História Cara Estranho - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Jaehyun, Taeyong
Tags Jaehyun, Jaeyong, Nct, Taejae, Taeyong
Visualizações 70
Palavras 3.602
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera.


Já era noite e Jaehyun, exagerado que só ele, gostava de comparar a tempestade que caía do lado de fora com um dilúvio – ouviam-se trovões e assim por diante. Logo mais, a campainha foi disparada o assustando. Ele relutou a atender, e no percurso do que era sua sala até a entrada da casa, inúmeras possibilidades se passaram por sua mente, qualquer pessoa perdida pelas redondezas procurando orientação, ou um assassino serial que pediria abrigo em sua casa até que a chuva findasse, para mais tarde o prender num cenário de terror em que precisaria escapar – era certo dizer que Jaehyun estava assistindo bastante filmes ruins ultimamente –, qualquer coisa, menos aquela pessoa antiga, lá do passado, encharcada até alma e que insistia em atrapalhar a vida dos outros, chamada: Taeyong.

E dentre todas as definições que buscou, esperança era a que mais se encaixava à reação obtida quando observou a figura nostálgica diante de si. Pulamos a parte em que os dois não sabem o que fazer e Jaehyun, em sua descrença, esteve petrificado demais para músculos se moverem. Dava para dizer que essa foi uma segunda reação exagerada que sucede a primeira, mas a distância certas vezes esconde coisas que demoram a acontecer, de fato.

Há quanto tempo eles não se viam? Anos? Jaehyun nem sabia se pensou nele pelo menos duas vezes depois que problemas mais importantes do dia a dia substituíram aqueles pensamentos sobre Taeyong. Lembra de uma notícia ou duas acerca do rapaz após ele ter ido "viver o mundo", mas nada que o fizesse se importar menos, tamanha irritação. Para falar a verdade, eles nem eram assim tão próximos quanto parecia – não como melhores amigos, amigos de longa data ou amigos-quase-irmãos – embora Taeyong achar que sim, pelo que indicava. É que ele sempre foi bastante inconveniente daquela maneira e nem se dava conta disso, caso contrário, simplesmente estava sendo cara-de-pau a esse ponto.

O fato é que não existia qualquer motivo muito bom para que Taeyong estivesse ali, naquele instante, batendo em sua porta tão tarde da noite – não importava o motivo. É certo lembrar que eles viveram e tiveram muitas experiências em conjunto do outro nos tempos da adolescência, Taeyong o perseguindo por aí porque queria alguém para tirar do sério, mas nada justificava sua aparição, ainda. Pelo menos não uma justificativa sensata.

"Olá." Foi o que ele disse com um sorriso adorável de embaraço, sem nem mesmo conseguir olhar diretamente o Jaehyun agora maduro, enquanto do seu lado permanecia uma mala de viagem.

"Oi." Jaehyun retribuiu sem realmente saber o que estava fazendo, mudando a perna na qual descansava para a esquerda. Aquilo era muito inesperado para uma quinta-feira. Jaehyun sempre foi bastante supersticioso desde pequeno e concluiu que se era para acontecer algo de inesperado, esse dia só poderia ser numa segunda-feira.

"Oi." Taeyong rebateu, e pela maneira como o ‘‘rebater’’ estava significando, esperava que o primeiro ponto fosse marcado por si e que seus propósitos tivessem o êxito que almejava.

"...alô." Jaehyun respondeu novamente, num tom desconfiado que beirava à impaciência.

Era de se notar que os dois não sabiam como agir realmente, não havia um manual para o que fazer em situações do tipo, e um minuto de constrangimento já se passava somente naquilo.

"…como vai?" Demonstrou-se incerto ao indagar, rindo sem graça da própria situação.

Droga, foi mais difícil do que ele imaginou, não sabia o que não estava dando certo. E Jaehyun nem mesmo havia entendido seus motivos.

Dez mil coisas pareciam estar por vir antes que algo desse errado.

