História Cardeal - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Assassinato, Aventura, Distopia, Fantasia, Fantasiamedieval, Feitiçaria, Luta, Magia, Medieval, Mistério, Multipersonagens, Reinos, Romance
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Palavras 2.496
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Super Power, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


^^ Boa leitura.
Este capítulo vai passar bem rápido. Achei essencial descrever o início da viajem de nossa menina dos cabelos azuis, pretendo iniciar a ação no próximo capítulo... ou então postar mais um Memórias esquecidas, o que acham? Deixem a opnião nos comentários.

Capítulo 6 - Capítulo 6 - Quando a viajem começa.


Capitulo 6 (Quando a viajem começa)

Reino Liral. Cidade da Névoa.

- Eu não vou para sempre. – Miire falou a Vally que a abraçava com lágrimas nos olhos. – Apenas quero conhecer...

- Vou sentir tanta saudade. – admitiu abraçando-a com mais força.

Na manhã seguinte após o festival, Miire foi decidida falar com seu pai e comunicar a decisão. Abraçou-o com todo afeto e prometeu-lhe que voltaria, que apenas queria conhecer a família e, de acordo com a aventura, conhecer alguns lugares. No momento seu pai pareceu relutante, o que a frustrará. Até que, durante a tarde o senhor Oto apareceu na porteira de casa junto a seu pai, que obviamente não estava muito satisfeito.

- Minha querida, este senhor me deu garantia de que pode levá-la para sua família. Acha que eu a deixaria viajar sozinha? Você ainda é muito tola para virar-se neste mundo.

- Oh, papai, obrigada. – Miire abraçou seu pai e olhou para o senhor Oto. Ainda desconfiava dele, porém no momento ele era a única pessoa que poderia leva-la, quer dizer, segundo ele. De alguma forma as besteiras que Lino proclamou noite do festival haviam ficado em sua cabeça.

- Miire, iremos partir amanhã cedo, antes de o sol nascer. – falou descansando a mão no pomo lilás da espada.

Miire assentiu e inclinou o corpo para frente, fazendo uma reverência e correu em direção a casa de Vally para contar as novidades...

- Miire! – um grito veio de suas costas e mesmo antes dela virar completamente, Lino havia-a tomado em um abraço de urso, levantando Miire. – Ainda não acredito que você vai embora.

- Não é para sempre, deuses, cansei de repetir isso. – protestou. – Vocês são minha verdadeira família sempre estarão comigo.

Percebeu que o senhor Oto estava apressado, então se despediu de seu pai com a saudade premeditada brilhando nos olhos. – Cuide-se, minha querida. – então abaixou-se e sussurrou: - Está com a adaga que lhe dei? Use-a como defesa, apenas nos últimos casos. Acerte o inimigo no meio da barriga, naquele local abaixo do peitoral. – aconselhou e beijou-a na testa. – Que os deuses a protejam e que volte logo para casa.

- Obrigada, irei me cuidar. – e caminhou em direção ao senhor Oto que esperava ao lado de dois cavalos de raça, um de pelo castanho e outro mais claro com algumas sardas.

- Miire, espere. – Lino se adiantou em sua direção, segurou-a pela cintura e a puxou para um beijo rápido. Miire sentiu as bochechas corarem e abaixou a cabeça. – Não podia deixar você ir sem gravar seu gosto em meus lábios. Deixe que a ajude a subir no cavalo.

A sensação de estar encima de um cavalo era incrível, como se você pudesse estar no topo do mundo, era um sentimento bom e imponente. No entanto, tinha um pequeno detalhe que fora esquecido durante a preparação para a viagem.

Oto montou em seu cavalo castanho e olhou para ela. – Pronta?

- Eu não sei andar de cavalo. – admitiu sentindo-se ignorante. Senhor Oto olhou para ela e riu.

- Não é engraçado.

- Perdão senhorita. – falou e amarrou a corda que tinha usado para trazer o cavalo em que Miire estava montada na cela de sua montaria. – Agora está tudo resolvido.

