História Carpe Diem - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens D.O, Kai, Personagens Originais
Tags Exo, Kai, Kaisoo, Kyungsoo, Sandman
Visualizações 68
Palavras 4.927
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Fluffy, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Xegay!! É quarta e como prometido, aqui estou (por mais que eu quase não iria vir, pq teve um super apagão na minha cidade por dois dias e eu já tava perdendo as esperanças).
Anyway, queria agradecer a todas as pessoas que favoritaram a fic até agora, se eu pudesse eu favoritava vocês, seus lindos!!
Sem mais delongas, enjoy!!
(Qualquer errinho eu conserto depois)

Capítulo 3 - Quarta


Fanfic / Fanfiction Carpe Diem - Capítulo 3 - Quarta


– Deus, é uma mosca!

– Irrc! Uma mosca!

– Acorde a mosca, Hyungnim.

Ele escutava vozes ao seu redor, mas mesmo que sua mente gritasse que ele deveria acordar e ver o que estava acontecendo, seu corpo simplesmente se recusava a mover um centímetro que fosse.

Só mais um pouquinho...

Só mais cinco minutos...

Ele estava tendo um sonho tão bom...

Mas é claro que tudo que é bom dura pouco. Ele não sabia de onde viera, mas, de repente, água fria foi jogada em sua cabeça. Rapidamente, ele saiu da terra dos sonhos e colocou sua mão em seu rosto, tentando se proteger da enxurrada.

– Qual é seu nome idiota, mosca?

Aquela voz mais uma vez soou ao mesmo tempo em que uma mão fria pegava sua orelha direita, sem nenhuma dó. Jongin soltou um grunhido de dor e seus olhos se abriram.

Do lado de sua cama estavam três garotos distintos. Todos vestidos com o uniforme padrão de Saint Hilarion. Todos com temíveis olhos brancos e vazios.

– Ai! Por favor! Sou Kim Jongin! – quando dissera seu nome a mão puxou ainda mais forte sua orelha para depois soltá-la.

– Agora melhorou! Meu nome é Hyungnim. – o garoto que estava puxando sua orelha se apresentou. Ele era alto e esguio. Seus cabelos loiros eram espetados para cima e em sua pele quase cinza podiam ser vistas marcas do que um dia foram espinhas. Ele exibia um sorriso que Jongin classificava como "você vai se arrepender de ter me conhecido". Ele já se arrependia.

– Sou Jongil. – aquele a direita de Hyungnim disse. Esse já era maior, seu cabelo era castanho escuro e suas mãos grandes se fechavam como se fizessem questão de serem observadas por Jongin, um aviso claro do que viria a seguir.

– O meu é Jaesung. – o mais alto falou. Seus cabelos eram pretos e não havia sorriso maldoso nenhum em seu rosto. Mas por algum motivo, ele era o que Jongin mais temia dos três. – Somos veteranos.

Bem veteranos. – Jungil completou o companheiro rindo de sua própria piada.

A orelha de Jongin doía e sua mente recém acordada demorava em processar as coisas ao seu redor, mas de duas coisas ele tinha certeza: que aqueles três estavam mortos e que ele provavelmente também estaria quando acabassem com ele.

Hyungnim estava prestes a falar algo quando um estrondo fora ouvido. O barulho veio da porta, que fora brutalmente aberta. Por ela passou uma figura tão temível quanto os três adolescentes mortos aos olhos de Jongin.

– Vocês três! Seus garotos estúpidos! Conheço vocês! Não pensem que não! Fiquem longe do menino! Jungil, Hyungnim e... Hmm, Jaesung, não é?

Ele era velho, gordo, morto, se vestia formalmente demais até para um professor, e em sua mão direita carregava um pedaço retangular e comprido de madeira que Jongin suspeitava que fosse usado antigamente para castigos corporais em alunos desobedientes. O pesadelo de todo estudante.

Quando Jongin virou sua cabeça em direção aos seus três primeiros visitantes, ele percebeu a incrível mudança em sua postura. Os três agora olhavam para baixo, suas mãos juntas em suas costas, seus ombros curvados em submissão e nenhum sinal da maldade que antes transpareciam com tanta paixão.

