História Canções de Apartamento - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Cruella De Vil, David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Henry Mills, Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Tinker Bell, Vovó (Granny), Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emma Swan, Evil Queen, Jennifer Morrison, Lana Parrilla, Morrilla, Once Upon A Time, Ouat, Regina Mills, Swan Queen, Swanqueen, Swen
Exibições 1.195
Palavras 5.143
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Hentai, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hey, swenzinhxs

Só peço que leiam com o coração e quando digo isso não é apenas força de expressão. Sintam profundamente. Cada personagem, cada ato e cada sentimento. Entendam as reações que as levam a atos pensados ou impensados.

E ouçam as músicas. Elas são incrivelmente importantes <3

*Dedico o capítulo à minha flor, mais conhecida como Anna Mello, meu amor todinho. Ela tem me ajudado imensamente com o rumo da fanfic, seja com ideias, opiniões sobre os trechos e, ainda, me fazendo companhia na calada da noite enquanto escrevo. Eu te amo, anjinho meu. O capítulo é seu e a pequena Olívia é em sua homenagem. <3

Capítulo 20 - E tudo se repete...


Habits – Tove Lo 

– Mamãe... – Regina se surpreendeu ao chegar à sala. – Eu não sabia que você já estava aqui. Por que não me chamou? – apenas fitou o sorriso enigmático da mãe. O coração estava latejando com força no peito. Seus olhos arregalados se voltaram para o barulho da porta de entrada social quando essa foi aberta. Robin antecedia os convidados que vinham logo atrás. Henry entrou correndo ao ver Emma.

A noite havia apenas começado.

Emma respirou fundo como se aquilo fosse a largada para o que pudesse lhe esperar dali à frente. Vislumbrou o pequeno Henry correndo como um raio em sua direção. Recebeu-o nos braços e, por alguns momentos, esqueceu-se de onde e com quem estava, ou dos olhares que recebia de algumas pessoas.

– Essa é aquela babá da última festa, não? – Victoria interrogou Regina depois de cumprimentá-la, demonstrando pouco entusiasmo. Ela era uma das mulheres que exalava riqueza até no olhar.

– Ela é a babá de Henry, sim. Emma o seu nome. – Regina sorriu como uma resposta desafiadora à pergunta afetada da amiga. – Mas, hoje, é nossa convidada.

– Convidada, hm? – voltou os olhos à figura loira, levantando uma das sobrancelhas.

Zelena, de reluzentes cabelos ruivos e olhos azuis tão penetrantes, se aproximou de Regina e a tomou num abraço apertado.

– Zel, cuide para que Emma não se sinta mal ou sozinha por aqui, ok? – Regina sussurrou ao pé do ouvido da irmã quando se abraçaram.

– Deixa comigo, sis. A farei se sentir uma convidada especial, sim? – Zelena retribuiu um grande sorriso. Não era preciso que sua irmã falasse mais nada, ou dissesse o porquê daquela preocupação repentina. No fundo, Zelena sabia de tudo o que acontecia entre elas.

Emma destoava entre as pessoas. Destoava com sua jaqueta quase surrada e um jeans amarrotado. Destoava em meio aos conjuntos de roupas caríssimas e joias de 18k. Mas pouco importava qualquer um desses detalhes ao pequeno Henry, que a recebeu como se fosse a convidada mais esperada da festa.

– Você não me pega. – estirou a língua enquanto saía correndo pelo apartamento, fazendo Emma ir atrás dele. Encontrou-o escondido dentro da brinquedoteca, agachado embaixo da mesinha colorida de desenho.

– Peguei! – Emma tocou um dos bracinhos de Henry.

– Emma, posso te mostra uma coisa? – lançou uma carinha sapeca a ela enquanto saia debaixo da mesinha.

– Ei! Você está tentando mudar de assunto, não é, seu garotinho esperto? – estreitou os olhos.

– Não. – Henry virou as duas mãozinhas com as palmas para cima. Depois, direcionou-as à cintura. Naquela posição, até parecia um mini adulto.

Emma sorriu, mostrando-se indefesa perante aquelas demonstrações de fofurisses.  Desenhou um sorriso vencido com os lábios. – Ok. O que você você quer me mostrar, kid?

– Vem com o Henry. – puxou Emma pela mão, arrastando-a consigo de novo até a sala. O único lugar onde Emma não gostaria de estar.