Partiram logo em seguida em direção a Marnem. As primeiras horas da viagem foram sem diálogo, um tanto monótonas. Andaram por uma estrada de terra batida, passaram por bosques com árvores tão altas que suas copas atrapalhavam os raios de sol. Miire viu veados se alimentando ao longe e pequenos macacos pulando pelos galhos.

Já fora do bosque, começaram a cruzar caminho com alguns viajantes e vendedores ambulantes. Um garoto lhe chamou a atenção, não sabe se foi por conta do cabelo ruivo ou pelo fato estar brincando com fogo nas mãos como uma criança brinca com uma bola.

Na hora do almoço, descansaram em uma pequena clareira. O senhor Oto lhe ofereceu pão e algumas frutas frescas, alimentou os cavalos e por fim juntou- se a ela.

- Hum... Você deve ter uns dezesseis anos, certo? – Sir Oto perguntou puxando assunto.

- Quinze.

- Ah, bem... Muito jovem.

Ficaram em silêncio.

- O senhor conhece mesmo minha família? – Miire perguntou, finalmente quebrando o silêncio.

- Sim. – confirmou. – Você é tem olhos da sua mãe.

Aquele comentário de alguma forma alegrou-a. – Como ela é?

- Fisicamente ou na personalidade?

- Os dois!

- Bem, é uma mulher bonita e vaidosa, inteligente e sentimental, como as mulheres normalmente são. – disse enquanto arrancava um pedaço de pão com os dentes.

- E meu pai?

- Você parece com ele quando mais jovem, mesmo formato do rosto e mesmo cabelos escuros.

- Como você os conheceu?

- Trabalho para eles. – disse apontou para o brasão em sua veste.

- Esse é o símbolo da família? – perguntou apontando para o brasão no gibão do cavaleiro.

- Sim, chama-se rosa dos ventos.

- É muito bonito. – Miire comentou. – Em que posição social meus pais pertencem. Para terem um brasão e um cavalheiro...

- Per... – Parou quando viu os olhos de Miire se iluminarem, então sorriu e inclinou no tronco da árvore. – Afinal, menina, você é Usuária de que?

- Sou neutra, senhor. – a resposta o fez cuspir água que havia posto na boca e a encarou pelo que apareceram décadas até que ela abaixou o rosto, envergonhada. – E o senhor? – perguntou mesmo sabendo a ressposta.

- Sou Do Ruby. – falou mostrando um lindo anel, onde uma pedra vermelha brilhava ao sol.

- Você consegue... Sabe? – perguntou fazendo gestos com as mãos.

Ele assentiu e encarou a fruta que ela pegará da sacola, encostou o dedo do meio rapidamente na fruta que logo pegou fogo, fazendo com que Miire a solta-se no chão assustada. – Incrível... Eu gostaria de ter uma magia assim. – logo a fruta se desmanchou em cinzas e os dois ficaram em silêncio novamente.

Depois do descanso, voltaram para a rota de viajem. A cada lugar que passavam, Miire se encantava com as paisagens e fazia o possível para gravá-las na memória. – Estamos chegando à cidade de Marnem, tenho umas coisas para resolver e depois começaremos a viagem para Dallen.

***

Reino Liral. Cidade Marnem.

Sir Oto teve a bondade de alugar dois quartos, o que de certa forma foi um alívio para Miire. O lugar onde estavam hospedados era simples, porém acolhedor e os futóns não estavam tão sujos quanto ela esperava. Seu quarto tinha a vista para uma rua comprida e bem movimentada, Marnem era uma cidade grande e com certeza mais tumultuada que Névoa. O fluxo de pessoas era inacreditável, parecia que as ruas foram adaptadas para a quantidade de pessoas – largas e espaçosas.

Se olhasse em direção ao horizonte, acima dos telhados e mais próximo que imaginava, dava para ver a fortaleza Griory se erguendo em meio as casas e seus telhados altos de pontas curvas. Miire imaginou o quão grande deveria ser por dentro, morar no castelo de fato poderia ser considerada sorte.

Debruçou-se no peitoril da janela, sentada no chão.