– Sim, Diretor. Desculpe, Diretor. – aquele era, incrivelmente, Hyungnim quem falava.

– Eu nunca confiei em vocês três. Fizeram algo com o garoto que desapareceu, não foi? – Jongin, de repente, ficou mais alerta sua cama. Garoto que desapareceu? Poderia ser sobre Kyungsoo que ele estava falando?

– Nós, não, senhor. Não, senhor. – Jungil negava, seus olhos ainda pregados no chão.

– Mentirosos! – o Diretor apontou a palmatória para eles. Parecia prestes a explodir de raiva, mas se controlou com um suspiro. – Mas é tudo história agora.

Ele se virou e caminhou em direção a porta. Antes, porém, de atravessá-la, voltou a encarar o grupo.

– Reunião em 20 minutos no salão principal. – decretou. Encarando apenas Jongin agora, continuou. – E você, garoto vivo, limpe-se!

– S-sim, senhor. – ele nem ao menos esperara Jongin responder e simplesmente saiu.

Francamente! Era isso que ele se tornara agora? Um garoto vivo em meio aos mortos?

Ele ouviu passos e sua atenção retornou ao trio de antes. Eles estavam indo em direção a porta também, mas antes que saíssem Jaesung lhe lançou um olhar penetrante.

– A gente pode esperar, mosquinha... Pode esperar.

Ao ter a porta fechada, Jongin deitou de novo em sua cama molhada. Com um longo suspiro ele fechou seus olhos, mesmo que não pudesse dormir de novo.

Pai, se você ao menos imaginasse o que está acontecendo por aqui...

Depois de fazer sua higiene matinal e se vestir adequadamente, Jongin saíra dos dormitórios e fora em direção a tal reunião. Antes de chegar lá dera uma rápida passada no salão de jantar, apenas para confirmar que não havia comida nenhuma a vista. Mas com quem poderia reclamar de fome? Com os mortos? Sabe-se lá o que eles lhe dariam para comer.

Com a barriga roncando, Kim Jongin se dirigiu para o salão principal.

Ao chegar lá, o Kim encarou o salão, perplexo. Se antes ele pensava que não devia haver muitos garotos mortos na escola, agora ele estava certo de seu engano. Sem contar, Jongin soube que pelo menos dez fileiras foram ocupadas no auditório. Todos os ocupantes mortos.

Ele devia se sentar, mas onde? Onde estaria seguro? Ele podia facilmente ver os três valentões na última fileira, então, tratou de andar na direção contrária.

Seus olhos passavam por alguns lugares vazios enquanto andava, tentando ignorar os olhares mortos em si.

Ele continuava a andar, mesmo já tendo passado por algumas carteiras vazias, mas seus olhos agora estavam nos mortos, procurando um certo alguém entre eles. Mas será que ele estaria aqui? Não é como se ele gostasse de deixar aquele sótão.

Jongin quase sorrira quando conseguiu encontrar o garoto do sótão com, felizmente, um lugar livre ao seu lado. Kyungsoo também olhava ao seu redor, como se procurasse por alguém.

Quando seus olhos o encontraram ele os desviou rapidamente, mas Jongin sabia que estava mais do que convidado para sentar ao seu lado.

Ao se sentar, ele se inclinou para mais perto do outro, para que apenas Kyungsoo pudesse escutá-lo.

– Pensei que não viria.

– Tente desobedecer ao Diretor Park alguma vez, aí você vai entender porque eu vim. – um sorriso se formou em seus lábios cheios, Jongin podia apenas correspondê-lo.

Sim, ele podia estar cercado por adolescentes que pecaram ao ponto de ir parar no inferno, mas pelo menos Kyungsoo estava ao seu lado. Ele sentia que podia confiar naquele baixinho.

– Você está bem? Parece meio... Cansado. – ele observou, suavemente. Olhava preocupado para Jongin, seus olhos brancos encarando diretamente os seus, mas não havia mais aquele constrangimento inicial.

– Estou bem. É só que três caras invadiram o dormitório e jogaram água em mim enquanto eu dormia. – deu de ombros enquanto falava. – Não dormi tudo o que tinha pra dormir. Por isso as olheiras.