Em sua entrada rápida com Regina, nem havia percebido os detalhes da decoração escolhida com desvelo para a festividade. Algumas luzinhas piscavam na varanda que era separada do interior pela porta de vidro fechada, já que a neve se estendia branquinha lá fora. Num dos cantos da sala, bem perto do piano, uma enorme árvore de natal suspendia os mais variados enfeites. As bolinhas cintilantes brilhavam às luzes coloridas que as iluminavam. Embaixo dela, inúmeros presentes de todos os tamanhos e embalagens possíveis.

– Olha aquela estrela lá no bem alto. – Henry apontou com o dedo indicador para o topo da árvore. Emma direcionou os olhos, um pouco distraída. Acabara ver Regina ao lado de Robin conversando com uns amigos. Um lapso, um relance. Ela sabia que não poderia se chatear por isso. Afinal, como dissera Ruby, Emma sabia que Robin estaria ali. Sabia que as etiquetas sociais pediam para que Regina cumprisse seu papel de esposa e estivesse ao lado daquele que escolheu para ser seu marido. Mas não sentir desconforto com aquilo era inevitável. Na verdade, sentir aquilo na pele e ver acontecer diante de seus olhos era bem mais dolorido do que só criar hipóteses. – Emma? Você viu? – a voz de Henry buscou Emma lá no fundo dos pensamentos. Ela tinha os olhos presos na estrela, mas toda a sua atenção estava no mundo lua.

– Oi, kid. – balançou a cabeça como se pudesse espantar os pensamentos traidores. – O que você quer me mostrar? – se abaixou na altura dos olhinhos, deixando que os dedos acarinhassem os fios curtos do cabelo castanho.

– Aquela estrelona lá no alto. – apontou com o dedinho novamente.

– Uau! Que estrela bonita e grandona. – mostrou uma grande empolgação que não existia em seu ser naquele momento. Na verdade, todos os movimentos pareciam robóticos.

– Foi eu, o Henry que colocou lá no alto. – soou ainda mais animado, abrindo o maior sorriso que conseguia, deixando visível as janelinhas por entre os dentes inferiores.

Emma sorriu, tentando se apegar àquela curva tão esperançosa e de dentes tão branquinhos e pequenos.

– O gigante pequeno Henry ataca novamente. – Emma falou entre sorrisos pouco abertos.

– O gigante pequeno Henry. – Henry soltou risadinhas abafadas pelas mãozinhas em frente à boca. – Eu gosto de que Emma chama o Henry assim. – os olhos eram uma pequena fenda riscada sobre o rosto.

– Ei, Batutinhas! – Zelena brotou feliz ao lado de ambos. Se ajoelhou no chão, da mesma forma que Emma. – O que vocês estão aprontando aqui? – estreitou os olhos na direção de Henry e depois para Emma, como se buscasse resquícios de traquinagens. Mas sua expressão divertida denunciava a falsa investigação que fazia. – Henry você não me deu oi hoje. Estou ficando com ciúmes da titia Emma. – cruzou os braços e fez um bico com os lábios.

– Não. – Henry se jogou de encontro ao corpo da ruiva, tentando envolvê-la, sem sucesso, com os pequenos bracinhos. – Eu amo a titia Zel também. Amo Emma e titia Zel.

– Ahhh, eu te amo também, meu pequeno batutinha. – Zelena agarrou Henry por entre os braços, deixando-se cair por completo no chão.

– Eu não quer ser uma “batatinha”. – Henry falava fininho por entre as risadas soltas.

– Você não quer ser uma batatinha? – Zelena estreitou os olhos. – Mas quem disse que você é uma batatinha? Ahhh, seu sapeca.

Emma sorria ao ver aquela cena. Parecia que o mundo ao redor não existia enquanto Zelena rodava com Henry no chão.

– Agora, sim. – a ruiva finalmente levantou com Henry no colo. – Me sinto amada novamente. – Vamos lá dar oi para a Olívia? – colocou-o no chão, juntou a mão com a pequena de Henry e saíram caminhando em direção à uma pequena garotinha que se distraía com um enfeite de Papai Noel que era quase do tamanho dela. – Venha conosco, Emma. – Zelena se virou, chamando-a com o movimento da mão livre.

