História Caretaker - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias B.A.P
Personagens Bang Yongguk, Zelo
Tags Banglo, Daejae
Exibições 67
Palavras 3.409
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, meus biscoitinhos amanteigados! (Que nome enorme) (Vocês devem ficar com fome só de ler minhas notas) (Perceberam que toda vez eu chamo vocês de alguma coisa diferente? *suspiro* Eu realmente preciso decidir do que chamar vocês).
Fui rápida? Não tanto quanto vocês gostariam, mas sim, né? :v Espero continuar assim ><
Boa leitura <3

P.S.: Graças aos amiguinhos leitores, cheguei à conclusão de que vai sim ter spin-off DaeJae! Eeeeeeh~ (Agora só resta decidir quando :3).

Capítulo 11 - Memórias


 

 

 

Os receios de Junhong não se concretizaram de maneira alguma.

No caminho da casa de YoungJae até o metrô, ele e Yongguk não se falaram. Pouco se olharam, também. O mais novo não sabia como o outro estava se sentindo, mas para ele era um tanto... Estranho.

Antes, ainda no apartamento, acompanhados de outras duas pessoas, chegou a ser descontraído e confortável, mas agora, sozinhos, parecia constrangedor.

Bem, não era como se fossem desconhecidos, contudo, ele não conhecia o mais velho de fato, não eram amigos nem nada, então não sabia do que poderia falar com ele sem cair num silêncio ainda pior depois.

– As linhas são aquelas ali. – Já no metrô, Yongguk apontou para um quadro onde estavam escritos os destinos possíveis a partir daquela estação. – Se você me lembrar qual é o seu endereço, posso te dizer qual chega mais perto.

Internamente, Junhong corrigiu aquela frase, porque tecnicamente aquele endereço não era mais seu. Não achou que valia a pena contestar isso, no entanto. Repassou o bairro e o nome da rua para o mais experiente, já que ele mesmo nunca havia estado no metrô de Incheon antes, optando sempre por meios de transporte que ficavam acima do subsolo, tais como táxi e ônibus.

– Oh... – O mais novo soltou para si mesmo, sentindo a vergonha subir-lhe ao rosto quando chegaram à máquina onde as pessoas compravam bilhetes. Por não ter pedido nenhum trocado para Daehyun ou YoungJae, estava de bolsos vazios.

Antes que pensasse em falar com Yongguk, ele já estava na frente dele, cuidando disso. Por um segundo, passou por sua cabeça que ele estava comprando um bilhete para si mesmo, pois também ia pegar um metrô, mas ficou aliviado ao ver a máquina imprimido dois bilhetes junto ao recibo.

– Toma aqui. – Estendeu-lhe o papel.

– Obrigado. – Abriu um sorriso, agradecendo com sinceridade.

Yongguk engoliu em seco enquanto o encarava. Junhong ficou nervoso, se perguntado se tinha feito algo errado, porém o mais baixo se virou antes que ele pudesse indagar o motivo de ter ficado tão sério de repente (não que já não estivesse antes, mas antes eles não estavam conversando, e na cabeça do loiro aquela era uma grande diferença).

– Vou te mostrar onde você tem que esperar. – Ditou enquanto caminhava, provavelmente em direção a uma das plataformas.

Junhong estava começando a se sentir inconveniente. Queria dizer que podia se virar sozinho, porque podia mesmo... Mas ele não queria ficar sozinho, então a despedida não desgrudou da sua garganta.

– Espere aqui. – Yongguk indicou o lugar, onde algumas pessoas também estavam em pé. – O meu é do outro lado e vai chegar antes, então tenho que ir. – Olhou para a outra extremidade da estação, por onde os metrôs passavam para o lado oposto da cidade. Com a mão livre, já que a outra ainda segurava o presente de YoungJae, ele passou seus dedos entre os fios escuros do próprio cabelo, como que para prolongar seus últimos segundos juntos. – Tudo bem?

– Sim. Obrigado por me trazer até aqui. – O bilhete passava de dedo em dedo pelas mãos agitadas do adolescente, que encontrava nos olhos de Yongguk uma razão para desviar o olhar para até onde podia enxergar dos trilhos, que sumiam em uma curva escura.

– Sem problema. – Sorriu como Junhong tinha feito antes. Aquilo prendeu a atenção do mais novo um pouco. – Já vou indo então. Tchau, Junhong. – Acenou uma última vez e foi, atravessando todo o espaço entre as pessoas que entravam e saiam da estação.

