castigo pelos crimes da primeira guerra.

A grande verdade que jamais seria revelada pelos alemães, ou porque qualquer um que luta pelo eixo é que a Alemanha era apenas uma criança birrenta que não aceitava pagar pelos seus erros, e resolveu se vingar daqueles que na verdade, não tiveram nada a ver, porque simplesmente não podiam se revoltar contra seus punidores, de primeira. Mas agora podíamos, agora tínhamos a Inglaterra em nossas mãos, e a completa mercê, juntamente com a França.

— Pela honra, senhor. – Ele me respondeu novamente, desta vez com mais autoridade na voz.

— Esperamos uma luta árdua, porém sem grandes artilharias, no entanto, soldado, lembre-se, acima de tudo, você luta pela sua vida, e para defender seu país. – Dentro de mim, esta frase saiu mais verdadeira, mas ao ser pronunciada, parecia apenas uma farsa, pois afinal de contas, eu não queria defender o pais, cujo soldado acabara de matar aquela que mais me importava, na verdade, a única mulher que me importava.

Ele não me deu uma resposta após isso, apenas prestou continência e saiu para reunir seu equipamento. A marcha em direção a base começou alguns minutos depois, meus soldados já estavam prontos, uma parte seguiria com o trem direto para Treblinka, enquanto a exata parte que compunha a Companhia Ramcke, seguiria comigo, tínhamos cerca de 4 horas de trem, no meio da noite para chegarmos antes das 0500 horas a tempo de pegarmos os aviões, por sorte, eles estavam descansados então eu não esperava nenhuma reclamação por cansaço no meio do caminho.

— Atenção, marchar. – A despedida foi rápida, eu observei o trem seguir seu caminho com 30% dos meus soldados, e virei minha caminhada, cheguei a ver novamente o homem que tinha carregado Sakura em seus braços, mas agora, ele carregava uma pistola Walther 38, a mesma que eu carregava no compartimento, mas o vazio em seus braços, também representava meu coração naquele instante

Embarcamos nos trens, quase 300 soldados, seguindo até a cidade Bialystok, onde ficava localizada uma das maiores bases do exército alemã, que ficava próximo da fronteira com a Bielorussia, onde estavam as trincheiras, apesar de ainda estarmos em acordo de “paz” com a Rússia, tínhamos ordens expressas para estarmos preparados para tudo.

Dentro do trem, eu estava sozinho na cabine, e ali por alguns segundos eu permiti que minhas emoções tomassem conta de mim novamente, eu estava indo para frente, para lutar na guerra enfim, e não ficar em uma trilha sem rumo por judeus, agora eu sentia que podia fazer algo útil, porque além do ódio antissemita de Hitler, e o fato de que ele jamais pagaria por seus crimes caso vencesse a guerra, eu não via um motivo real para estar lutando nela, além da própria sobrevivência.

Mas a minha ideia de sobrevivência continha Sakura no meu futuro, eu tinha essa estúpida fantasia que se fosse necessário, reviraria a Europa para encontrá-la, teríamos nossos encontros casuais por mais algumas semanas, eu a pediria em namoro, e beijaria seus lábios mais uma vez, e depois seria apresentado aos pais dela, e logo em seguida a pediria em casamento, teríamos uma linda cerimônia, que assim como ela, seria meiga e inocente, tudo em minha vida depois da guerra refletiria nela, teríamos lindos filhos que provavelmente herdariam meus cabelos e seus olhos verdes, mas agora, essa ideia tinha sido varrida para longe, e ela estaria enterrada em algum lugar da Polônia, morta, e sem um futuro, assim como eu pretendia estar.

Tinha prometido ao meu irmão não morrer nas mãos de soldados britânicos, mas não era só a Inglaterra que estava lutando contra nós nesta guerra, e qualquer deles, teria o maior prazer do mundo em matar um SS.

