História Capturas - Capítulo 4


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Categorias Camila Cabello, Dylan O'Brien, Fifth Harmony, Hailee Steinfeld, Liam Hemsworth, Matthew Daddario, Shawn Mendes
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Dylan O'Brien, Hailee Steinfeld, Lauren Jauregui, Liam Hemsworth, Matthew Daddario, Normani Hamilton, Shawn Mendes
Tags Ally Brooke, Camila Cabello, Camren, Dinah Jane, Dylan O'brien, Fifth Harmony, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Shawn Mendes
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Palavras 3.349
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Capítulo 4


Clara Louise Chevalier

1994, Lyon, França.

Meu pai sempre esperou que eu e meus irmãos lidássemos com qualquer situação das nossas vidas com a mesma honestidade e integridade que a ele foram ensinadas quando criança. Como um bom militar, acreditava em regras e as defendia com punho de ferro. Crescemos ouvindo lições do Sargento Chevalier para quase tudo. Algumas delas eram, provavelmente, as mesmas que a maioria dos pais ensinava aos seus filhos como, por exemplo: sempre contar a verdade e nunca roubar dos outros, enquanto que mamãe não nos deixava sair sem um casaco ou luvas para espantar o frio que estava à espreita pelas ruas. Do mesmo modo que impunha suas regras rígidas, controlava o que nós deveríamos fazer, incluindo nosso futuro acadêmico. Direito já tinha sido escolhido para mim muito antes de eu entrar no Ensino Médio, que completei nos Estados Unidos. Tinha visto o mesmo acontecer com meus irmãos mais velhos, Auguste e Adele, que moravam em Paris.

Vivíamos em constante alerta com sua voz sempre surgindo do canto mais escuro da mente quando estávamos prestes a tomar uma decisão. Eu tinha seguido todas as suas determinações à risca, mesmo que a minha versão adolescente quisesse fazer à rebelde sem causa e mandar todas aquelas regras para o inferno onde não pudessem limitar o meu verdadeiro eu. Eu o idolatrava e nunca o desobedecia.

Até aquele momento.

Agnes, a filha mais nova da governanta que tinha vindo trabalhar na mansão Chevalier antes da minha chegada, havia acabado de me entregar uma carta com meu nome gravado no verso. Primeiro, eu não acreditei, porque nem sabia que as pessoas ainda mandavam cartas e o meu endereço na França era somente do conhecimento de Lindsay Crawford, a minha melhor amiga em território americano, e eu tinha quase certeza que ela não se daria ao trabalho de me escrever uma carta enquanto existisse telefone. Ela era melhor falando do que escrevendo, eu tinha visto muito disso durante o Ensino Médio.

Minha irmã caçula, Isabelle, desceu as escadas quase correndo quando a chamei gritando para que ela viesse ao meu encontro. Ao ver as letras assinadas no envelope cheio de selos ao lado da palavra Remetente, soube que não poderia fazer aquilo sozinha. Belle, como eu costumava chama-la quando estava de bom humor — ou seja, quando ela não pegava minha maquiagem sem permissão —, era minha maior confidente, sabia cada detalhe sórdido da minha vida e me odiaria se soubesse que eu escondera aquele pedaço de papel. Aquele pedaço do meu passado.

— O que é isso? — perguntou apontando para a carta em minhas mãos. Até aquele momento, eu não tinha percebido como meus dedos tremiam, ameaçando derruba-la a qualquer momento.

— Acabou de chegar para mim. — respondi num sussurro, a voz falha denunciando meu estado emocional. — Dos Estados Unidos.

Eu soube que ela tinha entendido pela expressão de surpresa em seu rosto que, meio segundo depois, foi substituída pela curiosidade afiada que lhe era particular. Como qualquer adolescente de 16 anos, Belle era uma garota que adorava uma fofoca e uma história de amor para ficar suspirando por aí. Ela apontou para a entrada da sala de jantar, por onde Agnes tinha sumido para ajudar com o almoço. Dei de ombros. Sabia que a jovem não daria com a língua nos dentes, já a tinha feito minha amiga, apesar do pouco tempo de convivência, e sabia que seria fiel a mim até o último momento.

— Você ainda não abriu? — olhei dela para a carta e para ela de novo, sentindo-me, de repente, estúpida. — Posso abrir? Deixa?