Mesmo que uma voz no fundo da sua mente repetisse que não era certo, os olhos de Junhong o seguiram, meio que fascinados pelo formato do corpo do outro. Gostava das suas costas, da cabeça, dos ombros, das mãos. Gostava de tudo e sabia disso desde que o tinha visto pela primeira vez, conversando com o porteiro do colégio onde estudou. Nesse dia o sol batia diretamente no seu rosto, iluminando seus olhos, e embora estivesse um pouco forte, ele ria de alguma coisa que um dos dois havia dito. O pai de Junhong teve que puxá-lo pelo braço para lembrar-lhe que estavam a caminho da diretoria, tão distraído que ficara com aquele sorriso.

Olhou para as próprias mãos com a lembrança nítida em mente, sorrindo pequeno enquanto fitava seu bilhete amarelo, as letras impressas minúsculas e distantes demais para que entendesse alguma coisa. O mais perto que Yongguk chegara de sorrir daquela forma para Junhong foi no dia em que foram ao cinema e, juntos, riram durante a parte divertida da conversa pós-filme. Não tinha sido direcionado a ele, nem tinha sido por causa dele, mas dessa vez eram eles que estavam conversando, então era uma memória que valia a pena guardar.

Ele se virou em direção aos trilhos, fechando os olhos. Algumas pessoas que estavam ali o observavam de soslaio, porque ele parecia triste.

Enganados estavam, por dentro ele estava feliz. Um sol de verão esquentava-o por trás das pálpebras e um homem estranho falava sem parar sobre tintas com um porteiro que ouvia tudo atentamente. Ele parecia animado e não parava de sorrir, dizendo como achava que a quadra do colégio ficaria depois da cor nova.

Aquele sorriso se tornaria seu preferido.

 

 

Yongguk sentiu a ventania passar perto do rosto. O metrô tinha chegado mais rápido do que esperava.

Esperava não era uma palavra muito correta, se revelasse que estava tão perdido em pensamentos que tinha quase esquecido o motivo de estar ali. Isso fez com que os outros passageiros, que de fato esperavam, se apressassem e entrassem primeiro, e ele, por último.

Não sobrou lugar para sentar. Ficou de frente para as portas, que ainda estavam abertas, sem se preocupar em encontrar um apoio para manter seu corpo no lugar.

Enganou-se dizendo que não procurava nada, mas encontrou uma cabelereira loira se destacando meio longe, um pequeno ponto brilhante entre pessoas estranhas que vestiam roupas sóbrias.

Lembrou-se de Junhong mais cedo, falando do seu cachorro como se fosse a única família que tinha. Sorriu.

As portas se fecharam.

 

 

Apertou a campainha uma vez e esperou.

Menos de um minuto depois, a porta foi aberta por uma senhora de pouca idade. Parecia não ter chegado nem aos trinta anos ainda, com seu cabelo chanel escovado e a maquiagem bem feita, realçando seus olhos grandes como os de uma boneca.

– Junhong? – Foi só o que ela disse, a surpresa deixando seus olhos um pouco maiores do que já eram. Seus saltos firmaram no chão e ela não fez menção de se afastar para deixá-lo entrar.

– Dasom. – O mais novo suspirou o nome conhecido em um cumprimento. Pelo menos era a governanta, e não o pai. Não admitiria em voz alta, mas no caminho até ali torceu para não encontrá-lo em casa. – Vim buscar o Mochi. Ele está bem?

– Er, Junhong... – Dasom deu um sorriso sem graça, claramente pouco à vontade. – Você não pode levar o Mochi.

Mesmo usando saltos, não estava alta se comparada ao adolescente. Ele a olhou bem nos olhos e Dasom viu um misto de confusão e raiva direcionado a ela. E embora na maior parte do tempo Junhong fosse um garoto adorável, ela se encolheu no lugar, intimidada pelo olhar dele.

– Por que não? – perguntou com pressa, exasperado por conta do empecilho inesperado, fosse qual fosse.

Foi então que ela fez uma careta.

Sabia que ele odiaria a resposta.

 

 

O prédio da CYF ficava a alguns bairros da sua ex-casa. Tomou-lhe parte da tarde para chegar lá andando, já que nem algumas notas para o ônibus teve paciência para pedir para a governanta, com quem, se possível, não queria falar por um bom tempo.

Como era de se esperar, quando finalmente encontrou a rua certa, estava furioso, faminto e morrendo de sede. Queria jogar o pai do andar dele, e por isso, respirou fundo antes de atravessar a rua, em direção à construção que quase lhe cegava pelas tantas janelas de vidro refletindo o sol das três da tarde.

