História Cara, eu me apaixonei por um guitarrista! - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags 95x97, Banda, Bottom!jeongguk, Jeongguk Nerd, Taegguk, Taehyung Guitarrista, Taekook, Top!taehyung, Vkook, Zort
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Palavras 8.824
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


não sou mc lan, mas tô aqui novamente hahyeha

nada a declarar aqui, só boa leitura e até as notas finais.

Capítulo 8 - Herói


Eu não sei se dou graças a Deus por ter batido o intervalo ou se me enterro no jardim do colégio por ter que aturar mais três aulas seguidas de História daqui a pouco. Para ser sincero, eu gosto muito de História e eu sou bom nessa matéria, mas hoje meu dia está tão merda que eu simplesmente peguei ódio até pelas aulas, coisa que nunca aconteceu comigo antes. 

Ultimamente eu ando meio estranho, eu admito. E eu sei bem o motivo, mas quem disse que quero aceitar? Ah, eu não sei quando eu me tornei tão patético... na verdade, eu sei sim. Eu sei, só não quero admitir isso porque, céus, eu realmente me sinto um imbecil e até mesmo envergonhado. Balanço a cabeça, tentando evitar esses pensamentos que, para ser sincero, já me causaram e ainda me causam muito estresse. Vejo Mingyu e Yug já na porta da sala, prontos para irem para o refeitório. Eles estão me esperando. 

— Podem ir na frente, eu ainda não vou agora. — Falo alto, ainda sentado no meu lugar enquanto todos ao meu redor andam em direção a porta.  

— Certo. Qualquer coisa, estamos no lugar de sempre. 

E depois que Yug disse isso, eles se vão e eu agora estou sozinho. Do jeito que eu queria. Descanso minhas costas na cadeira, pego os fones do bolso e plugo-os no meu celular. Coloco os fones nos meus ouvidos e dou play em uma música qualquer. E depois que faço isso, jogo a cabeça para trás, fechando os olhos. E então começa a tocar uma música calma e suave, com uma letra tão melosamente bonita e automaticamente meus pensamentos viajam até ele.  

Droga, não, não, por favor! Não posso ser tão patético a ponto de chegar nisso, de pensar nele enquanto ouço uma musiquinha idiota que fala sobre amor. Ah, isso é tão ridículo, meu Deus! Mas é tão inevitável. Com ou sem música, eu não consigo parar de pensar nele e isso me irrita tanto, isso está me enlouquecendo! Já se passaram quatro dias desde que ele voltou para sua casa, para a sua rotina, quatro dias depois daquele episódio da garagem onde eu fiquei que nem um bobo olhando para ele, babando nele. Como eu me odeio! Hoje eu vejo o quão ridículo eu estava naquele dia, parecendo uma menininha apaixonada pelo ídolo. Que vergonha! 

Eu sou patético. 

Mas será que ele percebeu? Será que ele achou estranho e ficou incomodado com os meus olhares? Suspiro, resmungando palavras sem sentido e querendo me bater por ter sido tão óbvio naquele dia. Olho para os lados e não vejo ninguém, ainda estou completamente sozinho. Suspiro alto e troco de música, após o feito, jogo o celular em cima da mesa a minha frente e volto para a posição de antes, agora com os braços cruzados. 

— Você é um idiota, Jeongguk. 

Umas das coisas que costumo fazer quando estou sozinho e fritando a mente de tanto pensar, é falar comigo mesmo. No caso agora, eu estou me xingando por ter babado pelo Taehyung na cara dura; por fazer papel de otário porque, com toda a certeza desse maldito mundo, Taehyung não dá a mínima para mim e nunca vai dar, e principalmente, por não fazer nada a respeito disso tudo. Mas, cá entre nós, não há muita coisa a se fazer quando você está a fim de alguém. O que você pode fazer? Tentar esquecer ela parece bom quando você está certo de que não verá mais ela, ou se afastar dela e evitá-la. O que não é o meu caso, já que eu sempre vou ver o Taehyung porque, só relembrando a minha realidade cruel, nossos pais estão juntos e consequentemente, nós dois convivemos juntos.  

E eu percebo que sou mais otário ainda quando eu vejo que não quero fazer nada a respeito da minha paixão unilateral porque eu gosto de sentir isso por ele, eu gosto de ter esses sentimentos por ele porque é gostoso e nunca senti isso antes. Aquele friozinho na barriga, o coração acelerado, a ansiedade... É tudo novo para mim e por isso que eu gosto. Gosto agora. Em outras épocas, eu realmente não gostava de ver ele, de lhe ouvir, de ficar perto dele. Mas agora é tudo muito diferente, tudo mudou de uma forma tão estranha que agora eu gosto de reparar nele, gosto, mais do que nunca, de ouvir sua voz e de ficar perto dele. Eu gosto, merda! Gosto! 

Que tipo de trouxa eu sou?  

Suspiro alto dessa vez. Troco a música novamente, colocando uma mais triste. Eu realmente já estou fadado a sofrer por uma paixão não-recíproca futuramente, então que diferença faz se eu começar a sofrer logo agora? Nenhuma, não é?  

 Me endireito na cadeira quando sinto uma dorzinha nas costas. Sem ter noção do tempo, me assusto quando vejo um grupo de meninas sorridentes entrar na sala. Vejo as horas e resmungo quando vejo que já bateu o fim do intervalo e agora começa o restante das aulas. Que saco! Suspiro cansado e guardo o celular junto com os fones, vejo cada um entrar na sala e me sinto estressado de repente, talvez seja porque eu não quero ter aulas e ter que ficar aqui nessa sala cheia de alunos insignificantes para mim. Deito minha cabeça na mesa e, então, ouço uma voz masculina. 

— Bom dia, alunos. — Ah, é o professor Wang, que droga. — Peguem os livros e abram na página 135, alguém se candidata para ler o texto destacado em amarelo? 

Eu continuo com a cabeça abaixada, não é como se ele fosse me escolher, e se ele escolher, eu leio sem rodeios. 

— Eu, professor! Eu leio. — Levanto a cabeça e me dou conta de que é uma das meninas chatas que se candidatou. Reviro os olhos e ajeito os óculos que estão tortos em meu rosto. 

— Silêncio todos, a colega vai ler. Pode começar, Seulgi. 

E então, eu me desligo completamente a ponto de nem sequer ouvir o que Seulgi está lendo. Apenas fico sentado, fingindo que estou ouvindo e interessado na aula, o que obviamente não é verdade. Eu só preciso ficar assim até acabar e eu poder ir para casa, deitar na minha cama e tentar resolver meus próprios problemas, esses que estão me deixando a beira da loucura. 