Dream - Birdy ♪

Emma hesitou onde estava. Num movimento rápido, girou os olhos pela sala, vendo várias pessoas conversando, sorrindo, se abraçando. De repente, os sons das vozes e risadas pareceram altos demais. Ela se sentiu pequena no meio de tudo aquilo. Respirou profundamente, voltando a si no segundo seguinte. Não acompanhou Zelena. Ao invés disso, foi para o lado oposto da sala, em direção às grandes paredes de vidro que a separavam da sacada. Ficou ali, sem saber o que fazer com as mãos. Ah... Esses sim eram os piores momentos para ela. Quando Emma, simplesmente, não sabia se colocava as mãos nos bolsos, ou ainda, se as deixava em frente ao corpo, balançando ao lado, segurando algo, ou, ou... Esses eram sinais de que estava ficando nervosa. Sentia o coração bater rápido no peito. Tentou focalizar os flocos de neve esparsos lá fora. Pequenos pontinhos brancos pintando o breu noturno. Mas se concentrar neles estava difícil, já que o vidro mostrava as pessoas pelo reflexo atrás de si. Ela via Regina atrás de si.

Naquele momento, pareciam duas desconhecidas. Emma não pensou que seria de outra forma, afinal, Regina era discreta e jamais faria uma aproximação de Emma em frente à família. Mas, por mais que soubesse disso tudo com clareza, era muito mais difícil vivenciar aquele momento, senti-lo na pele. Angustiada. Sufocada. Estava começando a ficar ansiosa e não sabia. Sentia-se naqueles momentos em que o mundo parece girar devagar e a cabeça anda a todo vapor, como se fosse conduzida por um trem desgovernado que descarrilha em um trilho. Conduzida ao caos. Apertou as mãos, sentiu o mínimo suor que já se acumulava nos pequenos sulcos da palma. O coração estava acelerado e um calor se apoderava de seu corpo.

Emma observava o natal acontecendo à sua volta. Ela tinha dez anos. Aos dez anos, é normal que qualquer criança goste do Natal, se sinta ansiosa com a chegada do Papai Noel, que sinta toda aquela magia que envolve as pessoas e as carrega para uma bondade jamais sentida durante o ano todo. Mas Emma não se sentia bem. Os pequenos olhinhos verdejantes fitavam a cena à frente com vestígios amedrontados. Era a terceira vez que passava o natal na casa de uma família desconhecida. Uma família que, até então, tinha o objetivo de adotá-la. Emma sentia as maçãs do rosto quentes, as pequenas mãozinhas tremiam ao lado do corpo.

– Emma, venha cá. – a voz soando ao longe a fez se assustar em sobressalto. Voltou a si, lembrando de onde estava. Não se moveu, permanecendo no mesmo lugar. O  coraçãozinho batia acelerado no peito e ela, tão pequena e frágil, jamais poderia saber o que estava acontecendo. Jamais poderia adivinhar que aqueles eram sintomas de ansiedade. Ansiedade por, talvez, não ser escolhida, por ter de voltar ao abrigo no outro dia, por não agradar quem quer que fosse.

Ela podia ouvir o pequeno coração bater acelerado e parecia que latejava em seu ouvido. “Emma, venha cear conosco”. A voz soou distante, no fundo de sua cabeça.

Num lapso, ela saiu correndo em direção a qualquer lugar da casa. Seus olhos nem percebiam por quais caminhos os pés a conduziam. Ela somente ia. Escadas. Subiu degrau por degrau sem errar. Um corredor. Atravessou-o correndo e adentrou a primeira porta aberta que viu. Sem fechá-la, se sentou num cantinho gelado. Os olhinhos captavam o vulto das coisas que se estendiam à frente somente pouco iluminadas pela luz que entrava pela fresta da porta. Emma agarrou as pernas com os bracinhos. Tentou proteger a si mesma. Proteger a si de si mesma. Fechou os olhos, bem apertados.

– Emma, você está bem? – a voz doce e carregada de Zelena a despertou do transe de ansiedade. A Emma de 23 anos se sobressaltou ao chamado. Ela nem percebera como sua respiração havia se acelerado repentinamente. Não respondeu. – Aconteceu algo? – Zelena tinha os olhos mais espertos agora. Pegou uma das mãos de Emma nas suas. – Suas mãos estão geladas.

Emma tinha os olhos bem fechados. Colocou as duas mãozinhas ao lado dos ouvidos e continuou sentada, as pernas bem juntinhas ao corpo. Logo, uma mão tocou a sua. Emma resistiu, fazendo ainda mais força contra os ouvidos, mas a mão delicada acariciava o dorso da sua. Lentamente, Emma desfez das forças que pressionava todos os seus músculos. Deixou que a pessoa pegasse em suas mãos, a tomasse por entre as dela. Eram para ser as mãos de sua possível mãe – mas que nunca veio a ser.

It’s Time – Imagine Dragons ♪

Zelena, que ainda segurava a mão de Emma por entre as suas, apertou-a firmemente. Sorriu num modo doce, analisando Emma com os olhos que lembravam a superfície de um mar calmo.