— Isabelle! — grunhi quando senti as cartas escapando dos meus dedos.

— D.J.? — tomei-lhe o envelope de novo, sentindo-me imediatamente nervosa com a possibilidade de minha irmã lê-la antes de mim. Era ridículo sentir ciúmes de um papel e das palavras nele escritas, eu sabia, mas não podia simplesmente evitar. — Quanto mistério! Eu gosto disso. É como nos filmes que nós assistimos aos sábados, sabe? Quando o pai da mocinha põe fim no caso de amor da filha, mas o sentimento ainda está lá. Não morre. Daí o galã aparece no final, demonstra todo o seu amor e eles ficam juntos para todo o sempre... Ou ele morre, não sei. Às vezes, os roteiristas de filme são meio loucos, sabe...

— Pare com isso. — interrompi seu monólogo, mesmo ela estando certa, no fim das contas, apesar do tom divertido em sua voz. — Vai me deixar abrir ou quer soltar mais um comentário?

— Abre logo!

Com todo cuidado do mundo, abri o lacre devagarzinho, para não estregar ainda mais o bonito envelope que já tinha sofrido um pouco em sua jornada pelo Atlântico. Dentro, havia duas coisas que, mesmo simples, fizeram meu coração alavancar enlouquecido. A primeira, uma foto-polaroid em preto em branco onde eu estava sentada na grama, os prédios de San Francisco despontando atrás. Eu lembrava daquele dia. Depois de uma temporada longa marcada por chuvas quase torrenciais, era bom sentir o sol na pele, mesmo que por um momento. Por isso, corremos para o parque da cidade e aproveitamos o dia.

A segunda era a carta e, embora pudesse ter sido coisa da minha cabeça, pude senti o seu perfume assim que desdobrei o papel, triplicando o tamanho da minha saudade de casa, dos seus braços. Aproveitando que Belle parecia bem entretida observando a foto e todos os seus detalhes, encarei a carta ansiosa pelas palavras escritas. Não havia dúvidas de quem havia me enviado aquilo, eu conheceria aquela caligrafia meio tremida em qualquer lugar.

São Francisco, EUA, 16 de julho de 1994;

Carta de nº 1

Meu amor,

Agora você sabe que eu realmente estava falando sério, eu disse que ia encontrar um modo de falar com você, dar notícias e te manter muito bem informada. Estive conversando com aquela amiga da sua família, a jovem Crawford, e ela acabou deixando escapar – depois de muita insistência, claro, já que ainda não gosta tanto assim de mim por causa do Trevor – o seu endereço na França. Dada as circunstâncias, cheguei à conclusão de que deveria tomar uma decisão ousada e correr o risco de que seu pai, ao invés de você, acabe encontrando esse pedaço de papel. Aqui estou, voltando algumas décadas, escrevendo uma carta estúpida, algo que nunca imaginei que faria na vida. É um tanto clichê, certo? Até combina com a gente, acho.

Não faz nem uma semana desde a última vez que nos vimos, mas tanta coisa mudou que estou começando a duvidar do meu senso de tempo, questionando se, na verdade, não se passaram bem mais do que cinco dias desde sua partida. Não me resta muito a fazer sobre isso agora que há um oceano entre nós, mas ainda posso saber o que se passa com você, huh? Eu não tenho certeza se vou gostar de ouvir falar – ou ler, como queira – das pessoas que irão te cortejar e, possivelmente, ganhar um ou dois sorrisos teus, esses que eram dedicados a mim, exclusivamente. Não vou pedir, no entanto, que pule esses detalhes, estamos falando sobre sua felicidade e, consequentemente a minha. Sinto-me no dever de desejar, do fundo do meu coração, que a encontre em um coração que possa te amar e te cuidar como merece. Duvido, porém, que tal pessoa a ame como eu o fiz e sempre farei.

Eternamente pertencendo a você, mesmo que o destino diga o contrário,

D. J.

 

Ensuite, vous me touché, pur comme une fleur – Desconhecido

 

Eu não tinha certeza de em que momento comecei a chorar silenciosamente, mas terminar de ler a carta foi quase impossível com a quantidade de lágrimas que descia pelos meus olhos. Percebendo o que estava acontecendo, como sempre, Belle afagava minhas costas, tentando expulsar os pensamentos ruins que rondavam minha mente enquanto deixei minha cabeça repousar em suas pernas finas, sentindo como se ela pesasse toneladas. Quando fugi para o meu quarto — eu sempre fugia — deitei-me na cama, esperando que, ao cobrir-me até a cabeça com o cobertor, pudesse sumir ou ao menos voltar para São Francisco. Continuei ali sozinha pelo resto da noite, deixando a escuridão me engolir.