— Dur. – O capitão Yahiko bateu em minha porta, estava tão perdido em meus pensamentos que sequer notei que já tínhamos parado e que já estávamos próximos a base, por motivos estratégicos, ela ficava em um local que não era revelado para civis, e a maioria dos soldados, apenas oficias com patentes de capitão para cima, continham essa informação, e a minha presença naquela hora para o início da marcha em direção a base, era no mínimo essencial.

As lembranças das minhas próximas horas são além de cansativos, completamente entediantes, eu vivi um caos sem fim, do momento que entrei no primeiro avião e liderei um salto de quase 200 homens dentro do território inglês, não lutamos muito e em poucos minutos em terra, já ocupávamos quase toda a área delimitada, quando os containers desceram por fim, apenas montamos o acampamento e fomos instruídos a esperar pela chegada da segunda infantaria que estava lutando nas trincheiras com o exército britânico resistente, e que eles traziam prisioneiros que deveriam ser deportados para os campos.

Eu aproveitei para dormir um pouco, estava cansado e minha mente me bombardeava com imagens dela, e com momentos nossos durante as duas semanas que tivemos juntos.

 

 

 

[..] Segunda-feira, 28 de agosto de 1939, Varsóvia – Polônia.

— Qual é a seu doce favorito? – Ouvir a voz dela era um doce remédio para meu mau humor diário, ficar em uma casa cheia de homens que só sabiam reclamar do barulho da cidade não era bem o que eu diria de estadia tranquila.

— Não gosto de doces. – Respondi, um pouco áspero de mais, e ela logo tirou o belo sorriso que tinha do rosto, e eu me arrependi no mesmo instante.

— Ah. – Disse cabisbaixa, continuando a caminhada. – Pensei em fazer algum de sua preferência, mas já que não gosta, não tem problema. – E logo ela me surpreendeu, seu rosto voltou a feição anterior, e acho que foi inevitável não corar quando a encarei tão profundamente, ela parecia tão alheia a tudo que acontecia ao seu redor, enquanto eu estava preocupado com tudo, observava os mendigos na rua, uma moça sendo “assediada” por homens na calçada, mas ela não, ela me fitava intensamente, com um sorriso que conseguia me desconcertar por inteiro.

— Adoraria comer algo preparado por você, madame. – Fiz minha voz presente, mas ao contrário do que eu esperava, ela fechou cara novamente, só que dessa vez, não de tristeza, mas sim de raiva, e eu fiquei sem entender o que poderia ter dito de errado agora, então resolvi perguntar. – Algum problema?

— Sim, temos um problema, você e essa insistência ridícula de ficar me chamando de madame, se sabe meu nome, o use, ora. – Ela era petulante, e para um homem qualquer, suas palavras era um afronte a masculinidade, e ela provavelmente seria repreendida, mas eu achava seu jeito encantador, a maneira como ela não era submissa a mim, ou muito menos me temia, e eu estava tão acostumado a ter pessoas me temendo que nunca parei par apreciar alguém que não o fazia.

— Sakura, sabe que não é correto, ou menos bem visto, que eu te chame pelo primeiro nome, já tivemos esse discursão – Falei em quase sussurro, me aproximando ainda mais do seu rosto, eu podia beija-la naquele instante, podia selar meus lábios contra os dela, e chama-la de minha naquele mesmo segundo, mas algo ridículo como a moral e o bom-senso me impediam.

— Odeio que me chame de madame, me sinto uma estranha, e não quero me sentir uma estranha perto de você, Sasuke, quero me sentir como uma amiga. – E lá vinha a maldita palavra, não Sakura, eu não queria ser seu amigo, queria ser o seu homem, e te olhar todos os dias enquanto tivesse você ao meu lado na cama, a faria ser minha de tantas maneiras que não seria até decente pensar.

— Saiba que toda que vez que te chamo de madame, desejo intensamente chamar-te pelo primeiro nome, pois é seu nome Sakura, que chamo á noite em meus sonhos. – Ousei um pouco mais nas palavras, mas logo me arrependi, pois ela se afastou bruscamente, levando a mão aos lábios para conter seu gesto surpreso.