– Oi, Zel. Estou sim. – só curvou os lábios num sorriso fraco.

– Está mesmo? – estreitou os olhos em pura desconfiança. – Não fique aí sozinha. Quer beber alguma coisa? – sem esperar resposta, puxou a mão de Emma, conduzindo-a para o meio das pessoas. Emma somente se deixava levar, tentando balbuciar algumas palavras, mas elas não saiam. – Aqui, tome isso. – colocou uma taça de vinho na mão de Swan, sem esperar qualquer resposta. – Quero que conheça alguém muito especial.

Regina analisava Emma com movimentos discretos dos olhos. Estava em meio aos convidados da família de Robin. Vez ou outra, fingia uma risadinha das piadinhas sem graça dos cunhados. Daria tudo para todos evaporarem, todos que enchiam seu apartamento. Em seus devaneios, só sobrariam Emma e Henry. Suspirou, pensando no quanto a noite anterior lhe tinha sido prazerosa e no quanto essa seria o completo contrário. Ao final, não teria Emma em seus braços.

– Emma, – Zelena parou na porta da brinquedoteca. – Eu vou lhe apresentar à Olívia. Ela será a minha filha em breve, muito em breve, se tudo der certo.

– Você... você irá adotá-la? – Emma arregalou os olhos e abriu um grande sorriso. Aquela notícia pareceu lhe aquecer o coração de modo repentino. Aos poucos, as antigas lembranças iam sumindo de sua cabeça.

– Sim. – Zelena suspirou e devolveu um sorriso tão grande quanto o de Emma.

– Zel! Isso é incrível! – Emma levou as duas mãos à boca. – Nossa! Quero dizer, uau! Parabéns! Eu espero que dê tudo certo.

– Faltam alguns papéis. Toda aquela burocracia, mas, estou confiante. – a voz tinha um toque de esperança. – Eu tenho a acompanhado já há algum tempo. Saímos para passear nuns dias, levei ela para conhecer meu trabalho, em outros ficamos apenas conversando no jardim do abrigo. E hoje, me permitiram trazê-la para cear conosco.

– Zel! – Emma soou em grande emoção. – Parabéns! Isso é realmente maravilhoso!

– E como! Acho que nunca me senti tão feliz. – suspirou. – Enfim, – olhou com seriedade para Emma. – Ela está com um pouco de vergonha e quase não fala com desconhecidos. Ainda assim, quero que você a conheça. – sorriu novamente. – Venha cá.

Adentraram no pequeno cômodo da brinquedoteca, Henry e Olívia estavam sentados lado a lado nas cadeirinhas coloridas da mesa de desenho. Maculavam os papéis brancos com giz de cera e lápis de cor. Todas as cores que queriam. Emma sorriu ao perceber como a interação entre eles era espontânea. Ficaram alguns minutos analisando-os, até que Zelena abaixou-se ao lado da pequena Olívia.

– Emma, essa é a Olívia. – acarinhou os cabelos negros. A pele alva se sobressaía por entre aquele mar que contornava o rosto da menina. Ela tinha olhos expressivos e tão negros quanto os cabelos. – Olívia, essa é a Emma. – apontou para cima em direção a ela.

Emma deixou a taça com o vinho em cima de uma das estantes de livros e se abaixou para fitar os olhinhos curiosos, mas que traziam consigo aquele mesmo medo já tão conhecido por ela.

– Ei, Olívia. – Emma sorriu, a chamando com a voz doce. A menina abaixou o rostinho, deixando que os olhinhos se perdessem no papel rabiscado. – O que você está pintando aí? – se aproximou minimamente para olhar o desenho. – Ah! É o Olaf do Frozen? – sorriu em animação. Olívia rapidamente voltou seus olhos a ela. – Eu gosto de abraços quentinhos. – Emma imitou uma vozinha fininha, fazendo com que Henry e Olívia rissem de modo solto. Risos de criança.

– É o Olaf do Fozen sim. – a pequena Olívia falou com Emma pela primeira vez naquela noite. Levantou os ombrinhos e seu lábios projetaram um sorrisinho fofo.

– Hummm. Que legal! E vocês sabiam que a Emma – olhou de Olívia a Henry duas vezes. Eles retribuíam os olhares com ansiedade.

– Que a Emma o que? – Henry segurou a ponta da mesa com as duas mãozinhas e apoiou a cadeira para trás num movimento ansioso. – A Emma fez o que?