 

● 

 

Assim que o professor sai da sala, todos os alunos começam a arrumar suas devidas coisas e saem também. Eu sempre sou um dos últimos a sair porque não gosto de aglomerações, então sempre deixo todos saírem primeiro. Quando vejo que já não tem muitas pessoas na sala, eu saio e caminho em direção ao portão do colégio. Esperava encontrar o Yoongi me esperando, mas pelo visto ele esqueceu que tem um amigo e se mandou. Ah, esse hyung... mas tudo bem, eu tenho uma parcela de culpa também, afinal, eu nem pensei nele quando decidi ficar na sala durante o intervalo. 

Dessa vez passa. 

Aperto a alça da minha mochila e suspiro, passando pelos portões grandes do colégio. Olho para os lados e não vejo ninguém, mas não é como se eu estivesse esperando ver alguém mesmo. Pelo menos é nisso que eu quero acreditar. Certo de que terei que ir sozinho, sigo em direção a minha casa. 

— Vejam só, ele finalmente apareceu. Estávamos te esperando, princesinha. 

Fecho meus olhos com força, não querendo acreditar que isso está acontecendo mesmo comigo. Mas que merda! Será que nunca vou me livrar dessas pragas? Engulo em seco e ignoro, continuando a andar reto. 

— Ei, não está ouvindo? Eu estou falando contigo. — A voz de Minjae fica ainda mais próxima, suponho que ele esteja me seguindo.  

Praguejo baixinho e começo a pedir para todos os seres divinos existentes para me tirarem dessa, porque se acontecer agora o que estou pensando, eu estarei muito ferrado. Nervoso e tremendo, paro de andar e me viro para trás, vendo que apenas Minjae, Bogum e Jongin estão ali. Nós estamos fora do colégio, e ainda tem alunos passando, nos olhando curiosos com o fato dos valentões, depois de quatro dias, reaparecerem na porta do colégio e falando comigo.  

Ah, não! Plateia não. 

Encaro os três, tentando não transparecer o meu medo. Eles estão com cara de quem vai arrebentar um garoto indefeso no meio da rua. 

Acabo rindo de nervoso. 

— O que vocês querem comigo? — Pergunto, choramingando feito uma criança. — Caramba, será que vocês não podem me deixar em paz? 

— Depois do que você aprontou com a gente? Nunca! — Bogum diz dessa vez, me olhando como se eu fosse a coisa que ele mais odeia nesse mundo.  

— Mas eu não fiz nada! — Pois é, minto na cara dura mesmo.  

— Pode parar de mentir, seu verme! Já sabemos que foi você. Acha que somos idiotas? — Grita Minjae, chamando atenção das pessoas na rua. Balanço a cabeça, negando, mesmo que eu ache sim eles uns idiotas. 

Não demora muita e uma roda e gente curiosa se faz ao nosso redor. Que merda. Balanço a cabeça negativamente, só para eles pensarem que estou com medo e quem sabe eles ficam com pena e me deixam ir? Qual é? Não custa nada sonhar. O sol está forte, eu me sinto suar por dentro do meu uniforme e eu me esforço para pensar em alguma coisa que me livre dessa situação. Ouço a galera cochichar coisas que eu não entendo, o que me deixa mais irritado. 

— Peguem logo o moleque, já está na hora de dar uma lição nele. — Meus pelos se arrepiam ao ouvir o mandato de Minjae. 

Arregalo os olhos quando Bogum e Jongin vêm em minha direção, como lobos famintos. Minhas pernas tremem e meu medo aumenta, e o pior é que ninguém vai me ajudar. Ah, eu não acredito que isso está acontecendo mesmo comigo.  

— Não, não, não! Calma, vamos conversar! — Eu digo desesperado, dando passos para trás e fazendo movimentos com as mãos, suplicando para eles não me machucarem. Meu medo é muito transparente. 

— Agora você está com medo, Jeon? Você não parecia medroso quando resolveu me desafiar dias atrás. — Minjae ri e logo sinto mãos agarrando os meus braços. 

— Qual é? Eu já disse que não foi eu! Me larguem! — Eu me debato, mas é inútil quando tenho Bogum de um lado me segurando e Jongin do outro lado. Os dois apertando meus braços e me imobilizando. 

Meu coração fica ainda mais acelerado quando Minjae se aproxima. As pessoas ao redor começam a gritar e isso me irrita por um momento, mas o medo volta a habitar meu corpo ao ver que Minjae já está bem próximo de mim, olhando dentro dos meus olhos. Ele segura meu queixo com força e me obriga a olhá-lo. 

— Você parece uma menininha. Me diz, quais cremes da sua mãe você usa para ter essa pele tão macia? — Ele debocha de mim e todos ao redor começam a rir, e eu estou prestes a chorar de raiva. 

Pior do que apanhar, é ser humilhado na frente de todo mundo. 

Tento virar meu rosto para escapar daquele aperto, mas não consigo porque Minjae força ainda mais, me obrigando a ficar cara a cara com ele. 

— Você vai se arrepender de ter brincado com a gente. 

E depois de dizer isso, ele me acerta um soco bem dado no estômago, arrancando gritos das pessoas ao nosso redor que estão assistindo com maior entretenimento. Aperto os dentes, tentando não gemer de dor, isso seria muito mais humilhante ainda. É um pensamento engraçado mas eu vou tentar não transparecer a minha dor, mesmo sabendo que vai ser impossível. Jongin e Bogum apertam mais os meus braços, como se eles também quisessem me machucar e não ficar só me segurando.  

— Vamos ver até onde você aguenta. — Ele diz e começa a me acertar no rosto, com golpes fortes e certeiros.  

Sinto o sangue na minha boca, meu rosto dói e eu só consigo ouvir as pessoas incentivando Minjae a me dar mais porrada. Que inferno! Eu não posso deixar ele acabar comigo aqui. 

— Otário! Isso é para você aprender a não mexer com quem não deve. — Minjae me dá outro soco forte no estômago e eu acabo cuspindo sangue. Aperto os olhos com força e encaro o cara a minha frente, que parece se divertir muito com o que está fazendo comigo. 

— Agora é a nossa vez. — Ouço Bogum falar, me soltando de forma bruta e Jongin faz o mesmo. Caio no chão de joelhos e abaixo a cabeça, sentindo meu rosto todo dolorido. Meu Deus, como eu vou para casa desse jeito? A minha mãe vai ter um treco se me ver todo machucado desse jeito. 

Imagina se ela souber que eu apanhei na rua? Ah, eu não posso nem sonhar com isso. 

Olho ao redor rapidamente e vejo todos se divertindo vendo a minha desgraça, o que deixa tão irritado, tão puto que por um momento eu desejo, do fundo do meu coração, que todos sofram um dia como eu estou sofrendo agora. Sofram mesmo, sofram muito. 

— Vão logo, vai que a polícia passa aqui e pega a gente batendo nesse gayzinho. — Minjae diz para os outros dois, revirando os olhos. 