– Que caras? – seu rosto agora estava preocupado. Suas sobrancelhas delicadas se franziam. Jongin teve uma súbita vontade de passar seus dedos por elas, para que voltassem a relaxar, mas se conteve.

– Acho que seus nomes eram Jaesung, Jungil e... – antes que terminasse de falar, a mão de Kyungsoo apertou seu pulso. Era a primeira vez que se tocavam, Jongin não pode deixar de notar. O contato fizera com que suas veias pulsassem mais rápidas e seus poros se arrepiassem, se era por causa da pele fria do garoto em contato com a sua quente ou por outra coisa, Jongin não saberia explicar.

– Desculpe, eu... – poucos segundos se passaram e Kyungsoo retirara sua mão, parecendo mais embaraçado do que nunca. – Só... Fique longe deles, está bem?

– Está bem, eu vou. Não se preocupe. – sem pensar, Jongin levantou seu braço e sua mão percorreu o cabelo preto de Kyungsoo.

Para alguém morto, seu cabelo era bem mais macio do que havia imaginado. Fora um gesto simples, ele só queria acalmar o garoto, mas se soubesse que Kyungsoo iria congelar totalmente com essa ação, não teria feito. Devagar, ele retirou sua mão do cabelo do outro, sentindo as pontas de seus dedos formigarem levemente.

Kyungsoo estava completamente estático olhando para frente do auditório, assim como na primeira vez em que se encontraram. Envergonhado demais por ter se deixado levar, Jongin preferiu apenas seguir o exemplo do garoto e também encarar a frente.

Mas uma pergunta, de repente, assolou sua mente e, dessa vez, ele não se conteve.

– Por acaso, aqueles foram os garotos que...

Não teve a chance de terminar sua pergunta, pois o Diretor morto agora estava no centro do palco, em frente a um microfone. Não demorou muito e começou a falar com sua voz rouca.

– Para os garotos de antes ou depois da minha época, meu nome é Park. Fui Diretor daqui de 1901 até minha morte, em 1916. E eu sou o Diretor daqui de agora em diante. – uma pequena pausa fora feita para ajustar o microfone mais perto de sua boca. – Nós existimos em uma época interessante. Porém, apesar de qualquer atrito que possamos ter experimentado, estamos todos de volta a escola, a velha escola... E não tolerarei indolência, ou falta de disciplina, de nenhum de vocês, garotinhos maus.

O Diretor continuava em seu discurso e Jongin o encarava boquiaberto. Chegava até a sentir certa saudade do antigo Diretor, pelo menos ele não parecia um ditador.

– Ele era Diretor na sua... Época? – Jongin voltou a encara o pequeno ao seu lado que, felizmente, não estava mais em estado de transe.

– Sim, mas ele não é tão ruim quanto parece.

– Bom, se ele estava no inferno... – os dois riram baixinho, cúmplices.

– Mas eu também estava no inferno! – disse, em um falso tom indignado.

– Mas você é claramente uma exceção. – os olhos de Kyungsoo desviaram para suas próprias mãos com essa resposta. Mais uma vez Kyungsoo teve aquela impressão que, se não estivesse morto, estaria corando agora.

Sem ter mais sobre o que falar, os dois voltaram suas atenções para o novo velho Diretor, que ainda não tinha dito tudo o que queria dizer.

– Todos vocês morreram aqui ou não tinham para onde voltar. Parece que sou o único mestre que reassumiu seus deveres em St. Hilarion. Muito bem, pestinhas, eu sou o único mestre. – Jongin pensou que ele tinha razão. Fora ele, não havia nenhum outro adulto morto por ali, talvez porque uma vida como professor já era o bastante. – Vou lhes ensinar o que aprendi. Aprendi muitas coisas no inferno. Você, rapaz! O que está chorando. Primeira fila. Qual é o seu nome?

O Diretor de repente apontou para um menino pequeno com olhos mortos e molhados.

– Kim, senhor. Kim Jaehyung, senhor. – ele agora tremia com toda a atenção que recebia.

– Quando esteve aqui?

– Morri em 1953, senhor. Eu me enforquei, senhor. Sinto muito, senhor. Eu não queria, senhor.