– A Emma também gosta de... – levou cada uma das mãos a eles, balançando os dedos. Eles sorriam, esperando por algo acontecer. – Gosta de abraços quentinhos? – alcançou a barriguinha de ambos e começou a fazer cócegas leves. Olívia e Henry riram livremente.

Naquele momento, Regina apareceu na porta da brinquedoteca, sem anunciar sua chegada. Zelena, que já havia levantado para deixar somente os três brincando, viu a irmã chegar. Lançou um sorriso a ela e se aproximou.

– Parece que eles se deram muito bem. – falou baixo para somente Regina ouvir.

A morena fitava tudo com deslumbramento. Era incrível a delicadeza, o amor e o respeito com o qual Emma tratava as crianças. Num segundo, estavam Henry e Olívia fazendo cócegas em Emma, e ela deitada no chão, rindo como uma terceira criança. No outro segundo, os olhos castanhos se conectaram às esmeraldas. Era o primeiro sorriso que Emma recebia de Regina depois de terem se separado por entre os convidados. Emma sorriu fracamente e, logo, desviou os próprios olhos. Fingiu se distrair com as cócegas. Não sabia o porquê, mas não queria fitar Regina naquele momento. Se sentia trocada. Com ciúmes. Se sentia abandonada. Não queria, mas as emoções controlavam todos os seus sentidos, todos os seus pensamentos.

– Ela está se sentindo bem aqui? – Regina perguntou à irmã, sem desviar os olhos de Emma.

– Emma? – Zelena sibilou por entre os dentes. – Estava quietinha agora pouco, mas eu a trouxe aqui para que conhecesse Olívia.

– Ok. Me chame se precisar. – piscou levemente e se voltou para a sala.

Regina caminhou pensativa. Não conseguiu ver o brilho nos olhos de Emma. E isso a assustava. Sabia que havia algo errado. Sabia que poderia ser algo com ela. Mas não imaginava o porquê. Até agora, tentava manter uma distância segura do marido para que Emma não se sentisse mal, ou visse alguma cena que seria difícil presenciar. Respirou profundamente, pois sabia que, ainda assim, essa situação deveria ser angustiante para Emma.

– Vamos deixar as crianças aqui e ir na sala interagir com alguns adultos, Emma? – Zelena tocou o ombro dela, lançando um sorriso confiante.

– Vamos. Vamos sim. – movimentos robóticos. Levantou do chão onde estava sentada e ajeitou a jaqueta.

– A mamãe e a titia já voltam, ok? – Zelena passou a mão na cabeça de Olívia e apertou a bochecha de Henry.

Zelena saiu da brinquedoteca sendo seguida por Emma. As pessoas riam e conversavam animadamente em vários grupinhos. Zelena se encaminhava justamente àquele que parecia menos agradável à Emma. Tinha Cora. Tinha também aquela amiga que lançava olhares esquisitos à loira em todas as festas que participou na casa de Regina.

God & Monsters – Lana Del Rey ♪

– Você já conhece a mamãe, né, Emma? – Zelena interrogou quando chegaram ao grupo.

– Ah, sim. – Emma meneou a cabeça positivamente. – Ei, senhora Mills. – balançou a mão num cumprimento distante.

– Olá, senhorita Swan. – Cora analisou as vestes de Emma com os olhos. Ela possuía um olhar ainda mais penetrante que o de Regina e, talvez, ainda mais enigmático. Realmente, não era possível decifrar o que aqueles dois globos castanhos queriam dizer. Mas ainda mais enigmático do que os olhos era o sorriso. Os lábios formavam uma perfeita linha contraída. Não era um sorriso feliz. Emma tinha certeza disso. E poucas foram as vezes que viu os sorrisos que mostravam os dentes – esses também não eram dos felizes. Eram amedrontadores. Passavam à Emma algum tipo de malícia, uma maldade inscrita nos dentes perfeitamente alinhados e brancos. Era uma mulher que lhe causava calafrios.

– E Victoria? Emma, Victoria, – Zelena apontou de uma à outra. – Victoria, Emma. – repetiu o gesto.

A mulher de cabelos loiros na altura dos ombros, rosto afinado e olhos verdes, sorriu falsamente.

– Olá. Eu já a conheço dos outros dias. – fitou Emma com arrogância. Sorriu, um sorriso ainda mais arrogante do que o olhar. Desviou a atenção para Cora que ainda estava concentrada em Swan.