 

Lauren

Depois que me tranquei no quarto, percebi que o final da minha noite tinha sido uma verdadeira merda, explodindo bem na minha cara, mesmo depois de uma incrível maratona de filmes realmente excelentes. Por mais que tentasse, bolando de um lado para outro na cama para pegar no sono, eu simplesmente não conseguia apagar a expressão de mágoa com a qual Dinah deixou a cozinha. Era certo que eu não devia ter gritado com ela ou sido rude, só porque estava na defensiva e tinha medo que todas as minhas barreiras ruíssem assim que eu abrisse minha boca grande para desabafar. Eu meio que já tinha visto isso acontecer, as coisas iam de mal a pior toda vez que eu tentava falar. Só que dessa vez meu silêncio também tinha magoado alguém e eu não sabia por onde começar para consertar as coisas. Olhando em volta, era como se todo o mundo tivesse começado a dissolver e eu, uma mera expectadora, estava de mãos atadas, gritos sem som saindo pela minha boca enquanto o controle escapava pelas mãos do destino.

Meu coração martelou por muito tempo durante a madrugada com a última pergunta de Dinah, pensamentos indo e vindo, muitos deles nem um pouco agradáveis, e quando os primeiros raios solares entraram pela minha janela aberta, confirmei que sequer tinha parado de pensar nela. O sono havia me pegado em alguns momentos, me sentia como se não tivesse conseguido dormir por mais de duas horas durante as cochiladas, então todo o meu corpo trabalhava como se eu fosse um zumbi ou eu poderia ser uma parte vampira, já que não consegui mais nada ali depois que o sol apareceu, o que poderia explicar algumas coisas. Não fazia diferença, no fim das contas, em algum momento na próxima hora, meu celular despertaria e eu podia aproveitar aquele tempo antes da faculdade para preparar um bom café da manhã.

Dylan apareceu na cozinha quando eu terminava de preparar o último waffles e o despejava sobre uma pilha que já descansava sobre a bancada, apenas esperando uma bela camada de melado para finalizar. Assim que ele aspirou o cheiro forte bem característico, estremeceu de alegria. Foi rápido e sutil, mas estava lá, claro como seu sorriso de rasgar os cantos da boca. Não era segredo que Dinah não sabia nem fritar um ovo sem colocar em risco nossa cozinha, mas Dylan nunca reclamava da comida dela, talvez por medo de um corretivo, sempre comendo como se fosse sua última refeição. Eu meio que entendia toda sua euforia ao se servir de alguns waffles enquanto inclinava-se para pegar o melado que eu tinha colocado na bancada.

Com os olhos apertadinhos e ombros curvados para frente, Dinah chegou longos minutos depois, desejando um bom-dia tão baixo que eu fiquei em dúvida se realmente tinha escutado algo. Apesar da comida mais ou menos, minha amiga sabia preparar um ótimo café forte e o fazia toda manhã, então quando encontrou a cafeteira cheia, sua primeira reação foi olhar para mim em questionamento. Dei de ombros, sorrindo um pouco, esperando que ela não ficasse ofendida ou algo parecido. Piorar a nossa situação era o que eu menos queria. Serviu-se generosamente com sua caneca preferida e sentou-se ao lado de Dylan com um prato com waffles de Nutella que eu tinha preparado especialmente para ela sabendo de sua preferência por aquele tipo. Tudo bem que eu queria agrada-la de alguma forma e tornar aquele processo de pedir desculpas mais fácil, esperei que pudesse funcionar. Será se eu parecia idiota? Não responda a isso.

— Laur? — Dylan sorriu para mim apontando para meu celular que vibrava feito louco. O nome “Papai” brilhava e piscava na tela, uma foto dele beijando minha bochecha me fazendo perceber o quanto sentia sua falta.

Ma petit? — sua voz grave chegou até mim num tom calmo e terno, aquele que ele sempre usava quando falava com seus dois filhos.