— Sonha comigo? – E ela conseguia transformar um ato tão sórdido e impuro como meus sonhos com ela, em algo idealizado e romântico, queria negar aquele ato, talvez pelo meu orgulho, afinal de contas, que tipo de homem seria se admitisse que uma mulher estava dominando meus pensamentos.

— Não seria correto admitir, mas sim, madame. – Já havia pessoas ao nosso redor, e depois da sua reação de choque, elas nos olhavam curiosos, provavelmente imaginando o que alguém como eu, estaria fazendo conversando com uma moça solteira, se não tinha nenhuma intenção de desposá-la, mas é claro que eles não estariam pensando isso, não havia muitos indicadores em nossa conversa, este era o tema dos meus pensamentos, por que realmente, o que eu estava fazendo com ela? — Assombra meus sonhos todas as noites.

— São sonhos ruins para que seja assombrado por mim? – Ela me perguntou envergonhada, porém sua curiosidade era notável.

— Não, madame, são sonhos extremamente bons. – Não iria é claro, contar os detalhes deles , ela era muito pura para saber o que se passava em minha mente, mas tentava me conter sempre que a via, em não imaginar como seria vê-la despida das tantas roupas que sempre usava em minha presença, ela já era estonteante daquela maneira, mas provavelmente, ela seria a minha ruína quando a visse nua.

— Pode me contar algum? – Ela já tinha esquecido a raiva, ou até mesmo a surpresa tão recente, em sua expressão havia apenas um desejo curioso de desvendar minha mente e minhas tão sórdidas memorias imaginárias do seu corpo e das nossas noites quentes.

— Sonho com momentos mais propícios, sonho conosco em tempos de paz. – Não sei ao certo se escolhi as palavras corretas para descrever meus sonhos, sem que deixasse brechas para mais perguntas, mas claramente ela ficou decepcionada.

— Mas não estamos em guerra, Sasuke. – Para ela, e sua inocência, eram apenas rumores europeus sobre ações futuras, mas para mim, um soldado alemão, era a certeza dessas ações que me assombrava, a certeza de uma guerra ainda a ser declarada.

— Realmente, mas também não estamos em paz. – Ela me sorriu mais uma vez, e a cada novo sorriso, eu sentia meu coração falhar uma batida, era impressionante o quão forte era seu efeito sobre mim, e temia desesperadamente que ela viesse a se tornar uma fraqueza.

— Não costumo pensar no futuro, papai sempre me disse para ser pé no chão, mas desde que o conheci, confesso que o meu futuro é um tópico recorrente em meus pensamentos. – Suas palavras me tocaram de alguma maneira, queria poder dizer a ela que também sonhava com esse futuro, e que já fazia planos para quando pudesse vê-la novamente, e mesmo que todos os dias, antes de levantar eu pensasse em quão errado era o nosso envolvimento,  principalmente quando estávamos a dias do estouro de uma guerra, que eu não sabia quanto iria durar, ou muito menos se estaria vivo no fim seu fim, e voltaria para ela, mas ainda assim eu sempre tomava a decisão de levantar e de ir ao seu encontro, pontualmente as 6 da tarde, quando ela saia do Konoha.

— Confesso que estou pensando bastante em meu futuro também. – E queria não te enxergar nele, pensei, deixando oculta esta última frase, uma semana e dois dias, e eu já queria planejar o meu futuro com ela, quão estupido eu pareço ser nesse momento, e quão vulnerável, sentia-me como uma das garotas nos famosos romances, imaginando um casamento e filhos com a pessoa amada.

— É muito bom saber disso, oficial. – Ela usou o termo para se referir a mim, e só entendi o porquê quando a vi cumprimentar um jovem casal que vinha em nossa direção. – Boa noite, Senhor Nara, Senhora Nara.

— Boa noite querida, quer companhia até em casa? – Eles perguntaram gentilmente.

— Não senhora, estou ajudando o Oficial Sasuke com uma busca importante, e ele prometeu me acompanhar até em casa logo em seguida, estou em boas mãos. – Eles me olharam, como se me analisassem e logo em seguida saíram sorrindo, despedindo-se da mulher em minha frente, e ela olhou para mim, se uma maneira tão caridosa, entendendo minha confusão.