Enquanto admirava as pessoas passeando avistou uma pobre senhora ser assaltada por um homem que portava uma arma. Miire observou enquanto o homem corria e virava em uma viela qualquer, a senhora gritou para os guardas chamando a atenção das pessoas ao redor.

Olhou para trás, ao ouvir alguém bater na porta.

- Pode entrar. – disse em resposta.

- Ainda não anoiteceu, se a senhorita quiser dar uma voltar se sinta a vontade, apenas lhe peço para voltar antes do sol se pôr... E não entre em vielas ou ruas com poucas pessoas. – disse arrastando a porta para fechá-la, porém interrompeu, deixando apenas uma brecha. – Irei enviar uma mensagem agora, porém pode me procurar em meus aposentos se precisar de algo mais tarde.

- Obrigada. – respondeu.

Miire olhou novamente pela janela lembrando-se da senhora, porém o escândalo já havia parado. Perguntou-se se haviam pegado o ladrão ou se a senhora teve que aceitar o prejuízo. Lembrou-se de uma história que seu pai havia lhe contado, sobre uma viajem que fizera para uma cidade grande, se perguntou se está seria a tal cidade. Por fim, deu de ombros foi até um criado mudo onde havia dobrado seu Obi e o enrolou na cintura.

Hora de dar uma voltinha, pensou.

Pessoalmente as ruas aparentavam serem ainda mais desorganizadas e sujas, e por um segundo Miire se sentiu tonta, como se tivesse perdido a noção de direção. Foi para a esquerda, pensando que poderia ser salva da multidão. Parou em uma encruzilhada indecisa para onde ir, por fim, continuou em frente, pensou que se virasse em alguma curva poderia acabar se perdendo. A rua deu em um arco, pouco decorado, de madeira e ferro que se abria para um tipo de vila circular, algumas crianças corriam atrás de uma bola de couro e retalhos, havia pessoas conversando ao lado de casas e o que lhe chamou mais atenção foram dois garotos lutando com pedaços de paus em um canto. Abafou um risinho com a mão e apoiou as costas no arco observando-os.

Quando tivesse algum tempo iria pedir ao senhor Oto para que lhe ensina-se a usar alguma arma, imaginando que assim poderia se defender caso se separassem. O senhor Oto era gentil, apesar do vozeirão e o rosto sério, no qual Miire já havia detectado sinais de irônia. Perguntava-se o que tanto escondia sobre seus pais... Será que a aceitariam? Simples como era? Talvez, pelo ponto de vista deles, mal educada. Bem... Eles pediram para que ela fosse encontrada, então talvez entendessem a situação, certo? Sim, disse a si mesma, no entanto outra parte de si ainda estava receosa. Notou o quanto estava nervosa para conhecer os verdadeiros pais, o que ela diria? O que faria?

“Oi, voltei família.”, “Pai? Mãe?” ou “Prazer, meu nome é Miire Kinlyo”.

Que horrível.

Balançou a cabeça afastando os pensamentos. Na hora tudo daria certo, pelo menos era o que ela esperava. Será que tinha irmãos? Nunca tinha parado para pensar como seria ser uma irmã mais velha... Lil, sim, Lil tinha sido uma ótima amiga, quase como uma irmã mais velha para ela e Vally, talvez fosse como ser Lil.

Assim que seu devaneio parou, olhou em direção aos meninos que antes estavam trocando estocadas com as espadas imaginarias, porém agora ambos estavam sentados no chão, as espadas largadas de lado e os peitos subindo e descendo com dificuldade.

O sol já estava se pondo, então decidiu iniciar sua caminhada de volta. As ruas tinham um cheiro forte de lixo que irritava o nariz de Miire. Morar em Marnem com certeza não era para qualquer um.

Chegou à estalagem quase de noite. – O jantar será servido em uma hora. – disse a dona da estalagem assim que ela entrou. Assentiu e subiu para o quarto. Lavou o rosto na bacia e penteou os cabelos ondulados, prendendo-os de lado com a fita negra que havia ganhado de Lil há um tempo, ajeitou as roupas e desceu para a sala onde seria servido o jantar.