– É claro que queria, garoto burro! Agora pare de chorar, ou lhe darei um motivo para isso. – o Diretor explodiu. – Ficarei esboçando uma programação para a escola, portanto, este dia será devotado para o estudo silencioso, não quero um ruído.

Um pequeno burburinho se formara entre os alunos. Obviamente, nenhum estava satisfeito em estudar após a morte.

– Mas pra quê? Isto é, o que vamos estudar? Línguas mortas? – um estudante com longos cabelos loiros se pronunciou, causando risos entre alguns dos mortos. Infelizmente, ele também estava na primeira fileira, e não foi nada difícil para o Diretor jogar sua palmatória bem em sua cabeça.

– Muito cuidado com seus modos. Quem é você? – ameaçou, o Diretor, seus olhos brancos se estreitando em linhas cheias de crueldade.

– Park Daehee, senhor. Engasguei com meu próprio vômito em 1977. Bebida e pílulas. – respondeu, sem que o velho precisasse perguntá-lo.

– Corte o cabelo, Daehee! – mais alguns risos foram ouvidos. – Vocês são estudantes. Estão na escola. Vieram à escola para estudar. Portanto, vocês estudarão. Mens sana in corpore mortua, hein, garotos? "Uma mente sã num corpo morto..." – terminou seu discurso com um sorriso questionável na face pálida.

Como dito, o dia fora usado para estudo silencioso. O Diretor dividiu os alunos em dois grupos, um ficou na biblioteca e o outro no salão de jantar, todos com um livro para ler.

Infelizmente, Kyungsoo e Jongin ficaram em grupos diferentes, talvez porque o Diretor tivesse notado que conversavam durante seu anúncio.

Felizmente, Jongin e seus três agressores também ficaram em grupos diferentes. Mas isso, porém, significava que eles estavam com Kyungsoo. Jongin podia apenas esperar que o morto seguisse o próprio conselho e ficasse longe deles.

O vivo não sabia quantas horas ele passara no canto mais reservado da biblioteca, quando o Diretor entrou, anunciando que a hora do estudo acabou.

Sem esperar nem mais um segundo os garotos mortos saíram da biblioteca apressadamente. Jongin se perguntou o que eles fariam durante toda a noite – já que não dormiam –, mas, pensando bem, preferia não saber.

Ele andava rápido pelos corredores em direção ao dormitório, tanto para se ver livre dos olhares curiosos, quanto para verificar se uma certa pessoa estava bem.

Ao chegar a seu destino ele nem ao menos parou de andar, se dirigindo para o centro do local e puxando aquela tão conhecida cordinha.

Os raios de luz do sol da tarde estavam se extinguindo dentro do sótão. Jongin achou que encontraria Kyungsoo sentado defronte a janela, como sempre, mas hoje o garoto zumbi estava andando de um lado para o outro dentro do cômodo, tão concentrado que nem ao menos percebera quando seu visitante chegou.

Foi preciso que Jongin fingisse uma tosse para que fosse notado pelo pequeno, que olhou com seus grandes olhos brancos para o invasor.

– Você me assustou!

Jongin não conseguiu evitar rir da situação irônica. Tecnicamente, ele deveria ser o assustado da relação, mas já há um tempo percebera que Kyungsoo era tão vítima das circunstâncias quanto ele.

– Não foi minha intenção, pequeno. Desculpe. – o apelido saíra tão naturalmente e parecia se encaixar tão bem com Kyungsoo que Jongin não se importaria se acabasse repetindo-o mais vezes, mesmo com a expressão embaraçada que o outro exibia. – No que estava pensando?

– O-o quê?! Eu... Hã... Nada. Nada mesmo. – todo aquele gaguejar apenas deixou Jongin mais curioso ainda. Kyungsoo, no entanto, não parecia nem um pouco disposto a compartilhar seus pensamentos. Ele agora estava virado para a janela, ainda em pé, de costas para Jongin.

Unindo suas mãos em sua costa, Jongin caminhou suavemente até o lado do garoto morto, seus passos soando levemente no assoalho de madeira. A cada passo que ele dava, Kyungsoo sentia os poros de seu braço se arrepiando, o que era engraçado, não sabia que seu corpo ainda era capaz de produzir as sensações que sentia quando estava perto de Jongin.