Emma tentava não fitar os olhos de Cora. Talvez, eles inquerissem. Talvez, estivessem perguntando coisas que ela sabia que não poderia responder. E se tentasse, poderia vacilar nas palavras e deixar escapar alguma coisa sobre ela e Regina. Qualquer coisa sem significado, mas sabia que Cora era esperta.

– Me diga, Swan, – Cora balançava lentamente o vinho em uma taça. Emma tentou focar nos olhos. – O que mais você faz além de trabalhar como babá? – a voz era um fio inquisidor e tinha um toque levemente irônico, quase imperceptível.

– Ah... eu estudo. – Emma desviava o olhar dos olhos de Cora para a taça que ela balançava delicadamente por entre os dedos.

– Hm... estuda? – balançou a outra mão como se pedisse por mais.

– Psicologia. Eu estudo Psicologia. Acabei de finalizar o oitavo período. – Emma pareceu ter, finalmente, reencontrado a voz que lhe faltava em meio ao nervosismo.

– Interessante. – Cora contraiu os lábios. – Foi na Psicologia que Regina lhe encontrou?

Emma sorriu de modo confuso. – Não. Ela não me achou simplesmente. – deu de ombros, num gesto que pareceu insolente aos olhos de Cora. – Mary me indicou. A outra babá.

Cora meneou a cabeça positivamente, sem desgrudar os olhos do rosto de Emma. Analisava cada centímetro, buscava por vestígios que incriminassem aquela loirinha de gestos e modos insolentes. Os olhos desceram por todo o rosto e alcançaram o pescoço. Descreveram o colar. Uma leve ruga se formou ao lado do olho esquerdo e a boca se contraiu involuntariamente.

– E você não acha, senhorita Swan, que trabalhar como babá – enfatizou a última palavra, a carregando com um sarcasmo característico. – atrapalha o seu futuro como psicóloga?

– Não. – Emma respondeu prontamente. – Aprender algo não é só estar em sala de aula. Faço das minhas pequenas experiências os maiores aprendizados possíveis.

Com aquela resposta sensata e sincera, Cora se obrigou a ficar quieta.

– Irei servir minha taça. – Victoria falou à Cora, mas essa pegou a taça das mãos da amiga e ofereceu à Emma.

– Deixe que a senhorita Swan irá. Ela já está acostumada a nos servir. – Cora afirmou sarcasticamente por entre o sorriso venenoso. – Pode fazer isso por nós, não é, senhorita Swan?

– Claro, eu... – Emma estendeu a mão para pegar a taça. Engoliu a seco, recebendo aquelas palavras como golpes que lhe esfaqueavam.

– Mas que coisa chata, mamãe. – Zelena segurou o braço de Emma, fazendo com ela o voltasse para o lado do corpo. – Regina deixou claro que hoje, Emma é a nossa convidada. – fulminou a mãe com os olhos. – Eu mesma lhe sirvo, Vic.

Zelena se afastou, caminhando até a mesa onde as comidas e bebidas estavam postas. Ao acompanhar os passos da ruiva com os olhos, Emma deixou que eles se perdessem por entre os convidados.

E lá estava Regina. Os olhares se encontraram por entre tantos outros. Esmeraldas e castanhos por segundos conectados. Por segundos, criando aquela fenda no tempo onde parecia ter parado. Mas, pela segunda vez naquela noite, Emma desviou o olhar do de Regina.

Sem saber como tudo aquilo começou, a morena foi conduzida para atrás da mesa por Robin. Arregalou os olhos, se deixando levar. Como se pedisse a atenção de todos, Robin batia palmas. E ganhou. Logo, todos os olhares e sorrisos estavam voltados para Robin e Regina no centro da mesa. O estômago dela revirava e o de Emma embrulhava.

– Estimados senhores e senhoras. – Robin começou um pequeno discurso com seu sotaque carregado. Puxou Regina num abraço lateral, segurando a cintura com a mão espalmada. Emma percebia cada um daqueles detalhes. Os toques, o jeito que os dedos se encaixavam na cintura delgada... – eu e minha amada esposa, Regina, agradecemos a presença de todos em nossa casa, como é a tradição de todos os anos. – afastou-se minimamente de Regina e virou-se de frente a ela. – Como todos sabem, nesse ano, eu e Regina completamos 8 anos de casados. – Emma se sentiu enjoada. De repente, a sala voltou a ficar grande demais e ela pequena. Pequenina. Queria sumir, evaporar dali. Tentou desviar os olhos, mas globos tão teimosos voltavam sempre à cena que presenciava à frente.