"Muito bem, Sr. Desaparecido. Mas não sei se posso dizer o mesmo de você." Jaehyun fez questão de ajeitar os cabelos elegantemente ao respondê-lo, e no momento em que Taeyong abriria a boca a fim de prolongar o estranhamento daquela situação, Jaehyun tomou a fala novamente. "Corta a conversa fiada, Taeyong." Disse sem demoras.

Taeyong acabou por sentir-se desconfortável. Ele não sabia se seria expulso, era uma possibilidade a ser considerada, pois fazia bastante tempo para que Jaehyun ainda continuasse sendo aquele mesmo coração mole que faria qualquer coisa que pedissem por ser suficientemente manipulável, mas é que ele realmente estava precisando e desistir de um propósito por medo não lhe caía muito bem.

“Eu tive saudades. Você não?" Taeyong compreendia que estava soando totalmente esquisito, mas o momento para arrependimentos não era aquele e, com muito esforço, engoliu o orgulho goela a baixo.

"Nunca me ligou em cinco anos." Falou como se fosse óbvio, um pouco descrente quanto ao cinismo do mais velho. Só que jamais confessaria que até aquele dia seu número se matinha o mesmo de quando Taeyong partiu. Essa informação poderia se relacionar a Taeyong ou não, ninguém nunca saberia.

E Taeyong, em sua precária defesa à verdade exposta, apenas deu um sorriso amarelo por entender que aquilo não somaria pontos positivos até o fim da madrugada.

Uma vez Jaehyun disse a ele que sempre estaria ali quando precisasse, Taeyong era cheio de problemas de comportamento e impulsividades, por isso a preocupação. Claro, isso antes do mais velho sumir, fugindo com uma banda e nem se dar ao trabalho de avisar que sairia de casa e viveria seus sonhos mais malucos.

Em todo caso, Taeyong reaparece depois desses anos todos demonstrando ter gravado muito bem sua rua e qual casa procurar, como um pertence guardado no banco. Não tinham qualquer tipo de aproximação sincera para aquilo, sendo sensato, tudo o que sabiam um sobre o outro era que realmente não tinham lugar neste mundo. E só isso. Taeyong fez parte de sua vida uma vez, mas essa verdade não queria dizer nada no hoje.

"E onde estão suas desculpas? Vai se esquecer delas também?" Jaehyun usou sarcasmo e uma pitada de mágoa na fala, mesmo que essa não fosse sua intenção.

Taeyong, por sua vez, vacilou. Não tinha ideia do que responder. Costumava ir direto ao ponto no que quer que estivesse fazendo, mas dessa vez a situação era complicada demais e precisava ser sutil e paciente com o garoto – que sinceramente deixou de ser garoto havia muito tempo.

“Você não entenderia."

"E quem entende, não é?" Riu sem humor. A cara limpa de Taeyong estava em sua plenitude. "Vem, entra. Estou vendo você tremer há quatro minutos sem parar." Fez um sinal com a cabeça e Taeyong pareceu soltar um suspiro de alívio quando o mais alto deu espaço para que passasse.

 

As cores das paredes não eram mais as mesmas, talvez estivessem desgastadas, mas nada muito grave. Havia um vazamento no teto da sala, porém isso perdeu o foco ao se dar conta do quanto o local era organizado, Jaehyun demonstrava ter tomado gosto por limpeza durante sua ausência, embora ainda possuísse as mesmas preferências por livros e aquela decoração melancólica de uma viúva abandonada.

Em cima da tevê antiga – que ele fazia questão de não trocar por material novo e na qual transmitia-se algum filme desconhecido sobre os percursos da vida – estava o Sr. Spock. Preguiçoso, ranzinza, dorminhoco e cheio de pulgas, um gatinho de raça que ele não sabia identificar e que Jaehyun amava incondicionalmente. Devia agora possuir cinco anos…

"Bela casa." Elogiou com sinceridade, mesmo que se ela fosse sua tudo seria mais diferente. Plantas? Descarta. Coisas de nerd? Descarta. Toca-discos? Joga fora. Ai, meu Deus, bonecos de ação, ateiem fogo – junto daqueles quadros de atrizes de Hollywood mortas e filmes idiotas.