Os dois ficaram lado a lado, ombro a ombro, defronte a janela. Um alto, o outro pequeno. Um moreno, o outro pálido. Um quente, o outro frio. Um vivo e o outro... O outro morto. Mas, de certa forma, eles pareciam não sentir a esmagadora diferença que existia ali e, talvez... Talvez até gostassem um pouco disso.

Jongin nunca conheceu ninguém como Kyungsoo na vida e, mesmo na morte, duvidava que fosse conhecer.

Kyungsoo teve que esperar a própria morte para conhecer alguém que o fizesse se sentir tão vivo quanto Jongin.

Em um tom brincalhão, Jongin empurrou levemente o ombro de Kyungsoo com o seu.

– Você está bem? – havia preocupação em sua voz. Sua mente ligava o fato do nervosismo aparente do garoto com o trio do horror sem que pudesse se impedir. Se eles fizeram alguma coisa com ele...

– Sim, estou.

– Tem certeza? Aqueles três garotos mortos, eles não...

– Eles nem sequer estavam no salão de jantar. – deu de ombros. Jongin soltou um suspiro aliviado. – Jongin... – ele começou, atraindo a atenção do moreno. – Eu posso... Pedir uma coisa?

Jongin tentou encontrar seu olhar, mas Kyungsoo mirava atentamente o chão, parecendo mais envergonhado do que nunca. Jongin começou a imaginar todos os tipos de pedido que pudessem vir do pequeno, desde os mais simples como dinheiro emprestado, ao mais complicados como pedir que Jongin lhe desse sua alma para que ele pudesse retornar a vida. Ele andava lendo muito Stephen King.

Antes que Jongin pudesse respondê-lo, Kyungsoo continuou.

– Não. Esqueça. Não era nada. – sacudindo sua cabeça com força, como se tentasse tirar uma ideia de sua mente, ele se virou e começou a andar até a outra parede do sótão, tentando colocar o máximo de distância possível entre ele e Jongin.

No entanto, antes que conseguisse se afastar o suficiente, a mão de Jongin envolveu seu cotovelo frio, mantendo-o parado onde estava. Ele podia sentir o calor do garoto vivo se espalhando pela pele de seu braço. Aquela sensação boa só piorava as coisas.

– Não! Me diga o que é. Eu posso... Eu posso tentar fazer o que quer que seja. – é claro que ele temia que o tal pedido não fosse nada agradável de ser feito, mas temia mais ainda que Kyungsoo se afastasse agora, que estavam tão confortáveis um com o outro.

– É idiotice, sério. Foi só uma ideia idiota. – ele nem ao menos o encarava enquanto dizia tais palavras, sua face voltada para o outro lado, mas Jongin notava o leve tom de desespero em sua voz. Ele podia até imaginar as sobrancelhas franzidas do morto.

– Mesmo que seja idiota, só me diga. – o que pareceu um longo momento de silêncio se passou. Lentamente, a mão de Jongin deixou o cotovelo do outro, Kyungsoo ainda se recusava a encará-lo. A atmosfera no sótão estava mais do que pesada. Jongin percebera que eles nem ao menos haviam ligado a luz, deixando o quarto ser banhado pela luz da lua cheia, que entrava pela grande janela. O cômodo todo brilhava em tons de prata, e a pele pálida do mais baixo parecia quase transparente. – Você está com vergonha?

– Sim. – a resposta veio tão baixa que, se Jongin estivesse um pouco mais longe, ele poderia não ter escutado. Mas ele escutou.

– Por que não fazemos o seguinte: nós nos sentamos no chão, você cobre seus olhos e me conta, como se eu não estivesse aqui. Se for algo que eu não esteja disposto a fazer, eu vou simplesmente sair do sótão e podemos fingir que isso nunca aconteceu.

Mais um momento silencioso seguiu, enquanto Kyungsoo ponderava a ideia.

– E se... E se você estiver disposto a fazer? – Jongin queria que ele simplesmente se virasse e visse que não precisava esconder nada dele, mas entendia a insegurança do garoto.

– Então, eu simplesmente farei. O que quer que seja.