Queen Of Peace – Florence + The Machine ♪

– Tão lindos e felizes. – Cora sussurrou ao ouvido de Emma. – Não acha? – Emma meneou a cabeça num movimento positivo e vacilante. – Dificilmente alguma coisa irá separá-los. Ou alguém... – os lábios projetaram um sorriso cruel.

Regina se sentia completamente desconfortável, mas não poderia simplesmente ignorar o próprio marido na presença de todos, de sua família, de sua mãe. Emma engoliu a seco quando viu Robin erguer uma caixa retangular de veludo. Abriu-a no alto para que todos pudessem ver o objeto caríssimo com o qual presentearia sua esposa. Dentro da caixa, brilhava um colar incrustrado com várias pedras. Talvez rubis, talvez esmeraldas, talvez diamantes... As próprias esmeraldas de Emma pararam de brilhar ao vislumbrar o brilho das pedras. As palavras bonitas de um discurso ensaiado por Robin soavam distantes nos pensamentos dela, esses que se enchiam de mil outros mais. Novamente um trem descarrilhado se encarregava de conduzir sua mente.

– Sabe, Emma, – Cora usou uma falsa voz doce. – Essas coisas só acontecem nas novelas. Nos filmes... – Emma lançou um olhar confuso a mais velha. – Oh, querida, você sabe muito bem do que estou falando.

– Não... não sei do que está falando... – novamente a fala se perdia.

Robin retirou a peça do estojo, deixando-o de lado. A partir daquele momento, os olhos de Emma marejavam, mas ela não poderia chorar. Cora estava praticamente ao seu lado. Bateu as pálpebras várias vezes para espantar as lágrimas que queriam escapar. Tentou sorrir para fingir que a cena do “casal que se amava” lhe emocionava, como emocionava a todos os outros presentes que se deixavam enganar por belas aparências. E como projetar aquela curva foi difícil. Só ela saberia dizer o quanto...

– Desses scripts de filmes e novelas ridículos onde o mais rico se junta com o mais pobre e vivem felizes para sempre. – Cora estreitou os olhos. Estava colada ao lado de Emma e falava entredentes. – Oh, Swan, não se faça de desentendida. Você sabe do que estou falando. E sabe que Regina jamais deixaria tudo isso – olhou ao redor. – Por isso. – deslizou os olhos por todo o corpo de Emma fazendo-a engolir a seco. – Por você. – finalizou.

Nunca poucas palavras tiveram a capacidade de lhe destruir tanto por dentro. Era como se terríveis verdades destilassem como veneno por aqueles lábios vis e pintados de vermelho de Cora.

– Não sei do que você está falando, C... senhora Mills. – Emma gaguejou.

– Ah, sabe sim. Sabe muito bem. Robin é um partido alto demais para que alguém como você possa competir. – provocou em meio ao sorrisinho sórdido.

Emma sentia nojo. Sentia raiva. Medo. Tristeza. Nem mediu suas palavras. – Regina me ama e vai se separar para estar comigo. – as palavras soaram bobas até para ela mesma. Parecia uma criança brigando por um brinquedo.

Cora riu. Um riso vil e baixo. Fechou os olhos, suspirou. – Jovem sonhadora, hm? – abriu os olhos, fitou Emma em arrogância. – Acha que o amor vence tudo. Acertei? – um som de deboche saiu da garganta. – Eu conheço Regina, meu amor. Ela jamais trocaria um futuro maravilhoso para não ter nada, por algo incerto como você. – a loira abriu a boca para argumentar, mas, dali, nada saiu. – Eu sei, eu sei, você vai falar do grande amor que sentem uma pela outra. – deu um leve tapinha no braço de Emma. – Mas tenho certeza que seu amor não lhe trará colares de diamantes. – fez menção de se afastar, mas voltou para trás. – Se você aceita bons conselhos, afaste-se, Emma. Deixe-os viver em paz. – descreveu o rosto alvo com os olhos. – sorriu uma última vez, aquele mesmo sorriso diabólico, antes de se virar e se perder entre os convidados.

Os olhos de Emma estavam erroneamente focados no que acontecia entre Robin e Regina. Ele deslizava os dedos sobre os cabelos da esposa, depois sobre o pescoço. Prendeu o colar com os dedos, depositou um beijo no topo da cabeça da morena e virou-a para si.