Pousou a mala em um canto qualquer e quase ia sentando no sofá quando lembrou seu estado atual – embora imaginasse que o couro sintetizado não sofreria grandes danos. Levantou rapidamente, queria passar longe de problemas caso aquele fosse um.

Aprofundando a história, Jaehyun vivia em um presente, pois assim que completou maioridade, seus progenitores fizeram questão de lhe comprar uma casa o mais distante possível deles dois. Todavia, dados de seus parentes são irrelevantes e mais do mesmo; machucava muito relembrar e o deixou com problemas emocionais discutidos com um profissional compreensivo duas vezes na semana, até finalmente achar que podia seguir em frente sozinho e sem ajuda de remédios controlados. Sabendo disso, pode-se citá-los apenas em casos extremos.

"O banheiro de visitas está quebrado, use o do meu quarto. Você sabe onde fica." Jaehyun trouxera uma muda de roupas com o cheirinho dele e indicou que antes de qualquer conversa Taeyong deveria estar seco o suficiente para não molhar a casa toda e, inutilmente, pegar um resfriado. Taeyong ficava terrível em resfriados, se bem lembrava.

“Obrigado." O mais velho pareceu realmente agradecido. Fora uma longa viagem e sua jaqueta jeans estava pesada, afinal; a jeans escura também pingava, o par de tênis talvez começasse a ter um odor desagradável e os cabelos tingidos em castanho secavam pacientemente desde que saiu da chuva minutos atrás.

Atos tão benevolentes guiariam Jaehyun numa dor de cabeça sem tamanho mais adiante e ele era tolo demais para se dar conta de que tudo começou aí – céus, estava óbvio que começara ali, apenas por ter visto o rosto incomparavelmente belo ele já havia desistido.

"Acho que estou louco e entrei numa realidade em que você é educado. Uou." E isso foi tudo o que pensou em dizer depois de fingir que estava assustado perante os atos do mais baixo.

[…]

Logo que encontrou o quarto alheio e abriu a porta, deparou-se com um lugar só de Jaehyun. Era o mundo dele e não confundiria aquilo com nenhum outro lugar. Sinceramente, ele não sabia como Jaehyun poderia ser mais estranho. Ele era alternativo demais. O quarto parecia ou muito nerd ou muito descolado ou muito velho. Era como se morassem pessoas diferentes num único espaço. Jaehyun devia ter um espírito muito conturbado. Ou simplesmente não se concentrasse numa coisa só por tanto tempo.

Cuidadosamente, jogou uma olhadela na direção da porta para ver se Jaehyun infortunadamente não apareceria e lhe pegaria no ato, mas pôde escutar claramente como ele cantava Hit The Road Jack da cozinha, enquanto o seu repetido ‘’no more, no more, no more’’ soava engraçado.

Agora seguro, procurou qualquer vestígio; podiam ser sutiãs, blusas, pantufas fofinhas ou um CD que não se ligava ao gosto musical do Jung – apesar de ele gostar de tanta coisa que até poderia não valer a pena observar este ponto –, e isso tiraria qualquer esperança que tivesse. Na verdade, nem tanto se levasse em conta a própria persuasão, todavia seria muito mais difícil conseguir um lugar para ficar se o outro estivesse comprometido. E o mais impossível nessa “tarefa de espionagem” seria notar se um relacionamento homossexual existia. Porém, o quarto de Jaehyun estava tão limpo que nem sequer teve mais dúvidas. Não que isso fosse significar tanto, mas já era um caminho, queria dizer que ninguém se meteria no seu caminho para atrapalhar seus planos de estadia.