Dentro do cômodo tudo o que podia ser ouvido era o arrastar de pés no chão. Sem precisarem trocar um olhar, os dois retornaram para a tão conhecida janela e se sentaram, um de frente para o outro, suas pernas cruzadas como se estivessem meditando.

Sem aguentar por mais tempo o olhar de Jongin, Kyungsoo cobriu seus olhos com as duas mãos, sua face voltada para baixo. Ele não achava que aquilo iria ajudar, ainda estava completamente ciente da presença do outro, podia até ouvir sua respiração, mas era grato por não precisar encará-lo de volta.

Por outro lado, Jongin conseguia sentir as batidas de seu coração aumentando drasticamente o ritmo, só esperava que Kyungsoo não pudesse ouvi-lo. Tentou se acalmar, mas estava com medo. O que poderia ser para Kyungsoo ter tanto medo de contar? Estava tão nervoso que a ardência em seu estômago, por causa da fome, nem o incomodava mais.

Ele queria falar algo, incentivar o mais baixo a falar, mas não podia. Então, esperou, até que Kyungsoo reunisse coragem o suficiente.

Eles formavam um belo quadro ali, sentados de frente para a janela, suas peles sendo banhadas pelo luar, era nisso que Jongin estava pensando quando Kyungsoo finalmente se pronunciou.

– Sabe, eu tinha dezessete anos quando… aconteceu. Minha mãe nunca gostou de ter muita gente em casa, então, assim que completei a idade necessária, ela me matriculou em Saint Hilarion. Eu basicamente cresci e me tornei quem eu sou aqui e… Não é como se fosse muito. Na verdade, é quase nada. Eu não tive irmãos e a casa dos meus pais era bem afastada da cidade, então, nunca tive amigos. Eu era bem solitário. Pensei que faria amizades, já que moraria aqui, só que não foi bem assim. Metade dos garotos que estudavam comigo eram tão solitários quanto eu e pareciam gostar da solidão, ou, pelo menos, estarem acostumados a ela, mas não é como se eu tivesse me esforçado para falar com algum deles. A outra metade se juntava em bandos e parecia querer descontar sua raiva do mundo e desse lugar no primeiro garoto indefeso que aparecesse em sua frente, nem sempre era eu. – ele pausou, quase não acreditando em como era fácil falar tudo aquilo com os olhos fechados. Ele pensava em não continuar a falar, parar por ali, não queria ver a reação de Jongin, mas, mesmo assim, Kyungsoo continuou. –
Eu já fui vivo uma vez, mas eu nunca… vivi. E agora, que estou morto, percebi o quanto sinto saudades de coisas que eu nunca fiz. Eu nunca matei aula, nunca desobedeci alguém. Eu nunca estive em uma briga. Nunca tive um amigo. Eu nunca… beijei.

Por algum tempo, depois que terminou de falar, Kyungsoo esperou uma resposta, mas não ouviu nada. Queria tirar as mãos do rosto, mas, e se ele estivesse ido embora silenciosamente para não ter que encará-lo? E se ele nunca mais quisesse falar com Kyungsoo? Será que ele havia ao menos entendido o pedido mudo por trás de suas palavras?

Dúvidas e mais dúvidas rodavam pela cabeça do pequeno quando ele sentiu seus dois pulsos sendo envolvidos levemente pelas mãos de alguém. E elas estavam quentes. Lentamente, suas mãos foram colocadas cada uma em uma de suas pernas. Seus olhos permaneciam fechados.

De repente, ele sentiu as duas mãos quentes e macias em suas bochechas. Aquele calor era realmente agradável, e por mais nervoso que estivesse, uma sensação de calmaria se espelhava por seu corpo.

Ele ouviu, então, um farfalhar de roupas contra o chão e, mesmo sem abrir os olhos, ele sabia que Jongin estava se aproximando. Logo, ele podia sentir aquele calor que emanava do corpo do moreno em todo o seu corpo. Ele sentiu a respiração quente tocando seu rosto e, só com aquilo, ele podia se sentir quase desmaiando.