— Oi, papai.

Olá, querida. Como está? Sinto sua falta. Você não tem nenhum minutinho para ligar para o seu velho ultimamente?! — reclamou dramaticamente nos fazendo rir juntos.

— Estou bem, papai. E é claro que sinto saudades, mas tenho estado tão cheia com as coisas da Universidade que, quando chego em casa, apenas me jogo na cama e praticamente desmaio.

E aquele pequeno probleminha na aula de Expressão Fotográfica? Resolveu? — a preocupação e interesse eram bem notáveis em sua voz.

— Não, ainda não. — meu coração doeu um pouco com o pensamento de provavelmente ter que deixar a exposição por causa de um fodido bloqueio criativo.

Talvez eu posso te ajudar com isso. Ontem eu estava arrumando algumas coisas minhas... Hmm... Er... — senti sua hesitação em me contar o que estava acontecendo, imaginando, quem sabe, que eu não estava sabendo de sua saída da nossa casa. — A questão é que encontrei uma pequena e bela caixinha de madeira com uma palavra grafada com uma bela caligrafia na tampa. Eu não a conhecia, então imaginei que fosse sua, deve ter se perdido das outras e ido parar no porão com a última mudança. Estava cheia de fotos-polaroids das paisagens de São Francisco e pessoas aleatórias. Pensei que, mandando-a para você, elas pudessem te inspirar.

Sim, eu costumava guardar minhas fotos em caixinhas de madeira, com identificações diferentes numa caligrafia entalhada dos variados lugares onde fui e pude registrar, e todas estavam guardadas no fundo do meu closet, na minha cidade natal, muito bem protegidas. Era um costume da minha mãe, ela também fazia o mesmo com suas recordações de casamento e da minha infância. Com medo de que algo pudesse danifica-las na viagem até Miami, escolhi apenas algumas fotos para decorar meu novo quarto e deixei as outras para trás. Eu não sabia que tinha perdido alguma caixa quando fizemos uma mudança há dois para uma casa — estupidamente e desnecessariamente — maior no mesmo condomínio onde já morávamos em São Francisco. Se aquilo fosse realmente verdade, estava louca para saber qual era e quais fotos guardava.

— Isso pode dar certo. — uma olhada em Dinah e eu saquei o que seus olhos me questionavam. Engoli em seco, não me sentindo exatamente pronta para a minha pergunta. — Papai?

— Diga, querida.

— Como você está? — o silêncio que se seguiu tirou metade das minhas forças, eu mal conseguia imaginar o que se passava na cabeça do meu pai, mas podia imaginar a expressão em seu rosto com algumas rugas aqui e ali, meio distantes. O suspiro longo confirmou seu cansaço e me senti mal por tocar no assunto. Mas eu precisava saber. Eu queria. Eram meus pais e eu me preocupava com o casamento deles, seja no seu sucesso ou fracasso.

Matthew deve ter falado algo, certo? Sobre...

— Sim, ontem. Deveria ter ligado assim que recebi a mensagem dele, mas não consegui. Eu... — como dizer que eu me sentia responsável pelo monte de merda que vinha acontecendo na vida deles? Claro que meu pai, sendo exatamente quem é, não me deixaria colocar a culpa em mim, porque ele era doce e bom. E eu não merecia aquele tipo de tratamento. — Sinto muito. De verdade. Queria poder fazer algo...

— Eu também sinto, querida, mas você não pode fazer nada. E não se preocupe, não estou chateado que você não me ligou ontem. Quer dizer, estou, porque quase nunca me liga, mas não por causa disso.

— Deveria existir algo, já que fui eu quem causou isso tudo. — as palavras fugiram da minha boca sem controle. Pelo canto do olho, percebi que Dylan me encarava confuso enquanto que Dinah parecia irritada, exatamente como a noite anterior. Eu quase podia vê-la levantar e bater a porta do seu quarto como tinha feito para calar meus chamados.

— Do que está falando, querida?

— As brigas, gritarias, ofensas... Eu sinto muito, ok?! Tanto, sinto tanto. — suspirei e balancei a cabeça tentando impedir que lágrimas inconvenientes escapasse. Não queria chorar agora, não ao telefone. Talvez depois, quando estivesse sozinha, remoendo uma culpa já bem familiar.