[…]

"Preciso de um lugar para ficar." Disse sem demoras assim que sentou num dos bancos e observou com a cabeça apoiada no queixo Jaehyun preparar um copo de café.

E, de fato, Jaehyun já imaginava que isso viria a acontecer, tanto é que o mais baixo sequer tinha chegado e já foi direto à raiz de suas intenções. Afinal, era mais do que óbvio que Taeyong não estava ali porque sentia saudade e toda aquela conversa ensaiada.

Tentava contar em sua cabeça quantas portas foram batidas no rosto do mais velho até que ele chegasse ali.

"E quanto tempo isso me custaria?"

Taeyong levantou a cabeça com os olhos quase engrandecidos, mas tentou disfarçar seu entusiasmo transformando sua expressão em uma de alívio.

Jaehyun apenas achava que sabia no que estava se metendo.

"Não muito, eu juro. Só até que eu arrume um emprego. Você nem vai notar que eu estou aqui." Disse atropelando as palavras. Estava nervoso e tossiu para disfarçar esta atitude.

Mas Jaehyun se virou para ele com um sorriso debochado.

“Um emprego? Você?" Balançou a cabeça. Conhecia a figura o bastante para saber que Taeyong tinha ‘’uma vida boa’’ demais, por assim dizer, e jamais trabalhou ou fez algo da vida que não fosse se meter em problemas. "Eu não sou um hotel, Taeyong. Se tem alguém que deve te abrigar neste momento, esse alguém são seus pais, não eu." Dizia enquanto colocava o pó do café no filtro para despejar água quente.

"Não tenho família. Se você fala das pessoas que me criaram, eles são uns sacanas. Você é a única pessoa que eu tenho neste fim de mundo.”

Óbvio que não contaria como foi humilhado. Seus pais sequer deixaram que ele atravessasse o vão dá porta antes de lhe darem as costas.

"Agora eu sou uma pessoa na sua vida?"

Taeyong suspirou baixo, procurando as palavras certas.

"Por que tudo que você fala parece terminar com uma interrogação no final?" Fez uma careta, ao passo que aceitava a xícara de café oferecida por Jaehyun. "Você sempre foi importante. É meu amigo. Dentre todas pessoas que eu conheci até hoje acho que você foi a única que não terminou em tragédia. Ou desistência." Traduzindo, a única que ele não afastou ou se deu conta ainda de que ter Taeyong por perto era má ideia.

Enfim permitiu que o aroma invadisse seu sentido. Estava quente e fresquinho, com as proporções certas. Jaehyun ainda lembrava.

"Você é meio ridículo." Jaehyun não podia acreditar. Aquele cara era improvável.

Mas estava tentando calcular o grau do problema antes de decidir qualquer coisa. Apesar de saber que Taeyong representava uma grande dor de cabeça, que sempre o meteu nas piores enrascadas em plena adolescência, não podia o deixar dormir no que muito provavelmente seria a rua – pelo menos não naquela noite –, e ele já era grande, podia ter mudado. Não era possível que aqueles anos todos não tivessem dado uma lição nos sonhos de criança do mais velho.

"Mas você vai me deixar ficar aqui, não vai?" Taeyong queimou a língua com o café e estava com o nariz avermelhado, espirrando em intervalos de vinte segundos. E a expressão facial do mais novo não demonstrava que ele iria dizer sim tão facilmente. "Por favor. Eu não tenho outro lugar para ir e estou duro. É isso ou voltar para a rodoviária. Eu dormi lá ontem." A expressão de desespero contida na face de Taeyong era realmente uma droga. Sabia que ele dizia a verdade e sabia que se sentiria mal se negasse abrigo ao outro.