— São meus vizinhos desde que nasci, tem um filho provavelmente na sua idade, afinal de contas, quantos anos tem? – Nunca tínhamos trocado informações cruciais, nunca nos pareceu necessário e acabei rindo com a pergunta.

— Tenho 26. – Lhe respondi e ela me retribui novamente com um sorriso, já era praticamente um habito, eu lhe respondia e ela me dava um sorriso, não podia reclamar jamais da maneira como nos comunicávamos, afinal, era apaixonado por seu sorriso. – Nascido no começo da primeira guerra.

— Tenho 21, chega a ser engraçado como sabemos tão pouco sobre o outro, mas no fundo, sabemos tanto. – Compartilhamos informações cruciais sobre nossos gostos, nossas opiniões políticas, sobre música e teatro, ela era mais letrada do que jamais imaginei e em curtas conversas resumidas a caminhadas ainda menores, sentia que a conhecia por todo uma vida.  – Nascida no fim da primeira guerra.

 

[..] Um ano e dois meses depois – Algum lugar da Polônia, Fevereiro de 1942.

— Sasuke, foi só uma batalha. – Meu coronel me alertava sobre os riscos de ficar remoendo uma derrota, ele era um homem diferente da maioria dos meus superiores, talvez por não sido criado na Alemanha, não possua esse ódio que todos nos carregamos e essa frieza.

— Uma batalha perdida, é começo para guerra perdida, senhor. – Minhas palavras seriam consideradas insanas de serem pronunciadas diante de alguém com maior patente.

— Soube das suas vitórias na Grécia, e sobre sua luta na França, por onde anda, sua equipe faz história, pare de pensar nas suas derrotas, foque em como supera-las, ainda precisamos conquistar a Rússia, soldado. – Prestei continência em sua saída, e tentei me lembrar de suas palavras, dentro de um ano, eu havia colecionado vitórias e medalhas, mas eu não era um homem acostumado com a derrota, e perder em Moscou, foi algo que me atormentou.

Eu vencia para não pensar, não lembrar de tudo que já tinha perdido, vencia porque era minha única alternativa de sobrevivência, chegar em uma base com uma derrota nas costas não era algo que queria, mas essa a minha história hoje, eu me recusava a me portar como um Major e abdicar da liderança nos campos de batalha para alguém de menor patente, fazia questão de lutar e era um dos únicos, pois só havia uma maneira digna de morrer para mim.

Quando passava um dos meus soldados desprezou um dos nossos prisioneiros, mas ao responde-lo, percebi que sua voz era extremamente familiar para mim, e ao prestar um pouco de atenção em seu rosto descoberto, tive certeza. – Naruto? – O olhei surpreso.

— Uau, eu soube que era soldado, mas Major? – Ele tinha analisado minha patente em algum instante, mas eu sequer percebi. – Quem diria.

— Pensei que estivesse na América, pensei que estivesse casado, recebi noticiais faz alguns anos. – O respondi, sentando-se ao seu lado, para sua surpresa.

— Eu estou casado. – Ele levantou a mão esquerda, me mostrando uma aliança dourada no dedo. – Quatro anos em junho, bom, mas faz cerca três que ela não me vê, então. – Fiquei novamente surpreso com sua afirmação, casado há tanto tempo, mas sem ter tempo para estar realmente casado.

— Sinto muito. – Eu pronunciei de uma maneira extremamente sincera, mas ele não pareceu acreditar. – Realmente sinto muito.

— Corte a porcaria Sasuke, não somos mais amigos, e nesse momento, não há um homem em seu acampamento que não deseje minha morte, jamais verei minha mulher novamente, e ela provavelmente nunca saberá o que aconteceu comigo, então poupe-me do seu falso sentimentalismo. – Com palavras duras, e mais sinceras do que as minhas, e essas conseguiram realmente me atingir.

— Eu não luto por meus ideais Naruto, não estou nessa guerra porque tenho orgulho dela. – O respondi de maneira ríspida.