— Lauren, por favor, pare com isso. Eu e sua mãe brigamos porque não temos mais agido como um casal há algum tempo. Afundamo-nos em trabalho para fingir que nosso casamento não está passando por obstáculos, o que foi estúpido, já que as consequências tomaram proporções maiores do que imaginávamos. Você compreende? Eu e ela erramos. Não você, nem Matty. Estou na casa do seu Tio Idris porque preciso pensar, colocar a cabeça no lugar e organizar meus pensamentos, assim como sua mãe. Será melhor assim.

— Parece muito com o fim... — resmunguei coçando meu nariz.

— Não pense muito nisso, querida, concentre-se no seu curso e em sua vida. Você é tão jovem, há tantas coisas para descobrir em Miami, então não se preocupe. Eu e sua mãe não estamos nos divorciando.

— Tudo bem, acho que vou acreditar. — ao mesmo tempo em que papai agradeceu, Dylan tomou minha mão em um leve aperto, apenas para me lembrar de sua presença ao meu lado, assim como seu apoio. — Eu sinto sua falta.

— Eu também, Ma petit. — sorri com o apelidinho que ele me chamava desde criança, achando fofo que, apesar dos anos, seu sotaque fajuto francês nunca tinha melhorado. — Então, liguei para avisar que suas fotos devem chegar no meio da tarde. Dois dos meus estagiários estavam indo para Miami na madrugada e pedi que eles entregassem no seu endereço. Espero ter feito a coisa certa.

— Oh, isso é incrível. — assenti com a cabeça energicamente mesmo que não pudesse ver, sentia-me de repente nervosa para ver minha caixinha. — Talvez seja a resposta para o meu pequeno problema.

— Estarei torcendo por isso. Querida, preciso ir agora. Tenho que estar no escritório em poucos minutos para uma reunião com um cliente. Antes, no entanto, preciso que me prometa algo.

— Claro, papai.

— Ligue mais vezes. Para mim, sua mãe, Matty. Sentimos sua falta, todos os dias. Seria bom ouvir sua voz e saber das novidades com mais frequência. O que você acha? Poderia fazer isso? — e de novo, lá estava eu beirando ao choro compulsivo. Minhas emoções estavam por todo o lugar, oscilando e deixando-me louca. Seria mais fácil me jogar de um precipício, quis dizer, mas estaria incitando um sermão que eu poderia muito bem evitar. 

— Vou tentar, papai. Prometo. — nunca havia quebrado uma promessa feita antes para ele, talvez fosse uma boa hora para começar.

— Certo, querida. Tenha um bom dia.

Ao desligar a chamada, soltei minha respiração — que eu nem sabia estar prendendo — em uma pesada lufada de ar. Quando deixei minha cama, momentos atrás, não tinha certeza em que momento do dia ligaria para o meu pai e submeter-nos-ia àquela conversa, então sua ligação naquela manhã havia sido uma bela surpresa que se mostrou uma coisa boa no final, sem discussões e comigo sentindo um pouco mais leve. Era sempre bom conversar com ele, seja por cinco minutos ou uma hora, sobre assuntos importantes como as tolices cometidas e ditas pelo atual presidente ou qual era o melhor recheio da lasanha, frango ou carne. Talvez, toda vez que decidisse não ligar para a mamãe ou para Matty, sua voz repercutisse na minha mente, lembrando-me da minha promessa quebrada e, provavelmente, seria mais uma coisa que teria que aprender a conviver.  

— Laur, eu não sei bem como falar isso, então me desculpe se soar rude da minha parte... — olhei Dylan com preocupação e cautela. Ele era sempre doce e gentil, era meio impossível que pudesse me machucar com palavras se não corresse, no segundo seguinte, para me consolar. — Eu prefiro os waffles da DJ! Pronto, falei!

Isso me faz gargalhar, e ficamos ali, rindo. Começava a me sentir melhor, mais confortável, como se todos os problemas que me cercavam tivessem diminuído de tamanho, tão rápido, até sumirem. Abracei o garoto pelos ombros, ele sorria tanto que tremia debaixo de mim. Dinah, que até então, estava calada, sorriu orgulhosa para mim antes de voltar a comer. Não era um sinal de que estava completamente perdoada, no entanto, mas sabia que até o fim do dia eu o teria por completo.



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