Bogum e Jongin sorriem um para o outro, estralando os dedos e o pescoço. Engulo em seco quando eles acabam aquela ceninha de "garotos maus" e vêm em minha direção. Eu como não tenho muito tempo para pensar direito, decido fazer a primeira coisa que me passa pela cabeça. Pode dar errado e eu acabar me ferrando mais ainda? Mas é claro que pode, porém eu não quero continuar aqui apanhando na rua, com uma plateia de ridículos assistindo a minha derrota. Ah, mas eu não quero mesmo. 

— Você já era, babaca. — Ouço Jongin falar entredentes. 

E num movimento muito rápido, eu levanto do chão com um pouco de dificuldade, desviando do soco que Bogum estava prestes a me acertar. Não sei como eu conseguir fazer isso, mas está claro que eles estão surpresos com o meu ato. Os dois avançam ao mesmo tempo, me fazendo arregalar os olhos e simplesmente colocar meu plano em ação. Não tenho tempo nem para respirar fundo e literalmente disparo feito bala em direção contrária deles, os empurrando com minhas mãos e provavelmente fazendo eles cambalearem para os lados, não sei. Nem ouso olhar para trás. É tão rápido que nem mesmo as pessoas dali conseguem me parar, consigo até ouvir os gritos enquanto corro sem direção, tudo para salvar o meu rosto de ser arrebentado. A adrenalina presente no meu corpo me faz ignorar as dores do mesmo. 

Olho para trás rapidamente quando tomo uma distância e me assusto quando vejo os três correndo em minha direção, furiosos e soltando fumaça pelos ouvidos. É sério? Eles realmente estão correndo atrás de mim? Meu Deus, tira esses embustes do meu pé, eu imploro! 

— Puta merda! Que inferno! — Grito, sentindo meus pés queimando devido a corrida cansativa que estou fazendo, e ainda tem a mochila que dificulta tudo. Aperto fortemente os dentes, praguejando todos os xingamentos existentes nessa porcaria de mundo. 

Meu peito arde e eu sinto que vou morrer de tanto que corro desesperado. Dou mais uma olhada para trás e meu coração quase explode quando vejo que eles estão se aproximando mais de mim. Merda! 

— Seu verme! A gente vai acabar com você! Para de correr, viadinho! — Ouço Minjae gritar e, não sei se é por causa do desespero ou da adrenalina que corre em meu sangue nesse momento, mas eu começo a rir. Gargalhar alto mesmo.  

Acho que estou rindo de desespero mesmo. 

Minha garganta está seca e as gotas de suor caem pelas laterais da minha cabeça, o que me incomoda porque eu odeio ficar suado. Os cabelos grudentos na minha testa e o uniforme um pouco úmido, ah, que grande merda. 

Derrubo sem querer umas latas de lixo devido a minha corrida desesperada e não paro, nem para respirar. Meus pés estão me matando e eu não vou conseguir aguentar tanto tempo, me sinto fraco e cansado, muito cansado. Mas ainda não paro de correr, porque se eu parar, eles vão fazer picadinho de mim. 

 Não sei se o medo pode deixar as pessoas burras ou se eu sou idiota mesmo, porque eu, como um perfeito imbecil, acabo entrando em um beco, certo de que haveria alguma saída ou talvez um atalho. Mas não tem nada! É só um beco fedido com latas enormes de lixo. Fala sério! Sem demorar um minuto, ouço passos rápidos se aproximando e eu já sei que são eles, e lá vai eu me desesperar de novo.  

— Aí está você. — Jongin fala ofegante. Os três estão suados e com as roupas acabadas de suor e sujeira.  

— Por favor, já chega. Eu estou implorando para vocês, me deixem em paz! Eu prometo não me meter mais com vocês, prometo até fingir que não os conheço. Só me deixem em paz. 

E como um bom medroso e covarde, eu acabo implorando para eles, coisa que eu nunca pensei que faria algum dia. Certo que eu já pedi várias vezes para eles não me baterem e me deixarem em paz, mas agora eu sinto que é diferente. Eu realmente não aguento mais isso tudo. Estou tão cansado que estou prestes a chorar agora mesmo. 

— Oh, ele está mesmo com medinho. Vejam isso! O bebezinho vai chorar. — E foi só o imbecil do Bogum dizer isso que os três começaram a rir de mim, e a minha vontade de chorar pra valer mesmo, se tornou muito maior. 

Aperto forte os olhos e sem querer deixo cair algumas lágrimas estúpidas, e nem me importo em secar. Ah, que se dane toda essa merda. 

—  Você precisa de uma boa surra para se por no seu lugar. E para de chorar, seu mariquinha escroto! — E é depois que Minjae diz isso que eu fecho os olhos, me entregando de vez a minha desgraça. 

 

— Se você encostar um dedo nele, eu arrebento toda a sua cara. 

 

Essa voz... 

Não, eu devo estar delirando. O medo dentro de mim já deve está afetando o meu cérebro e me deixando pirado, porque... céus, não é possível que isso esteja acontecendo. Abro os olhos devagar e o vejo ali, parado na entrada do beco com a expressão dura no rosto, como quem está realmente furioso. Ele veste calças rasgadas e coladas, botas e regata preta. Seu típico estilo... Engulo em seco, estou mais nervoso que o normal e não consigo desviar o meu olhar dele. É tão surreal... por que ele está aqui? 

Meu Deus, eu devo está sonhando. 

Minha respiração fica pesada de repente e eu fico mais trêmulo ainda quando Minjae e os outros dois se viram de costas, encarando Taehyung que parece não ter medo do trio. Meu Deus, e se eles baterem no Taehyung? Eu, como sou um inútil, nem vou conseguir ajudá-lo se ele apanhar aqui também. Ah, que droga! 

— E quem é você 'pra se intrometer no que não te interessa, cara? — Minjae pergunta, percebo a irritação na sua voz. 

Taehyung, que parecer querer desafiá-los, sorri de lado, cínico e dá mais um passo para dentro do beco. 

— Não importa quem eu sou. — Responde seco e com o olhar afiado. — Não acham muita covardia três caras contra um indefeso? Melhor deixarem o moleque em paz. 

— E se a gente não quiser, vai fazer o quê? — Dessa vez, quem pergunta é Jongin. O mesmo pega um pedaço de pau que está jogado no chão.  

É aí que o meu coração dispara. Eu sei bem como eles gostam de jogar sujo, três contra um já é covardia, mas eles são tão sujos que usam objetos para brigar. E eu estou com tanto medo de acontecer algo com Taehyung agora que, se acontecer, eu jamais irei me perdoar. Eu vou me odiar para sempre. 

Olho para Taehyung e ele parece tão cansado, como se ele tivesse passado por um momento ruim esses dias, e eu percebo isso só de olhar para o seu rosto, por mais que ele tente parecer durão agora. Eu me pergunto por qual motivo ele está desse jeito. Balanço a cabeça negativamente, lhe mandando uma mensagem muda para ele sair daqui antes que se machuque, mas ele faz totalmente ao contrário e continua desafiando o trio. 