— Sasuke, não se esconda por trás de ideais, ninguém se importa com ideais em uma guerra, o que importa é que você está lutando, e lutando pelo lado errado.

— Como sabe que estou no lado errado? – Falei de maneira arrogante

— Porque você mesmo disse que não tem orgulho dela, mas eu tenho, tenho orgulho de ter lutado bravamente por cada segundo, porque estou defendendo meu país, defendendo meu povo, e o seu está apenas matando inocentes por toda a Europa.

— Eu não tenho escolha. – Argumentei e ele riu, como se debochasse de mim.

— Sempre há escolha, Sasuke, e aparamente você fez a sua, mesmo que contra a sua vontade, você está lutando pelo seu pai e para colecionar medalhas pelo que vejo. – Quem iria imaginar que Naruto seria o mais sábio de nós, jamais o diria quando o conhecesse pela primeira vez, um bobo estupido. — E pelo que me lembro, você é britânico de nascimento, Sasuke alguém de sua posição, seria de grande valor, o que você não deve saber sobre as estratégias e armadas da Alemanha, poderíamos vencer esta guerra antes do ano acabar.

Segundos depois eu me revoltei com sua afirmação, ele estava me pedindo para trair meu país, trair o meu exército e os homens que treinei e com os quais lutei pelos últimos anos, eu não poderia ser tão baixo, então simplesmente me recusei a responde-lo e sai. Ele provavelmente seria executado ou levado para algum campo de concentração.

Os momentos a seguir são uma sequência de lapsos em minha memória, lembro-me de estar caminhando de volta a base, revoltado com a proposta do meu antigo amigo, quando ouvi os primeiros bombardeios, avistei os aviões britânicos céu, rasgando-o com uma velocidade surpreendente, vi meus homens seguirem em direção as MG-426 com intuito de se defender, mas pouca era nossa visibilidade, a fumaça causada pelos estragos das bombas já estava alta e densa, eu me esquivava dos soldados que fugiam em chamas, enquanto buscavam a barraca principal, peguei a primeira arma que pude ver, e comecei a atirar para cima, mesmo que em vão.

— Primeiro esquadrão, preparar a Panzerschreck 7. – Mesmo que seu uso fosse recomendado para tanques, era a nossa melhor saída contra os caças que continuavam a atacar a base.

— Posição, atirar. – Ordenei e logo em seguida ordem que o primeiro tiro fosse disparado, por sorte acertamos um avião, e observei sorrindo sua queda, tive uma janela de tempo muito pequena para chegar até um Pak 40, com intuito de atirar com maior precisão contra os aviões, mas foi nesse meio tempo que senti tudo se esvair de mim.

Um dor excruciante me atingiu vindo das costas, e a próxima coisa que lembro é de estar caído no chão, com os braços aparando minha queda, enquanto observava meus soldados correrem sem direção de um lado para o outro do acampamento, em busca de um lugar onde pudessem estar seguros.

 

 

Quando acordei, já estava mais no campo de batalha, ou muito menos no acampamento, eu estava cercado por paredes de pedra em uma localização bem conhecida para mim, haviam me trazido para Auschwitz, apesar de não entender porque me trouxeram para tão longe, chamei a primeira enfermeira que vi assim que abri os olhos.

— Porque fui trazido para cá? – Perguntei, minha voz estava falha, e eu falei com as palavras entrecortadas.

— Houve um ataque ao seu batalhão, sinto muito, Major Uchiha, as perdas foram massivas, os poucos que sobreviveram encontraram abrigo em Bialystok, o senhor foi enviado com urgência para receber o tratamento com o Dr. Orochimaru, pois corria sérios riscos de ficar paralisado, mas por sorte, o médico o tratou imediatamente e já está fora do perigo. – Eu deveria estar mais impactado, deveria ter sofrido mais com aquela informação, no entanto me senti vazio por dentro, todo o meu pelotão estava morto, mas de alguma maneira, eu tinha sobrevivido.