Encontrou-se com Sir Oto no corretor e foram juntos. A comprida mesa estava cheia, tanto de viajantes simples e bem composto, assim como homens e mulheres sorridentes a homens e mulheres mal encarados, Miire logo se sentiu sem fome. Porém, não iria querer desmaiar durante a viagem.

Sentou-se no banco e serviu-se de pão e sopa, depois tomou um copo de vinho original de Marnem com carne de pato bem temperada e uma salada ruim que Miire apenas ingeriu por hábito.

Em seu quarto ficou sentada no futón sem conseguir dormir. Lembrou-se da adaga que seu pai teria colocado em sua mochila, curiosa, engatinhou até o canto do pequeno quarto e abriu a mochila. Tinha uma calça que ia até os joelhos de tecido grosso em tom de azul escuro e uma túnica de linho preto, não costumava usar roupas desse tipo no dia-a-dia, porém a colocou como reserva; embaixo das roupas havia alguns remédios que Osali, a herboísta de névoa havia lhe dado como presente e então a adaga.

Estava dentro de uma bainha de couro com detalhes de ouro e prata, o cabo era dos mesmos metais e possuía uma coloração verde escura. Era a adaga da família, passada desde o tataravô de seu pai. Miire sentiu-se triste e ao mesmo tempo honrada em ter ganhado aquela adaga.

Passou os dedos pelos contornos e retirou a adaga da bainha, era um pouco pesada. Levantou-se com a adaga na mão e caminhou até a janela, à luz da lua Miire conseguiu ver algumas palavras esculpidas na lâmina: PARA SEMPRE. – Para... Sempre. – repetiu sorrindo.

Após guardar a adaga de volta na bolsa, deitou-se novamente pensando no que estaria fazendo se estivesse em Névoa, no que seus amigos estariam fazendo e se sentiam tanta saudade quanto ela sentia deles. Impaciente e sem conseguir dormir foi até a janela e olhou para o horizonte, escuro e sem quaisquer resquícios de névoa no ar. Sentia-se sozinha e queria voltar para casa, onde conhecia tudo e as pessoas lhe eram familiares; por vez, tinha uma vontade maior de descobrir sua cidade natal, saber como era a cultura e como viviam.

Passou a noite em claro, esperando o senhor Oto chamar-lhe para voltarem a viajem. A cada hora que passava, o barulho na rua ia diminuindo, até que apenas o barulho de alguns gritos na taberna vizinha a assustavam; o barulho de gatos miando e janelas fechando. Em algum momento sentiu passos pelos corredores e olhou para a porta, perguntando-se por que alguém ainda estaria acordado, logo em seguida uma porta abriu e fechou-se rapidamente, era o quarto ao lado do seu, ouve um barulho, como se alguém tivesse caído, e logo mais barulhos que ela mesma não queria ter ouvido.

Quando Sir Oto bateu na porta pela manhã quando o sol já brilhava no céu e Miire saiu já arrumada em seu Komon cinza com branco, os cabelos presos em um coque, deixando solta apenas uma madeixa que não conseguiu prender. Durante o café da manhã, o homem ao seu lado colocou uma mão em sua coxa por baixo da mesa, o que fez Miire estremecer e se arrastar para o lado de seu companheiro de viajem. Olhou para o lado receosa, mas o homem estava mordendo um pedaço de pão com carne como se nada tivesse acontecido.

- Algo errado, Miire? - Sir Oto perguntou, notando que a garota tinha parado e comer.

- Hum? Ah, não... – respondeu distraída – Perdi a fome, irei esperar o senhor lá fora, com os cavalos.

- Como quiser. Não demorarei muito. - Comentou.

                 Miire, então camimhou para a parte de trás da casa, onde tinha algumas cocheiras com comida e água para os cavalos dos hóspedes. Encontrou os cavalos, amarrados em um poste. Amarrou sua sacola na cela de sua montaria e fez carinho no dorso do cavalo sardento. Sir Oto apareceu um tempo depois, coçando a barba densa, ajudou-a subir no cavalo e voltaram à estrada.


Notas Finais


O que acharam?
:3


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