— Eu vou acabar com vocês. — Responde, dando aquele olhar intimidador e aquele sorriso provocador. Não, Taehyung, não faça isso!  

O trio, então, começa a rir como se Taehyung tivesse contado alguma piada. E percebo que isso irrita Taehyung, ah sim, claro que ele fica irritado. Taehyung odeia que tirem sarro do que ele faz ou diz, ele fica mesmo muito bravo quando não levam ele a sério quando ele está sendo sério. 

— Vai o quê? — Provoca Bogum, ainda rindo. 

— Você é surdo por acaso? 

Céus, alguém para o Taehyung! Ele realmente não sabe com quem está lidando, eu conheço bem esse trio e sei o quão maus eles podem ser. E eu tenho mesmo muito medo de eles fazerem algum mal para Taehyung. Percebo que Bogum se enfurece ao ouvir a audácia de Taehyung, mas Tae não parece nenhum pouco intimidado. Pelo contrário, parece que ele quer mesmo brigar. 

— Escuta aqui, cara, toma cuidado como fala com a gente. Você não nos conhece, não sabe do que somos capazes.  

— É mesmo? Quero saber então! — Taehyung responde Minjae, de forma grosseira. 

A minha aflição dobra de tamanho quando eles avançam para cima de Taehyung. Além de ser injusto três contra um, é jogo sujo também porque Jongin está usando um pedaço de madeira! O desespero toma conta de mim e eu não sei o que fazer para impedir essa briga que, com certeza, resultará em estragos. 

— Não machuquem ele, por favor! — Grito, sentindo minhas pernas fracas, porém eles não me dão ouvidos. 

Meu coração acelera quando Jongin acerta Taehyung com aquele maldito pedaço de madeira no braço, porém está tão pobre que acaba quebrando. Meus olhos se arregalam quando vejo Taehyung se segurando para não reclamar de dor, e aquilo parte meu coração em um milhão de pedaços, me desperta um sentimento tão estranho e angustiante dentro do peito. 

Ver Taehyung sofrer me afeta muito. 

— Taehyung! Não! — Grito, sentindo meus olhos marejados. 

Olhos para os lados, desesperado, tentando ver se tem alguma saída para poder escapar e pedir ajuda, mas não acho nada. Esse beco é completamente fechado e só tem apenas uma saída. Eu precisaria passar por eles para poder sair, mas eu sou  tão medroso, tão inútil que não consigo nem me mexer para ajudar o Taehyung que está ali, recebendo socos e insultos do trio. 

Eu estou me odiando tanto. 

Entretanto, algo inusitado acontece. Algo que, sinceramente, me deixa de queixo caído. Meus olhos completamente cheios de lágrimas nem piscam com a cena. 

Com uma expressão furiosa no rosto – esse que está com alguns machucados – e como se algo tivesse despertado dentro de si, Taehyung empurra Jongin para longe somente com um chute  forte no estômago. Ele fica caído no chão sem conseguir levantar e se esforçando para conseguir respirar, os outros ficam tão chocados que partem para cima de Taehyung de novo, ao mesmo tempo. Mas Taehyung, incrivelmente, consegue desviar dos golpes, pegando o pulso de Bogum e torcendo-o, o que faz Bogum gritar de dor. E depois de torcer, ele apenas joga Bogum em uma poça de lama ali perto, em seguida acertando um soco certeiro em Minjae, bem no nariz, o fazendo cambalear para trás e segurar seu nariz que não para de sair sangue.  

— Filho da puta! — Minjae grita, com ódio. 

Eu fico chocado, boquiaberto e hipnotizado com as habilidades de Taehyung. Eu não consigo nem falar. E o que mais me deixa com vontade de chorar é que, mesmo "me odiando", ele está ali, me defendendo, brigando por mim. 

Eu realmente estou ficando louco, louco por ele. 

Sem conseguir segurar mais, eu começo a chorar. Chorar por tudo. Por Taehyung ter se machucado, por culpa, por vergonha e por pensar que, no fundo, Taehyung se importa comigo. E isso era tudo que eu queria desde sempre; que Taehyung sentisse algo por mim que não fosse raiva, repulsa ou desconforto. Qualquer outro sentimento bom, mesmo que mínimo, vale muito para mim. 

Por favor, Deus, eu não quero está enganado. Eu quero mesmo que Taehyung sinta algo por mim. 

Taehyung acerta várias vezes os caras, estes que, mesmo acabados, ainda insistem em bater em Taehyung. Como se não aceitassem perder para um único desconhecido. E, cansado daquilo tudo, Taehyung decide acabar logo, chutando com força o estômago do único ainda de pé: Minjae. 

Ainda sem saber o que fazer, eu fico parado, comtemplando a imagem de Taehyung respirando fundo várias vezes e limpando o sangue em sua boca, enquanto olha para os imbecis jogados no chão, resmungando de dor.  

Céus, até assim Taehyung consegue ser bonito... 

E então, finalmente, nossos olhares se chocam. Taehyung dessa vez desacelera a respiração e descansa os ombros, assim como o seu olhar também se acalma quando me vê. Mordo o lábio, tentando controlar a agitação dentro de mim, porém é inútil. E tudo piora quando o vejo vindo em minha direção rapidamente,  por um momento eu penso que ele irá me abraçar e me aconchegar em seu peito devido a sua pressa para chegar até mim e dizer que tudo ficará responsável bem, mas ele não faz isso. Apenas para bem na minha frente e me encara. 

— ‘Tá tudo bem? Você está machucado? — Pergunta, meio relutante e parado a uma certa distância de mim. 

Abaixo o olhar e fito suas mãos. Ele está apertando-as, como se estivesse se controlando para não fazer algo. Levanto o olhar novamente e reparo nos seus machucados. São superficiais, nada grave. 

— Obrigado. — Ignoro sua pergunta, não conseguindo parar de pensar o quão ele foi herói por ter feito tudo isso por mim. 

Taehyung parece meio nervoso e tenta disfarçar isso, o que obviamente não funciona. 

— Não me agradeça, eu faria isso por qualquer outra pessoa. Não se sinta especial. 

E depois disso eu não digo nada, apenas assinto, afinal, o que eu poderia dizer? Mas não estou triste com sua resposta, eu sei que, de uma forma ou outra, ele se importa comigo. De repente Taehyung pega meu braço e me assusto com o movimento, mas ele apenas me puxa para fora do beco. Ele olha para os lados e logo me solta, caminhando em direção contrária da que eu estava correndo antes. 