Nada fora dito quando Jongin tocou o seu nariz no nariz frio do outro, sua pele se arrepiando pelo frio, mas não era uma sensação ruim. Seus olhos analisavam agora o rosto do garoto morto. Aqueles filmes de terror com zumbis não faziam justiça nenhuma ao seu pequeno garoto zumbi. Riu internamente com o pensamento.

Seus olhos traçaram um caminho invisível dos olhos fechados aos lábios carnudos do outro. Fechando seus próprios olhos, deixou seus lábios encontrarem um caminho natural até os lábios pálidos.

Foi apenas um leve encostar, suave e delicado e Jongin sentiu os pêlos de sua nuca se eriçando. Por Deus, Jongin até sentia seu estômago se revirar todo – e não de uma maneira ruim – e torcia para que Kyungsoo estivesse se sentindo tão bem quanto ele.

Quando decidiu beijar o menor, Jongin não sabia o que esperar. Afinal, os únicos lábios que beijou foram os de uma garota, e viva, ainda por cima. Achava que os lábios de Kyungsoo seriam secos, mas eles eram macios. Achava que se sentiria enojado com o beijo, mas não podia estar mais enganado.

Os lábios do garoto vivo formigavam quando ele rompeu o selinho. Tentando recuperar sua respiração, ele abriu os olhos, sua testa permanecendo encostada a de Kyungsoo. Ao contrário dele, Kyungsoo parecia estático, ainda processando todas as suas emoções. Quando seus grandes olhos brancos encararam o garoto vivo, Jongin se sentiu corar, ao perceber isso, um sorriso tímido tomou conta de seus lábios.

As mãos pálidas, antes descansando em suas pernas, se levantaram e também tocaram as bochechas quentes do garoto a sua frente. Jongin sorriu com o contato frio e inclinou levemente sua cabeça na mão destra do morto.

Inclinando sua cabeça para frente, Jongin buscou, de novo, os lábios do outro. Ainda não tinha uma opinião formada, ele precisava de mais para definir o que sentia.

O selinho fora mais longo dessa vez, os lábios apenas se tocando castamente, deslizando um sobre o outro. O contato se transformou em pequenos selinhos rápidos que Jongin distribuía pela boca do outro, fazendo um sorriso nascer ali. Os dois sorriam agora, pareciam brincar com os lábios um do outro, apenas provando aquela sensação que não imaginavam ser tão boa.

As mãos de Jongin desceram para o pescoço de Kyungsoo, seus dedos acariciando alguns fios em sua nuca. Olhando determinado para Kyungsoo, Jongin o puxou mais uma vez para si, seus lábios se encostando, mas, dessa vez, movendo-se de um modo mais determinado um contra o outro.

Kyungsoo, que já considerava os selinhos umas das melhores coisas que já sentiu, mal pode se conter quando sentiu os lábios de Jongin chupando seu lábio inferior. Um arquejo, quase um gemido, deixou sua garganta. Havia se sentido envergonhado com o som, mas este parecia ter apenas incentivado Jongin, que agora roçava seu dentes no lábio carnudo.

Jongin estava completamente concentrado em sentir os lábios do outro, então, foi apenas natural quando ele começou a passar a ponta de sua língua na boca do outro. Kyungsoo disse que queria saber como era beijar, então, ele não sairia dali até ter saciado toda a curiosidade do garoto.

Ao sentir a ponta da língua deslizando em seu lábio, Kyungsoo se assustou, suas mãos apertaram um pouco as bochechas do outro e sua boca cedeu um pouco, abrindo-se  para Jongin. Sem querer assustar o garoto com nenhum movimento brusco, Jongin começou a explorar sua boca devagar, apreciando mais do que devia como as duas bocas estavam encaixadas. Quando a língua tímida de Kyungsoo encontrou a sua, dois suspiros foram ouvidos. Aquilo era bom demais.

De repente, as mãos de Jongin vagaram para a cintura de Kyungsoo, puxando o corpo do garoto para mais perto do seu, necessitando dele. Sem perceber quando e como, eles agora estavam de joelhos na frente um do outro, permitindo que seus peitorais se tocassem livremente, os braços de Kyungsoo se envolvendo o pescoço de Jongin, puxando seu rosto para mais perto do seu, aprofundando a dança que as línguas travavam.