Era mais fácil quando Taeyong não possuía qualquer tipo de preocupações, sabe? Uma mente jovem, por assim dizer. Isso o fazia viajar diretamente à infância, onde tudo o que precisava fazer era ser uma criança saudável e calma, que independente das escolhas que fizesse não teria o fracasso ou o sucesso como duas únicas opções oferecidas pelo destino. É assim, ou você perde ou você ganha, uma regra fácil de se aprender que, no entanto, é assustadora quando aplicada, começando ali pela adolescência que é onde se passa a notar melhor as coisas e o mundo ao seu redor e o quanto ele é intimidante. O tal crescer, ponto de partida de seus pesadelos.

Docemente incompreensível, cego por vontade própria ao enxergar a própria realidade, esquivo se tratando da vida generalizada e possuía pavor da palavra homogêneo. Pra valer. É um caso sério e mais especial do que parece, no sentido de parecer uma alergia e depois aquela questão de tê-la em algum momento definindo uma ação sua. Calafrios lhe atingiam só de perceber.

"Eu não sei, Taeyong… não acho que isso vai dar certo." Jaehyun era suficientemente racional para saber das consequências que aceitar Taeyong em seu lar o traria, mas ao observá-lo praticamente espirrando o próprio cérebro, recordar do modo como chegou ensopado na porta de sua casa e imaginar a culpa que seria mandá-lo embora assim, cruelmente, amaldiçoou a si mesmo por ser tão otário.

"Qual é, Jaehyun, está chovendo."

Ditas as palavras, o mais velho espirrou duas vezes seguidas e isso foi o bastante para que Jaehyun cedesse revirando os olhos e exclamando um "tudo bem!" em rendimento.

[…]

"E está tudo uma merda, sabe? Eles praticamente me expulsaram da banda." Taeyong lamentava, usando de uma voz tremida ao falar. Estavam os dois homens sentados no sofá, a chuva, agora rala, ainda caindo e o amanhecer querendo se sobressair.

Ao que Jaehyun finalmente cedeu ao favor que Taeyong pediu, os rapazes dirigiram-se para a sala e o mais alto pediu que ele contasse melhor o que aconteceu para ter retornado tão repentinamente. Isso acabou resultando em um bom tempo do mais velho narrando da sua trajetória até aquele momento.

Segundo o mesmo, havia decido já com seus vinte e um anos e estudos finalizados – a base de muitas reviravoltas, claro – que partiria daquele lugar infeliz para sempre; estava limitando seu futuro.  Queria fazer música, queria viajar por aí e ter tudo o que sempre desejou para sua vida, não ficar naquela cidade e seguir a contragosto os passos de seus pais – dois advogados de defesa – como se fazer todas aquelas porcarias fosse o maior deleite do mundo.

Os primeiros meses na vida de músico foram apertados, ele admitia, cada integrante da banda se ajudava com o pouco dinheiro que levaram e depois de certo tempo passaram a sobreviver de apresentações em bares e em pequenos eventos. Taeyong fora totalmente claro ao frisar que ele nada tinha culpa do que aconteceu – mas deu poucos detalhes sobre o motivo. De acordo com seus relatos, a sua expulsão da banda tinha sido pura inveja. Isso mesmo, ninguém tocava como ele, e talvez seu talento tirasse o foco da banda. Eram todos uns idiotas. Fim.

"Eu não entendo, Jaehyun. Eu era o melhor dos melhores. Tinha tudo para dar certo. Não sei o que deu errado." Foi aí que Taeyong começou a chorar de vez. E Jaehyun pensou meu Deus, esse é mesmo o Taeyong? Porque o Taeyong que ele conhecia não chorava com tanta facilidade.

Só que logo lembrou de que aquele na sua frente não era o Taeyong de vinte e um anos que partiu certa vez.

"Pô, coisas assim acontecem. Talvez isso queria dizer que esse não é o seu lugar. Você deve ser bom em outras coisas." Tentava confortá-lo, mas sem saber como fazer aquilo, de fato. Nunca anteriormente precisara virar um ombro amigo. Não do tipo ombro-amigo-do-taeyong.