Taehyung não fala nada, e eu, ao seu lado, também não falo. Afinal, eu não consigo dizer mais uma palavra depois de tudo que aconteceu. Sinto meu corpo um pouco dolorido, mas não estou tão machucado, somente meu rosto que está um pouco. Eu me preocupo mesmo é com o Taehyung, a maçã do seu rosto, do lado esquerdo, está com uma mancha roxa e seu lábio inferior está ferido. Ele anda tão calmamente pela rua, como se não estivesse numa briga momentos atrás. 

— Taehyung. — O chamo e o mesmo para de andar para me olhar e me ouvir, o que é inédito porque, em outros tempos, ele teria me ignorado no mesmo instante. — Como você sabia que eu estava naquele beco? 

— Eu não sabia. — Ele volta a andar e eu o acompanho, agora bem do seu ladinho. — Eu estava passando por aqui e ouvi umas vozes. De início eu nem liguei, mas aí eu reconheci a sua voz e fui ver se era você mesmo. Eu meio que não consegui ignorar. 

Continuo calado. Eu não sei o que dizer, eu estou envergonhado e me sentindo mal um pouco pelo o que aconteceu. Andando ao seu lado, não prestando atenção no caminho que estamos seguindo, eu caio de cabeça nos meus próprios pensamentos. Ah, eu não consigo parar de pensar em quão Taehyung foi herói, enfrentando aqueles cara que ele nem conhece, mas o fez para me ajudar. Ele pode negar o quanto ele quiser, mas nada muda o fato de que ele me salvou, logo eu, o cara que ele diz "odiar". Um sorriso bobo e patético surge em meus lábios só de pensar que o cara que eu gosto agiu de forma heroica por mim. Meu coração começa a bater forte e por um momento tenho medo de que Taehyung possa ouvir. 

— Eu nem sempre irei aparecer para te ajudar quando você estiver em apuros, Jeongguk. Então, por favor, tome mais cuidado, cuide mais de você mesmo. — Ele diz depois de algum tempo em silêncio, com uma expressão séria, voz firme e grossa e sem olhar para mim. 

Eu apenas murmuro um “Está bem”, chutando uma pedra que aparece em meu caminho. E logo percebo que estamos indo em direção a minha casa, o que me deixa confuso. 

— Por que você está indo para minha casa comigo? 

Taehyung me olha igualmente confuso, fazendo aquela carinha de desentendido e suspira. 

— Você não sabe? Nossos pais querem falar com a gente. Meu pai mandou eu vir logo e esperar eles na sua casa. 

Viramos a esquina e seguimos reto, já podemos avistar a minha casa de onde estamos. 

— Estranho, minha mãe não me falou nada. — Faço careta de dor por ainda estar um pouco dolorido e Taehyung apenas revira os olhos. 

— Você já olhou seu celular, quatro-olhos? 

E rapidamente eu retiro o aparelho do bolso, destravando e vendo que há uma mensagem da minha mãe.  

 

Mãe: 

Querido, assim que você sair da escola, venha direto para casa. Vamos ter uma conversa. 

 

Releio a mensagem umas três vezes e devolvo o celular para o meu bolso, recebendo um olhar de Taehyung. Que estranho, o que será essa conversa? Nossos pais raramente conversam comigo e com o Taehyung junto. Tento não ficar nervoso e com medo, afinal, estou certo de que não fiz nada de errado, pelo menos nada que minha mãe possa descobrir. 

Não falamos mais nada pelo resto do caminho, até chegar em casa. E Taehyung nem mesmo fez questão de conversar, o que não é novidade. Fico mais aliviado ao saber que mamãe está com o senhor Kim e eu ainda tenho tempo de dar um jeito nos meus machucados superficiais para ela não perceber muito. Abro a porta e deixo Taehyung entrar primeiro. O garoto com a mesma cara de tédio de sempre, entra e eu o acompanho logo depois. O fato de que estou sozinho com ele me deixa agoniado e ansioso, eu fico como um idiota parado na porta e acompanhando seus movimentos. Será que eu devo falar algo? 

— Hm... fica à vontade. 

Taehyung me olha estranho, como se eu fosse esquisito e se joga no sofá, colocando os pés calçados em botas em cima da mesinha. 

— “Fica à vontade”? Que bicho te mordeu, cara? Você não fala desse jeito comigo desde a primeira vez que nos vimos, quando você queria me causar a droga de uma “primeira boa impressão”. — Ele joga os cabelos para trás de forma descontraída, deixando seus fios soltos e mais rebeldes. Como ele é lindo, ah... 

— Ah, saiu sem querer. Esquece isso. — Disfarço e ele não diz nada, então eu procuro falar sobre alguma coisa, apenas para não ficar em silêncio. — Minha mãe não pode me ver desse jeito, eu preciso cobrir essas coisas no meu rosto.  

— Passa a maquiagem da sua mãe, simples. Ela nem vai notar. — Ele encosta sua cabeça no encosto do sofá e fecha os olhos. Como se quisesse se desligar do mundo. 

— Certo, mas e você? Seu pai pode brigar se te ver desse jeito também, se você quiser eu posso cuidar diss... 

— Vai logo cuidar da porra dos seus machucados e me deixa em paz, Jeongguk. — Ele braveja e eu me assusto com o seu jeito de falar, ficando quieto e calado. — Eu quero ficar sozinho. 

Taehyung volta a fechar os olhos e solta um suspiro longo, e eu, não querendo incomodá-lo mais ainda, apenas subo as escadas e entro no quarto da minha mãe. Sigo tentando não me importar com o jeito que Taehyung falou comigo. Eu nem devia ligar, afinal, ele sempre me tratou desse jeito, e eu nunca dava a mínima. Porém, o imbecil aqui acabou gostando do metido a guitarrista e agora, receber as grosserias dele é mais do que péssimo para mim. 

Procuro a caixinha de primeiros socorros da minha mãe, que está localizada no banheiro e cuido de tratar logo meus machucados. Abro a caixa, retirando dela o algodão e uma garrafinha de antisséptico. Com cuidado, molho o líquido no algodão e começo a passar devagar nos lugares abertos. Arde, mas é suportável. Quando acabo de desinfetar, lavo o rosto com água e procuro as maquiagens da minha mãe. Como eu disse antes, os machucados são bem superficiais e só preciso cobrir as manchas do meu rosto. Localizo a bolsa de maquiagens da minha mãe dentro do pequeno armário do banheiro e procuro qualquer coisa da cor da minha pele para cobrir as manchas e pequenos machucados. Acho um pó e uma base, e não demoro a passar no meu rosto. Eu só espero não estar parecendo um fantasma. 

Quando termino e guardo tudo, levo um susto ao ouvir vozes no andar de baixo, percebendo ser minha mãe e o senhor Kim. 

— Droga! 

Saio às pressas do quarto, dando uma última no lugar para ver se está tudo em ordem e no lugar. Não sou acostumado a entrar no quarto da minha mãe, por isso a minha preocupação. Ela acharia muito estranho. Desço as escadas normalmente, encontrando os três na sala de estar. 