A partir daquele ato, Emma não se sentia mais capaz de presenciar tal momento. As lágrimas enchiam os olhos e ela não poderia derrubá-las ali. Olhou para todos os lados antes de se virar. Caminhou sem direção até o lavabo. Fechou a porta ao mesmo tempo que os olhos; o soluço do choro já escapava da garganta. Encostou a testa na porta de madeira. Queria sentar no chão e chorar como uma criança, mas sair dali com a cara inchada estava fora de cogitação. Se desprendeu da porta e caminhou até a pia. Acima dela, viu o reflexo brilhar no espelho. Encarou o próprio rosto e não reconheceu a si mesma. Se sentiu insignificante. Um nada... talvez, Cora tivesse sua razão. Regina jamais escolheria estar com ela. O que eu poderia lhe oferecer? A confusão de sentimentos dentro de si não permitia que ela distinguisse o que sentia. Raiva, tristeza, uma dor profunda... Os lábios tremeram, antecedendo aquela vontade de chorar. Mas ela fechou os olhos e a segurou. Engoliu um bolo enorme em sua garganta que a sufocou. E tudo isso era sufocante em demasia. Talvez, não estivesse preparada para viver aquilo. Para se sujeitar a comer pelas beiradas, como Ruby lhe dissera.

Respirou profundamente antes de desprender as mãos da pia e se dirigir para fora do banheiro. Saiu em desalento, totalmente distraída com os pensamentos agitados em caos. Nem viu quando se chocou de frente com Victoria. A mulher que segurava uma taça de vinho em mãos estava, agora, com o braço e grande parte das pernas lavados pelo líquido derrubado.

– Me desculpe, dona Victoria. Eu não a vi e... – ainda tentando se desculpar com o olhar e recebendo outro fulminante em troca, Emma girou nos calcanhares e caminhou para a cozinha. Seu coração estava muito acelerado. Ela nem viu por quem passou enquanto se dirigia ao outro cômodo.

Sentiu uma mão tocar seu braço. Virou-se de súbito. Encarou os olhos castanhos de Regina, estavam assombrados. Desceu os próprios até o colar que enfeitava o pescoço da morena.

– Emma... – se mostrou assustada pela expressão desnorteada no rosto da garota.

– Só me deixa ir, ok? – suplicou baixinho, desviando o olhar.

– Emma. O que está acontecendo? – a mão que antes tocava o braço, o segurou.

– Senhora Mills, me deixa. – Emma puxou o braço. As palavras saíram firmes e mais altas do que pretendia.

Regina arregalou os olhos e paralisou enquanto via Emma caminhando para a cozinha, provavelmente para ir embora. O coração pedia para ir atrás dela, mas os sentidos não a atendiam.

Emma ainda sentia as palavras de Cora lhe perfurando. Ainda sentia tudo de modo profundo e correndo acelerado na cabeça. Naqueles minutos, os momentos maravilhosos que havia passado com Regina não eram mais do que fios enevoados dentro dos pensamentos carregados de tristeza por tudo o que acabara de presenciar. A última coisa que precisava ter visto eram aqueles olhos castanhos. Fitar eles cheios de medo era como ver os próprios cheios da desesperança que exibiam agora. Emma abriu a porta dos fundos e atravessou-a sem olhar para trás.

Ao alcançar o pátio do prédio, não sentiu a neve fria lhe tocar a pele ou o vento cortante que se chocava contra ela. Seus pensamentos atordoados faziam com que qualquer sensação física fosse reduzida a nada. Caminhava para a portaria como se estivesse indo para lugar nenhum. Apenas ia. Ao ultrapassá-la, voltou os olhos para as janelas iluminadas. Nas íris esmeraldas era possível ver o pequeno brilho a refletir. Refletiam a tristeza que enchia sua alma.

Era mais um natal solitário. Mais um natal que não se sentia pertencente a uma família. Mais um natal que se estenderia doloroso em suas lembranças.


Notas Finais


A partir desse capítulo, as coisas se tornarão mais intensas entre elas. Espero que vocês estejam dispostas a acompanhar essa jornada comigo. Momento difíceis e doloridos são necessários e nos ensinam demais. Sobre Cora, eu a amo muito. A personagem da série é incrível e eu sei o quanto será difícil para algumas leitoras vê-la com tanta crueldade nessa fic. Mas nada eu faço sem significado. Não coloco uma Cora malvada na fic como em todas as outras, como me disseram algumas leitoras. Aqui, ela significa a repressão dos pais, ou até mesmo da própria sociedade. Aquela mesma repressão que muitos recebem quando se assumem ou quando amam pessoas que os pais não aceitam.
Espero que vocês entendam. Tudo vai muito além do que está escrito.

Espero vocês aqui embaixo, no twitter, no wpp... Deixem suas ideias para eu saber do que acharam - e estão achando.

Um beijo enorme e até o próximo <3


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