Daí o mais velho começou a contar dos tempos difíceis que se seguiram após sua expulsão da banda, que conseguiu passar um tempo na dele com o dinheiro que ainda sobrara, mas quando percebeu que logo estaria numa situação que ele não saberia como enfrentar, resolveu engolir de vez o orgulho e voltar pra velha terrinha abandonada, lar dos devoradores de sonhos.

Mas Taeyong estava omitindo bastantes acontecimentos e verdades...  Na realidade, o sucesso da banda nem mesmo chegou a acontecer. E sua expulsão dela, o que seria inveja infundada, tivera um motivo muito mais sério do que se comparada à verdade inventada. Dois anos muito difíceis com a banda e mais três vivendo sozinho, durando na vida como podia.

E foi orgulhoso demais para pedir ajuda aos pais mesquinhos, se estava inteiro na sua frente naquele momento, era porque havia passado por muita coisa no caminho.

Ele tinha vergonha de contar do que precisou fazer. Jaehyun com certeza o veria com outros olhos e até com outro coração. Não era nada de que se orgulhasse, lembrar o deixava com repulsa de si mesmo, mas pensar na situação de seus outros companheiros de banda envolvidos com drogas – as quais ele foi racional o bastante para nunca ter experimentado –, relaxava por saber que caso contrário, nem mesmo estaria vivo para dizer que sentia muito.

E quando pensou que não, Taeyong já se encontrava com os braços em volta do seu corpo e com o rosto encaixado no seu pescoço – este que ficou ensopado de lágrimas misturadas a muco nasal. Era um abraço meio torto, meio qualquer coisa. Jaehyun não tinha ideia se retribuía ou dizia "pronto, passou" da maneira mais desengonçada que conseguisse, soando a pessoa mais estúpida e ridícula do mundo ao tentar confortar alguém. Ele não era bom naquilo, diabos. Tanto que o sorriso amarelo dizia tudo. Não era antipatia ou vontade imensa de sair dali, era apenas aquele sentimento de que ele era um tremendo imbecil.

"Merda, você está me assustando, Taeyong." Disse Jaehyun. O outro não o largava por nada, estava de fato ficando assustador, até porque ele nunca viu Taeyong daquela maneira e, mais uma vez, Jaehyun não era nada bom com isso de confortar as pessoas – se com pessoas ele quisesse dizer Taeyong.

E talvez o mais velho precisasse disso de verdade, de contato humano seguro e de sentir que tinha uma pessoa preocupada consigo – preocupada mesmo –, porque o abraço era muito apertado, muito inseguro, e ele chorava feito uma criança, soluçando e tudo mais.

Como esperado, não obteve êxito em acalmá-lo com suas poucas táticas de consolo, foi desse modo que Taeyong parou estupidamente afundado debaixo dos lençóis da sua cama, com um rosto inchado, um nariz vermelho e fungando de vez em quando. Jaehyun não sabia o que se passou pela sua cabeça ao dar de bom grado sua cama para ele descansar, apenas pensou que o outro necessitava de todo o cuidado do mundo naquele momento de fragilidade, afinal ele não parava de se auto depreciar e de dizer o quanto tudo dava errado, chorando daquele jeito que desconcertava Jaehyun.

Já era de manhã quando deitou no sofá a fim de um repouso, mesmo que mínimo. Taeyong finalmente havia dormido e isso o aliviou. E também tinha esperanças de que, com sorte, aquela situação não se prolongasse.


Notas Finais


Lá vai:
Isto vem de uma outra fanfic minha que eu sempre quis estender, mas muita coisa muda de lá para cá;
Cada capítulo leva o nome de um filme;
O nome da fanfic é uma música;
Qualquer pensamento ou ação dos personagens que você julgue errado são características e opiniões deles, não quer dizer que eu ache o mesmo nem que eu esteja incitando o leitor a concordar;
E eu não quero usar tratamentos coreanos, acho meio chato.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...