Jongin estava se segurando, ele não queria separar o ósculo, mas a necessidade de ar gritava em seu pulmão, então, afastando levemente os corpos,  ele quebrou o beijo, respirando pesadamente.

– Desculpe! É que eu não preciso respirar, então, eu não... – Kyungsoo falou quase desesperado, se sentindo culpado ao ver o mais velho respirando com dificuldade. Estava tão envolvido no beijo que nem ao menos lembrara que o vivo precisava de ar. Jongin riu divertido e o interrompeu com um selinho.

– Tudo bem. Acho que estar morto tem suas vantagens.

Os dois riram da frase. As mãos de Jongin continuavam na cintura de Kyungsoo, ele gostava de como elas ficavam lá, se encaixavam tão bem na cintura pequena.

Finalmente se dando conta da posição em que estavam, Kyungsoo tirou suas mãos do pescoço do outro, como se a pele do moreno tivesse lhe dado um choque. Depois, sem saber onde colocá-las, acabou depositando-as no ombro de Jongin. Nunca se sentira tão envergonhado em toda a sua vida, ou morte. Mas não se arrependia, nem um pouco. Apenas não conseguia encarar o mais alto nos olhos.

– O-obrigado. – gaguejou, seus olhos voltados para o chão.

Jongin retirou uma das mãos da cintura de Kyungsoo e a levou até seu rosto, seu dedão acariciando carinhosamente a bochecha fria. Reunindo sua coragem, os olhos mortos de Kyungsoo fitaram Jongin, um sorriso de canto esticava seus lábios, seu olhar transmitia tanto carinho, de um jeito que Kyungsoo nunca havia sido olhado antes. Ele queria se afundar naqueles olhos.

– Você não me precisa me agradecer, pequeno. – enquanto falava, sua testa descansou contra a de Kyungsoo, a ponta de seus narizes se tocando e a respiração de Jongin beijando a pele pálida do outro. – Foi um prazer. Acredite. – sua voz estava baixa, quase um sussurro. Fazia Kyungsoo se arrepiar.

Mais uma vez, seus olhos foram parar nos lábios carnudos. Mais uma vez, um beijo foi começado.

As línguas se enroscavam calmamente agora que já se conheciam, provando e apreciando o gosto uma da outra. Os corpos se juntavam de novo, e pequenos sons de aprovação saiam da boca de um para a do outro. Com os dois braços ao redor da cintura de Kyungsoo, Jongin puxava-o mais para si, não permitindo que houvesse uma parte de seu corpo que não estivesse em contato com o corpo do mais baixo. Sendo apertado contra o peitoral do outro, tudo o que Kyungsoo podia fazer era ceder e puxar levemente os cabelos da nuca de Jongin, querendo prolongar aquilo noite adentro.

E eles ficaram ali, se beijando, se tocando. Dois corpos se envolvendo e sendo envolvidos pelo luar. Pausando, às vezes, para que Jongin pudesse respirar, aproveitando esses momentos para apreciar de perto cada traço dos rostos um do outro.

Entorpecido por todos aqueles toques, Jongin não se lembrava quando nem como, mas agora ele estava deitado em sua cama, seu coração ainda martelando contra seu peito, seus olhos voltados para o teto.

Se lhe dissessem, na semana passada, que hoje ele estaria beijando um garoto morto, ele o teria chamado de louco e contado para o Diretor que achava que um de seus colegas não estava batendo bem da cabeça. Parecia tão irreal. Quase se beliscou para provar para si mesmo que não estava sonhando.

Seus lábios estavam inchados devido aos beijos, mas não havia nenhum sentimento ruim em seu coração, pelo contrário.

Ele fechou seus olhos, lutando para dormir de uma vez, ansiando pela manhã seguinte, ansiando por mais momentos ao lado de Kyungsoo e, pela primeira vez, não desejou que seu pai o tirasse dali.


Notas Finais


Se esse é o maior cap da fic? Com toda certeza, mas acho que ficou legal. O que vocês me dizem? Gostaram do momento kaisoo?
É só isso por agora, vejo vocês quinta e que vocês nunca tenham um apagão na cidade de vocês
Xoxo


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