— Oh, querido! — Minha mãe fala, sorrindo ao me ver descendo as escadas, vindo até mim e me abraçando com doçura, como ela sempre me abraça. — Está tudo bem, filho? 

E então, eu olho para Taehyung, ele está olhando para nós com tanta estranheza que me assusto. Como se ele estivesse incomodado com a demonstração de afeto entre minha mãe e eu. Ele para de olhar quando percebe que eu estou o olhando de volta, e disfarça.  

— Ah.... É, sim, sim. Estou bem, mãe. — A abraço de volta, forçando um sorriso. 

— Então — Ela me afasta devagar e caminha comigo até o sofá, onde o senhor Kim e Taehyung estão sentados —, nós precisamos falar com vocês dois. 

É aí que o senhor Kim levanta e pede para eu me sentar ao lado de Taehyung, e eu o faço. Taehyung não me dirige o olhar, ele parece desinteressado pelo assunto e entediado. Como sempre ele parece, em todos os momentos. 

— Pois bem, crianças. — O senhor Kim tem a palavra. — Vocês já devem ter percebido que a Dahyun e eu estávamos ocupados esses dias, saindo com frequência e nos encontrando mais vezes. — Taehyung e eu concordamos. — É que estávamos planejando algo e agora nós iremos falar para vocês. 

— Fala logo de uma vez, para de enrolação. — Taehyung reclama, recebendo um olhar repreendedor do seu pai. 

— Ah, então, nós vamos viajar por uns dias, meninos. — Mamãe revela. 

A primeira coisa que eu faço é sorrir. Sorrir bem grande assim, porque não é sempre que eu viajo, e agora, junto com mais duas pessoas, vai ser ainda mais divertido. Quem sabe até consigo me aproximar mais do Taehyung nessa viagem. Ah, é o que eu mais quero. 

— Uau! Isso é sério? — Pergunto animado, porém Taehyung não está na mesma vibe. — E para onde nós vamos? 

E depois de perguntar isso, todo alegre e empolgado, mamãe solta um risinho e troca olhares com o senhor Kim. 

— Não, não, querido. Você entendeu errado. 

— O que Dahyun quis dizer, meninos, é que somente ela e eu iremos viajar.  

Taehyung, então, ajeita a postura e franze o cenho, tão confuso quanto eu. Nós dois nos olhamos por uns míseros segundos e logo, eu me manifesto. 

— Mas e a gente? — Eu pergunto, desanimado por ter entendido tudo errado.  

— Vocês estão encarregados de cuidar da casa. Juntos. Taehyung ficará aqui com você durante esses dias, vamos confiar em deixá-los sozinhos.— Senhor Kim solta a bomba, fazendo tanto Taehyung, quanto eu, arregalar os olhos em indignação. 

— Como é que é? Vocês estão dizendo que vão se mandar e deixar nós dois sozinhos aqui?  — Taehyung diz e suspira. — Por favor, não. 

— Filho, isso vai ser bom para vocês se aproximarem e quem sabe se tornarem amigos. — Junghyun tenta, mas parece que Taehyung não aceita isso de jeito nenhum. 

O que me deixa bem triste, por sinal. 

— Você 'tá louco? Eu não quero ser amiguinho do Jeongguk, eu não gosto dele e não vou ficar com ele aqui. Eu tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar bancando a babá do Jeongguk. — Seria mentira se eu dissesse que isso não me machucou. 

Respiro fundo e tento não transparecer as minhas reações, afinal, quem gosta dele sou eu, e não o contrário. Eu não deveria ficar esperando algo diferente. Os adultos percebem o meu desconforto com as palavras de Taehyung e o senhor Kim começa a repreende-lo. 

— Tenha mais respeito comigo, eu sou seu pai! Você vai ficar sim e não se fala mais nisso, ouviu bem Taehyung?

— Isso é o que vamos ver. 

E depois disso, Taehyung simplesmente sai da sala correndo, subindo as escadas com passos pesados, deixando-nos para trás. 

— Taehyung não tem jeito mesmo. — Seu pai diz, baixo e decepcionado. 

E de tanto pensar nas palavras do Taehyung, me sobe uma raiva imensa, meu corpo esquenta de ódio. Até tento engolir essa raiva mas não funciona de jeito nenhum. Estou tão cansado de ser rejeitado sem motivos que não freio minhas ações e quando percebo, já estou subindo as escadas com pressa, ignorando os chamados dos mais velhos. Caminho direto para o quarto de Taehyung e não penso duas vezes: abro a porta com brutalidade e a fechando com força, fazendo um estrondo. Taehyung que estava deitado, levanta rapidamente, me olhando com raiva. 

— Que caralho você pensa que... 

— Por que você não gosta de mim? — Disparo, interrompendo Taehyung e falando de forma agressiva. 

Taehyung parece ter sido pego de surpresa, porque ele não consegue me responder. Sua boca se abre algumas vezes para falar mas nada sai, ele me encara com outros olhos e isso só me deixa mais louco de raiva e confusão. Taehyung é impossível de entender. 

— Responde! Por qual motivo você me detesta tanto, cara? Foi algo que eu te fiz? Se foi, então desculpa! Ok? Me desculpa se eu te fiz alguma coisa. — Falo, tentando me controlar para não chorar ou fazer algo que me envergonhe. 

— Para de pedir desculpas, você não me fez nada, cara. Apenas não sou obrigado a gostar de você, vê se aceita isso e me deixa em paz! — Grita ele. 

Eu, não satisfeito com sua resposta, o seguro pela camiseta e lhe empurro contra a parede, ficando cara a cara com ele. Vendo seu rosto de perto assim só me deixa ainda mais nervoso. Os olhos castanhos me encarando e a boca entreaberta... Isso deve ser castigo que Deus jogou contra mim. 

— Estou cansado de você, Taehyung. — Minha voz sai trêmula. — Cansado de você me tratar como um lixo sendo que nunca te fiz nada! Me diz a verdade, me fala qual é o seu problema comigo! 

Taehyung agarra meus pulsos e me afasta do seu corpo com certa força. 

— Quer mesmo saber? Então tudo bem. — Seus olhos começam a ficar vermelhos, como se estivesse prestes a chorar e eu me assusto. Ele parece estar com mais raiva que o normal. — Eu sinto raiva de você porque... eu queria ter a vida que você tem.  

Meu coração dispara como um louco e meu estômago se revira, me causando uma sensação muito estranha. Eu não sei explicar, é só um sentimento ruim, um sentimento muito ruim. Dentre tantos outros motivos, jamais pensei que fosse isso. É surreal. Encaro Taehyung e o vejo tão diferente de como ele é geralmente: Um cara provocador, rebelde e grosso. Ele parece triste agora, e eu me sinto péssimo. 