Era um edifício amplo, como um hospital. Ao ver de Junhong, Change Your Fate era toda gigantesca, desde a largura até o painel com o nome bem no meio das janelas do terceiro de seis andares, com suas letras verde-água destacadas sobre o vidro claro.

Não estava com saco para ficar reparando nos ornamentos ou na decoração do lugar, então seguiu direto para a recepção. As pessoas que seguiam pelo mesmo caminho deixaram que passasse na frente, seu caso parecia de vida ou morte de tanta urgência que mostrava em suas feições. A aura pouco amistosa que o rodeava pode ter ajudado nisso também.

O ar-condicionado matinha o lugar gelado naquela primavera; o suor de Junhong ainda escorria pelo rosto e pelas costas, seu rosto estava vermelho e seus pés doloridos, mas ele tentou se controlar na frente da recepcionista, que engoliu em seco ao ver o garoto.

Ele era lindo, ela pensou, mas parecia que ia pular no seu pescoço. Tinha uma expressão que realmente não combinava com o rosto.

– Com licença, a senhora pode me informar qual é o andar do senhor Choi Himchan? – Ele usou um tom polido, comprimindo os lábios enquanto a mulher piscava em dúvida.

– É o quinto, mas... – Ia dizendo com calma, tentando passar um pouco da sua serenidade para o outro, no entanto ele já tinha lhe dado as costas, caminhando com pressa para as escadas de emergência, já que esperar um elevador estava fora de questão. – Ei!

– Sou filho dele! – rebateu para a mulher desesperada, ignorando o segurança que fez menção de ir atrás dele, mas acabou não indo.

O que era alguns lances de escada para alguém que sentia as pernas quentes a cada passo? Ele firmou o maxilar e subiu tudo de boca fechada, sem reclamar. Recusou a pose de um menino mimado e exigente. Estava indo atrás do que era dele por direito e só.

“Seu pai disse que você não pode levar suas coisas daqui”, Dasom dissera, um pouco antes de fechar a porta com cuidado, pedindo desculpas. Aquilo o ofendeu completamente. Mochi não era um objeto, do tipo que ele podia sair reivindicando porque era dono ou algo assim. Era seu amigo. Estava junto dele desde o primeiro mês em que passou a morar com o pai, se divertiam juntos sempre que chegava do colégio, sujando seu uniforme por causa do espaço com terra que tinha no jardim.

Certo, talvez estivessem um pouco afastados nas últimas semanas, e até mesmo esqueceu-se dele por um intervalo de tempo, negligenciando insensivelmente todo o amor que o amigo lhe dava, mas sua vida estava uma bagunça. Não parecia um motivo plausível, todavia era a verdade. Esperava pedir desculpas em breve, abraçando o pequeno companheiro, que não o recusou nem mesmo nas vezes que chegou fedendo a todo tipo de porcaria em casa.

Chegando ao andar indicado, Junhong deu passos determinados entre algumas portas pouco importantes, chegando até a mesa em que um casal de secretários atendia ligações e recebia pessoas. Só precisava passar pelos dois para chegar aonde queria.

Ambos notaram sua presença, levantando suas cabeças com desconfiança. A mulher falava ao telefone, provavelmente com a recepcionista do térreo, que não deixaria de avisar que alguém estava a caminho. O rapaz ao seu lado se pôs de pé e o encarou. Não devia ser muito mais velho que Junhong, mas o adolescente parou diante dele, mostrando alguma educação.

– Boa tarde. O senhor tem horário? – indagou sem expressão. Sabia que não tinha. Era o secretário quem anotava, afinal.

– Perdão? – O outro se fez de desentendido, aproveitando esses curtos segundos de enrolação para tentar acalmar o coração, que ainda batia forte pelo esforço.

A mulher tinha encerrado a ligação e se levantado também. Sobre o olhar atento do visitante, cochichou no ouvido do colega de trabalho, seus lábios escondidos por uma mão. Uma aliança cor de ouro reluzia no dedo anelar, deixando à mostra que era uma mulher casada.

Aquele anel prendeu a atenção de Junhong enquanto ela passava qualquer que fosse a informação. Ele lembrou-se de um parecidíssimo com aquele, que a mãe usava quando ainda era pequeno. Depois de alguns anos, ele sumiu, assim como ela.

Sendo honesto, ele nunca entendeu os pais. No começo, antes de perceber que a mãe não voltaria, desejou de todo coração que voltassem a ficar juntos. Mas, depois de um tempo, esse desejo foi desvanecendo. Teria sido mais fácil se um deles tivesse simplesmente pedido o divórcio para dar um fim a isso, entretanto, isso nunca foi feito.