Custei a acreditar em minha maldita sorte, que foi capaz de me deixar vivo, quando eu era o que mais queria morrer, e depois de falhas tentativas, de descuidos propositais nos campos de guerra, eu era visto como um homem corajoso, e não como um idiota suicida que não queria lutar, mas ainda assim enfrentava os inimigos completamente destemido.

Depois disso, foram longos quatro meses de “descanso e recuperação”, eu estava confinado em meu próprio corpo, enquanto ainda sentia os fragmentos da dor de ter sido atingindo por uma bala me atormentava, e no fundo o que eu mais queria era uma escapatória de todo aquele infortúnio, uma morte rápida seria perfeito para mim, mas eu era constantemente vigiado pelos médicos e enfermeiras que queriam minha melhora urgentemente, afinal de contas, eu era um homem requisitado, e quando finalmente melhorei, pude entender os planos de Deus, para que eu continuasse vivo.

— Dur Uchiha, recebemos um telegrama do seu irmão, informando que ele esta mandando uma carga de judeus para cá, contraordens do seus superiores, ele diz que existe algo que é do seu interesse. – Um capitão veio até mim com as informações de uma carta aberta, senti meu coração apertar, não me comunicava com ele desde antes do incidente, os árduos meses da batalha de Moscovo me impediram de mandar qualquer comunicação através de mensageiros com medo de interceptações, e agora, ele já tinha descoberto minha localização e mandado mensagens. – Tem uma carta designada ao senhor especificamente. – Ele me entregou o papel, prestou continência e saiu.

Caro irmãozinho tolo

Sinto que falhei com você em diversas maneiras, mas acho que esse deve ter sido meu pior crime, fui incapaz de manter as mãos de nosso pai longe de seu corpo quando era criança, por mais que implorasse que elas estivessem em mim, não fui capaz de impedir a fuga de nossa mãe e lhe privei de sua presença em uma fase que era crucial em sua vida.

Mas sinto que fui ainda mais incapaz por ter falhado em proteger seu grande amor, Sasuke, eu a encontrei caminhando pelos guetos de Varsóvia, alguns meses depois de sua partida, soube de suas grandes vitórias e não quis atrapalha-las, pensei que a morte de sua amada fosse sua maior motivação, mas quando soube de sua derrota e por fim, do atentado contra sua vida, senti meu coração ser despedaço, não poderia deixa-lo morrer sem que soubesse que ela está viva, por um fio é claro, seu corpo magro e esguio não aguentaria muito tempo no gueto, e em junho serei responsável por enviar todo o restante do gueto para Treblinka, se chegariam lá, tenho minhas dúvidas. Mas queria te dizer, que estou a enviando para você, para que possa protege-la, mas acima de tudo, estou a enviando para que seja sua salvação, não deixe mais que o nosso passado dite o seu futuro, está é a última correspondência que te enviarei por um tempo, estou partindo de Varsóvia para um plano maior, meu irmão, espero conseguir trazê-lo a tempo.

Atenção, destrua essa carta imediatamente. 


Notas Finais


Agora vamos ao dicionário básico da fanfic <3
¹ - Hurensohn – Filho da puta
² - Bengel – Garoto
³ - Luftwaffe – Força área do exército nazista.
4 – Heer – Força terrestre do exército nazista
5 - Companhia Ramcke5 – Equipe de elite de paraquedistas da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.
6 – MG-42 – Metralhadoras famosas de grande alcance, usadas na segunda guerra mundial
7 – Panzerschreck – Um lança foguetes antitanques alemão, mas que tinha seu uso contra caças que voavam a baixa altura.

E DEPOIS DESSE TOMBO, COMO VOCÊS SE SENTEM? SENTA AI QUE SEMANA QUE VEM TEM MAIS, E COM A NARRAÇÃO DA SAKURA <3 O que será que aconteceu nesses dois anos quase separados? Como estará o coração da Haruno? Altas emoções semana que vem. kkkkkkkkkkk Estou parecendo narração de novela.

GENTE, OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS E PELOS FAV, QUANDO PUDER, VOU RESPONDER TODO MUNDO <3


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