— Porque você tem tudo, Jeongguk. E eu fico com raiva disso. — Sua voz grossa quebra o silêncio. — Você tem uma casa aconchegante, você é inteligente, é dedicado, esforçado... Você é o filho que todo pai e mãe queria ter. Eu queria isso. Mas diferente de você, eu não tenho uma casa aconchegante, eu vivo numa casa enorme e cheia de empregados estranhos. Para ser sincero, eu trocaria todo aquele luxo por isso aqui. — Ele se refere a minha a minha casa humilde. — E eu não sou bom na escola como você é, não sou dedicado. Eu fujo da escola para poder cantar e tocar, porque é isso que eu amo fazer. E adivinha? Meu pai não tem orgulho de mim, ele sequer gosta de me ouvir tocar. — Seu queixo começa a tremer mas ele tenta se controlar. — Mas o que eu queria ter mesmo, é apenas uma mãe como a sua. Eu sinto inveja de você, Jeongguk, porque você tem uma mãe incrível. 

A essa altura do campeonato, eu já estou com um aperto angustiante no peito e uma vontade enorme de parar com isso para não ouvir mais nada. Como Taehyung pode dizer coisas assim? Ele acha que eu sou perfeito? É isso? Ah, que merda, não. Eu não sou, ninguém é. Assim como ele tem frustrações e angustias, eu também tenho, outros também têm. Taehyung não vê isso. 

— Taehyung, eu não sei o que aconteceu com a sua mãe, mas seja lá o que for, ela tem orgulho de você. — Tento reconfortá-lo, engolindo em seco. — Ela ama você e sempre estará ao seu lado, ela sempre estará present...

— Cala a boca! Você não sabe de nada, para de falar isso! — Taehyung de repente me empurra, fazendo eu quase cair no chão. 

Me recomponho, respirando fundo e encaro Taehyung. Ele parece até outra pessoa. 

— Ela me abandonou! — Gritou, com os olhos cheios de lágrimas. — Ela não quis cuidar de mim, para ela, eu era um fardo, um desgosto! Por isso ela nem se importou em ir embora com outro cara! Você sabe o que é isso? Sabe o que é ser um fardo para uma pessoa que devia está do seu lado te apoiando? Você não sabe, claro que não! Então para de falar essas coisas, eu não tenho uma mãe! 

— E eu não tenho um pai!  

E depois de ouvir minhas palavras, Taehyung se cala no mesmo instante. Os olhos nem piscam, as lágrimas caem sozinhas dos seus olhos vidrados em mim. Minha respiração acelera cada vez mais e meu coração sufoca dentro do meu peito. E por estar com raiva, eu começo a disparar contra Taehyung, sem pensar em nada: 

— Você fala como se fosse o único no mundo inteiro que sofre por ter sido abandonado. Mas você não é o único. Meu pai foi embora antes de eu nascer e eu cresci sem uma figura paterna do meu lado! Ele largou minha mãe sozinha com um filho para cuidar e nem se importou em saber de mim! — Vou me aproximando de Taehyung. Minha voz embarga e eu não me importo com isso. — Então eu sei sim o que você sente, eu sei o que é ser deixado para trás por alguém que não deveria ter te deixado. Mas eu tenho a minha mãe, assim como você tem o seu pai! Porém, você não consegue ver isso porque você está ocupado demais alimentando esse sentimento ruim dentro de ti. Você só pensa em você mesmo, Taehyung, e não está nem ligando para os outros, para quem se importa contigo, para o seu próprio pai! — Taehyung não desvia o olhar, continuando a me olhar sério, mas com lágrimas caindo sem parar dos seus olhos. Está calado, me ouvindo. — Você é tão cego que não vê o quanto machuca o senhor Kim com esse seu comportamento mesquinho e ignorante. Você mesmo deixa ele decepcionado com suas próprias atitudes. 

— Cala a boca. — Ele fala baixinho. 

— Você só pensa em si mesmo, só pensa nos próprios sentimentos. — Falo alto e lhe dou outro empurrão de volta. — Você devia abrir a porra dos seus olhos e ver que tem pessoas que gostam de você, que se importam e querem estar do seu lado. Pessoas essas que você só sabe afastar e machucar com suas atitudes duras! Sua mãe não está aqui, mas seu pai está! Seus amigos estão! Você devia dar valor a isso! 

— Cala a boca! — Grita, me encarando com o rosto vermelho e molhado. Suas veias do pescoço estão saltadas, isso chega a me assustar um pouco. — Eu não preciso ouvir mais. Sai daqui agora!

E olhando o estado do Taehyung agora, eu percebo que talvez eu tenha sido duro demais com ele, falando coisas que eu não deveria ter dito. Talvez eu tenha ido longe demais. Taehyung apenas sente falta da mãe e eu não soube respeitar isso. Meu coração agora está tão apertado. Estou uma confusão por dentro. 

— Sai, Jeongguk! Vai embora daqui, cara. Já deu! 

Então, depois de pedir desculpas para Taehyung apenas com um olhar, eu saio, lhe deixando sozinho. Fecho a porta do seu quarto e me encosto na mesma, d lado de fora, engolindo a culpa por ter sido tão idiota com o Taehyung, o cara que eu gosto! Fecho os olhos e me deixo levar, chorando tudo o que eu estava segurando todo esse tempo. Por gostar do Taehyung, por ser rejeitado por ele e agora, por ter ido longe demais, falando aquilo tudo para o Tae. Mas por um lado, eu fiz o certo, ele precisava de um choque de realidade e perceber que, mesmo sem a presença da mãe, ainda há pessoas que se importam com ele, que gostam dele e querem estar por perto sempre. 

E uma dessas pessoas, sou eu. 

 

● 

 

Agoniado e inquieto, eu rolo pela cama novamente, não conseguindo achar uma posição boa para poder dormir. Ou talvez eu que não estou conseguindo dormir mesmo. Respiro fundo e aperto meus olhos com força, rezando para que eu durma de uma vez logo. Só eu mesmo sei a merda que é ficar a noite toda acordando, pensando em milhões de coisas.  

Olho para o relógio e o mesmo marca 03:56h. Suspiro. Volto a encarar o teto e as cenas da discussão que tive com Taehyung me acertam em cheio, me deixando com uma sensação tão ruim dentro do meu peito. Ah, merda! Eu não consigo parar de pensar nele, mesmo depois de tudo o que aconteceu. 

Eu estou ficando mesmo maluco por esse cara. 

Ignorando meu subconsciente que grita para eu ficar quieto no lugar, levanto da cama e não me importo em calçar os chinelos. O chão está frio mas eu realmente não ligo. Coloco os óculos e abro a porta do meu quarto, encarando a porta bem na minha frente. A porta tão peculiar de Taehyung, cheia de placas de trânsito e figuras aleatórias. Acabo abrindo um sorriso ao ver aquela "arte" que ele mesmo fez. 