E era justamente isso que o incomodava. Era óbvio que já não estavam juntos há mais de uma década, então qual era o propósito de continuarem casados no papel? Até onde sabia, eles nem se viam. Na última visita, quando ela tentou se aproximar dele (o que não deu certo porque ele estava um pouco fora de si e não quis a ajuda da mãe), seu pai não a expulsou, porém se recusou a ficar sob o mesmo teto que ela na maior parte do tempo, escolhendo passar quase todas as noites em um hotel ou mesmo na CYF, dormindo no sofá da própria sala só para não ter que esbarrar na esposa nos corredores de casa.

Idiotas, pensou consigo mesmo, ao mesmo tempo em que a secretária recolhia a mão.

– Sr. Junhong? – O rapaz voltou a se dirigir a ele, dessa vez o chamando pelo nome.

– Sim. – Confirmou com um aceno.

– Vou levá-lo até a sala do Sr. Choi. – Explicou enquanto saía de trás da mesa, seguindo para o único corredor adiante, que ficava a sua esquerda. – Por favor, me acompanhe.

Não tenho muita escolha a essa altura, retrucou para si mesmo, se atentando ao tom sério do secretário para manter a própria compostura.

Passaram por duas portas gêmeas, que pareciam não ter muita importância, até chegarem ao final do corredor, onde uma grande porta-dupla esperava pelos dois. O funcionário, que era bem mais baixo que Junhong, entrou sem bater. O Choi não fazia ideia de quando sua chegada havia sido anunciada, mas preferiu concluir que não precisava disso.

A sala era grande, não esperaria menos que isso. Havia estantes embutidas nas paredes dos dois lados, com centenas de livros cada uma. Eram livros diversos, que aparentavam de fato serem lidos com frequência. Do lado esquerdo, uma mesa longa de vidro com cadeiras a sua volta, e do direito, dois sofás e quatro poltronas bem acolchoadas em um quadrado. Sem dúvida, algumas reuniões eram feitas ali.

Embora houvessem lâmpadas ao longo do teto, todas estavam desligadas. No fundo da sala, enormes cortinas de veludo estavam abertas, deixando um sol tão forte entrar que elas não eram necessárias. Era um dia particularmente quente, e estaria quente lá dentro, se não fosse pelo ar-condicionado, que era tão silencioso quanto se não existisse.

Na frente do vidro, ainda no final, se encontrava a mesa do Sr. Choi. Ela era marrom e estava lustrada, assim como o chão. Um notebook e folhas de papel espalhadas estavam em cima dela, assim como canetas e um porta-retratos que só o dono podia ver a foto. E o mesmo estava em uma poltrona logo atrás, as mãos pairando sobre o teclado do notebook, como se escrevesse algo antes que entrassem ali.

– O senhor disse que... – O secretário começou a dizer, mas o homem levantou a mão.

– Eu sei o que eu disse.  – respondeu e, apesar das palavras, não foi hostil. – Obrigado por trazê-lo e você já pode sair, Jongup. 

O rapaz se curvou e se retirou como foi dito, deixando o garoto alto para se virar com o pai sozinho.

Junhong caminhou em direção à mesa do mais velho. Não teria onde sentar ali, mas não se importou com esse detalhe. Parou de pé a mais ou menos dois metros de distância, analisando e sendo analisado de volta.

– Você deu o nome do seu assistente ao seu gato? – perguntou a primeira coisa que passou por sua mente, beirando ao incrédulo.

– Não. – Himchan negou, como se fosse um absurdo. – Eu contratei um assistente que tinha o mesmo nome que o meu gato. Porque eu amo o Jongup. – Juntou as suas sobrancelhas, de certo achando um motivo plausível, e depois disso acrescentou: – O gato.

Junhong encarou.

– Não estou aqui para falar do seu gato.

– Eu sei, Dasom me ligou faz algumas horas já. – Fechou o notebook, focando somente no filho. – Quer falar sobre aquele seu cachorro bobão.

– O nome dele é Mochi e sim, é sobre ele. – disse, sentindo a raiva de antes voltar. – Dasom disse que você não me deixa pegar minhas coisas, o que isso quer dizer? Você não pode me impedir de levar meu cachorro comigo! Quem vai cuidar do Mochi se ele ficar lá?!

Você vai, assim que perceber que tem que voltar para casa. – Apoiou os cotovelos na mesa, cruzando as mãos através dos dedos e esperando uma reação racional, condizente com o que tinha dito, mas ela não veio. Junhong puxou muito ar para o peito e parecia prestes a gritar. – Garoto, me ouve! Eu sou o seu pai! Você tem a sua casa, não tem que ficar na de qualquer um por aí! Eu não vou te incentivar a continuar com essa insensatez. – Bufou, espelhando a irritação do mais novo. – Posso não ter feito nada desde que você largou o colégio, mas isso já passou de todos os limites! Já está na hora de você perceber o que está fazendo com a sua vida e acordar!

– Você acabou de dizer que a vida é minha, por que quer interferir no que eu faço ou deixo de fazer?! – Junhong bateu na mesa com toda a força que tinha, fazendo-a tremer debaixo das suas palmas, que arderam. – Eu estou indo muito bem sem você!

– Isso não vai durar pra sempre! – Himchan se levantou, também elevando o tom algumas oitavas. – Você não pode ir por esse caminho! – No meio de mais uma frase dura, Junhong já estava começando outra, e sua voz anasalada cobriu a sua.

– Eu não preciso que dure! – Sentiu uma energia inquietá-lo por dentro, e ela passou pelos seus olhos quando jogou quase tudo que tinha na mesa no chão, menos o notebook, que estava fora do seu alcance. –... Não vou viver isso tudo. – Soltou junto a um respirar pesado, que levou parte da energia com ele.

– Junhong... – Passou os olhos pela bagunça, não dando tanto importância assim.

– Olha, me desculpa, eu tô com raiva. – O garoto respondeu levantando uma mão, como se falasse com um estranho. – Só me deixa em paz, por favor.

– É só o que eu quero. – O homem murmurou com um tom cansado, mas o loiro já estava se afastando, voltando pelo mesmo caminho por onde veio. – Junhong!

Ele deixou a porta aberta quando saiu.

 

 

Alguns minutos depois, as coisas ainda estavam no chão, e Himchan tinha se juntado a elas.

Foi sentado lá que o assistente o encontrou um tempo depois, quando entrou e passou a recolher as folhas sem perguntar como tinham ido parar ali.

– Disseram que ele só fez beber água e saiu. – Comentou em tom baixo, agora as arrumando em cima da mesa.

Himchan respondeu com “aham” ou algo assim, mas sua atenção estava voltada para o que tinha em mãos. Era o porta-retratos, que felizmente não tinha quebrado quando caiu junto das outras coisas.

Ele não era pequeno, apesar de simples. A foto que estava segura dentro tinha mais importância que o hospedeiro.

Com seus olhos quase felinos, semelhantes aos do seu gato, Himchan fitava a si mesmo na fotografia, mais de dez anos atrás.

Nela, estava sentado no chão de um quarto iluminado pela luz do dia, recostado a uma parede. Era só um adolescente (por sinal, muito bonito) na época. Entre as suas pernas, um menininho estava sentado também, desenhando em um papel. Da cor escura do cabelo aos lábios, eles eram inegavelmente parecidos. Nenhum dos dois olhava para a câmera, tão perdidos no seu próprio mundo que não notaram a mãe do menino tirando a foto.

– Você não é um pai ruim. – O assistente voltou a falar, olhando a fotografia por trás dele.

– Houve um tempo – Iniciou angustiado, sem um receptor definido de fato. – em que aquele menino que veio aqui era muito, muito pequeno. Ele era tão pequeno que eu podia só abraçá-lo e ele sabia que podia confiar em mim.

Tomado por uma saudade lancinante, levou o porta-retratos até o peito e, o cobrindo com os braços, permaneceu em silêncio.

Depois de um tempo, foi deixado sozinho.

 

 


Notas Finais


Hm... Aonde será que o Junhong foi? Essa e outras perguntas respondidas no próximo capítulo! XD

*Change Your Fate (ou CYF): É um nome em inglês, e significa “Mude Seu Destino” (Tem esse nome porque é um lugar onde, entre outras coisas, fazem experimentos com possíveis máquinas do tempo).

**Vocês podem imaginar a Dasom como a do Sistar :D (E, para quem não sabe, Sistar é um girlgroup coreano muito legal também e vale a pena conferir! ~momento propaganda~)

***Nunca estive em um metrô e o meu pode ter parecido meio diferentão se você já esteve em um aqui no Brasil (ou na Coreia né, vai saber), então me desculpe, mas no meu você tem que passar um papel com o código de barras (o tal bilhete) em uma máquina antes de entrar no metrô. Não descrevi esse momento porque achei meio inútil, mas agora vocês sabem o motivo do Junhong ficar segurando aquela bodega até o metrô dele chegar.
Essa informação não vai mudar a vida de vocês, eu sei, mas pelo menos vocês podem dizer pros amiguinhos que leem as minhas notas até o fim U.U

E é isso por hoje :3
Até o próximo!


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