Respiro fundo e piso para fora do meu quarto, ficando em frente a porta de Taehyung. Eu não sei bem o que estou fazendo, eu deveria está dormindo agora mas, caramba! É impossível. Minha mente diz para eu dar meia volta e tentar dormir, mas algo dentro de mim é mais forte e está dizendo para eu continuar seguindo o meu instinto. E é o que eu estou fazendo. Toco a maçaneta da porta e ela está fria, giro-a, me surpreendendo ao ver que a porta não está trancada. Taehyung sempre tranca a porta, mas dessa vez ele deve ter se esquecido. 

Consigo ouvir meu coração batendo bem rápido dentro do meu peito. Ah, se ele me pegar invadindo o seu quarto... Abro-a devagar, dando de cara com um breu que me cega por poucos instantes. Logo, me acostumo com a escuridão e consigo ver tudo no quarto, inclusive o guitarrista na cama, dormindo sem cobertor e com o rosto sendo amassado contra o travesseiro. Engulo em seco e entro, deixando a porta meio aberta. Dou passos lentos até a cama, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho. E aí está ele, dormindo tão adoravelmente, nem parece que é ele mesmo. Tae está vestido apenas com calças moletom e camiseta fina branca, deixando seus braços totalmente expostos. O observo da cabeça aos pés, gravando cada detalhe dele na minha mente, acabo rindo baixinho quando vejo que ele sequer tira suas pulseiras, corrente e brincos para dormir.  

Me ajoelho devagar, ficando de frente para o seu rosto todo amassado contra o travesseiro, o que me deixa ainda mais apaixonado por esse cara. Caramba, por que Taehyung tem que ser lindo até dormindo? 

Com cuidado, me aproximo mais um pouco, apoiando meu queixo no colchão e ficando bem pertinho do seu rosto. Por longos segundos, eu não pisco de tão hipnotizado que estou. O rosto dele é tão bonito, seus cabelos, seus lábios, sua pele... tudo. Tudo nele é lindo e eu nunca vou me cansar de reparar. Sua respiração bate bem devagar no meu rosto e isso só me deixa ainda mais vulnerável. Cautelosamente, toco nos seus cabelos que estão uma bagunça e lhe faço um carinho, bem leve, suave e devagar para não acordá-lo. 

— Eu gosto tanto de você... — Sussurro, me sentindo um bobo, até mesmo envergonhado por dizer isso. 

Volto a observar seu rosto e percebo que seu nariz está vermelhinho e um pouco inchado, assim como seus olhos. Ele estava chorando. Ele foi dormir chorando. E só de pensar nisso, sinto-me despedaçar em mil pedaços. 

— Me perdoa por tudo o que eu te disse. — Torno a sussurrar, pertinho do seu rosto e acariciando seus cabelos macios. 

Tomo um susto quando ele se mexe de repente e me afasto, tirando minha mão do seu cabelo. Por um momento eu penso que ele havia acordado e meu coração quase sai pela minha boca de tão desesperado, mas ele apenas se mexeu. Espero um pouco e volto a posição de antes.  

Taehyung mexe a boca de uma forma tão linda que, se ele não estivesse dormindo, eu diria que ele estaria provocando de propósito. E agora, dando mais atenção a sua boquinha tão linda e atraente, percebo que estou com uma vontade imensa de tocá-la. Eu não consigo desviar o olhar por nada, e a vontade de beijá-lo só aumenta dentro de mim. 

— Você me mataria se eu fizesse isso — Digo bem baixinho, hipnotizado na sua boca. —, mas você está dormindo agora, então você nunca irá saber que eu fiz. 

E nervoso demais, colo meus lábios nos seus, adormecidos, finalmente sentindo sua boca na minha. Ah, é como uma mistura de sentimentos bons, uma explosão de felicidade. Meus olhos, antes abertos, se fecham lentamente quando eu mergulho nesse selar inocente e aproveito as sensações boas que isso me traz. Sua boca é fina e tão macia, fico imaginando como dever ser beijar Taehyung de verdade, e só de imaginar isso, eu sinto uma vontade imensa de provar mais ainda. Quebro o selar somente para lhe espalhar selinhos leves em sua boca tão gostosa, já que não posso passar disso eu não quero me afastar por nada. 

Paro os selinhos, a contragosto, e fico apenas centímetros de distancia  do seu rosto. Sorrio pequeno, olhando Taehyung que ainda dorme profundamente. Ele deve estar com frio... Pego o cobertor e o cubro, deixando-o agasalhado. Ele se mexe um pouco mas não acorda. 

— Seu guitarrista idiota... Por que eu fui me apaixonar por você? — Acabo sorrindo bobo com a pergunta e balanço a cabeça, sentindo um quentinho no meu coração.  

Faço um último carinho nos seus cabelos e lhe dou um beijinho no rosto antes de sair do seu quarto, fechar a porta devagar e voltar para o meu. 

E se antes estava sendo difícil dormir, agora será mil vezes mais porque eu não vou parar de pensar no que eu acabei de fazer. 

Ah, céus! Eu acabei de beijar o Taehyung!


Notas Finais


taehyung sendo lindo até dormindo:
1. https://68.media.tumblr.com/2b6c654bcf3a57b376e7a63361db5c97/tumblr_otgugwjQL91vi6z0ho1_1280.jpg

2. https://68.media.tumblr.com/09b84f17a6ba407e13a1cf75f362a861/tumblr_otnjfparyF1w15kmho2_400.gif


ENTÃO, eu sei que muitos de vocês querem me jogar pedra pela demora, e que eu, em quase todos os capítulos, sempre peço desculpas por isso. Vocês já devem estar cansados de me ver aqui, me desculpando por demorar tanto e enfim. Não vai ser diferente agora, eu sinto muito mesmooo por ter demorado tanto. Não queria demorar, mas aconteceu umas coisas que me impediram de postar; eu fiquei doente, melhorei depois de dias e de repente apareceu uma viagem de ultima hora e eu fiquei louca e aaaaaaaa. Por isso não deu para postar, maas, está aí o capítulo. Eu confesso que estou muito insegura, ultimamente eu não estou ficando muito satisfeita com a minha escrita, o que está me incomodando bastante. Mas eu espero mesmo que esteja bom para vocês. ~medo~

AH! E eu juro que vou responder todos os comentários do cap anterior, ok? Obrigada mesmo por todos eles <3 vocês são demais, eu os adoro muito! E é isso, espero muito que vocês tenham gostado do capítulo. Eu revisei muitas vezes mas sei que ainda deve ter erros, prometo arrumar tudinho depois. Obrigada de novo pelos comentários e pelos favs <3

NOS VEMOS EM BREVE!!

twt: @/whalinw52


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